Espaço e lugar privilegiado para formação de professores
2.1 Espaço exterior
Historicamente, quando as habitantes compreendem a necessidade de que haja uma formação recebida para exercício do professorado, o espaço relacionado com o escolar também passa a ter particularidades. A partir disso, a escola deixa de ocupar qualquer lugar e passa a ocupar um lugar específico que seja adequado e que tenha arquitetura específica (FRAGO, 2001).
Com isso, a partir dessa compreensão, focalizou-se os elementos internos e externos do edíficio em que teve o funcionamento do Instituto de Educação “Fernando Costa”.
2.1 Espaço exterior
Sobre as Instituições Educativas, o autor Magalhães (2004), menciona que a arquitetura e a ordem dos espaços, tem uma influência nas vivências educacionais, influenciando o funcionamento e as questões materiais, além disso, também influenciam as representações e as vivências. Há instituições que são instaladas em edifícios originais criados especificamente para a instituição e há outras que são instaladas em edifícios adaptados, como no caso relacionado ao Instituto de Educação de Presidente Prudente/SP, que antes construído para atender adolescentes e adultos, passou a também receber crianças e uma quantidade maior de estudantes.
Desse modo, ao estudar essas instituições, é importante atentar-se para a projeção, a arquitetura, o local, a paisagem, a urbanização, a organização e a conservação, considerando que estimulam a comunidade. Pode-se também observar as questões relacionadas com ajustamento do prédio e também com as ampliações (MAGALHÃES, 2004).
O prédio do Instituto de Educação “Fernando Costa” teve sua construção iniciada no ano de 1940, para instalação de um Ginásio Estadual (LITHOLDO, 1984). Na criação do Ginásio do Estado de Presidente Prudente/SP, o interventor Adhemar de Barros propôs que a Prefeitura Municipal da cidade, “[...] construísse um prédio de acordo
com planta oficial 10 e doasse ao Estado o material didático-pedagógico exigido pela divisão de Ensino Secundário do Ministério da Educação e
Cultura e o seu custeio durante dois anos.”11 (ABREU, 1996, p. 95), o prefeito Cerávolo aceitou a proposta.
Segundo Diniz (2015, p. 5)
Nesse cenário de disputas políticas e de intermitência dos interventores no poder, a criação de escolas secundárias se tornou mais um elemento no jogo político. A implantação de estabelecimento de ensino secundário, especialmente nos municípios do interior paulista, era vista como algo prodigioso, uma conquista para a cidade, se considerarmos o reduzido número de Ginásios e colégios públicos existentes, além de alguns outros estabelecimentos privados ou municipais subvencionados pelo Estado, reforçando assim o caráter de distinção social impregnado a esse nível de ensino à época em todo o território nacional.
Para tratar da criação do Ginásio público, ou seja, do Ginásio do Estado de Presidente Prudente/SP, o prefeito da cidade, convocou uma reunião no Paço Municipal da cidade, em 29 de outubro de 1939 com a Comissão Pró Ginásio do Estado. Nesse mesmo mês, houve outra reunião com essa comissão para tratar desse assunto, nela, o coronel Goulart, um dos fundadores de Prudente/SP, propôs a compra do terreno para ser construído o Ginásio.
A escolha estava na atual Avenida Washington Luíz que, naquele momento era denominada de Avenida Antônio Prado. O espaço era de 88 metros por 110 de fundo (LITHOLDO, 1984).
Assim, teve início na cidade uma campanha para solicitar auxílios a empresas comerciais de Presidente Prudente/SP e em Presidente Wenceslau/SP (LITHOLDO, 1984). Em 1940, a Comissão Pró Ginásio do Estado, especificamente os membros Joaquim Ferreira, Celso Assumpção e Abertino Sobrado adquiriram o terreno para construção do estabelecimento que passou a pertencer à prefeitura de Presidente de Prudente/SP (LITHOLDO, 1984).
Após o terreno ser adquirido, para arrecadar verba para a construção do Ginásio, foram realizadas atividades na cidade, dentre essas, um baile de carnaval em que foram arrecadados 70 contos de réis, com isso, “[...] no dia 15 de setembro de 1940, foi lançada a pedra fundamental em solenidade à qual compareceram o Dr. Ademar de Barros, Interventor Federal em São Paulo e o Romano Barreto, secretário da educação.” (LITHOLDO, 1984, p. 44), entretanto, o prédio construído nesse terreno, foi inaugurado em 1942 (ABREU, 1996).
A construção do Ginásio foi realizada pelo engenheiro da prefeitura da cidade Hélio Ayres (LITHOLDO, 1984). Resende (2012) afirma que mesmo sem ter sido finalizada a construção, foi instalado o Ginásio do Estado em Presidente Prudente/SP em 1941.
A instalação ocorreu pelo Decreto 11.864 de 23 de abril de 1941, Litholdo (1984) menciona que a instalação ocorreu com esforço e com iniciativa dos moradores de Presidente Prudente/SP. Nesse ano de 1941, o Ginásio Estadual funcionava em prédio que não era próprio, desse modo, inicialmente, o Ginásio Estadual funcionava no prédio do Grupo Escolar “Prof. Adolpho Arruda Mello” (LITHOLDO, 1984).
Em julho de 1941, com a mudança do interventor federal para Fernando de Souza Costa, o edifício que abrigava o Ginásio Estadual teve o encerramento de suas atividades cogitado, pelo fato das instalações estarem precárias. Todavia, o funcionamento continuou e em março de 1942, o Ginásio funcionou em prédio próprio (LITHOLDO, 1984).
É importante ressaltar que a instalação do Ginásio do Estado foi realizada antes da construção do prédio específico para esse edifício, pois somente em 1942, havia uma parte do Ginásio construída podendo realizar a inauguração (LITHOLDO, 1984).
Na Figura 2, é possível visualizar a construção desse Ginásio nesse ano de inauguração:
Figura 2 - Construção do Ginásio do Estado de Presidente
Prudente/SP, em 1942
Fonte: Abreu (1996, p. 201).
Esse Ginásio, conforme mencionado, se tornou Colégio Estadual e Escola Normal e em outubro de 1953, tornou-se Instituto de Educação “Fernando Costa” e atualmente, está instalada uma Escola Estadual que atende do sexto ano do Ensino Fundamental II, ao último ano do Ensino Médio (terceiro ano).
O terreno em que foi instalado o Instituto de Educação “Fernando Costa”, como afirma Litholdo (1984, p. 61) tinha a área física com aproximadamente 9.680 m², em que a prefeitura doou pela Lei 2.032 de 24 de dezembro de 1952. Nesse período, o terreno foi avaliado em 6 milhões e 500 mil cruzeiros.
Segundo a Lei 2.032 de 1952, é possível constatar que Lucas Garcez, que era governador do estado de São Paulo, publicou que a Prefeitura de Presidente Prudente/SP, tinha adquirido com doação o edifício que funcionava o Colégio Estadual e Escola Normal “Dr. Fernando Costa” (SÃO PAULO, 1952).
De acordo com as medidas e ruas mencionadas, considerando que a Avenida Antônio Prado, consiste na atual Avenida Washington Luís, é possível constatar que esse terreno doado pela prefeitura é o mesmo que em 1939, Goulart propôs a compra, ou seja, era o terreno em que teve funcionamento o Ginásio Estadual de Presidente Prudente/SP.
No ano da instalação do Instituto de Educação “Fernando Costa”, 1953, houve a solicitação de alterações nesse prédio, como é possível constatar em uma ata de reunião de professores com o diretor dessa instituição, em que é mencionado a necessidade de enviar um telegrama para o governados estadual, a fim de solicitar a construção de entrada e salão nobre no edifício (COLÉGIO E INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1953-1955).
Assim, para ocorrer à instalação do Instituto de Educação, o edifício utilizado teve que ser ampliado, pois passaria a abranger mais cursos. Com isso, em 1953, no ano de transformação do edifício, o diretor que era Waldemir de Carvalho comunicou que somente faltava o governador fazer a promulgação da transformação do estabelecimento em Instituto de Educação e com o esforço do deputado Péricles Rolim, teria início em janeiro a ampliação do estabelecimento (COLÉGIO E INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1953-1955).
A imprensa também noticiou o fato mencionando que essa instituição teria uma ampliação de mais de dois terços, com construção de salas de aulas, entrada principal e o salão nobre (O COLEGIO..., 1953, p. 2).
Para a instalação do Instituto de Educação “Fernando Costa”, houve a ampliação da instituição e houve a preocupação com a entrada e com o salão nobre. Segundo Frago (2001) o espaço é um elemento significativo do currículo e a extensão da área educativa está relacionada com o tipo de ensino, sendo os de níveis universitários maiores que os de Educação Infantil.
Em 1954, teve início a construção da segunda parte do prédio (LITHOLDO, 1984). A partir disso, o diretor do Instituto de Educação “Fernando Costa” enviou um ofício, assinado por alunos e professores da instituição, agradecendo ao Péricles Rolim, deputado da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, pelas providências da criação do Instituto de Educação e pelo término das obras da instituição (COLÉGIO E INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1953-1955).
Em 1962, esse prédio estava em reforma e ampliação, todavia o inspetor de ensino afirmou que apesar da reforma, o estabelecimento estava funcionando com regularidade (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, têrmo de visita do inspetor estadual, 1960-1983). Contudo, em 1963, essa reforma ainda não havia sido finalizada e não havia sido construído o salão nobre (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1959-1966).
Ao visitar esse edíficio para consultar o arquivo permanente do local em que funcionou o Instituto de Educação “Fernando Costa”, constatou-se que está localizado em área urbana central de Presidente Prudente/SP, ao lado da secretaria municipal da saúde, próximo a prefeitura municipal, ao teatro, às casas bancárias, a praça central, ao correio, a Igreja Matriz e ao centro da cidade que era comercial, demonstrando que o prédio foi construído em área de destaque, pois está localizado entre as principais ruas traçadas por um dos fundadores da cidade denominado de coronel Goulart.
Além de estar em local de destaque, o prédio em que foi instalado o Instituto de Educação “Fernando Costa” tem a ocupação de um quarteirão inteiro da avenida Washington Luís, conforme é possível
visualizar com as Figuras 3a e 3b, a seguir:
Figura 3a - Instituto de Educação “Fernando Costa”: imagem
panorâmica
Fonte: Imagem do Instituto de Educação “Fernando Costa” de
Presidente Prudente/SP (2015a). Google Maps.
Figura 3b - Imagem panorâmica do Instituto de Educação
“Fernando Costa”
Fonte: Imagem do Instituto de Educação “Fernando Costa” de
Presidente Prudente/SP (2015b). Google Maps.
A ocupação de um quarteirão em uma área central da cidade, demonstra que o edíficio em que houve a instalação da instituição pesquisada, ocupa um grande espaço. Verifica-se que o edíficio ocupa a frente e as lateriais do terreno, desse modo, são ocupadas apenas as partes que demonstram a visualização externa da instituição.
Como mencionado, esse prédio foi construído na década de 40 para ocupar o Ginásio Estadual de Prudente/SP, e a fachada dessa instituição é similar a fachada atual, como se pode visualizar com as
Figuras 4, 5a e 5b:
Figura 4 - Edifício do Instituto de Educação “Fernando Costa”,
na década de 1940
Fonte: Resende (2012, p.65).
Figura 5a – Edifício em que funcionou o Instituto de
Educação“Fernando Costa”
Fonte: Imagem do Instituto de Educação “Fernando Costa” de
Presidente Prudente/SP (2015c). Google Maps.
Figura 5b – Edifício em que funcionou o Instituto de
Educação“Fernando Costa”
Fonte: acervo da autora (2015).
É importante considerar que “[...] por se tratar de um item pertencente ao espaço interno, não se pode confundir a fachada como inerente ao espaço exterior, pois este é referente à rua, à praça etc.” (BENCOSTTA, 2001, p. 117).
Em relação as alterações da fachada da instituição em questão, houve alteração com a nomenclatura atual da instituição, a inserção na entrada de uma grade diferente da antiga e a inserção de árvores na frente da escola. No geral, o elemento decorativo da fachada do Instituto de Educação “Fernando Costa” consiste na porta e em duas janelas com formatos circulares, sendo essa fachada composta de formas geométricas simples.
A estrutura inicial do Ginásio Estadual construída, foi mantida, ou seja, uma estrutura espaçosa, com a predominância de espaços retílineos.
Destaca-se que há diversos modelos arquitêtonicos das Instituições Escolares e o modelo que está mais relacionado ao Instituto de Educação “Fernando Costa”, é o modelo em U em que predomina a fachada da instituição, ao contrário desse modelo, no em U invertido predomina o pátio ou o jardim da institituição e “[...] acolhe e protege o visitante, recebendo-o entre suas duas asas como se fossem braços.” (FRAGO, 2001, p. 97).
É possível observar ao visualizar a fachada do prédio do Instituto de Educação “Fernando Costa”, que aparentemente, é constituída de dois andares, entretanto, ao visualizar a escola em diagonal, como na
Figura 4, visualiza-se três janelas que possibilitam considerar a existência de três andares nesse prédio.
Realmente, há três andares no prédio do Instituto de Educação “Fernando Costa”, todavia, a porta que possibilita o acesso para que se entre no prédio, está no segundo andar do edíficio.
A partir da Figura 5b, é possível verificar que para o acesso a entrada do prédio, passa-se por uma escada, possibilitando a impressão de estar subindo ao entrar na escola. Em 1956, no Instituto de Educação “Fernando Costa” em relação aos espaços físicos, os sujeitos sentiam a necessidade de terem muros na frente do edifício, de construírem mais salas de aula no piso superior para centralizar todo o Curso Primário, de construírem um auditório que traria “[...] inúmeros benefícios ao Instituto de Educação, pois [...] [se realizariam] conferências, audições e festividades da Escola.” (ORGÃO..., 1956b, p. 3).
Para isso, havia a colaboração do Órgão de Cooperação Escolar do Instituto de Educação em questão, que em 1956, iniciou uma campanha para a construção dos muros da instituição, com isso, esse órgão comprou os materiais para a construção e a prefeitura forneceu
mão de obra (PEIXOTO, 1956c)12.
O Órgão de Cooperação Escolar iniciou-se em abril de 1954, com os professores e o diretor do Instituto de Educação “Fernando Costa” (COLÉGIO E INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1953-1955). Esse órgão era composto do diretor presidente, vice-diretor, 1º e 2º tesoureiro, 1º e 2º secretário, procurador, conselho de mestres (formado por oito professores), conselho de pais (formado por quatro pais) e conselho de alunos (formado por dois alunos e um membro “Honoris Cause”) (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1964).
Era mantido com contribuições dos pais dos alunos que pagavam mensalidade decidida pelo diretor do estabelecimento e com isso, ganhavam cadernetas escolares e os blocos de sabatinas para os alunos. Caso tivesse mais de um filho, o pai pagaria apenas uma mensalidade e esse dinheiro pago destinava-se “[...] aos melhoramentos a serem objetivados nas escolas secundarias.” (PEIXOTO, 1957a, p. 1).
Com isso, o Órgão de Cooperação Escolar realizava as seguintes compras: material de limpeza e escritório, máquina de escrever para cursos noturnos, armários, aparelhos para o laboratório de química, papel para o mimeógrafo a fim de fornecer apostilas gratuitas aos alunos, material para a secretaria, reforma das carteiras, lâmpadas, máquinas de escrever, pagamento de funcionários, livros para a biblioteca. Além da aquisição de material para alunos como é possível constatar ao se mencionar sobre a aplicação dos fundos financeiros desse órgão que seria aplicado “[...] a assistência material dos alunos carentes, aquisição do material didático, de livros para a biblioteca, conservação do prédio e equipamentos.” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1959-1966, p. 47).
No ano de 1956, esse órgão entregou prêmios aos alunos que tiveram os primeiros lugares nas avaliações realizadas nas quartas séries. Além disso, entregaram cadernetas gratuitas para alunos de diversos cursos, compraram papéis para as provas, melhoraram a instalação de aparelhos escolares, aperfeiçoaram a biblioteca, instituíram café gratuito à professores e funcionários com verba da cantina escolar.
Apesar de no Instituto de Educação “Fernando Costa”, esse órgão existir desde 1954, em 1957, o governo ordenou que para diminuir os gastos dos Ginásios estaduais era necessário que se “[...] fundassem nas escolas o Orgão de Cooperação Escolar do qual seriam sócios os pais dos alunos.” (PEIXOTO, 1957a, p. 1) e o dinheiro obtido com esse órgão seria para melhorar a instituição.
Como planos do Órgão de Cooperação Escolar do Instituto de Educação em questão, para o ano de 1964, havia: ampliação da biblioteca (que foi ampliada em 1967), instalação de uma sala de leitura com jornais e revistas nacionais e estrangeiras, jardinagem do pátio (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1964).