Bound by Duty

Cora Reilly · Capítulo 17 de 24

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Bound by Duty

Capítulo Dezesseis

 

Dante estava certo. Nas semanas seguintes eu saía do cassino às dez horas da noite, no mais tardar. Gostava do tempo que passava conversando com as meninas, os barmen e os crupiês, mas ouvir a maioria dos clientes era cansativo. Pelo menos Raffaele ficava longe de mim, o que era uma enorme vantagem.

Quando Enzo me levava para casa à noite, eu sempre verificava a rua por um sinal de Frank, mas a única pessoa que via regularmente na calçada era uma senhora idosa que passeava com seu Yorkshire Terrier. Eu quase tinha me convencido de que Frank foi fruto da minha imaginação. Talvez a minha mente estivesse, inconscientemente, pensando em Antonio e Frank pela conversa que tive com Dante.

Dante não era presente na minha vida como eu gostaria que fosse. Ele me procurava todas as noites, principalmente no escuro, e sempre de costas para ele, às vezes de joelhos, às vezes deitada sobre minha barriga. Não que eu estivesse reclamando. Ele sempre fazia com que com que eu gozasse pelo menos uma vez, enquanto estava dentro de mim. Mas eu estava começando a me incomodar com tudo isso. Aquilo parecia uma simples foda, quase como se eu não fosse nada mais do que uma maneira de aliviar a tensão, mas sempre que a mão de Dante deslizava entre as minhas pernas durante a noite, eu prometia a mim mesma falar com ele da próxima vez, porque no momento eu estava muito desesperada pelo seu toque.

Como de costume, os meus olhos vagaram sobre a calçada quando Enzo dirigiu o carro através dos portões para a casa. Mas hoje à noite eu o vi novamente. Frank estava caminhando pela calçada do outro lado da rua, tentando fingir que só estava tentando pegar um pouco de ar fresco. Ele não estava tendo muito sucesso. Ele olhou desconfiado para mim, e eu nem queria pensar o que poderia acontecer se os guardas de Dante o vissem. Eu tinha que encontrar uma maneira de mandá-lo embora. Era muito arriscado. Fui direto até o quarto de hóspedes que me permitia ver a rua, mas, como da última vez, Frank já tinha desaparecido.

Meu telefone tocou e por um momento eu tive certeza que era Frank, mas ele sabia que não devia me ligar. Eles não haviam me dito que meu telefone era rastreado, mas eu tinha mudado meu número há alguns meses. A tela piscou com o nome de Bibiana. Eu atendi. — Hey, Bibi.

— Val, — Bibi disse em um sussurro. Sua voz tremia. Ela parecia apavorada. — Você pode vir aqui?

Eu fiquei tensa, virando de costas para a janela. — O que está errado?

— Tommaso, ele... — ela fungou. — Ele estava de mau humor hoje.

— O que ele fez? Ele ainda está aí?

— Não, ele saiu por causa de uma reunião com Raffaele, mas estará de volta em breve.

Você pode vir aqui? Estou com medo do que ele vai fazer quando voltar. — Meus olhos dispararam para o relógio que marcava quase nove.

— Estarei aí em dez minutos, Bibi.

Eu corri para fora do quarto de hóspedes e desci as escadas. Eu não tinha certeza de onde Enzo estava. Teria sido provavelmente fácil encontrá-lo, mas eu não estava com vontade de me explicar. Em vez disso, peguei as chaves do gancho na garagem e entrei no SUV. Antes que as portas tivesesem deslizado por todo o caminho, eu dei partida e saí da garagem, evitando por poucos centímetros bater na porta da garagem que estava se abrindo. Diminuí apenas o suficiente para passar pelo portão e seguir em frente. Dante ficaria furioso.

Quando virei a esquina, no final da rua, vi uma figura familiar e parei. Frank pulou, e jogou um olhar de pânico por cima do ombro. Ele tinha o seu telefone pressionado contra a orelha, mas terminou a chamada quando me viu. Eu verifiquei em volta antes de abrir a janela e fazer um gesto para que ele se aproximasse. — O que você está fazendo aqui?

Ele se arrastou mais perto, os olhos correndo ao redor nervosamente. Eu entendi sua ansiedade muito bem. Ele estava se arriscando muito por estar aqui. — Eu preciso falar com você em particular.

Eu fiz uma careta. — Sobre o quê?

— Sobre Antonio, sobre a Outfit, sobre tudo.

Eu chequei o espelho retrovisor novamente. — Eu não posso falar agora. Me encontre amanhã por volta das 17:30. — Eu expliquei o caminho para a rua onde fica o armazém que escondia o cassino, mas não contei a ele sobre isso.

— É lá que tem um dos cassinos subterrâneos, certo?

Eu o encarei. Antonio tinha lhe contado? Caramba. Por que ele não deixou Frank longe disso? — Vamos conversar amanhã. — Eu fechei a janela e me afastei. Ninguém parecia ter me seguido, ou pelo menos eu não vi ninguém. Eu esperava que pudesse fugir do cassino amanhã sem ser vista. Eu precisava esclarecer as coisas com Frank. Mas e se ele realmente quisesse me chantagear de alguma forma? Eu sabia que ele ia me deixar sem escolha a não ser contar tudo a Dante caso ele fizesse isso.

Por que hoje o dia tinha que se transformar em uma bagunça?

Levei menos de dez minutos para chegar na casa de Bibi. Como sempre um guarda estava sentado em um carro em frente a ela. Ele me deu um breve aceno de cabeça quando me viu sair do carro. Quase corri para a porta. Bibi abriu antes mesmo que eu tivesse a chance de tocar a campainha. Eu tive que abafar um ofego quando vi seu rosto. Seu lábio inferior estava aberto e tinha sangue seco grudado no queixo e em sua camisa. Um hematoma já estava se formando em sua bochecha esquerda e o olho do mesmo lado estava começando a inchar. Ela me deixou entrar e fechou rapidamente a porta. Antes que eu tivesse tempo de dizer alguma coisa, ela se jogou em meus braços. Abracei-a, mas ela fez uma careta quando eu toquei suas costelas e eu afrouxei meu aperto. Me afastei para olhar para o seu rosto. — Por que ele bateu em você?

Bibi deu de ombros e fez uma careta. Eu não queria nem saber como seu corpo estava sob a roupa. Marcas de dedos em um tom azul avermelhado eram visíveis em seu pescoço e clavícula. — Ele tem estado de mau humor durante todo o dia e quando eu lhe disse que ainda não estava grávida, ele surtou. — Alguma coisa fez cócegas na parte de trás da minha mente, mas eu empurrei o pensamento de lado por enquanto.

— Talvez seja culpa dele. Talvez o velho babão seja infértil, — eu murmurei. Eu não gosto da palavra “ódio” ou o sentimento por trás dele. Ódio sempre só levava a mais ódio, mas eu definitivamente odiava Tommaso. Dante não tinha certeza se eu era capaz de tirar a vida de outra pessoa, mas eu seria capaz sim.

— Ele não pode ser. Algumas prostitutas do Clube Palermo ficaram grávidas dele.

Meus olhos se arregalaram. Bibi nunca me tinha dito. — Então ele tem filhos com outras mulheres?

— Não, ele as obrigou a fazer um aborto. Ninguém quer foder uma prostituta grávida, isso é o que ele disse.

— Eu sinto muito, Bibi.

— Eu que me sinto mal por fazer você ficar longe de Dante no Dia dos Namorados.

Eu tinha esquecido completamente. Não que Dante tivesse dado qualquer indicação de que hoje era um dia especial durante nosso café da manhã juntos.

— Não seja ridícula. Você sabe que eu estou sempre aqui para você. O que posso fazer?

Um pequeno soluço escapou e ela bateu a mão sobre a boca, os olhos enormes e cheios de medo. Ela baixou a mão. — Eu não sei. Eu só não sei, mas eu estava tão assustada e não sabia a quem mais chamar. Você é a única que parece se importar.

— Eu me importo, Bibi. Você sabe disso.

— Eu tenho medo quando ele retornar. Ele me disse que não tinha acabado. E ele é sempre mais brutal depois que passa um tempo com Raffaele. Ambos são sádicos nojentos. Oh, Val, as coisas que Tommaso às vezes faz para mim, as coisas que ele me obriga a fazer, eu não posso nem mesmo lhe dizer.

Eu peguei a mão dela. — Vem. Passe a noite na minha casa.

— Eu não posso fugir dele. Você sabe que ele nunca ia deixar. Eles sempre vão me obrigar a voltar, não importa o que ele faça.

Eu sabia. Como eu podia sentir pena de mim mesma por causa de um casamento sem amor quando Bibi tinha um muito pior? — Eu sei, e isso não significa que você deve ir embora. Mas você poderia passar uma noite com a gente, assim Tommaso vai ter algum tempo para se acalmar, e amanhã depois do almoço eu trago você de volta para casa.

Bibi balançou a cabeça lentamente. — Você tem certeza que Dante não vai se importar? Eu não quero atrapalhar vocês.

Eu quase ri. — Ele não vai se importar, não se preocupe, — eu disse. — Você quer sair agora?

Ela estremeceu, os braços finos se envolvendo em torno de sua cintura. Havia hematomas nos pulsos dela também. Se a minha indignação por si só pudesse ter matado Tommaso, ele estaria morto e enterrado agora.

Ajudei Bibi a embalar algumas coisas antes de levá-la para fora da casa. O guarda levantou o olhar e então, obviamente ficou sem saber o que fazer. Tommaso provavelmente lhe disse que Bibi não tinha permissão para sair de casa, mas eu era a esposa do Capo, que era seu principal chefe. Bibi ficou tensa no meu braço, mas não parou de andar. Nem mesmo quando ele pegou o telefone e ligou para alguém, sem dúvida, Tommaso. Eu sentia o desejo infantil de levantar meu dedo do meio, mas tinha passado da idade para poder agir assim. Bibi se sentou no banco do passageiro e eu escorreguei atrás do volante. — Você está sem um segurança?

Eu dei de ombros. — Eu não queria perder tempo procurando Enzo ou Taft.

— Eu não quero que você tenha problemas por minha causa, — disse ela miseravelmente.

Eu liguei o carro e me afastei do meio-fio. O guarda de Bibi não tentou nos seguir. Ele sabia onde estávamos indo de qualquer maneira. — Eu não vou.

— Dante nunca forçou você a nada?

— Não. Ele não é violento. Bem, pelo menos não no nosso casamento. Claro que eu sei que ele é perfeitamente capaz de atos atrozes. Mas ele me disse que não acredita que o medo ou o ódio façam parte de um casamento. É provavelmente por isso.

— Ele é um bom homem.

— Eu não diria isso. Se você quer um homem bom, tem que procurar fora da máfia.

— Você lembra quando éramos jovens e sonhávamos em encontrar o nosso príncipe encantado e casar com ele? Eu estava obcecada com os príncipes da Disney. Todos eles eram tão gentis e bondosos.

Eu sorri com a lembrança. — Nós éramos jovens e estúpidas. Eu daria tudo para ser ingênua de novo, mesmo que apenas por algumas horas.

— Sim.

Eram quase dez quando finalmente entramos na minha casa. — Você quer pegar alguma coisa para comer ou gostaria de tentar dormir um pouco?

— Eu realmente não estou com fome, — disse Bibi hesitante. — Mas eu não acho que posso dormir agora.

— Poderíamos sentar na biblioteca e conversar um pouco. Ou eu poderia lhe preparar um banho para que você possa relaxar.

— Eu acho que eu prefiro conversar. Eu não quero ficar sozinha.

— Ok, eu... — eu parei quando vi Dante vindo em nossa direção. Bibi enrijeceu ao meu lado, seu olhar aterrorizado correndo para mim. Eu não sei por que, mas me posicionei entre Dante e Bibi. Ele notou, claro e me deu um olhar penetrante. — Boa noite, Bibiana, — disse ele educadamente.

— Boa noite, — disse ela em voz baixa. Os frios olhos azuis de Dante digitalizaram rapidamente seu rosto machucado e braços, antes de se fixarem em mim. — Tommaso me ligou para perguntar se sua esposa estava aqui. Ele disse que você a pegou em sua casa sem sua permissão.

— Sua permissão? — eu assobiei. — Ela não é um cão. Eu não preciso pedir a ele permissão para nada.

— Isso é o que eu disse a ele, — disse Dante com calma, me assustando.

— Você dsse?

Bibi nos assistia com os olhos arregalados.

— Claro, você é minha mulher. Se você quer ter uma palavra com uma das esposas de meus soldados, você tem todo o direito de fazê-lo.

Nós dois sabíamos que não era a razão pela qual Bibi estava aqui. Dante não era cego. Eu esperava que ele pudesse ver como eu estava grata pelo seu apoio. — Então ele está bem com ela passar a noite?

— Eu não sabia que era isso que você tinha planejado, você não me informou, — disse ele simplesmente. Eu podia ouvir o toque de uma reprimenda em seu tom. Ele sabia que eu tinha saído sem um guarda – de novo.

— Eu não tive tempo, — eu disse. — Mas acho que Bibi deve ficar aqui, até Tommaso se acalmar.

— Se ele vier buscá-la, seria contra as nossas tradições a segurar aqui. Ela é sua esposa.

Bibi assentiu. — Ele está certo. Eu não devia ter vindo. — A derrota em seus olhos e voz quase me deixou de joelhos. Eu atirei a Dante um olhar suplicante.

Dante puxou o celular do bolso e apertou-a contra seu ouvido. Após dois toques, pude ouvir uma voz profunda do outro lado, mas não consegui entender as palavras.

— Sim, Tommaso. Eu quero que você acompanhe Raffaele enquanto ele verifica as novas mercadorias. Eu confio em seu julgamento, e o Clube Palermo poderia usar sangue fresco. Eu quero o seu relatório amanhã. — Dante ouviu o que Tommaso disse. — Minha esposa e Bibiana têm planos. Não se preocupe. Ela está segura aqui. Eu vou pedir ao meu motorista para levá-la para casa amanhã. — Dante baixou o telefone e colocou de volta no bolso.

— Obrigado, — disse Bibi, com voz trêmula. Eu fiquei em silêncio, admirada com a bondade de Dante.

— Você notou que eu mandei o seu marido dormir com as nossas novas prostitutas, mas suponho que você não se importa.

— Não, eu não me importo. Eu estou esperando o dia em que ele finalmente encontre uma amante.

Dante inclinou a cabeça para mostrar que entendeu. Então seus olhos encontraram os meus. Tentei lhe enviar toda a gratidão que eu sentia através desse olhar. Eu tinha certeza de que ele podia ver. — Eu vou voltar para o meu trabalho. Tenho certeza que você e Bibiana têm muito o que falar.

Ele se virou e caminhou de volta para seu escritório, desaparecendo da nossa vista. Prendi meu braço ao de Bibi, que estava me encarando. — Eu não posso acreditar que ele fez isso por você. Ele deve realmente se importar.

— Ele tentou te ajudar. Ele viu as contusões.

Bibi riu. — Ele fez isso por você. Estava escrito por todo o seu rosto. — Ela fez uma pausa, depois acrescentou rapidamente. — Não que eu me importe. Estou feliz que ele se livrou de Tommaso por agora.

— Vamos lá, vamos para a sala de estar. Vou colocar um filme e nós vamos pegar um copo de vinho. Você merece. Você precisa de um Tylenol também?

Bibi fez uma careta. — Sim, por favor. Eu me sinto dolorida. Acho que Tommaso machucou minhas costelas.

Essa foi a última menção de hoje do que tinha acontecido com Tommaso. Passamos o resto da noite lembrando nossa infância e adolescência, e rimos e ficamos bêbadas.

 

***

 

No dia seguinte, eu me arrependi do vinho da noite passada, quando uma dor de cabeça me acordou do sono. Sentei-me, gemendo. Pressionando a palma da mão contra a testa, tomei algumas respirações profundas, esperando que fosse ajudar com a náusea. Algo vermelho chamou minha atenção. Um pequeno pacote estava do lado de Dante da cama. Peguei o cartão apoiado contra o pacote.

Teria dado a você ontem à noite, mas não quis acordá-la. Era tudo que estava escrito no cartão.

Encantada, peguei o presente e desembrulhei. Dentro da pequena caixa de veludo descansava um colar de ouro branco delicado com um pingente de esmeralda. Saí da cama e corri para a minha cômoda, segurando-o contra os meus olhos. A esmeralda tinha quase exatamente a mesma cor. Isso não podia ser coincidência. Eu me afundei na cadeira e coloquei o colar no pescoço com as mãos trêmulas.

 

***

 

Eu provavelmente não teria ido trabalhar naquele dia – Leo poderia cuidar de tudo sem mim – se eu não tivesse dito a Frank para me encontrar lá.

Depois que deixei Bibiana em casa e a fiz prometer que me ligaria no momento em que Tommaso estivesse em casa, Enzo me levou ao cassino e fomos para dentro, como sempre fazíamos. Felizmente para mim Raffaele estava gritando com uma das meninas, que não era uma coisa que eu gostava, mas hoje também foi a distração que eu precisava. Me virei para Enzo. — Você poderia ter uma conversa em particular com Raffaele e deixar claro que eu não aprecio que ele experimente nossas meninas? — Enzo parecia muito ansioso para cumprir minha ordem.

Ele foi direto para Raffaele e o empurrou em um dos quartos privados. Leo estava fazendo um caminho até mim, mas eu balancei a cabeça e lhe disse que estava ocupada. Ele pareceu confuso, mas não tentou me parar quando eu entrei no elevador. A culpa quase me impediu de continuar em alguns momentos. Meu encontro secreto com Frank poderia ser interpretado como uma traição à confiança de Dante. Depois do presente atencioso desta manhã, a ideia de ir contra ele me fez sentir ainda pior. Ele parecia disposto a tentar, e eu estava arriscando tudo por causa de Frank.

Três minutos depois, andei para longe do armazém. Olhei ao meu redor nervosamente; não só porque eu me preocupava em ser seguida, mas também porque esta era uma área deserta e assustadora. Já estava ficando escuro, o que não ajudou a minha ansiedade. Pelo menos eu estava usando sapatilhas, de forma que teria agilidade se alguém me atacasse. Na distância, encostado na parede de um outro armazém vazio, eu pude ver uma figura alta. Corri em direção a ele, mas então diminuí porque era difícil correr assim. — Frank? — eu sussurrei. — É você?

Ele deu um passo para longe da parede, parecendo tão nervoso quanto eu me sentia. — Hey, Valentina.

Eu caminhei a distância restante entre nós. — O que está acontecendo? Por que você continua aparecendo na frente da minha casa? Você quer que a Outfit saiba mais sobre você?

Frank esfregou o cabelo, os olhos correndo pelas redondezas. — Claro que não. — Seu nervosismo evidente estava me deixando nervosa também. — Eu preciso falar com você.

— Então fale. Eu não tenho muito tempo. Você não percebe que tipo de risco nós estamos correndo por conversar agora?

— Eu acho que é perigoso você ter concordado em se casar com Dante Cavallaro.

Fiquei surpresa. Isso não era o que eu esperava quando ele me disse que queria conversar. — Por que você se importa com isso? Sua conexão com a Outfit morreu com Antonio. — Percebi muito tarde como pareci insensível, mas Frank não notou. Ele estava ocupado verificando nossas cercanias, especialmente a escuridão se espalhando atrás de nós.

— Pode parar com isso? — eu perguntei, impaciente. — Você está me deixando nervosa.

— Desculpe. Eu não estou acostumado a me esgueirar em becos escuros. Isso é coisa de Antonio.

Ele ainda não estava conformado? Suas palavras me fizeram acreditar nisso. Talvez seja por isso que ele estivesse aqui. Talvez ele não conseguisse deixar sua antiga vida pra trás e eu era a única conexão que ainda existia. — Não foi decisão minha casar com Dante. Você deve saber que nossos casamentos são muitas vezes decididos por outras pessoas para fins de poder ou estratégia.

— Você não o ama.

— Eu não vou discutir meus sentimentos com você, Frank. O que você quer?

— Você disse a Cavallaro sobre Antonio e eu?

— Eu disse a ele que Antonio era gay.

— Por que você fez isso? — perguntou Frank com raiva, dando alguns passos em minha direção, me surpreendendo com sua explosão, mas não o suficiente para me afastar. Eu estava acostumada com outros tipos de homens. Frank realmente não era assustador o suficiente.

— Isso não é da sua conta.

— Mas você prometeu a Antonio manter seu segredo!

— Eu sei, mas ele está morto, Frank, e eu estou tentando seguir em frente. Se Antonio ainda estivesse vivo eu levaria o seu segredo para minha sepultura, mas a verdade não pode machucá-lo mais. E Dante não vai contar a ninguém na Outfit, de qualquer maneira.

— Ele não vai? — perguntou Frank, esperançoso. — E quanto a mim? Você não disse a ele o meu nome? — A ansiedade voltou ao seu rosto com força total.

— Não. Eu não vou. Você está seguro, mas para que continue assim, você precisa parar de andar na nossa rua. Foi só questão de muita sorte que nenhum dos homens de Dante tenha notado você ainda. E quando eles fizerem isso, você vai estar com enormes problemas. Então nos faça um favor e siga em frente.

— Eu não posso, — disse Frank calmamente. — Você não sente falta dele? Você não o quer de volta? Você não faria qualquer coisa para tê-lo de volta?

— Você realmente deve ir embora. Isso não nos leva a lugar nenhum. Eu prometo que você está seguro.

Frank agarrou meu braço me impedindo de ir embora. — Valentina...

— Tira a mão, — uma voz falou lentamente das sombras e deixei escapar um grito. Frank se virou e tentou fugir, mas Enzo estava lá e o puxou para uma prisão com seu corpo. Dante apareceu ao meu lado e agarrou meu braço em um aperto forte.

Ele acenou com a cabeça em direção à porta do armazém. Enzo arrastou Frank em direção a ela, ainda que com dificuldade.

Dante olhou para mim. — Então é isso que você faz quando não estou por perto? Se encontra com outros homens?

— Não! — eu protestei, horrorizada que ele pensasse isso. — Não é o que você está pensando.

— Ele esteve rondando a casa duas vezes, chefe, — disse Enzo, depois de dar uma joelhada na virilha de Frank.

— Explique, — Dante rosnou. Enzo ainda estava tentando parar Frank. Ele lutava surpreendentemente bem.

— Esse é Frank, — eu disse rapidamente, e meu senso de autopreservação substituiu o desejo de proteger Frank.

O aperto de Dante no meu braço aliviou. — O amante de Antonio.

Isso chamou a atenção de Enzo. Ele conhecia Antonio. A Outfit não era uma organização tão grande que os homens não se conheciam.

De repente, tiros foram disparados a partir de algum lugar. Enzo gritou e agarrou seu braço, liberando Frank no processo. Mais tiros foram disparados. Um deles atingiu a parede em cima da minha cabeça. Dante me empurrou para o chão e se agachou na minha frente, com sua própria arma na mão e disparou na direção de onde os tiros estavam vindo. Enzo puxou sua própria arma, mas sua mão direita era inútil e era óbvio que ele não estava acostumado a usar a mão esquerda. Frank estava correndo tão rápido quanto suas pernas poderiam levá-lo para longe de nós, na direção das sombras. Dante apontou a arma para ele. Eu empurrei a sua mão quando ele puxou o gatilho e a bala acertou o chão em vez de Frank. — Valentina, — Dante rosnou, mirando novamente, mas Frank tinha desaparecido na escuridão. Dante olhou para Enzo, que estava segurando o braço sangrando, resmungando baixinho.

— O que diabos foi isso? — perguntou Dante, os olhos brilhando de fúria.

— Eu não sei! Eu pensei que ele estava sozinho. Frank nem ao menos conhece alguém que sabe usar uma arma!

— Você deveria ter me deixado atirar nele. Nunca interfira assim de novo.

— Ele é inocente. Ele não merece morrer.

— Merda. Aquele cara preparou uma armadilha e você caminhou diretamente para ela, porra, — Enzo murmurou.

— O que você quer dizer? — eu perguntei com cuidado. Dante sacudiu a cabeça. — Você não perguntou por que ele queria te encontrar? Talvez ele tenha sido abordado pelos russos e concordou em ajudá-los. Eles adorariam te matar.

— Frank não faria isso.

— Você tem certeza? — não, eu não tinha. — A Bratva pode ser muito convincente. Ou talvez eles tenham lhe oferecido uma quantidade substancial de dinheiro. O dinheiro faz pecadores parecerem santos.

Enzo ergueu o telefone. — Chamei reforço.

— Vamos lá, — disse Dante, endireitando-se e estendendo a mão para mim. Eu peguei e deixei ele me puxar para os meus pés.

— Você realmente acha que era uma armadilha? Eu tinha a sensação de que Frank estava sozinho e queria falar com alguém sobre Antonio.

— Alguém atirou em nós, — disse Dante simplesmente. Eu não podia discutir com isso. E Frank tinha definitivamente corrido na direção dos atiradores. Lentamente eu estava começando a entender por que Dante não confiava em ninguém.

— Sinto muito, — eu disse baixinho, mas Dante não estava olhando em minha direção. Mais de seus homens correram em nossa direção, vindo do cassino. Ele berrava ordens para eles e todos se espalham pela área a procura dos nossos atacantes.

— Leve Enzo para ver nosso médico, — Dante disse a outro homem, apesar dos protestos de Enzo. Em seguida, Dante virou-se para mim. — Nós vamos para casa agora.

Eu tremi com a raiva em sua voz. Dante me guiou colocando uma mão contra a parte inferior das minhas costas. Ele não falou enquanto me levava para o carro, nem durante a volta para casa. Eu ficava olhando para ele, tentando decidir em quantos problemas eu tinha me metido. — Eu realmente sinto muito.

Ele me ignorou, mas um músculo em sua mandíbula se contraiu. Me virei para olhar pela janela do passageiro. Dante estacionou o carro na garagem e saiu imediatamente. Ele me seguiu para dentro de casa. Eu praticamente podia sentir sua fúria queimando minhas costas enquanto ele andava atrás de mim. Entrei no quarto.

— Eu realmente sinto muito, — eu tentei de novo, então engasguei quando Dante me jogou na porta e me apertou contra ele. Eu estava imprensada entre o seu corpo musculoso e a porta. E eu estava assustada e confusa, mas não com medo. Dante estava, obviamente, tendo cuidado para não me machucar.

— Por que você continua a me desobedecer, Valentina? — ele levantou minha saia até a cintura e puxou minha bunda, aproximando contra sua virilha e sua ereção dura. Umidade fez uma poça entre as minhas pernas. — Eu não sei, — disse eu, tentando esconder minha excitação.

— Resposta errada. — Dante empurrou minha calcinha – eu não estava usando meia-calça, só a meia 7/8 com liga – de lado e colocou dois dedos dentro de mim. Antes que eu tivesse tempo de articular outra resposta, Dante substituiu os dedos pelo seu pau, batendo em mim com uma estocada feroz antes de começar a me foder contra a porta. Eu tinha certeza que ele percebeu que isso estava tão longe de uma punição quanto possível.