A Viúva

Fiona Barton · Capítulo 52 de 55

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A Viúva

Capítulo 51

 

Sexta-feira, 11 de junho de 2010

A VIÚVA

Quando a equipe foi embora, fiquei sentada em silêncio e esperei o último telejornal da noite. O Sr. TV havia dito que eu seria a matéria principal, e assim foi. “Viúva do caso Bella fala pela primeira vez” pisca na tela, com música tocando por cima e entrando na minha sala. E ali estou eu, na TV. Na verdade, não demorou muito, mas digo que não sei nada sobre o desaparecimento de Bella e suspeito que Glen estivesse envolvido. Disse claramente que não tinha certeza, que ele não havia confessado nada para mim e que os jornalistas distorceram o que eu disse.

Respondi às perguntas deles calmamente, sentada no meu sofá. Admiti que recebi uma oferta de pagamento, mas que a recusara quando descobri o que o jornal estava publicando. Houve uma breve declaração do Post e uma imagem de Kate e Mick saindo da minha casa. E isso foi tudo.

Espero o telefone tocar. Primeiro é a mãe de Glen, Mary.

— Como você pôde dizer essas coisas, Jeanie? — pergunta ela.

— Você sabe tão bem quanto eu, Mary — retruco. — Por favor, não finja que não desconfiava dele, pois sei que desconfiava.

Ela permanece calada, depois diz que vai conversar comigo amanhã.

Depois Kate liga. Está toda profissional, dizendo que o jornal está incluindo minha declaração à TV em sua matéria, para que eu possa “contar o meu lado da história”.

Sua ousadia me faz rir.

— Você deveria estar escrevendo o meu lado da história — retruco. — Você sempre mente para as suas vítimas?

Ela ignora minha pergunta e diz que posso ligar para o celular dela a qualquer momento, e eu desligo sem me despedir.

* * *

O jornal é jogado pela abertura da caixa de correio na manhã seguinte. Não tenho assinatura. Imagino que Kate o tenha colocado lá. Ou um vizinho. A manchete berra: “VIÚVA CONFESSA CULPA DO ASSASSINO DE BELLA”, e estou tremendo demais para abrir o jornal. Meu retrato está na capa, olhando para o nada como Mick tinha orientado. Eu o coloco na mesa da cozinha e espero.

O telefone toca a manhã toda. Os jornais, a televisão, o rádio, a família. Minha mãe liga, soluçando pela vergonha que causei a eles, e meu pai berra ao fundo, dizendo que me alertou para não me casar com Glen. Ele não fez isso na época, mas imagino que gostaria de ter feito.

Tento consolar mamãe, dizendo que erraram em minha declaração e que o jornal distorceu tudo, mas isso não surte efeito e ela desliga.

Fico exausta, então tiro o telefone do gancho e me deito na cama. Penso em Bella e Glen. E naqueles poucos dias antes da morte dele.

Ele começara a me perguntar o que eu ia fazer. “Você vai me deixar, Jeanie?” Eu respondia “Vou preparar uma xícara de chá”, e o deixava ali parado. Coisas demais em que pensar. Traição. Decisões. Planos.

E só voltei a falar com ele quando era estritamente necessário. “Sua mãe no telefone.” Apenas o mínimo.

Ele era como um fantasma, assombrando-me na casa inteira. Eu o flagrava me olhando por trás do jornal. Eu o pegara. Ele não sabia o que sua Jeanie faria, e isso o matava de medo.

Glen não me deixou sozinha naquela semana. A qualquer lugar que eu fosse, ele também ia. Talvez achasse que eu iria procurar Bob Sparkes de imediato. Isso porque ele não entendia nada sobre mim. Eu não contaria nada a ninguém. Não para protegê-lo — não me faça rir.

Naquele sábado, ele estava no meu pé quando saímos do Sainsbury’s, e o vi olhando para uma garotinha em um carrinho de bebê. Foi só de relance, mas vi algo nos olhos dele. Algo morto. E eu o afastei da criança. Um empurrãozinho, e ele tropeçou no meio-fio e cambaleou para a rua. O ônibus surgiu no mesmo instante. Foi tudo muito rápido, e me lembro de olhar para ele caído ali, em uma pequena poça de sangue, e pensar: Ah, bem. Esse é o fim dos absurdos dele.

Isso agora faz de mim uma assassina? Eu me olho no espelho, tento descobrir se isso se revela em meus olhos, mas acho que não. Glen na verdade se safou. Ele poderia ter sofrido por anos, se perguntando quando seria desmascarado. Ouvi dizer que pessoas como Glen não conseguem se conter, não mesmo, então eu o ajudei a sair disso.

Vou vender a casa assim que puder. Primeiro tenho que passar pela investigação, mas Tom Payne disse que será algo rápido. Tenho apenas que contar ao magistrado que Glen tropeçou nos próprios pés e tudo estará encerrado. Poderei recomeçar.

Liguei para uma corretora de imóveis ontem para descobrir quanto a casa vale. Dei meu nome, mas ela pareceu não notar — vai acabar percebendo, mas eu disse que queria uma venda rápida, e ela virá amanhã de manhã. Fico em dúvida se a ligação com Glen fará o preço subir ou baixar. Algum mórbido poderia pagar um pouco a mais. Nunca se sabe.

Ainda estou decidindo para onde ir, mas com certeza vou sair de Londres. Vou entrar na internet para descobrir lugares, talvez no exterior ou nos arredores de Hampshire. Para ficar perto da minha menininha.