Dever de Capitão
Nove: Dia 1, hora 0735
Dia 1, hora 0735
O se gre do do nosso suce sso é que e stamos dispostos a morre r, e as tripulaçõe s, não.
Pirata somali, Wired.com, 28 de julho de 2009
Bem na hora em que eu estava me virando, o somali deu dois tiros para o alto. PÁ. PÁ. De perto, o ruído daquela arma soava incrivelmente mais alto do que lá de baixo.
— Estamos fodidos — ouvi alguém da minha tripulação dizer atrás de mim.
— Relaxa, capitão, relaxa — gritou o pirata para mim. Ele era baixo, magro e anguloso. Seu rosto estava tenso. — Negócios; só negócios. Para o navio. Para o navio.
Eu estava tão chocado que não conseguia responder. Não conseguia acreditar que ele tivesse subido ali com tanta facilidade. O somali tinha passado pelas grades da jaula de pirata como se fosse um brinquedo de criança.
Eram 7h35. Os piratas tinham levado cerca de cinco minutos para abordar meu navio e tomar o passadiço.
O rádio portátil ainda estava na minha mão. Dei as costas para o pirata, apertei a tecla e, numa voz grave, disse: “Passadiço perdido, passadiço perdido. Piratas no passadiço.” Com isso, o primeiro oficial de máquinas no compartimento da máquina do leme ficaria sabendo que os piratas estavam no comando.
— Assuma o leme — disse, quase sussurrando.
— Não é al-Qaeda, não é al-Qaeda, nenhum problema, nenhum problema — gritou o pirata, apontando o AK-47 para o meu peito. — Isto aqui são só negócios. Só queremos dinheiro. Para o navio.
Ele estava a pouco mais de três metros.
— Tudo bem, tudo bem — falei. — Isso leva tempo, calma.
Quando se para um navio, é preciso pôr em ação gradualmente uma série de procedimentos. Desacelerei o navio de uma vez só, baixando da velocidade de 124 RPM em que estávamos até a que usávamos para manobrar nos portos.
Vários alarmes dispararam à minha volta, brrrrrrrrrtt, brrrrrrrrrtt, brrrrrrrrrtt, uuuoó, uuuoó, uuuoó. O barulho era inacreditável. Comecei a dançar em volta do console, silenciando os alarmes um a um. Olhei para o telefone. Estava tombado de lado sobre o painel, onde Colin o largara. Rezei para que a UKMTO estivesse do outro lado da linha, ouvindo tudo.
Percebi que o centro de salvamento, que fora alertado pelo alarme de segurança, não tinha ligado para confirmar se havia perigo. Será que alguém saberia que aquilo era um sequestro e não apenas algum problema técnico?
Andei até o leme e mexi nele. Nada. O chefe de máquinas transferira o controle para a praça de máquinas. O primeiro e terceiro oficiais de máquinas conservavam o controle do leme. Eles detinham, agora, o controle sobre os rumos do navio. Estavam isolados.
Era uma pequena vitória. Não importava o que acontecesse, o Maersk Alabama não iria para o litoral da Somália, a não ser que os piratas capturassem minha tripulação inteira.
— Pare o navio, pare o navio — pedi pelo rádio. Segurei o botão para que todos pudessem ouvir o que o pirata dizia.
Senti o motor de propulsão sendo desligado. Estávamos agora deslizando pela água, girando em círculos.
Isso irritou o pirata.
— Para com essas voltas — disse ele, balançando o cano do AK-47. — Endireita o navio.
— Tudo bem, sem problemas — respondi.
Comecei a mexer no comando e no timão. Nada aconteceu, é claro, porque o primeiro oficial de máquinas, Matt, estava no comando do leme, no compartimento da máquina do leme. Abri a boca, como se estivesse espantado, e olhei para o pirata.
— Está quebrado, está quebrado — falei.
Mostrei a ele que mexer no timão não produzia nenhum efeito no curso do navio.
— O quê?! — gritou ele. — Endireita o navio.
Dei de ombros.
— Eu adoraria, mas você quebrou o navio. Queria que eu parasse, e fizemos isso rápido demais.
Apontei para o console e dei um tapinha no propulsor de manobra, um mecanismo na proa do navio que facilitava as operações de atracação. O mostrador indicava “0”. E então apontei para o mostrador do ângulo do leme. Também estava inativo.
— O navio quebrou — falei.
O pirata não gostou de ouvir isso.
— Corta a água, corta a água, para o navio.
ATM saiu para ajudar os piratas a recolher a escada. Eu acionava teclas, desarmando os alarmes. Desliguei a bomba das mangueiras de incêndio e os jatos d’água das mangueiras antipiratas pararam.
Enquanto eu me movia para acionar os comandos, cheguei perto do radar. Dei uma olhada. O Líder estava distraído, gritando ordens para ATM. O painel do radar tem três botões. O primeiro controla a sensibilidade em relação às informações que estão entrando. Este eu abaixei até o nível mínimo. Os outros dois serviam para detectar chuva e distúrbios no mar, que captam coisas como ondas, agitações e precipitações. Aumentei esses ao máximo. Ao fazer isso, comprometi completamente o desempenho do radar. Daria para levar um encouraçado a duas milhas dali e o radar seguiria tão limpo quanto uma mesa vazia. Queria evitar que os piratas tivessem mais um par de olhos no caso de a marinha dos Estados Unidos vir em nosso socorro.
Afastei-me, caminhei até o rádio VHF e passei do canal 16 para o 72. Ninguém usava o 72. Se os piratas quisessem usar aquele rádio, seria como tentar se comunicar com alguém na superfície da lua.
Ergui os olhos. ATM apareceu no passadiço, seguido por três piratas. Um deles era o sujeito alto que tinha atirado em mim, e outro era o que eu viria a conhecer como Musso. Ele estava com um AK-47 pendurado nos ombros e uma bandoleira de munição atravessada no peito. Parecia pronto para enfrentar o Rambo. Estava mancando; aparentemente tinha machucado o pé ao subir a escada. O terceiro bandido era o que vim a chamar de Jovem, só porque dava a impressão de ser um universitário. Porém, com seu olhar de Charles Manson, ele acabaria se revelando um dos mais sádicos entre eles. E havia também um outro, Comprido, de quem nunca formei uma impressão muito forte. Não havia dúvida sobre quem estava no comando: o primeiro pirata a embarcar, o Líder, dava as ordens e os outros obedeciam.
Os três piratas mais velhos tinham provavelmente entre 22 e 28 anos. Eu diria que Jovem não tinha mais do que 22. O grupo todo tinha dois fuzis AK e várias bandoleiras carregadas de cartuchos. Eles também tinham o que parecia uma pistola 9mm com uma cordinha presa à coronha, e, ao olhar a arma, tive a impressão de ter visto uma insígnia da marinha dos Estados Unidos. O que diabo eles estariam fazendo com uma arma da marinha?
Mais tarde essa dúvida voltaria a me afligir.
Os piratas assumiram posições no passadiço. Dava para ver que tinham alguma experiência. O Líder permaneceu conosco. Comprido foi até a asa do passadiço a boreste, Jovem foi para o tijupá, e Musso foi para a asa do passadiço a bombordo. Mandaram ATM e o segundo oficial de náutica se sentarem no convés, a boreste. Enquanto isso, eu estava diante do painel de comando, silenciando os alarmes, porque eles continuavam a soar sem parar, uó, uó, uó e ding, ding, ding, ding. Parecia que uma guerra havia estourado, e aquilo só aumentava o estresse.
O Líder acenou para mim.
— Esses caras são malucos — disse ele. — São piratas somalis. Sou só um intérprete.
Olhei para ele como se dissesse: Você deve estar brincando. Vai tentar dar uma de bonzinho? Sério?
— Caras perigosos — gritou o Líder. — Vão matar você. São malucos!
Não brinca!, pensei. Eles pareciam perigosos. Meu coração estava a mil por hora, acelerado pela adrenalina e pelo medo.
Mas a abordagem do Líder era muito inteligente. Queria que confiássemos nele, e que maneira melhor havia de conseguir isso do que fazer com que ele parecesse nossa única salvação contra piratas violentos?
— Chame a tripulação — disse o Líder.
Eu sabia que esse momento chegaria. Quanto maior fosse o número de reféns, maior seria o poder de barganha dos piratas ao negociar com a Maersk. Eles queriam todos os homens no passadiço para evitar que alguém os atacasse com uma chave-inglesa ou os estrangulasse durante o sono. Mas estavam muito enganados se achavam que eu entregaria algum dos meus homens. Na realidade, meu plano era colocar Colin e ATM o quanto antes a salvo de qualquer risco.
— Tudo bem — respondi e peguei o rádio portátil e o intercomunicador do fonoclama.
— Atenção a toda a tripulação, toda a tripulação. Comparecer ao passadiço. Os piratas querem a tripulação no passadiço, repetindo, os piratas querem a tripulação no passadiço.
Nada. Eu rezava para que todos continuassem onde estavam.
O Líder gritava para os seus homens, então apertei a tecla do rádio portátil.
— Quatro piratas a bordo. Dois nas asas do passadiço, um no tijupá, um no interior do passadiço. Dois fuzis AK nas asas, uma pistola 9mm no passadiço.
O Líder se voltou para mim, irritado.
— Chame o pessoal de novo — gritou ele.
Repeti a mesma mensagem “tripulação no passadiço”.
Nem um ruído chegava lá de baixo.
A atmosfera ficara mais tensa no passadiço. A tripulação lá embaixo ainda não havia acionado o sistema reserva de energia, de modo que um terço das luzes de emergência permanecia aceso. E, como o ar-condicionado estava desligado, começamos a cozinhar lá dentro. Um convés é como uma estufa. Ele capta todo o calor. Eu sentia o suor escorrer pelas minhas costas.
Eu queria iniciar alguma comunicação com os piratas que não se limitasse às ordens que eles gritavam e eu obedecia (ou fingia obedecer). Qualquer treinamento para casos de reféns recomenda: não afronte demais os sequestradores nem pareça submisso demais. Mantenha sua dignidade era uma frase que ficara na minha memória. Se você ficar gritando com o chefão ou choramingando num canto, dá um motivo, uma razão a mais para eles meterem uma bala na sua cabeça.
Resolvi que agiria simplesmente como eu mesmo. Isso vinha funcionando até aquela altura da minha vida. Decidi confiar nos meus instintos e esquecer qualquer ideia quanto ao refém perfeito.
Precisava começar a estabelecer algum tipo de relação com os piratas. Eles se mostravam muito inquietos, não queriam que nos aproximássemos. A cada vez que um de nós se aproximava, eles arregalavam os olhos e sacudiam a arma na nossa direção.
Olhei para o Líder.
— Podemos dar alguma água para esses caras?
Ele assentiu com a cabeça. Fiz um gesto, e ATM levantou-se e caminhou até o bebedouro perto da porta a bombordo, observado atentamente pelos piratas.
Enquanto eu manipulava os comandos, fui me aproximando aos poucos de onde o Líder estava.
— Ei — falei. — Vocês têm cigarros? Temos alguns aqui se estiverem sem nenhum.
Ele concordou, balançando a cabeça. Fui até a mesa do GMDSS (Sistema Marítimo Global de Socorro e Segurança) e peguei alguns maços que guardava ali para dar aos práticos e a funcionários problemáticos dos portos. Distribuí os cigarros entre os piratas. Pela minha experiência em lugares como Mombaça e Monróvia, eu sabia que o tabaco era popular na África, e de modo algum eu queria um bandido armado sofrendo tremedeiras em crise de abstinência de nicotina.
Eles acenderam os cigarros, e um pouco da tensão se dissipou. Ofereci também alguns refrigerantes.
O Líder deu uma tragada e apontou para mim.
— Qual é sua nacionalidade?
— Eu? — perguntei. — Ou o navio? O que quer dizer?
— O navio, o navio, de que país é?
— Estados Unidos.
Seus olhos brilharam. Ouvi os outros piratas emitindo ruídos de satisfação. Era óbvio que tinham tirado a sorte grande.
— E a tripulação? Qual é a nacionalidade?
— Vários países — respondi. — Americanos, canadenses, africanos.
Agora que eu tinha conseguido deixá-los de bom humor, precisava fazer com que as coisas fossem um pouco mais devagar. Precisava de tempo para pensar.
A UKMTO sabia que tínhamos sido atacados. Calculei mentalmente quanto tempo levaria até que a ajuda chegasse, e queria prolongar a situação pelo máximo de tempo possível. Qualquer demora na ação dos invasores me proporcionaria mais tempo para pensar numa estratégia. Queria planejar meus movimentos seguintes de modo a permanecer alguns passos à frente deles.
O Líder queria que eu parasse o navio e estava ficando agitado. Eu continuava a desfiar minha ladainha — “O navio está quebrado, você deve ter feito alguma coisa com ele” — quando ele finalmente gritou para mim:
— PARA AGORA!
Ergui minhas sobrancelhas e, fingindo que tentava compreender, passei o indicador pela minha garganta. Quer dizer, quer que eu corte o motor agora?
Ouvi uma voz atrás de mim.
— Por favor — disse Colin —, quer parar de fazer o sinal universal para assassinato?
Sorri.
— Tudo bem, tudo bem.
Depois eles pediram um celular.
— Queremos fazer uma ligação.
— O quê? — perguntei. — Querem fazer o quê?
— Eles estão dizendo que querem fazer uma ligação telefônica — gritou Colin.
Ele não entendia o que eu estava fazendo e achava que eu ia arrumar um jeito de alguém me dar um tiro — e nele também.
— Entendi — respondi para ele pelo canto da boca. — Calma. Sei o que estão dizendo. Deixe que eu fale com eles. Calma.
Eu estava tentando atrasar ao máximo qualquer tipo de conversa.
Finalmente o Líder apontou para o telefone por satélite no passadiço e me deu um número para discar. O código era de algum lugar na Somália.
O navio-mãe, pensei. Querem receber novas instruções.
O Líder me observou atentamente enquanto eu me dirigia para o telefone. Digitei o número e esperei. Os números vão aparecendo no visor à medida que apertamos os botões, de modo que eu não podia errar o número de propósito, mas não completei a chamada. Na maioria dos telefones por satélite, é preciso apertar uma última tecla para enviar a chamada depois de discar o número.
Não apertei essa tecla. Passei o telefone para o Líder.
— Não completa — falei. — Telefone quebrado.
Ele se aproximou de mim com um olhar furioso.
— Deixa ver — rosnou ele.
Mostrei a ele o visor de LED. Lá estava o número que ele tinha pedido, mas a ligação não completava.
Dei de ombros tentando parecer simpático.
— Não tem sinal — falei. — Telefone ruim.
Eles me deram outro número. Talvez fosse o chefão ou seu grupo de apoio na Somália. Era óbvio que queriam informar que tinham capturado o navio e talvez começar a pedir um resgate ou obter suprimentos ou reforços para o Maersk Alabama.
Isso não ia acontecer. Segui tentando e o Líder continuou a me fitar com seu olhar feroz.
— Radar — falou ele.
Recorri outra vez ao meu procedimento habitual de “O quê?” e “Desculpe?” antes de apontar para o aparelho no painel. Ele acenou com a arma para que eu fosse na frente. Avancei, e ele permaneceu ao meu lado, espiando o monitor. A tela estava vazia.
— Setenta e duas — disse ele. — Escala de 72 milhas.
Ele queria aumentar o raio de alcance do radar. Então ele entendia algo de navegação e tecnologia de bordo. Eu estava cada vez mais convencido de que o Líder era mais que um mero pescador. Aquele cara tinha algum treinamento.
Fiz ainda mais do que ele pediu. Girei o botão para 96 milhas. Ele baixou os olhos.
— Não há nada ali — falei.
Ele estava perplexo.
— Cadê? — perguntou. — O que isso está mostrando?
Pela surpresa dele, percebi que o navio-mãe não estava por lá. Ele estava espantado pelo fato de o radar não indicar uma reconfortante mancha piscando a algumas milhas de distância. Era como se o carro da fuga tivesse desaparecido da face da Terra. Àquela altura ele devia estar convencido de que havia topado com o navio mais avariado e decadente de toda a marinha mercante americana. Nada parecia funcionar no navio inteiro.
— Não há nada lá — falei.
Os três piratas começaram a conversar em somali. Dei as costas para eles e levantei um pouco meu rádio portátil. Por alguma razão, eles tinham deixado que eu o conservasse. Talvez achassem que eu precisava dele para convocar a tripulação ao passadiço ou para manobrar o navio. Fiz questão de segurá-lo o tempo todo perto da cintura, de modo que eles se habituassem a vê-lo ali. Mas só o usava quando eles estavam distraídos, apertando o botão e falando sem levantar o rádio aos meus lábios.
— Quatro no passadiço — falei. — Nada de navio-mãe ainda.
Repeti rapidamente as posições dos somalis no passadiço e as suas armas.
— Capitão — disse alguém.
Olhei por cima do ombro. Colin acenava para mim.
Caminhei na direção dele. Ele suava e estava pálido, de nervosismo ou calor.
— Capitão, dê logo o dinheiro para eles — falou ele.
Olhei à minha volta. Torci para que os piratas não tivessem ouvido aquilo.
Todo comandante carrega uma quantia em dinheiro vivo num cofre, para suprimentos e emergências. No meu, havia trinta mil dólares, em cédulas de pequenos e grandes valores.
— Colin, eles vão querer mais do que trinta mil.
— Dê logo tudo.
Eu queria mantê-lo calmo. Depois das perguntas que ele fizera sobre a possibilidade de virar refém, eu não queria que ele perdesse o controle e entrasse em pânico. Todos estávamos assustados, mas era crucial não demonstrar isso. Medo significava fraqueza, e fraqueza significava falta de raciocínio. Não podíamos nos dar a esse luxo.
— É uma opção — respondi. — Já lhes demos cigarros. Vamos guardar o dinheiro como uma reserva no caso de precisarmos.
Eu não dava a mínima para o dinheiro, mas queria que aquilo tudo acontecesse da forma mais lenta possível para ter chance de pensar numa estratégia.
— Acho que você devia entregar logo.
Eu me afastei.
O Líder se aproximou do rádio VHF, de frequência muito alta, que basicamente permite que falemos com qualquer um, de uma ponta do horizonte à outra, a um alcance de quinze a vinte milhas. Antes estava sintonizado no canal 16, reservado para chamadas internacionais e pedidos de ajuda em caso de emergência. Todo mundo monitorava esse canal — era a maneira de entrar em contato com outros navios e comunicar algum acidente a bordo. Mas, como eu havia mudado para o canal 72, não havia ninguém ouvindo.
Ele disse algumas palavras em somali. Estava tentando localizar o navio-mãe. Mas não obtinha resposta alguma.
Observei o Líder. Sabia que precisava acompanhar com muita atenção o estado de espírito dele. Todos os outros piratas seguiam o humor dele: quando se mostrava aborrecido, os outros ficavam aborrecidos. Quando estava calmo, eles ficavam calmos. Era como o fio ligado ao detonador de uma bomba. Eu tinha de observá-lo com muito cuidado.
Eu estava começando a imaginar até quando poderia enrolar o Líder. Queria entrar na cabeça dele. O que ele pretendia fazer? Como eu podia me antecipar?
Contudo, é uma linha muito tênue a que separa a possibilidade de enganar seus captores da chance de receber um tiro na testa.