Bilionário Sem Limites: Chloe
Capítulo 5
Chloe chorou de pesar enquanto ficava sentada no colo de Gabe, protegida nos braços dele. Ele a erguera da cadeira na cozinha e carregara-a para a sala de estar, embalando seu corpo no colo. Ela estivera chorando desde então.
Ela não sabia quanto tempo se passara.
Chloe mal notara quando ele a levara nos braços até a sala de estar.
Agora, estava finalmente percebendo os arredores de novo.
— Eu sinto muito — disse ela com voz estrangulada ao limpar a torrente sem fim de lágrimas.
— Não, Chloe. Bote tudo para fora — disse Gabe com voz rouca ao acariciar os cabelos desgrenhados dela que ele soltara.
Ela apertou os braços um pouco mais em volta do pescoço dele e repousou a cabeça em seu peito. — Achei que não me importava. Eu estava no começo da gravidez, cerca de cinco semanas. Algumas vezes, acho que me sinto culpada, pois uma parte de mim está aliviada. Mas outra parte está de luto pela perda. Não sei como deveria me sentir — disse ela sem fôlego, exausta por causa do choro. — Acho que a pior parte de tudo isso é a manipulação de James. Ele me deu o anticoncepcional. Disse que tinha muitas amostras grátis.
— E o que aconteceu? — perguntou Gabe.
— Eram apenas placebo. Zane os testou para mim. Ele me ligou hoje cedo para me dizer o resultado. James queria que eu engravidasse. Talvez tenha sentido que eu queria terminar. Ou talvez quisesse apressar o casamento. — Ela ficara horrorizada, mas não necessariamente surpresa.
Tivera suspeitas a partir do momento em que percebera que estava perdendo o bebê.
— Você precisa consultar um médico. — A voz de Gabe subitamente ficou exigente.
— Já consultei. Fui a Denver. Não queria que ninguém soubesse. Não podia procurar um médico aqui. — Quando as cólicas e o sangramento começaram, ela tivera quase certeza do que estava acontecendo. Nunca tivera muitas cólicas, mesmo na adolescência antes de começar a tomar anticoncepcional. — Procurei Zane porque precisava da ajuda dele. Eu queria saber se James tinha trocado minhas pílulas. As que me deu nos últimos meses pareciam diferentes, mas ele disse que só eram de uma marca diferente. Zane me levou a um ginecologista amigo dele para garantir que estivesse tudo bem. — Chloe respirou fundo e terminou com voz trêmula: —
Estava tudo bem. O aborto estava concluído. Zane levou o frasco que James me deu para analisar o conteúdo e o médico me deu uma injeção anticoncepcional em vez das pílulas.
— Era preciso alguém que cuidasse de você — retrucou Gabe em tom feroz. — Não deveria ter passado por tudo isso sozinha em Denver. Poderia ter me chamado, Chloe.
Estranhamente, ela quisera chamar Gabe porque sentira muito medo.
Mas, no fim, sabia que era algo com o qual deveria lidar sozinha. Ela conversara com Natalie sobre o assunto e tentara trabalhar a dor emocional e a confusão que sentira após o aborto. A julgar pela reação que tivera, obviamente ainda não superara tudo aquilo.
— Aconteceu naturalmente. Acontece com as mulheres o tempo todo.
Acho que foi o choque que realmente me abalou. — Chloe não conseguia acreditar que estava discutindo tudo aquilo com Gabe, mas, de alguma forma, parecia fácil contar a ele quando não conseguia contar a ninguém, exceto Natalie.
— Aileen sabe? — Gabe apertou os braços em volta dela de forma protetora.
— Não. Por favor, não conte a ninguém. Ainda não estou pronta para isso. Zane é o único da família que sabe e prometeu ficar em silêncio. — Ela inventara desculpas para dar a Lara por perder as sessões matinais nos dias anteriores, dizendo à cunhada que estava ocupada preparando-se para o novo emprego.
— Você pode confiar em mim, Chloe. Nunca contarei a ninguém algo que você não queira. Mas faremos as coisas do meu jeito. Nada de trabalho agora. Pode se familiarizar com o rancho, mas deixe-me cuidar de você por um tempo — exigiu Gabe.
Ela se deixou relaxar contra o corpo musculoso de Gabe, imaginando como seria ter um homem cuidando dela por alguns dias. Certamente seria...
diferente. — Gabe, não preciso que cuidem de mim. Estou pronta para voltar ao trabalho. Só preciso que você saiba que provavelmente serei um pouco lenta.
— Você ficará com esse seu belo traseiro em uma cadeira ou descansando em algum lugar — rosnou ele.
Chloe estremeceu ao ouvir o comando dele. Talvez devesse estar furiosa por ele lhe dar ordens. Porém, a voz dele tão maravilhosamente preocupada e o comentário sobre seu traseiro ser belo praticamente neutralizaram a raiva.
Ele estava sendo protetor e a preocupação desnecessária com o bem-estar dela era doce. — Farei como você quiser por um tempo curto — concedeu ela.
— Fará como quero até que eu diga o contrário — retrucou ele em tom autoritário.
Ela sorriu contra o peito dele. Gabe soou muito como um dos irmãos dela. — Veremos — respondeu ela em tom neutro, divertindo-se com a disputa verbal. Quando ele a segurava de forma tão terna, confortava-a de maneira tão doce, era difícil discutir.
Os dias anteriores tinham sido difíceis e parte dela realmente sentia culpa por estar aliviada com o fato de não carregar o filho de James. Mas a perda de qualquer criança a deixava emotiva. O bebê também fora dela e nunca nasceria. — Obrigada — disse ela espontaneamente a Gabe.
— Pelo quê?
Ele agia como se não tivesse feito nada, quando, na realidade, fizera muito apenas por confortá-la. — Por me ouvir. Por entender.
— Não posso dizer que entendo completamente, mas estou preocupado com você — disse ele baixinho no ouvido dela. — Sei que não entendo seu ex-noivo psicótico. Que cara faz uma coisa dessas? Que cara faz qualquer umas das coisas imbecis que ele fez com você? Ele não é certo da cabeça, Chloe.
Eram perguntas que Chloe fizera a si mesma repetidamente. E por que
ela aceitara aquilo como normal? Nunca tivera nada com que comparar o comportamento de James, mas tinha irmãos. Nenhum deles seria capaz de tratar uma mulher da forma como James a tratara. Era como se ela nunca tivesse conseguido se conectar com os homens porque James fora seu único namorado, além de ser um excelente manipulador. — Não sei — respondeu ela com sinceridade.
— Eu quero machucá-lo, Chloe. Quero isso mais do que jamais quis alguma coisa — admitiu ele furioso.
— Eu sei. Meus irmãos iam querer fazer a mesma coisa. Mas não quero isso, Gabe. Só quero esquecer. Lara e Natalie me ensinaram muito sobre como deve ser um relacionamento normal e você me deu um novo começo.
Só quero seguir a vida agora. — A vida com James finalmente terminara. —
Quero ser feliz de novo. — Ou talvez pela primeira vez na vida. Ela ficara com James por tanto tempo que não tinha certeza do que realmente era ser “feliz” em um relacionamento.
Gabe acariciou o rosto dela. — Você será, querida. Prometo.
A sinceridade na promessa dele a tocou profundamente e fez com que Chloe quisesse muito acreditar nele. A dor e a ansiedade tinham sido suas únicas companheiras recentemente. Ela precisava encontrar alguns amigos novos.
— Vai me mostrar o rancho? — perguntou ela em tom sonolento, sentindo os olhos fechando. Ela estava exausta depois de algumas noites praticamente sem dormir.
Ela acordara cansada naquela manhã, mas resolvida a começar uma vida nova com Gabe. O telefonema de Zane a deixara um pouco desanimada. Sim, ela já suspeitava de que James traíra e manipulara seu corpo e sua mente, mas ter a confirmação fora um choque.
— Mais tarde — respondeu Gabe abruptamente. — No momento, você pode descansar.
— Não estou doente — argumentou Chloe, forçando-se a abrir os olhos.
Ela aceitara o emprego e queria começar a trabalhar.
— Dê um pouco de tempo a si mesma, Chloe. Você precisa de tempo para se curar.
— Então podemos dar uma volta lenta pelo rancho — disse ela, sentindo-se confortável o suficiente para brincar com Gabe.
Ele se levantou, ainda segurando-a nos braços. — Depois que você tirar
um cochilo. Quanto tempo dormiu na noite passada?
Poucas horas. — O suficiente — respondeu ela evasivamente.
— O que me diz que não foi muito. — Ele andou pela casa imensa e subiu uma escada.
— Coloque-me no chão — disse Chloe em pânico. — Eu peso uma tonelada.
Gabe riu ao subir a escada correndo. — Querida, um cara que não consegue carregar uma coisa pequena como você não é homem. Relaxe.
Ele nem estava ofegante ao chegar ao último degrau. Chloe ficou atônita, em silêncio. Não importava o que ele dizia, nem o tamanho do corpo musculoso dele, ela sabia que não era leve. — Sou veterinária, não médica.
Não tenho como resolver sua dor nas costas depois de me carregar de um lado para o outro — disse ela em tom autodepreciativo.
Ele virou em um dos corredores no topo da escada e abriu uma porta com os ombros largos. — Ainda bem que não tenho dor nas costas — retrucou ele.
Chloe olhou em volta do belo espaço em que tinham acabado de entrar, maravilhada com a forma bela e cuidadosa como o quarto era decorado. Era opulento, mas simples. Era incrivelmente grande para um quarto, com uma área de estar pequena perto das janelas largas. A cama imensa ficava mais perto da porta. Os móveis tinham um tom neutro com toques de cores vívidas, principalmente em tons escuros e médios de azul, adicionando um ar confortável ao aposento.
— Que lindo — disse Chloe com franqueza. — Adorei. — Era realmente o tipo de aposento que ela adorava.
— Ótimo, achei que ia gostar. Será seu quarto por um tempo —
respondeu Gabe em tom casual ao colocá-la gentilmente sobre a cama.
— Não posso ficar aqui. Você tem uma casa pequena para o veterinário do rancho, não tem? — Fora o que ele lhe dissera. O veterinário anterior tivera a própria casa na propriedade.
— Estou reformando aquela casa. Você terá que ficar aqui até que a reforma termine — retrucou Gabe. — Demorará um pouco até que terminem.
— Mas posso morar lá enquanto eles trabalham — disse Chloe depressa.
Ela não podia ficar na mesma casa que Gabe. Era uma casa imensa, sim, mas ela acabaria passando muito tempo com o dono e isso poderia ser perigoso.
Ela estava atraída demais por ele. Ainda estava vulnerável e poderia facilmente se viciar na companhia dele.
Ele balançou a cabeça negativamente ao tirar os tênis dela, como se fosse algo natural a fazer. — Eles estão reformando tudo. O carpete, a pintura, o piso e a mobília nova. O lugar está uma confusão no momento.
— Você não tem outro lugar...
Ele colocou o dedo gentilmente sobre os lábios dela, silenciando-a. —
Não discuta, Chloe. Há espaço suficiente para você aqui. Agora, tire um cochilo. Poderá conhecer o rancho mais tarde.
Ela estava cansada e a cama sob seu corpo parecia divina. O travesseiro sob sua cabeça era macio e ela adorou a textura do algodão. — Precisamos conversar sobre esse arranjo — advertiu ela com um bocejo.
— Querida, no momento, não parece que você esteja em condições de discutir sobre nada — disse ele com um sorriso leve.
Ela sorriu fracamente de volta. — Foram umas semanas bem difíceis. —
Desde que ela terminara o noivado, estivera constantemente tentando evitar James. Não atendera aos telefonemas dele e ele a seguira da casa para o trabalho todos os dias, mas parava quando ela entrava na propriedade dos Colters. Até o momento, ela conseguira se desviar todas as vezes em que ele tentara confrontá-la, torcendo desesperadamente para que James desistisse e percebesse que não havia mais nada a dizer.
Era o fim e nada do que ele dissesse faria a menor diferença.
— Você está segura agora, Chloe. Confie em mim — disse Gabe enfaticamente ao colocar os lábios sobre sua testa e beijá-la como se ela fosse importante para ele.
Confiar? Não sei se estou pronta para confiar completamente em um homem de novo, exceto meus irmãos.
Ainda assim, ela queria acreditar em Gabe. Sinceramente, ela provavelmente já confiava nele, pois abrira seu coração para ele. Só não estava pronta para dizer isso em voz alta.
— Sei que estou segura — respondeu ela com cautela. — Obrigada.
Chloe sentiu o colchão inclinar quando Chase saltou sobre a cama. Ela sorriu quando o corpo peludo deitou ao lado dela e colocou a cabeça sobre a sua barriga. Correndo as mãos no pelo do cão, ela sorriu quando ele estremeceu de prazer.
— Chase, desça — ordenou Gabe.
— Não tem problema. Ele pode ficar sobre os móveis? — Ela adorava cachorros afetuosos.
— A maior parte deles — admitiu Gabe relutantemente. — Ele gosta de ficar onde eu estou. Acho que a lealdade dele mudou.
— Eu estava chorando. Talvez ele sinta que estou triste — comentou Chloe, continuando a acariciar o pelo sedoso do cão.
— Ainda está triste? — perguntou Gabe com voz rouca.
Chloe parou por um momento antes de responder. — Não. Acho que vou ficar bem.
— Eu sei que vai — disse Gabe em tom confiante. — Agora, descanse um pouco. Poderemos ver o rancho quando estiver se sentindo melhor.
Ele se virou e saiu do quarto, fechando a porta silenciosamente atrás de si.
Chloe empurrou gentilmente a cabeça de Chase e rolou o corpo, abraçando o travesseiro ao deitar a cabeça. O cão se ajeitou ao lado dela.