A Perdição do Bilionário: Travis
Capítulo 11
—Esse colar fica lindo em você, Ally — disse Mia Hamilton com sinceridade, que olhava para Ally do outro lado da mesa do restaurante casual.
Quatro pares de olhos femininos se viraram para Ally, murmurando concordância. — Onde você o conseguiu? — perguntou Maddie curiosa.
Ally se mexeu inquieta na cadeira, passando os dedos pelo adorável colar de unicórnio que não tirara desde o dia em que o ganhara de Travis. A semana anterior fora a mais feliz de sua vida e não se passara uma noite sem que Travis estivesse em sua cama. Ele chegara tarde para o trabalho todos os dias, resmungando que mal podia esperar para que ela voltasse a trabalhar na quinta-feira. Travis encheu os dias de Ally com risadas, fazendo brincadeiras o tempo inteiro, e as noites com desejo que nunca ficava insatisfeito.
— Foi um presente de Travis — respondeu Mia por Ally antes que ela decidisse o que dizer.
— Uau, é lindo. — Asha estendeu a mão, afastando os dedos de Ally para examinar o pequeno unicórnio.
— Foi presente de aniversário — murmurou Ally. Olhando para Mia, ela perguntou: — Como você sabia?
Mia tomou um gole d’água e colocou o copo na mesa antes de responder.
— Porque fui eu quem fez. Travis escolheu as pedras e o que eu precisava para confeccioná-lo. E ele me deu muito pouco tempo porque queria que você o tivesse naquele dia.
Ally encarou Mia. O colar que ela estava usando era uma joia de Mia Hamilton? — Achei que ele tinha encontrado em alguma loja.
Mia riu. — E encontrou. No meu estúdio. Ele não conseguia encontrar exatamente o queria e eu tive que fazer o colar. São as pedras de melhor qualidade que existem. E ele desenhou exatamente o que queria. Assim, não foi difícil desenhar o colar, pois ele fez a maior parte do trabalho. Ele sabia exatamente como tinha que ser. É único. O unicórnio deve ter algum significado. Qual é?
O coração de Ally bateu mais forte ao pensar em Travis tendo todo aquele trabalho e despesa só para conseguir uma réplica exata do unicórnio de sua fantasia, tornando a joia ainda mais preciosa. — Eu escrevo como hobby. Ele gostou da primeira história e o unicórnio é um dos personagens.
Ele quer que eu termine os livros.
— E você vai terminar? — perguntou Kara Hudson, sentada ao lado de Asha. — É um gesto muito romântico.
— Com certeza — assentiu Maddie do outro lado da mesa.
— Travis anda muito diferente. Ele finalmente me beijou de volta no rosto quando eu lhe dei um beijo de despedida ontem. E ele está sorrindo.
Não aquela expressão cínica que sempre tem, mas realmente sorrindo.
Imaginei que ele estava fazendo sexo. — Asha lançou um olhar malicioso a Ally. — Estou certa?
— Ai, meu Deus! — exclamou Mia. — Você e Travis estão queimando os lençóis? Eu deveria ter percebido quando vi como ele estava em pânico sobre o colar. Mas achei que você estava noiva.
Ally não tivera a oportunidade de contar a nenhuma das mulheres que terminara o noivado. Somente Asha sabia. Ela explicou o que acontecera com Rick e que não estava mais noiva, mas não falou em Travis. Como o relacionamento ainda era tão novo, ela não sabia explicar o que eram um para o outro.
— Que víbora!
— Filho da puta!
— Idiota!
— Desgraçado!
Cada mulher exclamou um xingamento para Rick à medida que Ally explicava.
— Então você está livre e Travis atacou. Meu irmão é muito esperto —
disse Mia com um sorriso ao dar uma mordida no sanduíche.
Ally balançou a cabeça negativamente. — Eu não diria exatamente que ele atacou.
— Quanto tempo demorou para que ele a levasse para a cama? —
perguntou Asha em tom divertido. — Ele tem uma queda por você há anos.
— Quem disse que eu dormi com ele? — perguntou Ally com indignação falsa. — Talvez estejamos apenas nos tornando amigos.
— Claro que não — comentou Kara ao colocar uma batata frita na boca.
— Você não negou, o que quer dizer que com certeza foi para a cama com ele.
— Travis é atraente, mas sempre foi muito sombrio e rabugento. Mas aposto como isso o deixa melhor ainda — disse Maddie pensativa.
— Pare! — Mia ergueu a mão. — Há um fator de “eca” para mim. Ele é meu irmão. Não quero saber se ele é bom de cama.
Todas as mulheres riram e Ally sorriu.
Mia abaixou a mão e inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, perguntando em um sussurro alto: — Mas você foi para a cama com ele?
Havia algo muito constrangedor em ter a vida sexual questionada pela irmão do homem que virava seu mundo de cabeça para baixo sempre que a tocava. Portanto, ela só assentiu de forma relutante.
— Ai, graças a Deus — disse Mia, endireitando o corpo para continuar a comer. — Não é de surpreender que ele esteja sorrindo.
— Mas não é nada sério — disse Ally nervosamente a Mia. — Quero dizer, estamos só saindo juntos, aprendendo a conhecer um ao outro.
— Carnalmente — acrescentou Asha com um sorriso.
Ally deu uma cotovelada de leve na amiga. — Não é nada sério.
Mia estreitou as sobrancelhas e os olhos dela dançaram maliciosos. —
Então você não conhece Travis bem o suficiente. Mesmo quando era criança, quando decidia que queria alguma coisa, ele conseguia. Ele é irritante de tão persistente quando deseja algo. Em menos de um mês, colocará um anel no seu dedo.
— Não acho que ele será assim comigo. Tenho certeza de que não fará isso — negou Ally constrangida.
— Ele fará — concordou Asha.
— Você gosta dele, Ally? — perguntou Mia preocupada.
— Sim. Provavelmente mais do que deveria neste estágio do relacionamento — admitiu Ally, sabendo que estava começando a gostar demais dele, depressa demais. — Estou um pouco assustada. Acabei de sair de um relacionamento ruim.
— Travis não é assim, Ally — respondeu Mia em tom suave. — Quando ele gosta, gosta profundamente. Pode não ser fácil ganhar a afeição dele, mas, quando isso acontece, ele nunca a trai. E ele queria o unicórnio para mostrar que se importa, pois não é bom ao dar ou receber afeição.
Sinceramente, nunca vi ele se importar assim com uma mulher e sabia que, quando caísse, seria com força. Por favor, não o magoe. Ninguém merece mais ser amado do que Travis. E, com a mulher certa, ele a amará de forma obsessiva e para sempre. É assim que ele é.
O coração de Ally ficou apertado dentro do peito. Ela sabia que daria qualquer coisa para ser aquela mulher. Na semana desde que ela e Travis fizeram amor pela primeira vez, a afeição de Travis já a mudara, fazendo com que ouvisse a voz dele, em vez de todas as coisas negativas que sempre acreditara serem verdade sobre si mesma. — Eu queria poder dar algo a ele
— disse ela baixinho, pensando no apoio incondicional e na fé que ele tinha nela.
— Acho que você já deu — assegurou Asha. — Ele está feliz.
Mia assentiu, concordando, e o grupo de mulheres entrou em uma conversa mais geral. O almoço foi uma ocasião muito agradável e Ally se divertiu conhecendo melhor Maddie e Kara. Era óbvio para ela que todas as mulheres na mesa amavam os maridos até a morte, apesar de reclamarem, em tom divertido, sobre serem superprotetores de vez em quando.
O telefone de Ally apitou na bolsa quando as mulheres estavam se despedindo. Pegando-o, ela sorriu ao ver a mensagem de texto de Travis: Preciso me livrar desta maldita mesa!
Ele reclamara mais de uma vez de como a mesa o distraía, sobre as imagens que o assombravam o dia inteiro. O coração dela deu um salto ao perceber que ela podia ser uma distração para um homem tão concentrado como Travis Harrison.
Ela se despediu de todas as mulheres, prometendo se tornar um dos membros regulares do grupo que almoçava junto toda semana. Quando chegou ao carro, ela se encostou nele e digitou uma mensagem: Como sua assistente, então, é meu trabalho encontrar uma mesa nova para você, sr. Harrison.
Levou apenas um momento para que recebesse a resposta: Claro que não. Ninguém mais usará esta mesa. Acho que continuarei a ser masoquista. Como foi o seu dia?
Ela já sabia que ele se recusaria veementemente a se livrar da mesa, mas riu alto antes de responder:
Ótimo. Acabei de almoçar com as garotas. E o seu?
Ele só respondeu:
Sinto a sua falta.
O coração de Ally derreteu e ela passou o dedo sobre as palavras com um suspiro. Quando Travis dizia ou fazia coisas assim, seu corpo inteiro sentia a dor da falta dele. Travis não era o tipo de homem que demonstrava nem disfarçava o que sentia. Aquelas palavras eram sinceras, uma expressão das emoções dele naquele momento e ela as considerou preciosas, pois sabia que ele não se expressava sem que fosse a sério.
Ela respondeu:
Também sinto a sua falta. Vou fazer jantar para você.
A resposta dele veio rapidamente:
Ficarei mais feliz se você for o meu jantar.
Ally mal reprimiu um gemido ao ler aquilo. Ela precisava se abanar e não era por causa da umidade e do calor do sol da Flórida. Não havia nada mais quente do que a atitude alfa exigente de Travis no quarto e a forma como ele dominava seu corpo. Mas respondeu:
Eu me ofereço para cozinhar para você e só o que quer é sexo?
Demorou alguns minutos para receber a resposta dele: Quero muito mais do que sexo. E normalmente as mulheres não cozinham para mim. Obrigado, Ally. Vejo você às seis.
Ela franziu a testa ao ver a resposta dele, tentando entender exatamente o que aquilo queria dizer. As mulheres não cozinhavam para ele? Não, provavelmente não. Ele fazia a maior parte das coisas sozinho. Se e quando tinha um encontro, ela tinha certeza de que a mulher esperava o melhor de Travis Harrison. Ele achava mesmo que ela lhe dera uma bronca? Só estava brincando com ele. Ela não questionava mais se ele a estava usando apenas para sexo e a resposta dele contivera um certo remorso. E, pela primeira vez, ela percebeu que “obrigado” existia no vocabulário dele. Ela ficou emocionada por ele agradecer por algo tão simples. Ela não queria que ele lamentasse por brincar com ela. A verdade era que ela adorava vê-lo divertido e brincalhão, e as conversas apimentadas dele sempre a deixavam excitada. Ally duvidava que mais alguém o visse daquela forma. Ela respondeu:
Às seis está ótimo. E, se você chegar mais cedo, serei seu aperitivo. Mas eu pretendo alimentar você, pois precisará de energia.
Ela prendeu a respiração, torcendo para que ele desse uma resposta divertida. A última coisa que queria era inibir as brincadeiras de Travis porque ele levara o comentário dela a sério. Ele já era solene e sério demais.
E ela queria ver mais o lado leve dele.
Ele respondeu:
Se eu não tivesse uma reunião, já estaria no carro uma hora dessas.
Ally soltou uma risada aliviada e digitou:
Não precisa. Tenho que cozinhar. Mas está quente hoje. Talvez eu tenha que cozinhar nua. Pense nisso em sua reunião. Espero que dê tudo certo.
A resposta veio quase instantaneamente:
Você pagará por isso, mulher!
Sorrindo, ela respondeu:
Estou contando com isso, bonitão. Vejo você mais tarde.
Ally guardou o telefone na bolsa e abriu a porta do carro. Em seguida, foi até o mercado para comprar o que era necessário para fazer um jantar gostoso para Travis, com o coração mais leve do que havia muito não sentia.
Ela é minha!
Travis segurou o telefone com força, olhando para as palavras que Ally enviara.
Ela sente a minha falta.
Ele achara que tinha estragado tudo ao fazê-la pensar que só queria transar com ela. Bem... ele queria transar com ela. A cada minuto do dia.
Mas Travis sabia que o desejo físico era apenas uma consequência do tanto que queria que ela pertencesse a ele. Travis se sentia como um homem das cavernas, com o desejo quase irresistível de arrastá-la para sua caverna isolada onde ninguém conseguiria tirá-lo dele.
Ele se recostou na cadeira e fechou os olhos, com imagens do tempo que passara com Ally durante a semana anterior flutuando na mente. Ele fora objeto de vários dos sorrisos doces e acolhedores dela e cada um deles o atingira como uma locomotiva. Eles ainda discutiam, claro, como a discussão que acontecera por causa do guarda-roupa que ele lhe dera. Travis
resolvera o assunto levando todas as roupas para o andar de cima, ignorando-a enquanto Ally sistematicamente listava motivos pelos quais não podia aceitá-las. Ele vencera quando a beijara até que ficasse sem fôlego e dissera que provavelmente rasgaria todas as roupas ao tirá-las dela. Mas a mulher dele era teimosa demais. Travis queria lhe dar o mundo inteiro e ela simplesmente não deixava.
Se ela soubesse de tudo sobre mim, ainda desejaria ficar comigo?
A chance era de que ela fugisse dele e Travis não poderia culpá-la. Ele contara a Ally muitas coisas que nunca dividira com ninguém. Mas havia algumas coisas que não conseguiria contar a ela, com medo de que olhasse para ele horrorizada e fugisse. E Travis sabia que isso o destruiria.
Preciso só aproveitar o tempo que tenho com ela. Sem pensar no futuro agora.
O problema era que ele não era o tipo de homem que vivia apenas o momento e precisava demais de Ally para sequer considerar a ideia de que ela o deixasse.
Ele abriu os olhos e ficou olhando para o teto. Ally o deixava feliz, mas muito mais territorial do que ele jamais achara que conseguiria ser. Por sorte, ela não parecia se importar com o fato de que ele sempre a possuía de forma rápida e dura. Na verdade, ela parecia gostar. Mas ele queria ainda mais. Queria a submissão completa dela, precisava saber que ela era completamente dele. E isso era algo que não conseguia controlar. Ela sabia que o tinha totalmente sob controle, todos os minutos de todos os dias?
Talvez eu tenha que cozinhar nua.
Ah, sim, certamente ela sabia e fazia tudo o que podia para deixá-lo louco. Ele adorava e odiava aquilo. Era quase como se ela quisesse vê-lo perder o controle e transformar-se em um homem das cavernas.
— Querida, você não faz ideia de como exatamente eu posso ser exigente
— sussurrou Travis, querendo que ela fosse tão desesperada quanto ele era.
Travis sabia que Ally ficava satisfeita sempre que faziam amor. Ele garantia que isso acontecesse. Mas queria que ela se soltasse completamente, que se rendesse totalmente a ele e à paixão furiosa que quase os consumiam sempre que estavam juntos. Ela respondia bem demais e ficava linda quando estava excitada. Mas ele ainda sentia que ela se segurava. E ele era ganancioso, queria tudo que ela tinha a dar.