Espaço e lugar privilegiado para formação de professores
2.2 Espaços internos
Em outros Institutos de Educação também é possível verificar a participação desse órgão, como no Instituto de Educação “Prof. Stélio Machado Loureiro” em que havia uma festa junina anual que era conhecida como a tradicional festa caipira denominada “Brasil Caboclo”, organizada pelos docentes e discentes, com a colaboração do Órgão de Cooperação Escolar, que cuidava da parte financeira da escola (SERRA, 2004).
Dessa maneira, no Instituto de Educação “Fernando Costa” havia um órgão que se preocupava com os elementos físicos do edíficio construído, para ocupar um querteirão de um terreno que estava localizado na região central de Presidente Prudente/SP. O edíficio estava dividido em três andares, sendo a entrada pertenecente ao segundo andar.
2.2 Espaços internos
Os espaços interiores do Instituto de Educação“Fernando Costa”, podem ser observados com uma planta dessa instituição. Segundo Bencostta (2001, p. 116) a planta é uma fonte para se examinar a arquitetura de uma obra.
Na planta localizada há o Pavimento Térreo, o Pavimento Superior e o Pavimento superior do laboratório de química como é possível
visualizar com a Figura 6:
Figura 6 - Instituto de Educação “Fernando Costa”: planta
Fonte: arquivo permanente da Escola Estadual “Fernando
Costa”.
A partir da fonte contida na Figura 6, a planta do Instituto de Educação “Fernando Costa”, constata-se que o edifício dessa instituição é constituído por dois braços assimétricos partindo do centro. Apesar de no prédio do Instituto de Educação em questão haver três andares, na planta, somente é indicado dois andares e com essa planta, verifica-se que se refere ao 3º e 2º andar do atual prédio que ocupa a Escola Estadual “Fernando Costa”.
Entretanto, visualiza-se que o atual 2º andar desse prédio, na planta do Instituto de Educação é o térreo, o que nos faz ter a inferência que no Instituto de Educação, somente eram utilizados dois andares do prédio e de maneira eventual utilizavam o andar que ficava no subsolo e tinha a denominação de “porão”.
Do mesmo modo que, em 1962, a partir das fontes primárias relacionadas a essa instituição, é possível constatar que a professora “[...] solicitou ao Diretor para trocar a classe do primário que está funcionando no porão, dizendo que o ambiente dificulta o aprendizado e seria melhor que todo o primário ficasse junto, o senhor Diretor prometeu atender fazendo a mudança de classe.” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1959-1966, p. 31).
Na Figura 7, a seguir, é apresentada a planta (I.E. FERNANDO COSTA, planta, [19--]) do térreo do Instituto de Educação “Fernando Costa”
Figura 7 - Pavimento térreo do Instituto de Educação “Fernando
Costa”: planta
Fonte: arquivo permanente da Escola Estadual “Fernando
Costa”.
Magalhães (2004) afirma que nas Instituições Educativas há dois tipos de área organizacional: a área pedagógica e a didática (em que há a relação entre professor e aluno); e a área relacionada à direção e a gestão (em que os professores ocupam um lugar secundário).
A partir disso e da apresentação da Figura 7, verifica-se que o intitulado pavimento térreo do Instituto de Educação “Fernando Costa” é composto de uma forma retangular com braços fechados, tendo a “portaria” à esquerda do edifício.
O projeto arquitetônico apresentado, resguarda a parte interna da instituição, ou seja, resguarda a área destinada especificamente ao aspecto pedagógico.
Na entrada do edifício que abrigou das atividades do Instituto de Educação “Fernando Costa”, há um corredor que perpassa duas salas e três banheiros, do lado esquerdo dessa entrada tem-se um hall e do lado direito tem-se a sala dos professores.
O corredor é, como se visualiza com a Figura 8:
Figura 8 - Corredor do 2º andar da atual Escola Estadual
“Fernando Costa”
Fonte: acervo da autora (2015).
Esse corredor possibilita que as atividades sejam vigiadas, como afirma Frago (2001). Outro elemento que favorecia o vigiar é a porta
que como na Figura 9 a seguir, era composta de um retângulo transparente que favorecia a visualização:
Figura 9 - Porta da sala do Instituto de Educação “Fernando
Costa”
Fonte: acervo da autora (2015).
Ao lado da sala que era utilizada pelos professores do Instituto de Educação “Fernando Costa”, em momentos de intervalos entre as aulas, havia seis salas, sendo que uma, a sexta, era de tamanho menor que as demais.
O acesso para essas salas, ocorria com um corredor. Ao lado da sexta sala havia um outro hall direcionado por um corredor, com dois banheiros e duas salas. Desse modo, no Pavimento térreo do Instituto de Educação “Fernando Costa” havia 10 salas que possivelmente eram salas de aula.
Com o Instituto de Educação “Fernando Costa”, verifica-se o que foi defendido pelo pesquisador Frago (2001) ao tratar das instituições escolares, em que menciona que o retilíneo predominou sobre o curvilíneo e sobre as elipses, espirais e círculos.
A seguir, com a Figura 10, tem-se como fonte, a planta do pavimento denominado de superior da instituição:
Figura 10 - Planta do Pavimento superior do Instituto de
Educação “Fernando Costa”
Fonte: arquivo permanente da Escola Estadual “Fernando
Costa”.
O pavimento denominado de superior da instituição pesquisada, também era formado por um retângulo com braços fechados e do lado esquerdo do edifício, havia salas, diretoria, biblioteca e ao lado da secretaria tinha seis salas, considerando que as duas últimas salas são constituídas de espaços menores que as demais. Seguindo do lado esquerdo há a presença de duas salas e de dois banheiros.
Assim, no Pavimento superior do Instituto de Educação “Fernando Costa” havia 11 salas que possivelmente eram salas de aula. Em 1963, a biblioteca estava sendo mudada para uma sala do primeiro andar e funcionava em três períodos (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1959-1966).
Na sala da diretoria do Instituto de Educação “Fernando Costa” em questão, havia um de cada objeto a seguir: ditafone, porta-chapéus, mesa com gavetas, cadeira giratória, terno pano, Coletor de papeis, aparelho texto (cinematógrafo), toca discos philips e gravador gruding (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, inventário, 1965).
Esses objetos não estavam presentes nos outros espaços da instituição, dentre os objetos mencionados, destaca-se o ditafone e o cinematógrafo, sendo que o primeiro mencionado consiste em um aparelho fonográfico que grava “[...] em tubos de cera o ditado de cartas, que devem ser reproduzidas por datilógrafas.” (DITAFONE, 1998, [p. 1]). O cinematógrafo consiste em um aparelho “[...] que permite projetar em uma tela imagens ou cenas em movimento.” (CINEMATÓGRAFO, 1998, [p. 1]).
Dessa forma, na sala da diretoria havia materiais modernos para o período, que possivelmente eram de alto valor financeiro e por esse motivo essa sala deveria ser a de maior confiança da instituição.
Tratando-se da planta da instituição, é possível visualizar que a diretoria se localizava no último andar do edifício, com proximidade ao acesso para a biblioteca e para o andar inferior, o que se compreende que a sala relacionada com a direção estava distante das demais salas que eram de aulas.
Frago (2001) menciona que a sala do diretor central, ou seja, entre as salas, possibilitava uma facilitação da inspeção do onipresente vigilante e o local em que há a sala da direção pode refletir a função dessa figura e a forma que se relaciona com a escola.
A sala da direção localizada no centro do edifício apresenta a função de vigiar os professores, ao contrário de quando o diretor representa a equipe e comunidade escolar, sendo responsável por serviços pedagógicos e administrativos, ficando a sala dele na entrada ou próximo a secretaria (FRAGO, 2001). No Instituto de Educação “Fernando Costa”, o diretor tinha uma sala próxima à secretaria, o que pode ser indício do destaque do trabalho dessa função, com a parte administrativa.
Sobre as salas de aula da instituição pesquisada em Presidente Prudente/SP, comprova-se que é similar ao relatado por Frago (2001), uma sala retangular em que há o favorecimento do ensino frontal e isso também demonstra o método de ensino.
Assim, as salas do Instituto de Educação “Fernando Costa” favoreciam o ensino frontal. Para além das salas de aula, na planta do Instituto de Educação “Fernando Costa”, no pavimento superior também havia o laboratório de química, como é possível visualizar com
a Figura 11 a seguir:
Figura 11 - Planta do Laboratório de Química do Instituto de
Educação “Fernando Costa”
Fonte: arquivo permanente da Escola Estadual “Fernando
Costa”.
No Curso Secundário havia uma valorização da prática de ensino que visava a observação, experimentação e a participação. O laboratório, favorecia isso. Nadai (1994) apresenta que desde o primeiro Instituto de Educação do estado de São Paulo havia a valorização da formação prática tida como investigação científica, visando o aperfeiçoamento profissional.
Assim, Fernando de Azevedo pensava nos Institutos de Educação como local de investigação e por isso nos Institutos de Educação havia laboratórios
[...] das diversas cadeiras – Psicologia Aplicada, Biologia e de Pesquisas Sociais e Institucionais – deveriam funcionar como espaços interdisciplinares e de investigação de temas que interessassem à sociedade civil, visando fornecer, aos políticos, sugestões práticas de encaminhamentos de soluções aos problemas e aos estudantes, um arcabouço teórico e metodológico. Portanto, os Laboratórios deveriam ocupar um espaço de mediação no projeto de modernização da sociedade. Em última instância, eles deveriam garantir suprimento de soluções e encaminhamentos técnicos aos responsáveis pela tomada de decisões (NADAI, 1994, p. 163).
Segundo Evangelista (2002, p. 81) os laboratórios expressavam uma concepção de ensino e pesquisa. No Instituto de Educação “Fernando Costa” o laboratório de química era composto de formato retangular e dois banheiros.
Dentre os espaços do Instituto de Educação “Fernando Costa”, o laboratório era o segundo espaço em que havia mais materiais, como é
possível visualizar com o Quadro 2:
Quadro 2 – Quantidade de materiais dos espaços do
Instituto de Educação “Fernando Costa”
ESPAÇOS MATERIAIS
Diretoria 9
Secretaria 58
Saguão superior 7
Saguão inferior 17
Biblioteca 41
Sala de Educação Física 70
Sala dos professores 21
Salas de aula 980
Salas de trabalhos manuais 7
Cantina 35
Laboratório 218
Jardim de infância 50
Fanfarra 64
Espaços diversos 32
Total 1609
Fonte: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, inventário (1965).
De acordo com o Quadro 2, as salas de aula do Instituto de Educação “Fernando Costa” eram os locais em que havia mais materiais (980), que se justifica pela necessidade de carteiras dessa sala, pois a maioria dos materiais desse espaço consistem em carteiras.
Seguido das salas de aula, há o laboratório (218), que era o espaço com mais diversidade de materiais o que demonstra o valor desse espaço e o valor da experiência com o ensino.
Segundo Evangelista (2002, p. 81-82), os laboratórios eram “[...] fundamentais na vida da instituição porque expressavam praticamente uma concepção pedagógica e científica de ensino e pesquisa [...] [para] Azevedo estava presente uma concepção de ciência diretamente articulada às práticas laboratoriais.”. Portanto, no Instituto de Educação “Fernando Costa”, era valorizado o laboratório e os materiais dessa instituição expressavam a modernidade.
Além desses elementos internos, na instituição, havia uma escada que possibilitava o acesso para os outros andares. Ao final do lado direito e esquerdo desse edifício, as escadas estavam restritas ao acesso para os terceiros e segundos andares, sendo que as acessíveis para o primeiro andar estavam em uma região central do edifício, de uma forma menos visível que as demais.
Com a Figura 12, pode-se visualizar a escada no final do corredor direito:
Figura 12 – Escada do 3º andar com acesso ao segundo andar
da atual Escola Estadual “Fernando Costa”
Fonte: acervo da autora (2015).
As escadas demonstram a falta de acessibilidade do prédio para pessoas com mobilidades físicas, acessibilidade que no período não era discutida e se torna uma discussão recente.
No Inventário Geral dos bens móveis do Instituto de Educação Fernando Costa Presidente Prudente (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, inventário, 1965) o hall é denominado de “saguão superior” e “saguão inferior”, nesses espaços, tinham respectivamente: quatro Armários com portas de vidro e um sofá canela, enquanto que no saguão inferior havia um: relógio ponto, relógio de parede, porta-chapéus, sineta de metal, mesa, armário para bandeiras, Cristo crucificado e seis quadros de avisos e três cadeiras. Esse Cristo crucificado é indício de que a instituição na sua entrada declarava que não era laica e professava uma fé com símbolos visíveis no acesso ao Instituto de Educação em questão.
Retomando os espaços do Instituto de Educação “Fernando Costa” que foram apresentados neste Capítulo, compreende-se que no pavimento superior dessa instituição era composto pela secretaria, biblioteca, diretoria e 11 salas que possivelmente eram de aulas. No piso inferior, ou seja, no pavimento térreo havia a portaria da instituição, a sala dos professores e 10 salas que também possivelmente eram de aulas.
A sala dos professores, no saguão inferior, justifica o relógio de ponto, o relógio de parede, o quadro de avisos e a sineta de metal nesse saguão, o que demonstra que possivelmente os professores eram controlados em relação ao tempo, preocupação que não se vê na diretoria e na secretaria da instituição em questão.
Comparando os dois saguões, é possível constatar que havia mais materiais no saguão em que reunia maior quantidade de professores, ou seja, no saguão ou hall inferior do Instituto de Educação “Fernando Costa” havia mais materiais do que no superior.
No ano de 1965, na instituição em questão, havia: o laboratório, a
cantina, a sala para o jardim de infância”13, a sala para trabalhos manuais, a sala dos professores, as salas de aula, a sala de educação física, a sala da biblioteca, o saguão inferior, o saguão superior, a secretaria e a diretoria.
Constata-se que nessa instituição, eram utilizados dois andares de maneira mais recorrente, ou seja, o saguão denominado de superior e o denominado de inferior (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, inventário, 1965).
Em suma, verifica-se que no edifício em que teve o funcionamento do Instituto de Educação “Fernando Costa”, predominam escadas e uma arquitetura retílinea. Com salas de aula e com uma sala retangular para os professores, que ocupava o espaço próximo a entrada do edíficio, enquanto que a diretoria, a biblioteca e a secretaria estavam distantes da entrada.
Magalhães (2004) afirma sobre a análise do espaço da Instituição Educativa, que tem como realizá-la considerando, o desenho ou forma, acomodações, dimensões, valores, materiais, elementos simbólicos, referenciais incorporados ou percebidos nesse espaço.
A partir disso, constatou-se que o edíficio onde funcionou o extinto Instituto de Educação “Fernando Costa”, teve a compra feita pela prefeitura de Presidente Prudente/SP, no ano de 1940, objetivando a construção do Ginásio do estado da cidade. Em 1953, ano em que foi instalado o Instituto de Educação“Fernando Costa”, esse edíficio foi doado para o estado de São Paulo.