Bound by Duty

Cora Reilly · Capítulo 19 de 24

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Bound by Duty

Capítulo Dezoito

 

Olhei para o relógio novamente. Já passava da meia-noite, mas eu não conseguia dormir. Eu ansiava pela proximidade de Dante, por seu toque. Fazia mais de uma semana desde o jantar com o Scuderi, e duas semanas desde que Frank tinha fugido e Dante tinha me fodido. Deus, e eu sentia falta dele.

Saí da cama e do quarto, sem me incomodar em colocar um roupão. Estava escuro no corredor. Eu fiz o meu caminho em direção à escada, e então desci lentamente. No final do corredor, a luz passava por debaixo da porta do escritório de Dante. Bati e então entrei sem esperar por uma resposta. Hoje à noite eu iria pegar o que eu queria. O tratamento do silêncio tinha acabado.

Dante estava sentado em sua cadeira de couro atrás da mesa. Seu cabelo estava desgrenhado, como se ele tivesse passado a mão por ele várias vezes. Ele tinha jogado o paletó e o colete em cima do sofá, desabotoado os dois primeiros botões de sua camisa branca e arregaçado as mangas, revelando seus braços fortes. Ele não se incomodou em tirar a arma do coldre. Ele estava olhando para algo em seu laptop, mas levantou o olhar quando eu entrei.

Ele parecia cansado. — Há algo errado? — sua voz era grave por falta de uso, quase gutural, e me deixou ainda mais determinada a distraí-lo de seu trabalho e levá-lo para cima. Seus olhos azuis passaram por minha camisola de seda enquanto eu caminhava em direção a ele. — Eu só estava me perguntando quando você viria para a cama, — eu disse casualmente quando andei em torno de sua mesa e parei ao lado dele.

Ele recostou-se na cadeira, seus olhos voando entre minhas pernas nuas e meu rosto. Um par de meses atrás eu não teria reconhecido o olhar em seus olhos, mas agora eu sabia que era desejo. Talvez ele tivesse se trancado emocionalmente, mas meu corpo definitivamente chamava sua atenção. Devo tê-lo pego em um bom momento: cansado demais para manter seu desinteresse fingido.

— Las Vegas me contatou. Eles querem uma reunião.

Balancei a cabeça, mas eu tinha algo em mente muito diferente do que uma conversa sobre os negócios da máfia. Estendi a mão para o seu laptop e fechei.

Dante levantou as sobrancelhas. — Valentina, eu realmente preciso... — Ele parou de falar quando me inclinei sobre ele e, lentamente, me ajoelhei, passando minhas mãos sobre suas coxas. Eu comecei a massageá-lo enquanto olhava para Dante com olhos grandes. — Não é possível que o trabalho espere um pouco?

Os olhos de Dante escureceram com luxúria. A protuberância foi lentamente se formando em suas calças pretas enquanto ele me olhava, e eu tive que reprimir um sorriso. — O que você tem em mente? — ele perguntou com naturalidade, tentando parecer indiferente, mas sua ereção era evidente nas calças.

Eu toquei seu eixo através do tecido. — Eu não sei.

Dante sorriu sombriamente. — Eu duvido disso. — Ele estendeu a mão para o zíper e arrastou para baixo, e então puxou para fora seu pau duro. Ele acariciou-o algumas vezes, correndo o polegar sobre a ponta, que já tinha pré-gozo vazando, antes de traçar a minha boca com o mesmo polegar. Lambi meus lábios, provando seu gosto, e Dante soltou um suspiro baixo. — Pare de me provocar, Valentina.

Eu me inclinei pra frente e lambi seu eixo lentamente desde a base até a ponta antes de mergulhar minha língua na abertura minúscula. Dante agarrou a parte de trás da minha cabeça e gentilmente me manteve no lugar enquanto eu passava a minha língua ao redor de sua ponta uma e outra vez, apenas tocando.

Seus dedos enredaram no meu cabelo e ele se contraiu quando empurrei um pouco para frente. — Chupa meu pau, Val. — Foi a primeira vez que ele me chamou pelo meu apelido. Eu peguei seu pau com meus lábios e comecei a chupar, me certificando de passar a língua ao redor da borda de vez em quando. Dante ficou me olhando com os olhos semicerrados enquanto massageava meu couro cabeludo.

O levei mais profundamente e comecei a sacudir a cabeça para cima e para baixo como ele gostava. Os olhos de Dante nunca me abandonaram. Ele começou a empurrar os quadris e firmou o aperto na minha cabeça enquanto eu o chupava mais forte. — Vou gozar, — disse ele em advertência. Eu o senti tencionar quando seu clímax o dominou. Seu pênis empurrou e ele entrou em erupção na minha boca. Tentei engolir e manter a sucção. Dante gemeu, ainda balançando os quadris e com os olhos fixos em mim. Este era o momento em que ele me permitia o vislumbre ocasional por trás da máscara de gelo.

Eu pude o sentir amolecer na minha boca e eu o liberei dos meus lábios. Minha parte desafiadora queria perguntar se isso significava que ele tinha me perdoado pela confusão com Frank, mas meu lado razoável ganhou.

Dante tirou a mão da minha cabeça e relaxou, apertando os olhos fechados. Eu rapidamente limpei minha boca, enquanto ele não estava olhando e verifiquei se meu decote tinha manchas. Minha própria excitação era um latejar incansável entre as minhas pernas. Dante se mexeu, chamando minha atenção de volta para ele. Ele olhou para mim com uma expressão ilegível e eu estava começando a me sentir autoconsciente. Eu me levantei, mas Dante fez o mesmo, se elevando sobre mim em sua com sua elegante camisa branca, o coldre da arma e as calças semiabertas. Procurei seus olhos, mas, como de costume, não pude lê-los.

Ele segurou meu pescoço e bateu a boca contra a minha. Eu ofeguei com surpresa e sua língua deslizou. Ele usou seu corpo para me empurrar até minhas pernas esbarrarem na borda da mesa. Ele agarrou meus quadris e me ergueu em cima da superfície fria, se colocando entre minhas pernas, me possuindo ainda com a boca e língua, fazendo minhas pernas ficarem dormentes e meu coração bater acelerado no peito. Deus, Dante sabia beijar. Eu queria que ele fizesse isso com mais frequência.

Ele agarrou meus ombros, parou de me beijar e me empurrou para baixo até que eu deitar sobre sua mesa. Olhei para ele, me obrigando a ficar deitada imóvel e deixar que ele me admirasse quando tudo que eu queria fazer era arrancar os botões da sua camisa e sentir seu pau dentro de mim. Dante parecia saber o que eu queria. O sorriso escuro estava de volta e a sofisticação tinha sido substituída por algo feroz e quente. Mordi o lábio e espalhei minhas pernas ainda mais, deixando minha camisola subir.

Eu sabia que Dante podia ver o que eu estava usando por baixo: nada. Eu não estava usando calcinha.

Ele soltou um suspiro duro, mas ainda assim não me tocou, o que estava me deixando à beira do desespero. Tentei agarrar sua camisa, mas ele saiu do meu alcance. — Não, — ele disse com autoridade. A voz que ele sempre usava quando estava dando ordens aos seus soldados. Era o som mais sexy do mundo, mas eu estava queimando com a necessidade. — Me toque.

— Eu ainda estou com raiva de você. O sexo não vai mudar isso. Você desobedeceu minha ordem direta.

Ele não podia estar falando sério. Se esta era outra forma de me punir, eu ia perder a cabeça.

— Vamos ver se você aprendeu sua lição. Você vai me obedecer agora, não vai?

Eu quase gemi com o timbre de sua voz e o olhar em seus olhos. — Sim, — eu disse rapidamente.

Ele deu mais um passo para trás. — Abra mais as pernas.

Eu não hesitei. O ar em seu escritório era frio contra minha carne aquecida, mas não fez nada para aliviar a necessidade me queimando. Dante desatou o coldre da arma sem pressa, sem tirar os olhos de mim. — Se toque.

Meus olhos se arregalaram, mas mais uma vez eu obedeci. Quando ele usava aquela voz eu tinha dificuldade em resistir. Passei a mão pelo meu corpo até chegar entre minhas pernas. Parte de mim estava envergonhada. Isso definitivamente não era algo que uma mulher respeitável fazia, de acordo com a minha mãe. Mas uma parte maior gostou do jeito que os olhos de Dante escureceram enquanto ele observava meus dedos deslizarem pelas minhas pregas e separarem meus lábios. Ele deixou o coldre da arma cair no chão com um baque. Dante estava ficando duro outra vez, enquanto observada meus dedos desenharem pequenos círculos sobre o meu clitóris.

— Coloque um dedo na sua buceta.

Eu tremia de excitação enquanto cumpria a sua ordem. Enfiei o dedo indicador no meu núcleo quente. Um músculo no rosto de Dante flexionou e seu pau lutou contra sua prisão novamente. Eu podia ver o quanto ele queria me tocar, me foder, mas Dante não era nada se não estivesse no controle de si mesmo e dos outros. Ele se colocou entre minhas pernas, segurou meus pulsos, e eu deslizei meu dedo para fora do meu canal apertado, esperando que ele fizesse isso por mim agora.

— Não, — ele rosnou. — Continue se fodendo com o dedo.

Como ele poderia soar tão perigoso e sexy ao mesmo tempo? Como poderia aquele homem frio dizer essas coisas safadas com a máxima autoridade? Eu empurrei meu dedo de volta para dentro, embora meu clitóris praticamente gritasse por atenção. Dante olhou para mim, sua mandíbula tensa. Ele puxou o topo da minha camisola para baixo, revelando meus seios. Meus mamilos endureceram devido ao ar frio e ao olhar penetrante de Dante. Ele pegou meus mamilos entre seus dedos indicadores e polegares, e começou a rolar de um lado para o outro. Eu arqueei minhas costas, mas não parei de me foder com o dedo.

Estendi a mão para a camisa de Dante, mas ele beliscou meus mamilos em advertência. — Não, — ele murmurou. Empurrei meus quadris para cima com as sensações de balanço através do meu corpo, a dor sensual que eu comecei a gostar mais do que eu jamais pensei que poderia. Os dedos de Dante torciam e rolavam meus mamilos implacavelmente. Meu núcleo tremeu com a necessidade de gozar. — Dante, por favor.

Ele me encarou com um olhar fixo, então soltou um dos meus seios e agarrou meu braço, me impedindo de me tocar mais. Ele puxou minha mão e a colocou ao meu lado na mesa. Dante empurrou minha camisola para que minha buceta estivesse visível. — Não goze, — alertou.

— O quê? — Eu engasguei, mas o som se transformou em um gemido quando ele deslizou seus dois dedos do meio dentro de mim. Meus músculos se apertaram em torno deles, agarrando os dedos em um punho de ferro. Ele começou a me foder lentamente, mas ele me advertiu novamente com o olhar. — Não, Valentina.

Cavei minhas unhas em minhas mãos, tentando lutar contra o clímax. Dante empurrou seus dedos profundamente em mim e os manteve no lugar enquanto seu polegar roçava meu clitóris. Eu cerrei os dentes, meu corpo começando a ter espasmos.

— Não goze, — disse Dante com a voz rouca.

— Dante... — eu balancei a cabeça de um lado para o outro, com certeza eu iria explodir a qualquer momento. Dante fechou os dedos em mim e apertou com força o meu clitóris. — Agora, — ele ordenou severamente, e meu orgasmo caiu em cima de mim com força assombrosa. Minha bunda arqueou fora da mesa enquanto eu gritava a minha libertação. Minhas mãos deslizaram sobre a superfície lisa da mesa, à procura de algo para agarrar.

— Isso mesmo, — disse Dante, com os olhos em mim. Eu me acalmei, me sentindo saciada. Dante lentamente tirou os dedos de dentro de mim, o que enviou outro pico de prazer pelo meu corpo. Ele soltou o cinto, a única coisa que mantinha suas calças já abertas no lugar, e as deixou cair no chão. Seu pênis estava duro, vermelho e brilhante. — Vire-se. — Eu deslizei para fora da mesa, e fiquei com as pernas bambas por um momento antes de enfrentar o outro lado e inclinar para frente. Eu me apoiei em meus cotovelos e projetei minha bunda para fora. Arriscando uma espiada por cima do ombro, encontrei Dante com os olhos em mim. Ele amassou as bochechas da minha bunda antes de agarrar seu pau e guiá-lo para a minha entrada. Em um movimento rápido, ele se enterrou profundamente em mim. Exalei e enrolei os dedos ao redor da borda da mesa, tentando me firmar quando Dante começou a me foder duro. Engoli em seco quando ele bateu mais e mais em mim, fazendo meus mamilos esfregarem contra a mesa fria.

— Estou perdoada? — eu disse ofegante.

Dante rosnou. Ele se inclinou sobre mim, com seus dedos encontrando a minha protuberância. — Eu não deveria te perdoar, — disse ele entre grunhidos, acentuando cada palavra com um golpe duro. — Mas, por alguma razão, eu não posso ficar com raiva de você.

Um sorriso puxou meus lábios, mas caiu do meu rosto quando Dante acertou meu ponto G e me fez quebrar sob a força do meu clímax. Ele ficou tenso atrás de mim quando seu próprio orgasmo o venceu. Minhas pernas estavam a segundos de entrar em colapso e meus seios estavam provavelmente vermelhos da fricção sobre a mesa. Dante passou o braço em volta do meu peito, puxando nossos corpos juntos e ainda bombeando em mim enquanto deixava um rastro de beijos até meu ombro. Ele estremeceu novamente e lambeu minha orelha. Ficamos assim por um tempo antes dele dar um passo para trás. Eu me empurrei para levantar. — Você vai vir pra cima comigo? — perguntei enquanto juntava minhas roupas.

Dante hesitou, mas depois concordou. Eu andei na frente para esconder dele a minha expressão exultante. Isto era uma grande vitória.

Depois que tinha tomado banho, escorreguei na cama. Eu me aconcheguei em volta de Dante e pousei meu braço sobre seu estômago. Quando eu tinha quase adormecido, sua mão cobriu a minha.

 

***

 

Nós caímos na mesma rotina que tínhamos estabelecido antes do fiasco que foi o encontro com Frank. Dante me fodia à noite, se engajava em falar comigo sobre o cassino durante as refeições e fora isso me ignorava na maior parte do tempo. Toda manhã eu acordava sozinha, não importava quanto tempo ele me mantivesse acordada na noite anterior.

Esta manhã eu acordei com ânsia. Quando me sentei, uma onda violenta de mal estar me bateu. Corri para o banheiro e vomitei um pouco do que tinha no meu estômago, ofegante e tonta. Aos poucos uma suspeita se insinuou na minha mente. Minha menstruação estava atrasada há pelo menos uma semana. Mas meus ciclos menstruais sempre tinham sido bastante voláteis, então eu não tinha prestado muita atenção.

Eu estava grávida? Lentamente me endireite e caminhei em direção à pia para lavar meu rosto e a boca. Seria a explicação lógica. Dante e eu estávamos transando há meses sem proteção. Quando eu estava certa de que a minha tontura tinha passado, tomei um banho antes de eu vestir uma calça e um pulôver, prender o cabelo em um rabo de cabalo e descer para o andar de baixo. Eu tinha que saber se estava grávida.

Chamei Taft e disse que precisava ir a uma farmácia. Enzo ainda estava com o braço engessado, então ele não podia trabalhar como meu motorista no momento. Taft não perguntou por que, e isso me deixou feliz. Eu não queria que ninguém suspeitasse de nada ainda. Eu precisava saber com certeza antes de contar a alguém. Taft esperou no carro enquanto eu fui à farmácia e comprei dois testes de gravidez. Uma vez de volta ao carro, minha compra escondida com segurança dentro da minha bolsa, eu me virei para Taft. — Por favor, me leve para a casa de Bibiana. — Desde que comecei a trabalhar no cassino eu tinha menos tempo para ela, mas isso era algo que eu queria compartilhar com minha prima.

Mandei uma mensagem para que ela soubesse que eu estava chegando e não a surpreendesse com seu marido em um momento ruim novamente. Felizmente Tommaso não estava em casa quando eu cheguei. Não havia hematomas visíveis em seu corpo, e eu esperava que fosse porque ele a estava tratando melhor, e não porque ele fez questão de esconder os hematomas desde aquela noite em que Bibi tinha dormido na minha casa. — Você está bem? — perguntei como forma de saudação.

Bibi assentiu. — Tommaso tem estado de bom humor ultimamente. — Ela me levou para a sala de estar. — Eu estou tão contente de te ver outra vez. Você não tem que trabalhar?

— Acho que não vou hoje. Vou ligar para Leo depois para avisar.

— Aconteceu alguma coisa?

Puxei os testes de gravidez da minha bolsa.

Os olhos de Bibi se arregalaram. — Você está grávida?

— Eu não sei. É por isso que eu comprei isso. Eu queria que você estivesse junto quando eu descobrisse.

— Uau. Dante suspeita de alguma coisa?

Eu balancei minha cabeça. — Eu quero saber com certeza antes de dizer a ele.

— Entendo. Ele só ficaria desapontado se você dissesse a ele e, em seguida, não fosse verdade. — Ela pegou um dos testes de gravidez. — Então você quer fazer agora?

Eu balancei a cabeça, os nervos vibravam no meu estômago. Bibi me levou ao banheiro social da casa. Eu entrei sozinha. Nunca tinha conseguido fazer xixi com outras pessoas no banheiro junto comigo. Uma vez que estava feito, apoiei ambos os testes na borda da pia e abri a porta. Bibi colocou o braço em volta da minha cintura enquanto nós duas olhávamos para os testes.

— Eu acho que está na hora, — disse ela depois de alguns minutos.

— Ok. — Eu me aproximei de ambos os testes e com um profundo suspiro, olhei para eles. Os dois eram positivos. — Estou grávida.

Bibi me abraçou com força. — Isso é maravilhoso! Estou tão feliz por você. Dante vai ficar tão orgulhoso quando descobrir. Ele esperou muito tempo por crianças e você está finalmente dando isso a ele. Você vai contar a ele hoje?

Eu considerei isso. — Acho que eu deveria ter a confirmação da minha ginecologista. Como você disse, devo ter certeza absoluta antes de contar a ele. — E a outra razão era que eu precisava de algum tempo para me acostumar com a ideia. Eu sempre quis ter filhos, e Dante e eu nunca tínhamos tomado medidas preventivas, mas agora que eu sabia que ia ter um bebê em menos de um ano, fiquei com os nervos à flor da pele.

— Eu não conseguiria manter o segredo. Especialmente por que Tommaso está desesperado para me engravidar.

— Talvez nós vamos engravidemos juntas. Isso seria ótimo.

Ela sorriu. — Vá em frente, ligue para a médica.

— Eu vou, — eu disse com uma risada. Ela parecia mais feliz do que eu.

Como sempre, consegui uma consulta para o dia seguinte. Minha ginecologista era da máfia, então eu não tinha que esperar muito.

 

***

 

Naquela noite, quando Dante e eu nos sentamos para jantar juntos, a verdade estava na ponta da minha língua. Eu ainda estava me sentindo enjoada e não comi mais do que algumas mordidas da deliciosa lasanha de Zita. O meu copo de vinho permaneceu intocado e eu só conseguia administrar apenas alguns goles de água. Dante olhou para mim por cima da sua taça de vinho. — Você está bem? Mal tocou na sua comida.

— Não me sinto muito bem. Talvez eu tenha pegado uma gripe e isso tenha afetado meu estômago.

As sobrancelhas de Dante franziram. — Devo dizer a Zita para fazer um chá e canja de galinha?

Eu não pude deixar de sorrir. — Obrigada, mas eu acho que vou ir para a cama cedo. — Levantei e tive que me apoiar na borda da mesa quando uma onda de tontura tomou conta de mim. Dante estava imediatamente ao meu lado. — Devo chamar o médico?

Eu balancei a cabeça, e em seguida lamentei o movimento. — Não. Vou me sentir melhor quando eu me deitar. — Dante não saiu do meu lado quando me levou lá para cima, a mão apoiada no meu quadril.

Coloquei meu pijama enquanto Dante me observava. Então eu fui pra debaixo das cobertas. — Você quer que eu fique com você? — ele perguntou.

Eu hesitei. — Eu não acho que estou bem o suficiente para transar.

Dante se empoleirou em cima da cama. — Valentina, não foi isso que eu quis dizer. Eu não sou esse tipo de bastardo.

— Eu apenas pensei... — eu parei. — Você geralmente só se aproxima de mim quando quer dormir comigo.

Dante exalou, depois balançou a cabeça. — Gostaria que eu te fizesse companhia até você cair no sono?

Eu não queria parecer carente, mais do que queria que ele ficasse comigo. Seu bebe estava crescendo no meu corpo, e se minha ginecologista confirmasse os testes, então eu contaria a ele. — Eu não quero te afastar do seu trabalho.

Dante sentou contra o encosto da cama, as pernas penduradas ao longo da borda da cama para que seus sapatos não tocassem os lençóis. Me aproximei dele e descansei minha cabeça em seu estômago. Quando seus dedos começaram a massagear meu couro cabeludo, meus olhos se fecharam. Talvez um bebê fosse nos aproximar. Isso havia acontecido com alguns casais na Outfit.

 

***

 

No dia seguinte, minha ginecologista confirmou a gravidez e que eu estava de sete semanas.

Eu mal podia conter a minha emoção e nervosismo quando cheguei em casa. Dante não estava em seu escritório. Liguei para Bibi e peguei alguns pedaços de torrada na cozinha antes de me esticar no sofá, na esperança de acalmar minha excitação. Minha médica havia dito que a náusea poderia durar várias semanas, mas eu realmente esperava que eu estivesse entre as sortudas que sofriam desse mal estar matutino por apenas um tempo muito curto.

Eu despertei com o som de uma porta sendo fechada e me sentei, desorientada. Levei um tempo para perceber que eu tinha adormecido na sala de estar. Passos pesados passaram pela porta da sala, e então pela parte de trás do lobby. Eu fiquei de pé, e depois de ter endireitado minhas roupas e cabelo, me dirigi para o escritório de Dante. A porta estava fechada, como sempre. Bati e entrei.

Dante estava sentado atrás de sua mesa, uma expressão tempestuosa no rosto. Encostei-me à porta. Ele olhou para cima, mas não disse nada.

— O que aconteceu? Os russos estão dando problemas? — Eu não mencionei Frank, não querendo lembrar Dante da confusão que causei.

Dante se recostou na cadeira e balançou a cabeça. — Não, os russos não são o problema dessa vez, — disse ele friamente. — Nossas próprias pessoas assumiram a tarefa.

Eu fiz uma careta. — O que você quer dizer? Um dos seus homens te traiu?

— Parece que não vai ter casamento.

— Você quer dizer entre Gianna e Matteo? Por quê? Eles brigaram outra vez?

— Uma briga não teria impedido Matteo de fazer a garota Scuderi sua esposa. Ele está obcecado por ela. Não, a menina fugiu.

Eu entrei na sala e me sentei na ponta da mesa, atordoada com a notícia. — Gianna fugiu de casa? Mas como ela conseguiu escapar de seus guarda-costas? — Eu duvidava que Scuderi a tivesse deixado fora de vista por um segundo. Ela era muito instável para isso.

— Eu tive uma reunião com Rocco, mas não sei todos os detalhes ainda.

— Nova York não vai ficar feliz com isso. Você acha que isso vai provocar uma guerra entre nós de novo?

Os lábios de Dante se torceram em um sorriso irônico. — Eu duvido. Gianna fugiu enquanto ela estava visitando Aria, por isso é tanto culpa dos Vitiello como nossa.

— É culpa deles, então. Como pode ser nossa culpa se ela estava em seu território?

— As pessoas vão dizer que os Scuderi não criaram suas meninas direito. Alguns vão começar a se perguntar como um consigliere pode controlar seus soldados se ele não pode nem mesmo controlar sua própria filha. Alguns podem até dizer que isso se reflete de forma ruim sobre mim, porque estou sendo aconselhado por alguém que deixa sua filha fugir.

— Isso é ridículo. Gianna sempre foi impulsiva. Seus irmãos são perfeitamente bem comportados, de modo que ninguém pode culpar Scuderi ou você. — Eu me lembrei do que Gianna tinha dito sobre escapar na noite em que conversamos. Eu deveria ter levado suas palavras mais a sério? Eu pensei que ela estivesse apenas desabafando.

— Eu não tenho tanta certeza. E quem diz que Aria não ajudou sua irmã escapar?

Meus olhos se arregalaram. — Mas Gianna vai se casar com o cunhado de Aria. Ela teria traído seu próprio marido se ajudou sua irmã fugir.

Dante assentiu, aquele mesmo sorriso frio ainda em seu rosto. — As coisas vão ficar muito desagradáveis.

Eu esfreguei minha barriga distraidamente. — O que você vai fazer? Matteo cancelou o casamento?

— Ah, não. Matteo não tem intenção de cancelar o casamento. Ele está determinado a encontrar Gianna. Ele já começou a procurar por ela. — Ele suspirou. — Scuderi está enviando dois de seus soldados com Matteo. Os três devem ser capazes de rastrear a menina. Eles são profissionais e ela é uma menina mimada que não sabe nada sobre o mundo real.

Eu podia sentir uma nova onda de mal estar aumentando em mim, mas lutei contra ela. — Não subestime Gianna. Se há alguém que poderia fazer isso, é ela.

— Talvez. Mas ela é também uma cabeça quente, e isso fará com que acabe cometendo erros.

Chupei uma respiração profunda através de meus dentes quando meu estômago revirou novamente. Dante procurou meu rosto. — Você está pálida. Você ainda não se sente bem? Talvez seja bom conversar com um médico.

— Não, eu... — eu não consegui terminar a frase quando outra onda de náusea tomou conta de mim. Corri para fora do escritório de Dante e em direção ao banheiro social para visitas. Eu não iria conseguir chegar ao banheiro da suíte no segundo andar. No momento em que estava inclinada sobre o vaso sanitário, pus pra fora o pouco que tinha comido naquela manhã. A bile queimava minha garganta. Fechei os olhos por um momento enquanto me agarrava ao vaso. Isso não ajudou com a vertigem, e as coisas ficaram piores. Meus olhos se abriram quando ouvi passos atrás de mim e os sapatos elegantes de Dante apareceram na minha visão periférica. Eu rapidamente fiquei de pé e cambaleei. Dante agarrou meu braço para me firmar enquanto eu balançava. — Valentina? — sua voz transmitia confusão.

Lavei minha boca e meu rosto na pia. Eu podia sentir os olhos de Dante em mim o tempo todo. Eu o enfrentei, sorrindo trêmula. — Eu estou bem.

Dante não parecia convencido. Ele me seguiu para o saguão e então para o andar superior até nosso quarto. Eu queria mudar minha camisa. Eu não tinha certeza, mas achava que ela estava com cheiro de vômito. Eu sabia que Dante estava suspeitando de algo, mas eu não queria contar a ele sobre o nosso bebê enquanto ele estivesse de mau humor por causa de Gianna. Eu preferia manter isso em segredo um pouco mais.

Dante tocou minha cintura. — Você sabe que eu odeio quando você mantém segredos. Não faça disso um hábito.

Eu conhecia o seu olhar, e apertei minha mão contra o meu estômago. Dante seguiu o movimento, seu corpo ficou tenso.

— Estou grávida, — eu tentei dizer de forma tranquila. Eu não tinha certeza do que eu esperava. Eu sabia que Dante não era o tipo excessivamente emocional, mas eu esperava por algum lampejo de alegria, pelo menos. Mas só havia suspeita em seu rosto. Ele deu um passo para trás, com olhos duros e calculistas. — Grávida?

— Sim. Nós nunca usamos proteção, então não sei por que você está tão chocado. Um herdeiro não foi uma das razões pela qual você se casou comigo?

— Essa foi a razão pela qual meu pai queria que eu me casasse outra vez.

— Então você não quer ter filhos?

A boca de Dante se desenhou em uma linha apertada. — É meu?

Agora foi a minha vez de tropeçar longe dele, choque batendo em mim. Eu não podia nem dizer nada. Ele tinha realmente perguntado o que eu achava que ele tinha? Eu estava à beira de um colapso emocional.

— Responda à minha pergunta, — disse Dante, em voz baixa.

— Claro que é seu filho. Você é o único homem com quem eu já dormi. Como você pode fazer essa pergunta? Como você se atreve?

— Eu não mantenho o controle de tudo que você faz, e há muitos homens que frequentam o cassino onde você trabalha que não iriam dizer não a uma noite com você. Você tem o hábito de esconder coisas de mim. Eu tenho que te lembrar de Frank?

Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Eu não queria acreditar. Lágrimas de decepção e fúria queimavam meus olhos. Estar grávida não tinha exatamente ajudado com relação ao meu temperamento e emotividade. — Como você pode dizer uma coisa dessas? Eu nunca lhe dei qualquer razão para duvidar de mim assim. Eu sou leal a este casamento. Há uma diferença entre não ter te contado sobre Frank e ter traído você.

Dante ainda não parecia convencido. — A minha primeira esposa e eu tentamos engravidar durante anos. Isso nunca funcionou. Você e eu estamos casados há menos de quatro meses e você já está grávida.

— Eu não sei por que você age como se isso fosse impossível. Se a sua primeira esposa era estéril, então essa é a sua explicação. Vocês nunca consultaram um médico? Ou você achou que você era infértil?

— Nós nunca fomos a um médico para descobrir porque não conseguíamos conceber. Não que seja da sua conta. Não vou discutir meu primeiro casamento com você.

Eu sabia porque ele nunca tinha consultado um médico. Orgulho estúpido dos homens iniciados. Eles preferiam viver na ignorância a correr o risco de ouvirem que eram inférteis. — Lamento muito. Estamos discutindo isso agora. Eu sei porque você não queria descobrir. Você não queria saber a verdade porque se preocupava que isso o tornaria menos homem, caso fosse sua culpa que sua esposa não conseguia engravidar. Mas agora sabemos que não foi sua culpa. Carla é que era infértil. — Eu estremeci por dentro com o meu discurso. Eu não queria falar mal de uma mulher morta.

Dante sacudiu a cabeça. — Eu disse que não queria falar sobre Carla.

— Por que não? Porque você ainda a ama? Porque você não pode seguir em frente? — ele endureceu. — Sinto muito que você tenha perdido Carla, mas eu sou sua esposa agora. — De repente, tudo o que eu tinha engarrafado pareceu vir à superfície.

Eu podia ver que Dante estava oscilando, à beira de perder o controle. Eu estava tão cansada da sua calma sofisticada, de sua lógica fria. — Eu estou cansada de você me tratar como uma prostituta. Você me ignora durante o dia e a noite vem até mim para transar. E agora você me acusa de traição? Às vezes eu acho que você me machuca de propósito para me manter sob seu controle. Quando você vai finalmente seguir em frente? Sua esposa morreu há quatro anos, é hora de você parar de sentir pena si mesmo e perceber que a vida continua. Quando você vai parar de se apegar à memória de uma mulher morta e notar que há alguém em sua vida que quer ficar com você?

Dante estava na minha frente, com os olhos faiscando de raiva e tristeza. — Não fale sobre ela.

Eu levantei meu queixo. — Ela está morta e não vai voltar, Dante.

Ele apertou as mãos ao seu lado. — Pare de falar sobre ela. — Havia uma sugestão de advertência em sua voz.

— Ou o quê? — Eu disse, embora a raiva nos olhos de Dante enviasse um arrepio de medo pelas minhas costas. — Você quer me bater? Vá em frente. Isso não pode ser pior do que a faca que você empurrou em mim por me acusar de levar o filho de outro homem. — Não era exatamente a verdade. Se ele levantasse a mão contra mim, esse casamento estaria condenado de uma vez por todas. Eu sabia que algumas mulheres do nosso mundo aceitavam o abuso físico, muitas não tinham qualquer escolha, Bibiana era uma delas, mas eu tinha jurado que nunca iria me curvar a um homem desses. Lágrimas estúpidas deixaram a minha visão embaçada, mas eu as forcei de volta. Eu não iria chorar na frente de Dante.

— Você está tão ocupado em honrar a memória e proteger a imagem de sua esposa que não percebe o quanto você está me maltratando. Você perdeu sua primeira esposa, não por culpa sua, mas vai perder a segunda porque não consegue esquecê-la e seguir em frente.

Dante olhou para mim, completamente congelado. A miríade de emoções em seus olhos era impossível de ler, e eu estava cansada demais para me preocupar. Passei por ele, que não tentou me parar. Ele não se mexeu. — Eu vou ir para o quarto de hóspedes. Não há espaço suficiente no nosso quarto para mim e as memórias de seu passado. Se você decidir que quer dar a este casamento uma oportunidade, então pode vir a mim e pedir desculpas pelo que disse. Até então, vamos ficar assim.

Corri até a escada. Dante não tentou me seguir. Os quartos de hóspedes estavam sempre preparados. Eu escorreguei no primeiro deles, contente quando a porta se fechou atrás de mim. Me arrastei para a cama. Talvez eu tivesse selado o destino do meu casamento hoje, mas eu não poderia voltar à forma como as coisas eram. Eu preferia ter as coisas em pratos limpos. É claro que eu não podia me divorciar de Dante e ele nunca permitiria isso, não que eu quisesse isso, mas poderíamos levar uma vida completamente distinta, apesar de sermos casados. Muitos casais em nosso mundo faziam isso. Íamos levar nossos dias assim, dormiríamos em camas separadas e seríamos um casal em público. Teríamos de criar nossos filhos juntos, mas a maioria dos homens ficava em segundo plano nesses assuntos de qualquer maneira. Eventualmente Dante iria começar a frequentar o Clube Palermo ou encontrar uma amante como tantos homens faziam, e eu concentraria toda a minha energia em cuidar dos nossos filhos. Muitas mulheres estavam em situação pior, e ainda assim a ideia que eu tinha acabado de pintar do meu futuro me fez mal, mas eu não podia fingir que Dante não tinha me dito aquelas coisas horríveis.

Isso estava longe do meu alcance, agora. Dante tinha que decidir se queria viver no passado ou seguir em frente para um futuro comigo.