Bound by Duty

Cora Reilly · Capítulo 7 de 24

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Bound by Duty

Capítulo Seis

Depois do meu rápido telefonema para Bibiana, fui passear pela biblioteca. Ela estava abastecida principalmente com livros de não-ficção e velhos clássicos, nada que me atraía muito geralmente, mas eu não queria ir atrás de Dante, nem queria perguntar a minha mãe se ela queria vir até aqui. Ela poderia pensar que algo estava errado, e mesmo que esse fosse o caso, não queria que ela descobrisse. Ela estava tão feliz desde que soube que eu seria a esposa de Dante. Eu não queria ser a estraga-prazeres admitindo que Dante não se importava com a minha presença.

Peguei um livro que ensinava russo básico. As únicas línguas que eu falava eram italiano e inglês. Eu poderia muito bem me familiarizar com o idioma de nossos inimigos, isso me manteria entretida nas horas que Dante estivesse ocupado me ignorando.

Finalmente o ronco do meu estômago me atraiu em direção à cozinha. Já era quase 19h, mas ninguém tinha me chamado para jantar. Quando entrei na cozinha, encontrei Zita, Gaby e dois homens reunidos em torno da mesa de madeira, jantando juntos.

Eu hesitei na porta, sem saber se deveria entrar, mas então Zita olhou na minha direção e eu não pude mais voltar atrás. Escorreguei para dentro da cozinha, me sentindo vestida de forma inapropriada com meu vestido marrom elegante. Todo mundo se virou pra mim, e os dois homens se levantaram imediatamente. Eles usavam armas e facas nos coldres sobre suas camisas pretas. Ambos estavam em seus trinta e tantos anos, e provavelmente eram os guardas.

— O amo já jantou em seu escritório, — Zita me informou.

— Eu estava ocupada lendo, de qualquer maneira, — eu disse, esperando soar indiferente. Eu me concentrei nos dois homens ainda de pé e me observando. — Nós ainda não fomos apresentados.

Caminhei em direção a eles e estendi minha mão para o homem mais alto, qu tinha um corte e uma cicatriz na sobrancelha. — Sou Valentina.

— Enzo, — disse ele.

— Taft, — disse o outro homem. Ele era alguns centímetros menor, mas muito mais volumoso.

— Posso acompanhar vocês em um jantar rápido? — eu poderia muito bem tentar me familiarizar com as pessoas com quem eu iria conviver todos os dias pelos próximos anos, talvez mais.

Ambos os homens concordaram imediatamente. Gaby também parecia animada com a perspectiva da minha presença; só Zita teve problemas em esconder sua desaprovação. — Tem certeza que é isso que você quer? — ela fez um aceno para os queijos, o presunto de Parma e o pão italiano.

— Eu não teria perguntado se eu não quisesse, — eu disse quando tomei o assento ao lado de Taft. Ele segurava uma garrafa de vinho. Eu balancei a cabeça e peguei um dos copos rústicos de vinho de uma bandeja ao final da mesa. O vinho estava delicioso e a comida também. Mantive meus olhos em Gaby, que felizmente não estava bebendo nada alcoólico. Taft e Enzo de forma alguma fizeram algo que sugeria que estivessem interessados nela, o que me deixou mais calma, mas eu não poderia esquecer o olhar de medo em seu rosto quando Luca havia saltado de pé. É claro que ele era um cara assustador no melhor dos dias, mas havia mais. Eu tinha a sensação de que Gaby aprendeu a temer os homens. Eu só precisava descobrir o porquê. Taft e Enzo pararam após a sua segunda taça de vinho; eles ainda tinham que ficar de guarda até de manhã e não poderiam fazer o seu trabalho bêbados, mas Zita e eu esvaziamos a garrafa. Com o álcool em sua corrente sanguínea, Zita parecia muito mais agradável. Ou talvez minha própria embriaguez me deixou cega para sua indelicadeza. De qualquer maneira, eu me diverti muito. Os homens sabiam como contar piadas sujas, e logo se esqueceram de que eu era praticamente a chefe deles.

Depois de mais uma piada terrivelmente indecente, que fez Gaby colocar o rosto entre as mãos e me fazer rir como eu não tinha rido há muito tempo, a porta da cozinha se abriu e Dante entrou em cena. Seus olhos fizeram uma análise rápida da cozinha até que chegaram aos seus homens, então em mim. Sua mandíbula ficou tensa quando ele encarou Taft e Enzo. — Vocês não deveriam estar lá fora montando guarda? — perguntou Dante em uma voz perigosamente calma.

Ambos os homens se recompuseram. Eles fugiram da cozinha sem dizer uma palavra.

— Gaby e eu deveríamos ir para casa também. Vamos limpar a cozinha amanhã, — disse Zita enquanto pegava o casaco e o colocava. — Vamos, Gaby. — Gaby me lançou um olhar de desculpas, embora ela não tenha feito nada de errado.

Dois minutos depois, Dante e eu estávamos sozinhos na cozinha. Eu não tinha feito nada proibido, então não tinha intenção de me desculpar. Esvaziei minha taça de vinho tinto, meus olhos sobre Dante, que permaneceu imóvel enquanto me observava. Preparando-se para dar o bote, ele disparou em minha direção. Me levantei da cadeira. Na posição de pé, pelo menos, eu não tinha que inclinar toda minha cabeça para olhar Dante nos olhos.

— Por que você jantou com Enzo e Taft?

Eu quase ri. — Gaby e Zita estavam aqui também. — Ele estava com ciúmes? Ou será que ele acha que eu estava distraindo os homens do seu trabalho?

— Você poderia ter comido na sala de jantar.

— Sozinha? — eu perguntei em tom desafiador.

Dante avançou sobre mim, e apesar das minhas melhores tentativas, eu congelei. — Eu não gosto de jogos, Valentina. Se há algo que você não gosta, então diga e não tente me provocar.

Ele estava tão perto que o cheiro picante de sua loção pós-barba inundou o meu nariz. Eu tive que lutar contra a vontade de agarrar suas lapelas e puxá-lo para um beijo.

— Eu não estava tentando provocar você, — eu disse com naturalidade. — Eu estava com fome e não queria comer sozinha, então eu decidi comer na cozinha.

— Você deve ficar longe dos guardas. Eu não quero que as pessoas interpretem isso errado.

Dei um passo para trás. — Você está me acusando de flertar com seus homens?

— Não, — ele disse simplesmente. — Estaríamos tendo um tipo diferente de conversa se eu pensasse que você estava flertando com eles.

Eu levantei meu queixo, disposta a não deixar que ele me intimidasse, não importa o quanto ele fosse intimidador. — Eu não vou comer sozinha.

— Você prefere que nós jantemos juntos todas as noites?

— É claro que eu prefiro, — eu disse exasperada. Havia muitas coisas que eu queria fazer com ele todas as noites. — Estamos casados. Não é isso que pessoas casadas fazem?

— Você e Antonio comiam juntos?

— Sim, a menos que ele estivesse fora a trabalho. — Ou em um encontro com seu amante, Frank.

Dante assentiu, como se ele estivesse arquivando as informações. Eu tinha ouvido alguém dizer uma vez que ele tinha memória fotográfica, o que fazia dele um adversário difícil de ser batido, mas eu não tinha certeza se era verdade.

Eu suavizei minha voz. — E quanto a você e sua primeira esposa? Vocês comiam juntos?

Eu praticamente pude ver suas defesas subindo. Um véu de impassibilidade fria pareceu deslizar sobre seu rosto. Ele puxou a manga, revelando seu relógio de ouro. — Está tarde. Eu tenho uma reunião amanhã logo cedo em um dos nossos cassinos.

— Hm, certo.

— Você não tem que ir para a cama se não estiver cansada.

— Não, o vinho está me deixando sonolenta. — Nós dois saímos da cozinha e subimos as escadas. Desta vez Dante desapareceu no banheiro primeiro. Procurei na minha gaveta por uma camisola de cetim que correspondesse à calcinha que mal cobria minha bunda. Talvez eu conseguisse que o sangue frio de Dante entrasse em ebulição.

Eu nervosamente passeei pelo quarto, imaginando se esta noite seria a noite. Talvez ontem tivesse sido uma espécie de período de carência. A porta do banheiro se abriu e Dante voltou para o quarto. Tal como ontem, ele estava nu da cintura para cima. Eu me permiti alguns minutos para admirar seu corpo. Mesmo as cicatrizes não o deixavam menos maravilhoso. Se possível, eram até mesmo um acréscimo à sua sensualidade. Dante fez uma pausa e eu rapidamente desviei meus olhos e corri para o banheiro.

Tomei um banho rápido e escovei os dentes antes de colocar a minha lingerie. Hora do show. Saí do banheiro. Dante já estava na cama, o seu iPad na mão e as costas contra a cabeceira da cama. Ele levantou o olhar, seus olhos vagaram pelo comprimento do meu corpo, demorando-se em todos os lugares certos. Antecipação misturada com nervosismo me tomou enquanto eu caminhava lentamente em direção à cama, me certificando que Dante desse uma boa olhada em mim. Ele não afastou o olhar, mas não soltou seu iPad também. Deitei ao lado dele, minhas costas contra a cabeceira da cama. Não me incomodei em puxar as cobertas. Eu queria que Dante visse o máximo possível de mim.

Eu conhecia o seu olhar. Como de costume, seus olhos estavam ilegíveis, mas eles não eram tão frios como de costume. Ele colocou o iPad para baixo, sobre a mesa de cabeceira, e eu quase suspirei de alívio, mas então ele se deitou. Confusa, eu fiz o mesmo, mas rolei para o meu lado, de frente pra ele. Ele não tinha apagado as luzes ainda. Isso tinha que ser um bom sinal, e eu sabia que ele não parava de olhar para os meus seios. Se eu fosse mais experiente, teria iniciado as coisas, mas eu me preocupava em revelar a minha inexperiência a Dante. Se ele fizesse o primeiro movimento, eu poderia ir junto e pareceria a mulher experiente que eu deveria ser.

Dante desviou o olhar, fechou os olhos e cruzou os braços na frente de seu estômago. Sua mandíbula estava hermeticamente fechada. Ele estava com raiva? Parecia que ele estava à beira da ruptura. Talvez ele não tenha gostado que eu estivesse tão para frente, praticamente empurrando meus seios em seu rosto. Talvez ele preferisse suas mulheres recatadas e com medo da própria sombra.

Frustrada, eu rolei de costas também. — O que aconteceu com Gaby? — Se a gente não ia transar, poderia muito bem conversar. Qualquer coisa era melhor do que o silêncio constrangedor.

Dante manteve os olhos fechados. — O que você quer dizer?

— Ela disse que está trabalhando para você há três anos, mas ela só tem dezessete. Ela não deveria estar indo para a escola?

Os olhos de Dante se abriram, frios e azuis, e se focaram firmemente no teto. — Três anos atrás, atacamos dois clubes russos em vingança. Eles fazem a maior parte do seu dinheiro com tráfico humano. As mulheres dos seus clubes são, na maior parte, escravas sexuais. Mulheres e meninas que foram raptadas e depois forçadas à prostituição. Quando assumimos os dois clubes, tivemos que descobrir o que fazer com as mulheres. Nós não poderíamos deixá-las soltas por Chicago depois do que elas testemunharam.

Meu estômago revirou. — Você as matou?

Dante nem sequer piscou. — A maioria delas eram imigrantes ilegais. As enviamos de volta para a Ucrânia ou para a Rússia. As outras foram realocadas. Aqueles que quiseram trabalhar em nossos clubes, mantivemos.

— E Gaby?

— Ela era uma criança. As meninas mais jovens que encontramos foram enviadas para famílias da Família, onde elas poderiam trabalhar como empregadas domésticas ou cozinheiras.

— Ou se tornarem amantes, — eu disse, porque não tinha dúvida de que alguns homens não poderiam deixar suas mãos longe de uma menina indefesa sob o seu teto.

Dante fez uma careta. — Mesmo entre os homens iniciados 9, a pedofilia não é tolerada, Valentina.

— Eu sei, mas Gaby não é exatamente mais uma criança, nem as outras meninas capturadas, eu presumo.

Dante me encarou com um olhar duro. — Você está sugerindo que eu toquei em Gaby?

— Ela quase morreu de medo hoje quando Luca se levantou bruscamente. Talvez um de seus homens...

— Não, — Dante disse com firmeza. — Ela não foi abusada de forma alguma desde que entrou nessa casa. Ela está sob minha proteção. Os meus homens sabem disso.

— Ok. — Eu acreditei nele, e eu também acreditei que nenhum dos seus homens se atreveria a ir contra as ordens diretas de Dante. Se Gaby estava sob sua proteção, ela estava segura. — Eu aposto que aquelas meninas teriam feito rendido um monte de dinheiro a você. Há uma razão pela qual os russos sequestram jovens. Por que o receio? Não é como se a Outfit não tivesse seus próprios clubes com prostitutas, e não é como se essas mulheres pudessem simplesmente parar de trabalhar para a máfia quando quiserem. — Eu estava sinceramente curiosa. Dante era um assassino, afinal de contas.

— A Outfit não está no negócio de escravos sexuais. As mulheres em nossos clubes começam a trabalhar conosco por vontade própria, e elas sabem que vão estar ligadas a nós para sempre. Ganhamos dinheiro suficiente com os cassinos e as drogas, e não precisamos lidar com escravas sexuais ou corridas ilegais, como fazem os russos e os mafiosos da Família de Las Vegas.

— E Nova York, eles lidam com escravas sexuais?

— Não. Isso é só com a Família de Las Vegas. Eu não estou dizendo que não há vozes na Outfit que gostariam de mudar isso, mas enquanto eu for Capo isso não vai acontecer.

— Isso é bom, — eu disse.

Os olhos de Dante suavizaram por um momento, mas depois ele se virou e apagou as luzes.

— Boa noite, — eu sussurrei. Eu ainda estava desapontada por Dante não ter me tocado, mas pelo menos ele falou comigo como se fôssemos iguais, não como se eu fosse uma mulher sem cérebro que não precisava saber nada sobre os seus negócios.

— Boa noite, Valentina, — disse Dante no escuro. Havia algo em sua voz que não consegui identificar, e eu estava cansada demais para tentar.