Bound by Duty

Cora Reilly · Capítulo 8 de 24

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Bound by Duty

Capítulo Sete

 

Se eu pensei que a conversa de ontem à noite com Dante o faria reconsiderar nossos assentos durante o café da manhã ou até mesmo fazer com que ele quisesse falar comigo, eu estive terrivelmente enganada. Tal como ontem, ele desapareceu atrás de seu jornal depois de uma breve saudação. Eu não estava com vontade de brigar por sua atenção. Eu estava muito confusa e ferida pelo seu desinteresse constante por mim. Eu só peguei algumas frutas e bebi uma xícara de café antes de me desculpar e sair. Dante nem sequer olhou para cima de seu jornal quando eu caminhei para fora.

Normalmente eu teria lhe perguntado se ele queria mandar um de seus homens comigo para a casa de Bibiana, mas eu estava muito irritada. Eu tinha carteira de motorista. Antonio quis que eu tirasse depois que nos casamos, o que, infelizmente, não era a regra para os homens em nosso mundo. Depois de colocar um casaco e pegar minha bolsa, eu entrei na garagem. Dante tinha me dado as chaves da casa e da garagem. Dos três carros estacionados, a Mercedes GL era a que menos chamava a atenção. Eu peguei as chaves de um gancho na parede e entrei no carro. Levei um momento para encontrar o botão no painel que abria a garagem, mas finalmente conseguir pôr o carro em movimento para fora. Um guarda, que eu não sabia que patrulhava a cerca, não tentou me parar quando eu abri a porta, pressionando outro botão. Eu dirigi para fora das instalações da mansão e o portão se fechou automaticamente atrás de mim.

Era bom voltar a dirigir, mesmo que eu não gostasse do tráfego de Chicago, mas fazia muito tempo desde que eu tinha sido autorizada a dirigir sozinha. Meus pais formam muito determinados em me manter sob sua vigilância depois da morte de Antonio. Eu conhecia o caminho para a casa de Bibiana, tinha feito inúmeras vezes ao longo dos anos, e ela ficava a apenas dez minutos da mansão de Dante.

A casa de Bibiana e Tommaso era muito menor que a de Dante e de meus pais. Eles não tinham uma grande garagem, onde eu poderia ter estacionado. Em vez disso, tive que deixar o meu carro na rua. Não que eu estivesse preocupada que alguém pudesse roubá-lo. As ruas onde os membros da máfia viviam eram geralmente bastante seguras, a menos que você conte o risco de ataques da Bratva ou da Triad. Eu andei até a porta da frente, notando um dos homens de Tommaso sentado em um carro do outro lado da rua e vigiando a casa. Tommaso não era tão altamente classificado na hierarquia como os homens da minha família ou o Scuderi, mas ele não era um simples soldado também. Ele sempre mantinha um guarda perto da casa para cuidar de Bibiana, ou o que eu suspeitava que fosse o real motivo, para se certificar de que ela não fugisse.

Ele não me impediu, apenas inclinou a cabeça em um gesto de respeito. Toquei a campainha. Bibiana abriu a porta, e então espreitou atrás de mim. — Onde estão os seus guardas?

Eu dei de ombros. — Eu não quis trazer ninguém. Dante nunca disse que eu tinha que andar com guardas.

— Você não vai ficar em apuros? — ela perguntou quando fechou a porta e me levou para sua sala de estar. Como de costume, o seu marido não estava em casa. Bibiana, é claro, não se importava. Ela até ganhou alguns quilos desde que Tommaso tinha sido forçado a trabalhar por longas horas. Agora, ela não parecia mais tão esquálida.

— Por que eu estaria? — eu disse. Eu não tinha certeza se Dante se importava que eu saísse de casa sem proteção. Ele parecia muito ocupado com Deus sabe o quê.

Bibiana me deu um olhar preocupado. — Você deve ser cuidadosa. Dante é um homem perigoso. Ele sempre parece tão calmo e controlado, mas Tommaso me disse que ele não tolera desobediência.

Isso realmente não era uma surpresa, mas eu não podia ter desobedecido se ele não me ordenou nada. — Eu não sou um de seus soldados.

Eu me afundei no sofá. Bibiana se sentou ao meu lado, a curiosidade enchendo seu rosto. — Então, como foi sua noite de núpcias?

Meus lábios se torceram. — Eu dormi bem, — eu disse sarcasticamente.

Bibiana piscou para mim. — Huh? Não foi isso que eu quis dizer.

— Eu sei o que você quis dizer, — eu disse, frustrada. — Nada aconteceu. Dante me deu um gelo.

— Ele não tentou dormir com você? E na noite passada? — eu desejei que Bibiana não parecesse tão atordoada; isso me fez sentir ainda pior. Como se de alguma forma a culpa fosse minha, porque fui incapaz de fazer Dante me desejar. Eu sabia que ela não pensava assim.

— Ele nem sequer me beijou. Ele só se deitou ao meu lado e disse que tinha que acordar cedo, e então apagou a luz e dormiu. Que tipo de noite de núpcias é essa? — coloquei minha cabeça contra o encosto. — Eu não entendi nada.

— Talvez ele estivesse muito cansado, — disse Bibiana timidamente.

Eu lhe dei um olhar. — Você realmente acredita nisso? Ele parecia bastante em forma para mim. E o que dizer de ontem? Ele estava cansado também? — mordi o lábio. — Você acha que ainda é por causa da esposa dele?

Bibiana torceu uma mecha de seu cabelo castanho em torno do dedo, nervosa. — Pode ser. Ouvi dizer que ele a adorava. Eles eram o casal dos sonhos em Chicago.

Eu nunca tinha prestado muita atenção a Dante e sua esposa no passado, mas me lembrava de ver os dois juntos em reuniões sociais. Me lembrava de achar como eles pareciam bem juntos. Havia poucos casais em nosso mundo que pareciam viver bem porque se amavam. A maioria deles se casou por conveniência, mas no caso de Dante e sua esposa, Carla, parecia que eles estavam destinados a ficar juntos. O destino foi cruel por separá-los, e ainda mais cruel por ter me jogando nos braços de um homem que já tinha encontrado o amor de sua vida uma vez. — Talvez ele não tenha estado com uma mulher desde que sua esposa morreu. Pode ser por isso que ele não tentou consumar nosso casamento.

Bibiana evitou o meu olhar e pegou um macaron na bandeja de prata sobre a mesa à nossa frente. Ela o empurrou na boca e mastigou como se isso exigisse toda a sua concentração. Um pavor encheu meu estômago. — Bibi?

Seus olhos correram para mim, depois que eles foram embora novamente. Ela engoliu em seco e pegou outro doce, mas eu agarrei seu pulso, lhe parando. — Você sabe de alguma coisa. Dante tem uma amante desde a morte de sua esposa?

Bibiana suspirou. — Eu não quis te dizer.

As palavras me esmagaram. — Não quis me dizer o que?

Será que Dante tinha uma amante fixa? Alguém que ele não poderia se casar por razões sociais e políticas? Talvez tenha sido por isso que ele me escolheu, uma viúva, porque ele não queria estragar a vida de uma menina inocente. Minha cabeça começou a girar.

Bibiana apertou minha mão com força. — Hey, não é assim tão ruim. Acalme-se. Parece que você vai desmaiar a qualquer momento.

Estendi a mão para um macaron verde e o enfiei na boca. O doce com sabor de pistache se espalhou pela minha língua e eu relaxei um pouco. — Então cuspa de uma vez, antes de eu pensar nos cenários mais horríveis. — Eu podia dizer que Bibiana ia perguntar que tipo de cenários eu montei na minha cabeça, mas felizmente ela não fez isso. Bibiana me conhecia bem o suficiente para adivinhar sozinha, de qualquer maneira. Nós éramos amigas desde que aprendemos a andar. Ela era a prima mais próxima da minha idade, e nós sempre passávamos cada minuto livre juntas. Mesmo na escola tínhamos sido inseparáveis, exceto nas aulas que não compartilhamos porque eu estava um ano na frente. Mas era difícil fazer amigos entre as pessoas normais, por isso nós éramos tão grudadas. Isso não mudou depois que nos casamos. Quando era possível, nos falávamos ainda mais, porque nós duas compartilhávamos nossos problemas matrimoniais uma com a outra sem a preocupação de que alguém soubesse.

— Meu marido me disse que Dante frequentou o Clube Palermo por um tempo.

Eu congelei. Clube Palermo era uma boate de propriedade da máfia com pole dancing, strip-tease e prostituição. O marido de Bibiana era o gerente do clube. — O que você quer dizer?

As bochechas de Bibiana ficaram vermelhas. Parecia que ela tinha se arrependido de ter tocado no assunto. — Ele fazia sexo com algumas prostitutas.

Eu apertei os lábios, tentando descobrir por que isso doía tanto. Na noite passada nós falamos sobre prostituição, por que ele não mencionou algo? Eu quase podia ver onde essa conversa teria ido. — Mas não mais, certo?

— Ah, não, isso aconteceu um tempo atrás. Cerca de um ano depois da morte de sua esposa, ele passou por um período complicado e foi ao Clube algumas vezes por semana para “dar uma aliviada”, como Tommaso diz.

Isso tinha sido antes do nosso casamento, só que saber que Dante tinha dormido com prostitutas, mas nem sequer tentou me beijar, doía muito. — Então ele não tem nenhum problema em dormir com outras mulheres, ele só não quer dormir comigo.

— Não, isso não é verdade. E como eu disse, ele não vai ao Clube Palermo há muito tempo.

— Tudo bem, mas isso não muda o fato de que ele não quer dormir comigo. Com Antonio, eu podia lidar com isso. Eu sabia que não era nada pessoal. Ele não dormia comigo porque não gostava de mulheres, mas qual a razão do desinteresse de Dante? Talvez ele não me ache atraente.

— Não seja ridícula, Val. Você é linda. Ele teria que ser cego para não olhar para você. Talvez ele não queira te forçar? Você perdeu seu marido há menos de um ano e Dante não sabe que você e Antonio nunca foram um casal de verdade.

— Não é como se eu não tivesse perdido Antonio, — eu disse defensivamente. — Eu sinto falta das nossas conversas e da confiança que ele tinha em mim.

— Eu sei que você sente, mas você não o tinha fisicamente. Talvez Dante ache que você não está pronta para ter uma relação física com outro homem.

Eu ponderei isso. Parecia uma explicação lógica, e Dante não era nada além de um homem lógico. Por outro lado, ele era um homem iniciado e eles geralmente não sofriam por excesso de sensibilidade. — Quantos homens você conhece que se preocupariam com isso?

Bibiana fez uma careta. — Tommaso definitivamente não.

— Viu, — eu disse, sentindo-se ainda mais miserável. — É pouco provável que a consciência de Dante esteja lhe impedindo de dormir comigo. Ele é um assassino, e um especialista nisso. Ele é o Chefe por uma razão.

— Isso não significa que ele não tenha escrúpulos. Eu sei que ele desaprova fortemente o estupro.

Eu bufei. — Ele desaprova?

Bibiana me deu um olhar severo. — Estou falando sério. Dante disse a seus homens que ele iria castrar quem quisesse usar estupro como forma de tortura, punição ou entretenimento. Tommaso odeia isso, porque ele acha que todos devem ser autorizados a fazer o que quiserem com as mulheres no Clube Palermo.

Eu não tinha dúvidas disso por um segundo. Perdi a conta das vezes que ele tinha estuprado Bibiana. É claro que ninguém chamava de estupro em nosso mundo, porque ela era sua esposa e seu corpo pertencia a ele. Pensar nisso me deixava enojada. — Ok, então ele tem escrúpulos em muitas coisas. — Fazia sentido depois do que ele disse sobre Gabi ontem. Talvez ele realmente não quisesse começar nada comigo porque achava que eu ainda estava de luto por Antonio.

— Talvez você devesse dar o primeiro passo? — disse Bibiana.

— Eu pulei ao lado dele seminua ontem, o que mais eu posso fazer?

— Você poderia beijá-lo. Tocá-lo.

Eu sabia como beijar. Antonio tinha me beijado algumas vezes. Tinha sido bom. Pelo menos beijar Dante era definitivamente algo que eu poderia fazer. — Tocá-lo? Você quer dizer o seu... Você sabe o quê?

Bibiana assentiu. — Eu acho que sim? Eu nunca iniciei qualquer coisa com Tommaso, mas ele sempre quer que eu o toque lá até ele explodir. — Bibiana pegou mais um macaron. Eu sabia que ela odiava falar sobre sexo com Tommaso. Quem gostaria?

— Tocá-lo não pode ser tão duro10.

— Oh, vai ser duro.

Eu ri. — Piadas sujas já? Esses seus macarons estão batizados.

Bibiana riu e balançou a cabeça. — Você vai ficar bem. Mesmo que você o chupe, não pode fazer nada de errado. Só não use os dentes e não se esqueça de engolir, essas são as duas coisas mais importantes.

Eu tive que esconder uma careta. Eu não estava muito feliz com a ideia de dar um boquete a Dante, mas a imagem de Bibiana engolindo as coisas de Tommaso me fez querer vomitar.

— A coisa boa sobre boquetes é que a maioria dos homens ama, por isso, se você não está afim de sexo real, pode manter eles felizes dessa forma.

Eu realmente esperava que não fosse assim. Eu sabia que o único orgasmo que Bibiana já tinha experimentado foi com sua própria mão, mas eu realmente não queria esse mesmo destino pra mim.

— Eu vou tentar hoje à noite, — eu disse, de repente me sentindo mais esperançosa.

— Ligue para mim amanhã. Eu quero saber como foi.

— Não se preocupe, você vai ser a primeira a saber se algo emocionante acontecer.

 

***

Naquela noite, quando Dante se juntou a mim na cama, reuni toda a minha coragem, deslizei até ele e toquei o seu peito nu. Era quente e firme. Dante ficou imóvel sob o meu toque, as sobrancelhas juntas enquanto me observava. Me inclinei e pressionei meus lábios contra os dele. Dante aprofundou o beijo imediatamente, sua língua entrando em minha boca. Esse beijo foi diferente dos que eu tinha experimentado com Antonio. Dante reivindicou minha boca, me fazendo tremer com a necessidade de mais. Eu deixei minha mão deslizar mais baixo, descendo pelo seu estômago. Ele recuou e segurou minha mão, parando a descida. Ele balançou a cabeça, os olhos acesos com algo escuro e com raiva. — Você deveria dormir agora, Valentina.

Eu olhei para ele, sem entender. O que tinha acontecido? Ele me beijou como se quisesse me devorar, e então parou sem uma explicação. Puxei minha mão fora de seu alcance, lutando contra as lágrimas de raiva crescentes em meus olhos. Sem dizer uma palavra, eu rolei na cama e fechei os olhos.

— Eu sei que você foi à casa de Bibiana sem proteção hoje. Isso não vai acontecer outra vez. Você pode ir aonde quiser. Você pode até mesmo dirigir, mas de agora em diante eu quero um dos guardas ao seu lado quando você sair desta casa. É muito perigoso para você além dos limites da propriedade, — disse ele, como se ele não tivesse acabado de me beijar, como se ele não estivesse nem um pouco afetado por aquilo que eu tinha feito.

Pressionei meus lábios com força. Eu queria gritar de frustração, mas em vez disso, lágrimas se reuniram em meus olhos.

— Entendido? — Dante perguntou depois de um tempo.

Eu tive que morder de volta um comentário mordaz. — Sim, entendido.

Nós dois ficamos em silêncio de novo, sem se tocar, como se fôssemos dois estranhos, forçados a estar na mesma cama por acidente. E isso estava realmente muito mais perto da realidade do que eu gostaria. O latejar entre as minhas pernas era quase insuportável, mas estava claro que Dante não iria fazer nada sobre isso. Eu não tinha certeza do que mais poderia fazer.