Bilionário Sem Limites: Chloe
Capítulo 6
Ela tentou fazer a mente confusa compreender tudo o que acontecera na semana anterior, mas seu cérebro estava sobrecarregado.
Finalmente, ela desistiu e adormeceu.
Gabe demorou vários dias para deixar Chloe sair da casa e mais alguns para permitir que ela visitasse a propriedade. Ela finalmente começou a ficar ansiosa. A confusão dera lugar ao pesar e finalmente à aceitação. Era impossível mudar o que acontecera, mas ela tinha o futuro inteiro à frente.
Chloe queria viver todas as coisas que negara a si mesma, viver uma vida sem medo nem culpa. — Quero ver o rancho agora — disse ela calmamente a Gabe.
Eles estavam sentados à mesa da cozinha depois de tomarem o café da manhã, o que se tornara um hábito nos dias anteriores. Gabe tinha uma cozinheira que preparava o café da manhã e o jantar e uma equipe que semanalmente fazia a limpeza e lavava as roupas. Ela supôs que ele normalmente pulava o almoço, mas sempre preparava um sanduíche ou algo simples perto do meio-dia.
Até o momento, ele não deixara que ela levantasse um dedo sequer para ajudar.
Chloe não podia dizer que todo o tempo fora desperdiçado. Ela estivera com Gabe todos os dias, discutindo cada um dos cavalos na fazenda, o pedigree deles, as técnicas de reprodução e os planos de Gabe. Não era um rancho de reprodução comercial, nem perto disso. Gabe fazia a reprodução dos melhores para diversas finalidades. Uma coisa que tornava o rancho único era que ele não precisava se preocupar em conseguir grandes lucros.
Quando o cara era um dos homens mais ricos do mundo, podia fazer alguma coisa só porque gostava dela. Ele podia sustentar a falta de lucro pelo tempo
necessário para reproduzir seus melhores cavalos com éguas fenomenais. Os cavalos de Gabe tinham alta demanda, mas ele era rigoroso ao decidir para quem os vendia.
Uma das coisas que ela passara a admirar em Gabe era que o rancho era a paixão dele, não o negócio.
— Não acho que você esteja pronta — disse ele em tom de teimosia.
Ela ouvira exatamente as mesmas palavras todas as manhãs nos cinco dias anteriores.
— Estou pronta. Eu me sinto melhor do que nunca e fui examinada ontem. O médico disse que posso retomar todas as atividades normais —
argumentou ela, adorando sua atitude protetora, mas também ressentindo-se um pouco. — Não posso mais ficar sentada, Gabe. Estou entediada. Tive muito trabalho para terminar a faculdade, que demorou dez anos. Não estou acostumada a ficar sem fazer nada nem gosto disso.
— Está começando a me dar ordens? — perguntou ele com um sorriso malicioso ao encontrar o olhar dela. O sotaque texano pareceu mais pronunciado.
Os olhos cor de jade brilharam divertidos e, como sempre, os cabelos dele tinham ondas naturais como se tivessem vida própria, fazendo com que fosse quase impossível resistir a ele.
Mas ela não capitularia desta vez.
— Acho que preciso — disse ela firmemente, sabendo que, se dependesse dele, ficaria dentro de casa durante semanas. — Olhe, estou bem.
Você sabe que estou bem. Deixe-me começar a fazer meu trabalho agora.
A sala de jantar ficou em silêncio enquanto Gabe parecia estar ponderando. Chloe percebeu a expressão contempladora dele. Ele era o patrão dela e tinha o direito de lhe dizer se queria ou não que trabalhasse.
Mas ela sabia que não era um jogo de poder para ele. Gabe estava genuinamente preocupado com ela.
— Está bem — disse ele finalmente com um acenar lento da cabeça. —
Mas não vamos andar pelo rancho de carro. Consegue cavalgar?
Chloe sorriu para ele. — É claro. — Ela crescera sobre um cavalo e participara de algumas corridas amadoras quando era adolescente. O amor que ela tinha pelos equinos fora sua motivação para fazer a residência adicional para se sentir confortável cuidando de cavalos. Aquele era exatamente o emprego que ela sempre quisera.
Aquele era o emprego dos sonhos dela. Chloe adorava cuidar de todos os animais, mas os cavalos eram sua paixão, como eram a paixão de Gabe. Ela assumira a posição na clínica para decidir o que realmente queria fazer e se cuidar dos cavalos da área, além de pequenos animais de estimação, seria suficiente. Trabalhar todos os dias com cavalos sem ter que sair de Rocky Springs era a oportunidade perfeita.
— Ok. Está pronta? — perguntou Gabe em tom um pouco infeliz.
Chloe saltou imediatamente da cadeira. — Sim!
— Não se preocupe em colocar botas agora. Vamos andar a cavalo.
Chloe correu para o quarto e calçou um par de tênis velhos, que já tinham visto muitos celeiros e estábulos. Gabe providenciara para que todos os seus pertences fossem levados para o rancho e ela guardara praticamente tudo, exceto as roupas. Não que tivesse muita coisa. Ela planejara comprar coisas novas quando comprasse uma casa. A maior parte do que tinha no momento era de coisas úteis ou sentimentais.
— Vista um casaco! — gritou Gabe do corredor.
Chloe sorriu. Não estava exatamente frio. O outono no Colorado era imprevisível, mas o clima estava incomumente quente. Ela tirou uma jaqueta leve do armário e vestiu-o, perguntando-se quando Gabe pararia de tratá-la como se fosse frágil como porcelana.
Eles se encontraram no corredor. Gabe acabara de sair do quarto dele, calçando botas de trabalho, com Chase logo atrás. Apesar das ordens que dera a ela, ele vestia uma camisa de flanela e calça jeans... sem casaco.
— Onde está o seu chapéu? — perguntou Chloe curiosa, percebendo que não vira Gabe usar o velho Stetson desde que chegara ali.
— Não tenho mais aquele chapéu — respondeu ele, parecendo desconfortável.
— Mas acho que você tem dinheiro para comprar um novo — brincou ela.
Ele deu de ombros. — Não seria a mesma coisa. Aquele era do meu pai.
Ele me deu. Eu o tinha desde que era criança.
Ela imediatamente abandonou qualquer ideia de brincadeira. — Sinto muito. Deve ter sido difícil perder algo tão especial. O que aconteceu?
Ela seguiu Gabe pela escada. Ele ficou em silêncio até chegar ao fim dos degraus. — Eu o perdi no potreiro onde estava um garanhão novo. Ele estava nervoso e pisoteou o chapéu até que só sobrassem fiapos.
— Você se machucou? — perguntou Chloe preocupada. Um garanhão nervoso e um homem não eram uma boa combinação.
— Não. Mas o chapéu não sobreviveu. — Ele sorriu para ela por sobre o ombro.
Ela sorriu apesar da tentativa de não achar o comentário dele divertido.
— Lamento muito mesmo. Dói perder algo que tem tanto valor sentimental. — Ei, eu sobrevivi. Papai já se foi há muito tempo. Talvez estivesse na hora de eu parar de tentar ser ele — respondeu Gabe em tom franco.
Chloe segurou o braço dele instintivamente, fazendo com que ele se virasse para encará-la. — Você estava tentando ser seu pai? — Chloe se lembrava do pai de Gabe, que fora um homem grande, sem medo de expressar suas opiniões em voz alta. Ele fora um homem muito extrovertido, que sabia contar piadas muito bem.
— Talvez estivesse. Eu me senti culpado por muito tempo por vender a maior parte dos negócios dele. Mas óleo e gado eram duas coisas que eu não sabia gerenciar bem.
Chloe sentiu o coração apertado ao ver a expressão tensa de Gabe. —
Você não precisa ser ninguém mais, Gabe. É muito bom do jeito que é.
O olhar dele encontrou o dela. Chloe sentiu vontade de se encolher quando ele a encarou. — Acha mesmo, linda? — perguntou ele com voz rouca.
Ela engoliu em seco, sentindo-se desconfortável com o olhar intenso dele. — Sim.
— Não sou tão agradável como ele era. E prefiro administrar um rancho de cavalos a continuar o legado dele.
— Você é quem é — respondeu Chloe ofegante quando Gabe a segurou contra a parede ao lado da porta. Infelizmente, ela gostava demais dele exatamente como era.
— Exatamente — respondeu Gabe ao colocar as mãos na parede nos dois lados do corpo dela. — Finalmente percebi isso quando joguei aquele chapéu velho no lixo. — Ele fez uma pausa e acrescentou: — O que você precisa jogar fora para descobrir quem é, Chloe Colter?
Ela percebeu o que ele perguntava, mas não tinha a resposta. — Não sei.
Eu me sinto diferente desde que terminei com James, mas demorará um pouco para descobrir o que realmente quero. Passei a maior parte da minha vida adulta tentando fazê-lo feliz e nunca consegui.
— Você não deveria ter que tentar, Chloe — disse Gabe. O hálito quente dele atingiu a bochecha dela quando ele se aproximou um pouco mais. — Só precisa ser você.
Ela queria perguntar o que ele queria dizer com aquilo. Mas, antes que pudesse dizer alguma coisa, o perfume masculino dele atacou seus sentidos.
Seu sexo se contraiu em uma reação física intensa como jamais sentira.
Ai, meu Deus. O cheiro dele é tão bom, é tão incrível.
Ela sabia que ele a beijaria e não fez um único movimento para detê-lo.
Na verdade, uma voz interna disse a ela para não lutar mais contra a atração que sentia por ele e deixar-se... sentir.
A boca de Gabe desceu sobre a dela de forma dominante, mas tão sensual que Chloe gemeu. Ela se abriu para ele quase imediatamente, saboreando o gosto da paixão no abraço dele. Ele a atacou como um homem possuído. A língua dele assumiu o controle de sua boca, explorando-a como se estivesse desesperado para sentir seu gosto.
Chloe era uma mulher de experiência limitada que tivera contato íntimo apenas com James. O que Gabe fazia com seu corpo naquele momento era tão diferente, tão provocante, que ela não conseguiu resistir. Ela nunca pensara em si mesma como uma mulher sensual e, na maior parte das vezes, odiava o sexo. James raramente exigira sexo no final do relacionamento, deixando claro que seu corpo acima do peso não o atraía.
As únicas vezes em que ele queria trepar comigo era para mostrar que estava no controle.
Todas as vezes, ela sentira dor de uma forma ou de outra e ficara convencida de que provavelmente passaria o resto da vida sem passar por isso de novo.
Acho que eu estava errada. Muito errada.
Ela sentiu os mamilos enrijecerem quando Gabe cobriu a distância entre os dois, encostando o corpo musculoso no dela. Ela se sentiu em chamas quando Gabe ergueu a cabeça e começou a traçar com os lábios um caminho de sensações de prazer pela pele sensível do pescoço dela.
Diferentemente do beijo que trocaram na véspera de Ano Novo, ela não se sentiu constrangida. Na verdade, nunca sentira algo que parecera tão certo.
Gabe não estava bêbado e sabia exatamente o que estava fazendo. Isso deixava a experiência muito mais satisfatória.
— Jesus, Chloe. Não aguento mais isso — rosnou ele contra a pele dela.
— Então pare. — A respiração dela estava ofegante e seu corpo estremeceu de desejo.
— Não consigo. Eu a quis desde o momento em que a vi depois que você voltou para casa.
Era excitante ouvir um homem admitir o quanto a desejava. E Chloe sabia que ele não estava brincando com ela. Conseguia sentir a intensidade do desejo dele, ao qual suas emoções e seu corpo respondiam. — Nunca me senti assim — admitiu ela, um tanto confusa pelo desejo de arrancar as roupas de Gabe.
Ele agarrou o rabo de cavalo dela e inclinou sua cabeça para trás para encará-la. — Nunca? — perguntou ele com voz rouca.
Ela balançou a cabeça negativamente, fascinada pelo olhar cheio de desejo dele. — Nunca — disse ela com a voz um pouco mais forte. — Foi gostoso quando você me beijou na véspera do Ano Novo, mas eu sabia que tinha bebido. E eu me senti culpada porque ainda estava com James. Aquela noite foi o momento em que percebi que não podia me casar com ele. Você tinha razão.
— Querida, eu não estava bêbado. Sabia exatamente o que estava fazendo, naquela noite e agora. E as coisas podem ficar melhores que isto —
respondeu ele. — Você ficou noiva por anos.
— Não era assim — confessou ela. — Doía e eu não gostava.
Constrangida por uma mulher com sua idade dizer a um homem como Gabe sobre a vida sexual miserável que tivera, ela correu os dedos pelos cabelos dele e puxou sua cabeça para baixo. Ele cobriu sua boca de novo para mais um beijo ardente.
Ele tirou as mãos da parede e envolveu o corpo dela, com os dedos encontrando a pele nua de suas costas sob o casaco e o pulôver.
Chloe estremeceu ao sentir os dedos dele movendo-se sobre seu corpo, como se ele estivesse tentando tocar cada centímetro de pele nua que conseguia encontrar.
O toque dele deixou todos os nervos dela sensíveis. O beijo dele foi implacável, deixando-a quase louca de desejo.
— Gabe — gemeu ela quando ele finalmente levantou a cabeça, sem saber exatamente o que estava pedindo.
As mãos dele pararam e ele puxou o corpo dela contra o seu com força.
— Preciso parar, Chloe. Se não parar agora, não vou mais conseguir
parar. — A voz dele estava baixa e cheia de arrependimento, com a respiração pesada.
Ela encostou a cabeça no peito dele, esperando que a respiração desacelerasse e o coração parasse de galopar como um cavalo de corrida. Foi quase uma dor física quando ele deu um passo atrás e afastou o corpo do dela.
— Não vou pedir desculpas por isto — disse Gabe com voz perigosa.
— Não peça — concordou ela depressa. — Não quero que se arrependa de algo assim. — Fora algo bom demais, real demais. Se ele dissesse que sentia muito, estragaria o momento. E isso foi outra revelação para ela. Chloe não se sentia culpada nem arrependida, como acontecera quando ele a beijara na véspera do Ano Novo.
De alguma forma, ela se sentia... liberta.
— Caralho, eu não me arrependo. Só detesto o fato de que não posso tentar seduzir você completamente. — Ele a encarou com uma expressão cheia de desejo.
— Por quê? — perguntou ela curiosa. Chloe não tinha certeza se estava pronta para um ataque completo de Gabe, mas perguntou-se por que ele hesitara se realmente a desejava.
— Você acabou de terminar o noivado com um escroto, teve um aborto espontâneo recentemente e é a irmã mais nova do meu melhor amigo. Acho que é motivo suficiente. Eu seria um imbecil completo se tentasse avançar. —
Ele hesitou antes de acrescentar: — Mas não acho que algum dia eu poderia me arrepender de tocar em você, Chloe. É gostoso demais.
Houve um silêncio completo enquanto eles se encaravam. O coração de Chloe ficou apertado ao olhar para Gabe. A vida pessoal dela fora um desastre. Ela julgara todos os homens e relacionamentos pelo único homem que conhecera intimamente. Nenhuma das preocupações de Gabe era válida, exceto que era cedo demais para que ela saltasse para dentro de uma fogueira emocional. O médico já lhe dera alta devido ao aborto espontâneo. Não era da conta de Blake nem de nenhum de seus irmãos com quem a irmã deles desejava ser íntima. Ainda assim, Gabe estava com receio de magoá-la ainda mais e isso a tocava mais do que qualquer um dos outros motivos dele.
— Não é da conta de Blake o que faço e estou perfeitamente bem fisicamente. Mas, emocionalmente, estou um desastre, Gabe. Estou
trabalhando para me organizar, mas você não precisa disso na sua vida —
disse Chloe em tom triste.
Ele balançou a cabeça negativamente devagar, pensativo. — Você ficará bem, Chloe. Você é forte.