Bilionário Sem Limites: Chloe
Capítulo 4
Gabe Walker tinha medo de pouquíssimas coisas na vida.
Aquele dia era uma exceção.
Chloe telefonara para dizer que aceitaria a posição como veterinária residente do Walker’s Ranch que ele oferecera mais de duas semanas antes.
Agora, ele esperava a chegada dela, sentindo-se como um adolescente excitado novamente esperando para encontrar a namorada. Não era algo confortável para um homem da idade dele e, sendo bem sincero, isso o deixava muito nervoso.
Chloe já conversara com os sócios na cidade, que concordaram em deixá-la assumir o emprego no rancho. Ela pedira o aviso prévio quase imediatamente. Ele não estava surpreso. Todos os veterinários da Clínica Animal de Rocky Springs eram pessoas bacanas. Estavam se saindo muito bem antes de Chloe se juntar ao grupo e continuariam a se sair bem sem ela.
Eu preciso dela mais do que vocês.
Ele se sentou na cadeira confortável na sala de áudio e vídeo, comendo distraído as balas de uma tigela que estava sempre presente naquele aposento, que tomava a maior parte do primeiro andar da casa. Gabe quisera uma estrutura de alta tecnologia para que pudesse observar todas as áreas principais do rancho e provavelmente tinha mais equipamentos do que precisava. Ele conseguia ver todas as áreas onde estavam os potros, as pastagens e a maioria dos celeiros, o que era útil quando as éguas estavam prontas para entrar no cio.
Felizmente, isso não aconteceria nos próximos meses e a expectativa era de que fosse somente no começo da primavera. Ele também tinha várias câmeras que mostravam os veículos que se deslocavam em direção à sua propriedade, o que o deixava preparado para entregas e pessoas que queriam ver os cavalos ou perguntar sobre aulas. Era nessa câmera em que o foco intenso dele estava concentrado no momento.
E se ela desistir?
E se ela mudar de ideia e não aparecer?
Gabe disse a si mesmo para deixar que Chloe tivesse tempo para organizar os pensamentos depois que James a prejudicara tanto. Não era uma coisa fácil de fazer quando ele ficava de pau duro sempre que ela surgia, mas Gabe se importava com mais coisas do que apenas levar Chloe para a cama.
Ele queria que ela fosse feliz de novo.
Colter era o ideal dele, a mulher que tinha tudo o que Gabe queria: a aparência, a inteligência, a doçura que às vezes ficava um pouco azeda quando ela se irritava com ele e um corpo cheio de curvas que encaixaria com perfeição contra seu corpo largo. Ele ainda se sentia desolado sempre que lembrava do comentário dela na véspera de Ano Novo, ao dizer que era gorda. Chloe Colter, para ele, era o mais próximo que uma mulher conseguiria chegar da perfeição.
Desde que a vira após a volta definitiva para Rocky Springs, seu pau estava louco para ser enterrado nela. O problema era que ela era irmã de seu melhor amigo e já estava comprometida, noiva do maior escroto da cidade.
Ele cerrou os pulsos sobre a mesa ao se lembrar das confissões de Chloe, apesar de ter quase certeza de que ela não contara tudo.
Eu adoraria matar o imbecil.
Que tipo de covarde machucaria uma mulher inocente, tratando-a como se fosse lixo?
Chloe merece alguém muito, mas muito melhor que isso.
Infelizmente, Gabe sabia que aquele homem não podia ser ele.
Blake provavelmente tentaria lhe dar uma surra se começasse a se meter com sua irmã mais nova. E a amizade com Blake era importante. Eles se conheciam desde a infância e o pai de Gabe ainda o levara a Rocky Springs praticamente todos os verões enquanto ele era adolescente, mesmo depois que o pai de Blake fora assassinado. Os pais dele e os de Blake tinham sido amigos e os dois adolescentes tinham desenvolvido uma amizade muito
próxima durante os anos da adolescência depois que ele perdera a mãe. Blake sempre fora o amigo com quem Gabe pudera contar e estivera presente quando Gabe perdera o pai logo depois de terminar a faculdade, o que o deixara essencialmente sozinho no Texas. Gabe ainda tinha amigos no Texas e primos espalhados pelo país, mas ninguém cuja amizade ele valorizava mais do que a de Blake.
Quando a propriedade ao lado do rancho de gado de Blake fora colocada à venda, Gabe não hesitara. Ele liquidara todos os negócios no Texas para se mudar para o Colorado e começar de novo. Era algo de que precisara depois de perder o pai e a mãe.
O pai dele fora um ícone no Texas e Gabe nunca conseguira ocupar seu lugar. Não era que não quisera seguir os passos do pai, mas nunca conseguiria ser o homem que o pai fora.
Gabe estivera no processo de fechar o negócio do rancho no Colorado e resolver os negócios no Texas quando Chloe fora embora para a faculdade.
Gabe não a encontrara depois disso, nem mesmo nas raras ocasiões em que ela voltara para casa nas férias estudantis.
Vê-la novamente, agora adulta, fora um choque. Ele se lembrava dela como uma garota. Ela voltara para Rocky Springs como uma mulher linda, inteligente e sexy.
Nem pense nisso, Walker. Você é o melhor amigo de Blake. Ajude Chloe nessa experiência difícil e deixe de ser tarado.
Obviamente, o amigo desejaria que Gabe cuidasse de Chloe, já que Blake estava em Washington até que o recesso de férias do Congresso iniciasse... pelo menos, era o que ele dizia a si mesmo. Mas ele não achava que cuidar da irmã de Blake incluiria ir para a cama com ela até que não conseguissem caminhar, o que era exatamente o que queria fazer sempre que a via.
Não é apenas sexual. Eu gosto dela... eu mais do que gosto dela.
Houvera pouquíssimas mulheres em sua vida que não tinham querido alguma coisa de um relacionamento com ele e fora sempre alguma coisa material. Parecia um tanto estranho lidar com uma mulher que era tão rica quanto ele e que não precisava de nada material dele.
Ele sorriu e seu coração acelerou ao ver a caminhonete vermelha dela no caminho até a casa.
Ela veio. Ela realmente desistiu da posição na prática comunitária para
vir para mim.
As ações dela significavam que ela acreditava que estava tomando uma boa decisão. E não havia nada que Gabe quisesse mais do que ver Chloe acreditar em si mesma, confiar no próprio julgamento... acreditar nele. Ora, algum dia, ela precisaria confiar em um homem que não fosse um de seus irmãos e podia muito bem começar por ele. Gabe não conseguia entender por que queria a confiança dela. Só sabia que era muito importante que ela soubesse que podia contar com ele.
Talvez eu só queira ocupar o lugar de Blake enquanto ele está longe...
Não... isso era uma bobagem completa. E Gabe não podia dizer a si mesmo um monte de besteiras, mesmo que estivesse tentando racionalizar seu comportamento. A verdade era que ele queria Chloe para si mesmo e era exatamente isso que o motivava naquele momento.
Ele queria ver o sorriso dela de novo.
Ele queria fazê-la rir.
Ele queria fazê-la feliz.
Ele queria viver a paixão reprimida dela que sentia que queria ser libertada.
Ele queria se enterrar nela e marcá-la como sua. Queria saciar os dois.
Meu Deus! Ele se odiou pelos pensamentos sexuais aleatórios sobre Chloe, mas não parecia conseguir evitá-los. Ele se sentira atraído desde o dia em que ela voltara para Rocky Springs.
Ele se levantou da cadeira quando a caminhonete se aproximou da casa, ainda sorrindo porque, para uma mulher tão feminina e cheia de curvas, ela certamente tinha um veículo muito grande. Na verdade, era similar ao veículo dele, mas o de Gabe era preto.
Gabe observou quando Chloe parou o veículo e saltou do banco. O
sorriso dele ficou mais largo ao perceber que ela não se vestira para impressionar. Não que isso importasse. Ela era tão linda que seu coração disparou. Vestindo uma calça jeans velha que envolvia um traseiro bonito, ela cobrira a parte de cima do corpo com um moletom velho que estampava o logotipo da universidade. Os cabelos pretos estavam presos em um rabo de cavalo. Ao vê-la pela câmera da porta de entrada, ele notou que ela não usava muita maquiagem.
Não importava! Ele ainda estava com o pau tão duro que era difícil caminhar.
Uma coisa de que ele gostava em Chloe era que ela era despretensiosa.
Ela podia ser de uma família rica, mas não era possível saber disso apenas olhando para ela ou conversando. Ela era inteligente, mas não era esnobe.
Obviamente, sentia-se mais confortável exatamente como estava naquele momento. Não, Chloe não era uma pessoa metida.
— Ela é bonita demais para o próprio bem — resmungou Gabe, perguntando-se quanto tempo demoraria até que outro homem visse exatamente o que ele via ao olhar para ela.
Ele não gostava da ideia de qualquer outro homem conseguindo a atenção dela.
Chase, o border collie de seis anos, saltou empolgado do lugar onde estava, perto dos pés de Gabe.
— Vamos, amigão. — Gabe estalou os dedos para chamar a atenção do cão exuberante. — Seja educado — avisou ele ao cão.
O cão normalmente era bem-comportado, mas, às vezes, ficava um pouco atencioso demais.
Chase se sentou e olhou para ele com um olhar profundo.
— Não é hora de petiscos, amigão — resmungou Gabe, sabendo exatamente o que o cão queria. Sem conseguir resistir ao olhar implorante de Chase, mesmo enquanto dizia aquelas palavras, ele tirou um petisco do bolso e jogou-o para o cão.
Chase o pegou no ar e o petisco desapareceu em questão de segundos.
Gabe finalmente ouviu a campainha tocar e tentou conter o entusiasmo por ver Chloe de novo. Certamente seria um encontro um pouco constrangedor depois que ela se abrira sobre o seu relacionamento. Ele não a encontrara pessoalmente desde aquela noite.
Apesar de relembrar a si mesmo para não ser impaciente, Gabe subiu a escada correndo para atender a porta.
Chloe estava nervosa.
Ela não contara a Gabe todos os detalhes de seu relacionamento com James, mas ele sabia a maior parte. Havia apenas algumas coisas tão horríveis que ela não conseguia discuti-las com ninguém, exceto Natalie. Quando finalmente revelara os piores incidentes à psicóloga no dia anterior, Natalie ficara aliviada por Chloe ter conseguido se libertar totalmente de James. A
dra. Townson apoiava a decisão de Chloe de ter um novo começo fora da cidade para que não tivesse que vê-lo diariamente.
A conversa de Chloe com Gabe no telefone sobre o emprego fora breve e ela não sabia exatamente como reagir a ele pessoalmente.
Sou uma profissional, porra. Vou agir de forma profissional. Não estou aqui como amiga, estou aqui como funcionária.
Era difícil lembrar que Gabe agora era seu padrão, depois de ela ter chorado praticamente durante toda a explicação a ele de por que terminara seu noivado com James.
É um novo começo para mim. Vou tratá-lo como uma experiência empolgante.
Ela respirou fundo, desfrutando do ar frio do outono nas Montanhas Rochosas. De costas para a porta de Gabe, ela olhou para as montanhas e para o vermelho e o laranja vívidos nas folhas que ainda havia nas árvores. A maioria delas estava caindo, mas os traços do outono no Colorado ainda permaneciam.
— É tão lindo — sussurrou ela para si mesma, sentindo que, depois de tantos anos, finalmente estava... em casa.
Gabe tinha uma propriedade imensa, que se estendia além do que os olhos dela conseguiam enxergar. Os celeiros e os prédios eram bem cuidados e os potreiros tinham alguns dos animais mais lindos que ela já vira. Chloe fizera a residência em uma fazenda de cavalos importante e, à primeira vista, já percebera que o rancho de Gabe era muito sofisticado. Ele certamente não se preocupara com custo ao construir a casa e o rancho.
Não que ele precisasse se preocupar com dinheiro.
Não precisava.
E isso estava patente em todos os detalhes pequenos que ela conseguia ver.
Pare de enrolar, Chloe. Toque a campainha.
Ela se virou e colocou o dedo com determinação no botão da campainha, perguntando-se com curiosidade se ele tinha uma equipe para cuidar da mansão imensa.
Estranhamente, a casa não era pretensiosa. Certamente era grande, mas Gabe usara cores naturais e plantas nativas. A mansão bem cuidada parecia complementar a paisagem, em vez de se destacar como algo destoante. Além do fato de o lugar ser gigante, parecia pertencer à paisagem.
Chloe deu um salto quando a porta foi subitamente aberta e ela viu Gabe sorrindo.
— Que bom que você veio — disse ele simplesmente naquela voz meio rouca que sempre deixava os hormônios femininos de Chloe dançando felizes.
— Eu também acho — respondeu ela com sinceridade. Ela estava feliz por estar ali, longe da cidade, pronta para fazer um trabalho que sempre quisera fazer. Chloe tinha quase certeza de que se sentiria culpada em aceitar o salário gordo que Gabe oferecera.
Ele abriu a porta um pouco mais e acenou para que ela entrasse. Ela sorriu de volta para ele porque era praticamente impossível não fazer isso. O
sorriso malicioso dele era contagiante.
Imediatamente após passar pela porta, ela foi recebida por mais de vinte quilos de músculos e pelos. Um border collie latia entusiasmado enquanto saltava do chão contra ela várias vezes.
— Chase! Pare! — comandou Gabe em tom sério.
Chloe ficou encantada e ficou de joelhos, deixando que o cão preto e branco inteligente a farejasse antes de acariciar o pelo dele. — Ele é uma graça.
— Às vezes, ele é muito chato — resmungou Gabe.
O cachorro se acalmou rapidamente, deitou-se e rolou para ficar de barriga para cima para que Chloe pudesse coçá-la. Ela não acreditou nem por um momento no comentário negativo de Gabe. O amor no tom dele era evidente. — Suponho que o nome dele seja Chase.
— Ele recebeu esse nome porque corre atrás de tudo que enxerga, de coelhos a ursos. Não sabe bem quais são as limitações dele. Nem seu tamanho. Nem sua força.
— Ele é uma doçura — disse Chloe ao fazer um último carinho no cão antes de se levantar. — Tenho certeza de que ele é muito inteligente. —
Aquela raça era excepcionalmente esperta.
— Ele é — confirmou Gabe, acrescentando em seguida: — Quando não está perseguindo alguma coisa que provavelmente o matará.
Chloe riu, adorando o relacionamento entre Gabe e o cão. O homem obviamente gostava de reclamar do cão, mas a afeição e a preocupação por Chase eram bem evidentes.
Ela o seguiu ao conduzi-la para a cozinha.
— Quer um café? — Gabe tirou uma caneca do armário, mas hesitou.
— Eu adoraria, obrigada. Não tive tempo de tomar café esta manhã. Zane telefonou e conversamos durante tanto tempo que não consegui tomar café.
— Ela deu um passo à frente. — Pode deixar que eu pego.
Gabe lançou um olhar sério a ela. — Você é convidada. Sente-se e relaxe. — Ele acenou para a mesa da cozinha.
Ela se sentou, mas respondeu: — Não sou convidada, Gabe. Sou funcionária.
— Você é veterinária. É mais uma consultora do que funcionária. E não pago você para pegar café.
Chloe apoiou os cotovelos na mesa e observou enquanto ele preparava a caneca com a cafeína de que precisava desesperadamente. Era bom ver um homem fazer algo por ela. Enquanto estava com James, era ela quem pegava tudo para ele.
Gabe parecia bem confortável na cozinha. Para um homem daquele tamanho, ele fazia tudo com uma graça lenta e natural que a deixou surpresa.
Ele devia ter mais de um metro e oitenta e tinha o corpo grande, puro músculo. Vestindo calça jeans e um pulôver cinza casual obviamente destinado a aquecer, ele parecia incrivelmente bonito e irresistível.
Ele não era atraente por causa da riqueza. Ele parecia um homem robusto que se sentia confortável consigo mesmo, não importava o que estava fazendo.
— Creme e açúcar? — perguntou ele.
— Só um pouco de creme — respondeu ela automaticamente. Apesar de preferir o café com muito creme e açúcar, ela aprendera a bebê-lo quase preto. James a condicionara a ingerir menos calorias e eliminar o açúcar refinado.
Ela pensou nisso por um momento antes de mudar de ideia. — Pensando bem, pode botar bastante dos dois.
Gabe se virou e sorriu para ela, como se soubesse exatamente qual era o motivo de ter mudado de ideia.
— Como você realmente gosta do café? — perguntou ele curioso.
— Cheio de creme e açúcar — afirmou ela.
— Boa garota — disse ele em tom de apoio, colocando mais açúcar no café dela. — Velho hábito?
— Sim. Um hábito que não preciso mais seguir. — Era difícil se livrar de
alguns rituais antigos, mas, em certo ponto, eles desapareceriam. Era hora de ela perceber do que gostava e de agradar a si mesma.
Gabe estendeu a caneca para ela e sentou-se à sua frente com a própria caneca na mão. — Veja se está bom. — Ele acenou com a cabeça para a caneca dela.
Chloe tomou um gole, deixando que o gosto do café doce invadisse a boca. — Perfeito — respondeu ela com um sorriso feliz. Fazia muito tempo desde que tomara um café tão gostoso.
— Ótimo. Agora, diga-me como está. Algum arrependimento sobre o noivado desfeito?
Chloe olhou para os belos olhos verdes de Gabe, que naquele momento expressavam uma preocupação profunda. Alguma coisa na atitude dele não a deixou mentir nem emitir nada.
— Nenhum arrependimento — respondeu ela com cautela. — Mas preciso lhe dizer uma coisa porque estou trabalhando para você. Não vou estar na minha melhor condição física por cerca de uma semana. — Chloe manteve o olhar dele, sentindo o coração derreter ao vê-lo franzir a testa e parecer preocupado.
— Por quê? — perguntou ele em tom grave. — Está doente?
Ela balançou a cabeça devagar. — Não. — Não havia uma forma fácil de dizer aquilo, mas ela precisava explicar. — Gabe, eu estava grávida. Tive um aborto espontâneo e ainda estou me recuperando. Perdi o bebê há alguns dias.
Chloe achou que superara o choque inicial e o trauma do incidente, mas percebeu que provavelmente isso não acontecera quando começou a chorar.