Bilionário Sem Limites: Chloe
Capítulo 2
Era hora de interromper o ciclo, hora de finalmente assumir o controle de sua vida pessoal, não importava o resultado de sua decisão. James poderia ficar furioso agora, mas os dois seriam mais felizes no futuro.
Com a decisão firmemente tomada, Chloe foi trabalhar, tentando não sofrer com o encontro com James.
—N ão posso me casar com você — disse Chloe no jantar na noite seguinte. Ela não esperara para começar a comer no restaurante da família em Rocky Springs. Na verdade, ela nem recebera ainda a bebida que pedira.
Agora que ela conseguira reunir coragem para falar com James, não pretendia recuar. Ela queria terminar a tarefa de dizer a ele que estava tudo terminado assim que possível.
Ela viu quando James a olhou com uma surpresa desagradável. Os olhos dele se estreitaram quando ele a encarou com uma daquelas expressões irritadas que ela passara a conhecer tão bem.
— É claro que você vai casar comigo — disse ele com voz calma, mas ela percebeu a ameaça no tom baixo.
Ela balançou a cabeça negativamente ao encontrar seu olhar irritado.
Brincando com o guardanapo no colo, ela respondeu: — Não posso. Não estou feliz, James, nem você. Tenho certeza de que você encontrará uma mulher que lhe agrade, mas não sou essa mulher.
Verdade seja dita, ele não parecia gostar de nada nela, exceto o fato de ser rica e muito bem relacionada desde que voltara a Rocky Springs. Ele sempre fora assim? Ou ela simplesmente passara a maior parte do relacionamento em negação porque eles raramente se encontravam?
Fui realmente tão ridícula que acreditei que nenhum outro homem me amaria e que teria que aceitar o que tinha?
Naquele momento, ela não tinha certeza de por que permanecera por tanto tempo naquele relacionamento, mas Natalie a ajudara a avançar desde o
começo. James não seria o futuro dela.
A fúria surgiu brevemente na expressão dele ao dizer em tom firme: —
Você vai se casar comigo, Chloe. Estivemos planejando nos casar durante anos. Aceitei todas as suas falhas, mas o seu julgamento neste momento me deixou confuso. Quem mais amará você?
O comentário dele a atingiu, mas Chloe tentou não demonstrar. Ele tentava argumentar com ela, fazer com que achasse que nenhum outro homem gostaria dela porque não era a mulher ideal. Mesmo se isso fosse verdade, ela estaria melhor sozinha do que com alguém que a tratava como se tivesse sorte de tê-la aceitado em casamento. Isso transformaria a vida dela em um inferno. Bem no fundo, talvez ela não achasse que alguém a quisesse, mas estaria melhor sozinha do que com alguém que só a desmerecia, certo?
— Não importa se eu nunca encontrar outra pessoa. Não quero me casar com você — repetiu Chloe.
— Você não encontrará mais ninguém — disse James em tom arrogante.
— Nenhum homem vai querer você, Chloe. Você se veste como uma mulher pobre, não faz nada para melhorar a sua aparência e prefere ficar com seus animais fedidos. Você até mesmo fede como seus pacientes na maior parte do tempo.
Ela se encolheu ligeiramente ao ouvir as palavras dele, sabendo que a maioria delas era verdadeira. Ela nunca gostara da vida de garota rica e participava de pouquíssimos encontros sociais, a não ser que fossem de caridade. Ela realmente fedia a animais no fim de um dia de trabalho, mas a aparência dela não importava para seus pacientes. Na verdade, ela gostava de estar com os animais. Eles davam amor incondicional.
— Acabou, James — repetiu ela, torcendo para que ele finalmente desistisse.
— Não acabou, Chloe. Nunca acabará. Escolhi você apesar de poder ter praticamente qualquer mulher que eu queira. — A voz dele estava ficando mais alta e mais furiosa.
Ela olhou para James, elegante com o terno e a gravata. Ele era bonito e era médico. Com um físico alto e esguio, cabelos escuros e olhos azuis, a maioria das mulheres o acharia atraente. Infelizmente, a conexão pessoal dela com ele, se era que um dia existira, acabara. Ela nunca parecia fazer nada certo aos olhos dele e, quanto mais entendia o relacionamento, mais sabia como ele precisava ser controlador. Alguns dos confrontos tinham terminado
com resultados terríveis, com James provando que tinha controle completo das formas mais hediondas.
Ele fez lavagem cerebral suficiente em mim. Acabou. Eu seria como um hamster girando em uma roda sem chegar a lugar algum com ele. Não aguento mais.
Chloe engoliu em seco, reconhecendo o tom de inimizade na voz dele.
Aquilo normalmente significava que ela pagaria mais tarde pelo que estava dizendo. — A-ca-bou — disse ela.
Obrigada, Lara e Natalie. Obrigada por me darem coragem para sair deste relacionamento e por me fazerem perceber como fui idiota em não notar que não poderia me casar com alguém como ele.
Chloe não podia dizer que ganhara muita autoconfiança ainda, mas conhecer Lara, que virara sua confidente, ajudara muito. Natalie consolidara tudo com suas percepções e apoio. Chloe estava em um ciclo de abuso e ia sair daquele ciclo sem fim, não importava o quanto fosse difícil.
— Nós crescemos — disse ela baixinho. — Não somos mais a pessoa certa um para o outro.
Sinceramente, talvez nunca tivessem sido certos um para o outro, mas Chloe fora jovem e ingênua quando conhecera James e continuara ignorante sobre o que era normal durante anos. Ela estivera tão concentrada na intensidade dos estudos que estivera mentalmente exaurida demais para questionar qualquer coisa que James enfiara em seu cérebro. Ela aceitara tudo como verdade e agora estava pagando pela falta de atenção ao relacionamento, deixando que ele minasse sua confiança.
— Você vai para casa comigo e conversaremos sobre o assunto lá —
disse James impacientemente.
Chloe abriu a boca para falar, mas parou quando a garçonete se aproximou para entregar as bebidas. Ela era uma loira bonita e Chloe ficou atônita ao ver como o comportamento de James mudou para o de um homem charmoso que praticamente flertou com a garota.
Chloe suspirou ao observar a garota colocar o daiquiri de morango em frente a ela com um sorriso gentil. Chloe sorriu de volta ao segurar o canudo e começar a mexer o creme da bebida.
James também direcionara o charme a Chloe em uma época. Mas aqueles dias tinham acabado havia muito tempo. Ele parecia mudar de personalidade
como mudava de roupa. Ela reconheceu o sorriso e o charme pelo que realmente eram... nada mais do que uma encenação.
A afeição dele por ela algum dia fora sincera?
A garçonete foi embora e a expressão dele imediatamente mudou para desaprovação ao encará-la.
Eu sei agora o que esse olhar significa. Se ela fosse para casa com ele, não discutiriam nada de forma racional. Ele descontaria a fúria causando dor.
— Não vou para casa com você. Para mim, acabou — respondeu ela em tom casual, apesar de sentir um frio na barriga.
Chloe raramente ia para casa com James e podia contar nos dedos de uma mão o número de vezes em que fizeram sexo desde que ela voltara para Rocky Springs. Na verdade, ela odiava aqueles encontros porque sexo, para James, era apenas uma forma de puni-la, de demonstrar controle. Ela evitara o máximo possível e, ultimamente, recusava-se a ficar sozinha com ele.
Depois da última punição dele, ela não lhe dera a chance de forçá-la novamente a fazer sexo.
Tomando um longo gole da bebida, ela observou James de forma discreta, assustando-se quando a mão dele passou por cima da mesa tão depressa que não teve tempo de reagir. Passando os longos dedos em volta do pulso dela, ele a apertou. Chloe se encolheu, sabendo que aquele gesto poderia parecer romântico à distância, mas era uma ação destinada a causar dor... o que aconteceu. A mão dele a apertou tanto que ela teve medo de que os ossos do pulso se quebrassem.
— Gastei todo esse tempo com você, Chloe. Acha mesmo que vou deixá-la ir? Quero todas as coisas a que tenho direito — disse ele furioso. — Quero os carros sobre os quais conversamos e a casa. Quero construir minha carreira e ser o médico mais popular do condado. Mereço isso depois de todo o tempo que investi em você.
James queria muitos brinquedos, coisas caras que somente o dinheiro dela poderia comprar. Em um certo momento, ela estivera disposta a dividir tudo com ele, pois seria seu marido. — Desculpe — disse ela automaticamente para fazer a dor parar.
— Então pare com esse papo de terminar — insistiu James, apertando-a ainda mais de forma cruel. — Pare com isso agora.
As lágrimas começaram a se formar nos olhos de Chloe por causa da dor.
— Não posso — disse ela, olhando para ele com expressão de súplica. —
Não vou me casar com você.
Ela tentou soltar o braço, lutando com ele. — Você está me machucando.
— Vai doer ainda mais quando voltarmos para casa — disse James, mantendo a mão em volta do pulso dela. — Pare de fazer cena, Chloe.
Ela puxou o braço, sem se importar mais se as pessoas notariam. —
Solte-me. — Pela primeira vez, ela sentiu uma raiva real, ódio pelo homem que achou que um dia amara.
Não mereço isto. Nenhuma mulher merece.
— Não vou parar até que você pare de agir como uma puta idiota —
respondeu James. A voz dele ficou mais alta, o rosto ficou vermelho de irritação e a expressão ficou violenta.
Chloe considerou gritar quando um braço, que pareceu ter saído do nada, instantaneamente fez com que James a soltasse. Ela soltou uma exclamação quando ele a soltou e gritou ao puxar o braço com dor.
Ela olhou para seu salvador.
Gabe.
Ela respirava depressa, com o coração disparado, ao esfregar gentilmente o pulso dolorido, tentando recuperar a circulação para a mão.
— Quando uma mulher lhe pede para soltá-la, você a solta — disse Gabe a James em tom exasperado. — Você está bem, Chloe?
Ela olhou para Gabe com os olhos cheios de pânico. — Sim, estou bem.
James ainda segurava o braço depois que Gabe o torcera de forma brutal para forçá-lo a soltar Chloe.
Gabe empurrou o chapéu Stetson preto para cima com o dedo indicador, revelando a raiva nos olhos ardentes. — Ótimo. Esperarei você na minha caminhonete — disse ele calmamente, com a ira ainda voltada diretamente para James.
O corpo de Chloe relaxou quando ela começou a sentir a mão novamente. Ela queria obedecer, fugir do restaurante como uma gazela assustada com um predador logo atrás, mas não queria envolver Gabe em seus problemas. — Venha comigo — pediu ela. — Não estou me sentindo bem. Quero ir para casa. — Ela se levantou e estendeu a mão para ele.
Gabe hesitou ao olhar para James como se o médico fosse uma barata que gostaria de esmagar. Em seguida, ele olhou para Chloe e segurou a mão estendida dela. — Primeiro você, não importa o quanto eu queira acabar com a raça dele agora — disse ele para Chloe. — Vamos.
— Isso não acabou, Chloe — sibilou James quando Gabe começou a levá-la para fora do restaurante.
Gabe se virou. — Acabou — garantiu ele a James, dando ao homem sentado um olhar mortal. Em seguida, ele gentilmente conduziu Chloe consigo para fora do restaurante.
Chloe o seguiu, sem se sentir afetada pela expressão violenta nos olhos de Gabe. Diferentemente de James, ela sabia que Gabe nunca a machucaria, mesmo se estivesse furioso.
— Que merda foi aquela? — Gabe abriu a porta da caminhonete quando chegaram ao estacionamento.
Chloe segurou a maçaneta do lado de dentro da porta e colocou o pé no estribo para subir para o assento do veículo enorme.
Gabe a impediu, segurando gentilmente o braço dela e passando-o em volta do próprio pescoço. Em seguida, ergueu-a e colocou-a sobre o assento como se ela não pesasse quase nada.
— Eu estava terminando nosso noivado — disse ela com sinceridade, achando que ele merecia saber, pois a ajudara. Ele provavelmente imaginara o que acontecera pelos poucos comentários que ouvira sendo trocados entre ela e James.
Ela não conseguiu ver o rosto dele. Gabe ainda estava parado do lado de fora do veículo e a luz interna não chegava ao seu rosto.
— Graças a Deus! — respondeu ele em tom aliviado. — Deixe-me ver seu braço.
O toque dele foi gentil ao apoiar o braço dela em uma mão e apalpar devagar o pulso com a outra. — Você já tinha algumas marcas antigas. — A voz de Gabe vibrou de fúria.
Chloe sabia que teria marcas novas na manhã seguinte. As anteriores eram quase imperceptíveis e ela não usara uma camiseta com mangas longas.
— Elas desaparecerão.
— Elas não deveriam estar lá, para começo de conversa — resmungou Gabe. — Que merda, Chloe, isso aconteceu antes?
Chloe suspirou. Aquilo acontecera mais vezes do que ela podia contar.
Sinceramente, a dor física desaparecera, mas a tortura mental era muito mais difícil de superar.
Ela ficou em silêncio quando Gabe soltou seu braço e afivelou o cinto de segurança. Ele fechou a porta com cuidado e foi para o lado do motorista.
A escuridão invadiu o interior do veículo quando ele se sentou e fechou a porta. Ele não fez movimento nenhum para ligar o veículo. Estava tudo tão quieto que Chloe conseguiu ouvir a respiração irregular dele.
Finalmente, ele falou. — Quero saber o que aconteceu, Chloe. Eu gostaria de saber de tudo. Não posso ajudar você se não souber de tudo o que aconteceu.
As lágrimas brotaram nos olhos dela ao ouvir a preocupação na voz de Gabe. — É uma longa história — avisou ela, querendo realmente contar a Gabe toda a confusão e a dor que sentia.
— Você tem irmãos que a teriam protegido, amigos como eu que a teriam protegido. Você não depende dele para nada. Quero entender o motivo. — A voz dele era uma mistura de confusão e agitação.
— Eu sei. Não tenho certeza se consigo realmente explicar — disse Chloe chorosa.
— Ei, não estou culpando você — explicou Gabe gentilmente. — Só quero entender.
O interesse sincero dele fez com que Chloe cedesse. — Então somos dois
— respondeu ela com um soluço estrangulado.
Gabe referira a si mesmo como amigo dela, apesar de Chloe ter feito todo o possível para evitá-lo ou afastá-lo desde que ele a beijara na noite de Ano Novo.
— Vamos entender, Chloe. Prometo — disse Gabe com a voz rouca. Ele estendeu a mão para segurar a dela na escuridão. — Só me prometa que nunca voltará para ele.
O coração dela deu um salto quando ele segurou sua mão gentilmente e entrelaçou os dedos nos seus. Era uma promessa fácil de fazer. Ela chegara longe o suficiente para que nunca mais voltasse. — Prometo.
Gabe ligou o veículo. — No momento, é a única coisa que realmente preciso ouvir.
O alívio e a sinceridade na voz dele fizeram com que Chloe começasse a chorar, sem perceber como era bom ter alguém que se importava. Sem dúvida, os irmãos desejariam matar qualquer um que lhe causasse dor, mas a preocupação parecia diferente vinda de um homem que não era parente dela.
— Você é um homem bom — disse Chloe, percebendo que era verdade no momento em que disse aquilo em voz alta.
— Não sou perfeito, mas sou um homem muito melhor do que aquele
que você acabou de deixar — respondeu Gabe com a voz irritada.