A Viúva

Fiona Barton · Capítulo 14 de 55

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A Viúva

Capítulo 13

 

Sábado, 7 de abril de 2007

O DETETIVE

O coração de Sparkes parecia uma britadeira conforme se aproximava da porta dos Taylor, todos os sentidos aguçados. O detetive já tinha feito aquilo uma centena de vezes, mas suas reações nunca pareciam anestesiadas pela repetição.

A casa era geminada, com pintura nova e bem conservada, com janelas de vidros duplos e cortinas de tule simples.

Você está aqui, Bella?, repetia ele mentalmente enquanto erguia a mão para bater à porta. Calma, calma, lembrou a si mesmo. Não vamos apavorar ninguém.

E então, ali estava o homem. Glen Taylor.

A primeira coisa que Sparkes pensou era que Glen parecia um cara comum. Mas monstros raramente parecem com o personagem. Você espera ver o mal irradiando deles — isso tornaria o trabalho policial muito mais fácil, ele costumava dizer. Só que o mal era uma substância fugidia, vislumbrada apenas de vez em quando, e muito mais horrenda por causa disso.

O detetive fez uma rápida inspeção na área da casa atrás de Taylor, buscando algum sinal de uma criança, mas o corredor e a escada estavam impecáveis, nada fora do lugar.

“Normal a ponto de ser anormal”, disse a Eileen depois. “Parecia uma casa de revista.”

Eileen ficou ofendida, achando que o comentário era um julgamento de suas próprias habilidades de dona de casa, e despejou seu descontentamento.

“Droga, Eileen, qual é o seu problema? Ninguém está falando de você, da nossa casa. Estou falando de um suspeito. Achei que poderia se interessar.”

Mas o estrago já estava feito. Eileen se retirou para a cozinha e começou uma limpeza barulhenta. Outra semana calma, pensou ele, e aumentou o volume da TV.

— Sr. Glen Taylor? — chamou Sparkes, em voz baixa e educada.

— Sim, sou eu — respondeu Taylor. — O que posso fazer por vocês? Estão vendendo alguma coisa?

O policial se aproximou, com Ian Matthews logo atrás.

— Sr. Taylor, sou o inspetor Bob Sparkes, da Força Policial de Hampshire. Posso entrar?

— Polícia? Qual é a razão disso? — perguntou Taylor.

— Gostaria de conversar com o senhor sobre o caso do desaparecimento de uma criança que estou investigando. O nome dela é Bella Elliott — disse, tentando evitar a emoção na voz.

A cor desapareceu do rosto de Glen e ele recuou, como se tivesse levado um soco.

A esposa de Taylor saiu da cozinha e estava limpando as mãos em um pano de prato quando as palavras “Bella Elliott” foram ditas. Uma mulher simpática e de aparência decente, pensou Sparkes. Ela engasgou e levou as mãos ao rosto. Estranho como as pessoas reagem. Aquele gesto, de cobrir o rosto, devia estar gravado nas pessoas. Seria vergonha? Ou relutância em olhar para algo? Sparkes refletiu enquanto esperava ser conduzido até a sala de estar.

Realmente estranho, pensou. Glen não olhou para a esposa uma única vez durante toda a visita. Era como se ela não estivesse lá. Pobre mulher, parece que vai desmaiar.

Taylor se recompôs rapidamente e respondeu às perguntas deles.

— Pelo que sabemos, o senhor estava fazendo uma entrega na região onde Bella foi raptada, Sr. Taylor.

— Bem, acho que sim.

— O seu amigo, o Sr. Doonan, disse que estava.

— Doonan? — retrucou Glen Taylor, com os lábios crispados. — Ele não é meu amigo, mas espere. Sim, acho que estava.

— Tente ter certeza, Sr. Taylor. Foi no dia em que Bella Elliott foi sequestrada — insistiu Sparkes.

— Certo, sim. Claro. Acho que tive uma entrega no começo da tarde, depois vim para casa. Por volta das quatro da tarde, pelo que me lembro.

— Em casa a esse horário, Sr. Taylor? O senhor fez um tempo muito bom. Tem certeza de que eram quatro horas?

Taylor assentiu, testa franzida como se fingindo pensar profundamente.

— Sim, com certeza quatro horas. Jean pode confirmar.

Jean Taylor não disse nada. Foi como se não tivesse ouvido, e Sparkes precisou repetir a pergunta. Só então ela fez contato visual com ele e concordou.

— Sim — disse ela, como se no piloto automático.

Sparkes se voltou novamente para Glen Taylor.

— A questão, Sr. Taylor, é que sua van corresponde à descrição de um veículo que foi notado por um vizinho pouco antes de Bella desaparecer. O senhor provavelmente leu sobre isso, saiu em todos os jornais, e estamos verificando as vans azuis.

— Achei que vocês estavam procurando um homem de rabo de cavalo. Meu cabelo é curto, e de qualquer modo, eu não estava em Southampton. O serviço foi em Winchester — retrucou Taylor.

— Sim, mas tem certeza de que não fez um pequeno desvio depois da entrega?

Taylor descartou a sugestão com uma risada.

— Não dirijo mais do que preciso; não é isso que faço para relaxar. Veja, tudo isso é um terrível equívoco.

Sparkes assentiu para si mesmo, pensativo.

— Estou certo de que entende como este é um assunto sério, Sr. Taylor. E não vai se importar se dermos uma olhada por aqui.

Os policiais iniciaram uma busca imediata na casa. Os dois circularam rapidamente pelos aposentos, chamando o nome de Bella e olhando em armários, debaixo de camas, atrás de sofás. Não havia nada.

Mas havia algo no modo como Taylor contara a história. Algo ensaiado. Sparkes decidiu levá-lo para um interrogatório mais longo, para repassar os detalhes. Ele devia isso a Bella.

Jean Taylor foi deixada chorando na escada enquanto os policiais terminavam o trabalho deles.