Bilionário Sem Limites: Chloe

J. S. Scott · Capítulo 21 de 21

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Bilionário Sem Limites: Chloe

Epílogo

Eles demorariam um pouco para se acostumarem a amar um ao outro com tanta intensidade que chegava a assustar. Depois, poderiam começar a criar outras lembranças juntos.

Pensando nas épocas em que ela não se sentira pronta para nada e em como estivera confusa, Chloe estava grata por agora poder dizer que estava pronta para começar uma nova vida, que não teria medo nem tristeza.

Ela recebera um presente, que guardaria com todo o cuidado.

A tristeza, o medo e as dores de cabeça pertenciam à vida antiga.

Agora, havia Gabe.

Quando ele abaixou a cabeça para beijá-la novamente, Chloe estremeceu, sabendo que estava realmente deixando a vida antiga para trás, fechando aquela porta para sempre.

Gabe era seu futuro e era só do que precisava.

 

Uma semana depois...

Zane Colter perdera a conta de quanto tempo passara no laboratório que tinha em casa, em Rocky Springs, examinando amostras.

Quando finalmente levantou a cabeça, o dia já amanhecera... e ele não dormira absolutamente nada. Ele viu o sol subindo acima das montanhas, mas não se importou.

Finalmente descobri. Eu sei onde ela está.

Merda! Ele queria desesperadamente telefonar para Chloe, mas todo mundo concordara em dar a ela o máximo de tempo possível viajando com Gabe. Todos torceram para que ela e Gabe não vissem o noticiário dos EUA.

Apesar da preocupação, ele sorriu, lembrando-se de como Chloe e Gabe estavam felizes e descontraídos quando ligaram pelo Skype algumas vezes.

Ele se forçou a relaxar, sabendo que, se as coisas fossem feitas como Gabe queria, agora que os dois tinham visitado a Tailândia, não apareceriam novamente em um futuro próximo e seria improvável que vissem os noticiários. Zane ficou aliviado de ver a irmã finalmente parecendo a garota alegre e doce que ele conhecera enquanto cresciam. Ela estava feliz. E Gabe também. Eles enviaram inúmeras fotografias, muitas das quais Zane agora tinha guardadas no celular, de coisas bobas que faziam só porque... podiam.

O brilho feliz e contente no rosto da irmã fora uma das melhores coisas que ele já vira. Ele adorava aquelas fotografias e queria ver mais delas no futuro.

Chloe precisava daquela viagem e de finalmente ter aquele tipo de felicidade

com Gabe em sua vida. Ele torceu para que a irmã não se interessasse em ver os noticiários dos EUA, especialmente os locais.

Sim, ele tinha quase certeza de que não descobririam o que acontecera alguns dias antes. Ou torcia para que não tivessem descoberto. Não por algum tempo.

Ele olhou para o jornal de Rocky Springs, que estava ao lado do computador. Em Rocky Springs, o incidente e o bilhete tinham sido notícias importantes. Ainda eram. Todo mundo falava no assunto e o caso agora atraíra a atenção nacional.

Ele olhou para a manchete:

“Médico comete suicídio. Admite responsabilidade por mulher desaparecida em Rocky Springs.”

Ainda bem que Chloe e Gabe estavam bem longe quando aconteceu a morte de James.

— Covarde do caralho — cuspiu Zane com desgosto, irritado por James ter escolhido a saída mais fácil. O imbecil se matara quando ainda estava no hospital, mas ele não podia ter simplesmente morrido. Tinha que ter deixado aquele maldito bilhete.

Eu venci! Nunca descobrirão onde Ellie está antes que ela morra.

Filho da puta. Aquele escroto não venceria... nunca. Ele só continuaria morto. Um final feliz para um psicopata como ele.

Zane ficara feliz ao saber que James se matara. Chloe nunca mais teria que olhar para o rosto dele quando voltasse para casa em Rocky Springs com Gabe. Isso significava que a irmãzinha dele poderia se libertar completamente das lembranças do passado.

Exceto... que o imbecil deixara aquele bilhete de uma linha, sobre não encontrarem Ellie a tempo.

Os rumores tinham se espalhado naquela parte do estado desde que o incidente acontecera alguns dias antes. A polícia vasculhara a casa de James, mas não dissera o que tinha sido encontrado.

Para Zane, a polícia fora muito lenta. A vida de Ellie estava por um fio em algum lugar. E ele tinha certeza de que a teoria da polícia era de que ela já estava morta.

Ela não está morta.

Zane ponderou se deveria procurar a polícia com a análise que fizera, mas não tinha certeza se os policiais se moveriam depressa o suficiente para

salvar Ellie. Se a teoria dele estava correta, ela estava aprisionada, provavelmente à beira da morte porque James não estava mais vivo para levar comida e água. Também estava esfriando e ela poderia estar congelando.

— Foda-se. Eles tiveram a chance deles — disse ele furioso para si mesmo. Ele mesmo encontrara as amostras de solo nos pneus do carro de James e a chave.

Ele sabia a área geral em que ela estava sendo mantida prisioneira e tinha a chave para libertá-la. Agora, só precisava descobrir o local exato.

Não havia dúvidas na mente de Zane de que ele mesmo a procuraria. A pergunta era se deveria ou não notificar à polícia sobre o que descobrira.

Provavelmente, tentariam impedi-lo de interferir na investigação. O problema era que ele duvidava de que a polícia tivesse alguma pista de onde ela estava ou alguma esperança de que ainda estivesse viva. Eles se mexiam devagar demais para o gosto dele. E certamente não era depressa o suficiente para salvar a vida dela. Ora, Zane já estava preocupado de ele chegar tarde demais.

Felizmente, ele estava familiarizado com a localidade e poderia encontrá-la.

Só preciso chegar a ela a tempo.

Decidindo a favor de ir sozinho, Zane correu para o andar inferior e pegou a chave da caminhonete de tração nas quatro rodas.

Ele precisava encontrar Ellie depressa, caso contrário, ela não aguentaria.

Ele não tinha ideia de quando fora a última vez que ela recebera comida e água. Obviamente fazia algum tempo, pois James ficara internado no hospital depois que Gabe lhe dera uma surra.

Ele correu para o carro, sem se importar com o vento frio que batia em seu corpo nem com o fato de que não dormia havia dias.

Nada importava além de Ellie.

Zane decidiu que voltaria com Ellie ou morreria tentando.

~ Fim ~

Nota da Autora:

A cho que é comum em nossa sociedade que as pessoas digam “vá embora”

em se tratando de abuso doméstico. Infelizmente, não é tão fácil nem simples.

A violência doméstica é um problema psicológico, físico e sexual complexo pelo qual quase trinta por cento das mulheres nos EUA passaram em algum momento da vida. Quando uma pessoa é agredida, psicologicamente destruída e financeiramente controlada, é difícil se libertar. Os abusadores são manipuladores e o ciclo do abuso é complicado. Infelizmente, muitas pessoas não podem ou não deixam o abusador por vários motivos, mas nunca é culpa da vítima. Vamos colocar a culpa em quem ela pertence: no abusador. As vítimas precisam de um bom sistema de apoio, além de ir para um lugar seguro e conseguir ajuda. Se você é uma vítima ou conhece alguém que seja, por favor, encontre ajuda. Pesquise as diversas organizações que prestam assistência. Existe esperança. Há pessoas que entendem. Busque mais informações na internet simplesmente procurando “ajuda para violência doméstica”. Você encontrará recursos valiosos em sua área colocando o local onde mora ou pode começar com uma linha direta nacional.

Não se sinta aprisionada pelas emoções. Antes de mais nada, o que importa é a sua segurança. Fique segura!

Continue a ler uma amostra de Bilionário Destemido - Zane.

Sete meses antes...

—Ai, meu Deus. Não é possível. Não a minha doce Chloe — disse Ellie Winters para si mesma em um sussurro urgente. Ela estava sozinha no consultório do médico onde trabalhava e ninguém ouviu o tormento da voz dela. Ela ficou horrorizada com os vídeos que acabara de ver no notebook de James, completamente por acidente, enquanto procurava um arquivo que o chefe lhe pedira.

Inicialmente, ela estivera procurando um documento médico, algo que ele lhe pedira que imprimisse. Ela se distraíra ao ver um ícone chamado

“Vídeos de Chloe” e não conseguira resistir à tentação de ver o que supusera fossem imagens felizes da melhor amiga, mesmo sabendo que estava clicando em algo que não deveria.

Ela esperara ver alguns momentos de alegria da amiga, uma Chloe sorridente que Ellie, com toda a sinceridade, não vira havia algum tempo. A amiga estivera recentemente distraída e incomumente nervosa e Ellie queria saber o motivo. Chloe Colter era uma daquelas pessoas que era naturalmente gentil e doce.

Infelizmente, as cenas não tinham sido alegres. Os vídeos eram aterrorizantes.

Ellie só estava trabalhando para o médico noivo de Chloe havia uma semana. Ele era exigente, mas o que ela acabara de ver fez com que percebesse que James era muito mais do que apenas um escroto.

Ele era a pura maldade!

As lágrimas escorreram pelo rosto de Ellie quando ela desconectou e desligou o notebook, sabendo que precisava falar com Chloe o mais depressa possível.

Preciso falar com ela. Ela não pode se casar com ele. Por que diabos ela ainda está noiva dele? O imbecil deveria estar na cadeia!

Merda! Ellie estava furiosa consigo mesma por não ter insistido mais em saber por que Chloe parecia tão diferente desde que voltara para Rocky Springs. Ela supusera que a amiga só estava distraída e ajustando-se ao fato de estar em casa de novo depois de ter ficado longe por tanto tempo para se formar como veterinária de equinos. Ou talvez estivesse estressada por causa do casamento com James. Casar-se e planejar um casamento era algo estressante, certo? Especialmente quando Chloe ainda estava tentando estabelecer sua carreira.

Há muito mais sobre essa história que não entendo. Preciso falar com Chloe, descobrir por que ela está escondendo o fato de James ser um abusador.

Uma sensação de proteção feroz fez com que o estômago de Ellie se contraísse. Ela se lembrou de todas as vezes em que Chloe saltara em sua defesa nos mais de vinte anos de amizade. Quantas vezes Chloe se oferecera para ajudá-la a sair da situação de pobreza quando eram crianças? Ellie perdera a conta. Da mesma forma que não conseguia se lembrar de quantas vezes a família de Chloe a alimentara quando sua mãe precisara trabalhar. Ou que lhe dera sapatos ou roupas novas, com Chloe alegando que não cabiam nela e que queria que Ellie os tivesse.

Foram tantas coisas doces que Chloe e a mãe dela fizeram por mim nesses anos todos.

Reprimindo um soluço de tristeza, Ellie estava determinada a garantir que a melhor amiga não terminasse casada com o próprio demônio. Chloe merecia o marido mais incrível possível.

Por quê? Por que Chloe está encobrindo o que James está fazendo com ela?

Ellie não tinha as respostas, mas pretendia descobri-las. Se necessário, ela arrastaria Chloe para fora daquele relacionamento, chutando e gritando, antes de se sentar e assistir como madrinha quando a amiga assinasse uma sentença de prisão perpétua com Satã.

Freneticamente, ela pegou a bolsa, pronta para ir à casa de Chloe. Ellie considerou telefonar para ela, mas precisava confrontá-la pessoalmente. Ela não tinha dúvidas de que Chloe não sabia sobre os vídeos e provavelmente ficaria horrorizada quando os visse.

Chloe Colter fora sua melhor amiga desde a escola primária. Ellie sabia que os gritos aterrorizados de dor e agonia no vídeo não eram nenhum tipo de jogo sexual pervertido. Chloe estivera traumatizada, aterrorizada e implorando para que James parasse.

Mas o filho da puta não parara. Que tipo de joguinho doentio ele estava jogando? E como Chloe se envolvera? Por que ela simplesmente não se afastara dele? Afinal de contas, ela era uma Colter e não precisava de homem nenhum. Chloe era rica e com educação suficiente para mandar na própria vida. Além do mais, tinha quatro irmãos mais velhos que teriam dado uma surra em James se tivessem percebido o que ele fizera com ela. E havia também a pergunta mais importante: por que Chloe não o entregara à polícia?

Tinha que haver uma explicação, mas Ellie não conseguiu encontrá-la na pressa de sair do escritório.

O som de alguém mexendo na fechadura da porta da frente do escritório, que estava trancada, fez com que Ellie entrasse em pânico. Ela segurou o notebook contra o peito e saiu correndo de trás da mesa. Seu coração estava disparado quando a porta começou a abrir.

Ela não olhou para ver quem era. Havia poucas pessoas com a chave e ela era uma delas. Mesmo se fosse a equipe de limpeza, ela não pretendia arriscar para descobrir. A única coisa em que conseguia pensar era sair correndo pela porta de trás, chegar ao seu carro e ir diretamente à procura de Chloe.

— Ellie!

Ouvir o grito de James proveniente da área de recepção triplicou a velocidade de seu coração. Ela correu para a saída dos fundos.

Só preciso chegar ao meu carro. Só preciso encontrar Chloe.

Ellie ouviu os passos pesados de James no corredor atrás dela, mas continuou correndo. Sua respiração estava alterada por causa do pânico quando ela abriu a porta dos fundos e saiu correndo pela porta de metal sem hesitar.

Odiando-se por ter calçado sapatos de salto alto naquela manhã, ela continuou correndo o mais depressa que conseguiu, abraçando o notebook como se sua vida dependesse dele.

Preciso chegar até Chloe. Preciso chegar até Chloe. Por favor, só me deixe chegar à casa dela.

Ela estava quase chegando ao carro econômico e velho — que muito tempo antes apelidara de Tartaruga Azul porque, apesar de ser lento, continuava a andar — quando o corpo de James colidiu com o seu. Os dois caíram no chão, mas, infelizmente, o corpo dele a prendeu contra o concreto frio.

— Saia. De. Cima. De. Mim. — A voz dela foi um sibilar ofegante enquanto ela se esforçava para tirá-lo de cima dela.

— Há algum motivo para estar fugindo com o meu notebook, srta.

Winters? — perguntou James ao passar o braço em volta do pescoço dela.

— Vou trabalhar de casa hoje à noite. — Era uma desculpa esfarrapada, mas foi a única coisa em que Ellie conseguiu pensar. Chloe sempre dissera que ela era uma péssima mentirosa. Não importava o que alegasse, ela duvidava de que James acreditaria, pois estivera fugindo dele. E a única coisa que ele pedira fora que encontrasse e imprimisse um documento.

— Você viu os vídeos — acusou ele em tom ameaçador. — Ia diretamente atrás de Chloe. Vadia abelhuda. Pedi que fizesse uma coisa no computador e você teve que ver coisas que não deveriam ser vistas por ninguém. Não agora. Você arruinará tudo. Ainda bem que voltei quando percebi que você não cuidaria da própria vida.

Você não deveria deixar coisas que não quer que sejam vistas em um computador que pode ser acessado por qualquer pessoa, seu imbecil.

Ellie era viciada em programas criminais e era óbvio que James era desleixado ou psicótico o suficiente para não pensar antes na possibilidade de que ela visse os vídeos. Sentindo o braço dele apertado em volta de seu pescoço, ela tinha quase certeza de que era a segunda opção.

— Por que está tentando ferir Chloe? — Ellie desistiu de fingir para tentar conseguir respostas. — Ela nunca faria algo parecido com você. Ela ama você. — O fato de Chloe ter até mesmo gostado de um monstro como James fez com que Ellie se sentisse enjoada. O imbecil não merecia nem estar no mesmo aposento que Chloe.

— É claro que ela me ama — resmungou James. — Nós vamos nos casar e ninguém vai me impedir. Finalmente conseguirei o que mereço.

Ellie desejou que ele recebesse o que realmente deveria: algemas e uma cela muito desconfortável pelo resto da vida. Era óbvio que James achava que

tinha direito à parte de Chloe da fortuna da família Colter, uma riqueza quase inimaginável.

— Você merece estar na cadeia — disse Ellie com dificuldade por causa do pouco ar que conseguia inspirar.

— Cale a boca, caralho! Vamos nos levantar. Tenho uma arma e, se fizer um barulho sequer, vou matar você — advertiu ele em tom perigoso.

Não havia dúvidas na mente de Ellie de que James cumpriria a ameaça.

Depois de ver como ele tratara Chloe, ela não tinha a menor dúvida de que ele era capaz de praticamente qualquer coisa.

Ele a forçou a se levantar e não demorou muito para que ela visse o brilho do aço na luz fraca do estacionamento vazio. Ele tinha mesmo uma arma e estava preparado para usá-la. Ela considerou gritar o mais alto possível, mas duvidava que isso fizesse alguma coisa além de silenciá-la para sempre. O escritório era um prédio solitário no fim de uma rua sem saída. Já anoitecera e estava frio. A possibilidade de alguém escutá-la era muito pequena. Ela decidiu que, se não queria acabar morta, precisava esperar até que conseguisse escapar.

O que aconteceu a seguir estragou seu plano.

— Eu disse a Chloe que você não valia nada. Você não tem valor para ela. Sua família é pobre, você é pobre. Só a contratei para calar a boca de Chloe! — exclamou James perigosamente, logo antes de dar um soco no rosto dela.

A dor explodiu na cabeça de Ellie quando ela recebeu o golpe.

Estonteada por causa do soco brutal, ela não conseguiu resistir quando James a levou para o carro dele no outro lado do estacionamento.

Quando James a bateu contra o carro, ela finalmente falou, perguntando-se desesperadamente se ele a mataria, mesmo não tendo gritado. — James, você não quer fazer isto. E Chloe? E a sua carreira? Pare com isto agora e não direi nada. Deixe-me apenas ir para casa. — Ela começou a mentir para convencê-lo a deixá-la ir embora.

— Acha que sou idiota o suficiente para acreditar nisso? — perguntou James em uma voz que ficava cada vez mais estridente, uma voz louca que começava a deixar Ellie muito assustada.

Ele vai me matar.

Ellie reconheceu a perda da sanidade na voz dele.

Ele puxou o computador e a bolsa das mãos dela e jogou-os no banco de

trás do carro. Em seguida, empurrou-a na direção do porta-malas. No minuto em que ouviu a trava abrir, Ellie começou a lutar pela própria vida.

Chegava de tentar argumentar com James.

Chegava de implorar para deixá-la ir embora.

Ela lutou com tudo o que tinha, tentando arranhar os olhos dele e chutando para tentar acertá-lo na virilha. No entanto, ele era mais forte que ela. Ela finalmente começou a gritar, sabendo que, se ele conseguisse colocá-la no porta-malas do carro, seria uma mulher morta.

— Cale a boca, caralho — rosnou ele ameaçadoramente, agarrando o rabo de cavalo loiro longo e puxando-o com tanta força que os olhos de Ellie se encheram de lágrimas.

Ela não parou de lutar, mesmo quando ele a levantou e tentou jogá-la para dentro do espaço confinado.

Dane-se, não vou facilitar as coisas para ele.

A bunda dela bateu na superfície dura do porta-malas, mas ela jogou os braços para fora, tentando impedi-lo de fechar a tampa, o que a confinaria em um caixão improvisado.

Ele nunca vai me deixar viver.

— Nãããão! Alguém me ajude! Por favor! — Ellie continuou a gritar, sem se importar mais com os avisos de James, mas ninguém apareceu para resgatá-la.

Um último soco violento na cabeça dela a silenciou, deixando seu mundo escuro.

Com Ellie inconsciente e incapaz de continuar lutando, James fechou o porta-malas e entrou no carro, partindo na noite com o corpo inerte dela confinado na escuridão.

O Presente...

—Onde diabos ela está? — murmurou Zane Colter furiosamente ao dirigir o SUV Bentley em mais uma estrada de terra íngreme que levaria para mais uma cabana nas montanhas desoladas.

Durante quantos dias ele estivera procurando? Um dia se transformara em outro, mas Zane estivera tão concentrado em sua missão que não se importara em fazer muito além de se manter hidratado.

Ele estava feliz por ter comprado o novo SUV apenas um mês antes.

Estava nevando pesadamente naquela altitude e ele dirigira em velocidades muito ousadas nas estradas escorregadias das montanhas. Ele sabia que estava dirigindo depressa demais para as condições climáticas que ficavam cada vez piores. O problema era que ele estava ficando desesperado. Ele sabia em que área Ellie estava por causa das amostras de solo que tirara de um velho par de sapatos de James e dos sulcos dos pneus da caminhonete na garagem dele. Depois de encontrar um pedaço pequeno de uma flor rara na casa do imbecil, ele tivera a ideia de obter aquelas amostras de terra, uma intuição que dera certo depois de intensas análises, destacando as únicas áreas em que aquele tipo de flor crescia e o solo de que precisava para isso. A terra que ele coletara confirmara suas suspeitas. Ele duvidava de que James dirigisse aquela caminhonete mais velha em qualquer outro lugar que não nas montanhas. Os sapatos eram velhos e gastos, e um filho da puta superficial como James não os usaria, exceto em áreas lamacentas onde não seria visto.

Depois de juntar a terra e a flor, Zane tinha uma ideia muito boa da área onde

Ellie estaria escondida. Mas uma busca nas cabanas e nas propriedades nos arredores não mostrou nada que fosse de James. Portanto, Zane tinha que supor que era um lugar que não estivesse no nome real dele.

— Onde ele a escondeu, caralho? Puta que o pariu! — rosnou ele ao bater a mão no volante, sentindo-se frustrado e sabendo que estava ficando sem tempo. As chances eram de que recuperaria um cadáver, em vez de resgatar Ellie.

Nem. Pensar.

Ele afastou a possibilidade de que Ellie estivesse morta e continuou a dirigir em direção a uma cabana pequena, um pouco acima na estrada de terra quase inexistente que subia.

Limpando o suor da testa com a mão e passando os dedos pelos cabelos com irritação, ele dominou o carro agilmente ao deslizar no gelo e na neve com uma mão só até estar novamente subindo a estrada.

Logo vou ter que enfrentar a realidade. Verifiquei praticamente todas as cabanas e casas desta área sem sorte nenhuma, porra.

Zane não fazia ideia de quanto tempo fazia desde que dormira pela última vez. Ele estivera fazendo pesquisas sobre o solo que encontrara e depois trabalhara em marcar áreas para investigar. Ele estava exausto, mas um relógio continuava a avançar em sua cabeça. Se James tivera mantido Ellie viva, ela provavelmente não tinha mais água nem comida. James estava morto e ficara incapacitado antes de se suicidar. Ela ficara sozinha por tempo demais.

Não posso parar de procurar. Prometi a Chloe que não desistiria. Não vou parar até encontrá-la.

Ele balançou a cabeça de forma distraída, sabendo que era uma boa desculpa para estar procurando. Mas sua persistência feroz não era apenas porque Ellie era a melhor amiga de sua irmã. O instinto o cutucava sem parar.

Ele conhecia Ellie bem o suficiente para saber que, se pudesse escapar, ela teria escapado. Algumas pessoas alegavam que Ellie era quieta, mas ele vira como ela podia ser mandona quando eram crianças. Na adolescência, ela não mudara. Nunca tivera problemas em expressar suas opiniões. Não com ele.

Sinceramente, ele nunca se importara com o desejo extremo dela de organização. Na verdade, ele gostara disso, pois não era exatamente organizado em sua vida pessoal. Nunca fora. Em se tratando de seu trabalho

como cientista, ele era meticuloso, mas todo o resto fora do laboratório era um caos. Ele sempre fora fascinado pela forma como Ellie conseguia lidar com tantas coisas ao mesmo tempo e de forma muito organizada. Ela sempre fora assim, mesmo na adolescência.

Zane podia admitir para si mesmo que gostara de Ellie na escola. Mas o fato de ela ser a melhor amiga de Chloe, sua irmãzinha, deixara Ellie completamente fora de questão para qualquer coisa além de amizade depois que ficaram adultos. Na época da escola, ela fora jovem demais, ligada demais à família dele. Sem falar no fato de que ele fora tão esquisito socialmente naquela época que nunca teria coragem de chamá-la para sair, mesmo que ela não fosse jovem demais. Mas ele também gostara dela como amiga e ainda tinha sentimentos por ela, apesar de tê-la encontrado muito pouco depois de terminar a escola. Ele partira para a faculdade e nunca voltara para Rocky Springs para morar lá o tempo inteiro.

Ele rosnou ao parar em frente à cabana que estivera procurando. —

Merda! Parece um local sazonal.

Apesar de a cabana estar em condições decentes, não era algo que um médico compraria. Era minúscula e parecia mais uma cabana de caça ou de pesca.

A neve estava contra a porta e parecia que ninguém estivera lá desde a primeira vez em que nevara. Os flocos brancos flutuavam e caíam em quantidades épicas quando ele saiu do carro, sem se preocupar em trancá-lo.

Ora, ninguém iria até aquela cabana isolada no meio de uma nevasca.

Ele andou com dificuldade pela neve e chutou a camada branca acumulada na porta da frente. Ao virar a maçaneta para entrar, descobriu que estava trancada. Irritado e determinado a não deixar de olhar embaixo de uma pedra sequer, ele bateu com o ombro na porta até que a fechadura cedesse. Em seguida, ele a abriu.

— Ellie! — gritou ele, apesar de o lugar ser tão pequeno que provavelmente não havia a necessidade de gritar.

Ele andou pela cabana, que tinha uma área de estar em um lado e uma cozinha pequena no lado oposto. Ele inspecionou o banheiro minúsculo e parou subitamente ao chegar à porta do único quarto da cabana. Ele ficou tenso ao ver a figura praticamente irreconhecível algemada no canto, encolhida em posição fetal, completamente nua.

— Caralho! — O xingamento explodiu de sua boca quando ele entrou no

quarto e abaixou-se ao lado da mulher, sem saber se ela estava viva ou morta.

Ele afastou os cabelos imundos do rosto dela. — Ellie? — chamou ele hesitante, colocando a mão em seu pescoço em busca de um sinal de vida. O

sangue dele ferveu ao perceber todos os ferimentos e cortes no corpo, no rosto e nos membros dela.

Havia um penico perto dela, mas ela obviamente não tivera forças suficientes para usá-lo. Os braços e as pernas estavam presos com algemas pesadas, dando a ela uma mobilidade muito limitada. Havia um jarro de água vazio no canto e um saco plástico vazio.

Zane não recebeu resposta, mas seu coração acelerou quando ele percebeu um pulso fraco.

Ele correu para a cozinha, encontrou um copo e encheu-o com água, grato pelo fato de o lugar ter encanamento interno.

Ele não prestou atenção no fedor que exalava da mulher ao colocar os braços em volta dela, forçando-a a se sentar. — Ellie? Abra os olhos para mim. Você precisa de água, está desidratada.

Ela estava mais do que só desidratada. Estava à beira da inanição. Mas ele tinha que resolver um problema de cada vez. Ellie era uma mulher cheia de curvas. Agora, não tinha carne nenhuma sobre os ossos.

Ele colocou o copo nos lábios dela, virando-o lentamente. As pálpebras dela estremeceram, mas ela não abriu os olhos. Ele torceu muito para que ela ainda tivesse o reflexo de engolir. A última coisa de que precisava era que ela aspirasse a água.

— Engula, Ellie. Vamos! — Ele a observou enquanto derramava a água lentamente em sua boca, aliviado ao perceber que os músculos do pescoço dela se mexeram fracamente para engolir a água.

Ela precisava de comida, mas ele continuou tentando hidratá-la primeiro.

Finalmente, ele foi para a cozinha procurar alguma coisa, qualquer coisa, que ela pudesse engolir. Antes de começar a vasculhar os armários, ele se lembrou de que tinha energéticos no SUV que a ajudariam a repor os eletrólitos que ela já não tinha.

— Fluidos são melhores — disse ele distraidamente para si mesmo ao voltar para a cabana com os suprimentos e ferramentas de que precisava. Em seguida, começou a missão de hidratar e nutrir Ellie.

Ele tinha que ir devagar, o que o deixou muito irritado. Ele queria dar a Ellie tudo que ela não tinha. Queria que a forma quase sem vida voltasse

rapidamente à vida.

Ele queria Ellie de volta e, não importava o que fosse necessário, Zane a veria sorrindo e inteira novamente, nem que isso o matasse.

Não vou desistir. Nunca desisto.

Ele demorou um pouco para livrá-la das algemas de aço com as ferramentas que tinha no carro. E continuou a xingar violentamente enquanto a libertava.

Se James já não estivesse morto, Zane teria assassinado o filho da puta sem um pingo de remorso.

Depois de dar a Ellie tudo o que teve coragem de dar de uma vez só, ele a tirou do chão frio. Jesus! Ela estava tão leve que ele ficou muito assustado.

Abaixando-se para passar, ele foi para o banheiro, torcendo para que a água quente funcionasse. Virando os registros do chuveiro, ele ficou aliviado quando a água morna começou a sair.

Colocando-a gentilmente no chão, ele rapidamente tirou a própria roupa.

Em seguida, segurou-a novamente e levou-a para baixo do chuveiro com ele.

A cabana tinha um pouco de calor, mas ainda assim estava gelada. Ellie não tinha carne alguma nos ossos para protegê-la ao ficar deitada em um chão frio. Ele precisava ir devagar e de forma gentil, aumentando o calor do corpo dela com cuidado.

Ele usou um frasco de sabão líquido que encontrara no banheiro, esfregando o corpo e os cabelos dela até que estivesse limpa novamente. Um gemido fraco escapou dos lábios dela, o que deu a ele ainda mais esperança de que ficaria bem. Ela estremeceu nos braços dele, outro bom sinal. O

aquecimento lento do corpo dela começava a aumentar a temperatura interna.

Frustrado, Zane sabia que não teria como levá-la a um hospital por causa da nevasca que rugia no lado de fora das paredes da cabana. Se alguma coisa acontecesse no caminho de volta, ela nunca sobreviveria. Ele era médico.

Sim, era dedicado à pesquisa, mas frequentara a escola de medicina. Como era academicamente bem dotado, ele terminara rapidamente os cursos e concentrara-se em biotecnologia. Mas ele sabia o que precisava fazer, quais eram as necessidades dela naquele momento. Infelizmente, ele tinha muito poucos recursos e equipamentos para ajudá-la da forma como precisava.

Ele desligou a água e secou os dois da melhor forma possível com as toalhas em farrapos que achou no banheiro. Em seguida, carregou Ellie para a única cama da cabana, a que lhe fora negada por causa de seu confinamento.

Puxando a colcha, ele ficou aliviado ao ver que o lençol estava relativamente limpo. Ele a colocou sob o cobertor. Sentando-se ao seu lado, ele se sentiu tentado a pentear os longos cabelos dela com os dedos. Ellie tinha cabelos loiros lindos e ele começava a ver os cachos de novo agora que estavam limpos. Afastando os cabelos do rosto dela, ele estava praticamente pronto a ter um ataque de fúria ao perceber os machucados e os cortes em sua pele.

Ele a examinara atentamente enquanto a lavava e não vira ferimento algum que pudesse ameaçar a vida de Ellie, mas estava furioso pelo fato de James ter encostado nela.

Zane se levantou e começou a limpar a bagunça do canto, lavando o chão e jogando fora o penico e as algemas. Ao terminar, ele enrolou o corpo em um cobertor, calçou as botas e correu até o SUV para buscar a mochila com roupas que sempre deixava no bagageiro.

Ele vestiu as roupas sobressalentes que tinha, desejando ter mais para colocar em Ellie além das camisas de flanela que tinha na mochila.

Depois de vestir a camisa nela, ele lhe deu um pouco mais de líquido.

Em seguida, vasculhou a cabana pequena, tentando achar alguma coisa útil.

Ele encontrou a bolsa de Ellie em um dos armários, mas não viu sinal das roupas dela. Zane colocou suas roupas sujas na pia e lavou-as, pendurando-as no banheiro para secar. Ele não achava que precisaria delas porque pretendia descer a montanha com Ellie em breve. Era a energia inquieta que não o deixava ficar parado.

Ele encontrou alguns suprimentos básicos, na maioria enlatados, mas pelo menos era alguma coisa.

Como o sistema de aquecimento antiquado produzia muito pouco calor, ele colocou madeira dentro do velho forno que ficava contra a parede e acendeu o fogo, que logo estava forte. Ele fechou a porta de metal, feliz por aquela lata velha ainda funcionar. A cabana era tão pequena que o fogo ajudaria a manter o espaço limitado mais aquecido.

Como já vasculhara todos os armários, Zane andou de um lado para o outro, indo do banheiro à janelinha ao lado da porta, torcendo para que parasse de nevar.

Ellie precisa de muito mais do que posso fazer por ela agora. Ela precisa de fluidos e alimentação intravenosos, raios-x e exames.

Ele sabia que ela estava mal, mas não fazia ideia se o corpo dela tinha outros problemas que não era possível ver apenas olhando para ela e fazendo

um exame superficial.

Infelizmente, a nevasca continuava a rugir. Ele se sentiu frustrado por não haver muito a fazer, exceto continuar dando a Ellie o que podia em intervalos que não enchessem demais o estômago encolhido.

Ele a ajudou a engolir alguns nutrientes.

Depois, andou de um lado para o outro.

Ajudou-a novamente.

Depois, andou de um lado para o outro.

Ele continuou conferindo o celular, mas estava em uma área sem sinal e não queria deixar Ellie sozinha para tentar encontrar uma área onde houvesse sinal. Provavelmente, não haveria nenhuma perto dali. Ele tinha quase certeza de que aquela montanha desolada inteira estava fora do alcance.

Quando começou a escurecer, ele ligou um gerador antigo que ofereceria um pouco de luz. Em seguida, colocou mais lenha no fogão, percebendo que a cabana já começava a ficar mais quente.

Ao se sentar na cama para erguer Ellie e fazê-la beber um pouco mais, ele ficou muito feliz de ver que ela engoliu mais prontamente.

— Vamos, Ellie, só mais um pouco — disse ele baixinho, tentando convencê-la a tomar mais alguns goles.

Ela obedeceu e ele colocou o copo sobre uma mesinha de cabeceira rústica.

— Zane? — A voz fraca era pouco mais de um sussurro.

Mas ele a ouviu.

Ele virou a cabeça rapidamente para Ellie, com o coração disparando ao perceber as pálpebras dela estremecerem e depois abrirem completamente.

Uma expressão de horror cruzou seu rosto por um momento até que ela focalizou nele. — Zane? — perguntou ela de novo em tom incerto. O

sussurro foi cheio de medo e pânico.

— Sim. Sou eu, Ellie. É Zane. — Ele passou a mão gentilmente nos cabelos dela. — Você está segura. Não tenha medo. — Jesus! Ele odiou ver a expressão de terror no rosto dela.

— James — disse ela com voz rouca.

Ele colocou os dedos sobre os lábios dela. — Não tente falar. James está morto. Nunca mais vai poder machucar você. Você precisa descansar, Ellie.

Estive tentando reidratar você. Está muito fraca e preciso levá-la ao hospital.

O clima está uma merda. Só descanse até que eu possa tirar você daqui, ok?

Ela assentiu fracamente, como se tivesse entendido, e seus olhos se fecharam.

Zane começou a levantar da cama, mas Ellie disse em tom suave: — Não vá, Zane. Por favor. Acho que estou tendo alucinações, mas quero que elas durem.

Tirando as botas, ele virou o corpo e deitou ao lado dela. — Você não está sonhando e eu não sou uma ilusão. James está morto e nunca mais voltará. Não posso descer a montanha com você agora. Estamos no meio de uma nevasca. Mas vou levar você para um lugar seguro assim que possível.

Ele gentilmente passou os braços em volta dela. Em seguida, apoiou a cabeça dela em seu peito, passando a mão pelos seus cabelos agora secos.

— Acho que já estou segura — disse ela em tom hesitante, aconchegando-se a ele.

— Pode ter certeza disso. Não vou deixar que nada aconteça com você, Ellie. Prometo.

Ela suspirou de leve. Em seguida, sua respiração ficou regular e profunda. Zane percebeu que ela estava dormindo e não em um estado inconsciente.

O alívio o invadiu quando seu corpo relaxou. Ele colocou os dois braços protetoramente em volta de Ellie, embalando o corpo dela de forma gentil em um esforço de reconfortá-la. Mas talvez também fosse para reconfortar a si mesmo. Ele estava muito grato por tê-la encontrado com vida.

Finalmente, com Ellie aconchegada em segurança e aquecida contra ele, Zane adormeceu.

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Prólogo

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Epílogo

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