Clio-Psyché: discursos e práticas na história da psicologia

Parte II – Cooperação internacional em história da psicologia

Parte II - Cooperação

 

internacional em história da

 

psicologia

 

Capítulo 2 - Internacionalização

 

em debate

 

Márcio Luís Costa

 

O objetivo deste texto é apresentar a mesa de discussão sobre o tema da internacionalização na história da psicologia. Como tal, o seu alcance reflexivo é limitado, deixando essa tarefa para os textos dos debatedores.

O poder passar de uma ideia a outra parece ser algo que acompanha a constituição dos saberes em geral e, consequentemente, também daqueles que formam o campo da psicologia e sua história. Neste debate, mais importante que a ideia é o poder passar, ainda que, ao falar dele, o façamos na forma de ideações, passadas na escrita e na leitura. A internacionalização, como uma modalidade do passar de muitas ideias a muitas outras ideias, e de muitos lugares a muitos outros lugares, está sempre presente como possibilidade na constituição dos saberes, também daqueles que narram e discutem a história da psicologia.

Os conteúdos de uma ciência, uma vez globalizados, isto é, passados de todos os lugares para todos os outros lugares, nos permitem dialogar com/sobre eles desde diferentes latitudes e longitudes. Parece que os saberes em psicologia e sua história passam por aí: saberes globalizados que nos permitem um diálogo com projeção global a partir de encontros/desencontros situados nas diferenças regionais. Ao reconhecermos elementos comuns e diferenças específicas nas ideias e práticas globais dos saberes psicológicos e sua história, torna-se estimulante a possibilidade do encontro e da troca, do aprendizado e da construção a muitas mãos.

Mas o diálogo e a troca têm suas condições formais e materiais. Formais, no que diz respeito à possibilidade mesma de sua proposição, e materiais, no que diz respeito às suas mediações pessoais e institucionais. Desde o ponto de vista formal, é necessário definir e discutir a conceitualidade básica a partir da qual a discussão do tema da internacionalização está sendo proposta. O que é isto: a internacionalização dos saberes do campo da psicologia e sua história? Desde o ponto de vista material, é necessário enfrentar questões muito elementares, tais como aquelas que interrogam pelo que será internacionalizado, por quem serão os agentes da internacionalização, pela forma como isso vai acontecer e quem irá financiar o projeto de internacionalização. Em cada uma dessas perguntas será necessário elucidar o “quem pergunta”, o “que se pergunta” e “a quem se pergunta”.

A internacionalização, como conceito e prática, requer uma gestão. Não é suficiente uma espontaneidade aventureira, faz-se necessário o desenho e a execução de um conjunto de estratégias projetivas locais/globais que permitam reunir as condições necessárias para que os sujeitos da construção dos saberes do campo da psicologia e sua história acessem as vias de fato da internacionalização em suas diversas modalidades.

A contribuição fundamental desta mesa de discussão consistiu em ver e fazer ver que, para passar de muitas ideias a muitas outras ideias, e de muitos lugares a muitos outros lugares, requer de quem se ocupa dos saberes do campo da psicologia e sua história ser capaz de, por um lado, reconhecer sua mundialização e, por outro, enfrentar-se à preocupação/ocupação reflexiva, projetiva e estratégica de construção do acesso às vias de fato da internacionalização.