A Perdição do Bilionário: Travis
Capítulo 18
Uma semana depois, Ally observou o rosto de Travis enquanto ele explicava dolorosamente à família a verdade sobre os sonhos pré-cognitivos, sabendo como era difícil. Ela sentiu o coração apertado ao sentar no braço da cadeira dele na sala de estar. A família dele ouvia atentamente, como se também conseguissem sentir como era difícil para ele.
Max e Mia estavam sentados em um sofá, Kade e Asha em outro. Todos ficaram completamente em silêncio por alguns momentos depois que Travis parou de falar.
— Eu sabia — disse Kade finalmente com voz baixa e incomumente triste. — Eu não sabia que você tinha sonhos e não conseguia entender tudo, mas sabia que tudo o que aconteceu foi mais do que coincidência.
Você estava lá praticamente todas as vezes em que precisamos. Por que diabos não me contou toda a verdade? É um fardo muito pesado para carregar sozinho, Trav.
— Eu não podia contar a vocês — respondeu Travis com voz torturada, esfregando as mãos no rosto. — Você e Mia eram tudo o que eu tinha e nosso pai estava louco. Eu não queria que ninguém achasse que era tão louco quanto ele. Só queria que fôssemos normais de novo. — Ele parou por um minuto e acrescentou: — Não sonhei com o seu acidente, Kade.
Desculpe.
Kade se levantou com uma expressão sombria no rosto. Ele andou até a cadeira de Travis e disse em tom autoritário: — Levante-se.
Ally fez uma careta, torcendo para não se arrepender de ter convencido Travis a contar tudo à família. Fora ideia dela. Ela amava Travis tanto e queria que ele diminuísse a distância que havia com os irmãos. Ally sabia
que eles o amavam tanto quanto ele os amava. No entanto, ele nunca se expressara bem por causa do isolamento. E, naquele momento, Travis precisava ser reconfortado. Ela só queria que ele fosse feliz, que percebesse como era especial, e estava contando com a ajuda dos irmãos dele.
Ela viu Travis se levantar lentamente, olhando para o rosto sombrio do irmão gêmeo com expressão incerta. Kade demorou menos de um segundo para envolver o irmão mais velho no abraço mais apertado que Ally já vira.
— Eu amo você, seu idiota — disse Kade ferozmente, abraçando Travis com força. — E você nunca poderia ser como o nosso pai. Você é a cola que manteve esta família unida todas as vezes em que precisamos. Não me importo nem um pouco se não pôde me contar sobre o acidente. Eu não estaria com a mulher que amo mais do que a vida se ele não tivesse acontecido. Algumas vezes, a dor que sentimos vale a pena.
Ally observou, com lágrimas escorrendo pelo rosto, quando Travis respondeu lentamente. Ela viu o corpo enorme estremecer ao retribuir o abraço de Kade. Não era preciso dizer a Ally que aquela era a primeira vez que Kade se sentira livre para realmente expressão o quanto se importava com Travis, pois o irmão sempre mantivera todos à distância.
— Eu também amo você, mano — respondeu Travis baixinho, batendo nas costas de Kade quando eles se separaram.
O coração de Ally ficou apertado quando ela viu um sorriso feliz no rosto de Kade. Mia se aproximou logo atrás e jogou-se nos braços de Travis com o rosto molhado de lágrimas. — Eu sinto tanto, Travis. Portudo. Se não tivesse me metido em encrencas, você e Kade não teriam ficado tão distantes um do outro enquanto eu estava escondida em Montana. Max e Kade tinham um ao outro. Você não tinha ninguém — ela soluçou, agarrando-se com força ao irmão.
— Eu tinha, Mia — disse Travis baixinho, segurando e balançando de leve a irmã. — Eu tinha você. Pelo menos, sabia que estava viva. Eu não tive que lidar com o inferno pelo qual fiz Kade e Max passarem porque achavam que você estava morta.
— Eu teria morrido se você não tivesse me escondido, mantendo-me quieta — respondeu Mia, finalmente afastando-se e beijando o rosto de Travis. — Max, Kade e eu estaríamos todos mortos. Você já sabe que eu o amo, mas não acho que algum dia saberá o quanto. Fui quem mais lhe causou problemas, mas sei que se importa comigo. — Mia limpou as lágrimas ao recuar um passo, encarando o irmão.
— Eu amo você, Mia. Sempre amei. E sou seu irmão mais velho. É
minha função manter você fora de encrencas — disse Travis em tom quase arrogante, mas ele estava sorrindo.
Asha foi a próxima a beijar e abraçar Travis. Em seguida, Max se aproximou e apertou a mão de Travis, batendo nas costas dele em um abraço breve. Recuando um passo, Max disse com remorso: — Eu devo um pedido de desculpas a você, Travis. Eu me odeio por isso, mas sinto um ressentimento por você desde que descobri que escondeu Mia de mim.
Max voltou até o sofá para se sentar ao lado de Mia e Travis se sentou novamente. Ally estendeu a mão e Travis a segurou, levando a palma até os lábios e beijando-a com ternura. Em seguida, as mãos unidas repousaram sobre o braço da cadeira.
— Eu sei disso, Max. E sabia que, até hoje, você ainda tinha ressentimento. Mas nunca culpei você — respondeu Travis com sinceridade.
— Não sinto mais, Travis. Estou muito grato e não sei como dizer obrigado por salvar cada um de nós — disse Max pensativo.
— Não acredito que vocês acabaram de aceitar isto, que acreditam em mim — disse Travis baixinho.
Ally apertou a mão dele, sabendo que a aceitação incondicional da família significava tudo para Travis.
— Por que não acreditaríamos? — perguntou Asha curiosa. — Quando Tate me salvou, ele me disse que você lhe enviou uma mensagem de texto.
Como sabia que eu precisava dele?
— Eu tive um sonho vago uma noite antes — admitiu Travis. — E não estava me sentindo muito bem com a situação toda. — Ele deu de ombros.
— Acontece assim de vez em quando.
— Você tem um dom incrível, Travis. Acho que há muitas coisas espirituais que não entendemos, mas isso não significa que elas não existem
— murmurou Asha. — Você não tem noção da minha gratidão por ter enviado aquela mensagem a Tate naquele dia. Eu não teria sobrevivido nem mesmo alguns minutos a mais sem a ajuda dele.
Ally quis abraçar a amiga por reconfortar Travis, por tentar deixá-lo mais confortável consigo mesmo. — Ele também salvou Tate.
Mia se inclinou para a frente com uma expressão maravilhada no rosto.
— Conte.
— Ele contou a você? — perguntou Travis, olhando para ela com a testa franzida.
— Contou. Quando minha casa foi destruída, ele me contou sua história, pois eu lhe disse que achava que você sabia o que aconteceria.
Ally rapidamente explicou ao restante da família o que acontecera com Tate. Travis já lhes contara sobre os sonhos recorrentes com Ally e por que a levara para o Colorado.
— Puta merda, Trav. Isso é incrível — exclamou Kade, olhando para Travis.
— É peculiar. Assim como eu — resmungou Travis desconfortável, mas não muito enfático.
Ally suspirou, sabendo que levaria tempo para que Travis aceitasse completamente quem ele era, mas contar à família fora um passo importante.
— Você tem um dom — argumentou Asha.
— Muito especial — disse Mia, assentindo.
— Eu nunca quis ter um dom nem ser especial — retrucou Travis. —
Depois da nossa infância difícil e do nosso pai louco, eu só queria ser normal.
— Você nunca foi normal — disse Kade com um sorriso. — Sempre foi um escroto. E o que aconteceu com o irmão que me disse que nunca encontrara uma mulher por quem valia a pena perder o senso comum? Você viu sua fotografia nos jornais agarrando a bunda de Ally e beijando-a como se tivesse perdido o juízo em um baile formal?
— Sim. Eu a emoldurei e coloquei sobre minha mesa no escritório —
admitiu ele. — Entrei para o clube dos homens malucos. Na verdade, é bem capaz de eu ter me tornado o maldito presidente dele.
— Ainda quer se livrar daquela mesa? — perguntou Kade rindo.
— Claro que não. Não quero mais. É a minha mobília favorita no prédio inteiro — respondeu ele.
Ally corou, sabendo exatamente por que Travis odiava aquela mesa. Mas eles tiveram mais algumas aventuras no escritório, sobre aquela superfície de madeira em particular, e agora ele jurara que a manteria para sempre, apesar de às vezes se distrair por causa dela. Mas Ally sabia que ele xingaria a mesa novamente se ela não estivesse por perto.
Os homens conversaram mais um pouco, com as mulheres fazendo alguns comentários.
Ally olhou para Travis, finalmente respirando aliviada. Aquele dia fora muito difícil para ele e ela sabia que, na realidade, Travis não quisera lidar com isso. Mas ela tinha fé suficiente na família dele para saber que sempre o aceitariam de forma incondicional. E ela queria que ele soubesse disso, que acreditasse nisso. Portanto, ela o incentivara, torcendo para que nada desse errado. Algum dia, ele se sentiria mais confortável com os traços especiais e exclusivos que tinha, mas vivera com aquele dom sozinho por tanto tempo que isso não aconteceria da noite para o dia.
Ela ficara na casa dele desde que tinham voltado do Colorado. E, apesar de a casa ser imensa e ter uma segurança incrível, não era ostensiva.
Obviamente, ela deveria ter sabido que não seria, pois não era o estilo de Travis.
Ele fora até a casa destruída com ela, mas quase nada pudera ser recuperado. Estranhamente, ela não estava triste. Houvera alguns itens pessoais que ela gostaria de ter, mas era quase como se não tivesse começado a viver até se apaixonar por Travis. E parecia que tudo que acontecera em sua vida levara àquilo... a ele. Travis fazia com que se sentisse amada, completa e perfeita. Ela duvidava que deixariam de brigar de vez em quando, mas era quase como se fossem preliminares. Além disso, Travis não era o tipo de homem que precisava de uma esposa que não o desafiasse. E ela adorava a personalidade protetora de macho alfa. Fazia com que se sentisse segura e não havia um dia sequer em que não se sentia amada, mesmo quando ele estava furioso com ela por algum motivo.
— E quando será o casamento? — perguntou Asha, olhando animada para Ally.
— Logo — respondeu Travis irritado.
— No ano que vem — respondeu Ally ao mesmo tempo.
Eles se entreolharam e fizeram uma careta.
Travis passou o braço em volta da cintura dela e puxou-a para o colo. —
Não vou esperar até o ano que vem — informou ele teimosamente. A voz tinha um tom de advertência.
— Ainda não definimos a data — disse ela a Asha com uma piscadela.
— Mas claro que não será só no ano que vem — retrucou Travis obstinadamente.
Kade olhou para Max. — Devemos começar a apostar em quem vencerá essa discussão?
— Não — respondeu Max com um sorriso. — Não daria certo. Nós dois apostaríamos em Travis.
Asha, Kade, Max e Mia riram quando se levantaram para ir embora.
— Acho que deixaremos que vocês dois resolvam isso sozinhos — disse Kade, batendo nas costas de Travis ao passar por ele.
Ally tentou se levantar do colo de Travis para acompanhar o grupo até a porta, mas ele a segurou firmemente por mais um minuto, sussurrando em seu ouvido: — Não vamos esperar tanto tempo, mesmo que seja preciso usar a minha gravata.
Ally estremeceu ao pensar na gravata, sabendo que, quando Travis queria alguma, sempre a conseguia. Quando Travis queria ser realmente safado, sabia exatamente o que fazer. — Vamos discutir o assunto depois — disse ela firmemente ao se levantar.
— Não por muito tempo — retrucou Travis com um sorriso alegre no rosto.
Ally sorriu de volta, mais do que disposta a bater boca com ele, pois isso sempre terminava no sexo mais delicioso.
Finalmente, Travis fechou a porta depois que a família partiu e encarou-a com um olhar de alívio.
— Foi tão difícil assim? — perguntou Ally suavemente, sabendo que fora e imaginando se ele gostaria de conversar sobre o assunto.
— Você tinha razão, eu precisava fazer isso — respondeu ele com a voz rouca de emoção. Ele a puxou para perto, passando os braços firmemente em volta dela e enterrando o rosto em seus cabelos. — Obrigado por me devolver minha família, Ally. — A voz dele estava repleta de emoção.
Ally tentou engolir o nó que se formou na garganta quando Travis a abraçou firmemente, com o corpo tremendo. Ela acariciou os cabelos dele, passando o outro braço em volta de seu pescoço, sabendo o quanto aquilo tudo significava para ele. Travis estivera sozinho por muito tempo, tendo uma família, mas sem estar realmente ligado a ela desde a morte dos pais.
Ally ficara muito grata por todos os familiares de Travis terem tentado convencê-lo de que a morte dos pais não fora culpa dele. — Eu amo você
— disse ela gentilmente, continuando a acariciar os cabelos dele para confortá-lo.
— Eu amo tanto você que acho que isso vai me matar — disse Travis com voz abafada, sem afrouxar o abraço. — Você precisa se casar comigo logo — acrescentou ele com voz mais exigente.
— Conversamos sobre o assunto — disse Ally, sabendo que cederia. Ela se sentia do mesmo jeito que Travis e não queria esperar.
Travis ergueu a cabeça e encarou-a com expressão intensa. — Claro que não — resmungou ele.
Em seguida, ele a beijou e Ally soube exatamente quem ganharia aquela discussão. Ela foi arrebatada pela mesma paixão ardente que ele sentia e os dois ficaram completamente perdidos um no outro.