A Perdição do Bilionário: Travis
Capítulo 16
Travis se levantou, pronto para voltar para a casa de hóspedes. — Preciso voltar para ver como Ally está.
— Eu lhe disse para tomar cuidado por causa da altitude, Trav. Você fez alguma coisa para deixá-la sem fôlego? — perguntou Tate com voz falsamente inocente.
Travis lembrou do ato sexual avassalador mais cedo na piscina de água quente. Olhando friamente para Tate, ele respondeu: — Espero muito que sim. — Virando-se para Sutherland, ele acrescentou: — Boa sorte. Espero que dê tudo certo. — Ele apertou a mão de Jason e foi para a porta, silenciosamente torcendo para que aquela mulher de quem Jason gostava fosse inteligente e tivesse um coração tão grande quanto o amigo dissera que tinha. Ela certamente precisaria dele.
Ally não conseguia se lembrar de uma ocasião em que estivera mais nervosa em toda a vida. Ela alisou o material sedoso do vestido de noite, perguntando-se se deveria trocá-lo. Era sexy e elegante, mas a saia terminava no meio da coxa, expondo muito mais as pernas do que ela estava acostumada. Os sapatos de salto pretos eram muito altos e o decote do vestido descia até o vale dos seios, fazendo com que fosse impossível usar sutiã. Por sorte, a parte superior que cobria os seios tinha um material mais pesado que cobria tudo. Ainda assim, ela se sentia seminua sem sutiã.
Ela olhou pela última vez para o reflexo no espelho, murmurando para si mesma: — Você consegue. São só pessoas.
Mas aquelas pessoas estariam olhando para ela, pois estaria dando lances para Travis. Ele explicara naquela manhã o que acontecera com Jason Sutherland e o que precisava que ela fizesse. Ela não estava exatamente confortável com a ideia de dar lances com o dinheiro de Travis, mas ele parecera tão vulnerável que Ally faria qualquer coisa para tirá-lo de uma obrigação que certamente detestara. E ela ficou emocionada pelo que ele fazia por Jason.
Eles tiveram um dia tranquilo, com Travis pairando à volta dela e enchendo-a de fluidos e carboidratos, justamente o que seus quadris não precisavam, para ajudá-la a enfrentar o problema da altitude. Sinceramente, ela se sentira bem desde que acordara, tendo uma reação obviamente leve, e a preocupação de Travis fora extremamente exagerada. Estranhamente, ela não se importou, achando aquilo mais doce do que irritante.
— Puta merda! Diga-me que não é isso que você vestirá hoje à noite. —
O rosnado de Travis soou na porta do quarto.
Ally olhou para o desgosto no rosto de Travis e sentiu o coração afundar.
— Não fiquei bem nesta roupa. Eu sabia que deveria ter escolhido alguma outra coisa — disse ela com desalento.
— Não, querida, você não ficou. Você ficou uma deusa sensual, a fantasia de qualquer homem. Não sei se meu coração aguenta. — Ele andou até ela e virou-a para si, segurando sua mão. Ele acariciou a palma com o polegar, passeando os olhos pelo corpo de Ally até chegar ao rosto. — Não haverá um homem no salão que não queira trepar com você. Não quis ferir seus sentimentos com aquele comentário nem abalar sua autoconfiança. É a minha que está abalada. Como vou manter uma horda de homens excitados longe de você?
Ally revirou os olhos. — Não é tão revelador assim e o único homem que fica excitado ao olhar para mim é você — garantiu ela, internamente feliz por ele achar que estava atraente. — E você está incrivelmente lindo, sr.
Harrison. — E estava mesmo. Ela via Travis de terno o tempo inteiro, mas, em um fraque, ele estava absolutamente arrasador. Sem dúvida, haveria mulheres babando em cima dele. E ela certamente seria uma de muitas. — Como vou manter as mulheres longe de você?
— Basta elas verem a forma como olho para você para entenderem a mensagem, alto e claro — respondeu ele, beijando a palma da mão dela com ternura.
Ally quase derreteu ali mesmo. Meu Deus, aquele homem conseguia fazer com que ela se sentisse a mulher mais desejável do mundo. E ela sabia que a avaliação dele não chegava nem perto disso. Ainda assim, ela teve vontade de gritar de felicidade.
— Mas não gostei dos seus brincos — disse Travis pensativo.
Ally tocou nos pequenos brincos que tinha nas orelhas. Eram o melhor par de brincos que ela tinha e, ao colocá-los, desejou ter algo mais bonito.
— Desculpe, não me lembrei de pegar...
— Acho que estes são mais bonitos. — Ele colocou a mão no bolso e tirou uma caixinha de veludo.
— Travis... você não fez isso. — Ela olhou para a caixa com a mão trêmula, abrindo a tampa com uma exclamação. Aninhados no interior de veludo, estavam os brincos e a pulseira mais exóticos que já vira. Eram lindos e tinham um desenho exclusivo, o que a fez suspeitar instantaneamente de quem os fizera. — Mia?
— Sim. Ela faz cada item exclusivo e eu queria que fossem diferentes do que qualquer outra mulher estivesse usando — respondeu Travis. —
Coloque-os.
Ally ficou abalada. Ela não queria rejeitar nada que Travis lhe desse, mas, ao olhar para as pedras brilhantes, opalas pretas e diamantes, percebeu que eram muito valiosas e raras. Ela olhou para Travis, cujos olhos estavam cheios de ansiedade, e tirou as joias da caixa. Ele achara realmente que ela não gostaria delas? Ela tirou os brincos que usava e colocou os novos, que tinham duas fileiras longas alternando as opalas e os diamantes. Silenciosamente, ela entregou a pulseira a Travis e deixou que ele a prendesse em seu pulso.
— Eu queria o colar, também...
— Não — disse ela enfaticamente, passando o dedo sobre o unicórnio de diamantes que tinha no pescoço. — Não tirei este colar desde que você me deu. E nunca tirarei.
— Imaginei que você diria isso — disse Travis com um sorriso travesso.
Ally se olhou no espelho, vendo que a pulseira e os brincos sofisticados combinavam perfeitamente com o vestido. — Não sei o que dizer no momento, Travis. — Ela estava sem palavras, incapaz de se expressar por causa do nó na garganta. Ninguém nunca lhe dera nada tão lindo... exceto Travis. — Eles são tão lindos. Vou ficar com medo de perdê-los.
Travis deu de ombros. — Basta me dizer que gostou. E, se perdê-los, compro outros. São apenas joias, Ally.
— Qualquer coisa que você me dá é especial. — Ela se virou e passou a mão no rosto dele. — E quero lhe dar algo em retribuição. Mas o que se dá a um bilionário?
Ele pegou a mão dela gentilmente e posicionou-a sobre o pênis ereto. —
Você me dá isto. E é algo muito especial — disse ele com um sorriso malicioso.
Ela não se conteve e caiu na gargalhada com a ação inesperada dele. —
Seu pervertido — acusou ela.
— Você me deu os seus livros, Ally. E deu-me sua fé. Você se entregou a mim, querida. Perto disso, joias significam muito pouco. Portanto, aceite os presentes que quero muito lhe dar — disse ele com voz rouca. — Só quero fazer você feliz.
Ela ficou na ponta dos pés e beijou-o com ternura. — Você já faz.
— Consigo ver seus seios. — Ele empurrou o vestido para o lado. —
Puta merda! Vou ter que pensar em você quase nua sob este vestido a noite inteira? — Ele abaixou a mão e lentamente ergueu a saia, assoviando ao ver as meias pretas e a calcinha preta minúscula. Ele resmungou e soltou a saia.
— Não vou conseguir chegar até o fim da noite.
— É claro que vai — respondeu ela com o rosto corado de prazer.
— Tome cuidado ao se sentar. E não deixe ninguém chegar perto o suficiente para olhar para dentro desse vestido — ordenou Travis com voz sombria.
— Incluindo você? — perguntou ela inocentemente.
— Claro que não — explodiu ele. — Vou espiar como um degenerado excitado toda vez que tiver a oportunidade.
Ally riu baixinho e pegou a bolsa preta. — Hora do espetáculo para você, garanhão solteiro bilionário.
— Você sabe o que fazer? — perguntou Travis pela centésima vez.
— Sim. E foi muito gentil da sua parte o que fez por Jason — respondeu ela enquanto Travis a conduzia para fora do quarto. Eles desceram a escada de mãos dadas.
— Eu deveria ter mantido a minha boca fechada — resmungou ele.
Ally sorriu, sabendo que ele não estava falando sério. Travis se referia a si próprio como escroto e talvez houvesse muitas pessoas com medo do exterior gelado dele. Mas ela sabia que ele não era assim. Travis Harrison tinha um coração imenso. Era uma pena que a maioria das pessoas não o viam da mesma forma que ela.
— Dê um lance alto e acabe logo com isso — exigiu ele ao fechar a porta da frente e trancá-la. — E, pelo amor de Deus, não chegue perto de mais de ninguém. Nem se incline para a frente. Eu terei um ataque do coração.
Ally estremeceu com o tom possessivo da voz dele. A preocupação dele era mais com alguém ver suas roupas íntimas do que o desconforto pelo qual estava prestes a passar.
— Quer que eu procure um casacão para vestir por cima? — perguntou ela em tom de brincadeira.
Ao abrir a porta do carro para ela, o rosto dele se iluminou. — Faria isso?
— Eu estava brincando, Travis — disse ela, rindo alegre.
— Merda! — exclamou ele infeliz. — Eu não estava.
Ally riu baixinho enquanto Travis prendia seu cinto de segurança e fechava a porta para dar a volta até o lado do motorista e entrar no carro.
— Obrigada pelo belo presente, Travis. — Ela passou o dedo sobre a pulseira, ainda espantada com as coisas que Travis fazia e que pareciam apenas comuns para ele. — Diga-me o que posso fazer por você em troca.
— Não quero nada — disse ele simplesmente ao ligar o motor. — Só quero você. Mas, se me deixar tirar esse vestido de você e examinar as roupas íntimas sensuais mais tarde, serei um homem feliz.
— Fechado — concordou ela prontamente, já sentindo o corpo quente só de pensar naquilo.
— Melhor presente de todos — respondeu ele com tanto entusiasmo que parecia uma criança no Natal.
Quando estavam a caminho do resort, Travis pegou a mão dela e colocou-a sobre a própria coxa, como se precisasse sentir seu toque. Ally soltou um suspiro feliz e relaxou no banco de couro, pensando que, talvez, sua introdução ao mundo de Travis não seria tão difícil, no fim das contas. Quando o lance chegou perto de seis dígitos, Ally começou a ter palpitações. Sim, era com o dinheiro de Travis que estava dando os lances, mas ele já dera muito para aquela caridade, que gerenciava de forma generosa com Jason Sutherland e Kade.
O salão do resort era magnífico, mas, naquele momento, todos estavam agrupados em volta do pequeno palco no canto. As mulheres praticamente se acotovelavam para chegar mais perto da plataforma. Travis estava parado lá, parecendo calmo com as mãos nos bolsos da calça, mas os olhos dele não se afastaram dos dela. Ele continuava acenando sutilmente, encorajando-a a continuar.
Ele achara que os lances ficariam tão altos? Ele acabara sendo o primeiro homem a ser leiloado e Ally não fazia ideia de quanto dinheiro o evento arrecadaria nem quanto cada “acompanhante” daria.
Dê um lance alto e acabe logo com isso.
Fora o que Travis lhe pedira para fazer. Mas quanto era um lance alto?
As mulheres davam lances furiosamente, uma após a outra. Ally erguia a placa toda vez que os lances ficavam mais lentos e o leiloeiro esperava um lance maior. Ela olhou rapidamente para as mulheres, todas cheias de joias e parecendo pertencer àquele lugar.
Travis lançou a ela um olhar irritado e ligeiramente desconfortável, dizendo a ela que queria sair daquele palco rapidamente.
Vamos, Ally. Travis tem dinheiro para isso. Não pense no assunto. Só precisa resgatá-lo.
— Duzentos mil — disse ela confiante, em voz alta, aumentando o lance acima do que achava que a maioria das mulheres ofereceria.
Todos os olhos se voltaram para ela. A maior parte das mulheres a encarou com desgosto, mas Travis apenas sorriu de leve, com os olhos dançando aprovadoramente.
As mulheres pararam de conversar e baixaram as placas, olhando para Ally como se ela fosse uma criminosa. Os lances diminuíram consideravelmente, com apenas Ally e mais duas mulheres participando.
Ela erguia a placa, aumentando o lance minimamente a cada vez.
Travis lançou um olhar desgostoso a ela, que gritou novamente: —
Trezentos mil. — Ela fez todos os esforços para não hiperventilar.
As outras duas mulheres baixaram as placas e olharam para ela com raiva. Mas Ally as ignorou, pois Travis parecia feliz quando o leiloeiro fez a última chamada.
— Um milhão de dólares. — A voz feminina surgiu atrás de Ally e ela se virou para ver uma bela morena lançando-lhe um olhar malicioso.
Confusa, Ally olhou novamente para Travis, mas ele não olhava para ela.
Ele estava sorrindo para a bela morena atrás dela. E a mulher olhava para Travis com um sorriso largo.
Ally esperou. O salão inteiro ficou em silêncio enquanto a bela mulher e Travis sorriam um para o outro. Quando o olhar de Travis finalmente voltou para ela, ele balançou a cabeça. Ally olhou para ele chocada. Obviamente, ele queria que aquela mulher ganhasse o leilão.
A dor invadiu o peito de Ally e ela tentou respirar fundo, mas só conseguiu respirar depressa e pesadamente. O peito doeu quando ela viu o leiloeiro conceder Travis à bela morena.
A mulher passou por Ally, abrindo caminho até a frente do palco, sem parecer se importar com quem irritava no processo. Quando Travis desceu, a mulher se jogou nos braços dele e Ally recuou quando viu que ele não a afastou. Ele se inclinou para sussurrar algo no ouvido dela e a mulher riu, beijando-o no rosto e ainda pendurada no braço dele.
Ele a quer. Ele não a afastou. Ele queria que ela ganhasse o leilão. Ele passará a noite inteira com ela.
Ally se virou e deixou a placa cair no chão, sem conseguir observar por mais tempo Travis e a outra mulher. Naquele momento, a única coisa que queria era fugir.
Ela abriu caminho pela multidão, procurando desesperadamente um local onde poderia se esconder. Seu rosto queimava por causa da humilhação e o coração doía.
Será que eu estive tão errada assim sobre Travis?
Ela saiu correndo pela porta do resort e vagou cegamente, chegando na piscina enorme de águas termais que estava fechada. Não havia ninguém por perto e ela se sentou em uma das cadeiras de madeira ao lado da piscina. O cheiro dos minerais evocou as imagens de Travis e ela fazendo amor na piscina na casa de hóspedes. Ela achara que estavam muito ligados, como se não houvesse mais ninguém no mundo para nenhum dos dois.
Ela tentou entender o que acabara de acontecer, como Travis lhe dera as costas com tanta facilidade, mas não conseguiu. E quem diabos era aquela mulher? Era alguém do passado dele? Ally nunca a vira antes. E o que uma mulher do passado dele estaria fazendo no Colorado?
Ele vem muito aqui. Talvez a tenha conhecido em uma viagem anterior.
Não importava, Ally sabia que as coisas nunca mais seriam as mesmas para ela e Travis e sentiu-se arrasada. Ele preferira outra mulher a ela e aquela dor era tão intensa que Ally queria se enrolar em posição fetal de pura agonia. As lágrimas escorreram pelo rosto e ela soltou um soluço estrangulado ao ouvir o toque do telefone.
Ela quase o ignorou, mas tirou o aparelho da bolsa, notando na luz fraca que era um telefonema da Flórida, do departamento de polícia. Ela apertou o botão para aceitar a chamada com apreensão.
A conversa que se seguiu deixou o mundo de Ally de cabeça para baixo.
Ao desligar o telefone, ela se sentiu completamente destruída. O corpo inteiro estremeceu e ela ficou imóvel na cadeira, tão chocada que não conseguia se mexer.
— Ally? — Tate Colter se sentou ao lado dela, mas Ally mal o notou. —
Você está bem?
Ela abriu a boca para falar, mas a única coisa que conseguiu dizer foi: —
Não, acho que não.
Tate se inclinou para a frente e apoiou os cotovelos nos joelhos, esperando pacientemente. — Quer me contar o que houve?
Ela queria contar a alguém, mas mal conseguia entender a coisa toda. —
Minha casa se foi. Pelo jeito, havia uma tubulação de esgoto sob ela que se abriu. Disseram que não era um buraco grande, mas foi o suficiente para abalar a fundação e causar um vazamento em alguns dos canos. O gás vazou e a casa explodiu. Ela... se foi. — Dizer aquelas palavras fez com que parecessem reais. — Acho que Travis...
— Salvou sua vida? — terminou Tate por ela. — Tenho certeza de que ele sabia. Faz algum tempo que ele insiste em trazer você aqui.
— Você sabe? — Ally olhou para Tate surpresa.
— Sei há algum tempo. Ele também salvou a minha vida. Quando eu ainda estava a serviço, Travis me avisou para não ser voluntário para nenhuma missão para a qual não estivesse designado. Eu achei que ele era louco. Ele sabia muito pouco do que eu fazia. Ninguém sabia e ainda não sabe. Não é algo sobre o qual posso falar. Só o que posso dizer é que o aviso dele me fez hesitar quando outro piloto ficou doente e alguém precisava tomar o lugar dele. Hesitei por causa do que Travis me disse, porque eu não fora designado. E, como demorei uma fração de segundo para pensar no que Travis dissera, outra pessoa falou antes de mim e tomou o lugar do cara doente. — Ele hesitou por um momento e acrescentou solenemente: — Todo mundo naquela missão morreu, Ally. Quando ele me contou sobre o sonho com Asha, eu o levei a sério e fiquei mais do que feliz em permanecer perto dela. Eu não duvidava de que ela estava em perigo, pois Travis sonhara com isso. — Tate pegou a mão trêmula dela. —
Lamento sobre a sua casa, Ally. Mas fico feliz por estar aqui. — Ele acariciou de leve os dedos dela. — Travis está procurando você. Ele está preocupado.
— Ele tem outra acompanhante — disse Ally com a dor evidente na voz e o mundo inteiro ainda estremecido por causa do choque.
— A mulher que o comprou é minha irmã, Chloe, que está noiva. Ela queria doar e disse que tentaria chegar aqui a tempo de dar um lance em Travis, pois não teria que passar a noite com ele. Ela não ficará muito tempo, pois odeia esse tipo de evento. Faz algum tempo que eles não se veem e ele gosta dela como uma irmã. Ela não sabe sobre você, Ally. Eu não a mencionei. Só disse a ela que Travis estava ajudando um amigo e não ficara nada feliz em tomar o lugar dele. Ela disse que, se chegasse a tempo, daria um lance muito alto. Não tive a oportunidade de dizer a ela que você provavelmente também estaria dando lances. Não é culpa dele. E ele nunca
faria isso com você. Conheço Travis desde a faculdade e ele nunca gostou de uma mulher como gosta de você. No momento, ele está frenético porque não sabe onde você está.
Lágrimas de alívio desceram pelo rosto de Ally e ela começou a chorar abertamente. Tate se aproximou e colocou os braços sobre seus ombros, confortando-a.
— Você conseguirá outra casa, Ally. Tudo ficará bem — disse ele baixinho para ela. — Eu sei que é muita coisa e que você perdeu tudo, mas são coisas que podem ser repostas. Você ainda está viva e é tudo o que importa.
— É apenas uma casa e não perdi tudo com o que me importo. Ainda tenho Travis. — Ela fungou contra o ombro dele. A casa fora um choque, como fora o fato de que talvez estivesse morta naquele momento. Quais eram as chances de um cano de esgoto se partir sob sua casa? Ela teria estado em casa, provavelmente dormindo. Era uma sensação assustadora.