Bound by Duty
Capítulo Vinte e Dois
Nas semanas seguintes após a morte de Tommaso, Bibiana desabrochou para uma nova vida. Ela parecia florescer na solidão de sua casa. Eu gostaria de poder lidar com a solidão também. Dante estava mais ocupado do que nunca. Ele queria ter certeza de que o resto de seus homens estava cem por cento com ele. Isso não deixava muito tempo para mim, exceto para as noites em que ele me acordava com carícias e beijos. Desde que eu lhe pedi para fazer amor comigo depois da morte de Antonio, ele tinha permitido mais proximidade durante o sexo e muitas vezes tinha me segurado em seus braços, mas eu tinha a sensação de que ele ainda preferia ficar por trás de mim, uma vez que isso permitia que ele mantivesse sua distância.
Passei meus dias entre trabalhar no cassino ou com Bibiana e Inês, que havia se tornado uma presença mais constante na minha vida conforme minha gravidez avançava. Hoje nós três tínhamos combinado de ir às compras juntas. Era claro que roupa de bebê era o item número um na nossa agenda do dia.
Quando entramos em nossa primeira loja de bebê, Inês fez a pergunta que eu sabia que ela estava morrendo de vontade de perguntar há horas. — Então, como Dante tem lidado com a gravidez?
— Ele não está lidando com nada, na verdade, — eu disse casualmente. Eu não queria que Inês soubesse o quanto isso me incomodava, que ele não me perguntava sobre o nosso bebê diretamente. Ele sempre perguntava como eu estava e era cada vez mais cuidadoso quando dormíamos juntos, mas ele nunca usava a palavra bebê. Ele não tinha sequer perguntado se era menino ou menina ainda. — Na maior parte do tempo ele finge que não existe gravidez.
Inês olhou minha barriga saliente. Ainda não era muito óbvio quando eu usava uma blusa folgada, eu estava com apenas 26 semanas mas é claro que Dante via isso o tempo todo. — Ele é impossível mesmo. Você quer que eu fale com ele?
— Deus, não, — eu disse rapidamente, e em seguida lhe dei um sorriso de desculpas. — Mas eu agradeço. Dante ficaria furioso se você interferisse.
— Você está certa, provavelmente. Eu ainda não gosto disso. Às vezes eu não entendo os homens. Por que eles não podem admitir quando erram?
Eu dei de ombros. Era algo que eu me perguntei tantas vezes, mas nunca tive resposta. Bibiana ergueu um bonito macacão com “Tranquem seus meninos, papai tem uma arma”, escrito na frente. — Não que alguém precisa do lembrete, mas por que não? Você tem que ter um desses. — Ela sorriu, depois ficou séria. — Há algo errado?
Eu não tinha certeza. Senti uma pontada estranha no meu abdômen inferior. Talvez meu pequeno bebê estivesse deitado em uma posição desconfortável e pressionando meus rins para baixo. — Eu estou bem, — eu disse. Peguei o macacão. — Eu não sei nem se é menina.
— Eu realmente espero que seja, assim nossas meninas poderiam brincar juntas. — Bibiana estava apenas de 18 semanas, mas ela já tinha perguntado ao médico sobre o sexo do bebê. Ela ficou aliviada quando descobriu que era uma menina, porque ela se preocupava que um menino pudesse lhe lembrar muito de Tommaso.
— Eu gosto da surpresa. — Isso não era verdade. Eu estava curiosa. Eu tinha estado curiosa desde que descobri que estava grávida, mas eu queria Dante ao meu lado quando o médico me dissesse o sexo do nosso bebê. Eu não tinha certeza se isso ia acontecer.
— Eu não sei como você consegue. Eu sou muito curiosa, — disse Bibiana.
Inês assentiu. — Pietro queria saber desesperadamente se ele teria um herdeiro. Eu acho que os gêmeos realmente foram o resultado perfeito para nós dois. — Ela riu, então parou quando viu meu rosto. — Os seus pais se importam com isso? Sei que meu pai está ansioso para que Dante tenha um filho que possa se tornar Capo no futuro. Não deixe que ele a pressione.
— Eu não o vejo com muita frequência, — eu disse. — Mas é claro que eles me perguntaram sobre o sexo. O pai dele não parecia muito feliz quando eu lhe disse que não queria saber.
— Homens. Estou realmente surpresa por Dante não estar mais interessado em descobrir se ele vai ter um herdeiro em breve. Mas ele sempre foi despreocupado com essas coisas. Muitos homens teriam encontrado uma maneira de conseguir um herdeiro em outro lugar se tivessem uma esposa estéril, mas Dante nunca culpou Carla. Ele ficou com ela, mesmo quando nosso pai lhe pediu para encontrar uma amante para engravidar.
— Isso é horrível, — eu disse. Houve uma pressão ainda mais estranha no meu abdômen inferior, mas parecia melhor agora que não estávamos andando tanto.
— É. Papai sugeriu que Dante e Carla criassem a criança como se fosse deles, mas Dante recusou.
— Talvez porque ele temesse que não desse certo, — disse Bibiana calmamente. Eu dei de ombros. Eu não queria falar sobre isso em público. Dante não ficaria feliz se ele descobrisse. Claro, agora sabíamos que Carla é quem deveria ter sido estéril, mas que Dante e eu não tivéssemos falado sobre isso desde a nossa briga.
— Então, o que você diz? — Bibi perguntou com um sorriso brilhante, ainda segurando o macacão.
Eu balancei a cabeça com um sorriso resignado. — Ok. Eu vou ficar com ele. Mesmo que eu tenha um menino, talvez da próxima vez seja uma menina, então não é como se eu estivesse colocando dinheiro fora.
Inês tocou minha barriga levemente. — Eu mal posso esperar. Nada é melhor do que cheirinho de recém-nascido e aqueles minúsculos dedinhos dos pés.
— É verdade, — eu disse enquanto olhava para o carrinho onde a menina de Inês estava dormindo profundamente.
Bibi e eu compramos os macacões. Então nós dissemos adeus a Inês, que voltou para seu carro com seu próprio guarda-costas, enquanto Taft seguiu atrás de mim e Bibi quando caminhamos de volta para a Mercedes. Ele fingiu que não estava lá. E eu era grata por isso. Quando eu era casada com Antonio, muitas vezes eu saí de casa no meu próprio carro, mas isso era uma coisa do passado agora.
Taft nos levou de volta para a minha casa. Bibi e eu queríamos passar o resto da tarde juntas, pesquisando nomes de bebês em livros e comendo o delicioso bolo italiano de amêndoas que Zita assou esta manhã.
O ligeiro desconforto na minha barriga, que eu senti durante todo o dia, aumentou enquanto subíamos os poucos degraus da porta da frente e entramos na minha casa. Taft pediu licença em silêncio e, com certeza, voltou para a casa de guarda, agora que não se fazia mais necessário. A casa estava tranquila, exceto pelo ruído distante de vozes masculinas. Dante provavelmente ainda estava em uma reunião.
— Venha. Vamos levar nossas compras para o andar de cima. Eu quero te mostrar o abajur que eu comprei para o quarto do bebê, — disse Bibiana.
Coloquei meu pé no primeiro degrau e congelei. Uma dor aguda atravessou minha barriga. Larguei as sacolas que eu estava carregando e agarrei meu estômago imediatamente enquanto minha outra mão disparou para segurar o corrimão. Algo quente escorreu pelas minhas pernas. Eu olhei para o meu corpo, horrorizada. Minha calça bege estava ficando rapidamente mais escura. Será que era líquido amniótico? Era muito cedo. Muito cedo. Aquilo não parecia ser água, mas o que eu entendia disso?
Bibiana soltou um grito, chocada. Eu estava atordoada demais para pronunciar uma palavra. — Valentina? Fale comigo.
— É muito cedo, — eu disse em voz baixa. Ainda tinha mais catorze semanas de gravidez. Comecei a tremer enquanto me agarrava à minha barriga.
— Você está sangrando, — Bibiana sussurrou. Ela estava certa. Minha calça tinha um tom de vermelho escuro. Minha visão turvou.
— Precisamos de uma ambulância, — disse Bibiana. Em seguida, ela balançou a cabeça. — Precisamos chamar Dante.
Minhas pernas começaram a tremer e eu tive que me inclinar contra a parede para não cair. Dante estava em uma reunião importante. E eu não tinha certeza se ele queria que essa criança. Ele provavelmente ainda pensava que eu o tinha traído. — Não, Dante está ocupado.
Bibi me deu um olhar incrédulo. — O inferno que ele está. Socorro! Ajuda! — ela começou a gritar.
Eu estava preocupada em não cair, então não tentei lhe impedir. A porta do escritório de Dante foi escancarada e ele saiu com a arma apontada para fora. Meu pai e Rocco Scuderi estavam atrás dele com as suas próprias armas em punho. O olhar de fogo de Dante pousou em mim, e a fúria deslizou do seu rosto, sendo substituída por preocupação.
— Valentina? — Disse Dante quando correu em minha direção, já colocando a arma de volta no coldre. — O que está acontecendo?
— Não é nada. Eu não queria atrapalhar a reunião.
Dante passou um braço em volta de mim, erguendo minhas pernas. Seu olhar viajou para minhas calças molhadas. Eu nunca tinha visto aquele olhar em seu rosto. Será que ele estava realmente preocupado comigo? Engoli em seco quando a dor me cortou novamente. Meu pai apareceu na minha frente. — Valentina?
— Precisamos levar ela a um hospital, — disse Bibiana acentuadamente.
Dante concordou e me levantou.
— Sua camisa. Você está ficando sujo.
Dante me segurou ainda mais apertado e me levou para fora. De uma só vez, Taft e Enzo correram em nossa direção. — Eu quero que vocês vão na frente, — Dante ordenou. A eficiente calma foi substituída por algo urgente em sua voz. Eles acenaram antes de se apressarem. Meu pai abriu a porta do passageiro da Mercedes e Dante gentilmente me colocou lá dentro.
— Eu vou pegar a sua mãe, — meu pai disse quando tocou minha bochecha. — Nós vamos estar no hospital em breve.
Ele fechou a porta, e no momento que Dante deslizou atrás do volante, ele pisou no acelerador e voamos para fora da garagem até a calçada. O carro com Enzo e Taft esperava ali na frente, mas disparou pela rua quando tínhamos quase os alcançado.
Dante dirigia bem acima do limite de velocidade. Cada solavanco na rua me fazia estremecer. A dor não era mais tão forte, agora havia apenas uma dor interna, mas e se isso fosse um mau sinal? — Nós deveríamos ter colocado uma toalha sobre o banco. Estou ficando toda molhada, — eu disse.
Dante olhou na minha direção. — Eu não dou a mínima para o banco, ou o carro, ou qualquer coisa agora. Você é tudo o que importa. — Ele estendeu a mão e pegou a minha, que estava descansando sobre a minha barriga. — Estamos quase lá. Você está com dor?
— Não é tão ruim quanto antes, — eu sussurrei. Então porque eu simplesmente não podia deixar esse assunto de lado, eu disse. — É o seu bebê, Dante. Eu nunca te traí e jamais vou fazer isso.
Dante prendeu a respiração. — É essa a razão disso tudo?
— Você acha que minha bolsa estourou porque eu estava chateada com você?
— Eu não sei. — Havia algo perto de desespero no seu rosto. — Eu sou um filho da puta, Val. Se você perder essa criança... — Ele balançou a cabeça e se concentrou no caminho à sua frente quando nós paramos na entrada do hospital. O carro com os nossos guardas já estava lá, e por isso um médico e uma enfermeira com uma maca também. Dante saltou do carro e correu em torno da frente para ajudá-los a me tirar do carro. Assim que deitei na maca, já estava sendo conduzida para o hospital. Dante não saiu do meu lado em momento algum. Ele só soltou minha mão quando ficou no caminho dos médicos e enfermeiros.
***
Depois de horas de ultrassonografias, exames de sangue e de todos os outros tipos de testes, eu finalmente estava em um quarto. Eu estava cansada e com medo, embora não tanto quanto antes. Dante se sentou na beirada da cama e tirou alguns fios de cabelo do meu rosto. Minhas pálpebras estavam pesadas, mas eu não queria dormir. Dante tinha falado com os médicos, mas eu sentia como se meu cérebro não pudesse processar as explicações deles no momento. — O que eles disseram? — perguntei.
— O médico me disse que houve uma ruptura prematura da membrana. É por isso que você perdeu um pouco de líquido amniótico.
— O que isso significa? Eles vão querer tirar o bebê mais cedo? — Medo se agarrou em minha garganta. Seria muito cedo. E se eu perdesse o nosso filho?
Dante se acomodou contra o travesseiro e me puxou contra seu peito. — Não, eles não tirar antes. Não rompeu completamente, mas é claro que há um maior risco de infecção agora, é por isso que você vai ter que tomar antibióticos por um tempo. Você não entrou em trabalho de parto, o que foi uma sorte. Eles esperam atrasar o nascimento até completar trinta semanas, pelo menos. Você vai ter que ficar na cama tanto quanto possível, e não está autorizada a fazer esforço nenhum.
— Tudo bem, — eu sussurrei. — Eu só quero que o nosso bebê esteja seguro.
— Vai estar. Nós não vamos deixar nada acontecer com ela, — disse Dante em sua voz calma e suave.
Eu me assustei. — Ela?
Dante assentiu. — Eu perguntei ao médico. Eles puderam ver quando fizeram o ultrassom. É uma menina.
Eu queria ficar feliz, e eu estava. Eu amaria nosso filho, não importava se fosse menino ou menina, mas eu sabia o que era esperado de mim. Lambi meus lábios secos, procurando os olhos de Dante. — Você está com raiva porque não é um menino? Eu sei que você precisa de um herdeiro. Seu pai...
Dante segurou meu rosto, me impedindo de dizer mais. — Estou feliz. Eu não me importo se é menino ou menina. E meu pai acabará por ver a razão.
Ele parecia sincero, mas eu conhecia que a realidade da máfia, e a necessidade de um homem iniciado de ter um garoto que pudesse seguir seus passos, que entrasse para a máfia e garantisse o sucesso da Outfit. Um homem precisava ter um filho do sexo masculino para que fosse inteiramente respeitado pelos seus companheiros da Família. — Você não tem de adoçar as coisas para mim, Dante. Eu sei como as coisas funcionam no nosso mundo.
Dante se afastou alguns centímetros, as sobrancelhas levantadas. — Eu não estou adoçando nada. Eu falei a verdade. Estou feliz que nós vamos ter uma filha. E vou ficar feliz com todas as crianças que tivermos. Eu não vou mentir, muitas pessoas na Outfit vão ver essa menina como menos do que desejável. Eles só vão me felicitar de verdade quando você estiver grávida de um menino, mas eu não dou a mínima para eles. Você ainda é jovem e temos tempo. Nós vamos ter mais filhos e, talvez, entre eles haja um menino. Mas, por agora, vamos ser felizes com a nossa filha.
— Você está feliz? — perguntei, já ficando com os olhos marejados novamente. Essa era a única coisa que eu mais odiava em estar grávida; minha perda de autocontrole que fazia minhas emoções aflorarem, especialmente as lágrimas. — Desde que eu te disse que estava grávida, você nunca perguntou sobre o bebê. Você fingiu que ele não existia. Você me fez sentir horrível com algo que deveria ter sido motivo de alegria. Por que você mudou de ideia? Foi porque eu quase perdi o bebê?
— Eu não mudei de ideia. Eu estou feliz pela sua gravidez já faz um bom tempo agora.
Dei a ele um olhar cético. — Não é o que parecia.
— Eu sou bom em esconder meus pensamentos e emoções, — disse Dante com pesar. — Mas eu não deveria ter feito isso neste caso. Você está certa, eu arruinei a sua primeira gravidez para você. Tudo porque eu fui orgulhoso demais para admitir que estava errado.
Esperei com paciência para ele dizer mais. Eu não estava pronta para aceitar seu pedido de desculpas, não ainda.
Dante descansou a mão de leve no meu estômago. — Você estava certa na nossa briga, aquela que tivemos depois que você me contou sobre sua gravidez. Eu nunca quis que Carla fosse a um médico para ver examinar sua incapacidade de conceber porque não queria descobrir que eu era infértil. Eu sou um homem orgulhoso, Val. Muito orgulhoso, e de alguma forma eu tinha me convencido de que eu não poderia me tornar Capo se descobrisse que eu era incapaz de engravidar a minha esposa. Eu teria sido metade de um homem.
— Não, você não teria sido. Mas eu entendo o que você quer dizer. Só que, se esse é o caso, então por que você não ficou exultante quando eu lhe disse que estava grávida? Afinal de contas, isso significava que você não era infértil. Você não deveria ter ficado orgulhoso?
O sorriso de Dante era cheio de pesar. — Sim, acho que eu deveria. — Ele fez uma pausa e eu lhe dei o tempo que ele precisava para falar suas próximas palavras. Eu tinha a sensação de que ele iria partilhar algo muito pessoal comigo. — Mas quando você me contou sobre sua gravidez eu me senti traindo a memória de Carla, como se você estivesse insultando Carla por sua incapacidade de me dar filhos, engravidando assim tão rápido.
— Eu nunca quis atacar sua esposa, — eu disse horrorizada. — Eu sei que você a amava mais do que qualquer coisa. Eu sabia disso antes de nos casarmos, e você nunca me deixou esquecer em todo o tempo que estamos juntos. — A última parte saiu num tom mais acusatório do que o pretendido.
— Eu sei, — disse Dante, com seus olhos azuis traçando meu rosto. — Eu te tratei mal. Você não fez nada para merecer isso. Quando você se deu para mim pela primeira vez, eu deveria ter segurado você depois. Teria sido o decente, a coisa mais digna a fazer. Em vez disso, eu saí. Eu não queria me permitir estar perto de você. Eu me permiti amar uma vez, e depois que eu tive que assistir a morte lenta e horrível de Carla, jurei a mim mesmo que não deixaria uma mulher entrar na minha vida novamente.
Eu balancei a cabeça devagar. — Eu sinto muito pelo que aconteceu com Carla. Lamento que você teve que assistir ela morrer.
Os olhos de Dante estavam distantes. Ele não estava chorando. Eu não acho que ele se permitia fazer isso na frente de ninguém, mas havia uma profunda tristeza em seus olhos que me rasgaram. — Eu a matei.
Eu me empurrei no seu abraço, meus olhos arregalados. — Você fez o quê? Mas eu pensei que ela tivesse morrido de câncer.
— Ela teria morrido, sim. Os médicos disseram que não havia mais nada que eles pudessem fazer por ela. Ela estava em casa, drogada quase o dia todo para que não sentisse muita dor, mas mesmo a morfina acabou por não ajudar mais. Ela me pediu para lhe ajudar, para lhe libertar do horror que a sua vida tinha se tornado. Ela não queria passar mais semanas prostrada na cama, incapaz de sair e destruída pela dor. — Ele fez uma pausa, e eu estava chorando abertamente, mesmo que ele não conseguisse fazer isso. Eu pressionei minha mão contra o peito, tentando mostrar a ele que estava tudo bem, que eu entendia. — Ela queria que eu atirasse nela porque ela achava que seria mais fácil para mim, menos pessoal. Eu não podia fazer isso. Não assim. Não da mesma forma que eu tratava os traidores e a escória que valiam sequer a sujeira debaixo dos seus pés. Eu lhe injetei insulina e ela adormeceu nos meus braços e nunca mais acordou outra vez.
— Eu não sabia. Sempre me disseram que ela morreu porque seus órgãos foram à falência.
Seus olhos pousaram em mim, escuros e atormentados. Ele roçou o polegar sob meus olhos, enxugando minhas lágrimas. — Isso é o que eu queria te dizer. Eu nunca contei a ninguém.
Eu tremia contra ele, muito sobrecarregada para dizer qualquer coisa. Enterrei meu rosto em seu pescoço, em busca de seu calor e perfume. Sua mão esfregou círculos suaves no meu estômago. — Se eu soubesse, eu não teria te pressionado tanto.
— Val, você não me pressionou. Quando nos casamos, eu fiz uma promessa de cuidar de você e tentar ser um bom marido, e eu não levei os meus votos a sério. Eu sou um homem de honra, e ainda assim eu não cumpri as promessas que fiz a você.
— Por que você concordou em se casar se sabia como seria difícil para você?
— Meu pai queria que eu me casasse, e eu sabia que eu estava começando a parecer fraco porque eu não conseguia esquecer Carla, então eu fiz o que eu pensei que seria melhor para a minha reivindicação ao poder. Você parecia ser a escolha perfeita.
A maneira como ele disse que fez parecer como se eu não fosse, mas eu não o interrompi.
— Eu achei que você estaria relutante em permitir proximidade tão pouco tempo depois que seu primeiro marido morreu.
A menção de Antonio apertou a minha garganta, mas eu engoli. — Eu queria que nós tivéssemos amor, ou qualquer coisa parecida com um casamento real.
— Eu não vou te culpar por querer algo real depois de como Antonio a usou. O que torna ainda pior você ter se casado com outro homem que só usou você para seus próprios fins. — Ele soltou um suspiro baixo.
— Então, quando decidiu se casar comigo, você não queria dormir comigo?
Dante riu sombriamente. — Eu não sou tão honrado. Não, eu pensei em consumar o nosso casamento e depois dormir com você quando eu sentisse que não tínhamos qualquer tipo de ligação emocional.
— Então por que você não dormiu comigo na nossa noite de núpcias ou nos dias seguintes?
— Eu queria. Quando eu trouxe você para o meu quarto na nossa noite de núpcias, não queria nada mais do que rasgar seu vestido e me enterrar em você. Eu estava com raiva. Eu queria transar com você até que tirar a raiva do meu sistema, mas depois que você saiu do banheiro usando aquela camisola de seda e com o olhar baixo... Você era minha esposa, e tinha aquele olhar esperançoso e inseguro, e eu sabia que não poderia te usar assim.
Meus lábios se separaram em surpresa. — Você suspeitou que eu nunca tivesse dormido com homem algum?
Dante sacudiu a cabeça. — Não. Eu podia dizer que você era inexperiente em seus avanços e nas tentativas de me seduzir, mas eu achei que o seu primeiro marido tinha sido dominante no quarto e não a incentivava a ser mais atirada, apesar disso não corresponder com a minha avaliação sobre Antonio.
— Eu era tão ruim assim tentando te seduzir? — perguntei com uma pequena risada envergonhada. Parecia incrível falar com Dante assim, tão abertamente, e estar em seus braços sem ele tentando se afastar foi ainda melhor.
Os lábios de Dante se curvaram em um sorriso irônico. — Eu sou um homem que se orgulha de ter autocontrole. Acredite em mim, a maioria dos homens não teria sido capaz de resistir ao seu charme. Para ser honesto, quando eu descobri que seria o seu primeiro, foi ainda mais difícil pra mim. É provavelmente uma coisa masculina, mas eu queria colocar a minha marca em você.
— Isso soa muito animalesco.
— É. Antes de casar com você, eu não queria uma noiva inexperiente, mas uma vez que eu soube a verdade, tive um momento difícil em pensar em qualquer outra coisa além de te fazer minha. — Os olhos de Dante dispararam para minha barriga redonda onde sua mão ainda estava em repouso. — E o conhecimento que você está carregando meu bebê me deixa orgulhoso, embora isso não devesse despertar esse sentimento em mim. Afinal de contas, não é uma grande conquista engravidar a sua esposa.
Eu balancei a cabeça com um sorriso que lentamente morreu em meus lábios quando meus olhos procuraram os de Dante. — Eu amo isso aqui. Eu adoro falar com você como se fossemos marido e mulher de verdade. Por favor, não se afaste de mim novamente. Eu não posso voltar a ser solitária.
Dante segurou meu rosto. — Eu não vou. Hoje foi a chamada que eu precisava para acordar. Vou tentar ser o melhor marido que eu puder, e eventualmente vou ser algo que, é provável, ainda vai ser muito menos do que você merece. Eu não sou um homem emocional e odeio demonstrações públicas de afeto, mas não vou voltar a te ignorar. Isso eu posso prometer.
Eu o beijei. — Obrigada.
Ficamos deitados em silêncio um ao lado do outro até que eu senti a nossa filha se mover. Eu rapidamente puxei a mão de Dante para que ele pudesse sentir isso também. Ele endureceu.
— Você sente ela se mexendo?
Dante assentiu. Ele não disse nada, mas eu sabia que isso não era porque ele não estava afetado pelo que estava acontecendo. Sorrindo, eu coloquei minha cabeça de volta no seu ombro.
— Quando eu posso voltar para casa?
— Amanhã. Eles querem manter você aqui essa noite.
— Ok. — Eu não estava muito feliz com isso. Eu me preocupava em estar separada de Dante por tanto tempo; não porque eu era pegajosa ou não podia ficar sozinha, não, eu estava preocupada que, apesar de sua promessa, Dante fosse encontrar motivos para recuar mais uma vez se não estivéssemos juntos.
— Eu vou ficar com você. Não vou te deixar sozinha neste lugar, — disse ele, como se conhecesse minhas preocupações, e meu coração se encheu de gratidão. — E eu já disse a Leo que ele vai ter que lidar com o cassino sozinho por um tempo.
— Você não quer que eu trabalhe mais?
— O médico disse que você precisa ficar na cama tanto quanto possível, então você não pode ir trabalhar. Uma vez que a nossa filha nasça, e você esteja se sentindo bem o bastante, podemos falar sobre encontrar um novo emprego.
— Parece razoável, — eu disse, e então o beijei novamente. Agora que ele me deixava beijá-lo, eu queria fazer isso sem parar. Logo minha respiração acelerou, mas Dante se afastou com um pequeno aceno de cabeça. — Nós não devemos. Você precisa descansar.
— O médico disse algo sobre sexo?
— Por causa da ruptura da membrana, sexo é muito arriscado. Isso poderia levar a uma infecção ou causar um aumento da ruptura.
— Então não podemos ter relações sexuais por três meses?
— Sim. Isso mesmo.
Eu sabia que alguns homens costumavam usar amantes quando suas esposas engravidavam. Eu não achava que Dante era desse tipo, mas ainda me preocupava. E não era como se eu não gostasse de sexo. Três meses, e provavelmente ainda mais tempo que isso, sem qualquer tipo de alívio soou como um desafio.
Dante alisou as rugas que se formaram entre as minhas sobrancelhas. — O que você está pensando?
— Você vai ficar bem com isso?
— Você quer dizer sem sexo? — ele perguntou com uma pitada de diversão. — Sim. Como eu disse, autocontrole não é problema pra mim.
— Eu espero que você tenha o suficiente para nós dois.
Dante beijou um ponto abaixo da minha orelha. — Eu não estou dizendo que vai ser fácil. Eu sempre quero você, Valentina. Você me deixa louco de desejo, mas não vou fazer nada que possa pôr em perigo a nossa filha.
— Eu sei. Nem eu. — Eu sorri. — Eu ainda não posso acreditar que em breve vamos ter uma menina. Quando estivermos em casa amanhã, eu vou ter que te mostrar uma coisa que eu comprei hoje. — Eu não podia esperar para ver a cara dele quando visse o macacão. Eu odiava que algo tão horrível como uma ruptura de membrana tivesse finalmente nos aproximado, mas eu estava feliz por ter acontecido. Agora nós podíamos olhar para frente e esperar o nascimento de nossa filha juntos.
***
Dante manteve o braço em volta da minha cintura enquanto me levava para a nossa casa, embora eu fosse perfeitamente capaz de caminhar sozinha. Eu me sentia bem. Talvez a medicação estivesse ajudando. Ou talvez a nossa menina tivesse decidido que ela gostava da minha barriga, agora que seus pais tinham acertado as coisas. É claro que eu sabia que tinha que ser cuidadosa. Eu não podia correr o risco de entrar em trabalho de parto pelas próximas semanas. Nossa menina ainda tinha que crescer mais.
Dante estava prestes a me levar para a sala de estar, mas eu balancei a cabeça. — Eu realmente quero tomar um banho. — Em vez de me orientar em direção à escada, ele me pegou no colo e começou a subir as escadas. Eu era alta e não podia ser fácil para Dante subir comigo junto ao meu peso adicional. Quando ele me pôs no topo, eu disse, — Você não precisa me levantar. Você não vai estar sempre por perto quando eu precisar subir as escadas.
— Eu não quero que você use as escadas, Valentina, — disse ele, sua voz não deixando espaço para discussão. — Se eu não estiver por perto para te carregar, então você vai chamar um dos guardas.
Eu podia dizer que ele não ia ceder sobre o assunto, e eu estava feliz que porque ele estava tentando cuidar de mim. — Ok. Eu prometo.
Quando entramos em nosso quarto eu vi que alguém, provavelmente Gaby, arrumou as sacolas com as minhas compras e as colocou sobre a cadeira em frente à minha cômoda. Com um sorriso, eu caminhei em direção a ela e peguei o macacão que tinha comprado ontem, antes que as coisas tivessem tomado um rumo pior. Segurei no ar para Dante ver. — Então, o que você me diz? — minha voz transbordava de emoção. Eu quase me senti mal por me sentir tão exuberante depois do que aconteceu ontem e do que ainda poderia acontecer com a nossa menina, mas eu estava muito esperançosa para deixar que as preocupações escurecessem minhas outras emoções. Dante levantou uma sobrancelha. — Eu duvido que alguém precise do lembrete.
Eu ri. — Isso é o que Bibi disse. Mas é bonito, você não acha?
Seu braço passou em volta da minha cintura. — É. Eu pensei que você não soubesse se era menino ou menina?
— Eu não sabia, mas Bibi queria comprar macacões correspondentes. Ela estava realmente torcendo que eu estivesse esperando uma menina, assim sua filha e a nossa poderiam ser melhores amigas. Ela vai ficar fora de si quando eu contar a ela. — Fiz uma pausa. — Você já contou aos seus pais?
Dante franziu a testa ligeiramente. — Eu conversei com minha mãe na noite passada depois que você adormeceu. Ela está animada por nós.
— Mas seu pai não, não é?
— Ele não entrou em contato comigo ainda. Ele provavelmente está tentando o tratamento do silêncio como uma forma de me mostrar o seu desagrado.
— Sério? Não fomos nós que escolhemos ter uma filha. E eu odeio essa fixação em meninos, de qualquer maneira. Menina é digno também.
— Você não tem que me convencer, — disse Dante. — Mas os meninos são vistos como algo que fortalece a Outfit, enquanto as meninas significam apenas um elo fraco que homens precisam proteger. É o jeito que sempre foi. Eu não posso ver isso mudando em breve.
— Você sabe se que já existiu uma mulher introduzida na máfia em alguma das Famílias da América do Norte ou além?
Dante sorriu ironicamente. — Isso seria uma novidade para mim. E isso não vai acontecer. Eu não quero que minha filha faça parte da Outfit. Eu quero que ela esteja segura e protegida. Eu não quero sangue em suas mãos ou morte em seus sonhos.
— Mas você quer isso para o nosso filho? — eu perguntei em voz baixa. Dante afastou uma mecha de cabelo para trás dos meus ombros. — É assim que as coisas são, Val. Eu vou proteger todos os nossos filhos durante o tempo que eu puder, mas, eventualmente, o nosso filho terá que enfrentar os perigos do nosso mundo. Mas ele vai ser forte.
— Meu pai sempre tratou meu irmão Orazio com dureza brutal e seu próprio pai te torturou para fazer você ser forte. Às vezes eu não quero um filho, porque eu me preocupo que ele tenha que sofrer com essas mesmas coisas. — Eu não acho que eu poderia ficar quieta e assistir Dante tratar nosso filho assim. Até minha mãe tinha protegido Orazio ocasionalmente, quando papai tinha sido muito rigoroso. Não que ele tivesse abusado de Orazio como Fiore tinha feito com Dante.
— Vou ter que ser mais rigoroso com o nosso filho, mas não vou ser como meu pai, eu juro.
Balancei a cabeça. Eu acreditava nele.
Eu estava começando a me sentir cansada, embora eu não tivesse feito quase nada. — Eu deveria tomar um banho agora. Tenho que me deitar novamente.
Dante me seguiu até o banheiro, com os olhos em mim quando tirei os sapatos. Estendi a mão para o zíper na parte de trás do meu vestido, mas Dante chegou antes de mim. Seu polegar traçou os cumes da minha espinha quando ele puxou o zíper para baixo, e eu podia senti-lo por todo o caminho até os dedos dos pés. O vestido caiu aos meus pés. Agora havia apenas minhas meias. Dante as puxou pelas minhas pernas, então deixou seu olhar viajar lentamente pelo meu corpo quando se ajoelhou diante de mim. Eu não queria nada mais do que cair em seus braços e sentir seu pau dentro de mim.
Lambendo meus lábios, eu sussurrei. — Isso vai ser difícil. — Dante se levantou, sua expressão confirmando minhas palavras. — Tome um banho. Vou esperar aqui, caso você se sinta fraca.
— Você pode tomar banho comigo, — eu disse.
Dante pareceu hesitante, mas então concordou. Ele tirou suas roupas e quando se virou para mim, pude ver que ele já estava meio ereto.
— Eu pensei que você tivesse autocontrole, — eu provoquei.
Dante me guiou em direção ao chuveiro, me firmando. — Eu tenho, ou meus dedos já estariam investigando o seu calor molhado.
Ele ligou o chuveiro, deixando a chuva de água morna cair sobre nós antes de fechar o chuveiro e se virar para mim, com as mãos em meus quadris. — Como você sabe que eu estou molhada? — eu perguntei em tom desafiador.
Dante pegou a esponja e a esfregou levemente sobre meus seios e estômago. Então ele se inclinou até que sua boca estivesse em meu ouvido. — Porque eu pude ver quando eu me ajoelhei diante de você. Você estava molhada pra mim.
Eu estava. Eu não acho que eu já o quis tanto como o queria nesse momento, mas não estávamos autorizados a fazer sexo. Lavamos um ao outro com a esponja, ocasionalmente nos beijando, nossa respiração ficando mais rápida a cada momento que passava. A ereção de Dante estava dura e vermelha. — Você quer que eu acabe isso pra você? — eu sussurrei enquanto me pressionava contra Dante. Ele gemeu quando os meus dedos se enroscaram em torno de seu eixo, mas, em seguida, ele parou meus movimentos e puxou minha mão para longe de sua ereção. — Não, — ele murmurou. Ele não parecia muito convincente. — Eu estou bem.
Ele me virou e pressionou contra seu peito, e sua ereção ficou imprensada entre o seu estômago e minhas costas. Seus braços vieram ao redor da minha barriga, as palmas das mãos contra a minha pele e ele beijou meu pescoço levemente. — Eu acho que nós deveríamos sair. Você precisa se deitar.
Eu não protestei. A cada beijo foi se tornando mais difícil para mim suprimir o desejo por ele. Dante me ajudou a me secar e pareceu quase aliviado quando eu finalmente estava vestindo um pijama confortável e deitada em nossa cama. Dante e eu teríamos que lidar com nossos desejos nas próximas semanas. Nosso bebê era mais importante do que qualquer outra coisa.
Dante me apertou em seus braços enquanto seus dedos acariciavam meu cabelo. — Obrigado por nunca ter desistido de mim, Val.
— Eu sabia que um dia minha teimosia viria a calhar, — eu disse com uma pequena risada.
***
Seis semanas depois, os médicos decidiram realizar uma cesária. Ainda era cedo demais, faltavam oito semanas, mas o risco de uma infecção se tornou muito grande. Dante não saiu do meu lado enquanto eles cortavam a minha barriga. Sua presença, seu olhar firme, seu controle total e a força que ele emanava me ajudaram muito. Com Dante ao meu lado eu sabia que nada ia dar errado. Como se só pela força da sua vontade, ele pudesse fazer as coisas darem certo. Dante poderia fazer você acreditar que ele estava no controle da situação, mesmo quando ele não estava.
Ele segurou minha mão durante toda a cesária e quando o primeiro choro soou, ele procurou meus olhos antes que ambos nos virássemos para a nossa filha, enrugada e manchada, quando a enfermeira a apresentou para nós. Eu soltei a mão de Dante. — Vá para a nossa filha. Vá. — Ele parecia relutante em sair do meu lado, mas depois deu um beijo na minha testa, se endireitou e foi em direção ao final da mesa de operação. Dante nem sequer se contorceu com a quantidade de sangue, mas eu não esperava que ele fizesse isso. Se as enfermeiras e os médicos ficaram surpresos com sua calma, esconderam, ou talvez eles acreditassem nos rumores sobre Dante: que ele era um chefe do alto escalão da máfia. É claro que ninguém jamais iria confirmar essas suspeitas. Após alguns instantes, a enfermeira lhe entregou a nossa filha enrolada em um cobertor. Ela parecia minúscula nos braços de Dante, enquanto ele olhava para ela com a expressão mais suave que eu já vi. Havia algo feroz lá também, que substituiu a ternura quando ele olhou para cima e encontrou os médicos e enfermeiros o encarando. Eu sabia que a nossa filha estaria segura.
Os olhos de Dante gritavam proteção, exalavam pura determinação de destruir tudo e todos que pudessem lhe fazer mal. Desviando o olhar a equipe do hospital, Dante se aproximou de mim com a nossa filha e se sentou na cadeira ao lado da minha cabeça para que ele pudesse me mostrar a nossa menina. Eu sabia que o médico teria que levar ela embora em breve. Ela teria que passar algum tempo na incubadora antes de ir para casa conosco. — Ela é tão linda, — eu sussurrei. Eu nem sequer me importei que os médicos estivessem ocupados me costurando, ou que Dante e eu não estivéssemos sozinhos.
— Ela é, assim como você, — disse Dante calmamente. Corri um dedo sobre sua bochecha. Ela piscou para mim com os olhos vidrados. Seu cabelo era loiro como o de Dante, embora estivesse todo emaranhado. Ela era tão pequena e eu não queria nada mais do que protegê-la.
— Anna, — eu disse, pela primeira vez lhe chamando pelo nome que Dante e eu tínhamos escolhido apenas alguns dias antes. — Seu pai e eu sempre vamos te amar e te manter segura.
Dante beijou Anna, então minha testa. — Você e Anna, ambas.
Eu procurei os seus olhos e as lágrimas que eu tinha escondido com sucesso até agora finalmente encontraram seu caminho para fora.