Dicionário Histórico-Social do Oeste Catarinense

José Carlos Radin · Capítulo 25 de 35

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Dicionário Histórico-Social do Oeste Catarinense

Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

Movimento dos Pequenos

Agricultores (MPA)

O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) é um movimento social camponês, de caráter popular, de massa, autônomo e de luta permanente, constituído por grupos de pequenos agricultores organizados nacionalmente. Seu principal objetivo é a produção de comida saudável para as próprias famílias e também para todo o povo brasileiro, garantindo, assim, a soberania alimentar do país. Além disso, busca o resgate da identidade e da cultura camponesa, respeitando as diversidades regionais.

O MPA surgiu da crise do movimento sindical e da crise do modelo de agricultura apoiado na revolução verde, que gerou empobrecimento e exclusão no campo. Ele também se inspirou nas lutas de outros movimentos populares, como o das comunidades eclesiais de base, a Comissão Pastoral da Terra e o próprio Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, que apontaram caminhos para a construção deste novo movimento.

O fim do departamento rural da Central Única dos Trabalhadores (CUT) deixou órfãos e abandonados muitos sindicatos combativos, os quais se viram forçados a buscar outras formas de organização. Algumas lideranças, membros do Departamento Rural da CUT, iniciaram tratativas a respeito da necessidade de criar outro movimento com esse caráter. O primeiro chamamento aconteceu por ocasião da seca, que atingiu o Sul do Brasil no final de 1995 e início de 1996. O Acampamento da Seca, que se imaginava reunir entre 3 mil e cinco mil pessoas, com o objetivo de reivindicar mais crédito para a manutenção familiar, em poucos dias de acampamento já reunia mais de 30.000. No final de 1997, houve um primeiro encontro nacional visando iniciar um movimento dos pequenos agricultores e, em julho de 1998, um segundo encontro conseguiu definir as principais características do MPA: um movimento de massas, de luta permanente, com organização de base e com bandeiras simples, claras e objetivas. O MPA integra a Via Campesina, uma articulação internacional de movimentos camponeses que, junto com outros movimentos e setores da sociedade, luta por um projeto popular de desenvolvimento para o Brasil.

No Oeste catarinense, o MPA está representado pela Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (APACO), uma Organização Não Governamental, sem fins lucrativos. Ela foi fundada em 20 de novembro de 1989, com o objetivo de estimular e assessorar o desenvolvimento da agricultura de grupo e mesmo implementar na região um novo modelo de desenvolvimento, baseado na solidariedade e sustentabilidade. Sua criação contou com o apoio decisivo do movimento sindical, popular e de setores da Igreja. Fundamenta-se na agroecologia e na agroindústria familiar associativa de pequeno porte, na busca de melhores condições de vida para os pequenos agricultores familiares da região. É formada e dirigida por grupos de agricultores familiares que se organizam e desenvolvem atividades de forma cooperada. Sua sede está localizada na cidade de Chapecó.

Atualmente o MPA está organizado em 17 estados da Federação. Seu plano camponês de lutas assenta-se em dois pilares: as condições para produzir e as condições para viver bem no campo e se confronta diretamente com o Plano do Agronegócio. Em sua breve história, o MPA já obteve muitas conquistas, tais como a afirmação do conceito de campesinato e da identidade camponesa, a elaboração do Plano Camponês, a conquista do crédito subsidiado para os pequenos agricultores e o crédito para as habitações no campo, entre outras.

 

Referências

ASSOCIAÇÃO DOS PEQUENOS AGRICULTORES DO OESTE

CATARINENSE. Disponível em: <www.apaco.org.br>. Acesso em: 27 abr. 2016.

MOVIMENTO DOS PEQUENOS AGRICULTORES. Disponível em:

<www.mpabrasil.org.br>. Acesso em: 27 abr. 2016.