A Perdição do Bilionário: Travis

J. S. Scott · Capítulo 7 de 21

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A Perdição do Bilionário: Travis

Capítulo 6

Ally sentiu a raiva aumentar, uma fúria tão explosiva que seu corpo começou a tremer. — Como fez com que ele concordasse? Você o ameaçou?

— Não precisei fazer isso. O dinheiro sempre funciona — respondeu Travis friamente.

— Como pôde fazer isso comigo? Você sabe que eu precisava daquele emprego. — Ally se odiou por confiar em Travis. Ele usara o que lhe dissera contra ela. — O que eu fiz para você para que fizesse algo assim comigo? É a minha vida, a minha sobrevivência.

— Este trabalho é a sua sobrevivência — contradisse Travis. — E é exigente o suficiente. Quero que esteja livre, caso eu precise de você.

O olhar frio no rosto dele e o fato de não dar importância ao que fizera a deixaram furiosa e, naquele momento, Ally perdeu o controle.

 

—Você nunca precisou de mim nos últimos quatro anos. Por que esta exigência súbita? — Ela o encarou friamente. — Você não pode brincar com a vida das pessoas, sr. Harrison. Não sou um brinquedo. Sou uma pessoa, um ser humano, que precisa daquele dinheiro no momento. — Ela se aproximou dele e bateu com o dedo em seu peito com o rosto vermelho.

— Não, não precisa — respondeu Travis com um sorriso. — E acho que gostava mais quando você me chamava de Travis.

Ela tinha certeza daquilo, pois realmente gemera o nome dele em êxtase.

Ally explodiu. — Seu idiota! Você é um escroto egoísta e egocêntrico. —

Seus olhos se encheram de lágrimas, resultado da fúria que se espalhou pelo corpo todo. Ela acabara de ter um momento íntimo com aquele homem, o mesmo homem que fizera com que fosse demitida de um emprego do qual precisava naquele momento só por ser mais conveniente para ele. Ela ergueu a mão, que voou em direção a ele. O barulho satisfatório da palma da mão contra o rosto dele não foi suficiente para eliminar a mágoa da traição. Ela confiara nele sobre sua vida em um momento de fraqueza e usara aquelas informações para se livrar de algo que lhe era inconveniente.

— Agora não tenho mais emprego algum, pois estou me demitindo. Você não precisa me demitir desta vez. Não posso mais trabalhar para você. É só mais um homem em quem não posso confiar.

Com o máximo possível de dignidade que conseguiu reunir com as lágrimas escorrendo pelo rosto, Ally pegou os dois pares de sapato e o vestido e saiu correndo do escritório de Travis, guardando a presilha dos cabelos no bolso da calça. Ela pegou a bolsa, deixando todas as outras coisas na mesa. Ela só queria se afastar. Asha a ajudaria e pegaria o restante de suas coisas depois.

Ela saiu pela porta do escritório principal e percorreu o corredor até o elevador.

Esteja lá. Esteja lá, por favor.

Ally não queria esperar que um dos elevadores chegasse ao andar superior. Queria sair do prédio e ficar longe de Travis. Imediatamente!

Ela pressionou o botão impacientemente, várias vezes, como se isso fosse fazer o elevador chegar mais depressa. A visão estava borrada por causa das lágrimas quando ela entrou no elevador e apertou o botão do saguão.

— Ally! Mas que merda! Espere! — Havia um desespero no grito rouco de Travis que ela nunca ouvira, mas isso não derreteu o gelo que se formara em volta de seu coração.

Travis era um bilionário, um homem manipulador que estava acostumado a ter tudo de seu jeito. E não tivera um pingo de remorso por tirar um emprego de que ela precisava só para que estivesse à disposição dele se precisasse dela, quando precisasse e por qualquer motivo. Idiota! Ele achava mesmo que ela se tornaria a transa que poderia chamar sempre que quisesse sair e brincar? De forma ridícula, ela caíra na conversa dele. E

talvez ele achasse que poderia fazer isso, agora que ela terminara com Rick.

Pelo tempo breve em que Travis tivera o corpo dela sob controle, Ally achara que sentira uma conexão, uma compreensão mais profunda entre eles. Como estivera errada!

Ele correu na direção do elevador enquanto as portas se fechavam. Por um instante, os olhos deles se encontraram e Ally viu o desalento no olhar dele quando ele viu o rosto dela. Ou, pelo menos, achou que vira. Mas não importava. Ela virou a cabeça, sem conseguir encará-lo, e as portas se fecharam.

— Ally! — A voz de Travis pôde ser ouvida além das portas fechadas.

Ela apertou novamente o botão do saguão, querendo que o elevador se movesse. Ele começou a descer, mas parou em vários andares, com pessoas entrando e saindo durante o caminho até o térreo. Ally virou o rosto, limpando as lágrimas do rosto e torcendo para que ninguém notasse.

Ela saiu do elevador para o saguão no momento em que Travis surgiu no pé da escada. Os cabelos dele estavam desgrenhados e molhados de suor por ter descido tantos andades em tempo recorde. — Ally. Preciso falar com você.

Mas ela não queria falar com ele. A última coisa de que precisava no momento era um sermão do sr. Harrison. Ela saiu correndo pelas portas

 

automáticas para o calor da rua, o mais depressa que conseguia vestindo apenas meias, esforçando-se para não deixar cair as roupas nem os sapatos e tirando a chave da bolsa. Ela virou a cabeça quando colocou os pés no estacionamento, tentando ver se conseguiria chegar ao carro antes que Travis a alcançasse. Ele estava muito perto e ela correu cegamente, vendo um momento breve de horror no rosto de Travis quando ele saltou na direção dela. O impacto do corpo dele a derrubou e eles flutuaram por um instante antes de cair sobre o asfalto, deslizando pelo chão. Travis rapidamente se virou e colocou-a por cima do corpo dele. Ela balançou a cabeça confusa e, logo depois, repousou-a sobre o peito dele. A queda a deixara com os sentidos confusos.

Logo abaixo, ela ouviu vagamente Travis chamar seu nome com voz rouca, com o som baixinho em seu ouvido.

Estranhamente, o único pensamento que se formou em sua mente foi de que, naquele dia, pela primeira vez desde que o conhecera, Travis a chamara de “Ally”.

— Tem certeza de que está bem? — Kade Harrison olhou em dúvida para o irmão gêmeo ao entregar a ele uma mochila com pomadas, curativos e analgésicos. Ele levara a mochila com roupas, a pedido de Travis, para a casa de Ally.

— Podemos ficar com Ally — sugeriu Asha baixinho, olhando interrogativamente para Travis.

— Eu vou ficar com ela — resmungou Travis, sem querer entregar os cuidados de Ally a ninguém mais depois de vê-la quase ser atropelada por um caminhão no estacionamento da Harrison. — Foi culpa minha. Eu a fiz correr para a frente daquele caminhão. Deveria ter explicado tudo a ela imediatamente.

Kade mudou de posição e cruzou os braços em frente ao corpo. — Não vou perguntar como exatamente isso aconteceu, pois duvido que me contasse. Mas Ally teve sorte, só está com arranhões por causa do asfalto.

Tenho a sensação de que você sofreu a maior parte do impacto e impediu que os dois fossem atropelados. Estou perguntando se você está bem.

Travis não pretendia contar ao irmão que a perna e as costas doíam muito. Depois do que Kade passara, as dores de Travis eram pequenas e o arranhão pequeno no rosto sararia em breve. Ally se machucara mais, sofrendo arranhões nos braços e nas costas. Ele não conseguira salvá-la de escorregar no asfalto com o impacto do próprio corpo ao derrubá-la. Como ele estava coberto do pescoço para baixo, a única coisa de que podia reclamar era da dor do impacto. — Ela podia ter morrido — disse Travis ao irmão.

Travis sabia que nunca se esqueceria do momento em que vira o caminhão entrando no estacionamento e Ally correndo diretamente para o percurso dele. Ele estremeceu ao pensar no que poderia ter acontecido, no que quase acontecera. Apesar de ter conseguido tirar os dois do caminho do veículo, Ally ainda se machucara. Por causa dele.

— Mas não morreu, Travis — disse Kade em tom solene. — Você estava lá.

Eu causei aquilo. Foi culpa minha.

Travis sentiu uma vontade súbita de descarregar a consciência pesada, contar tudo a Kade, mas não disse nada. — Vou ficar aqui para ajudá-la.

Vocês dois podem ir para casa. Nós sabemos como é ter um arranhão daqueles. — Aquilo era colocar as coisas de forma simples. Como os dois eram viciados em qualquer coisa que andasse em alta velocidade, tinham tido vários acidentes, tanto na infância quanto depois de adultos.

Kade sorriu para Travis. — Eu trouxe tudo de que você precisará.

Travis levara Ally ao hospital, onde toda a sujeira fora removida das feridas. Mas ele sabia, por experiência própria, que elas começariam a doer muito em breve. Arranhões como aquele doíam mais tarde, não no momento em que aconteciam, pois as pequenas terminações nervosas começavam a reclamar horas depois.

— Telefone para nós — insistiu Asha. — Quero saber como vocês dois estão. — Ela se aproximou de Travis e beijou-o no rosto, evitando a área machucada.

Travis se mexeu de forma desconfortável, ainda não acostumado à afeição aberta de Asha. Não era que ele não gostasse... exatamente. Só não estava acostumado. As únicas mulheres que tinham mostrado aquele tipo de afeição a ele foram Mia e Chloe, a irmã de Tate.

Travis viu o sorriso de Kade e fez uma careta para ele. Kade sabia muito bem que Asha o deixava desconfortável quando o tratava como irmão. Ele era um escroto frio e não sabia lidar muito bem com afeição aberta.

— Obrigado — resmungou Travis para Asha, lançando outro olhar maldoso a Kade.

— Cuidarei das coisas na Harrison por algum tempo. Só cuide de Ally —

sugeriu Kade, passando o braço em volta da esposa grávida. — E vá com calma nessa coisa de herói, está bem? Você me fez envelhecer uns dez anos hoje quando fiquei sabendo que estava no hospital.

Travis lançou um olhar sombrio ao irmão. — Agora você sabe como eu me senti — admitiu ele, lembrando-se do dia do acidente de Kade.

— Eu que sou o gêmeo maluco — disse Kade com uma risada ao conduzir Asha até a porta. — Mas, sério, telefone se precisar de alguma coisa. A Harrison sobreviverá sem você por algum tempo.

— Terá que sobreviver — respondeu Travis, sem se preocupar com a empresa no momento. Sua principal preocupação era Ally.

Travis trancou a porta quando eles saíram e pegou a mochila com os suprimentos médicos ao voltar para a sala de estar.

— Por que você ainda está aqui? — A voz de Ally veio do pé da escada.

— Você está machucada. Eu não vou embora. Quando esses arranhões começarem a doer, talvez você precise de ajuda. — Ele lançou um olhar obstinado a ela, uma advertência de que não iria a lugar algum.

— Sem querer ofender, você parece pior do que eu — respondeu ela em tom indiferente, percorrendo o restante do caminho até a sala de estar. Ela usava um roupão verde que a cobria do pescoço aos tornozelos.

Ela tomara banho e os cabelos molhados começavam a se curvar nas pontas. — Foi só o rosto e é superficial — disse ele sem dar importância ao comentário dela.

Travis a observou quando Ally se sentou com uma careta, dobrando as pernas sobre um reclinador. Ele largou a mochila com as roupas e levou a sacola com os suprimentos que Kade levara para a cozinha, procurando os analgésicos. Depois de colocar alguns comprimidos na palma da mão, ele pegou uma lata de refrigerante da geladeira e levou-os para Ally. — Tome isto — exigiu ele, entregando-lhe a lata e colocando o remédio em sua mão aberta.

— Só estou arranhada, Travis. Você pode ir embora agora — disse ela em tom firme depois de engolir os comprimidos. — Agradeço pelo que fez hoje. O motorista do caminhão disse que provavelmente teria me atropelado se você não tivesse impedido. Portanto, obrigada por me salvar. Mas prefiro que vá embora.

Travis tirou o casaco arruinado e enrolou as mangas da camisa, sentando-se no sofá em frente a Ally. — Eu não queria magoar você, Ally. E não vou deixar que peça demissão.

Ally resmungou fracamente. — O que vai fazer, sr. Harrison? Algemar meus pulsos na mesa do escritório?

Travis sentiu o pênis se contrair com aquela pergunta, mas ignorou-o. —

Não.

— Como você já fez com que eu perdesse um emprego de que precisava, teria que me algemar para que eu colocasse novamente os pés naquele escritório. — Ally suspirou. — Não posso trabalhar mais para você porque...

— Eu aumentei o seu salário, a partir de hoje — confessou Travis. — Eu sabia que você não sairia do bar e não podia vê-la trabalhar de forma tão insana. Perguntei a Sullivan qual era o seu salário médio no Sully’s, incluindo as gorjetas, e aumentei o seu salário um pouco mais do que esse valor. Você não precisa mais trabalhar lá. Achei que era o que queria. Achei que você queria ter algum tempo para correr atrás de seus outros sonhos. Na verdade, era para ser uma surpresa de aniversário. Quando voltei tarde para o escritório, fiquei com receio de não encontrá-la mais. Eu queria levá-la para jantar fora para comemorar seu aniversário e dar alguma coisa que você realmente queria. Quando a vi usando apenas aquelas roupas íntimas, esqueci todo o resto. — Nada mais no mundo importara quando ele vira Ally no escritório, parecendo uma fantasia erótica. Precisara tocá-la, deixá-la louca de desejo como ele mesmo estivera naquele momento. Havia um limite para o que ele conseguia aguentar, que fora ultrapassado quando a vira.

Ally o encarou por um momento e respondeu em tom hesitante: —

Então, não foi só para a sua conveniência, não é?

— Sim e não. É conveniente saber que você está mais segura e mais feliz, mas não foi por isso. Acho que houve uma certa motivação egoísta envolvida. — Ora, ele não podia deixar que ela pensasse que era um homem altruísta, pois não era. — Mas não foi só porque eu a queria disponível para mim o tempo inteiro. Ally, quando foi que eu exigi que estivesse disponível depois do expediente? Posso ser um filho da puta, mas normalmente faço isso durante o expediente.

— Então, por que você disse aquilo? — Os olhos verdes tinham uma expressão confusa.

— Porque sou um idiota? — perguntou ele, tentando deixar a conversa mais leve.

Ally assentiu. — Concordo. — Ela olhou para ele, estudando seu rosto.

— Está fazendo isso tudo porque estamos atraídos um pelo outro?

Ally queria dizer que ele fizera aquilo porque queria trepar com ela mais do que queria respirar? Talvez... ou talvez não... ele não tinha certeza. A única coisa de que tinha certeza era que ela fora sacaneada pelo ex e ele queria deixar sua vida mais fácil. — Você merece o aumento. No decorrer dos anos, tornou-se mais uma assistente do que uma secretária, assumindo cada vez mais responsabilidades.

Ela olhou para ele desconfiada. — Você já me paga o teto salarial da minha profissão.

— Para uma posição de secretária. Promovi você para assistente executiva — respondeu ele calmamente. — Agora, você está no teto salarial desta outra profissão. — Ok... era um pouco de exagero. O salário dela ainda era maior do que o teto da categoria, mas, ora, a empresa era dele e Ally fazia o trabalho de assistente e de secretária. Ele nunca precisara de mais ninguém. Ela valia ainda mais do que aquilo.

Ela ergueu a sobrancelha para ele. — Ainda é um cargo de secretária, Travis. Só tem um título que parece mais importante. Por que está fazendo isso, de verdade?

— Achei que já tinha explicado — resmungou ele irritado. Minha nossa!

Será que a mulher não podia simplesmente aceitar o aumento e a promoção sem discutir? — Você teve que me aguentar por quatro anos. Antes disso, nunca consegui manter uma assistente nem uma secretária. — Aquilo era totalmente verdade. Ele era perfeccionista demais e ninguém, fosse como secretária ou assistente, tivera desempenho como o de Ally. Ela previa as necessidades dele antes mesmo que percebesse do que precisava. Pelo menos, em nível profissional.

— E você não podia ter discutido isso comigo primeiro? — perguntou ela baixinho.

— Não. Se tivesse, não seria surpresa. — E ele não pretendia deixá-la recusar.

— Você não pode simplesmente arrumar a vida das pessoas, Travis.

Agradeço o que está tentando fazer, mas sou adulta e tomo minhas próprias decisões.

— Desde quando? — desafiou ele. — Todas as decisões que tomou nos últimos anos foram do idiota do seu ex. E ele certamente nunca se preocupou se era algo que você queria ou não. Era tudo para ele. Que diferença faz se estou dando a você algo que realmente quer? — Travis não estava acostumado a ser questionado quando fazia algo de bom, coisa que quase nunca acontecia. E ele gerenciava a vida das pessoas o tempo inteiro, normalmente porque elas não sabiam fazer isso muito bem.