Baía de Todos os Santos: aspectos humanos
Recôncavo: território, urbanização e arquitetura
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
em Cachoeira, e termina em meados do século XVIII com as casas-
grandes dos engenhos Matoim, Caboto, Freguesia, Cinco Rios e
Paramirim, todos nas proximidades da Baía de Aratu e construídos
ou reconstruídos pela família Rocha Pita.
São casas assobradadas com dois, três e até quatro pavimentos. É
possível que a adoção dessa tipologia estivesse relacionada com
razões de segurança. Vale lembrar que mesmo em solares urbanos,
como o Estrela e o do Museu do IPHAN, em Cachoeira, há seteiras na sobreloja. De outra parte, o pátio interno servia a conciliar
privacidade com iluminação e aeração, em casas-grandes muito
grandes, que tinham capelas anexas ou internas, para evitar a saída
das mulheres.
Apenas o Matuim possuía um verdadeiro pátio, com corredor
articulando os cômodos, na tradição mediterrânea. Nos demais
casos eram meros poços de iluminação e ventilação. Isto é
compreensível em casas que chegavam a ter seis salas, 22 quartos
totalizando 1.860 m2, como no Engenho Freguesia. Sempre
implantadas em encostas, em pelo menos dois casos, engenhos
Freguesia e Caboto, se ingressava diretamente no pavimento
nobre.42
No século XIX surgem, na bacia do Subaé, casas de engenho de
grande rigor formal e construtivo, neoclássicas, com pátios
posteriores, escadarias externas de acesso e terraços sobre
abóbadas, como nos engenhos Cajaíba, Madruga e do Monte, em
São Francisco do Conde; Subaé, em Santo Amaro; Europa, em
Teodoro Sampaio, e Embiara, em Cachoeira. 43
sobrados de engenho
Muitos engenhos do século XVIII apresentam casas-grandes que
não diferem muito de sobrados urbanos, inclusive com apêndices de
serviço, como no caso dos engenhos S. Miguel e Almas e
Passagem dos Teixeiras, ambos em ruína. No interior, a mesma
estratificação funcional: serviços e quartos de hóspedes no térreo e
salões sociais e quartos ou alcovas nos pavimentos superiores. O
saguão ficava no lado maior do retângulo e a articulação com o
andar superior era feita internamente.
O exemplar mais nobre dessa tipologia é o Engenho Lagoa, do final
do século XVIII, em S. Sebastião do Passé. Fica elevado sobre
arcaria joanina e tem no pavimento superior salões com pintura
ilusionista e escudo da família Carvalho, uma das proprietárias do
engenho. À sua esquerda fica a capela.
Nesta categoria estão também os engenhos Santo Antônio de
Mataripe; São José, Madruga e Guaíba, em S. Francisco do Conde;
Subaé e Novo, em S. Amaro; Campina, em Cachoeira; S. José, em
Nazaré, e Medrado, em São Felipe. Metade desses possuía acesso
direto ao pavimento nobre.44
casas avarandadas
Surgem no final do século XVIII, e se difundem no XIX, casas-
grandes térreas com varandas. Esta tipologia parece associada aos
novos senhores de engenho de menor cabedal, com hábitos de
passar mais tempo na cidade e responsáveis pela expansão de
engenhos em novas áreas. Elas demonstram um relaxamento das
tensões entre senhores de engenho, escravos e empregados. Não
mais a reclusão em pátios ou a estratificação vertical. A varanda era
uma faixa de transição espacial, climática e social entre o interior e o
exterior da casa-grande. Um espaço de interlocução com os
serviçais, de circulação livre da mulher e de portas e janelas abertas
durante todo o dia, chova ou faça sol. Nessa nova arrumação, a
varanda absorveu muitas funções do térreo das casas-grandes
assobradadas, como depósitos, banheiros e quartos de hóspedes.
Esta tipologia não é uma exclusividade baiana. Há muitas casas
deste tipo no Rio de Janeiro, datadas de meados do século XVIII.
(CARDOSO, 1943) Mas há uma diferença com relação às baianas.
As generosas varandas cariocas estavam em um segundo
pavimento ou sobre um pódio elevado, o que mantinha a distância
social entre a família patriarcal e os escravos e empregados. Neste
sentido a nossa casa-grande avarandada, ao rés do chão, era mais
democrática.
O exemplar mais antigo dessas casas conhecido na Bahia é o
Engenho São Roque do Paraguaçu, com varanda com bancos
envolvendo três lados da casa e dando acesso a quarto de
hóspedes e depósito. Não sabemos a data de sua construção, mas
sua capela, embora "modernizada" no século XVIII, guarda portada
com frontão reto e decoração em trança, típicos do século XVII. É
difícil saber se a atual casa é da mesma época, mas suas colunas oitavadas com capitéis toscanos, semelhantes aos da Ordem
Terceira do Carmo de Cachoeira, devem ser, no mínimo, da mesma
época, 1724.
Dois outros exemplares devem datar da segunda metade do século
XVIII, os engenhos da Mata, em Mata de São João, e S. João, em
Candeias. Não temos maiores informações do primeiro, mas era
vizinho da aldeia jesuítica de São João. Possui capela sobre uma
pequena elevação vizinha. A casa está elevada do terreno e
totalmente contornada por varandas. Toda a ala esquerda de
quartos se abre para a varanda, além de um pequeno depósito de
arreios. O segundo pertenceu a um morgado, no século XVIII, e está
ligeiramente elevado do terreno, com varanda apenas na frente.
Quatro pequenos quartos se abrem para a varanda. 45
Esta tipologia seria retomada nas novas áreas de expansão da
agroindústria, no início do século XIX, especificamente na bacia dos
rios que deságuam no Atlântico. Eram propriedades relativamente
pequenas, com engenhos do tipo almanjarra movidos por tração
animal, separados da casa, mas que já não se conservam. Suas
sedes estão localizadas nos topos de colinas ou em encostas.
Algumas delas são ligeiramente elevadas do solo e precedidas de
degraus.
Fazem parte desta geração os engenhos o Triunfo, em Amélia
Rodrigues; Api e Mocambo, em Catu; Roçado, Itatingui e Pimentel,
em S. Sebastião do Passé; Outeiro e Tarefas em Teodoro Sampaio;
S. Antônio do Rio Fundo e Caeté, em Terra Nova. Suas sedes são
casas bem compostas, mais largas que profundas, com duas, três e
até quatro varandas suportadas por colunatas geralmente toscanas.
Em geral entra-se na casa por um salão de visitas que se liga a um
corredor transversal de distribuição funcional. Apenas os engenhos
Triunfo, Mucambo e Santo Antônio do Rio Fundo têm
desenvolvimento longitudinal com corredor central.
Dois deles têm pátios no fundo, o Roçado e o Pimentel. Merece
destaque o Engenho Outeiro, que possui varandas laterais envidraçadas. A área dessas casas se reduz para cerca de 500 m2
e seu programa é bem menor que o das casas assobradadas. Já
não possuem capelas separadas, apenas "quarto dos santos" no
seu interior, como registrado nos engenhos Triunfo, Api, Itatingui e
Pimentel. Assinale-se, ainda, a adoção desta tipologia em duas
residências urbanas, a Casa do Pedreira, em Itaparica, e a casa no
13 da Pç. da Bandeira, em São Gonçalo dos Campos.46
No lado ocidental do Recôncavo, nesta mesma época, este partido
foi adotado em engenhos de açúcar e farinha e em casas de
fazenda, com varandas sustentadas por esteios de madeira, como
nas fazendas Várzea Grande, Paty e Tábua, em Conceição de
Feira; fazendas Funil e Dendê, respectivamente em Jaguaripe e
Muritiba e o Eng. Cabonha, em Cachoeira. Uma variante desta
tipologia é a casa de dois pavimentos com varanda periférica, como
a sede da Chacára Alegria, em Nazaré, e o Eng. Palmeira, em
Santo Antônio de Jesus.47
casas - engenho
Em meados do século XVIII, quando a agroindústria açucareira
enfrentava problemas de comercialização externa, dá-se a fusão da
casa-grande com a fábrica num só edifício. Os primeiros exemplos
são os engenhos Mataripe, Dom João e São José, todos
desaparecidos, localizados na bacia do Subaé, em São Francisco
do Conde. (AZEVEDO, E., 1999, p. 150) A este podemos
acrescentar o Engenho Vitória, em Cachoeira, do início do século
seguinte. São engenhos grandes, dois deles com capelas
incorporadas, o São José e o Vitória.
Este partido se difundiria no século XIX no Recôncavo da
subsistência, onde a produção de açúcar e cachaça se destinava ao
mercado local e era compartida com outras atividades
agropecuárias. Foi isso que os salvou da crise da agroindústria
açucareira no final do século XIX. Alguns deles ainda funcionavam,
movidos por roda d'água, há uma década. Geralmente o engenho
era um galpão recoberto, em parte, pela residência do proprietário, que o supervisionava de um balcão interno. Em baixo da casa
ficavam apenas depósitos, provavelmente para não incomodar os
proprietários, durante os períodos de atividade diuturna.
São exemplos desta tipologia os engenhos de Baixo e Buraco, em
Aratuípe; Sapucaia, em S. Antônio de Jesus, S. Pedro, em Nazaré e
Caraípe, em São Felipe. Este mesmo partido foi adotado em
fazendas produtoras de farinha, na mesma região, como a Paty, em
Conceição de Feira; Chaves e Nova Bury, em S. Felipe. Havia
também casas-grandes acopladas a engenhos de cana ou
mandioca situados no mesmo plano, como nas fazendas Tábua, em
Conceição de Feira, e Vargem Grande, em S. Antônio de Jesus. 48
Casas e sobrados urbanos
O padrão dominante de habitação urbana na região é a casa ou
sobrado de parede-meia, de origem medieval portuguesa. Este
padrão decorre de um parcelamento da terra em lotes estreitos e
longos, bem diverso do vigente no Mediterrâneo, que deu origem a
casas de pátio interno, comuns nas cidades hispano-americanas.
Geralmente a casa ou o sobrado do Recôncavo tem cerca de sete
metros de largura, uma porta e duas janelas no térreo.
Internamente, a casa está estruturada em função de um corredor
longitudinal lateral, que liga a porta da rua à sala de jantar
avarandada no fundo, aberta para um pequeno pátio ou quintal.
Para este corredor, que funciona como uma tiragem forçada de ar,
se abrem a sala de visitas e as alcovas.
A casa do Recôncavo está dividida em quatro faixas funcionais. A
primeira, ligada à rua, é onde se encontra o corredor de entrada,
geralmente limitado por uma segunda porta gradeada, e a sala de
visitas. A segunda faixa, de caráter íntimo, é constituída por alcovas.
A sala de jantar e a varanda posterior formam a faixa de convivência
da família. A quarta e última faixa é de serviço, constituída pelo
quintal. A cozinha e o quarto de banho formam um apêndice da
casa avançando no quintal. É ali onde se cultivam ervas aromáticas e medicinais, se lava a roupa e criam-se animais domésticos e de
corte.
Este esquema funcional retrata bem uma sociedade patriarcal, com
uma rígida separação do mundo da rua, mais masculino e formal, da
vida familiar, mais feminina e informal. Os dormitórios são alcovas,
sem janelas para o exterior. A sala de visitas só é aberta para
reuniões sociais. O jantar é o núcleo integrador da família, onde só
os mais íntimos são convidados a entrar. O quintal é a parte mais
reclusa da casa, onde se banha, defeca, lava a roupa suja e está o
galinheiro, o chiqueiro e o canil.
Nas casas maiores, a largura pode chegar a doze metros e a porta
de entrada e o corredor passam a ser centrais. Mas as relações
funcionais não se alteram. Algumas casas térreas edificadas em
terrenos mais largos ao invés de corredor longitudinal possuem um
salão central para onde se abrem alcovas e outros cômodos, como
pode ser observado na Casa Natal de Teixeira de Freitas, em São
Francisco do Conde, a Chácara Santa Rita, em Nazaré, e casas nas
praças Bráulio Seixas e da Bandeira, em São Gonçalo dos
Campos. 49 No início do século XIX o piso das casas térreas se
eleva formando um porão baixo, que aumenta a distância da casa
para a rua, dá mais privacidade e diminui a umidade.
Em se tratando de casa de dois andares, este esquema é
reproduzido no pavimento superior, enquanto o térreo é ocupado por
lojas ou dependências de serviço. Mas quando o sobrado é mais
alto há um zoneamento vertical. O térreo passa a ser comercial e/ou
de serviço, o primeiro andar social, com sacadas ou balcões sobre a
rua, e o segundo andar, íntimo. Os empregados domésticos
dormiam geralmente no térreo ou no sótão.
Em alguns casos, uma escada externa conduzia diretamente ao
pavimento nobre, especialmente na região do Subaé, como no
sobrado situado na rua Cons. Saraiva, 39 e no Solar Paraíso,
ambos em Santo Amaro, disposição que é encontrada também em
casas de engenho da região, como já vimos.50
Uma gravura de 1860 registra um tipo de sobrado que teria existido
junto ao porto de Cachoeira, na atual rua 25 de Junho. 51 Eram
sobrados elevados sobre um portal de arcos onde provavelmente se
fazia a feira, com produtos trazidos de barco. Tais sobrados
desapareceram, mas em Nazaré ainda se preserva um edifício
desse tipo, o Sobrado dos Arcos, também próximo ao cais e em cuja
galeria se realizava até 15 anos atrás a feira da farinha. 52
Nas margens do Paraguaçu e do Jaguaripe o sobrado termina,
muitas vezes, com um mirante-dormitório, muito cômodo para
observar a movimentação dos barcos no rio. É relativamente
frequente este tipo de sobrado em Maragogipe, São Félix,
Cachoeira e Nazaré. Mas temos também um exemplar em Santo
Amaro, na esquina da Pç. da Purificação.53
Um tipo especial de sobrado surgiu em Cachoeira, devido à
frequência de enchentes do rio Paraguaçu. É o sobrado com
entressolho destinado a recolher os móveis e trastes do térreo
durante as cheias. Seu pé direito é geralmente baixo, as aberturas
pequenas e ele não tem utilização a não ser nesse período, como
depósito. Seus exemplares mais antigos datam do início do século
XVIII, como no atual Museu do Iphan e o Solar Estrela, em
Cachoeira. Mas há exemplos mais novos na mesma praça e nas
ruas Ana Nery, 13 de Maio e Rui Barbosa. 54 No Museu do Iphan,
esta sobreloja servia também de tocaia para possíveis ataques.
Embora aberta para o fundo, ela está fechada na frente com apenas
seteiras apontando para a praça. Na parte ocidental do Recôncavo
há sobrados geminados com corredores laterais que dão a
impressão de ser um grande solar. 55
Sobrados nobres
Não se podem diferenciar casas nobres urbanas das rurais. Os
senhores de engenho se alternavam no campo e na cidade, só
optando preferencialmente pela cidade no século XIX. As três
únicas casas com brasões de família pintados nos tetos são as
casas-grandes dos engenhos Freguesia, Cinco Rios e Lagoa. Estas casas, nas cidades, fogem um pouco da residência urbana padrão.
Apresentam uma maior volumetria e tratamento decorativo externo e
interno mais requintado. Estão concentradas especialmente em
Cachoeira, Magagogipe, Santo Amaro e Nazaré.
Seu programa não diverge muito da casa urbana corrente, mas
geralmente não possuem lojas no térreo. É possível que algumas
delas tivessem pequenas capelas ou nichos no interior, mas não há
vestígios. O elemento distintivo dessas casas são salões com forros
em gamela ou caixotões, às vezes com pintura, e saguões com
belas escadarias, algumas com arranque em pedra, e galerias com
balaustres no pavimento superior para recepção e controle dos
visitantes.
Em Cachoeira estão os solares mais requintados da região. O mais
antigo desses solares data de 1683. É a casa de João Rodrigues
Adorno, fundador da povoação, que embora fosse uma casa de
engenho, foi envolvida pela vila e se transformou em uma casa
urbana. Esta é uma das poucas casas urbanas com pátio interno em
toda a região.56 Não é a mais refinada, devido aos muitos usos e
reformas por que passou, mas preserva um saguão interessante.
A mais requintada é a sede do Museu do IPHAN, datada de 1723. É
a única em todo o Recôncavo com uma portada barroca de lioz e
portas almofadadas. Possui ainda escadaria com arranque em
pedra e dois salões sobre a praça com forro em caixotões com
pintura de vida cortesã. Assinale-se ainda o Solar Estrela, do século
XVIII, na mesma praça da Aclamação, com bela pintura floral no
forro dos salões de visitas; a Casa Natal de Ana Nery e o sobrado
de número 25 da mesma rua, ambos com saguão e salões com
forros em caixotões.57
Em Santo Amaro podemos assinalar os solares Araujo Pinho e
Visconde da Aramaré, já do período neoclássico. Além de saguões
requintados, apresentam pórticos de entrada e terraços sobre
abóbadas, elementos também encontrados em dois engenhos da região,o Cajaíba e o Madruga. Assinale-se, ainda, os sobrados às
ruas da Matriz, 9, General Câmara, 63, Cons. Saraiva, 29.58
Nazaré apresenta uma das casas mais interessantes do Recôncavo,
a situada na Pç. Arthur Sampaio, junto à ponte. É um imenso
sobrado com 21 janelas e uma porta abrindo-se diretamente para o
rio Jaguaripe. É talvez o único sobrado fluvial brasileiro e lembra os
palácios venezianos. Seus proprietários chegavam a ele de canoa,
antes da construção das pontes. Maragogipe apresenta também
dois edifícios com saguões interessantes, a sede da Filarmônica
Terpsícore e um sobrado na Praça da Matriz. 59
Finalmente não podemos deixar de mencionar o Chalé Guinle, em
São Félix. Embora construído na primeira década do século XX com
componentes industriais europeus, este chalé tenta reproduzir, com
outra linguagem, os elementos básicos da arquitetura regional: a
casa com pátio envolvida por varandas e com mirante para o rio.
Pena que se encontre em ruína.
Edifícios públicos
As mais importantes construções públicas das cidades do
Recôncavo são as Casas de Câmara e Cadeia. Existem dois tipos
desses edifícios. Um inspirado na Casa de Câmara e Cadeia de
Salvador, com portal, pátio e torre sineira central e outro mais
simples, sem portal nem torre, inspirado na Casa de Câmara e
Cadeia de Jaguaripe, primeira vila fundada no Recôncavo, em 1697.
Usualmente a cadeia ficava embaixo e no seu pórtico se publicavam
os editais. No pavimento superior ficavam o legislativo, o executivo e
o judiciário municipais.
O modelo de Salvador é evidentemente espanhol, embora inspirado
remotamente no Capitólio de Roma (1536), de Miguel Ângelo.
Espanhol pela presença do portal com açougue, onde se realizava o
mercado, como nas plazas mayores hispânicas. (AZEVEDO, P.,
2001, p. 407-420) Essa tipologia teve origem na Espanha, no
período de florescimento da instituição municipal, mas a construção dos primeiros edifícios específicos de cabildos são do século XV,
embora sua difusão se desse nos quinhentos. (GUTIERREZ et al.,
1990) Vivendo-se a última fase do período filipino, não seria de
estranhar que a diretriz para o seu projeto pudesse emanar da
própria Metrópole.
A relação do conselho municipal com a comunidade definiria muitos
elementos de seu programa, como o portal, onde se fixavam os
editais e se realizava a feira, o balcão do conselho, onde as
autoridades falavam durante as festas cívicas e religiosas e a torre
cujo sino marcava o ritmo da vida cidadã. O tipo mais frequente de
fachada de cabildos e ayuntamientos espanhóis era o de arcarias
sobrepostas. Mas no norte da Espanha eram frequentes os cabildos
com térreo em arcaria e pavimento superior vazado por janelas
rasgadas, exatamente como no Paço de Salvador.
Dom Clemente Maria Silva-Nigra levanta a hipótese daquele projeto
ser de autoria do arquiteto espanhol Frei Macário de São João, com
base no traço de sua portada, que denota conhecimento do tratado
de Sebastiano Sérlio e é utilizado por ele em outros projetos.
(SILVA-NIGRA, 1971, p. 89, 107-108) O único profissional com
conhecimento dessa tipologia no Brasil, naquela época, era o frei
beneditino. O Paço Municipal de Salvador, inaugurado em 1660,
mas só concluído trinta anos depois, foi o pioneiro dessa tipologia
na América. Sedes municipais com torres centrais só se difundiram
na América espanhola cerca de cem anos depois. Um exemplar
muito semelhante ao nosso foi o de Santiago do Chile (1785-1790),
já demolido. Possuía portal no térreo, janelas de púlpito no
pavimento superior e torre central em meia laranja.60
Cachoeira, segunda vila fundada no Recôncavo, em 1698, reproduz
esta tipologia, em 1712, mas de forma bastante rústica, com portal,
mas sem pátio nem torre. O mesmo modelo de Salvador, porém
mais simplificado, sem pátio e com uma espadaña, foi adotado em
1735 em Maragogipe. Uma réplica perfeita, mas em menor escala
da de Salvador foi construída em Santo Amaro, elevada a vila em
1727. A atual sede municipal, concluída em 1769, deve ter sido precedida por outra cuja imagem não conhecemos. Muito
simplificado, em um só pavimento, este modelo seria reproduzido
tardiamente em São Felipe, elevada a vila em 1880. A atual sede
municipal data de 1914.61
O segundo modelo tem como protótipo a Casa de Câmara e Cadeia
de Jaguaripe. Trata-se de um casarão recoberto por telhado de
quatro águas, que volumetricamente pouco difere de uma casa
nobre civil. Mas possui duas particularidades. As enxovias ficavam
em um subsolo aberto para o mar, que eram inundadas nas maiores
marés e ao seu lado ficava um portal, onde se realizava o mercado
com produtos trazidos de barco. Este modelo foi adotado em São
Francisco do Conde, elevada a vila em 1697, em Nazaré (1878) e
em algumas casas de câmara e cadeias do interior, como as de
Porto Seguro, Rio de Contas, Caitité e Condeubas. 62
Outro equipamento frequente nas vilas e cidades da região são
hospitais administrados por Santas Casas de Misericórdia, únicas
instituições a fazer o que hoje se chama seguridade social, até o
advento da Era Vargas. Cachoeira, Maragogipe, Nazaré e Santo
Amaro tiveram esses equipamentos. Seus programas incluíam
enfermarias e uma capela, mas não existe uma tipologia única. A
Santa Casa de Cachoeira é talvez a mais importante e antiga.
Desde 1686, funcionou uma enfermaria no Convento de Santo
Antônio do Paraguaçu, no Iguape, transformada, mais tarde, em
Hospital de Nossa Senhora de Belém. Em 1734, o hospital passa a
funcionar em Cachoeira, em terreno doado pelo Cap. João
Rodrigues Argolo e mantido com rendas de fazendas do Iguape.
O chamado Hospital de Caridade é elevado, em 1823, à condição
de Santa Casa de Misericórdia por Resolução Imperial. O edifício,
do início do século XIX, com tratamento neoclássico, tem um partido
semelhante ao de um convento, com capela à mão direita e pátio à
esquerda, em volta do qual estão as enfermarias individuais e
coletivas. A instituição devia ter recursos, pois edificou um belo
conjunto de seis sobrados e onze casas iguais para renda, na rua
Durval Chagas, vizinho à sua sede.63
A Santa Casa de Maragogipe é outro conjunto importante. A capela
de N. S. da Lapa do Monte é supostamente do final do século XVII,
mas a Santa Casa só seria fundada em 1847. O hospital
ligeiramente afastado da capela, mas alinhado a ela, foi inaugurado
em 1850. Como a de Cachoeira, mandou construir em sua
vizinhança um conjunto de casas para renda, além daquelas do
cemitério.
O Hospital Nossa Senhora da Vitória de Santo Amaro foi construído
entre 1856 e 1866 com recursos da comunidade. Dois anos depois
é instituída a Santa Casa de Misericórdia para manter o hospital.
Fundada em 1830, a Santa Casa de Nazaré é a única que precede
o hospital, que começa a funcionar um ano depois. O atual hospital,
com partido em H e tratamento eclético classicizante, foi iniciado em
1888. 64
O Recôncavo possuiu casas de câmara e cadeia, conventos,
inúmeras igrejas, alguns hospitais, mercados em Nazaré e em São
Félix, matadouros em Santo Antônio de Jesus e Alagoinhas e teatro
em Nazaré. Só não teve escolas, durante todo o período colonial,
imperial e da Primeira República, o que demonstra o apreço que
tinham nossos governantes pela educação.
Em resumo
O Recôncavo, um conceito mais histórico que unidade fisiográfica,
como disse Milton Santos, variou territorialmente ao longo dos
séculos. No final do século XVII, com a criação das vilas de
Jaguaripe, Cachoeira e S. Francisco do Conde compreendia toda a
bacia dos rios Subaé, Paraguaçu e Jaguaripe. No começo do século
XIX se expande para o norte, com novos engenhos que iam até os
atuais municípios de Terra Nova e Teodoro Sampaio.
Na segunda metade do século XIX se expande para o norte, oeste e
sul, com a criação de ferrovias que do porto de Salvador chegavam
a Alagoinhas e depois a Aracaju e Juazeiro; do porto de S. Félix se
dirigia a Machado Portela, no sopé da Chapada Diamantina e até Feira de Santana; e de Nazaré se estendia até Jequié. No início do
novecentos, com a crise da agroindústria açucareira, a abertura das
primeiras estradas de rodagem e a unificação do sistema ferroviário,
o Recôncavo tradicional se encolhe, e surgem novas centralidades
como Feira de Santana e Alagoinhas. Na segunda metade do
século XX, a lavra do petróleo e o processo de industrialização
fazem surgir a Região Metropolitana de Salvador e há o abandono
do restante do Recôncavo tradicional.
As vilas da região se formam a partir de aldeias jesuíticas, de
engenhos de açúcar, pousos e feiras de gado. Essas vilas formavam
redes urbanas especializadas – açucareira, fumageira e de
subsistência – respectivamente nos vales dos rios Subaé,
Paraguaçu e Jaguaripe, tendo como enlace com Salvador seus
portos e a Baía de Todos os Santos. Essas microrredes se mantêm
até o início do século XX, quando os novos meios de transporte
roubam a importância dos portos tradicionais e criam novas
centralidades e relações urbanas.
As vilas do Recôncavo, embora atendendo a requisitos de suas
funções – porto, entreposto, centro de produção e comercialização
de produtos agropecuários – têm em comum formas geradas por
fluxos, como a navegação, a circulação de pessoas e animais nas
linhas de menor declive do terreno.
A arquitetura dessas vilas tem seu ponto mais alto nas construções
religiosas, especialmente nos conventos franciscanos de Cairu e do
Paraguaçu, pedras fundamentais da Escola Franciscana de
Arquitetura do Nordeste de inspiração oriental. Não menos
importante é a invenção das matrizes e igrejas de irmandade
assobradadas organizadas como um teatro de ópera resultante da
ação das comunidades laicas reunidas em ordens terceiras ou
irmandades.
A região, com seu grande patrimônio cultural, natural e paisagístico,
tem grande potencial turístico, infelizmente inexplorado. Para que se
possa resgatar este patrimônio é preciso ligar as antigas cidades-
portos com uma estrada envolvente da Baía de Todos os Santos que terminaria na sua maior ilha, Itaparica. (AZEVEDO, P., 2010)
Esta medida deverá ser complementada com a criação de
infraestrutura receptiva, restauração dos monumentos e valorização
das suas tradições.
O desenvolvimento do turismo e a retomada, em novas bases, de
antigas lavouras, como a cana e o dendê, agora na perspectiva da
bioenergia, da manga, da laranja e outras frutas e melhoria da
avicultura, ao lado da qualificação de pessoal pela Universidade
Federal do Recôncavo poderão tirar a região do marasmo em que
mergulhou há um século e reintegrá-la à vida econômica do Estado
e do país. Isto só depende de uma decisão política.
Referências
ANDRADE, Adriano Bittencourt. A rede urbana do Recôncavo
Baiano Setecentista. 2010. Tese (Doutorado em Arquitetura e
Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade
Federal da Bahia, Salvador, 2010. Orientação do Prof. Marco Aurélio
A Filgueiras Gomes. Mimeo.
ARGOLO, José Dirson. O Convento Franciscano de Cairu. Brasília,
D.F.: IPHAN/ Monumenta, 2009.
AZEVEDO, Esterzilda Berenstein de. Arquitetura do açúcar. São
Paulo: Nobel, 1990.
_____. Engenhos do Recôncavo Baiano. Brasília: IPHAN/
Monumenta, 2009. AZEVEDO, Paulo Ormindo. Alpendres na
Arquitetura Religiosa: revendo as teorias. Revista Barroco, Belo
Horizonte, n.12. p. 71- 85, 1983.
. Envolvente da baia versus ponte. A Tarde, 9 mar. 2010.
. Introdução ao Recôncavo. In: _____. (Coord.). Inventário de
Proteção do Acervo cultural da Bahia. 2. ed. Salvador: SIC, 1984a. v. 1 - Monumentos do Município de Salvador, 1975. Versão em CD-
ROM.
_____. Coord.). Inventário de Proteção do Acervo cultural da Bahia.
2. ed. Salvador: SIC, 1984b. v. 1 - Monumentos do Município de
Salvador, 1975. Versão em CD-ROM.
_____. _____. 2. ed. Salvador: SIC, 1982a. v. 2 – Monumentos e
Sítios do Recôncavo, 1ª parte, 1978. Versão em CD-ROM.
. _____. Salvador: SIC, 1982b. v. 3 - Monumentos e Sítios do
Recôncavo, 2ª parte. Versão em CD-ROM.
._____. Salvador: SIC, 1980. v. 4 - Monumentos e Sítios da
Serra Geral e Diamantina. Versão em CD-ROM.
._____. Salvador: SIC, 1988. v. 5 - Monumentos e Sítios do
Litoral Sul, 1988. Versão em CD-ROM.
_____. _____. Salvador: SIC, 1999. v. 6 – Monumentos e Sítios das
MR Nordeste, Vale Sanfranciscano e Extremo Oeste Baianos.
Versão em CD-ROM.
. As relações inter-coloniais e as influencias orientais nos
conventos franciscanos do Nordeste. In: COLÓQUIO LUSO-
BRASILEIRO DE HISTORIA DA ARTE, 6., 2004, Rio de Janeiro.
Anais... Rio de Janeiro: CBHA/PUC-Rio/UERJ/UFRJ, 2004. v. 2, p.
583-601.
_____. O traço hispânico do paço municipal de Salvador. In:
CONGRESSO DE HISTORIA DA BAHIA (SALVADOR, 450 ANOS),
4., 2001, Salvador. Anais... Salvador: IGHBF: Gregório de Matos,
2001. p. 407-420.
. As três etapas do paço dos Ávila em Tatuapara. Revista da
Academia de Letras da Bahia, n. 42, p. 157-174, mar.1996. AZEVEDO, Thales. O advento da Petrobrás no Recôncavo. In:
BRANDÃO, Maria de Azevedo (Org.). Recôncavo da Bahia:
sociedade e economia em transição. Salvador: Fundação Casa de
Jorge Amado, 1998. p. 185-216.
BAZIN, Germain. A arquitetura religiosa barroca no Brasil. Rio de
Janeiro: F. R. Marinho: Globo, 1983. v. 1.
BRANDÃO, Maria de Azevedo. Cidade e Recôncavo da Bahia. In:
BRANDÃO, Maria de Azevedo (Org.). Recôncavo da Bahia:
sociedade e economia em transição. Salvador: Fundação Casa de
Jorge Amado, 1998b.
_____. (Org.). Recôncavo da Bahia: sociedade e economia em
transição. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 1998a.
BRASIL. Ministério de Educação e Cultura. Introdução ao estudo da
evolução urbana (Plano urbanístico de Cachoeira). Convênio
IPHAN-UFBA. Salvador: UFBA/ Centro de Estudos da Arquitetura
na Bahia, 1976.
CARDOSO, Joaquim. Um tipo de casa rural do Distrito Federal e
Estado do Rio. Revista do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, Rio de Janeiro, n. 7, 1943.
CARITA Helder. Arquitetura indo-portuguesa na Região do Sul da
Índia. In: COLÓQUIO LUSO-BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA ARTE,
5., 2001, Faro. Actas... Faro: Universidade do Algarves, 2001. p. 39-
57.
CHACON, Vamireh. Goa e Macau. Recife; Rio de Janeiro: F.
Joaquim Nabuco, 1995. DIAS, Pedro. A viagem das formas. Lisboa:
Estampa, 1995.
FLEXOR, M. Helena O. (Org.). O conjunto do Carmo de Cachoeira.
Brasilia, DF.: IPHAN/Monumenta, 2007.
FONSECA, Fernando Luiz da. Santo Antônio do Paraguaçu e o
Convento de São Francisco do Conde. 2. ed. Salvador: UFBA, 1988.
(Série Estudos Baianos, 16)
GUTIERREZ. Ramon et al. Cabildos y ayuntamientos em América.
México: IAIHAU; Ciudad de México: Tilde, 1990.
LAPA, Luiz Roberto do Amaral. A Bahia e a carreira da Índia. São
Paulo: Nacional, 1968. (Série Brasiliana)
MARTINEZ, Maria do Socorro Targino. Ordens terceiras: ideologia e
arquitetura. Salvador: UFBA, 1979.
MATTOSO, Kátia M. de Queiroz. Bahia: a cidade do Salvador e seu
mercado no século XIX. São Paulo: Hucitec, 1978.
OTT, Carlos. Atividades artísticas da ordem 3ª do Carmo da cidade
do Salvador e de Cachoeira (1640-1900). Salvador: SCT: EGBA,
1988.
PEDRÃO, Fernando. Novos rumos, novos personagens. In:
BRANDÃO, Maria de Azevedo (Org.). Recôncavo da Bahia:
sociedade e economia em transição. Salvador: Fundação Casa de
Jorge Amado, 1998. p. 219-239.
PINTO, L.A. C. Recôncavo: laboratório de uma experiência humana.
In: BRANDÃO, Maria de Azevedo (Org.). Recôncavo da Bahia:
sociedade e economia em transição. Salvador: Fundação Casa de
Jorge Amado, 1998.
RIBEIRO, Orlando. A cruz e o Tulôsse. Diário Popular, Lisboa, 9 fev.
1956. Incluído depois na Revista Estudos, Ciência e Sociedade, n.
59, 1962.
SANTOS, Milton. A rede urbana do Recôncavo. In: BRANDÃO,
Maria de Azevedo (Org.). Recôncavo da Bahia: sociedade e
economia em transição. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado,
1998.
SILVA-NIGRA, Dom Clemente Maria da. Construtores e artistas do
Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Tipografia
Beneditina, 1950a.
_____. Os dois escultores Frei Agostinho da Piedade-Frei Agostinho
de Jesus e o arquiteto Frei Macário de São João. Salvador: UFBa,
1971.
_____. Três artistas beneditinos. Salvador: MEC: Tipografia
Beneditina, 1950b.
SOUZA, Gabriel Soares. Tratado descritivo do Brasil, em 1587. São
Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971.
TEIXEIRA, Cid. Bahia: caminhos… estradas… rodovias... notas
para a historia. Salvador: Sinduscon-Ba, 1998.
TELLES, Augusto da Silva. Atlas dos monumentos históricos e
artísticos do Brasil. [Rio de Janeiro]: MEC-FENAME/DAC, 1975.
1 Situado a 13º de latitude sul, o Recôncavo apresenta um clima
caracterizadamente tropical. Nas ilhas e na área situada a SW da
baía a precipitação pluviométrica anual é superior a 2.000mm. Nas
zonas altas e secas a precipitação não é inferior a 800mm.
2 O massapé ocorre em muitos municípios do Recôncavo, como
Cachoeira (Iguape), Candeias, Itaparica, Mata de São João, Pojuca,
Santo Amaro, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé,
Simões Filho, Teodoro Sampaio e Terra Nova.
3 Assinale-se em Entre Rios, o Engenho Buri; em Cardeal da Silva,
os engenhos Cambuís e da Barra; em Conde, o Engenho Rio
Branco; em Nilo Peçanha, o antigo Engenho Mutumpiranga; e em
Taperoá, o antigo Engenho Bom Retiro.
4 Segundo o IBGE, a Microrregião do Recôncavo (151) compreende
os municípios de Amélia Rodrigues, Aratuípe, Cachoeira, Conceição de Feira, Conceição do Almeida, Conceição do Jacuípe, Cruz das
Almas, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Itaparica,
Jaguaripe, Maragogipe, Moniz Ferreira, Muritiba, Nazaré, Salinas da
Margarida, S. Amaro, S. Antônio de Jesus, S. Félix, S. Felipe, S.
Gonçalo do Campo, S. Sebastião do Passé, Sapeaçu, Teodoro
Sampaio, Terra Nova e Vera Cruz.
5 Originalmente, a RMS compreendia: Salvador, Camaçari, Lauro de
Freitas, Simões Filho, Candeias, Vera Cruz, S. Francisco do Conde
e Itaparica. Houve dois desmembramentos de municípios e a
inclusão, pelo Estado da Bahia, em 2008, de Mata de São João e S.
Sebastião de Passé e, em 2009, de Pojuca.
6 Dados disponíveis em:
<www.sei.ba.gov.br/site/geoambientais/cartogramas/território_identid
ade/pdf//reconca-vo.pdf>. Acesso em: 03 abr. 2010. O T. de
Identidade no. 21, RMS, compreende: S. Sebastião do Passé. S.
Francisco do Conde, S. Amaro, Saubara, Cachoeira, S. Félix,
Governador Mangabeira, Muritiba, Cabaceiras do Paraguaçu, Cruz
das Almas, Maragogipe, Sapeaçu, Castro Alves, Conceição do
Almeida, S. Felipe, D. Macedo Costa, Nazaré e S. Antônio de Jesus.
7 Azevedo (1984, v. 1, p. 5; 1982a, v. 2, p. 25, 267; 1999, v. 6, p.
117).
8 Azevedo (1982a, v. 2, p. 93-100, 159-166; 1982b, v. 3, 27-38, 159-
166, 239-246, 329-334).
9 Ver: Azevedo ( 1999, v. 6, 20-23).
10 Ver também Azevedo (1982a, v. 2, p. 37-38, 93-100, 135-136;
1982b, v. 3, p. 185-194).
11 Vide Azevedo (1982b, v. 3, p. 109-110, 271-272).
12 Ver: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia - IPAC-
Ba, Coordenado por Paulo Ormindo de Azevedo (1984, v. 1; 1982a, v. 2; 1982b, v. 3; 1980, v. 4; 1988, v. 5; 1999, v. 6).
13 Confira Azevedo (1982a, v. 2, p. 109).
14 Ver: Azevedo (1984, v. 1, p. 23,75,153, 219, 229).
15 Ver: Azevedo (1984, v. 1, p. 95; 1982a, v. 2, p. 25, 267; 1982b, v.
3, p. 19, 125; 1980, v. 4, p. 117, 159).
16 Confira Azevedo (1982a, v. 2, p. 95-96, 161-162; 1982b, v. 3, p.
111-112).
17 Em Porto Seguro, edificaram o Colégio do Salvador (1553) e as
aldeias de N. S. de Ajuda (1549), São João Batista (1586), em
Trancoso, e Espírito Santo dos Índios, antiga Patativa, atual Vale
Verde. Em Ilhéus eram proprietários do Engenho Sant'Ana, doado
por Mem de Sá, e fundadores da aldeia de Nossa Senhora de
Escada, em Olivença. Tiveram aldeias também no Sertão, nos
caminhos que levavam ao Baixo Médio São Francisco, mas foram
muito perseguidos pelos Ávila. Dessas antigas aldeias, restaram
capelas rústicas em Ribeira do Pombal, Euclides da Cunha, Nova
Soure e Banzaê. (Vide AZEVEDO, 1988, v. 5, p. 247, 249, 361, 397-
408; 1999, v. 6, p. 18-20, 97, 137, 181, 197).
18 Ver: Azevedo (1982a, v. 2, p. 167-168; 1982b, v. 3, p. 113-114;
1988, v. 5, p. 39-41).
19 Ver: Azevedo (1982a, v. 2, p. 95-96, 127-128, 161-162, 197-200).
20 Confira Azevedo (1982b, v. 3, p. 39-42; 1988, v. 5, p. 39).
21 Ver Azevedo (1984, v. 1, p. 29, 63, 107; 1982a, v. 2, p. 127;
1982b, v. 3, p. 41, 47, 121, 193, 249-252, 367).
22 Descobrimos este monumento em viagem a Salamanca,
Espanha, em 2001.
23 Confira também Azevedo (1982a, v. 2, p. 127-129).
24 Ver: Azevedo (1982a, v. 2, p. 101; 1982b, v. 3, p. 217, 299).
25 Confira Azevedo (1982b, v. 3, p. 127, 177, 373, 375).
26 A estes exemplos acrescentemos a Capela de N. S. de Nazaré do
Engenho Passagem dos Teixeiras, em Candeias, Matriz de Santana,
em Catu, e Ig. do Senhor do Bonfim, em Muritiba, todos do final do
século XVIII. Vide Azevedo (1982a, v. 2, p. 37, 53, 63, 85, 135, 167;
1982b, v. 3, p. 153, 235).
27 Vide reprodução dessas pinturas em Telles (1975, p. 88, 106,
107) e Flexor (2007).
28 Vide Azevedo (1982b, v. 3, p. 113; 1988, v. 5, p. 39).
29 Vide Azevedo (1982a, v. 2, p. 31, 101, 125; 1982b, v. 3, p. 39,
169).
30 Vide Azevedo (1982a, v. 3, p. 89, 185).
31 Confira Azevedo (1984, v. 1, p. 95; 1982a, v. 2, p. 45, 131, 249;
1982b, v. 3, p. 121, 179,219, 299)
32 Ver Azevedo (1982a, v. 2, p. 41, 255; 1982b, v. 3, p. 49, 249,
251). O alpendre fechado da capela de Vera Cruz está registrado
em aquarela de Diógenes Rebouças de 1939 de propriedade deste
autor. Foi o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN) que os abriu na suposição que eram adições posteriores,
sem valor histórico e estético.
33 Confira Azevedo (1982a, v. 2, p. 35, 125, 127, 195, 215, 241, 261;
1982b, v. 3, p. 19, 129, 375). Sobre capelas de engenho. (Vide
AZEVEDO, E., 1990)
34 Confira (1982a, v. 2, p. 101, 111).
35 Confira Azevedo (1982a, v. 2, p. 101; 1982b, v. 3, p. 47, 169, 247,
367). Além das matrizes citadas, muitas outras igrejas apresentam
plantas inscritas em retângulos perfeitos, sendo a primeira delas a
de N. S. do Monte, s. 18 F, em São Francisco do Conde. A relação
inclui, ainda, as igrejas de N. S. das Candeias, s.18 F; São
Domingos de Gusmão, s. 18 M, em Santo Amaro; S. Antônio de
Mataripe, s. 18 M, em S. F. do Conde; Cap. do Eng. Quicengo, s.19
I, em S. F. do Conde; Cap. do Eng. Lagoa, 18 I, em S. S do Passé;
Cap do Eng. Água Boa, s.19 I, em Terra Nova; Ig. de São Pedro do
Rio Fundo, s.18 M, em Terra Nova; Matriz de Santiago do Iguape,
s.19 I; e Santana do Rio da Dona, s.19 I, em Conceição do Almeida.
Vide Azevedo (1982a, v. 2, p.37, 145, 169, 181, 187, 209, 215, 241,
243; 1982b, v. 3, p.125, 152).
36 Azevedo (1982a, v. 2, p. 173, 233, 335).
37 Azevedo (1982a, v. 2, p. 31, 185, 209, 217).
38 Azevedo (1982b, v. 3, p. 113; 1988, v. 5, p. 39). Vide também
Fonseca (1988) e Argolo (2009).
39 Confira Azevedo (1982b, v. 3, p. 111-112).
40 Azevedo (1982a, v. 2, ; 1982b, v. 3, p. 37, 53, 135, 145, 243, 245;
1982b, v. 3, p. 361).
41 Vide engenhos São Miguel e Almas, em S. F. do Conde; Terefas,
em T. Sampaio; Itatingui, em S. S. do Passé; Embiara, em
Cachoeira; Fazendas Paty, em C. de Feira; e engenhos S. José, em
Nazaré; Medrado; Caraípe; Chaves e Nova Bury, em S. Felipe. Ver:
Azevedo (1982a, v. 2, p. 179, 221, 235; 1982b, v. 3, p.115, 143, 295,
353-359).
42 Confira Azevedo (1982a, v. 2, p. 29, 31, 49; 1982b, v. 3, p. 75).
43 Ver: Azevedo (1982a, v. 2, p. 137, 189, 193, 201, 237; 1982b, v. 3,
p.115).
44 Ver: Azevedo (1982a, v. 2, p. 39, 45, 137, 157, 179, 181,193, 213,
237; 1982b, v. 3, p. 131, 295, 353).
45 Confira Azevedo (1982a, v. 2, p. 47, 91; 1982b, v. 3, p. 215).
46 A respeito, ver Azevedo (1982a, v. 2, p. 21, 55, 57, 73, 219, 221,
223, 233, 235, 247, 251; 1982b, v. 3; 1980, v. 4; 1988, v. 5; 1999, v.
6).
47 Ver: Azevedo (1982b, v. 3, p. 133, 143, 145, 183, 237, 293, 319,
321, 323).
48 Confira Azevedo (1982b, v. 3, p. 21, 23, 117-119,143-45, 291,
317, 319, 355-359).
49 Azevedo (1982a, v. 2, p. 177; 1982b, v. 3, p. 157, 267, 369, 371).
50 Azevedo (1982a, v. 2, p. 119, 143, 157, 189, 193).
51 Reproduzida em Introdução ao estudo da evolução urbana. (Cf.
BRASIL, 1976, fotos 16 e 17).
52 Azevedo (1982b, v. 3, p. 255-256).
53 Em Maragogipe, podemos citar os sobrados da Filarmônica
Terpsícore, da Suerdieck e um situado na rua Fernando Suerdieck.
Em São Félix, os sobrados à Pç. Joaquim Tosta, rua Juarez Távora
e o Chalé Guinle. Em Cachoeira, um sobrado à rua Maestro Irineu
Sacramento e a Casa Natal de Ernesto Simões Fo. Em Nazaré,
temos exemplos nas ruas D. Pedro II, Barão Homem de Melo e
Walson Lopes e as chácaras Santa Rita e Alegria. Vide Azevedo
(1982a, v. 2, p. 105; 1982b, v. 3, p. 85,105, 199, 201, 265, 281, 283,
293, 339,343, 347, 267, 371).
54 Azevedo (1982b, v. 3, p. 53, 61, 63, 59, 83, 93, 103).
55 São exemplos os sobrados da rua Ana Nery 47/49 e Pç. Maciel
13, em Cachoeira; o existente na Av. Salvador Pinto, em São Félix;
na Av. D. Pedro II, em Nazaré; e a Vila Caraipe, em São Felipe. (Cf.
AZEVEDO, 1982b, v. 3, p. 87, 265, 341, 363).
56 Fora a Casa das Sete Mortes, em Salvador, há uma casa térrea
em Conceição do Almeida com um grande pátio, a Vivenda Sinísia,
construída por um imigrante italiano. Os armazéns de fumo também
possuíam grandes pátios internos para secagem das folhas. (Cf.
AZEVEDO, 1982b, v. 3, p. 149, 157).
57 Azevedo (1982b, v. 3, p. 51, 59, 73, 79).
58 Azevedo (1982a, v. 2, p. 139, 141, 105, 115, 121).
59 Azevedo (1982b, v. 3, p. 197, 207, 259, 347).
60 Dentre os exemplos desta tipologia na América Latina estão os
cabildos de Buenos Aires (1734-1764), Santa Fé (1787), Tucuman,
Salta (1783), Lujan (1770-1792), San Luis (1804) na Argentina, bem
como o de Antigua, Guatemala, todos com dupla arcaria. (Vide
GUTIERREZ et al., 1990).
61 Confira Azevedo (1982a, v. 2, p. 103-104; 1982b, v. 3, p. 43-44,
195-196, 351-352).
62 Confira Azevedo (1982a, v. 2, p. 171-172; 1982b, v. 3, p. 167-
168).
63 Ver: Azevedo (1982b, v. 3, p. 69-70, 95-98).
64 Azevedo (1982a, v. 2, p. 151-152; 1982b, v. 3, p. 209-210, 285-
286).