Band of Brothers: Companhia de Heróis

Stephen E. Ambrose · Capítulo 4 de 20

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Band of Brothers: Companhia de Heróis

Capítulo 4

“Cuidado, Hitler! Lá Vamos Nós!”

 

SLAPTON SANDS, UPPOTTERY

1º de abril-5 de junho de 1944

 

A 101ª e a 82ª Divisões de Infantaria Aerotransportada e a 4ª Divisão de Infantaria formavam o VII Corpo de Exércitos. O V e VII Corpo de Exércitos (1ª e 29ª Divisões de Infantaria) compunham o I Exército Americano, comandado pelo general Omar Bradley. Eisenhower tinha incumbido Bradley da tarefa de estabelecer uma cabeça-de-praia em cada um dos lados da desembocadura do rio Douve, onde o litoral francês forma um ângulo reto; estendendo-se para leste, está o litoral de Calvados; seguindo para o norte, fica a base da península de Cotentin. O V Corpo de Exércitos deveria tomar a costa de Calvados (codinome da área alvo, “Praia de Omaha”), ao passo que o VII Corpo de Exércitos deveria conquistar a base de Cotentin (codinominada “Praia de Utah”). Em Utah, o VII Corpo de Exércitos estaria na extremidade do flanco direito da área de invasão, a qual se estendia, da foz do rio Orne, à esquerda (leste), por algo entre 65 e 70 quilômetros até Cotentin.

Eisenhower precisava tornar disponível uma extensão de terreno suficientemente ampla para a invasão, de modo que pudessem levar divisões de infantaria suficientes, na primeira onda de ataque, para sobrepujar o inimigo, entrincheirado na “Muralha do

Atlântico{17}” de Hitler. Em certo sentido, Utah era a mais fácil das praias para a realização de operações de assalto. Nas praias que os britânicos e canadenses estavam encarregados de atacar (“Sword, “Juno” e “Gold”, a leste de Omaha), as numerosas casas de veraneio, pequenas lojas e hotéis e cassinos que se espalhavam pela costa serviam como excelente proteção aos ninhos de metralhadoras dos alemães, enquanto, em Omaha, um penhasco que se elevava a uns 60 ou 90 metros da praia dava aos defensores alemães, entocados num sistema de trincheiras tão grande quanto os da 1ª Guerra Mundial, a capacidade para atirar contra o inimigo lá embaixo, que saía das barcaças de desembarque de tropa. Mas Utah não tinha nem escarpas nem casas. Havia ali algumas defesas fixas, feitas de concreto reforçado, munidas de peças de artilharia e metralhadoras. A maior delas ficava em La Madeleine, no meio de Utah (a fortificação recebeu esse nome de um santuário cuja história remonta aos dias dos viquingues). Mas o aclive gradual e as dunas de pouca altura de Utah significavam que atravessar a praia e superá-la não seria tão difícil quanto em Omaha.

O problema em Utah era o que ficava na sua parte interiorana. Além das dunas de areia, o terreno era baixo, usado por fazendeiros normandos como pasto de gado. Quatro estradas estreitas, precárias, estendiam-se da praia para o interior; essas estradas ficavam a um metro ou mais do solo. O marechal-de-campo Erwin Rommel, o comandante alemão, tinha inundado os campos, com a idéia de forçar quaisquer tropas e veículos blindados que seguissem para o interior a usar as estradas (“estradas elevadas”, tal como as chamavam os estrategistas de Eisenhower). Rommel havia posto a maior parte de sua artilharia em posições camufladas ou casamatas reforçadas atrás da área inundada, de onde poderia bombardear as estradas; Rommel tinha providenciado também para que seus infantes estivessem preparados para assumir posições defensivas ao longo da extremidade oeste das estradas, de onde poderiam rechaçar qualquer um que se aproximasse deles.

A tarefa que Eisenhower deu à 101ª era tomar as saídas dessas estradas. A tática a ser usada consistiria num salto noturno. O objetivo era desorientar os alemães, causar surpresa e confusão, assumir o controle dessas saídas e destruir os grandes canhões antes que os alemães pudessem reagir.

Seria uma operação complexa, difícil e arriscada. Para que se tivesse alguma chance de sucesso, seria necessário exercitá-la. Para que o exercício fosse realista, eles precisariam achar uma faixa de praia no litoral inglês semelhante à da Praia de Utah.

Slapton Sands, em Devonshire, no sudoeste da Inglaterra, era parecida com Utah. Uma extensão de praia longa e estreita se mantinha separada de terreno seco por um lago raso e áreas alagadiças adjacentes. Duas pontes ligavam a faixa litorânea às terras mais altas. E foi em Slapton Sands que o VII Corpo de Exércitos fez seus ensaios para o papel que cumpriria no Dia D.

No fim de abril, o VII Corpo de Exércitos inteiro participou de exercícios na Operação Tigre. A Companhia E seguiu em caminhões para um hotel de veraneio no litoral, em Torquay, onde pernoitou confortavelmente. No dia seguinte, 26 de abril, voltou a embarcar nos caminhões para viajar com destino a uma área situada atrás da faixa litorânea de Slapton Sands, da qual todos os civis tinham sido evacuados. A companhia dormiu no campo até a meia-noite, quando os caminhões trouxeram soldados para uma zona de salto simulada. Depois da reunião das tropas, a companhia seguiu em marcha, através da neblina, para um ponto elevado situado a uns 2 quilômetros da praia e estabeleceu uma posição de defesa, para guardar a ponte.

Ao amanhecer, Webster escreveu: “Pudemos ver uma frota enorme de embarcações anfíbias aproximando-se lentamente da praia. Jamais vi tantos navios juntos de uma vez só; uma frota de invasão é a cena mais impressionante do mundo.” O que ele não tinha visto era o desastre da noite anterior. Torpedeiros alemães se haviam

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misturado sorrateiramente com os LSTs e outras grandes barcaças de assalto que

estavam transportando a 4ª Divisão de Infantaria. Os alemães afundaram dois LSTs e danificaram outros; mais de 900 homens morreram afogados. O incidente foi abafado pelos Aliados, movidos pelo receio de que isso afetaria o moral das tropas escolhidas para partir com destino à França em LSTs (o incidente continuou ignorado por mais de 40 anos, logicamente, por conta do embaraço que causava).

Webster, observando os membros da 4ª DI virem da praia e passarem pelas posições dos membros da Companhia E, notou que eles estavam “suando, xingando, ofegantes”. Registrou também em seu diário que os oficiais disseram à tropa que “não podemos escrever sobre nossa excursão em Torquay”. À tarde, a companhia fez uma marcha de 40 quilômetros e depois acampou na floresta para passar a noite. Na manhã do dia 28 de abril, seguiu de caminhão de volta para Aldbourne.

No fim de semana, Malarkey, Chuck Grant, Skip Muck e Joe Toye obtiveram licença para ir a Londres, acompanhados pelo melhor amigo de Muck, de Tonawanda, Nova York, Fritz Niland, do 501° RIP. Lá, encontraram-se com o irmão de Niland, Bob, que era líder de pelotão na 82ª DIA e tinha combatido no norte da África e na Sicília. Eles passaram a noite num bar ouvindo Bob Niland falar sobre combate. Niland fez uma observação da qual Malarkey jamais se esqueceu: — Se quiser ser herói, os alemães o tornarão herói rapidamente — morto! — No trem de volta para Aldbourne, Malarkey disse a Muck que tinha a impressão de que Bob Niland havia perdido a capacidade de lutar.

De volta a Aldbourne na primeira semana de maio, a Companhia E enfrentou mais problemas, atacando posições de canhões, pontes, estradas e outros objetivos. Um dos ataques foi feito depois de um salto real; os outros, simulações de vôos e “saltos” de caminhões.

De 9 a 12 de maio, a 101ª fez seu ensaio geral para o Dia D, codinominado “Operação Águia”. A divisão inteira participou dele. A Easy usou o mesmo campo de aviação que usaria no Dia D, Uppottery. Tropa e equipamento foram embarcados no mesmo avião que a companhia usaria na operação real; a decolagem, o salto e a reunião foram realizados com o máximo de exatidão possível, inclusive com o mesmo gasto de

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tempo em vôo .

O embarque nos C-47s era difícil, por causa da grande quantidade de equipamento que cada um dos combatentes carregava. Os soldados eram sobrecarregados, em seguimento da velha tendência de se considerar necessário que entrassem em combate preparados para enfrentar todo tipo de emergência imaginável. O colete e os longos calções eram impregnados de certa substância, como defesa contra possíveis ataques com produtos químicos; isso os tornava desajeitados e os fazia feder, coçar-se e conservar o calor corporal, o que provocava neles torrentes de suor. A jaqueta e as calças de combate eram submetidas a tratamento químico também. Os soldados levavam um canivete na lapela da camisa, de modo que pudesse ser usado para se livrarem do arnês do pára-quedas se aterrissassem numa árvore. Nas calças abalonadas, levavam uma colher, uma navalha, meias, guardanapos, uma lanterna, mapas, três dias de ração K, um pacote de ração de emergência (quatro barras de chocolate, um pacote de cereais Charms, pó de café, açúcar, uma bússola, duas granadas de fragmentação, uma mina antitanque, uma granada de fumaça, uma bomba Gammom (quase um quilo de explosivo plástico, para ser usado contra tanques) e cigarros, dois maços por homem. Traziam por cima do uniforme um cinto afivelado, uma pistola .45 (padrão para graduados e oficiais; os praças tinham de procurar obter a sua, e a maioria conseguia), um cantil, uma pá, um kit de primeiros socorros e uma baioneta. Por cima disso, ia o arnês do pára-quedas, com o principal na mochila dorsal e o pára-quedas reserva preso na frente do pára-quedista. Uma máscara de gás ia presa à perna esquerda, e uma faca/baioneta de pára-quedista à direita. No tórax, o soldado levava seu bornal de provisões com peças íntimas e munição suplementares e, em alguns casos, bananas de dinamite, juntamente com seu fuzil ou metralhadora, ou morteiro desmontado e posicionado diagonalmente por baixo do pára-quedas reserva, e ficava com ambas as mãos livres para manusear os tirantes. Sobre tudo isso, vestia o colete salva-vida Mae West e, por fim, punha o capacete.

Alguns combatentes levavam uma terceira faca. Outros achavam lugar para levar mais munição. Gordon, carregando sua metralhadora, calculou que seu peso dobrou com todas as coisas que levava. Quase todos os soldados tinham de ser ajudados a embarcar no C-47. Uma vez a bordo, ficavam tão espremidos lá dentro que mal conseguiam mover-se.

O general Taylor tinha feito de tudo para conseguir um número suficiente de C-47s para a Operação Águia. Os aviões ficavam sob demanda constante para uso em apoio logístico em todo o Teatro de Operações de Guerra Europeu (TOGE), e o Comando de Operações Aéreas vinha sempre em último lugar na lista de prioridade. E foi iludido quanto à segurança do equipamento. Os tanques de combustível dos aviões não tinham blindagem contra fogo antiaéreo.

O pessoal da Easy recebeu instruções a respeito da Operação Águia no dias 10 e 11 de maio. Seu objetivo era uma bateria de canhões que defendia a praia. Ao anoitecer do dia 11 de maio, a Easy partiu. Os aviões demoraram-se nos céus da Inglaterra em vôos que duraram cerca de duas horas e meia. Logo depois da meia-noite, a companhia saltou. Para a Easy, o exercício transcorreu normalmente; para as outras companhias, houve problemas. A Companhia do QG do 2º Batalhão estava com um grupo que entrou na área de um ataque aéreo alemão lançado contra Londres. O fogo antiaéreo vinha lá debaixo também; a formação se desfez; os pilotos não conseguiram localizar a ZS. Oito dos noves aviões que transportavam a Companhia H do 502° despejaram seus homens na vila de Rambsbury, a 15 quilômetros da ZS. Vinte e oito aviões voltaram para seus campos de aviação com os pára-quedistas ainda a bordo. Houve os que saltaram a contragosto, o que resultou em muitos acidentes. Quase 500 pára-quedistas sofreram fraturas, torceduras ou outros ferimentos.

O único consolo que os comandantes da operação aérea conseguiram ter nessa confusão foi que, geralmente, um ensaio geral ruim resulta em grande noite de abertura.

No último dia de maio, a companhia saiu em marcha para embarcar em caminhões que se enfileiravam na Estrada Hungerford. Metade da população de Aldbourne e quase todas as jovens solteiras da vila estavam lá para se despedir da tropa. As lágrimas escorreram em profusão. A bagagem deixada para trás deixou alguma esperança de que os rapazes voltariam.

O treinamento tinha chegado ao fim. Ele se havia estendido por 22 meses, quase sem interrupção. A tropa estava fortalecida fisicamente ao máximo. Nem mesmo boxeadores ou jogadores de futebol americano profissionais poderiam dizer-se em tão boa forma. Esses soldados eram disciplinados e estavam preparados para executar ordens imediata e incontestadamente. Eram especialistas no uso de suas armas, conhecedores do manejo de outras e familiarizados com a operação de armas alemãs. Sabiam operar rádios, conheciam uma série de sinais manuais e eram capazes de interpretar vários sinais de fumaça. Eram hábeis em táticas de guerra, quer o problema envolvesse o ataque a uma bateria ou a fortins, ou a um sistema de trincheiras, ou a uma colina defendida por metralhadoras. Todos conheciam os deveres e as responsabilidades de um líder de esquadrão ou de pelotão e estavam preparados para assumir esses deveres se necessário. Sabiam destruir pontes, sabiam como tornar inoperáveis peças de artilharia. Eram capazes de estabelecer posições defensivas instantaneamente. Estavam capacitados a sobreviver no campo, dormir numa trincheira, marchar o dia e a noite inteira. Conheciam-se mutuamente e confiavam uns nos outros. Na Companhia E, tinham feito as melhores amizades de suas vidas. Eles estavam preparados para morrer uns pelos outros; e, mais importante do que isso, estavam preparados para matar uns pelos outros.

Eles estavam prontos. Mas, logicamente, entrar em combate pela primeira vez é uma experiência decisiva, para a qual ninguém pode ser considerado totalmente preparado. Ela é esperada com anos de antecedência; é um teste que causa ansiedade, avidez, tensão, medo de fracassar, expectativa. É uma coisa envolta em certo mistério, tornado mais profundo pelo fato de que aqueles que passaram por ela não conseguem descrevê-la com palavras, a sensação que ela produz, exceto o fato de que atirar e ser alvo de tiros provoca reações emotivas extraordinárias. Não importa quão arduamente o soldado treine, tampouco que o treinamento seja o mais realista possível: ninguém consegue preparar-se totalmente para a intensidade do combate em si mesmo.

E, assim, os membros da Companhia E partiram de Aldbourne cheios de autoconfiança e ansiedade.

A área de formação da Easy no sudoeste da Inglaterra, situada a cerca de 16 quilômetros do litoral, era um campo aberto ao lado da pista de pouso e decolagem do campo de aviação em Uppottery. A companhia acomodava-se em barracas de forma piramidal. “Nosso padrão de vida melhorou consideravelmente”, escreveu Webster. “Empanturrávamo-nos no salão do rancho do hospital [um galpão de madeira] (‘Um pouco mais, amigos? Sirvam-se — peguem tudo que quiserem.’) com luxos como frango frito, coquetel de frutas, pão branco com muita manteiga. Nem a sensação de que estávamos sendo engordados para o abate nos detinha de nos servirmos outra vez.”

Soldados trajando uniformes e portando armas alemãs atravessavam freqüentemente a área de formação, para familiarizar os soldados com a aparência do inimigo e as armas que usavam.

Em 2 de junho, os oficiais da companhia receberam suas instruções de ex-oficiais da unidade, o primeiro-tenente Nixon (então no serviço de inteligência do 2º Batalhão) e o capitão Hester (S-3 — setor de operações e treinamento). Em caixões de areia que mostravam características de terrenos, casas, estradas, dunas e outras coisas mais, e em mapas, Nixon e Hester explicaram que a Easy saltaria perto de Ste.-Marie-du-Mont, a cerca de 10 quilômetros ao sul de Ste.-Mère-Eglise, com o objetivo de matar uma guarnição alemã na vila e tomar a saída da estrada número 2ª que vinha do litoral, quase ao norte da cidadezinha de Pouppeville. O 3º Pelotão recebeu a incumbência de destruir uma linha de comunicação que seguia para o interior, procedente de La Madeleine.

As informações detalhadas passadas por Nixon e Hester, e as instruções dadas por outros oficiais do serviço de inteligência a outras companhias, foram espantosas. Na preleção, fizeram com que circulassem fotografias aéreas da ZS que mostravam não apenas estradas, edificações e elementos correlates, mas até mesmo trincheiras. Um dos membros do 506° lembrou-se de que sua companhia fora informada de que o comandante alemão que liderava a tropa que mantinha o controle de seu objetivo, a cidade de St.-Côme-du-Mont, tinha um cavalo branco e estava acompanhado por um professor francês que morava numa rua vicinal, separada por apenas dois edifícios de um abrigo de canhão cujo alvo era a estrada número 1. Ele levava o cão para passear

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todas as noites, por volta das 20 horas .

Todos os oficiais da companhia tinham de conhecer de cor a missão da unidade, saber em detalhes a sua missão e a de todos os outros pelotões, e ser capazes de desenhar de memória mapas de toda a área. Uma coisa ficou bem clara: o fato de que os alemães confiavam menos em seus pontos de defesa fixos no litoral do que em sua capacidade para contra-atacar. Unidades de reserva móveis começariam a disparar contra a 4ª DI assim que suas unidades ameaçassem tentar passar pelas estradas. Os instrutores procuraram incutir vigorosamente na mente dos oficiais, portanto, a idéia de que, independentemente de onde os pelotões estivessem ou quanto de seus homens eles pudessem reunir, se conseguissem deter unidades alemãs que estivessem aproximando-se das estradas, deveriam disparar contra os alemães tudo que tivessem. Mesmo um atraso de 5 minutos imposto dessa forma ao avanço dos alemães poderia significar a diferença entre o sucesso e o fracasso na Praia de Utah. A importância de cada missão recebeu essa mesma ênfase, com o máximo de proveito. — Fiquei com a impressão de que iríamos lá e venceríamos tudo e todos. Era o nosso dever — disse Winters.

Em 3 de junho, Winters e os outros líderes de pelotão levaram seus homens à barraca de preleção, onde lhes mostraram os caixões de areia e mapas e lhes repassaram o que tinham aprendido.

O sargento Guarnere precisou usar a latrina. Ele pegou uma jaqueta e foi para lá. Sentado, enfiou a mão num dos bolsos e pegou uma carta. Ela estava endereçada ao sargento Martin — Guarnere tinha pegado a jaqueta de Martin por engano —, mas, mesmo assim, leu a carta. A esposa de Martin era a autora da carta; eles se haviam casado na Geórgia em 1942, e a Sra. Martin conhecia a maioria dos membros da companhia. Ela dizia na carta: “Não conte ao Bill [Guarnere], mas o seu irmão foi morto em Cas[s]ino, Itália.”

— Você não pode imaginar o ódio que senti — Guarnere disse mais tarde. — Jurei que, quando chegasse à Normandia, nenhum alemão ficaria vivo. Fiquei parecendo um maníaco. Quando me enviaram para a França, puseram um matador à solta, um bárbaro.

Em 4 de junho, a Easy recebeu sua munição, o equivalente a 10 dólares em francos franceses que tinham acabado de ser impressos em Washington, um kit de fuga com um mapa de seda da França, uma bússola de latão diminuta e uma serra. Seus membros receberam também uma bandeira americana para ser costurada na manga direita da jaqueta de pára-quedista. Os oficiais tiraram a insígnia de seus uniformes e pintaram listras verticais na parte detrás de seus capacetes, ao passo que os graduados os pintaram com listras horizontais. Todos foram instruídos quanto ao pedido de senha: “Relâmpago”, senha “Trovão” e a resposta “Bem-vindo”. Como meio alternativo de identificação, deram-lhes também pequenos grilos de metal: uma espremida (clique-claque) deveria ser respondida com duas (clique-claque... clique-claque).

A tropa passou o dia limpando armas, amolando facas, ajustando pára-quedas, checando equipamentos repetidas vezes, fumando um cigarro atrás do outro. Muitos soldados rasparam a cabeça ou fizeram corte à la mohawk (cabeça raspada dos lados, com uma ou duas faixas de cabelos curtos estendendo-se da testa à base da cabeça). Os praças Forrest Guth e Joseph Liebgott fizeram os cortes, a 15 centavos de dólar por homem. O coronel Sink apareceu, viu os cortes sendo feitos, sorriu e disse:

— Esqueci de lhes dizer que, algumas semanas atrás, fomos informados oficialmente de que os alemães estão dizendo aos civis franceses que as forças de invasão dos Aliados seriam lideradas por pára-quedistas americanos, todos eles criminosos condenados e psicopatas, facilmente reconhecíveis pelo fato de que raspam a cabeça ou coisa parecida.

O primeiro-tenente Raymond Schmitz resolveu amenizar a tensão com alguma atividade física. Ele desafiou Winters a participar de uma luta de boxe. — Vamos lá, Winters, vamos lá fora, atrás dos alojamentos, e lutemos.

— Não. Esqueça.

Schmitz insistiu. Por fim, Winters disse:

— OK, vamos lá. Merda, vocês me atiçaram tanto que eu vou. Winters tinha praticado luta romana no colégio. Ele derrubou Schmitz imediatamente, mas levou-o ao chão com certo exagero. Schmitz sofreu fratura em duas vértebras, foi levado para o hospital e não chegou a embarcar para a Normandia. Seu assistente do líder do 3º Pelotão, o segundo-tenente Robert Mathews, assumiu o seu lugar, com o sargento Lipton como o segundo homem no comando. Durante o restante do dia e pela noite afora, até o momento em que os combatentes puseram o pára-quedas, Winters enfrentou uma insistente fila de pára-quedistas pedindo-lhe, com um sorriso no rosto, que lhes quebrasse os braços ou algumas vértebras.

O general Taylor circulou pela tropa e disse aos soldados:

— Quero que vocês se empenhem em três dias e três noites de combates árduos. Depois, serão rendidos. — Isso parecia bom. Três dias e três noites, pensou Winters consigo mesmo. Consigo agüentar isso. Taylor lhes disse também que, quando os C-47s cruzassem o litoral francês, ele queria que todos os soldados ficassem de pé; se um pára-quedista fosse atingido por fogo antiaéreo, queria que ele estivesse de pé e suportasse isso como um homem. Havia na ordem algo que ia além de fanfarrice; se o avião fosse atingido, os combatentes preparados para saltar teriam alguma chance de escapar. Taylor disse ao pelotão de Malarkey que combatesse com facas até o amanhecer, “e não façam prisioneiros”.

Nessa noite, dia 4 de junho, a companhia teve uma refeição admirável. Bife, ervilhas, purê de batatas, pão branco, sorvete, café, em porções ilimitadas. Foi a primeira porção de sorvete deles desde a chegada à Inglaterra, nove meses antes.

— Quando lhe derem sorvete no jantar, você sabe que essa é a noite — lembrou-se o sargento Martin de lhe haverem dito.

Mas um vento terrível soprava, e, no exato momento em que os fuzileiros estavam preparando-se para marchar em direção aos C-47s, disseram a eles que se sentassem. Eisenhower havia adiado a invasão por causa da adversidade do tempo.

A Easy foi para um balcão de madeira para assistir a um filme. Gordon lembra-se de que era Mr. Lucky, em que estrelavam Cary Grant e Laraine Day. Os sargentos Lipton e Elmer Murray (o sargento de operações da companhia) dispensaram o filme. Preferiram passar a noite discutindo diferentes situações de combate que poderiam ocorrer e as formas pelas quais poderiam enfrentá-las.

Na tarde do dia 5 de junho, o vento diminuiu, e o céu desanuviou-se um pouco. Então, um dos combatentes achou latas de tinta branca e verde. Os soldados começaram a pintar o rosto para imitar os índios sioux, que participaram da famosa Batalha de Little

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Bighorn , com listras no nariz e na testa. Outros pegaram carvão e cobriram o rosto

de negro.

Às 20h30, a tropa entrou em forma em proporção ao número de homens suportado pelo avião, com 18 deles em cada grupo, e seguiram marchando para os hangares. “Ninguém cantou, ninguém deu vivas”, escreveu Webster. “Foi como uma marcha fúnebre.” Winters lembrou-se de que passara por algumas unidades de fogo antiaéreo estacionadas no campo de aviação “e que essa foi a primeira vez que vi ingleses demonstrar emoção, já que tinham lágrimas nos olhos”.

Nos hangares, cada um dos mestres de salto recebeu duas pilhas de papel, folhas com uma ordem do dia de Eisenhower e uma mensagem do coronel Sink, para distribuir entre os soldados. “Hoje é a noite das noites”, dizia Sink na mensagem. “Que Deus esteja com cada um destes excelentes soldados.”

“Soldados, marinheiros e aeronautas da Força Expedicionária dos Aliados!”, abria Eisenhower a ordem do dia. “Vocês estão prestes a embarcar numa Grande Cruzada, para cujo cometimento nos esforçamos durante todos estes meses. Os olhos do mundo estão voltados para vocês... Boa Sorte! E roguemos todos nós a bênção do Todo-Poderoso para este empreendimento nobre e grandioso.”

Além das exortações, os mestres de salto distribuíram comprimidos para enjôo. Quem pensou nessas pílulas é um mistério; por que elas foram distribuídas é um mistério ainda maior, já que, raramente, enjôos haviam sido problema.

Houve outra novidade. Os aeronautas britânicos tinham aparecido com a idéia das “perneiras de suprimento”. Essas perneiras levavam munição extra, rádios, tripés de metralhadora, instrumentos médicos, explosivos de alta potência e outros equipamentos. Elas deveriam ser presas ao pára-quedista por um mecanismo de fixação e soltura prático e fixadas ao arnês por um cordão espiralado de um metro de comprimento. Quando o pára-quedas inflasse, o pára-quedista deveria sustentar o peso da perneira, puxar o mecanismo de soltura para separá-la da perna e deixá-la cair. Ela atingiria o solo antes de ele aterressisar. Teoricamente, o pára-quedista cairia em cima da perneira e não teria de perder tempo procurando seu equipamento. Isso parecia razoável, mas nenhum aeronauta americano jamais tinha saltado com uma perneira de suprimento. Os ianques gostaram da idéia e as encheram com tudo que podiam — minas, munição, fuzis-metralhadoras Thompson desmontadas e outras coisas mais.

A tropa jogou seus kits, pára-quedas e perneiras nos caminhões, subiu a bordo e foi levada para os aviões.

“Feito isso”, escreveu Winters em seu diário, “começamos a pôr o arnês. É aqui que um bom mestre de salto pode fazer o máximo por seus homens. Pôr todo aquele equipamento, fixá-lo, torná-lo confortável e seguro e, depois disso tudo, acrescentar-lhe um pára-quedas exige muita habilidade e conversa de vendedor para convencer a tropa de que está tudo bem.”

Vestidos e equipados para a batalha, eles se sentavam debaixo das asas dos aviões e esperavam. O nervosismo aumentava. “Este é o salto em que seus problemas começam depois que você aterrissa”, diziam uns aos outros. Era o “salto de 10 mil dólares” (os fuzileiros tinham um seguro de vida de 10 mil dólares). Eles se esforçavam para se levantar e ir até a beira da pista de pouso para aliviar suas necessidades, voltavam, sentavam-se e, dois minutos depois, repetiam o processo. — Nenhum prisioneiro. Não faremos nenhum prisioneiro — disse Joe Toye lembrando-se das palavras do tenente Meehan, que fora até o avião deles para passar a instrução.

Às 22 horas, o embarque. Os mestres de salto empurravam seus homens pela escada acima, cada um deles carregando pelo menos 45 quilos, muitos deles quase 70. Um dos pára-quedistas da 101ª externou o ânimo de todos os 13.400 membros das duas divisões aerotransportadas quando chegou à porta de seu C-47, virou-se para o leste e exclamou: — Cuidado, Hitler! Lá vamos nós!

Às 23h10, os C-47s começaram a decolar. Quando alcançavam mil pés, começavam a voar em círculos, com três aviões fazendo formações em V. Quando seguiram para a França, a maioria da tropa teve dificuldade em permanecer acordada. Foi o efeito produzido pelas pílulas. Mas, durante essa noite inteira e na seguinte, os pára-quedistas tiveram dificuldade em permanecer acordados. Joe Toye acabou dormindo durante o vôo.

— Jamais fiquei tão calmo em minha vida — lembra-se. — Deus, eu ficava mais excitado durante os exercícios de salto.

No avião de Winters, o praça Joe Hogan tentou começar a cantar, mas logo suas notas se perderam em meio ao barulho dos motores. No avião de Gordon, tal como na maioria deles, os pára-quedistas ficaram absortos em seus pensamentos ou em preces. O praça Wayne Sisk, da Virgínia Ocidental, quebrou o silêncio com a seguinte oferta, em voz alta: — Alguém aqui gostaria de comprar um bom relógio? — A atitude dele provocou uma explosão de risadas e a diminuição da tensão.

Winters orou durante todo o percurso, orou para que conseguisse sobreviver à batalha, orou para que não fracassasse. — Acho que todo homem tinha isto em mente: “Como reagirei em meio aos tiroteios?”

Com o tenente Schmitz no hospital, o sargento Lipton foi o mestre de salto em seu avião. O piloto dava aos pára-quedistas uma opção; eles podiam seguir vôo com a porta aberta, o que lhes proporcionava ar fresco e a chance de saltar do avião se este fosse atingido, ou voar com a porta no lugar, o que lhes permitiria fumar. Eles optaram por seguir viagem com a porta aberta, o que possibilitou que Lipton se deitasse no piso com a cabeça parcialmente para fora. A maioria dos soldados estava dormindo, ou quase todos, como conseqüência da ingestão dos comprimidos para enjôo.

Quando os C-47s cruzaram o canal, Lipton viu uma cena que ninguém tinha visto antes nem veria outra vez, uma cena da qual todos os fuzileiros que estavam voando nessa noite jamais se esqueceram: a da frota invasora, composta de 6 mil embarcações, seguindo para a Normandia.

Gordon Carson estava com o tenente Welsh. Quando o avião estava sobrevoando o canal, Welsh disse aos soldados na frente: — Olhem lá para baixo. — Eles olharam, “e tudo que viram foram as esteiras deixadas pelas embarcações. Ninguém jamais tinha visto tantos navios e barcos juntos”.

— Você não tinha como evitar de ficar um tanto assombrado com o fato de que isso era parte de uma coisa muito maior do que você — comentou Carson.

À 1 hora do dia 6 de junho, os aviões passaram entre as ilhas de Guernsey e Jersey. No avião de Winters, o piloto gritou para ele, lá atrás: — Vinte minutos para o salto. — O chefe da tripulação removeu a porta do avião, proporcionando a Winters, o primeiro homem do grupo de salto, uma rajada de vento fresco e a visão do litoral. — Levantem-se e prendam o cordão de abertura ao cabo de ancoragem — ordenou, em voz alta. A luz vermelha acendeu-se.

À 1h10, os aviões alcançaram a faixa litorânea e entraram numa nuvem. Isso provocou o desmancho da formação. Os aviões do V da vanguarda seguiram em frente, mas os Vs de cada um dos lados da formação abandonaram-na, com os da direita seguindo para esse lado e os da esquerda seguindo para o outro. Foi uma reação natural e inevitável dos pilotos, que receavam colisões em pleno vôo. Quando saíram da nuvem, que tinha apenas uns 2 ou 3 quilômetros de comprimento, cada piloto seguiu vôo por conta própria. Somente os pilotos da vanguarda tinham o dispositivo que os guiaria até

os sinais do Eureka emitidos pelos exploradores{22}; com a formação desfeita, nenhum dos outros pilotos sabia quando ou para onde seguir ao acender da luz verde. Tudo que podiam fazer era tentar adivinhar.

Perdidos, confusos, assustados, os pilotos passaram a ter, de um momento para outro, outra preocupação. Fogo antiaéreo começou a vir na direção deles, com fumaça azul, verde e vermelha indicando o caminho dos projéteis. Eram de armamento leve, 20 ou 40 milímetros. Quando atingiam os aviões, faziam um ruído como o de pedras sendo sacudidas dentro de uma lata. No avião de Harry Welsh, alguns projéteis atingiram justamente o lugar no qual ele estivera sentado um minuto antes.

Os pilotos estavam instruídos a reduzir a velocidade antes de acenderem a luz verde, mas, nas palavras de Gordon, “aqui eles tinham caído nas garras de toda essa ferocidade e jamais haviam tido um minuto sequer de experiência de combate. Assim, ficaram completamente apavorados. E, em vez de reduzir a velocidade, passaram a comportar-se como um sujeito que pensasse com os pés, passaram a pensar com a válvula reguladora. E disseram: ‘Meu Deus, o bom senso me diz que, quanto mais cedo eu sair daqui, maior a minha chance de sobrevivência, e isso é ruim para os rapazes lá atrás, mas, seja lá como for, vou dar o fora daqui’”.

Portanto, aumentaram a velocidade, chegando a atingir 240 quilômetros por hora em muitos casos, e, embora não tivessem a menor idéia de onde estavam, exceto o fato de que era em algum lugar sobre a Normandia, acenderam a luz verde.

Os pára-quedistas começaram a gritar. — Vamos, vamos, vamos. — Queriam sair dos aviões; jamais haviam imaginado que ficariam tão ansiosos por saltar. O avião de Lipton estava “trepidando e oscilando, e os pára-quedistas gritavam: ‘Vamos sair daqui!’” Eles estavam a apenas 180 metros do solo, e os projéteis traçantes de 40 milímetros passavam cada vez mais perto deles.

— Quando começamos a ouvir os estampidos dos projéteis perto da empenagem do avião — lembrou-se Lipton —, a luz verde foi acesa. — Ele saltou. O praça James Alley era o número 2º praça Paul Rogers o número 3. Haviam dito a Alley que jogasse sua perneira de suprimento pela porta e a seguisse na escuridão da noite. Ele fez o que lhe ordenaram e acabou baqueando no piso do avião, com a cabeça e metade do corpo para fora e com a perneira pendurada e balouçando, sob o risco de ser partido ao meio. Rogers, que era “forte como um touro”, conseguiu tirá-lo da porta, lançando-o para fora do avião, e saltou logo atrás.

Leo Boyle foi o último homem do grupo em seu avião. Havia uma “turbulência tremenda” quando a luz verde se acendeu, e os soldados começaram a saltar na escuridão da noite. O avião deu uma guinada. Boyle foi lançado violentamente contra o piso. O avião estava voando inclinadamente. Boyle teve que esticar o braço para alcançar a parte inferior da porta e puxar o próprio corpo em direção a ela, de modo que pudesse rolar para fora do C-47 e, assim, realizar o “salto”.

Projéteis cortavam o céu em todas as direções. O avião da vanguarda, com o grupo de salto 66, pilotado pelo tenente Harold Cappelluto, foi atingido por balas que lhe atravessaram o piso e o teto, produzindo faíscas. O avião manteve o curso e a velocidade durante alguns instantes, mas depois se inclinou para a direita. O piloto Frank DeFlita, do avião que vinha logo atrás, lembra-se de que “as luzes de aterrissagem do avião de Cappelluto se acenderam, e me pareceu que conseguiriam realizar a operação, mas o avião se chocou contra uma sebe e explodiu”. Era o avião que levava o tenente Meehan, o primeiro-sargento Evans e o restante do estado-maior da companhia, inclusive o sargento Murray, que havia tido aquela longa conversa com Lipton sobre a forma pela qual se deve enfrentar diferentes situações de combate. Ele jamais chegou a experimentar alguma das possibilidades que ele e Lipton tinham tentado imaginar.

A Companhia E não tinha posto nenhum homem em combate ainda e já havia perdido o líder de pelotão Schmitz, Meehan, o comandante da companhia, e seu primeiro-sargento.

O praça Rod Strohl era um daqueles homens tão sobrecarregados que não conseguiu pôr o pára-quedas reserva. — Lembro-me de ter pensado que, ora, se você precisar dele, e ele não abrir, será o fim rapidamente, e, se você não precisar dele, não precisará dele. — O avião dele foi atingido e começou a cair. Seu grupo saltou, e “o piloto e o co-piloto vieram conosco”.

George Luz seguiu no avião de Welsh. Ele quase não conseguiu cumprir a primeira etapa da missão, já que, além de todo o equipamento costumeiro, estava levando um rádio e baterias, e ele somente conseguiu entrar no avião quando um grupo de aeronautas o ajudou a embarcar. Um vez a bordo, ele se voltou para Welsh e disse: — Tenente, se você me mantiver como o quinto homem do grupo, jamais conseguirei chegar à porta. Diante disso, Welsh disse a ele que trocasse de lugar com o praça Roy Cobb. Quando o fogo antiaéreo começou (de tão cerrado que era, “você conseguiria andar sobre ele”, comentou Luz. — Foi inacreditável quanto ficamos desesperados para sair de lá — disse Carson.) Cobb gritou: — Fui atingido!

— Você consegue ficar em pé? — tornou Welsh, aos gritos. — Não.

— Desenganche-o — Welsh ordenou. Mike Ranney desprendeu Cobb do cabo de ancoragem. — Cobb ficou chateado. Ter treinado tão duramente durante dois anos e nem chegar a fazer o grande salto era ruim demais — recordou o praça Rader. Logo em seguida, a luz vermelha se acendeu, reluziu um pouco e foi atingida pelo fogo antiaéreo.

— Não tive como dizer nada — lembra-se Welsh. — Portanto, eu disse “Vá” e saltei. — Luz empurrou sua perneira de suprimento com o rádio e outros equipamentos pela porta afora e saltou na escuridão.

Foi assim que 13.400 jovens da nata americana, que haviam treinado para esse momento durante dois anos, se lançaram contra a fortaleza de Hitler na Europa.