Espaço e lugar privilegiado para formação de professores
2.3 Arquitetura
Apesar do edifício dessa instituição não ter sido construído para ocupar o Instituto de Educação “Fernando Costa”, ele foi projetado para a ocupação de uma determinada Instituição Escolar. O edifício em que funcionou o instituto em questão é grande e proporciona a visibilidade, iniciando pelo elemanto da fachada escolar que ocupa um quarteirão inteiro de um terreno que se localiza no centro comercial da cidade de Presidente Prudente/SP e finaliza-se com andares, escadas e com o predomínio do retílineo.
É importante ressaltar que a instituição escolar é um espaço e um lugar, que é físico, material e permeado das questões culturais (FRAGO, 2001). No Instituto de Educação “Fernando Costa” essa “construção cultural” é possível de ser verificada com as diversas utilizações do mesmo espaço, pois enquanto no Instituto de Educação a secretaria e a diretoria estavam localizadas no último andar, atualmente, na Escola Estadual “Fernando Costa”, a secretaria está localizada ao lado das salas dos coordenadores e diretores pedagógicos, na entrada do edíficio.
Dessa forma, apresentou-se que o Instituto de Educação “Fernando Costa”, ocupava um quarteirão inteiro de um terreno localizado em uma região central da cidade e estava instalado em um prédio de três andares, prédio que não foi construído para ocupar esse Instituto de Educação, mas sim outra instituição escolar, com uma construção predominantemente retilínea.
2.3 Arquitetura
Após descrever o prédio do Instituto de Educação “Fernando Costa”, buscou-se compreender a arquitetura relacionada a essa instituição, para isso, utilizou-se Buffa e Pinto (2002) que realizaram pesquisa sobre a arquitetura dos grupos escolares paulistas, entre 1893 e 1971.
Os autores organizam essa arquitetura em quatro momentos: o 1º momento consiste de 1890 a 1920 denominado de “um prestígio visível”, o 2º momento consiste nos anos de 1930 denominado de “princípios de uma nova linguagem”, o 3º momento consiste nos anos de 1950 denominado de “consolidação da linguagem moderna” e o 4º momento consiste nos anos de 1960 denominado de “diálogo interrompido”.
Apesar de Buffa e Pinto (2002) tratarem dos grupos escolares e não buscarem diretamente uma pesquisa relacionada com a História Cultural, é importante utilizar essa pesquisa, pois localizou-se características arquitetônicas similares a esses grupos no Instituto de Educação “Fernando Costa”, especificamente, características do 1º e 2º momento.
No 1º momento, que abrange os anos de 1890 a 1920, as escolas deveriam ser monumentais e os edifícios dos grupos escolares comumente eram térreos e divididos por alas de meninos e de meninas, essa divisão era realizada por pavimentos em edificações simétricas. Segundo Buffa e Pinto (2002), nas Escolas Normais do período havia anfiteatro, laboratório e biblioteca.
Os prédios dos Grupos Escolares nas primeiras décadas do período Republicano eram edifícios imponentes e bem localizados
[...] ao lado de importantes edifícios públicos, no centro da cidade, garantia sempre que os alunos percorressem e reconhecessem a cidade e suas instituições antes mesmo de chegarem à escola. [...] integrava o núcleo urbano composto pela Prefeitura, os correios casa bancária, praça central e Igreja Matriz. (BUFFA; PINTO, 2002, p. 43).
Para a construção do edifício escolar havia “[...] quadras inteiras ou grandes lotes de esquina que proporcionassem uma visualização completa dos edifícios [...]” (BUFFA; PINTO, 2002, p. 44).
No 2º momento que consiste nas décadas de 1930, o arquiteto José Maria da Silva Neves propôs edifício que utilizasse formas geométricas simples e várias aberturas com vidros. Havia também a construção de corredores longos com salas em ambos os lados, em que se buscava privilegiar a insolação e ventilação em um momento em que havia a preocupação higienistas devido epidemias que existia.
De 1936 a 1938, os projetos dos grupos escolares eram inovadores, aproximando do conceito de arquitetura moderna. Dessa forma, para o Grupo Escolar Visconde de Cegonhas do Campo que foi concluído em 1937, foram elaborados dois projetos, no primeiro havia corredores longos em que ficavam as salas de aula e a área administrativa estava no centro desse corredor, havia uma entrada monumental, o pátio
exterior com acesso à entrada da instituição, o 14 hall e a escadaria para o pavimento superior e o porão. O segundo projeto dessa instituição foi o definitivo e consistiu em um corredor com acesso para o pátio, para as salas da administração, além disso, havia um museu, uma biblioteca e um auditório que consistia no centro de vida cultural e artística da cidade.
Nesse momento, o arquiteto Silva Neves propôs que as salas de aulas fossem localizadas “[...] em apenas uma das faces dos corredores, aquela onde a incidência do sol é privilegiada, liberando as faces voltadas para um quadrante de insolação intensa apenas para circulação ou para aí localizar os blocos de sanitários.” (BUFFA; PINTO, 2002, p. 82).
Destaca-se que essa solução “[...] se, por um lado, privilegiava as questões de insolação e salubridade, por outro, além de encarecer o custo do edifício, acabava por diminuir o número de salas de aula, problema grave face à demanda sempre crescente.” (BUFFA; PINTO, 2002, p. 82).
Nos edifícios desse momento, o pavimento térreo abrigava espaços relacionados às atividades administrativas, assistenciais e educativas e nesse pavimento havia
[...] um certo controle da presença de pessoas estranhas à escola e das atividades que aí são desenvolvidas, pois tais atividades implicam uma maior circulação de pessoas não necessariamente envolvidas com o ensino regular, como pais à procura de informações, possíveis usuários da biblioteca, visitantes. No pavimento superior, acontecem as atividades didáticas sujeitas a um maior controle, silêncio e disciplina necessários à aprendizagem. (BUFFA; PINTO, 2002, p. 84).
É importante destacar que nesse período, os prédios dos grupos escolares não tinham adornos ou outros elementos decorativos.
No 3º momento, em São Paulo, houve grande crescimento demográfico, essa cidade “[...] era o mais importante centro industrial, tornou-se, também, o mais importante centro financeiro do país. Em 1950, a cidade de São Paulo possuía mais de 2 milhões de habitantes.”
(BUFFA; PINTO, 2002, p. 94). Dispositivos da constituição de 1946 obrigava a União, os Estados e os Municípios a investirem uma porcentagem mínima na educação primária.
As obras construídas entre 1949 e 1954 tinham princípios racionalistas e funcionalistas, Hélio Duarte arquiteto, refletia também sobre as questões pedagógicas, incorporando ideias do Anísio Teixeira.
Duarte defendia que a arquitetura deveria ter espaços flexíveis que atendessem “[...] a dinâmica do ensino sem a compartimentalização usual – salas de aula numeradas, laboratórios fechados, bibliotecas com acesso limitado.” (BUFFA; PINTO, 2002, p. 113). Assim, foi proposto nesse período que o mobiliário da sala de aula fosse leve e de fácil mobilidade.
Havia a concepção de blocos distintos cada qual com uma função específica: ensino (salas de aula, museu e biblioteca), administração (secretaria, diretoria, arquivo, material escolar, sala e biblioteca para professores, gabinetes assistencialistas para o médico, dentistas, assistente social e zeladoria com apartamento) e recreação (galpão destinado ao recreio, ginástica, palco para dramatização). Havia o contraste entre linhas curvas e linhas retilíneas.
Nos anos de 1960, na construção dos prédios dos Grupos Escolares havia os blocos das salas de aula, o bloco administrativo e o galpão para atividades recreativas e socializantes. Havia uma ação moderna, com materiais contemporâneos “[...] que atendessem funcionalmente às atividades a serem desenvolvidas no edifício.” (BUFFA; PINTO, 2002, p. 141). Exteriormente os edifícios eram imponentes e modernos, os prédios escolares eram confundidos com prédios de empresas.
Dessa forma, é possível constatar que no prédio do Instituto de Educação “Fernando Costa” construído em 1941, tinha a arquitetura relacionada com o 1º e 2º momento apresentados por Buffa e Pinto (2002) que ocorreu entre os anos de 1890 a 1939.
Especificamente no 1º momento, as semelhanças consistem nos espaços que havia no Instituto de Educação “Fernando Costa”, ou seja, o laboratório, a biblioteca e o auditório, sendo que os dois primeiros espaços estavam no Instituto de Educação “Fernando Costa”, enquanto que o terceiro foi requerido e era desejado pelos sujeitos da instituição.
Ainda nesse momento, em que a visibilidade era essencial, destaca-se a integração do Instituto de Educação “Fernando Costa” em questão como o núcleo urbano de Presidente Prudente/SP, localizado próximo a prefeitura, correios, casas bancárias, praça central e igreja matriz, ocupando uma quadra inteira que possibilitava visibilidade para essa instituição da cidade.
As semelhanças da instituição com o 2º momento estão relacionadas com as formas geométricas simples, ausências de adornos e elementos decorativos, porta da fachada com vidros, corredores longos, hall na lateral, escadaria para acesso ao pavimento superior, porão, salas de aula em apenas uma das faces dos corredores o que encarecia o custo dos edifícios.
Portanto, a arquitetura do Instituto de Educação “Fernando Costa” mistura características de dois momentos históricos da construção dos grupos escolares, tendo uma arquitetura que buscava a visibilidade, a grandiosidade física, a relação com o núcleo urbano de Presidente Prudente/SP, misturada com ornamentação simples, espaços retilíneos, assimetrias e escadarias.
Desse modo, a instituição pesquisada, apresenta caraterísticas semelhantes da arquitetura escolar recorrente até o ano de 1939, ano anterior ao início da construção do edifício do Instituto de Educação “Fernando Costa”.