Bound by Duty

Cora Reilly · Capítulo 21 de 24

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Bound by Duty

Capítulo Vinte

 

Torci o frasco em minhas mãos uma e outra vez. As lágrimas tinham secado por agora, e meu rosto estava quente e pegajoso de chorar, mas a minha decisão foi tomada. Só havia uma coisa que eu podia fazer. Os passos de Dante soaram no corredor e eu rapidamente guardei o veneno. A porta se abriu e Dante entrou no cômodo, então parou com um olhar surpreso em seu rosto quando me viu em pé na frente da janela.

— Valentina, o que você está fazendo aqui? — Seu olhar varreu meu rosto cheio de lágrimas. — Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

— Nós precisamos conversar.

Dante fechou a porta devagar, cada movimento deliberado e calculado. Ele sabia que algo estava acontecendo. Eu não tinha que ver a minha cara para saber isso, só os meus olhos inchados. Eu nunca tinha estado tão abalada na minha vida como eu estava hoje. Ele se aproximou de mim com cuidado, depois parou fora de alcance. Eu procurei o rosto dele por alguma coisa, algum tipo de gentileza, mas ele estava apenas alerta. Este era o homem que tinha me acusado de tê-lo traído, que havia rejeitado o nosso filho porque achava que não era seu. Um homem que nunca me deixou chegar perto. Será que um dia ele me amaria? Será que um dia eu encontraria neste casamento o que eu tão desesperadamente queria?

A análise fria de Dante era uma mudança tão gritante da ternura de Antonio, que sorria fácil. Antonio tinha prometido me dar o que eu queria, ser o marido que eu merecia. Três anos atrás eu teria feito tudo para ouvir aquelas palavras dele, até mesmo colocado veneno no copo de alguém que quisesse Antonio morto. Mas de alguma forma, nos últimos meses do meu casamento com Dante, algo havia mudado. Meu coração tinha sido tomado por um homem inatingível para qualquer um. Apesar de tudo que Dante tinha feito e dito, ele era meu marido e eu estava apaixonada por ele, não importava o quão estúpida isso me fazia. Ele era o pai do meu filho, mesmo que se recusasse a acreditar nisso.

— Valentina? — um pouco de impaciência penetrou a voz de Dante.

— Eu vi Antonio hoje.

Dante fez uma careta. — Você foi ao cemitério?

— Não, — eu disse com uma nota histérica. — Eu o vi em pessoa. Ele não está morto.

Dante se virou. Eu podia dizer que ele não tinha certeza se deveria acreditar em mim. Ele provavelmente pensou que eu estava perdendo a cabeça. — O que você quer dizer?

Lágrimas caíram. — O que eu disse. Ele não está morto.

O rosto de Dante endureceu, mas ele permaneceu em silêncio.

— É por isso que Frank entrou em contato comigo. Antonio estava lá naquela noite no armazém. Ele atirou em nós para salvar Frank. Não foram os russos.

— Por que você o encontrou sem me dizer depois que ele tentou te matar?

— Eu não fui me encontrar com ele! Ele me seguiu até a farmácia hoje.

A suspeita era evidente no rosto de Dante. — Por que você não chamou Enzo? Onde ele estava? — ele não soava como um marido, ele soava como se fosse meu chefe e eu, um de seus soldados.

— Eu não sei. Fiquei chocada. Eu pensei que Antonio estivesse morto e, de repente, eu estava olhando para o seu rosto. Eu queria ouvir o que ele tinha a dizer. Ele me disse que forjou a sua morte para escapar da Outfit e viver com Frank.

— E agora ele está de volta. Ele quer o meu perdão? Eu não tenho nenhum para dar. Eu espero que ele não queira que eu lhe dê uma recepção calorosa. A única coisa que ele vai ter de mim é uma morte rápida.

Eu passei meus braços em volta de mim. — Ele não quer pedir seu perdão.

Dante procurou meu rosto.

— Ele quer você morto. Ele e alguns outros querem que você e seu pai desapareçam para tomar o poder.

A mandíbula de Dante flexionou. — Eles querem isso agora? E como é que pretendem fazer isso?

— Antonio me pediu para envenenar você.

Os olhos de Dante perfuraram os meus. — Por que ele achou que você concordaria?

— Porque ele tem certeza que eu ainda o amo. Porque ele confia em mim. Porque é provavelmente óbvio para todos como eu sou infeliz. — Minha mão inconscientemente foi para o meu estômago ainda predominantemente plano. Havia apenas uma leve protuberância quando eu estava nua. Os olhos de Dante seguiram o movimento e a dureza em torno de seus olhos diminuiu. — E o que você disse a ele?

Eu fiz um som exasperado. — Eu te contaria tudo isso se eu quisesse te matar? Já foi ruim o suficiente você me acusar de traição e não acreditar em mim quando eu lhe disse que estava grávida do seu filho, sendo que você o único homem com quem eu já estive. Mas isso? Pensar que eu concordaria em matar você, isso é demais, até mesmo para mim.

Dante se aproximou de mim e tocou meu braço levemente. — Eu não perguntei o que você decidiu. Eu não achei que você fosse me matar. Eu perguntei o que você disse a Antonio. Há uma grande diferença.

— Eu fingi concordar com seu plano. Eu me preocupei que ele fosse encontrar outra maneira de te matar.

— Provavelmente. E eu aposto que ele teria tentado te matar também.

Eu respirei fundo. — Antonio nunca iria me machucar.

— Você tem certeza? Este é um homem que faria tudo para conseguir o que quer, até onde eu sei.

— Eu não sei. Eu não sei mais nada.

Dante manteve suas mãos em meus braços. — Ele lhe disse quem mais está envolvido?

Eu balancei a cabeça, atordoada. — Ele mencionou Raffaele, mas não quis me dizer os outros nomes.

— Ok, — Dante disse gentilmente. — Você tem uma maneira de entrar em contato com ele?

— Você vai matá-lo.

— Eu vou matar todos eles, Valentina. Eu tenho que matar.

Olhei em seus determinados olhos azuis. Sem hesitações, sem piedade, sem misericórdia. — Eu tenho o número dele.

— Você vai enviar a ele uma mensagem dizendo que me deu o veneno e agora está em pânico, porque não sabe o que fazer com o meu corpo. Peça para que ele se encontre com você no armazém outra vez.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Dante a limpou com o polegar. — Sabe o que é estranho, — eu sussurrei — Em um ponto eu pensei que nunca poderia amar alguém como eu amei Antonio, não importava quanto desse amor fosse correspondido. E hoje eu estou condenando ele à morte por causa de outro homem que nunca vai me amar de volta.

Os dedos de Dante congelaram no meu rosto. Seu olhar cintilou, e uma pequena parte de mim esperava que ele dissesse que me amava. Ele teria feito as coisas mais fáceis. Ele limpou a garganta. — Nós não devemos esperar muito. Talvez ele perceba que foi estúpido te procurar e decida voltar para o esconderijo. Precisamos alcançá-lo antes disso.

Eu me afastei de seu toque, e acenei com a cabeça. Enfiei a mão na bolsa para pegar o meu celular, meus dedos roçaram no frasco com o veneno. Eu deveria dizer a Dante sobre ele. Peguei meu telefone pra mandar uma mensagem. Eu rapidamente digitei o que Dante tinha me dito e enviei. Depois, olhei ansiosamente para a tela. Menos de um minuto depois, recebi uma resposta.

Me encontre em 30 minutos. Traga o corpo. Eu vou cuidar de tudo.

— Como vou colocar o seu corpo no meu carro?

— Eu acho que arrastando vai dar certo, — disse Dante secamente.

Eu ri, então engasguei. — E agora? Você vai precisar de reforços.

Dante sacudiu a cabeça. — Eu não sei em quem confiar nesse momento. Não até que eu fale com Antonio.

Eu sabia que ele não ia falar com ele e o pensamento enviou uma facada ao meu coração. — Mas e se Antonio não estiver sozinho? Não é muito arriscado você ir sozinho? Talvez você devesse pedir a um dos guardas. Eles têm acesso a esta casa. Se eles quisessem você morto, provavelmente já teriam descoberto uma maneira de te matar.

— Eu prefiro ter uma imagem total da situação antes de envolver mais alguém. É crucial que eu não pareça vulnerável na frente dos meus homens. Preciso estar no controle em todos os momentos. Eu vou lidar com isso sozinho. Uma vez eu saiba mais, vou ligar para os meus soldados. Eles precisam ver o que eu faço com os traidores, de qualquer maneira.

Engoli em seco. — Você pode matar Antonio rapidamente? Você pode conseguir a informação que precisa de Raffaele.

— Raffaele pode ficar desconfiado e desaparecer, ou ele pode não saber tudo que Antonio fez. Vou ter que me certificar de descobrir exatamente quem está envolvido nesse processo.

Toquei seu braço. — E se você levar um tiro?

— Eu posso me cuidar. Lutei muitas batalhas na minha vida. Eu não seria Capo se não tivesse lutado.

— Eu deveria ir com você.

— Não, — disse Dante imediatamente.

— E se Antonio não sair até que ele me veja no meu carro? Se eles tiverem binóculos, vão ver que é você atrás do volante. Eles vão fugir e nós nunca vamos descobrir quem está por trás deste golpe.

Dante me olhou com respeito. — Eu não vou arriscar a sua vida.

— Eu não vou sair do carro. É a prova de bala, lembra? Eu vou estar perfeitamente segura.

— Você quer estar lá quando eu lidar com Antonio?

Eu hesitei. Essa era a última coisa que eu queria. — Não, — eu disse honestamente. — Mas não há outra maneira. Uma vez que a situação esteja sob controle e você chamar seus homens, eu vou embora.

Por um longo tempo, Dante e eu encaramos um ao outro. — Você não deveria arriscar a sua vida por mim. E não é só a sua vida em risco.

— Nada vai acontecer a mim ou ao nosso bebê. Eu sei que você vai nos proteger.

Dante não disse nada. Eu queria que ele dissesse que acreditava que era seu o bebê, desejei que ele engolisse de volta as coisas dolorosas que disse. — Vamos, então.

Dante se escondeu no banco de trás do carro enquanto eu dirigia. Quando passamos o portão, Enzo me deu um olhar estranho, mas não tentou me parar. Dante tinha duas armas presa ao coldre e outra na mão. Havia também facas no espaço das pernas, e eu tinha uma arma no porta-luvas. Não que isso me ajudaria de alguma forma. Eu nunca tinha manuseado uma arma na minha vida.

Meu pulso acelerou quando dirigi o carro em direção ao estacionamento deserto na frente da instalação do armazém abandonado. — Estamos quase lá, — eu disse.

— Quando você estiver ao alcance da visão de Antonio, tente não falar comigo a menos que seja absolutamente necessário. Ele não pode saber que você não está sozinha.

O ponto de encontro veio à vista. Antonio estava ao lado de seu carro. Do que eu conseguia ver, Frank não estava com ele, mas ele não estava sozinho. Meu coração acelerou ainda mais e as minhas mãos ficaram úmidas enquanto eu segurava o volante com mais força. Havia um segundo carro. Raffaele e dois homens Eu não sabia quantos estavam lá dentro.

— Antonio não está sozinho, — eu sussurrei, mal movendo os lábios.

— Quantos?

— Outros três. Raffaele, e dois homens que eu não reconheço.

Dante pegou seu telefone e o trouxe ao ouvido. — Enzo, preparar a equipe. Eu preciso me livrar de alguns ratos. Traga somente o círculo interno com você. — Ele rapidamente deu o endereço a Enzo e desligou.

Eu diminuí a velocidade do carro e forcei um sorriso trêmulo no rosto quando parei a poucos metros de onde Antonio estava. Ele parecia ansioso e não parava de olhar para Raffaele, que estava saindo do carro, seguido pelo homem do banco traseiro. Por que Antonio trouxe Raffaele para uma reunião comigo? Raffaele me odiava. Ele preferiria me ver morta a me ver ao lado de Antonio.

E se Dante estivesse certo e Antonio quisesse se livrar de mim também? Eu não queria acreditar. Desliguei o motor. Depois de outro olhar em direção a Raffaele, Antonio se dirigiu ao meu carro. Eu fiquei tensa, mas relaxei meu rosto para não dar pistas. Quando ele quase chegou até mim, seus olhos pousaram no banco de trás e ele parou repentinamente. Seu olhar correu para mim por um breve momento antes que seus lábios abrissem, provavelmente para gritar um aviso. Era tarde demais. Dante abriu a porta e apontou a arma para Antonio. Meu estômago doeu com tristeza e culpa quando a primeira bala atingiu Antonio no estômago, a segunda passou direto através de sua mão direita, que estava prestes a puxar uma arma. Antonio caiu no chão, segurando sua barriga, seu rosto contorcido de dor.

Eu agarrei o volante com toda a minha força. Parte do meu cérebro gritou para que eu pegasse a arma no porta-luvas e tivesse algum tipo de proteção, mas a outra estava gritando. Gritando de angústia, horror e culpa.

Dante estava protegido pela porta do carro à prova de balas quando disparou novamente. A bala atravessou a garganta do homem que tinha saído do carro depois de Raffaele.

Raffaele estava tentando alcançar a segurança de seu próprio carro, disparando bala após bala em nossa direção, mas nenhuma delas conseguia estourar nossas janelas de proteção.

Quando Raffaele pulou para mergulhar pela porta do passageiro de seu carro, Dante saiu de trás da porta que o estava protegendo. Meu coração batia violentamente quando ele endireitou os ombros e mirou com calma. Em rápida sucessão Dante puxou o gatilho, atingindo Raffaele primeiro a perna esquerda, e em seguida em sua rótula direita. Raffaele caiu no chão, o rosto torcido em agonia. O homem atrás do volante do carro arrancou sem nem mesmo se preocupar em fechar a porta do passageiro enquanto tentava escapar e salvar sua própria vida. Três outros carros, reforços de Dante, já estavam vindo em nossa direção a uma velocidade vertiginosa, mas Dante não deixou o carro inimigo fugir. Ele apontou sua arma para os pneus e atingiu um após o outro, fazendo com que o homem perdesse o controle do carro, que começou a girar e, finalmente, colidiu com o armazém abandonado. Os airbags se abriram, enchendo o carro e escondendo o motorista por um momento.

Eu soltei uma respiração dura, agora que o silêncio caiu sobre a área, e mantive meu olhar para frente. Se eu olhasse para trás, na direção de onde Antonio tinha ficado lentamente sangrando até a morte, eu perderia o controle. Ele não deveria ter vindo até mim, não deveria ter me pedido para matar Dante. Ele deveria ter pensado melhor. Agora não havia nada que eu pudesse fazer por ele, a não ser ter esperança de que Dante não fosse prolongar sua agonia por muito tempo. Lágrimas turvaram a minha visão e meus dedos estavam brancos pelo meu aperto no volante. Do canto do olho, eu conseguia ver Raffaele. Suas pernas eram inúteis, ele estava se arrastando para frente com a ajuda dos braços, deixando para trás um rastro de sangue no asfalto empoeirado.

Os carros que eram o reforço de Dante pararam ao meu lado. Enzo me lançou um breve olhar antes de correr em direção a Dante. Eu não sabia o que eles estavam dizendo, mas Enzo caminhou em direção a Raffaele, o agarrou pelo cangote e o puxou na posição vertical. É claro que as pernas de Raffaele cederam de novo, e Enzo começou a arrastá-lo para trás, apesar dos gritos de dor do homem. Com a ajuda de Taft, eles puseram Raffaele no carro ao lado do meu.

Dante apareceu na minha janela. Eu não podia nem mesmo me virar para abri-la. Meus dedos, meu corpo, todo o meu ser parecia paralisado. Depois de um momento, Dante abriu a porta. Agachou-se ao meu lado. Foi um gesto bastante incomum para ele, e fez que meus olhos pousassem no seu rosto. — Valentina, — Dante disse cuidadosamente. — Você é capaz de dirigir para casa ou você quer que um dos meus homens a leve?

Eu quero você. Eu preciso de você, agora mais do que nunca. — Não, eu estou bem. Eu posso dirigir.

Dante me examinou. Seu cabelo ainda estava perfeitamente penteado para trás, seu terno impecável como sempre. Nada que indicasse que ele tinha acabado de matar um homem e ferido outros três. — Vou mandar Taft com você, — disse ele com firmeza. — Vai com ele, logo em seguida eu estarei em casa. — Ele não precisava dizer mais nada. Eu não queria ouvir mais. Eu balancei a cabeça, simplesmente. Dante se levantou e acenou para Taft, que entrou no banco do passageiro sem dizer uma palavra. Ele me lançou um olhar rápido. Eu provavelmente parecia estar perto de perder a cabeça. E era exatamente assim que eu estava me sentindo.

Dante hesitou antes de fechar a porta e deu alguns passos para longe do carro. Como se estivesse em transe, eu apertei o pé no acelerador. Eu não olhei para trás, não podia. Eu já tinha dito meu adeus a Antonio esta tarde. Não, na verdade eu disse adeus a ele há muito tempo.

Taft ficou olhando na minha direção. Eu estava dirigindo muito devagar, mas ele não fez nenhum comentário. Minha garganta estava apertada e eu estava me sentindo mal, mas não da forma que eu tinha experimentado durante a gravidez. Isso era algo que parecia tomar conta de todo o meu corpo, mas eu lutei contra. Eu precisava manter as aparências. Dante era um homem orgulhoso e forte, e eu era sua esposa. Eu não iria vomitar na frente de um de seus homens. Eu não tinha certeza de quanto tempo levou para chegar à mansão, mas pareceu uma eternidade. Quando eu finalmente estacionei o carro na garagem, estava à beira de um colapso nervoso. Abri a porta e saí. Quando eu me dirigi para a porta que dava para a casa, as minhas pernas fraquejaram. Mãos fortes agarraram-me sob os braços e me impediram de bater no chão duro. Impulsionada por pura determinação, obriguei minhas pernas a pararem de tremer. — Você está bem? — perguntou Taft. — Devo chamar o chefe?

— Não, — eu disse rapidamente. — Ele tem que cuidar dos negócios. — Como se livrar de Antonio. Uma nova onda de mal estar caiu em cima de mim. Eu dei um passo para frente, para fora do seu aperto, minha cabeça erguida e costas rígidas. Respirando mal, eu fiz o meu caminho para a casa e, segurando o corrimão em um aperto de morte, me arrastei para o andar de cima. Eu tropecei no quarto principal e fui direto para o banheiro, onde esvaziei meu estômago no vaso sanitário. Meu abdômen contraiu dolorosamente e por um momento eu congelei de medo, mas em seguida a sensação foi embora.

Me levantei e, lentamente, trêmula comecei a me despir, deixando minhas roupas espalhadas pelo chão. Liguei o chuveiro e entrei sob a corrente de água quente fechando os olhos e, finalmente, deixei soluços irromperem pelo meu corpo. Me encostei na parede da ducha e, lentamente, deslizei para baixo até me sentar no chão de mármore frio. Puxei minhas pernas com força contra meu peito e chorei. Chorei por Antonio, pelo garoto com quem eu tinha crescido, pelo homem que eu amei uma vez, por quem eu já tinha traído a Outfit antes. Mas hoje eu tomei uma decisão que tinha sido contra Antonio. Eu sabia o que significaria para ele, sabia que eu tinha assinado sua sentença de morte no momento em que contei a Dante o seu plano. E eu não tinha sequer hesitado. Eu tinha escolhido Dante e escolheria novamente. Ele era meu marido, pai do meu filho, ele era o homem que eu amava, mesmo que ele nunca tivesse me dado uma razão para isso. Enterrei meu rosto contra minhas pernas, ferida, magoada, tanto que não aguentava. Havia sangue em minhas mãos agora. Eu chorei ainda mais forte.

 

***

Foi assim que Dante me encontrou. Eu não tinha certeza de quanto tempo tinha passado, quanto tempo ele ficou fora. Eu estava tremendo, pele enrugada e vermelha da água quente. Dante ficou na porta por um tempo, me olhando, antes de entrar no chuveiro. Ele não estava usando a mesma roupa de quando eu o vira pela última vez. Ele tinha mudado. Teve que mudar. Minha garganta se fechou. Olhei para ele, tremendo e chorando em silêncio. Ele passou a mão por debaixo da ducha para chegar à torneira, ainda totalmente vestido, e fechou a água. Seus olhos azuis passaram por mim enquanto eu me encolhia no chão. Havia muita preocupação e simpatia, crivado de algo cru e sombrio em seu rosto. Eu não me movi, não podia.

Ele se abaixou, passou os braços por baixo de mim e lentamente se endireitou, ao mesmo tempo em que me pressionou contra seu peito, encharcando sua camisa cara. Meus dedos se agarraram como garras em seus ombros quase desesperadamente. Ele me colocou cuidadosamente para baixo, mas não me soltou. Eu não tinha certeza de que poderia ter ficado em pé sozinha. Ele pegou uma toalha e começou a me secar sem pressa, seus olhos seguindo suas mãos enquanto elas esfregavam o tecido macio sobre a minha pele. Eu pressionei meu rosto na curva do pescoço dele, imersa em seu cheiro familiar, agora misturado com pólvora e sangue. Sangue. Doce e metálico. Sangue, muito sangue.

— Oh, Deus, — Eu ofeguei, e ofeguei, e ofeguei, mas não conseguia respirar. Dante levantou-me em seus braços novamente e me levou para o quarto, onde me baixou na nossa cama. Ele tirou os sapatos e deitou-se ao meu lado, segurando meu rosto até o meu olhar frenético pousar em seus olhos intensos. — Shh, Val. Está tudo bem.

Mas não estava, não podia estar. — Eu o matei. — Eu fechei os olhos contra as imagens que minha mente criava, mas elas eram ainda mais coloridas contra a lona preta de minhas pálpebras fechadas. — Eu o matei, — eu repeti uma e outra vez, até que eu não tinha certeza se as palavras ainda deixavam meus lábios ou se era um eco nos meus ouvidos.

— Val, — Dante disse com firmeza, seus dedos no meu rosto se apertando. — Olhe para mim.

Eu forcei meus olhos a se abrirem, olhando para o belo rosto de meu marido. Lindamente frio. Não havia um lampejo de arrependimento.

— Você fez o que era certo.

Será que eu fiz? Às vezes era difícil ver a linha tênue entre o certo e o errado em meio a toda a morte e sangue nos caminhos da máfia.

— Você fez o que tinha que fazer para me proteger. — Seus dedos acariciaram meu queixo. — Eu nunca vou esquecer isso. Nunca.

— Eu disse que você podia confiar em mim, — eu sussurrei.

— Eu sei, e eu confio.

Eu queria acreditar nele, mas ele ainda não tinha dito nada sobre o nosso filho, ainda não tinha admitido que era seu, que ele estava errado de me acusar de traição. Orgulhoso demais, teimoso demais. Ele devia saber que estava errado o tempo todo, porque se ele tivesse realmente pensado que eu o tinha traído, ele teria movido céus e terra para encontrar o homem que me tocou. Eu não queria pensar sobre isso, minha mente precisava se esquivar de mais um assunto doloroso, então eu desconversei. — Você conseguiu os nomes dos outros traidores?

Dante assentiu tristemente. — Sim. Estou bastante certo. Enzo e alguns outros estão cuidando dos ratos menos importantes no momento.

— O que... O que você fez com Antonio? — Eu sabia que não deveria perguntar. Não faria as coisas melhores. Só iria acrescentar combustível ao fogo que era a minha culpa.

Dante sacudiu a cabeça. — Ele está morto, Val.

— Eu sei, mas o que você fez com ele.

— Se serve de consolo para você, eu foquei a minha atenção principal em Raffaele. Antonio teve uma morte mais rápida do que qualquer outro traidor.

Lágrimas se reuniram em meus olhos. — Obrigada. — Em que tipo de mundo nós vivíamos em que eu agradecia a meu marido por matar o meu primeiro marido rapidamente, para que a tortura fosse mínima? Um mundo de sangue e morte. Um mundo em que nosso filho nasceria e cresceria, e talvez um dia, se ele fosse um menino, ia seguir os passos de Dante, matar e torturar outros para permanecer no poder. Um círculo interminável de sangue e morte.

Dante procurou meus olhos. — Val, você está me preocupando.

Ergui a cabeça e pressionei meus lábios encharcados de lágrimas contra Dante. Ele não se afastou, apenas me olhou com as sobrancelhas franzidas. Recuei um par de centímetros, meus dedos se curvaram em seu cabelo, os olhos suplicantes. — Por favor, — eu disse em voz baixa. — Faça amor comigo. Só hoje. Eu sei que você não me ama. Finja, só por esta noite. Me segure nos seus braços pela primeira vez.

Tempestuoso não era a palavra certa para descrever o olhar de Dante, mas foi a única coisa que me veio à mente. — Deus, Val. — Ele soltou uma respiração dura, então pressionou seus lábios nos meus, separando-os e me degustando, provando as minhas lágrimas, minha tristeza, e de alguma forma tirou um pouco dela com cada toque de sua boca. Sua mão passou sobre minha clavícula, meu braço, minha lateral e meu quadril, um toque que era como um sussurro e, ainda assim, a única coisa da qual eu estava ciente. Ele se sentou e rapidamente desabotoou a camisa antes de jogá-la no chão, e então seu peito nu estava pressionado contra mim, tão quente e firme. Ele deixou beijos leves de algodão na minha têmpora, na minha testa, na minha bochecha, antes de encontrar meus lábios novamente para um beijo que me tirou o fôlego. Sua mão cobriu o meu peito como se fosse a primeira vez, o toque de seus dedos era como uma leve pena na minha pele, me reivindicando sem a possessividade de costume.

Eu gemia contra sua boca enquanto seus dedos viajaram o comprimento do meu corpo para escorregar entre as minhas pernas. Ele as separou e explorou minhas dobras, gentil e sem pressa. Eu gemi baixinho, mas Dante me silenciou com outro beijo antes de acariciar meu pescoço e clavícula. Quando seus lábios finalmente fecharam em torno de meu mamilo, eu já estava ofegante. Dante enfiou um, depois dois dedos dentro de mim antes de sair da cama e se levantar. Ele fez um rápido trabalho com o restante das suas roupas, e então ele estava na cama, gloriosamente nu e duro. Ele se estabeleceu entre as minhas pernas e baixou o corpo, se apoiando nos cotovelos, moldando nossos corpos juntos como se fôssemos um só. Ele não entrou em mim. Em vez disso, sua mão acariciou minha perna e a levantou até que ela estava enrolada em suas costas. Sua ereção pressionava contra minha coxa, mas Dante não parecia com pressa. Ele me beijou, seus olhos eram escuros e me estudavam enquanto me observavam. Ele levemente acariciou meu seio, me fazendo doer para ele finalmente me reivindicar.

Ele deve ter visto a necessidade no meu rosto, porque chegou entre nós e posicionou sua ereção na minha entrada. Sua afirmação não veio rápido, não foi dura como tantas vezes no passado. Foi uma conquista lenta, e minhas paredes se renderam a ele como sempre faziam. Engoli em seco quando ele se enterrou completamente dentro de mim. Dante embalou a parte de trás da minha cabeça, os antebraços apoiados em ambos os lados do meu rosto, e então ele começou a se mover em mim. O tempo parecia ter parado enquanto nossos corpos deslizavam um contra o outro. Isso era fazer amor?

Eu passei meus braços em torno de Dante, tentando trazê-lo ainda mais perto. Ele não resistiu. Ele trouxe seu rosto para baixo, para o meu, beijou meus lábios, em seguida minhas bochechas, até sua boca roçar minha orelha. — Eu deveria ter feito amor com você antes, — disse ele em voz baixa.

E eu chorei em resposta. Eu não tinha certeza se isso era parte do seu fingimento, e eu não me importei. Neste momento parecia real e isso era tudo que importava para mim. Quando Dante estremeceu sob sua libertação, me levou junto com ele, e mesmo depois que ele começou a amolecer dentro de mim, não se afastou.

Ele se deitou sobre meu corpo, ainda enterrado em mim, sua respiração caindo sobre minha bochecha. Eu sabia que muitas mulheres em nosso mundo preferiam uma bela mentira à verdade dura todo o dia, e, pela primeira vez, eu as entendi. Depois de tudo o que tinha acontecido hoje, eu me permiti a fraqueza. Amanhã seria o momento de encarar a realidade.