Bound by Duty
Capítulo Vinte e Um
Quando saí de casa antes do café da manhã no dia seguinte, Dante não estava lá. Eu não esperava que ele estivesse, ele não estava deitado ao meu lado quando eu tinha acordado também. Ontem eu tinha o obrigado a me deixar ficar mais próxima do que ele estava confortável, e agora ele ia me afastar até que estivéssemos vivendo de aparências outra vez. Acenei para Taft e ele se aproximou de mim. — Eu preciso que você me leve até Bibiana, — eu disse enquanto nós caminhávamos para a garagem. Ele pegou as chaves, entrou no carro e em seguida já estávamos fora. O tempo era importante. — Depressa, — acrescentei, quando nos afastamos da casa. Taft não perguntou o porquê.
No momento em que ele estacionou na frente da casa de Bibiana, eu saí do carro e corri em direção à porta de entrada. Toquei a campainha. Eu sabia que Tommaso ainda estava em casa porque não havia um guarda sentado em um carro na rua. Eu esperava por isso.
Eu podia ouvir Tommaso gritando com raiva e depois ouvi passos rápidos e Bibiana abriu a porta, ainda usando um roupão. Seus olhos se arregalaram com confusão quando ela me viu. — Val? Tommaso me contou o que aconteceu ontem. Você está bem? — Havia um hematoma em forma de mão em seu rosto e isso tornou minha decisão ainda mais fácil.
Puxei-a contra mim em um abraço e empurrei o frasco de veneno em sua mão. — Ninguém sabe que eu tenho isso. É veneno, Bibi. Se você realmente quer ser livre, então coloque isso no café da manhã dele hoje. Amanhã vai ser tarde demais. Hoje ainda podemos culpar os traidores. Ninguém vai fazer perguntas. — Eu me ajeitei com um sorriso, meu rosto tinha a máscara que eu aprendi a usar com Dante. Bibi sorriu de volta, mas não havia surpresa, incredulidade ou gratidão nos seus olhos.
— Bibiana, por que você está demorando tanto? — Tommaso gritou enquanto se arrastava escada abaixo. Ele fez uma pausa quando me viu. Bibiana rapidamente escondeu o frasco de veneno em seu roupão.
— Sinto muito por perturbá-lo, — eu disse. — Eu só queria ter certeza de que Bibiana soubesse que eu estou bem. Eu não tenho muito tempo. Preciso voltar para casa.
— Dante convocou uma reunião com todo mundo. Só mandou um e-mail. Suponho que você não pode me dar detalhes sobre o que aconteceu?
Eu balancei minha cabeça. — Eu realmente deveria ir. — Eu sorri para Bibiana, então girei em meus calcanhares e voltei para o carro. A última coisa que ouvi foi Bibi dizendo a Tommaso que ela faria a ele um rápido café da manhã antes de ele sair.
Este foi o segundo homem que eu condenei à morte. Desta vez, no entanto, não houve culpa.
***
— Valentina, eu gostaria de falar com você, — disse Dante, antes de desaparecer de volta em seu escritório. Eu hesitei. Esta foi a primeira vez que Dante tinha realmente me pedido para ir ao seu escritório para uma conversa. Todas as vezes anteriores eu que o procurei.
Preocupação corroeu meu interior assim que pisei em seu escritório e fechei a porta atrás de mim. Dante estava de frente para a janela, mas se virou para mim. Por muito tempo, seus olhos azuis procuraram meu rosto. — Tommaso não apareceu na reunião que eu convoquei.
Forcei meu rosto a ficar inexpressivo. — Então?
— Os homens que eu enviei o encontraram morto em sua sala de estar. Envenenado.
— E quanto a Bibiana? — perguntei, tentando parecer preocupada e chocada. Ela não havia me enviado uma mensagem ou tentado me ligar. Teria sido muito arriscado, de qualquer maneira.
— Ela está com os pais dela agora, mas eu vou ter que me dirigir até lá agora para interrogá-la.
Eu congelei. — Por quê?
— Porque como Capo eu preciso investigar quando um dos meus homens é morto. — Dante avançou lentamente para mim. — Mas é claro, eu estou bastante certo que sei o que aconteceu.
Eu levantei meu queixo quando ele parou na minha frente. — Você está? — Eu segurei seu olhar, qualquer outra coisa diferente teria me feito parecer culpada, mesmo que provavelmente já fosse tarde demais para isso, de qualquer maneira.
— Você é a melhor amiga de Bibiana e queria ajudar ela. — Eu não disse nada, mas ele não parecia esperar que eu dissesse. Ele continuou com a mesma voz calma e suave. — Antonio lhe deu veneno quando pediu para você me matar, não é?
Eu considerei mentir, mas eu precisava dele ao meu lado e ele não aceitaria essa mentira gentilmente. — Sim, — eu disse com suavidade.
— Você não me contou sobre isso porque sabia que era sua chance de ajudar Bibiana, então levou para ela e lhe disse para pôr a culpa em Raffaele.
— Ela disse isso?
— Ela mencionou que Raffaele a visitou ontem, quando os meus homens a levaram para os seus pais, mas ela estava muito histérica.
Bibi estava lamentando o que tinha feito? Ou seu colapso foi só parte do show? — Então por que não acreditar que foi Raffaele?
Os olhos de Dante se estreitaram. — Porque ele teria mencionado quando o interrogaram.
Eu balancei a cabeça. — E agora?
Dante sacudiu a cabeça. — Droga, Valentina. Você deveria ter vindo para mim.
— Eu fui até você. Eu perguntei se havia algo que pudesse ser feito contra Tommaso, mas você disse que não.
— Você me pediu para matá-lo e eu lhe disse que não podia porque ele não era um traidor.
Eu zombei. — Como se importasse. Você é um assassino, Dante. Você pode matar quem quiser. Não me diga que você nunca matou ninguém por outras razões além de proteger a máfia.
Dante agarrou meus ombros, nos trazendo ainda mais perto. — É claro que sim. Mas eu lhe disse “não” e você deveria ter me ouvido.
— Porque a sua palavra é a lei, — eu disse ironicamente.
— Sim, — disse Dante, em voz baixa. — Até mesmo para você.
— Eu faria tudo de novo. Eu não me arrependo de ter salvado Bibi desse desgraçado cruel. Lamento apenas que tive que fazer isso pelas suas costas, mas você não me deixou escolha.
Os olhos de Dante brilharam. — Eu deixei você sem escolha? Você não pode sair por aí matando meus homens!
— Ele mereceu. Você deveria ter visto o que ele fez para Bibi. Você ia querer matá-lo se soubesse como ele tratava mulheres inocentes, esposa ou não.
— Se eu matasse cada homem na Outfit que trata mal as mulheres, ia acabar com a metade dos meus soltados. Esta é uma vida de brutalidade e crueldade, e muitos soltados não entendem que, como homens iniciados, devemos proteger nossa família e não soltar nossa raiva sobre ela. Eles sabem que eu não aprovo suas ações. Isso é tudo que eu posso fazer.
— Mas me foi dada a chance de fazer algo e eu fiz.
— Você ajudou uma esposa a assassinar seu marido. Alguns homens na minha posição estariam inquietos por estar com uma mulher que não hesita em usar veneno.
Meus olhos se arregalaram. — Eu dei uma chance a Bibi, uma escolha. Isso não significa que eu já pensei em te matar. Gostaria de brigar com você, mas você nunca me tratou como Tommaso tratava Bibi. Tommaso se aproveitada da fraqueza dela. Ela foi dada a esse velho desgraçado quando tinha apenas dezoito anos, e ela nunca soube como se defender dele. Ele teve quatro anos para ser um homem melhor, para tratar ela decentemente. Ele falhou. Nosso casamento não tem nada a ver com o deles. Você não precisa me bater e estuprar para se sentir homem, e eu não deixaria. E de qualquer maneira, eu não sou vingativa, ou eu não teria engolido como você me tratou nos últimos meses, ou como você me acusou de traição. E Bibi nunca amou Tommaso, então... — eu parei, apertando meus lábios fechados. A última parte não deveria escapar.
Os dedos de Dante nos meus ombros ficaram imóveis. Eu desviei o olhar do seu olhar penetrante, incapaz de suportá-lo.
— Eu não estou preocupado que você me envenene. Como eu disse antes, eu confio em você, — disse ele depois de um tempo, soltando as mãos dos meus ombros. — Mas eu vou ter que investigar a morte de Tommaso.
— Você não vai punir Bibi, não vai? — perguntei, aterrorizada. — Por favor, Dante, se você se preocupa comigo, você vai apurar que o assassinato de Tommaso está relacionado com os traidores e que Bibi é inocente. Ela passou por coisas demais.
— Pode haver pessoas lá fora que não acreditem que Bibiana não esteja envolvida na morte de Tommaso, exatamente pelas razões que você indicou antes. Ela tinha motivos para odiá-lo. Ela tinha razão para matá-lo.
— Então a culpa é minha. Eu poderia ter feito isso pelas costas de Bibi para ajudar ela.
— E depois? — perguntou Dante calmamente.
— Então você pune a mim, não a ela.
— E se a punição para tal crime for a morte? Olho por olho, Valentina.
O encarei, as lágrimas transbordando em meus olhos. — Não machuque, Bibi. Apenas não faça isso. Sem mim, ela nunca teria encontrado uma maneira de matar ele. Foi tanto minha culpa quanto dela. Vou compartilhar qualquer punição que você impuser a ela.
— Eu temo que você esteja dizendo isso porque sabe que eu não vou te punir, — disse Dante, um sorriso escuro nos lábios.
— Você não vai?
Dante me beijou com força e depois se puxou para trás, passando levemente a mão sobre meu abdômen. Era por causa do nosso bebê? Ou eu estava imaginando o gesto? Ou talvez ele tenha tocado meu ventre por acidente. — Enquanto eu comandar a Outfit você não vai ser machucada.
Ele deu um passo para trás. — Eu preciso ir falar com Bibiana agora.
— Me deixe ir com você, — eu disse apressadamente.
— Seu pai e meu consigliere vão estar lá também, então não interrompa. Eu não quero que eles suspeitem de você. Seu pai iria esquecer, mas eu odiaria ter que forçar Rocco a ficar em silêncio sobre isso.
***
Fazia um tempo desde que eu tinha estado na casa de infância de Bibiana. Eu nunca gostei muito de seus pais. Isso não mudou quando eles a tinham forçado a se casar com um homem muito mais velho. Meu pai e Rocco Scuderi estavam esperando na frente da porta por nós. Quando andamos até eles, papai me puxou para um abraço, beijou minha testa e apertou a palma da mão contra o meu abdômen. — Então, como você está?
Eu podia sentir os olhos de Dante em nós. Scuderi também estava assistindo com olhos de falcão. Eu não tinha certeza se ele sabia sobre a minha gravidez. Não era de conhecimento público ainda, mas em breve seria difícil de esconder. Um olhar mais atento já era o suficiente para levantar suspeitas. — Eu estou bem, — eu disse em um sussurro. Papà balançou a cabeça e então deu um passo atrás. — Você está aqui para apoiar Bibiana?
Eu lhe dei um aceno de cabeça, mas ele se distraiu quando a porta se abriu e os pais de Bibiana nos acolheram em casa. Bibiana estava na sala de estar, envolta em um cobertor. Corri até ela e a puxei para um abraço apertado. — Eu fiz isso. Eu realmente fiz isso, — ela sussurrou em meu ouvido.
— Shhh, — murmurei, acariciando suas costas. Quando eu me afastei, Dante, meu pai e Rocco estavam ao nosso lado. Bibi endureceu, os olhos cheios de medo quando eles pararam entre nós. Os pais dela pararam na porta. Se Bibi fosse minha filha, eu não a teria deixado de lado em um momento como este.
— Eles estão aqui para te interrogar por causa da morte de Tommaso. É um procedimento padrão. Tudo vai ficar bem, — eu disse a ela.
Dante se aproximou de nós. — Seria melhor se pudéssemos ter uma palavra a sós com Bibiana, — disse ele para mim. Os pais de Bibiana saíram sem uma palavra de protesto. Eu fiquei, mas não me mexi. O olhar suplicante de Dante me fez recuar alguns passos. Bibiana se levantou e olhou para Dante com medo quando ele parou na sua frente. Ela estava toda encolhida e isso aflorou meu lado protetor, mas Dante me lançou um olhar de advertência. Ele queria que eu confiasse nele, que eu o deixasse lidar com isso, e eu sabia que não tinha escolha. Depois de um sorriso encorajador para Bibi, deixei a sala de estar, mas não fui muito longe. Eu pressionei meu ouvido contra a porta, tentando ouvir a conversa deles. Eles falavam muito baixo, o que teria sido um bom sinal em circunstâncias normais. Não ouvir vozes exaltadas deveria ser uma coisa positiva, mas Dante era mais perigoso quando estava tranquilo.
Quinze minutos depois, ouvi passos se aproximando da porta e rapidamente me afastei. Papà abriu a porta e me chamou. — Tudo bem, — disse ele quando viu a minha expressão preocupada. Eu entrei. Bibi estava sentada no sofá com as bochechas molhadas de lágrimas, enquanto Dante e Scuderi estavam perto da janela, conversando em voz baixa. Corri até ela e a abracei. Ela apertou minha mão imediatamente e eu apertei em retribuição. Seus pais chegaram quando Dante se virou para nós. — Os mais prováveis responsáveis pela morte de Tommaso estão mortos. Não há punição a ser distribuída, então daremos o caso por encerrado. — Eu quase caí de alívio.
— Isso significa que estamos autorizados a procurar um novo marido para a nossa filha? O hábito de esperar um ano foi recentemente afrouxado, — disse o pai de Bibiana e estava, naturalmente, se referindo a mim. Aquele desgraçado. Bibiana mal tinha se libertado de um marido que tinham escolhido pra ela e eles já estavam ansiosos para encontrar alguém novo.
A carranca de Dante fez o outro homem abaixar a cabeça. — Bibiana está grávida de Tommaso.
Meus olhos voaram para Bibi, que me deu um pequeno sorriso feliz. — Eu suspeitava há algum tempo, mas tive a confirmação esta manhã, — ela sussurrou.
Os pais dela pareciam ter levado um soco. Eles não podiam casar uma viúva grávida. Isso seria de mau gosto. Bibi percebeu seus olhares decepcionados. — Eu não vou voltar a morar com vocês.
— Eu lhe dou minha palavra de que sua filha vai estar segura na casa em que ela dividia com Tommaso, — disse Dante.
Eu tive que esconder um sorriso. Os pais de Bibi não podiam discutir com isso. Depois de tudo, Dante e eu levamos Bibi de volta para sua casa. Apesar de não falar sobre o que realmente tinha acontecido, a expressão aliviada de Bibi não deixava quase nenhuma dúvida. Ela tentou parecer abatida sempre que se lembrava de fazer isso, mas na maioria das vezes seu alívio falava mais alto.
Fiquei contente que Dante soubesse a verdade. Ele teria descoberto de qualquer maneira. Quando Bibi saiu do carro e estávamos a caminho de casa, eu coloquei minha mão em sua perna.
Os olhos de Dante registraram a ação com surpresa. Eu costumava respeitar sua relutância a demonstrações públicas de afeto. — Obrigada por ajudar Bibi.
— Eu fiz isso por você, — ele disse simplesmente. Isso foi provavelmente o mais próximo a uma declaração de que – amor? Carinho? – que eu já tinha recebido dele.
— Obrigada. — Eu puxei minha mão de novo e descansei no meu colo, mas Dante me pegou de surpresa quando puxou minha mão, a levou até o seu rosto e deu um beijo contra meus dedos. Minha respiração ficou presa na minha garganta e imediatamente lágrimas se reuniram em meus olhos. Esse pequeno gesto não deveria ter significado tanto, mas significou, e os hormônios da gravidez não ajudavam em nada, também. Dante não soltou a minha mão e me enviou um olhar interrogativo. — Valentina? Você está bem?
— São os hormônios. Sinto muito. Apenas ignore.
Dante descansou nossas mãos unidas em sua coxa e dirigiu com uma mão apenas. Ele não comentou quando eu limpei meus olhos e apertei a minha mão livre contra a pequena protuberância no meu ventre.