Bilionário Sem Limites: Chloe

J. S. Scott · Capítulo 14 de 21

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Bilionário Sem Limites: Chloe

Capítulo 13

Chloe estava em seu escritório na tarde seguinte quando chegou um pacote.

Chloe o pegou das mãos de Cal, que estivera separando a correspondência e passara para entregar algo endereçado a ela.

Ela olhou para o envelope sobre a mesa depois que Cal foi embora, perguntando-se se deveria abri-lo. Ela já sabia que era de James, apesar de não haver endereço do remetente. Ele já a avisara na noite anterior.

Nervosa, ela estendeu a mão para o envelope pardo, imaginando se algum dia pagaria o suficiente pelo erro que cometera com James e se ele sairia completamente de sua vida.

Sem saber o que poderia haver dentro do envelope, ela se levantou e segurou-o o mais longe possível do corpo, quebrando o selo com cuidado.

Inclinando o envelope na sua direção, ela viu o que parecia um pendrive minúsculo que poderia ser conectado ao computador.

Com o medo dissolvendo-se, ela o retirou do envelope.

Mas. Que. Diabos?

Obviamente, eram informações que ele queria que ela visse. Ela sentiu o estômago revirar. Ela nunca fizera nada ilegal nem imoral.

Não tenho nada a temer.

Levantando um pouco o queixo, ela se sentou e conectou o pendrive no computador, batendo impacientemente com os dedos na superfície de madeira enquanto aguardava que carregasse. Só o que ela queria era ver o que James supunha que a faria correr de volta para ele e descobrir como combater as informações assim que possível.

Não quero mais pensar nele. Só quero que acabe. Estou feliz agora e estou em processo de cura. Ele não é nada para mim. Não deixarei que mais nada do que ele diga ou faça me afete.

Olhando cuidadosamente dentro do envelope de novo, ela percebeu que havia um bilhete manuscrito.

Ela demorou um momento, falando consigo mesma, antes de abrir o bilhete, tentando se lembrar de que ele não tinha mais o poder de magoá-la.

Chloe,

Veja o conteúdo do pendrive que enviei e veja se são informações que quer espalhadas na internet. Caso contrário, espero ver você na minha casa amanhã de manhã. Se não, publicarei em toda parte. Você nunca conseguirá escapar. Acha que terá algum tipo de carreira ou que sua família conseguirá sobreviver a esse tipo de escândalo? Eu acho que não.

Verei você amanhã de manhã. Esteja aqui ou isso estará por toda parte ao meio-dia. Tenho o original e não enviei por e-mail para que não fosse inadvertidamente publicado. Será nosso segredo se fizer o que eu disser.

Se não, você descobrirá exatamente como as consequências serão destrutivas.

Ele não assinara o bilhete, mas não era necessário. Subitamente, Chloe não estava mais tão segura de si mesma, abalada pelas palavras que James colocara no papel.

Clicando com o mouse, ela abriu o arquivo. E não conseguiu fazer nada além de ficar sentada, em um silêncio atordoado, ao ver o conteúdo vil do arquivo.

— Ai, meu Deus — exclamou ela, sem conseguir afastar os olhos da tela.

— Por favor, não.

As lágrimas escorreram pelo rosto, que tinha uma expressão de horror completo. — Não é possível. Não. Não — sussurrou ela desesperada, incapaz de parar de olhar para o que James enviara.

Não demorou mais de vinte minutos para ver a coleção completa que James compilara. O coração dela estava acelerado, e o suor e as lágrimas escorriam pelo seu rosto quando ela fechou o notebook com força. Diversas emoções a invadiram: terror, ódio, apreensão, vergonha e repulsa.

— Isso nunca vai terminar — disse ela suavemente, com a voz fraca e

 

vulnerável naquele momento.

Ela empurrou o notebook para fora da mesa, deixando que caísse no chão. Com uma sensação de impotência, ela abaixou a cabeça até a mesa e começou a soluçar.

Gabe não vira Chloe desde o horário do almoço e começava a se sentir inquieto. Algumas vezes, ela se envolvia com um dos cavalos e perdia a noção do tempo. Mas, ao se sentar à mesa de jantar e olhar para a cadeira vazia dela, ele ficou apreensivo.

Chloe sempre chegava em casa a tempo para o jantar. Se tivera uma emergência, teria telefonado.

Levantando-se, ele colocou a mão no bolso para pegar o celular.

Nada. Nenhuma mensagem de texto nem de voz.

Gabe telefonou para o escritório dela e depois para seu celular, mas não teve resposta.

Ele conferiu o telefone para ter certeza de que o volume estava no máximo. Em seguida, apertou um botão para telefonar para Cal.

— Estou procurando Chloe. Você a viu? — perguntou ele ao gerente com voz tensa, sem nem mesmo cumprimentá-lo.

— Ela estava no escritório dela esta tarde — respondeu Cal lentamente.

— Acho que não a vi depois disso.

— Por que você foi lá? — O coração de Gabe acelerou e uma sensação de medo fez com que suas entranhas se contraíssem.

— Ela recebeu um pacote. Fui entregá-lo a ela.

— Que tipo de pacote? — O que Chloe receberia além de contas ou propagandas? Ela falava com a família frequentemente. Eles não trocavam correspondências pelo correio.

Talvez ela tivesse pedido alguma coisa?

— Era um envelope grande. Não tinha endereço do remetente, mas o carimbo era local — respondeu Cal pensativo, como se estivesse tentando se lembrar de detalhes. Ainda bem que o gerente de Gabe era meticuloso e olhava tudo. — Imaginei que fosse alguma propaganda, mas havia um carimbo “pessoal” do lado de fora.

— Merda — explodiu Gabe, com poucas dúvidas sobre quem mandara alguma coisa para ela da cidade. Certamente não era algo que ela pedira na

internet.

— Algum problema, patrão? — perguntou o homem mais velho, soando preocupado. — Eu fiz alguma coisa que não deveria?

Não, não era culpa de Cal. Ele só entregara a correspondência. — Não.

Só estou preocupado porque não a vi. Pode selar um cavalo e procurá-la para mim? Não é normal que ela não tenha voltado para casa para o jantar. E ela não entrou em contato comigo.

— Pode deixar — respondeu Cal imediatamente. — Avise-me se tiver notícias dela. Vou procurá-la.

Gabe encerrou a chamada.

Onde diabos ela está?

Uma vozinha interna lembrou a ele que uma mulher já desaparecera sem deixar rastros da área de Rocky Springs. O coração dele ficou apertado de medo. — Nem pensar — rosnou ele, andando até a escada e subindo os degraus correndo.

Ele abriu a porta do quarto dela com mais força do que o necessário. Ao acender a luz, seus olhos varreram o aposento.

Abrindo o armário, a respiração que estivera segurando saiu pela boca.

As roupas e as malas dela tinham sumido.

— Puta merda! — xingou ele furioso, olhando freneticamente em volta do quarto. Tudo parecia igual ao momento em que ela chegara.

Ela foi embora. Ela me deixou, caralho.

Ao descer a escada correndo, a teoria dele foi confirmada quando não viu a caminhonete dela estacionada em frente à casa.

Ele bateu a porta da frente, sem saber o que precisava fazer.

O que eu fiz para que ela fosse embora?

A noite anterior fora incrível para ele, mas talvez tivesse sido muito duro com ela. Talvez tivesse errado ao expor totalmente o desejo que sentia por ela. Talvez fosse demais para ela no momento.

Ele balançou a cabeça ao ir para a sala de estar, perdendo completamente o apetite. Ela gostara da noite anterior tanto quanto ele. Não fora nada além de um jogo sensual, os dois tinham jogado e tinham sido recompensados. Ele se jogou no sofá, torturando-se sobre o motivo da partida dela.

Não era que Chloe não confrontasse seus problemas. Não mais. Se ela estivesse furiosa com ele, teria dito alguma coisa.

E qual era o lance do pacote?

O que James poderia ter mandado a ela para fazê-la sair correndo da fazenda sem dizer a ninguém que estava indo embora?

Ele deu um salto quando o telefone tocou. Levantando-se rapidamente, ele colocou a mão no bolso para pegar o celular. Olhando rapidamente para a identificação, ele resmungou: — Graças a Deus!

Chloe.

— Onde diabos você está? Estou morrendo de preocupação! — gritou ele no celular, sem se dar ao trabalho de cumprimentá-la.

A voz dela estava trêmula e baixa. — Não vou voltar, Gabe. Decidi que o que quero é James. Preciso ficar com ele. Só estou telefonando porque queria que você soubesse. Estou bem. Por favor, não tente falar comigo.

James? O caralho do James, que a torturara por anos? — Que merda você está dizendo? Você não quer ficar com ele. Você sabe que não.

Houve um silêncio no outro lado da linha até que ela finalmente respondeu: — Sim. Eu quero, de verdade. Acho que fiquei confusa por algum tempo. Mas ele é o homem com quem preciso ficar — disse ela, com a voz ficando mais forte.

— Não faça isso, Chloe. Não dê ouvidos a ele. Você sabe o que ele é —

gritou Gabe desesperado. — Ele vai machucar você.

— Vamos resolver nossos problemas — respondeu ela, com a voz quase robótica.

— É claro que não! Você vai ladeira abaixo de novo! — Ele fez uma pausa e perguntou: — E nós dois? E você e eu?

— Não existe nós, Gabe. Foi temporário. Nós dois sabíamos disso —

retrucou ela com a voz trêmula.

— Eu me importo com você, caralho! — gritou ele no telefone. — Isso não significa nada para você?

— Significa que sinto muito — disse ela em tom neutro. — Eu nunca quis magoar você. Mas preciso ficar com James. Adeus, Gabe.

Ele ficou parado por um minuto, tentando absorver exatamente o que Chloe dissera. Como era possível que tudo que os dois tinham fosse um grande nada, algum tipo de experimento para ela, um teste que a levara de volta para James? O coração de Gabe estava sangrando e ela sentia muito?

Ele não se deu ao trabalho de encerrar a chamada. Chloe já fizera isso.

Ele se sentou, com a raiva fluindo pelo corpo como veneno, queimando sua

alma. Ele jogou o telefone contra a parede e deu um soco na mesa de vidro à sua frente com toda a força, precisando extravasar as emoções.

— Ela prometeu que nunca voltaria para ele, porra! — gritou ele com a raiva explodindo da garganta.

O vidro estilhaçou, com cacos cortando-lhe a mão quando ele a puxou do buraco na mesa. O sangue escorreu dos dedos, mas ele não se importou. Nem mesmo tentou cobrir a mão que sangrava.

Ele não dava a mínima para a mão. Era algo pequeno em comparação à tortura pela qual o coração e a mente passavam naquele momento.

— Não consigo acreditar que esteja fazendo isso, Chloe. Não consigo —

disse Gabe com voz rouca, incapaz de aceitar que tudo que dividira, tudo que sentira, tudo com que sonhara era apenas uma mentira.