A Perdição do Bilionário: Travis
Capítulo 2
Balançando a cabeça, ela voltou ao trabalho.
Jason Sutherland estava com humor excelente ao entrar no escritório de Travis Harrison e sorriu ao ver uma loira bonita sentada atrás de uma mesa logo depois da porta. Certamente era Ally, a assistente de Travis, com quem falara mais cedo naquela manhã. A aparência dela era tão atraente quanto a voz. Não que ele a notaria de alguma forma romântica. Mas ela parecia ser tão charmosa quanto soara ao telefone.
— Sr. Sutherland? — A mulher se levantou da cadeira e abriu um sorriso amigável que o surpreendeu.
Ele estava acostumado a acolhidas artificiais de mulheres e olhares que o analisavam juntamente com sua conta bancária. Hope Sinclair, a irmã mais nova de Grady, era a única mulher que realmente o tratara como uma pessoa, em vez de um bilionário disponível. Na verdade, Hope sempre o tratara de forma indiferente demais, muito mais como um irmão mais velho, até o incidente que acontecera no Natal quando ele a encontrara em Amesport. — Ally. — Ele sorriu de volta, apertando a mão que ela oferecia.
— É um prazer conhecê-la pessoalmente. Pode me chamar de Jason.
Ally apertou a mão dele e assentiu ao responder. — É um prazer conhecer você também. Obrigada por telefonar esta manhã. O sr. Harrison está esperando você. Vou avisá-lo.
— Ele já está aqui — disse uma voz baixa e irritada do outro lado do escritório. — Entre, Sutherland.
Jason olhou na direção da voz, sentindo-se mal vestido com jeans e camisa ao ver Travis Harrison. Grady já o advertira que Travis era um filho da puta intimidador, de acordo com Simon, e agora Jason percebia o motivo. O olhar sombrio no rosto de Travis era quase homicida e Jason teve que se esforçar para manter uma expressão neutra quando o homem olhou
para Ally de forma possessiva e novamente para ele. De verdade, Jason não se importava que Travis fosse claramente escroto e não ficou nem um pouco intimidado. Ele preferia que um homem fosse claramente hostil a sorrir na sua frente e apunhalá-lo pelas costas. Ele tinha a sensação de que sempre saberia o que esperar de Travis Harrison, o que aceitaria de bom grado.
Ele deu uma piscadela para Ally ao passar pela mesa dela e entrar no escritório de Travis.
— Fique longe dela — resmungou Travis depois de fechar a porta do escritório.
— Ela é casada? — perguntou Jason em tom inocente, sentando-se na cadeira em frente à mesa de Travis.
— Não — rosnou Travis, sentando-se atrás da mesa de carvalho enorme.
— Envolvida? — pressionou ele, sorrindo ao ver a expressão de Travis.
— Não.
— Parente? — Jason sabia muito bem que ela não era parente de Travis, mas estava começando a se divertir implicando com Harrison. Ele imaginou que o sofrimento realmente gostava de companhia.
— Ora, claro que não — respondeu Travis em tom desgostoso. — Mas, se encostar nela, mato você.
Bingo. Jason sabia que cutucara uma ferida. — Ela é muito simpática e muito bonita...
— Eu já lhe disse...
— Mas não estou interessado — terminou Jason com um sorriso.
— Você é homossexual? — perguntou Travis, parecendo esperançoso.
Jason balançou a cabeça negativamente, quase odiando estragar o alívio de Travis ao achar que ele não era heterossexual. Ora, ora, Travis sentia alguma coisa por Ally. Obviamente, o homem achava que qualquer um que olhasse para ela queria fodê-la porque ele mesmo estava obcecado com a ideia. E Jason sabia exatamente como era se sentir assim. — Não. Mas meus sentimentos estão em outro lugar.
Travis pegou uma caneta e girou-a pensativamente entre os dedos, analisando Jason tão intensamente que ele quase teve vontade de se encolher. Jason enfrentara os maiores valentões, algumas vezes mais de um deles ao mesmo tempo, mas Travis estava em um nível completamente diferente. Não exatamente mais malvado. Apenas... diferente.
— Eu não sabia que você estava envolvido nem que tinha uma namorada
— admitiu Travis, largando a caneta sobre a mesa.
— Não estou. É... complicado — confessou Jason, recostando-se na cadeira e lançando um olhar desalentado a Travis.
— Ah... desejo platônico. Você quer trepar com ela, que não quer você. É
uma merda, não é? — Travis finalmente se expôs, lançando um olhar de reconhecimento a Jason.
Não era exatamente o que acontecera com Hope, mas era parecido o suficiente para que ele respondesse: — Demais — afirmou Jason, começando a sentir uma estranha afinidade com Travis. O pobre coitado tinha um caso sério de desejo reprimido pela secretária e aquela situação era obviamente desconfortável, pois Travis ficava próximo de Ally o tempo inteiro.
— Então, qual é a sua disposição para gerenciar essa fundação conosco?
— perguntou Travis, mudando de assunto, obviamente satisfeito ao perceber que Jason não perseguiria Ally.
— Meu tempo é valioso e vim da costa leste. Estou extremamente disposto. Não só a doar, mas a trabalhar nos investimentos para manter a organização de caridade solvente, desde que os planos gerais sejam razoáveis. — Jason queria se envolver, precisava fazer algo que tivesse valor. Ele tinha mais dinheiro do que conseguiria gastar durante várias vidas, mesmo se comprasse tudo que tivesse vontade. Ele admitia que estava sentindo-se inquieto. Precisava de algo mais importante em que trabalhar do que apenas aumentar a própria fortuna.
— Eles são razoáveis. Eu mesmo preparei a maior parte dos planos —
respondeu Travis em tom arrogante, empurrando uma pasta grossa sobre a mesa. — Podemos ir até o escritório de Kade e discutir tudo com ele. É um projeto importante para ele e Asha, a esposa dele.
Jason se levantou, pronto para se ocupar. Precisava muito de uma distração. — Kade Harrison. Ele foi um excelente jogador de futebol —
disse Jason, seguindo Travis até a porta do escritório.
— Ainda é — respondeu Travis, abrindo a porta e virando-se para Jason.
— Ele só não joga mais. E é um excelente homem de negócios.
Jason sorriu pelas costas de Travis ao saírem do escritório. Travis Harrison podia ser grosseiro, mas obviamente protegia ferozmente e sentia orgulho daqueles de quem gostava. Em se tratando de Jason, aquele tipo de
lealdade era melhor do que um charme falso e raro nos círculos que os dois frequentavam.
Ally sorriu para Jason quando ele passou pela sua mesa. Ele sorriu de volta, imaginando distraidamente se Ally sabia que tinha um protetor feroz e que os sentimentos de Travis por ela, como os seus por Hope, não tinham nada de fraternais.
— Estarei no escritório de Kade — disse Travis bruscamente a Ally.
A julgar pelo tratamento não tão gentil que Travis dispensou à assistente, Jason duvidava que ela soubesse. Mas quase riu ao perceber a atitude indiferente dele, confirmando o comentário de Travis com um pequeno movimento da cabeça, mas sem parecer ter medo dele. Na verdade, ela quase o ignorou, sem nem levantar a cabeça do trabalho que fazia no computador.
Ela o desafia.
Jason sorriu ao seguir o outro homem pelo corredor até o escritório de Kade, imaginando quanto tempo levaria para que Travis cedesse.
Ela não vai se casar. Terminou com aquele idiota do noivo. Ela está disponível. Ela está disponível. Ela está disponível.
O mantra martelava o cérebro de Travis enquanto ele dirigia o Hennessey Venom GT na pista de corrida particular pela primeira vez, testando a velocidade e o manuseio do veículo novo que chegara naquele dia.
Normalmente, ele estaria ansioso para acelerar o veículo ao máximo, completamente concentrado em examinar suas capacidades, mas aquele não era um dia normal.
Hoje foi o dia em que descobri que Alison Caldwell não está mais noiva.
Pilotar em velocidades letais e pensar em Ally Caldwell não combinavam, mas ele estava de pau duro e certamente não era por causa do motor do veículo que dirigia. Era culpa dela. A ereção se devia ao fato de aquela ameaça loira de saia justa estar solteira e livre pela primeira vez desde que começara a trabalhar para ele.
Ele apertou os dedos em volta do volante ao manobrar de forma experiente em uma curva, mal reduzindo a velocidade até chegar à reta novamente. O veículo era gostoso, mas a única coisa em que ele conseguia pensar era em como seria muito mais gostoso trepar com Ally, ouvi-la gemendo seu nome enquanto fazia com que ela gozasse repetidamente até que não conseguisse pensar em mais nada.
Durante quatro anos e trinta e dois dias, ele sonhara com aquele cenário.
Mil, quatrocentos e noventa dias de tortura, de dor nos testículos que nenhuma outra mulher conseguiria curar. Exceto ela. Ele ficara encrencado desde o dia em que ela entrara em seu escritório para uma entrevista, ligeiramente sem fôlego e nervosa. O pênis estremecera imediatamente dentro da calça, fazendo com que ele quisesse puxá-la para o colo e deixá-la ainda mais sem fôlego até que os dois estivessem saciados. Ele nunca entendera por que diabos a contratara. Devia estar sentindo-se masoquista, pois a beleza doce e inocente dela o assombrara todos os segundos desde que a contratara. Além disso, a inteligência e a língua afiada dela o irritavam e desafiavam absurdamente. Não havia nada que quisesse mais do que domar a pequena leoa, fazê-la se dobrar diante dele até que ronronasse.
Só preciso trepar com ela para esquecê-la completamente.
Saindo novamente da curva, Travis acelerou, movendo o carro em alta velocidade depois de se acostumar com o manuseio. Ele tentou se concentrar no veículo novo. Pagara mais de um milhão de dólares pelo demônio da velocidade e deveria sentir mais entusiasmo no volante. Ele tinha carros mais caros, mas fazia algum tempo que queria adicionar aquele veículo particular à sua coleção. E estivera ansioso pela chegada dele, pois era muito rápido. Naquele dia, ele não se sentia tão empolgado como normalmente acontecia ao adquirir um dos veículos mais rápidos do mundo.
Por causa dela!
— Mas que merda! — explodiu ele frustrado. Ele sabia que não deveria pilotar daquele jeito quando não conseguia se concentrar. Travis reduziu a velocidade e finalmente levou o carro para a garagem, onde um dos mecânicos aguardava na porta.
— É rápido, hein, chefe? — perguntou o mecânico empolgado.
— Muito — respondeu Travis, deixando o motor ligado ao sair do veículo. — Pode guardá-lo para mim, Henry? Se quiser, pode levá-lo para uma volta antes disso. — Havia certas pessoas em que confiava para que dirigissem seus carros e Henry era um dos poucos mecânicos que deixava fazer isso.
— Obrigado, chefe — disse o homem mais velho entusiasmado. — Vai embora?
— Sim. Provavelmente voltarei amanhã à noite — respondeu Travis, andando na direção da Ferrari F12, o carro que levara para a pista. A Ferrari era rápida e confortável. Como ele normalmente não acelerava até velocidades suicidas fora da pista de corrida, conseguia apreciar a beleza da Ferrari, mas ela não precisava da aceleração que alguns dos outros carros ofereciam.
— Kade adorará este carro — comentou Henry quando Travis se afastou.
— Sim, mas não deixarei que ele o dirija — respondeu Travis em tom malicioso, lançando um sorriso maldoso a Henry. Ele sabia que Kade babaria sobre o Hennessey, mas o irmão tinha os próprios brinquedos. A garagem estava cheia de carros e motocicletas de corrida caros. Talvez, em alguns meses, Travis cedesse e deixasse Kade experimentá-lo, mas não na pista e certamente não a velocidades loucas. Kade era especialista em motocicletas, mas não era tão bom com carros. A última coisa que Travis queria era ver Kade machucado novamente. Ele quase morrera quando o irmão sofrera o acidente que acabara com a carreira de jogador profissional de futebol americano. Ele não aguentaria ver o irmão gêmeo sofrer daquele jeito de novo. Kade precisara de dois anos de reabilitação para conseguir andar novamente sem muletas. Ele merecia toda a felicidade que tinha agora com a esposa, Asha, que estava grávida do primeiro filho deles.
Apesar de Travis nem começar a conseguir entender o que era ter aquele tipo de relacionamento com uma mulher, o mesmo relacionamento amoroso que a irmã dele, Mia, tinha com o marido, Max, ficava contente por ver os irmãos felizes.
— Ele ficará bravo — advertiu Henry.
Travis acenou ao entrar na F12. — Ele terá que aceitar — respondeu em tom rabugento, fechando a porta da Ferrari e prendendo o cinto de segurança. Ele observou enquanto Henry entrava no Hennessey e ia para a pista, indo devagar com a máquina cara ao completar a primeira volta.
Não vou fazer isso. Não vou fazer isso.
O que Travis mais queria fazer era ir até o Sully’s Oasis para ver se Ally estava bem. Sim, Ally estivera bem durante anos, mas aquilo fora antes de ele saber que ela trabalhava lá como bartender, sem um homem decente em sua vida para cuidar dela. Agora, ele só conseguia pensar em outros homens babando sobre ela à medida que os drinques que fazia os deixavam cada vez mais bêbados. Homens bêbados eram perigosos. Ally era perigosa para homens bêbados. Merda! Ele desejou que o maldito pênis explodisse em
um milhão de pedacinhos para que o sofrimento acabasse. Ele colocou a mão sobre o volume da calça, imaginando se isso acabaria acontecendo.
Noite após noite, a única coisa em que ele conseguira pensar nos quatro anos anteriores fora em Ally indo para casa encontrar um outro idiota, deixar que ele a tocasse, trepasse com ela até que ela gritasse. Pelo jeito, isto não acontecera. O imbecil nem mesmo aproveitara o que tinha com Ally, enquanto que Travis teria dado o testículo direito para tê-la em sua cama. Ela nunca falara muito sobre o noivo e agora ele sabia o motivo.
Cansada demais por ter dois empregos, ela provavelmente não fazia nada além de se concentrar no trabalho. Ela trabalhava muito. Ele exigira demais dela no decorrer dos anos e ela nunca reclamara da carga de trabalho, nunca cessara de fazer os comentários ácidos que saíam daquela boca sensual.
Agora, ele se arrependia de ter sido tão duro, mas fora a forma que encontrara de criar uma certa distância entre os dois.
Ele recostou a cabeça no banco e fechou os olhos, revivendo o incidente daquela manhã, sentindo novamente o perfume que lhe enchera os pulmões quando chegara perto dela. Ele quisera congelar aquele momento, absorver o aroma leve e inebriante da pele dela até que enchesse todas as células de seu corpo. Ele a quisera desesperadamente. Talvez Ally fosse uma mulher durona, mas ele vira o brilho de vulnerabilidade em seus olhos, escondido sob os comentários sarcásticos. E ele não gostara daquilo. Como ela não sabia que era o sonho de provavelmente todos os homens? Ele sabia com certeza que ela era seu único sonho, soubera pelos últimos quatro anos e trinta e dois dias. Aquele fora o tempo durante o qual ele se masturbara, fantasiando sobre Ally. Ele não conseguira impedir a si mesmo de chegar perto dela depois que ela baixara a guarda, de lhe dizer como estava bonita.
Ally era uma guerreira e ele odiara ver o olhar de dor nos belos olhos verdes, que não estavam escondidos atrás dos óculos de bibliotecária que ela usava todos os dias e que o deixavam meio louco. Os óculos alimentavam a fantasia dele de acabar com toda a noção de Ally de ser séria e fazê-la gozar repetidamente até que não precisasse de mais nada além dele. Tinham sido os óculos que ela usava durante a maior parte do dia que o impediram de notar as olheiras fundas e de perceber como parecia cansada? Ou talvez fosse apenas o fato de que ficava de pau duro sempre que ela estava na mesma sala que ele. E ele estivera muito na defensiva para notar. Relutantemente, ele admitiu que discutir com ela a mantinha à
distância, algo de que ele precisava desesperadamente. Mas nem mesmo isso estava mais funcionando.
Ele mal se contivera para não bater em Jason Sutherland naquele dia simplesmente porque o cara sorrira para Ally. Sutherland era supostamente uma atração irresistível para as mulheres por causa da boa aparência e do dinheiro. E Travis não queria que aquele homem, nem nenhum outro homem com menos de oitenta anos, chegasse novamente perto de Ally. Ela acabara de se livrar de um idiota. Não que Sutherland fosse um idiota.
Travis acabara gostando dele, na verdade. Mas não gostava de Jason quando ele tocava em Ally e também não gostara de vê-la tocando em Sutherland. O sorriso que ela dera a Jason naquela manhã o deixara estarrecido, fazendo com que se perguntasse por que nunca vira aquela expressão relaxada e contente direcionada a ele.
Talvez porque eu seja um idiota sempre que ela está por perto? Verdade, ele era um idiota na maior parte do tempo. Ok... talvez o tempo inteiro. Mas nunca havia um momento em que ele não se sentia sem controle em relação a Ally. Ele simplesmente precisara aprender a se conter porque ela estava envolvida com outro homem. Não tivera opção. Mas, se soubesse que ela não estava feliz, pelo que passara por causa daquele imbecil, talvez não se sentisse tão hesitante em invadir o território de outro homem. Na verdade, ele teria feito isso feliz e sem remorso, se soubesse que Ally não estava sendo tratada como merecia. Ela o deixava furioso com bastante frequência, mas ele odiava a ideia de não ser tratada da forma certa por um homem que, supostamente, a amava.
Ele girou a chave na ignição, esperando que o motor ligasse. Talvez tivesse sido melhor se não soubesse da situação dela, se estivesse completamente ignorante ao fato de que aquele imbecil do ex a tinha magoado. Mas agora ele sabia e isso o estava deixando completamente maluco. Ela trabalhava demais, esforçava-se demais. Poderia acabar doente, caindo de exaustão. Ou talvez algum idiota no bar decidisse que ela estava madura o suficiente para ser colhida. Ele estava com raiva de si mesmo por não ter notado antes, ocupado demais tentando se controlar quando ela estava por perto.
Não vou fazer isso. Não vou fazer isso.
Tudo pelo que ela estava passando no momento poderia ser solucionado com facilidade. As contas poderiam ser pagas e ele poderia comprar a casa.
Travis fez uma careta. Talvez não aquela casa. Ele não queria que ela
morasse em uma casa em que o ex trepara com outra mulher. Que cara imbecil! Mas poderia comprar uma outra casa. Ora, poderia até mesmo ajudá-la a entrar em um programa de MBA, se era o que ela queria. Bastaria um simples telefonema. Por algum motivo, só o que ele queria era fazê-la sorrir, olhar para ele como olhara para Jason naquela manhã.
Não vou fazer isso. Não vou fazer isso.
Logo, ele teria que passar quatro dias na companhia constante dela na viagem ao Colorado. Se ela soubesse exatamente por que ele precisava que estivesse lá, a única reação que Travis receberia seria de desdém e descrença. Aquilo fora decidido antes mesmo que insistisse na presença dela. Ela nunca precisaria saber.
Ele se perguntou irritado por que diabos tinha concordado em dar a ela duas semanas de folga. Ele nunca passara mais do que poucos dias sem vê-la nos quatro anos anteriores. O escritório provavelmente desmoronaria enquanto ela estivesse fora. Ora, a quem estava tentando enganar? Ele provavelmente desmoronaria. Poder vê-la, nem que fosse para trocarem insultos, fora a única coisa que o mantivera equilibrado. E ela ainda trabalharia no bar todas as noites, com homens bêbados babando à sua volta.
Não vou fazer isso. Não vou fazer isso.
Não, ele não faria aquilo. Travis Harrison não fazia nada para atrair a atenção para si. Fazendo uma promessa a si mesmo e ao irmão depois que os pais tinham morrido, ele lutara com garras e dentes para tirar o nome Harrison da lama, torná-lo respeitado novamente. E, na maior parte, isso acontecera. Talvez houvesse um artigo de vez em quando nos tabloides, mas nada que fosse um escândalo de verdade. Houvera fofocas quando a irmã deles voltara depois de ter desaparecido por alguns anos e algumas notícias quando Asha fora encontrada e reconhecida como meia-irmã do cunhado, Max. Mas Travis, de forma deliberada e cuidadosa, nunca dera à imprensa algo sobre o que falar na família Harrison. Não que ele não fizera nada que pudesse ser notícia depois da morte dos pais, mas garantira que a imprensa nunca descobrisse. Além disso, ele mantivera o controle e não pretendia perdê-lo agora.
Travis soltou um rosnado frustrado e pisou no acelerador com um pouco mais de força do que o necessário. Ele executou uma curva precisa, cantando os pneus ao sair do asfalto e entrar na estrada de terra que levava à rodovia.
Não vou fazer isso. Não vou. Não vou perseguir a mulher como se fosse um lunático com um pinto prestes a explodir! Eu tenho controle. Sempre tive.
— Mas que merda! — resmungou Travis, parando o veículo. Ele tirou o celular do bolso, procurou a localização do Sully’s Oasis e programou o endereço do bar no sistema de navegação. Jesus Cristo! Ela precisava mesmo trabalhar naquele bairro? O bar não ficava longe da clínica Hudson, o mesmo lugar onde a esposa de Simon, Kara, fora atacada por viciados em drogas. Ally não tinha um pingo de bom senso? E que diabos havia de errado com o ex dela, que a deixara trabalhar naquela área cheia de bêbados?
Caralho! É um local público. Posso parar lá para tomar um drinque.