Bilionário Sem Limites: Chloe

J. S. Scott · Capítulo 15 de 21

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Bilionário Sem Limites: Chloe

Capítulo 14

Ele passou a noite inteira em negação com uma garrafa de uísque, perguntando-se se a aceitação chegaria algum dia.

 

Gabe se forçou a ir até o escritório de Chloe na manhã seguinte, apesar de estar com os olhos vermelhos e com uma ressaca enorme. Se houvesse alguma coisa pendente no escritório dela, ele teria que resolver.

Bem, pelo menos, foi o que ele disse a si mesmo.

Enfrente: só o que quer é ver se sente a presença dela lá, se o perfume dela ainda está na sala.

Sim, ele era um idiota, mas alguma coisa dentro dele não podia simplesmente deixar a situação de lado. Como adulta, Chloe tinha que fazer escolhas, mas Gabe achava cada vez mais difícil aceitar a decisão dela.

Ela não o queria.

Ele balançou a cabeça ao colocar a chave na porta do escritório dela, sentindo-se ridículo. Ela dissera desde o início que o relacionamento deles seria temporário e não dissera nada ao contrário. Era ele que queria mais. Era ele que sentia que não podia viver sem ela. Era ele que nunca conseguiria esquecê-la. Merda, ela já estava com o ex de novo e provavelmente nem pensara duas vezes nele.

Gabe ficou atônito ao entrar no escritório e encontrar uma bagunça completa. Chloe era rígida sobre documentos, mas os papéis estavam espalhados por todo lado. Um notebook estava no chão, como se tivesse sido jogado lá sem cuidado, a julgar pela distância que estava da mesa.

O escritório não era grande, mas tinha salas adicionais para o trabalho de laboratório e a análise de dados. A sala onde ela trabalhava tinha vários armários, uma mesa, uma cadeira e montanhas de papéis.

Parecia que os papéis tinham caído quando o notebook fora jogado da mesa, com as folhas espalhadas no chão. Um papel chamou a atenção dele, destacando-se dos demais por ser manuscrito.

Gabe pegou o papel e olhou para o que estava escrito. A fúria invadiu o corpo dele ao ler as palavras. Não estava assinado, mas ele sabia que o bilhete era de James.

Pegando o notebook, ele notou um pendrive pequeno conectado. Ele se sentou na cadeira de Chloe, tão furioso que mal se deu um momento para notar que o perfume sutil dela ainda emanava do tecido.

Colocando o notebook cuidadosamente sobre a mesa, ele o ligou, torcendo para que ainda funcionasse.

O coração dele bateu mais depressa quando o computador começou a mostrar as marcas registradas familiares, sinalizando que ainda estava operacional.

— Vamos. Vamos. — A voz dele era impaciente.

Ele encontrou o arquivo rapidamente assim que a tela da área de trabalho apareceu e clicou nele. Gabe prendeu a respiração para ver que sujeira James achava que tinha sobre a família Colter, informações que tinham sido poderosas o suficiente para forçar Chloe a voltar para suas garras.

Ele arregalou os olhos e sentiu os cabelos da nuca arrepiarem ao olhar para o que parecia ser um vídeo.

Não demorou muito para que ele identificasse as pessoas.

O filme era tão doloroso que ele queria afastar o olhar, mas forçou-se a assistir enquanto James fodia a mulher que Gabe amava. James a machucava.

Ela estava de bruços e tinha o corpo amarrado à cama enquanto o imbecil tinha um sorriso maligno no rosto. Ele enfiava o pau no traseiro de Chloe repetidamente. Os gritos de dor e as súplicas dela para que ele parasse destroçaram o coração de Gabe. Ele sentiu as entranhas se contorcerem quando viu James se virar diretamente para uma câmera oculta e sorrir. O

filho da puta estava gostando da dor que Chloe sentia.

Pela primeira vez desde que o pai falecera, Gabe sentiu lágrimas de raiva, pesar e angústia começarem a escorrer pelo rosto. Ele não as limpou.

Não dava a mínima se estava chorando. A dor excruciante de assistir à mulher que era seu mundo sendo machucada e passando uma vergonha inegável por um imbecil sem coração deixou Gabe dilacerado. Ele não teria

se importado nem um pouco se o mundo inteiro estivesse vendo-o naquele momento. A única coisa em que conseguia pensar era sua Chloe.

Por mais que quisesse afastar o olhar e negar tudo aquilo, ele não podia.

Chloe passara por aquilo e ele não podia mudar a história. Mas, por Deus, ele podia ser homem o suficiente para assistir e entender exatamente o que acontecera com ela, mesmo que isso o estivesse dilacerando. Como fora para ela passar por algo tão doloroso, tão vil, tão humilhante e tão destrutivo?

— Eu sinto tanto, querida. Eu sinto tanto — disse Gabe em voz alta, odiando-se por acreditar por um segundo sequer que sua doce Chloe fosse burra o suficiente para voltar para James sem motivo.

Ele forçou os olhos a permanecerem na tela, a continuar assistindo.

Havia uma narração e o rosto de Gabe ficou vermelho de raiva ao ouvir James explicando como Chloe adorava ser fodida no cu e como gostava de fingir que isso a machucava. Ele a chamou de “sua vadia pervertida” e explicou como ela estaria satisfeita quando tudo terminasse.

Gabe sentiu vontade de enfiar a mão na tela e estrangular o sádico filho da puta até que estivesse morto, de torturá-lo como ele estava torturando Chloe.

Com a respiração pesada e o corpo inteiro trêmulo de fúria, Gabe se forçou a assistir ao filme inteiro, vinte minutos da vida dele sobre os quais nunca pararia de ter pesadelos. Ele nunca se esqueceria da voz de Chloe implorando a James que parasse, dizendo que ele a estava machucando. Os gritos cheios de terror e agonia pairaram no ar quando o ex-noivo dela sorriu e continuou a penetrá-la com tanta força que era insano.

Não é de espantar que ela tenha dito que sexo anal dói. O filho da puta a estuprou.

Gabe se sentiu enjoado por tê-la tocado lá. Ela era muito apertada e não era surpresa que gritasse de terror e dor no vídeo.

Ela estava genuinamente aterrorizada e sentindo muita dor.

Gabe se encolheu quando Chloe virou a cabeça no vídeo. Os olhos dela estavam arregalados de terror e desespero, o rosto molhado de lágrimas, o corpo lutando para se soltar das cordas que a mantinham em uma posição que permitia que fosse torturada e violada.

— Ai, Jesus, não consigo fazer isso — rosnou ele, mas fechou os punhos sobre a mesa e esperou.

Finalmente, tudo terminou. Chloe ficou deitada imóvel e sangrando

 

sobre a cama enquanto James explicava como a noiva dele gostava de sexo pervertido e como ele fazia o possível para satisfazer seus desejos.

A voz do filho da puta sumiu e Gabe fechou o notebook com força.

Levantando-se da cadeira, ele foi até o banheiro pequeno, caiu de joelhos e vomitou até que não sobrasse nada dentro dele além da dor.

Sem se dar muito tempo para sentir, ele se limpou e voltou para o escritório, recolhendo o bilhete de James, o pendrive e o notebook de Chloe.

Ela quisera que ele o encontrasse ou esquecera na pressa de partir? Gabe duvidava que ela quisesse que ele soubesse. Obviamente, ela não quisera que ninguém soubesse.

— Puta merda, Chloe. Você não precisa se sacrificar pela sua família.

Eles não iam querer — sussurrou ele, sabendo agora que tudo o que ela dissera a ele na noite anterior fora uma mentira.

Ela não queria ficar com James.

Ele a ameaçara com filmes pornô de vingança caso não cooperasse.

Filmes em que James fazia o espectador acreditar que Chloe adorara cada minuto do estupro. Provavelmente era a coisa mais nojenta que ele conseguia imaginar que um homem podia fazer com uma mulher... além de estuprá-la para fazer filmes de baixa categoria.

Sua Chloe estivera assustada, com medo de que as pessoas acreditassem no que estavam vendo.

Sim, isso destruiria a vida dela e iniciaria um escândalo para os Colters, mas James estava mexendo com a família errada.

Nem uma única pessoa veria aquele vídeo de novo. Ele encontraria o original e destruiria o que acabara de ver. O vídeo nunca mais veria a luz do dia, mas Gabe sabia que as cenas o assombrariam pelo resto da vida.

Ele trancou o escritório e andou em direção à casa com o equipamento de Chloe, tirando o celular do bolso.

— Vamos nos casar hoje — informou James a Chloe em tom casual. —

Vista-se bem.

Chloe usara cada minuto em que estivera na casa de James para tentar encontrar o dispositivo que tinha o vídeo original. Infelizmente, ele raramente a deixava sozinha. Ela vasculhara apressadamente cada local que conseguira

enquanto ele tomara banho e vestira o terno que ostentava naquele momento, mas não encontrara nada.

Ela passara a noite inteira dentro da caminhonete chorando e tentando achar uma forma de não precisar se entregar a James. Com os olhos vermelhos e sentindo-se derrotada, ela aparecera na porta da casa dele cedo naquela manhã, sabendo que a única esperança era procurar o vídeo original que ele gravara sem o conhecimento dela.

Meu Deus, ela lembrou daquelas noites nos vídeos. Tinham sido as piores experiências da vida dela. Ter que viver tudo de novo fizera com que o medo voltasse, deixando-a fisicamente mal.

— Não tenho um vestido — disse ela apressada. — E não estou pronta para me casar com você. Nem temos uma licença.

— Teremos. Não precisamos de exames de sangue e obteremos a licença de casamento imediatamente. Já marquei com um juiz para nos casar esta tarde.

Chloe olhou para ele por cima da mesa da cozinha e sentiu vontade de dar um tapa na expressão nojenta dele. — Você tinha bastante certeza do que eu faria — disse ela em tom casual.

Ele deu de ombros. — É claro. Sua fraqueza sempre foi sua família. A reverenciada família Colter não tem manchas. É por isso que seu irmão é tão bem cotado para a próxima eleição no senado.

Chloe quis dizer a ele que Blake era bem cotado porque era um senador incrivelmente bom, mas ficou em silêncio. Ela não queria nem mesmo que o nome do irmão fosse dito por alguém tão nojento como James. Os dois homens não tinham nenhuma similaridade.

— Use o vestido que a deixa gorda, aquele do Ano Novo — disse James.

— Se é só o que tem, vou tentar não prestar atenção.

Filho da puta arrogante! — Ninguém estará lá. Que diferença faz?

Tenho jeans e é só o que você terá.

Ele ergueu as sobrancelhas. — Discutindo comigo de novo, Chloe? —

Ele se levantou e andou calmamente até ela. Em seguida, levantou-a com tanta força que ela quase caiu. — Não faça isso. Não me faça machucar você

— ordenou ele furioso.

— Nunca fiz você fazer isso. Você fez porque queria. Só o que eu queria era que você fosse feliz quando estávamos juntos. Trabalhei feito louca e virei do avesso para deixar tudo melhor para você. Mas nunca era suficiente

— respondeu ela em tom hostil. Ela estava muito cansada de receber o que James queria dar, que era sempre dor e críticas.

— Você fez por merecer — respondeu ele, agarrando brutalmente os braços dela.

— Não vou mais jogar este jogo com você — disse Chloe furiosa. Ela levantou o joelho com força contra a virilha dele, forçando-o a soltá-la.

Imediatamente, ela jogou o braço para a frente e deixou que o punho fechado batesse no nariz dele com a maior força possível, incentivada pela raiva.

Ele gritou como um garotinho, caindo sentado no chão caro sob os pés dela. Ela observou, balançando a mão por causa da dor que sentira ao quebrar o nariz dele.

Havia uma certa satisfação em saber que ela podia lutar para se proteger. Podia não ser especialista, mas não precisava ser. Lara lhe ensinara cada técnica de luta suja que sabia para deixar um homem maior de joelhos.

Acho que ela tinha razão!

Ela observou sem emoção alguma enquanto ele choramingava, com uma mão na virilha e outra no nariz.

— Sua piranha imbecil. Você quebrou o meu nariz — gemeu ele.

Ótimo. — Quer que eu leve você a um médico? — Ela não conseguiu conter as palavras sarcásticas.

— Eu sou médico — retrucou ele furioso. — Você não vai se safar dessa

— avisou ele em tom ameaçador.

— Vou tentar dar uma surra em você sempre que tocar em mim —

respondeu Chloe com o mesmo rancor dele. — Posso ser forçada a proteger a minha família, mas você não é nada para mim.

Ela cruzou os braços enquanto observava o esforço dele para se levantar.

Chloe nem mesmo estendeu a mão. Ela não tinha mais a menor empatia por ele. Era um sociopata até a alma. Não havia qualidades a serem redimidas nele. E provavelmente nunca houvera.

Antes, ela fora uma tola.

Agora, ela era prisioneira de um tolo até que conseguisse descobrir onde ele, o homem que alegava que a amava — seu estuprador — colocara o vídeo original da violação dela.

A cena mais longa, em que ele a torturava com sexo anal brutal, acontecera logo depois que ela voltara para Rocky Springs. Ele pedira desculpas quando ela o confrontara sobre aquele comportamento e dissera que às vezes gostava de sexo daquele jeito, mas que nunca mais aconteceria.

Tolamente, ela deixara o assunto de lado. James fora contrito e ela fora uma idiota completa. A última cena, quando James a segurara entre protestos dela de que não queria fazer sexo com ele, fora a última vez em que tiveram relações íntimas. Fora no período fértil dela e resultara na gravidez. Ela não contara a ele que conseguira engravidá-la. E nunca contaria. Chloe se recusava a fazer qualquer coisa que desse a ele alguma satisfação, a não ser que fosse necessário.

— Vá se vestir. Use a merda que quiser, mas vamos nos casar, a não ser que queira ser a vagabunda mais assistida da internet na história. — Ele cambaleou até a pia e pegou algumas toalhas de papel para colocar sobre o nariz que sangrava.

Ela deixou o insulto passar. Nada do que ele disse sobre ela poderia magoá-la.

Chloe andou até onde estavam suas malas com um sorriso leve e triste no rosto. Bater nele fora uma das coisas mais satisfatórias que já fizera, mas ela sentia tanta falta de Gabe que seu coração doía.

E, principalmente, ela se odiava por mentir para Gabe. Fora a coisa mais difícil que fizera. Mas ela se metera naquela confusão e teria que lidar com o desastre. Chloe não queria que ninguém fosse prejudicado pelas escolhas idiotas dela. Só esperava ter sorte e poder manter a família segura encontrando o vídeo original. Tinha que estar em um computador... mas onde?

Ela pegou a calça jeans confortável mais velha que tinha, rasgada nos joelhos, e uma camiseta verde fluorescente horrorosa. Sem dizer mais uma palavra a James, ela foi tomar um banho, trancando a porta do banheiro atrás de si.