A Perdição do Bilionário: Travis

J. S. Scott · Capítulo 14 de 21

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A Perdição do Bilionário: Travis

Capítulo 13

— E ainda escolhi o pior homem possível como parceiro — resmungou ela para si mesma, sentindo-se infeliz.

Estranhamente, ela sentia que já começara a se livrar de alguns dos hábitos ruins, recusando-se a acreditar nas vozes negativas que ouvia na mente. Também pretendia trabalhar no restante. Ou talvez não fosse algo tão estranho, pois percebera que Travis iniciara aquele processo. Ele a ajudara a começar a se desviar dos pensamentos negativos normais sobre si mesma.

Ally queria que Travis lhe telefonasse, mas talvez ele estivesse em casa descansando um pouco, apesar de duvidar disso. Provavelmente, ele estava escondendo-se, fugindo. Era o último dia de férias dela e encontraria com ele no dia seguinte.

Com aquele pensamento agradável, ela foi para o computador para escrever.

 

Travis obviamente chegara ao andar superior, denunciado pelo silêncio normal dos funcionários enquanto ele andava até o escritório.

Ally fez a contagem regressiva usual:

— Cinco...

— Quatro...

— Três...

— Dois...

— Um...

Travis passou pela porta exatamente na hora certa, mas não disse uma palavra. Ele a olhou de soslaio, fez uma careta e entrou no escritório sem dizer absolutamente nada.

Por algum motivo, Ally já esperara aquela reação. Ela se levantou, alisando o vestido de cor creme e adorando a sensação do tecido sob os dedos. Era uma roupa perfeitamente profissional, com um cinto decorativo preso à cintura e que ficava confortavelmente sobre os quadris. Mas era um pouco mais curto do que o estilo normal dela. A saia ficava logo acima dos joelhos e o tecido aderia a todas as curvas. Os sapatos de salto alto eram simples e elegantes. Ally adorou o traje completo, mas tentou não fazer careta ao imaginar quanto custara.

Ela balançou a cabeça ao ir para a cozinha e servir uma xícara de café.

Travis nunca a deixaria devolver as roupas que ele comprara. Portanto, era melhor que as usasse.

Sem se preocupar em bater, Ally abriu a porta do escritório de Travis, trancou-a silenciosamente atrás de si e colocou a caneca sobre a mesa. —

Seu café, sr. Harrison.

Os olhos dele não se afastaram da tela do computador. — Ok —

resmungou ele.

Ela tinha razão. Travis estava escondendo-se, e muito mal. A consciência que tinham um do outro era como eletricidade no ar. Era hora de tomar medidas mais dráticas.

— Você deixou uma coisa na minha casa — disse ela em voz baixa e sedutora.

Ele olhou para cima, com a expressão sombria ao ver a gravata preta pendurada nos dedos dela. Inclinando-se para a frente, ele estendeu a mão com uma careta, mas Ally puxou a mão. Dando a volta na mesa, ela se posicionou atrás da cadeira dele.

— Acho que não, Travis. — Ela puxou os ombros dele contra o encosto da cadeira e passou a gravata em volta dele, prendendo-o e dando um nó apertado que segurou o corpo de Travis na altura dos cotovelos.

Ele poderia ter lutado facilmente, mas ficou sentado imóvel quando ela deu a volta na cadeira, parando à sua frente. — Acho que, como eu lhe dei aquele aperitivo, você pode retribuir me dando o café da manhã. — Ela se inclinou para a frente antes que ele pudesse dizer alguma coisa, enterrou os dedos em seus cabelos e beijou-o, segurando-o com força. Ele respondeu imediatamente e eles trocaram um beijo profundo e langoroso. Ela tirou as mãos dos cabelos de Travis e começou a desabotoar a camisa dele, puxando-a para fora da cintura da calça. Ela abriu todos os botões que conseguiu enquanto mordia e passava a língua nos lábios dele. Depois de abrir todos os botões, exceto os de cima que estavam sob o nó da gravata, ela se afastou e endireitou o corpo. Colocando o pé, ainda com o sapato de salto, sobre a cadeira de couro, entre as pernas dele, Ally a empurrou. A cadeira rolou para trás o suficiente para que ela conseguisse ficar de joelhos.

Uma coisa que sempre a perturbara era o fato de que Travis nunca a deixava tocá-lo daquela forma, preocupado demais em perder o controle antes de satisfazê-la. Travis não sabia que ela precisava tocá-lo tanto quanto ele queria tocá-la?

— Ally, o que diabos você está fazendo? — A voz de Travis estava rouca e muito excitada.

— Estou... explorando — disse ela, devolvendo o que ele lhe dissera. —

Quero saber do que você gosta. Diga-me do que gosta. — Ela abriu a camisa dele e passou a língua sobre a fênix majestosa em seu peito. Ele lhe contara como e por que tinha a tatuagem, que simbolizava a dedicação dele em controlar a tempestade da controvérsia depois da morte dos pais. —

Você é tão forte, Travis.

Ela mordeu um dos mamilos de Travis e, em seguida, acariciou-o com a língua. O corpo dele ficou tenso, mas ele não se moveu nem lutou. Ela repetiu a ação no outro mamilo e desceu a língua pelo abdômen de Travis, gemendo ao sentir a pele dele sob os dedos que seguiam o mesmo caminho.

Os dedos ágeis abriram o cinto e o botão da calça e baixaram o zíper. Ela puxou a cueca preta para baixo, libertando o pênis, que estava totalmente ereto e quase parecia se contrair de ansiedade. Ela colocou os dedos em volta do membro enrijecido e suspirou ao olhar para Travis, que estava com a cabeça inclinada para trás. — Minha nossa, você é o homem mais gostoso que já vi. E você é meu, Travis. — Ela apertou de leve o pênis. — Isto é meu. — Ally já descobrira que ele gostava de ouvi-la dizer aquilo.

— Pelo amor de Deus, Ally. Se não parar de me tocar, vou explodir —

disse Travis, olhando para ela.

Os olhares se encontraram em um duelo de vontades, mas Ally estava determinada a vencer desta vez. — É essa a ideia, garotão. — Ela passou a língua nos lábios. — Quero meu café da manhã. E quero sentir seu gosto até que você perca o controle.

— Já perdi — respondeu ele sombriamente.

— Ainda não. Mas vai perder. Eu quis fazer isso desde a primeira vez em que me beijou. É uma das minhas fantasias. E estou no controle neste momento. — Ela sabia que isso não era verdade, que ele a deixava fazer aquilo, mas não importava.

— Também é uma fantasia minha — rosnou Travis.

Ally queria perguntar por que ele nunca a deixara fazer aquilo, mas já sabia a resposta. Travis era totalmente generoso em se tratando de dar prazer a ela. O que não percebia era que ela também sentia prazer em fazer com que ele sentisse o mesmo êxtase.

Baixando a cabeça, Ally passou a língua sobre a cabeça sensível do pênis, lambendo uma gota do líquido salgado e chupando-o devagar.

— Você vai me matar — resmungou Travis, enterrando as mãos nos cabelos dela e fazendo com que a presilha caísse no chão.

Ela deixou que a cabeça do pênis saísse da boca. — Você gosta disto? —

perguntou em tom inocente, imitando o que ele fizera algumas noites antes.

— Puta merda, sim. Só não entendo nada do que está acontecendo —

disse ele sem fôlego.

— Não precisa entender. Só... sentir. — Ally passou os lábios em volta do pênis e enterrou-o na boca, deixando a garganta relaxar. Travis era grande, mas ela o enfiou na boca até onde conseguiu, apertando os lábios em volta do pênis ao deslizá-lo para dentro e para fora.

— Puta que o pariu, estou morrendo — disse Travis ao apertar as mãos em volta dos cabelos dela e movendo os quadris.

Ally se deliciou com cada gemido que saiu da garganta de Travis enquanto gentilmente acariciava os testículos, tentando colocar o pênis ainda mais fundo na boca. Ela lentamente aumentou a velocidade, com Travis tornando-se mais exigente à medida que movia os quadris para encontrar sua boca.

Ally não parou ao erguer os olhos, observando Travis. Ele também a observou, como se estivesse hipnotizado com a visão do que ela estava fazendo.

— Cacete. Cacete. Cacete. Vou gozar, Ally — disse Travis em tom gutural.

E ele gozou. O pênis lançou o líquido quente no fundo de sua garganta enquanto Travis repetia o nome dela sem parar. Ally manteve a boca em volta dele, saboreando cada gota do orgasmo e passando a língua sobre a cabeça do pênis até que Travis relaxou o corpo na cadeira, obviamente satisfeito.

Ela gentilmente guardou o pênis na cueca e arrumou a roupa de Travis.

Ele ainda estava com os olhos fechados quando ela foi para trás da cadeira para soltar o nó da gravata que o prendia.

— Por quê? — perguntou Travis com voz confusa.

— Porque eu queria — respondeu ela docemente. Ela se abaixou para pegar a presilha do chão.

— Meu Deus, o que você está vestindo? — explodiu Travis.

Ally sorriu para ele. — Um dos vestidos que você me deu. Não tinha nenhuma lingerie que combinasse, então eu mesma comprei. — Ela sabia que ele vira a calcinha sexy e a parte de cima da cinta-liga. Fizera de propósito. Erguendo a saia, ela deixou que ele visse o conjunto branco sob a roupa. — Não é bonito? — Era um conjunto relativamente modesto branco com pequenos desenhos cor-de-rosa.

 

Travis a encarou quando ela soltou a saia e arrumou os cabelos novamente em frente a um pequeno espelho decorativo na parede.

Andando até a porta, ela jogou a gravata e os reflexos rápidos de Travis a pegaram no ar.

— Guarde para a próxima vez em que eu resolver fazer isso. — Ela destrancou e abriu a porta, olhando para ele. — Aproveite o café, sr.

Harrison. Mas, só para constar, não vou trazer seu café todos os dias. Hoje foi especial.

Ela saiu do escritório, fechando a porta silenciosamente atrás de si. Seu coração ainda batia depressa e ela estava com os joelhos fracos, sabendo que o que acabara de fazer fora um risco. Mas ela já decidira que viver sem risco não valia a pena. O risco era acompanhado de esperança. E ela manteria a esperança viva por Travis até que toda a crença nele desaparecesse, até que não houvesse mais nenhuma chance para os dois. Ele valia a pena. Vivera na escuridão por tempo demais e precisava conquistar os próprios demônios, caso contrário, eles destruiriam a vida dele. Ele estivera ao seu lado quando Ally precisara de alguém que acreditasse nela e ela queria fazer o mesmo por Travis. Pois, na verdade, ela confiava nele mais do que em qualquer outra pessoa no mundo. Agora, ele precisava confiar em si mesmo.

Ally foi até o banheiro para se limpar antes de voltar à sua mesa.

Ela ficou olhando para a porta do escritório de Travis por um longo tempo antes de voltar ao trabalho.

Travis ficou sentado totalmente imóvel por um longo tempo, atônito, olhando para a porta por onde Ally saíra.

O café estava frio, mas ele o bebeu mesmo assim, tentando entender se o que acontecera fora realmente verdade ou apenas uma fantasia muito vívida decorrente da necessidade que sentia em relação a Ally.

Por que ela não foi embora?

O primeiro choque acontecera quando ele descobrira que Ally estava sentada à mesa de trabalho naquele dia. Ele não esperara que ela estivesse lá. Não depois do que ele lhe dissera na noite em que a deixara para ir ao hospital. Ela estivera tão cansada que não registrara o que ele dissera?

Ele poderia facilmente ter impedido o que acontecera naquela manhã, mas não quisera. Nem mesmo conseguira aceitar ainda o fato de que não fora uma espécie de fantasia surreal. Ele tocou na gravata que estava sobre a mesa, uma prova de que ela realmente estivera lá. Parte dele queria continuar para ver o que aconteceria, sem confrontar a realidade. Ora, a realidade era uma merda. Ele preferia preservar o sonho. Mas o relacionamento com Ally nunca progrediria até que ele a enfrentasse, descobrisse o que estava acontecendo naquele cérebro complicado dela.

Ele apertou o botão do interfone. — Alison, preciso de você. — Ao soltar o botão, ele admitiu para si mesmo que nunca dissera palavras mais verdadeiras que aquelas.

Ele esperou enquanto ela ia até o escritório, sentindo o pênis enrijecer ao observar o vestido de aparência inocente que era, na verdade, um instrumento de tortura. O vestido abraçava o corpo dela em todos os lugares certos e... puta merda, era curto demais. Era realmente uma das roupas que comprara para ela? Ele detestou o vestido. Não... na verdade, adorou o vestido, mas não queria que nenhum outro homem a visse nele. E

certamente não queria que ninguém visse o que ela vestia por baixo dele.

Era branco, pelo amor de Deus. Mas Travis acabara de decidir que a lingerie branca com detalhes cor-de-rosa era a coisa mais sensual que já vira. Talvez a lingerie falasse ao homem das cavernas que tinha dentro de si. A cor doce e virginal fazia com que quisesse arrastar Ally para longe.

Ally se sentou na cadeira em frente à mesa dele com uma xícara de café na mão. Ela arrumara os cabelos e parecia uma assistente profissional e composta. Ora, até mesmo isso o deixava louco.

— Você me queria, sr. Harrison? — perguntou ela polidamente.

Sim. Claro que ele a queria. Mas ninguém nunca saberia que a mulher sentado à sua frente fora, alguns minutos antes, uma deusa sexual de joelhos, chupando seu pau até que ele quase explodira. Ele pigarreou e perguntou: — O que exatamente aconteceu aqui esta manhã, Alison?

— Eu já lhe disse que detesto o nome Alison? Minha mãe me chamava assim e não gosto de ser chamada por esse nome. É por isso que prefiro que as pessoas me chamem de Ally — respondeu ela com voz calma. — E, quanto ao que aconteceu, acredito que você entrou no escritório sem dizer uma palavra. Depois, eu lhe trouxe uma xícara de café... o que quase nunca faço. Em seguida, amarrei meu chefe bilionário obstinado do inferno na cadeira e fiz um boquete nele até que tivesse um orgasmo. Acho que fiz

algo que tinha vontade há muito tempo, transformando em realidade minha fantasia de tocar em você do jeito como eu queria. Parece correto? —

perguntou ela. — Ah, e depois, devolvi a gravata que ele deixou na minha casa depois de usá-la para que eu tivesse vários orgasmos — acrescentou ela casualmente, tomando um gole do café e erguendo a sobrancelha interrogativamente.

Travis quase engasgou com o último gole do próprio café. — O que diabos deu em você? — perguntou ele, mexendo-se desconfortavelmente na cadeira ao ouvir Ally recontar a manhã de forma tão aberta.

— Nada. Eu fiz um boquete em você, que não fez nada de volta.

Puta merda, ela estava tentando deixá-lo louco. Ele tinha certeza disso.

— Nunca mais chamarei você de Alison, se não gosta. Você deveria ter me dito. — Ele fez uma pausa e perguntou: — Você se lembra do que eu lhe disse quando saí para ajudar Kade? Ouviu o que eu disse?

— Sim, ouvi — afirmou ela.

— Por que ainda está aqui?

— Por que não estaria? Eu trabalho aqui. — Ela colocou a xícara sobre a mesa e apoiou as mãos na madeira, lançando a ele um olhar teimoso. —

Suponho que o que quis dizer naquela noite foi que teve um sonho pré-cognitivo sobre seus pais. E que o ignorou, achando que era apenas um pesadelo. Portanto, você se culpa por não ter impedido o que aconteceu.

Você não matou seus pais, Travis. Seu pai matou sua mãe e depois suicidou-se. Ele era mentalmente doente. Está na hora de você parar de se torturar porque não sabia que o sonho se transformaria em realidade. Não foi culpa sua.

Travis encarou Ally, atônito com a ferocidade dela. O olhar era feroz e selvagem, além de extremamente protetor. E toda aquela proteção estava centralizada nele. — Foi a primeira vez que isso aconteceu — admitiu ele.

— Eu me odeio por não ter salvado a minha mãe. Se eu tivesse prestado atenção...

— Você. Não. Sabia. — Ally enfatizou cada palavra. — O que mais aconteceu depois daquilo?

Travis olhou para ela surpreso. — Não acontece com frequência. E, algumas vezes, ainda não acredito. Mas faço alguma coisa se sonho com alguém se ferindo ou morrendo. A pré-cognição não é aceita pela ciência comum. Não deveria acontecer. Nem existem provas de que existe.

— E não há provas de que não existe — retrucou Ally.

— Você acredita nela?

Ally lentamente se recostou na cadeira. — Uma vez, você me disse que eu era pragmática na superfície e uma sonhadora no interior. Escrevo fantasia porque acredito que qualquer coisa é possível, que ainda há muitas coisas neste mundo que não conseguimos explicar. Portanto, tento muito não descartar nada. Não deixo de acreditar em muitas coisas. No caso de coisas como pré-cognição, não é possível provar que existem nem que não existem. — Ela suspirou e olhou para ele ansiosa. — Mas posso lhe dizer que acredito totalmente em você. Conte-me, Travis. Por favor.

O olhar compreensivo e cheio de compaixão de Ally fizeram com que Travis desmoronasse. Ele enterrou o rosto nas mãos e falou. — Como eu disse, não acontece com frequência. Você tem razão sobre o que aconteceu com os meus pais. Olhando para trás, é difícil não me arrepender de não ter prestado atenção, mas achei que fosse apenas um pesadelo. Depois, comecei a ter sonhos recorrentes sobre Mia. Na primeira vez, sonhei que ela estava sofrendo abusos. Ela ainda estava na escola e fui até lá só para ter certeza de que estava bem. Mas os sonhos estavam certos. Ela estava com um namorado violento, o mesmo imbecil que tentou feri-la quando saiu da cadeia, onde eu o coloquei por ter abusado dela. Ela estava casada com Max quando o idiota saiu da prisão e foi atrás dela pela segunda vez. Tive um sonho em que ela fugia, Max e Kade a encontravam e o ex matava todos eles.

— Então foi por isso que você a escondeu. Por que não contou a Kade e Max? E você a salvou do namorado violento quando ela estava na escola.

Seus sonhos, na verdade, a salvaram duas vezes — disse Ally sem fôlego.

— Isso é incrível.

— Eu não soube que o acidente de Kade aconteceria. Queria muito ter sabido. Mas, na noite em que acordei você, eu tive um sonho em que ele estava na sala de espera de um hospital, parecendo desesperado. Eu sabia que havia algo de errado, mas não sabia o que acontecera. Infelizmente, não foi um aviso. Os sonhos só acontecem e, algumas vezes, não acontecem a tempo de evitar alguma coisa. E eu tive um sonho vago sobre Asha em que o ex-marido dela tentava matá-la. Foi por isso que pedi a Tate que ficasse perto dela enquanto tratava a perna quebrada. Tive o mesmo sonho vago novamente na noite antes de ela ser atacada pelo ex-marido.

— E Tate salvou a vida dela — terminou Ally, já tendo ouvido a história contada por Asha.

— Sim — admitiu Travis.

— Então, sua família sabe?

— Não — respondeu Travis irritado. — O que eu diria a eles, Ally?

Acharão que sou tão louco quanto meu pai.

— Não, não acharão — respondeu Ally com voz enfurecida. — Eles nunca acharão isso. Travis, você tem um dom, um dom que salvou a vida de Mia e a de Asha. Não há nada do que se envergonhar.

Ele olhou para ela em dúvida. — Meu pai era doente, Ally. E não é um dom. Acho que é uma maldição. Não é previsível. Nem sempre ajuda...

— Mas ajudou. Entendo sua frustração por não ter controle. Mas você salvou sua irmã e sua cunhada.

— Isso me torna diferente. Separado de todos os outros. Sempre odiei —

resmungou Travis. — Mas, sim, como ajudou Mia e Asha, é melhor ter isso e ser diferente do que ver uma delas ferida.

— Faz com que você seja especial. E você faz com que isso o separe...

especialmente de sua família — argumentou Ally. — Não estou dizendo que tem que contar ao mundo inteiro, mas as pessoas que gostam de você entenderão. Acho que aceitarão melhor do que você imagina.

Aceitariam mesmo? Travis lembrou do que imaginara que seria a reação de Ally e estivera totalmente errado. Seria possível que estivesse com tanto medo de que as pessoas achassem que era tão louco quanto o pai que acabara exagerando? — Vou pensar no assunto — resmungou ele.

— Obrigada — disse Ally, cujo rosto se iluminou com um sorriso.

Travis sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Ele queria dizer a Ally o quanto significava o fato de ela aceitá-lo como era, mas não sabia como. — Fico feliz por não ter me abandonado — disse ele com voz rouca. Não era exatamente o que queria dizer, mas estava falando sério. Ele estava mais do que feliz. Seu mundo inteiro desmoronara quando achara que nunca mais a veria, que nunca mais receberia aquele sorriso doce no futuro. A atitude mandona dela e as palavras safadas naquela manhã quase acabaram com ele. E ela se transformara em uma excelente estimuladora do pênis, o que ele adorara. Desde que o único pênis estimulado fosse o seu, claro. Ally começava a reconhecer a própria sexualidade e ele achava a ousadia dela extremamente erótica. O fato de não tê-lo abandonado por causa da capacidade peculiar de pré-cognição, aceitando-a com certa facilidade, selara o destino dela. Era dele para sempre. Só ainda não percebera isso inteiramente.

— Vale a pena lutar por você, Travis, mesmo que teste meus limites, de certa forma.

Ele detestou a vulnerabilidade na voz dela. — Querida, não existem limites entre nós. Você pode ultrapassar a linha que quiser comigo, quando quiser. Especialmente como fez hoje cedo — disse ele, tentando não recordar o entusiasmo que ela demonstrara.

— Quero que você confie em mim — disse ela.

— Eu confio. É em mim que não confio. Você me perdoa?

Travis observou enquanto ela fingia considerar as palavras dele por um minuto. Durante aquele tempo, ele nem mesmo respirou.

— Hmmm, acho que sim. Mas pode ser que isso exija uma certa compensação de sua parte. — Ela abriu um sorriso sedutor.

— Pode falar — concordou ele ansioso, finalmente respirando de novo.

Não havia nada que não estivesse pronto para dar a Ally.

Ela pegou um manuscrito que deixara ao seu lado na cadeira. — Leia o próximo livro e dê sua opinião sincera. Consegui terminá-lo enquanto estava de férias.

Travis nem notara que ela levara o manuscrito consigo ao entrar no escritório, provavelmente porque estava ocupado demais estudando o vestido torturador. Ele pegou o manuscrito ansioso, feliz por ela ter terminado o livro seguinte. — Isso não é uma compensação, querida. Será um prazer.

— Então posso pedir mais uma coisa? — perguntou ela hesitante.

— Claro.

— Daqui em diante, vai deixar que eu toque em você como fiz de manhã?

Travis quase gemeu alto. Ally o mataria, mas de uma forma boa. Ele queria lhe dar qualquer coisa que ela quisesse e a única coisa que pedira fora poder tocar mais nele? Ele era um bilionário, pelo amor de Deus, capaz de transformar todos os sonhos dela em realidade. Mas a única coisa que ela parecia querer era... ele. — Se fizer isso, é bom que esteja preparada para uma rapidinha — avisou ele em tom perigoso.