Doce Triunfo
Capítulo 8
KATIE DORMIU TAO profundamente que não ouviu o despertador tocar. Teve de arrumar-se numa pressa frenética, e ainda assim chegou ao escritório com quinze minutos de atraso.
Quinta-feira, 3 de junho, seu calendário proclamava indiferente, enquanto ela destrancava as gavetas e pegava a xícara de café que Donna deixara em sua mesa.
Quinta-feira.
O último dia em que ainda poderia alcançar Ramon. Até que horas ele estaria naquele número de telefone que lhe dera? Até o inal do expediente, por volta das 5.00 ou 6.00? Ou icaria trabalhando até mais tarde? Porém, que diferença isso faria? Se ligasse para Ramon, teria de estar pronta para abandonar tudo e casar-se com ele. E isso ela não poderia fazer.
Dia 3 de junho.
Katie sorriu com tristeza, bebericando o café escaldante. Pela velocidade estonteante com que Ramon costumava agir, com certeza ela acabaria sendo uma ”noiva de junho”. Novamente.
Katie balançou a cabeça e fez uso de um talento especial que descobrira possuir durante seu divórcio: obrigar-se a pensar imediatamente em algo diferente, no instante em que um problema indesejado lhe surgisse. Dessa forma, era capaz de esquecer totalmente a questão.
Mergulhou no trabalho, envolvendo-se num turbilhão de atividade produtiva durante todo o dia. Não apenas fez todas as entrevistas agendadas para aquele dia, como também atendeu três novos candidatos que chegaram sem hora marcada.
Ela própria aplicou os testes, repetindo as instruções sobre como completá-los como se fosse a coisa mais interessante que já izera na vida. Ficou observando o relógio, enquanto os candidatos faziam seus testes, como se estivesse absorvida numa complicada e fascinante obra-prima da tecnologia.
Passou pelo escritório de Virgı́nia, agradeceu sinceramente pelo ótimo aumento de seu salário e pelo excelente conselho que ela lhe dera e, depois de fechar a porta da sua sala, foi para casa, um tanto relutante.
Mas não era tão fácil praticar sua técnica na solidão do apartamento, sobretudo quando o rádio icava a todo momento lembrando-a das horas. ”Esta é a rádio KMOX, e são seis e meia da tarde”, o locutor informava.
E Ramon não estará mais naquele número por muito tempo, se é que ainda está, uma vozinha em sua mente completava.
Num gesto irritado, Katie desligou o rádio e ligou a tevê, andando a esmo pelo apartamento, incapaz de se sentar. Se telefonasse, não haveria meio-termo: teria de lhe dizer a verdade. E, mesmo se o izesse, talvez ele nem quisesse mais se casar com ela. A inal, icara furioso quando soubera que ela já havia sido casada. Talvez, no im das contas, a questão da igreja não fosse assim tão importante. Talvez ele não estivesse disposto a aceitar uma ”mercadoria de segunda mão”. Mas, se esse fosse o caso e ele não quisesse mais nada com ela, por que lhe deixaria aquele número de telefone?
A voz do locutor da tevê interrompeu seus pensamentos:
— ”São seis horas e quarenta e cinco minutos em St. Louis, e a temperatura local é de vinte e oito graus.”
Ela não poderia ligar para Ramon, a não ser que estivesse preparada para deixar seu emprego com apenas um dia de aviso prévio. Aquilo era tudo o que lhe restava. Teria de entrar no escritório de Virgı́nia e dizer à pessoa que sempre fora tão maravilhosa com ela: ”Desculpe sair assim, mas não tenho como evitar”.
E ela nem mesmo havia considerado o problema com seus pais. Eles icariam furiosos, preocupados, magoados. Iriam sentir muito a sua falta se ela fosse para Porto Rico. Katie discou o número do telefone de seus pais e foi informada, pela criada que atendeu, que eles tinham ido jantar no clube de campo. Droga!, Katie pensou. Por que eles não estavam quando ela mais precisava? Deveriam estar em casa, sentindo saudades de sua pequena Katie, a quem viam apenas uma vez a cada duas semanas. Será que sentiriam tanto sua falta se a vissem só uma vez em poucos meses?
Katie levantou-se num pulo e, desesperada para fazer alguma coisa, foi vestir um biquı́ni — o biquı́ni amarelo! Sentando-se diante da penteadeira em seu quarto espaçoso, começou a escovar os cabelos com todo o vigor.
Como poderia estar pensando em desistir de tudo em troca do lar e da vida que Ramon estava disposto a lhe oferecer? Devia estar maluca! Sua própria vida era o sonho de qualquer mulher moderna. Tinha uma carreira grati icante, um belo apartamento, roupas caras e nenhuma preocupação financeira. Era jovem, bonita e independente.
Tinha tudo. Absolutamente tudo.
Tal pensamento fez com que ela parasse de escovar os cabelos e olhasse para a própria imagem no espelho. Bom Deus, aquilo realmente seria tudo?, perguntou-se. Seus olhos nublaram-se de desespero quando, mais uma vez, contemplou o futuro sendo vivido exatamente como o presente.
Devia haver algo mais além daquilo. Era evidente que isso não seria tudo. Não podia ser.
Tentando afastar tais pensamentos depressivos, ela pegou uma toalha e marchou na direção da piscina. Havia cerca de trinta pessoas nadando ou relaxando junto às mesinhas sob os guarda-sóis. Don e Brad estavam ali, acompanhados de alguns amigos, bebendo cerveja. Katie acenou quando chamaram-na para que se juntasse a eles, mas balançou a cabeça em negativa. Estendeu a toalha na espreguiçadeira mais isolada que pôde encontrar e em seguida foi para a piscina. Nadou de um lado para outro várias vezes, depois voltou para a cadeira. Alguém tinha um rádio portátil ligado. ”São sete e quinze em St. Louis, e a agradável temperatura está na casa dos vinte e oito graus.”
Katie fechou os olhos e tentou desligar-se de tudo, mas, de repente, quase sentiu os lábios irmes e quentes de Ramon movendo-se sobre os seus, provocantes, doces, e depois tornando-se mais atrevidos, aprofundando o beijo e levando-a a um estado de entrega total, em que se rendia alegremente à ansiedade de sua boca e de suas mãos. A voz dele falando baixinho: ”Viverei minha vida para você... Farei amor com você até que implore para que eu pare... Preencherei seus dias com felicidade”.
Katie sentiu-se sufocar. ”Nós pertencemos um ao outro”, ele dissera, a voz rouca de desejo. ”Diga-me que sabe disso. Diga.” E ela dissera. Até mesmo tivera certeza disso, tanto quanto sabia que também não poderiam pertencer um ao outro.
Ele era tão atraente, tão másculo com seus cabelos escuros e dentes alvos e perfeitos. Katie pensou na leve covinha em seu queixo e na maneira como seus olhos...
— Ai! — gritando de susto, ela abriu os olhos e sentou-se rapidamente, sentindo a água gelada escorrer por suas pernas.
— Acorde, Bela Adormecida — Don falou com um sorriso, sentando-se na beirada da espreguiçadeira.
Katie encolheu-se, tentando lhe dar mais espaço, observando-o com descon iança. O rosto dele estava vermelho, os olhos um tanto vidrados. Parecia que estivera bebendo durante toda a tarde.
— Katie — ele disse, os olhos colando-se nos seios mal cobertos pelo biquı́ni minúsculo. — Você me deixa louco, sabia?
— Não creio que isso seja algo muito difı́cil — ela retrucou com um sorriso ixo, afastando-lhe a mão quando ele tentou seguir a trilha formada pela água que escorria em sua perna.
Don riu.
— Seja boazinha comigo, Katie. Eu poderia fazê-la muito feliz.
— Ora, eu sou muito velha para você — ela tentou brincar, ocultando o desconforto por trás de uma máscara de indiferença.
— Você tem as respostas rápidas, ruivinha. Mas existem coisas melhores para fazer do que icarmos aqui conversando. Deixe-me lhe dar um exemplo. — Don inclinou-se como se pretendesse beijá-la, e Katie afastou-se rapidamente.
— Don — ela quase implorou —, estou tentando não fazer escândalo, mas se você não parar com isso, eu vou gritar e nós vamos parecer dois tolos, aqui.
Ele afastou-se e encarou-a.
— Afinal, o que há de errado com você? — perguntou.
— Nada! — Katie respondeu. Não queria torná-lo um inimigo, queria apenas que ele fosse embora. — O que você está querendo? — indagou.
— Está brincando? Quero esta mulher para quem estou olhando agora... com este rosto maravilhoso, este corpo escultural e uma cabecinha virginal.
Katie encarou-o firmemente.
— Por quê?
— Meu benzinho — ele provocou, os olhos inspecionando-lhe o corpo inteiro. — Essa é uma pergunta idiota. Mas vou respondê-la do mesmo jeito que aquele sujeito respondeu, quando lhe perguntaram por que queria escalar a montanha. Quero subir em você porque você está aqui. Preciso ser mais claro? Quero subir em você, ou, se preferir, você pode ficar...
— Saia de perto de mim — ela sibilou. — Você é nojento, e está bêbado!
— Não estou bêbado — ele retrucou, ofendido.
— Então, é apenas nojento! Agora, vá embora. Don levantou-se e encolheu os ombros.
— Tudo bem. Será que devo mandar Brad? Ou você prefere Dean? Ele também está interessado.
— Não quero nenhum de vocês! — ela disparou, furiosa. Don parecia sinceramente surpreso.
— Por que não? Não somos piores do que quaisquer outros. Na verdade, somos melhores do que muitos que há por aí.
Katie foi endireitando o corpo lentamente, itando-o como se aquelas palavras estivessem penetrando em sua mente, explodindo dentro dela.
— O que foi que você disse? — murmurou.
— Eu disse que somos tão bons quanto quaisquer outros sujeitos, e melhores do que muitos.
— Você tem razão — ela falou, devagar. — Você tem toda a razão!
— Então, qual é o problema? Para quem você está se guardando, afinal?
E, de repente, ela soube. Ah, Deus, ela soube!
Quase derrubou Don em sua pressa de sair da cadeira.
— Não é para aquele maldito espanhol, não é? — ele gritou às suas costas.
Katie nem teve chance de responder, pois já estava correndo. Correndo pela trilha que levava à sua varanda, abrindo o portão e quebrando uma unha em sua pressa de abrir a porta envidraçada.
Ofegando pelo medo de ser tarde demais, discou o número que Ramon escrevera no bloquinho ao lado do telefone. Contou os toques, a esperança diminuindo a cada segundo que passava.
— Alo? — uma voz feminina atendeu no décimo toque, quando ela estava prestes a desligar.
— Eu... gostaria de falar com Ramon Galverra. Ele está?
— Katie icou tão surpresa ao ouvir uma mulher atender ao telefone que quase esqueceu de fornecer a informação que obviamente estava sendo esperada. — Meu nome é Katherine Connelly.
— Sinto muito, srta. Connelly, mas o sr. Galverra não está. Mas deverá chegar a qualquer momento. Gostaria que ele ligasse de volta?
— Sim, por favor — Katie respondeu. — Você poderia lhe dar o recado assim que ele chegar?
— É claro. Assim que ele chegar.
Katie desligou e icou olhando para o telefone. Ramon havia realmente saı́do, ou teria pedido àquela mulher de voz tão amigável que se encarregasse de despachá-la? Ele icara tão furioso quando Katie lhe dissera que já fora casada... Talvez, agora que sua paixão tivera dois dias para esfriar, ele não estaria mais interessado em adquirir uma esposa ”visada”. O que ela faria, se ele não retornasse a ligação? Deveria presumir que não recebera o recado e ligaria de volta? Ou aceitaria a ”deixa” para dar-se conta de que ele não queria mais falar com ela?
O telefone tocou vinte minutos depois. Katie agarrou o fone e disse, ofegante:
— Alo?
A voz de Ramon parecia ainda mais profunda:
— Katie?
Ela segurou o fone com tanta força que sua mão chegou a doer.
— Você disse que eu poderia ligar se... se quisesse conversar. — Katie fez uma pausa, esperando que Ramon dissesse algo para ajudá-la, mas ele permaneceu em silêncio. Respirou fundo e acrescentou: — Eu gostaria de conversar... mas pre iro não fazê-lo pelo telefone. Ramon, será que você poderia vir até aqui?
Não havia emoção na voz dele, quando respondeu simplesmente:
— Posso, sim.
Mas foi o bastante. Katie baixou os olhos para o biquı́ni amarelo e correu para o quarto a im de mudar de roupa. Ficou em dúvida sobre o que vestir, como se a roupa que escolhesse pudesse fazer toda a diferença entre o sucesso e o fracasso. Por im, decidiu-se por um conjunto de calça e blusa de algodão cor de pêssego, secou e escovou os cabelos, e aplicou uma maquiagem suave. Seus olhos brilhavam e o rosto estava rosado de excitação, quando se examinou no espelho.
— Deseje-me sorte — disse ao próprio reflexo.
Foi para a sala e, quando começava a se sentar, estalou os dedos.
— Uísque! — disse em voz alta.
Ramon gostava de uı́sque, mas ela não tinha nem uma garrafa em casa. Deixando a porta entreaberta, correu para o apartamento ao lado e pediu ao seu vizinho uma garrafa de J&B emprestada.
Quase esperava encontrar Ramon, quando voltou ao apartamento, mas ele ainda não chegara. Katie foi para a cozinha e preparou o uı́sque da maneira como o vira pedir quando saı́ram: com gelo e uma casquinha de limão. Com uma expressão crı́tica, ergueu o copo contra a luz para examinar o conteúdo. De que tamanho seria a casca de limão, a inal? E por que izera algo tão tolo como preparar o drinque tão cedo, pois o gelo acabaria derretendo antes mesmo de ele chegar. Decidiu ela mesma bebê-lo e, torcendo o nariz para o sabor forte, levou o copo para a sala e sentou-se no sofá.
Faltavam quinze minutos para as nove quando o barulho da campainha a fez dar um pulo de susto.
Contendo o impulso de ir correndo para a porta, Katie compôs as feições do rosto num sorriso formal e abriu-a devagar. Contra a luz amarelada dos postes da rua, a silhueta de Ramon na soleira da porta era devastadora: alto, atraente, usando um terno cinza, camisa branca e gravata cor de vinho. Os olhos dele itaram-na diretamente e sua expressão era impassı́vel, nem fria nem calorosa.
— Obrigada por ter vindo — Katie falou, dando-lhe passagem e fechando a porta. Estava tão nervosa que nem conseguia pensar sobre o que fazer em seguida. Decidiu que o melhor seria manter-se ocupada. — Sente-se um pouco, vou lhe preparar uma bebida.
— Obrigado.
Ramon entrou na sala e tirou o paletó. Sem nem mesmo olhar na direção dela, deixou-o nas costas de uma cadeira.
Katie sentia-se desconcertada pela atitude dele, mas ao vê-lo tirar o paletó, concluiu que ao menos ele pretendia icar algum tempo. Quando retornou da cozinha trazendo a bebida, Ramon estava parado de costas para ela, as mãos nos bolsos, olhando pela janela da sala. Virou-se quando ouviu-a entrar e, pela primeira vez, Katie reparou nas linhas profundas de cansaço em torno de seus olhos e da boca. Ansiosa, examinou-lhe o rosto.
— Ramon, você parece exausto.
Ele afrouxou o nó da gravata e pegou o copo que ela lhe estendia.
— Não vim aqui para discutir meu estado de saúde, Katie — informou bruscamente.
— Sim, eu sei — Katie suspirou. Ele estava frio, distante e, ela pressentia, ainda muito zangado com ela. — Pelo jeito, você não vai ajudar-me com isso, não é? — disse, dando voz aos seus pensamentos.
Os olhos escuros estavam impassíveis.
— Isso depende do que você tem a me dizer. Como lhe disse antes, não há muito que eu possa oferecer-lhe, se você decidisse casar comigo, mas uma das coisas que lhe ofereço é a sinceridade entre nós. Sempre. E espero o mesmo de você.
Assentindo, Katie afastou-se dele e segurou as costas da cadeira em busca de um apoio fı́sico, desde que era evidente que Ramon não pretendia lhe dar nenhum apoio moral. Emitindo um suspiro trêmulo, ela fechou os olhos.
— Ramon, quando estávamos na igreja, no outro dia, eu... eu me dei conta de que você deve ser um católico devoto. E então percebi que, nesse caso, não poderia casar-se comigo se eu já tivesse me casado na Igreja Católica e depois me divorciado. Foi por isso que lhe disse que era divorciada. Bem, não era mentira, pois realmente fui divorciada antes... antes de David morrer.
A voz atrás dela soou fria e sem emoção:
— Eu sei.
Katie agarrou-se com mais força à cadeira.
— Você sabe? Como pode saber disso?
— Porque você já tinha me contado que eu a fazia lembrar-se de alguém, alguém cuja morte lhe havia trazido grande alı́vio. Quando estava falando sobre seu ex-marido, de novo comentou que ele se parecia comigo. Presumi que seria pouco provável que você conhecesse dois homens que se pareciam comigo. Além disso, você não sabe mentir muito bem.
A total indiferença dele fez o coração de Katie contorcer-se.
— Entendo... — ela disse, sentindo os olhos arderem com as lágrimas.
Ao que parecia, Ramon não queria a esposa de outro homem, independentemente de ela ser divorciada ou viúva. Como se tivesse de punir a si mesma obrigando-se a ouvi-lo dizer isso em voz alta, murmurou:
— Importa-se de me explicar por que ainda está zangado comigo, mesmo depois de ouvir o que acabei de dizer? Sei que está com raiva, mas não tenho certeza do motivo e...
As mãos de Ramon agarraram-na pelos braços, e ele a fez girar, os dedos afundando em sua pele.
— Porque amo você! — ele disse entre os dentes cerrados, tenso. — E você me deixou num inferno durante dois dias inteiros! — A voz dele soava rouca, profunda. — Eu amo você e tive de esperar por quase quarenta e oito horas pela sua ligação, morrendo por dentro a cada hora que passava.
Com um sorriso lacrimoso, Katie pousou a mão no rosto dele, tentando suavizar as marcas da tensão com a ponta dos dedos.
— Foram dois dias terrı́veis para mim também. Ramon abraçou-a com uma força arrebatadora, os lábios tomando os dela num beijo que exigia em resposta a mesma paixão turbulenta que ele lhe oferecia. As mãos clamavam por seu corpo, acariciando-a desde a nuca até as costas, depois os seios, deslizando para baixo e fazendo-a colar-se contra seus quadris e sentir sua ereção. Instintivamente, Katie moveu os quadris contra os dele, fazendo-o gemer de desejo, e Ramon abraçou-a ainda mais, os beijos tornando-se mais profundos e ardentes. Ramon separou os lábios dos dela, passando a beijá-la no rosto, nos olhos, no pescoço.
— Você ainda vai me levar à loucura, sabia? — murmurou roucamente.
Mas Katie não pôde responder. De novo tomando posse de seus lábios, ele a levava para um profundo oceano de prazer, mergulhando em ondas que a impeliam para as profundezas de sua paixão faminta e ansiosa.
Katie foi emergindo lentamente conforme a pressão dos lábios dele diminuı́a, e depois Ramon se afastou. Sentindo-se perdida e abandonada, recostou o rosto no peito dele, o coração batendo enlouquecido e ecoando em seus ouvidos.
Ramon segurou-lhe o rosto e ela fitou-o, sentindo-se desmanchar sob a nova ternura que via nos olhos dele.
— Katie, eu me casaria com você mesmo se você tivesse casado mil vezes e se divorciado mil vezes em todas as igrejas do mundo.
Ela mal reconheceu o sussurro enrouquecido em que sua voz se transformara.
— Achei que o motivo da sua raiva fosse por eu ter deixado as coisas irem tão longe entre nós, sem lhe contar que já havia sido casada.
Ele balançou a cabeça.
— Fiquei furioso por saber que você estava mentindo a respeito de seu ex-marido estar vivo, por ter usado isso como uma desculpa para não se casar comigo. E, também, por saber que você estava aterrorizada pelo que sentia por mim, e ainda assim, eu não poderia icar no paı́s por tempo o bastante para fazê-la superar esse medo.
Katie icou na ponta dos pés e beijou-o nos lábios, mas quando Ramon tornou a abraçá-la, ela afastou-se. Distanciando-se da tentação que a proximidade dele significava, disse:
— Acho que preciso contar aos meus pais, antes que perca a coragem e que seja tarde demais. Depois desta noite, teremos apenas três dias para tentarmos convencê-los a aceitar, antes de partirmos.
Katie foi para a mesa de canto, pegou o telefone e começou a discar o número de seus pais. Então, olhou para Ramon.
— Pensei em avisá-los que irı́amos até a casa deles, mas acho que seria melhor se viessem para cá. — Enviou-lhe um sorriso nervoso, contido. — A inal, podem expulsá-lo da casa deles, mas não da minha.
Enquanto esperava que atendessem ao telefone, Katie passou a mão pelos cabelos revoltos, tentando pensar no que diria. Quando sua mãe atendeu, ela nem sabia como começar.
— Olá, mamãe — disse. — Sou eu.
— Katie, aconteceu alguma coisa? Já são nove e meia.
— Não, não há nada de errado. — Katie fez uma pausa.
— Mamãe, se não for muito tarde, será que você e papai poderiam vir até aqui para beber alguma coisa...?
Sua mãe riu.
— Sim, acho que podemos. Acabamos de voltar do clube. Estaremos aí em poucos minutos.
Katie procurava desesperadamente por um meio de manter a mãe no telefone, enquanto pensava em como abordar o assunto principal.
— A propósito, é melhor trazer alguma bebida. Só tenho uísque em casa.
— Tudo bem, querida. Precisa de mais alguma coisa?
— Tranquilizantes e sais — ela murmurou.
— O que foi que disse, querida?
— Nada, mamãe. Preciso lhe dizer uma coisa, mas, antes disso, há algo que quero lhe perguntar. Lembra-se de quando eu era criança e você me dizia que, não importava o que eu fizesse, você e papai sempre iriam me amar? Você dizia que, por mais terrível que fosse, vocês...
— Katie — a mãe interrompeu-a bruscamente. — Se a sua intenção é me assustar, está conseguindo muito bem.
— Ainda nem estou na metade — Katie suspirou com tristeza. — Mamãe, Ramon está aqui. Vou partir com ele no domingo e vamos nos casar em Porto Rico. Quero conversar com você e com papai sobre isso, ainda hoje.
Houve um instante de silêncio, antes que sua mãe voltasse a falar:
— Nós também vamos querer conversar com você a esse respeito, Katherine.
Katie desligou e voltou-se para Ramon, que a observava com uma expressão interrogativa.
— Já sou ”Katherine” de novo.
Porém, apesar da tentativa de brincadeira, Katie estava ciente do quanto seus pais ficariam devastados com o que estava fazendo. Iria manter-se irme na decisão de partir para Porto Rico, não importava o que dissessem, mas ela os amava muito e detestava a infelicidade que estava prestes a lhes causar.
Esperou junto à janela, com Ramon ao seu lado, o braço enlaçando-lhe os ombros num gesto de conforto. E soube, pela velocidade com que o par de faróis fez a curva na entrada do condomínio, que seus pais haviam chegado.
Sentindo-se triste e apreensiva, Katie começou a andar na direção da porta, mas a voz de Ramon a fez parar.
— Katie, se pudesse tirar esse peso dos seus ombros e do seu coração, eu o faria. Não posso. Porém, posso prometer que, depois dos próximos três dias, você nunca mais terá de enfrentar nem um momento sequer de infelicidade, se eu puder evitar.
— Obrigada — ela murmurou, aceitando a mão que ele lhe estendia e sentindo a reconfortante irmeza de seus dedos entrelaçando-se nos dela. — Será que já lhe falei quanto gosto das coisas que você me diz?
— Não — ele respondeu com um leve sorriso. — Mas acho que este é um bom momento para começar.
Não houve tempo para Katie pensar no signi icado das palavras dele, pois a campainha já tocava com insistência.
O pai de Katie, que era famoso pelo seu charme e boa educação, irrompeu para dentro do apartamento como um furacão, aceitou o cumprimento de Ramon e foi logo dizendo:
— E um prazer tornar a vê-lo, Galverra, e tive o mesmo prazer em recebê-lo em minha casa no outro dia. No entanto, acho um grande atrevimento de sua parte pedir Katie em casamento, e está completamente maluco se acredita que vamos permitir uma coisa dessas.
A mãe de Katie, conhecida pela sua capacidade de manter a compostura mesmo em ocasiões de crises extremas, entrou logo em seguida, segurando uma garrafa de bebida em cada mão.
— Jamais aceitaremos uma coisa dessas! — anunciou. Sr. Galverra, somos obrigados a pedir que se retire. — A garrafa apontou majestosamente para a porta. — E você, Katherine, perdeu completamente o juízo. Vá para o seu quarto. — A outra garrafa indicou o corredor.
Katie, que observava a cena com um misto de medo e fascinação, finalmente recobrou-se o bastante para dizer:
— Papai, venha se sentar. Você também, mamãe. Quando os dois afundaram nas poltronas, Katie abriu a boca para falar e só então percebeu que sua mãe continuava segurando as duas garrafas de bebida, ambas apoiadas em seus joelhos.
— Mamãe, deixe-me pegar essas garrafas, antes que você se machuque.
Tendo retirado aquelas duas armas em potencial das mãos de sua mãe, Katie endireitou o corpo, tentou pensar em como começaria e enviou um olhar pedindo socorro a Ramon.
Ramon passou o braço pela cintura de Katie, ignorando o olhar furioso do pai, e falou calmamente:
— Katie concordou em viajar comigo no próximo domingo para Porto Rico, onde iremos nos casar. Reconheço que é algo difı́cil para vocês aceitarem, mas será muito importante para Katie saber que pode contar com o apoio de ambos no que estará fazendo.
— Bem, da minha parte não haverá apoio nenhum! o sr. Connelly disparou.
— Nesse caso — Ramon ponderou —, você estará obrigando-a a escolher, e todos nós perderemos. Ela ainda irá comigo, mas vai odiar-me por ter causado este desentendimento entre vocês... E também irá odiá-lo por não compreendê-la e por não desejar a sua felicidade. Para mim, é muito importante que Katie seja feliz.
— Pois acontece que isso também é muito importante para nós! — o sr. Connelly retrucou, furioso. — Que tipo de vida você pode oferecer a ela, levando-a para morar numa fazendinha miserável em Porto Rico?
Katie viu Ramon empalidecer, e achou que seria capaz de estrangular seu pai por atacar o orgulho dele daquela maneira. Mas quando Ramon respondeu, seu tom de voz era tranquilo:
— Sim, a casa onde ela irá morar é pequena, mas sólida e irme. Ela sempre terá o que comer e roupas para usar. E eu lhe darei ilhos. Além disso, nada mais posso prometer a Katie, exceto que ela irá acordar todas as manhãs sabendo que é muito amada.
Os olhos da mãe de Katie encheram-se de lágrimas e a hostilidade foi desaparecendo de sua expressão quando olhou para Ramon.
— Ah, meu Deus... — ela murmurou.
O sr. Connelly, no entanto, estava apenas aquecendo-se para a batalha.
— Está dizendo que Katie será uma criada, uma mulher de fazendeiro, é isso?
— Não ela será a minha esposa.
— E vai trabalhar como uma mulher da fazenda! — o pai disparou com desprezo.
Ramon cerrou os dentes, ficando ainda mais pálido.
— Sim, ela terá de trabalhar um pouco.
— Será que tem consciência, Galverra, de que Katie pisou numa fazenda apenas uma vez em toda sua vida? Eu me lembro nitidamente do que aconteceu naquele dia. — O olhar aguçado do sr. Connelly voltou-se para a ilha. Quer contar a ele sobre isso, Katherine, ou prefere que eu o faça?
— Papai, eu tinha apenas doze anos!
— E suas três amiguinhas também, Katherine. Mas elas não gritaram quando o fazendeiro torceu o pescoço da galinha. Não o chamaram de assassino em sua própria mesa, nem passaram os dois anos seguintes recusando-se a comer frango. Não acharam que os cavalos ”fediam”, não icaram com ”nojo” de ver as vacas serem ordenhadas. Tampouco chamaram uma fazenda que valia uns tantos milhões de dólares de ”um lugar malcheiroso repleto de animais imundos e grudentos”.
— Bem — Katie retrucou no mesmo tom irônico —, elas não caı́ram numa pilha de esterco, não foram bicadas por um ganso e nem levaram um coice de um cavalo cego!
Virando-se para Ramon, como se tentasse se defender, ela icou surpresa ao vê-lo itando-a com um sorriso nos lábios.
— Você está rindo agora, Galverra — o sr. Connelly falou com raiva —, mas não vai achar graça nenhuma quando descobrir que a ideia de Katie sobre viver com um orçamento restrito é gastar tudo o que ganha e enviar para mim as contas excedentes. Tudo o que ela sabe fazer numa cozinha é abrir latas e embalagens de congelados, nunca pegou numa agulha e...
— Ryan, você está exagerando! — a sra. Connelly interrompeu-o inesperadamente. — Katie vive do próprio salário desde que se formou na faculdade, e sim, ela sabe costurar.
Ryan Connelly parecia prestes a explodir.
— Ah, sim, ela faz uns bordados ou algo assim. Mas não muito bem. Até hoje ainda não descobri se aquela coisa que ela bordou para nós é um peixe ou uma coruja, e você também não sabe!
Os ombros de Katie sacudiram-se com um ataque de riso irreprimível.
— E um cogumelo! — ela riu, virando-se para os braços abertos de Ramon. — Eu bordei quando tinha catorze anos.
— Enxugando as lágrimas de riso, recostou-se no peito de Ramon e ergueu os olhos para ele. — Está vendo? Eu pensei que eles iriam achar que você não era bom o bastante para mim.
— O que nós achamos é... — Ryan Connelly começou.
— É que Katie não está preparada para o tipo de vida que terá ao seu lado, sr. Galverra — a sra. Connelly interrompeu-o. — A experiência de Katie em relação ao trabalho limita-se ao que fez quando estava na faculdade, e depois em seu emprego: é trabalho intelectual, e não ”braçal”. Ela formou-se com louvor na faculdade, e sei quanto se esforça para fazer um bom trabalho em seu emprego. Mas Katie não tem nenhuma experiência com o que se pode chamar de trabalho ”físico”.
— E nem precisará ter, estando casada comigo — Ramon retrucou.
Ryan Connelly cessou de tentar mostrar-se razoável. Levantou-se da poltrona num salto, deu alguns passos furiosos pela sala e depois virou-se, encarando Ramon com a raiva emanando de cada poro.
— Eu me enganei a seu respeito quando esteve em minha casa, Galverra. Imaginei que você devia ser um homem orgulhoso e honrado, mas estava errado.
Katie sentiu que Ramon enrijecia, enquanto seu pai prosseguia dizendo:
— Ah, sim, eu sabia que você era pobre, pois você mesmo fez questão de deixar isso bem claro, mas ainda dei-lhe o crédito pela decência que demonstrou. Porém, agora você tem o atrevimento de icar aı́ nos dizendo que, embora não possa oferecer nada a Katie, ainda assim irá levá-la para longe de nós, afastá-la de tudo o que ela conhece, da famı́lia, dos amigos... Pois eu lhe pergunto: essa é a atitude de um homem decente e honrado? Responda-me, se tiver coragem.
Katie, prestes a interceder, lançou um rápido olhar para a expressão furiosa de Ramon e recuou. Num tom baixo e implacável, ele respondeu com desprezo:
— Pois eu levaria Katie nem que fosse para afastá-la do meu próprio irmão! Esta resposta é suficiente para você?
— É, sim, por Deus! Isso mostra exatamente o tipo de...
— Sente-se, Ryan — a sra. Connelly interrompeu-o, bruscamente. — Katie, você e Ramon vão para a cozinha preparar nossas bebidas. Eu gostaria de falar com seu pai em particular.
Espiando pela fresta da porta, enquanto Ramon servia as bebidas, Katie viu a mãe aproximar-se de seu pai e pousar a mão no ombro dele.
— Nós perdemos esta batalha, Ryan, e você está antagonizando o vencedor. Ramon está fazendo um grande esforço para não lutar com você e, ainda assim, você o está acuando deliberadamente, de forma que não lhe restará outra escolha senão retaliar.
— Ele ainda não é o vencedor, diabo! Não até que Katie entre com ele num avião. Até lá, ele continua sendo o inimigo, mas não é o vitorioso.
A sra. Connelly sorriu.
— Ele não é nosso inimigo. Pelo menos, deixei de considerá-lo assim desde aquele momento em que ele olhou para você e disse que Katie viverá cada dia de sua vida sabendo que é amada.
— Palavras! Nada além de palavras!
— Que foram ditas para nós, Ryan. Foram ditas com sinceridade e sem o menor constrangimento para os pais de Katie... e não sussurradas para ela em algum momento de paixão. Não posso nem mesmo pensar num homem que diria algo assim para os pais de uma garota. Ele não permitirá que ela sofra, Ryan. Talvez não seja capaz de oferecer-lhe coisas materiais, mas lhe dará tudo o que realmente tem importância na vida. Sei disso. Agora, é melhor você render-se com dignidade, antes que perca ainda mais.
Quando o marido desviou os olhos dos dela, a sra. Connelly tocou-lhe o rosto, fazendo com que ele a itasse de novo. Os olhos dele, azuis, tão parecidos com os de Katie, estavam úmidos com as lágrimas.
— Ryan — ela falou com suavidade —, não é realmente a ele que você está fazendo objeções, não é?
O sr. Connelly suspirou.
— Não — respondeu com a voz enrouquecida. — Na verdade, não tenho nada contra a pessoa dele. E que... não quero que ele leve minha Katie embora. Ela sempre foi a minha preferida, você sabe, Rosemary. E a única, dentre os nossos ilhos, que sempre se importou comigo, a única que sempre reparou quando eu estava cansado ou preocupado e que tentava me alegrar, que nunca pensou em mim como sendo apenas aquele que lhe providenciava o dinheiro quando ela precisava. — Ele respirou fundo, com di iculdade. — Katie sempre foi como um raio de sol em minha vida e, se ele a levar para longe, nunca mais terei minha Katie iluminando-me.
Katie, sem saber que Ramon aproximara-se por trás dela, recostou-se na soleira da porta, sentindo as lágrimas correrem pelo rosto.
Na sala, o sr. Connelly pegou o lenço e enxugou as lágrimas da esposa. A sra. Connelly conseguiu esboçar um sorriso.
— Nós já deverı́amos esperar por isso... E exatamente o tipo de coisa que Katie faria. Ela sempre foi tão alegre e amorosa, tão pronta para entregar-se. Sempre fazia amizade com aquela criança desprezada pelas outras, e levava para casa todos os cachorrinhos perdidos que encontrava pela rua. Até agora, eu achava que David havia destruı́do aquela parte dela que sempre foi tão bela e desprendida, e Deus sabe quanto o odiei por isso... mas não foi o que aconteceu.
— As lágrimas corriam livres pelas suas faces. — Ah, Ryan, será que você não vê? Katie encontrou outro cachorrinho perdido que ela adora.
— O último deles acabou machucando-a seriamente Ryan lembrou.
— Mas este não vai machucá-la — sua esposa discordou.
— Ele irá protegê-la.
Abraçando a esposa, Ryan olhou para o outro lado da sala e viu que Katie também estava chorando nos braços de Ramon, com o lenço dele numa das mãos. Com um rápido sorriso de conciliação para o homem que abraçava sua filha de uma maneira tão protetora, ele disse:
— Ramon, será que você tem um lenço sobrando?
O breve sorriso de Ramon indicou que ele aceitava a trégua.
— Para as mulheres ou para nós?
Quando os pais de Katie saı́ram, Ramon perguntou-lhe se podia usar o telefone, e ela foi para a varanda para lhe dar privacidade. Ficou vagando por ali, tocando as plantas que cresciam nos vasos, depois sentou numa das cadeiras e olhou para as estrelas que se espalhavam pelo céu como se fossem diamantes.
Ramon aproximou-se da porta envidraçada e parou, impressionado com a beleza daquela cena. As luzes vindas de dentro do apartamento emolduravam-na contra o céu de veludo escuro. Com os cabelos caı́dos em ondas pelos ombros, havia uma doce maturidade no per il de Katie, combinada com o tranquilo orgulho de seu queixo erguido que, acrescentado à sua expressão distraída, davam-lhe uma expressão ao mesmo tempo provocante e etérea.
Pressentindo a presença dele, Katie virou a cabeça.
— Há algo errado? — perguntou, referindo-se ao telefonema.
— Há, sim — ele disse com terna seriedade. — Tenho medo que, se chegar mais perto, acabarei descobrindo que você é apenas um sonho.
Um sorriso doce, embora sensual, tocou os lábios dela.
— Pois eu sou bem real.
— Anjos não são reais. Nenhum homem pode esperar estender a mão e tocar um anjo.
O sorriso dela alargou-se.
— Quando você me beija, seus pensamentos não são nada angelicais.
Cruzando a porta para a varanda, ele foi até ela, os olhos fitando-a profundamente.
— E em que você está pensando, sentada aqui sozinha e olhando para o céu como se fosse uma deusa adorando as estrelas?
Apenas o timbre da voz profunda e baixa foi capaz de deixá-la excitada. No entanto, agora que havia se comprometido com ele, Katie sentia uma timidez peculiar.
— Estava pensando em como tudo isso é inacreditável. Em apenas sete dias, toda a minha vida mudou. Não, não foram sete dias, foram sete segundos. No momento em que você falou comigo pela primeira vez, toda a minha vida tomou um rumo diferente. Fico me perguntando o que teria acontecido se eu passasse por aquele corredor cinco minutos depois.
Ramon a fez levantar-se delicadamente.
— Você não acredita em destino, Katie?
— Apenas quando as coisas dão errado.
— E quando tudo dá certo? Os olhos dela reluziram.
— Bem, quando tudo dá certo, é por causa do meu planejamento inteligente e trabalho dedicado.
— Obrigado — ele falou, com um sorriso que era quase infantil.
— Por quê?
— Por todas as vezes, nestes últimos sete dias, em que você me fez sorrir. — Ramon tomou-lhe os lábios num beijo quente, meigo.
Katie deu-se conta de que Ramon não tinha intenção de fazer amor com ela naquela noite, e icou grata e emocionada por ele estar se contendo. Ela sentia-se fı́sica e emocionalmente exaurida.
— Quais são seus planos para amanhã? — Katie perguntou minutos depois, quando ele estava saindo.
— Meu tempo é todo seu — Ramon respondeu. — Eu pretendia partir para Porto Rico amanhã. Mas, desde que só iremos no domingo, o único compromisso que tenho é o café da manhã que marquei com seu pai.
— Gostaria de me levar para o trabalho amanhã cedo, antes de encontrar-se com ele? — Katie perguntou. — Isso nos daria algum tempo juntos, e você pode me buscar mais tarde.
Ramon abraçou-a com força.
— Estamos combinados — sussurrou.