Espaço e lugar privilegiado para formação de professores

Aline de Novaes Conceição · Capítulo 13 de 23

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Espaço e lugar privilegiado para formação de professores

3.1 Diretores

No Curso Primário, havia seis classes com a direção de Eloiza Rezende tendo como professoras: Adélia Martins da Rocha Neves, Eulália Gonçalves Gil de Oliveira, Victória Ventrella Duran, Geny Navarro, Nair Abbade Martins e Palmo Bortholo Costa.

A administração do Instituto de Educação “Fernando Costa” era composta do diretor Luiz Carvalho Gomes, do vice Lúcio Carvalho Gomes, da secretária Elisa Preste Cesar, da bibliotecária Maria Zélia Bertolucci, de duas escriturárias, a saber, Lucy Elias Kato e Ivone Aguiar, de oito inspetores de alunos, a saber, Ana Emilia Sandoval Tarabay, Antonio da Cruz Perina, Lydia Furtado Miranda, Delmina Cordeiro de Moura, João da Silva Espinhosa, Ludovico Balbo, Luiz Carlos Limede de Vivo e Maria de Lourdes Lopes Pinheiro. Por fim, havia sete serventes, Aurora Lisboa, Elidia Urtado de Andrade Fouyer, Flávio Cacciatori, Joaquim Novo, Marta Aparecida Sales e Sebastião Miguel da Silva.

No ano de 1957, no Instituto de Educação “Fernando Costa” havia: 44 classes, sendo 15 no período da manhã, 13 no período da tarde e 16 no período da noite e em 1958, foram instalados o curso Pré-Primário com duas classes e o Curso de Especialização Pré-Primária com uma classe.

Neste Capítulo, serão apresentados determinados sujeitos do Instituto de Educação “Fernando Costa” e quais as vivências que tinham na instituição, mesmo que fragmentariamente. Apesar de haver diretores, professores, alunos, funcionários e familiares de alunos envolvidos no Instituto de Educação em questão, localizou-se maior quantidade de informações sobre os diretores, alunos, professores e pais de alunos.

 

3.1 Diretores

 

Localizou-se que no Instituto de Educação “Fernando Costa” entre 1953 e 1975 houve a presença de três diretores, que, permaneceram por no máximo, em torno de seis anos consecutivos. Nos demais anos houve troca entre eles mesmos. Localizou-se que, dentre os motivos dessa troca, estava a nomeação deles para serem inspetores regionais do Ensino Secundário Normal.

No Quadro 3 seguir, é possível verificar os nomes desses diretores e os anos que dirigiram a instituição pesquisada:

 

Quadro 3 – Diretores do Instituto de Educação “Fernando Costa”

MOTIVOS PARA DEIXAREM O CARGO DE

DIRETOR ANO DIRETORES DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO

“FERNANDO COSTA”

Waldemir

 

Bittencourt de 1954 1953-Nomeado inspetor regional do Ensino Secundário Normal

Carvalho

Luiz de

1954-

Carvalho -

1955

Gomes

Waldemir

 

Bittencourt de -1956 1955-

Carvalho

Luiz de

1956-

Carvalho

1962 Nomeado Inspetor de Ensino Secundário Normal

Gomes

 

Krisan Martins 1963- -

1966

Luiz de

Carvalho 1966 -Gomes

Não foi 1967 -

localizado 1968 -

 

Krisan Martins 1969- -

1975

Fonte: arquivo permanente da Escola Estadual “Fernando Costa” e jornal O Imparcial.

 

O Instituto de Educação “Fernando Costa” iniciou sendo dirigido pelo professor Waldemir e teve suas atividades encerradas em um momento em que o diretor era Krisan. O diretor Waldemir era admirado pelos alunos dessa instituição e pela imprensa prudentina que em abril de 1954, ao comemorar o aniversário da instituição o elogia mencionando, que dentre os dirigentes da instituição ele se destacava, por selecionar o corpo docente e imprimir diretrizes ao Instituto de Educação em questão (PEIXOTO, 1954c).

Waldemir também foi diretor do Colégio São Paulo e, em 1955, foi inaugurada a Galeria de ex-diretores desse Colégio na qual estava a foto dele (CONDIGNAMENTE...., 1955). Ainda sobre esse diretor, em 1955, uma aluna do Curso de Aperfeiçoamento do Instituto de Educação “Fernando Costa”, oradora, na formatura mencionou que os alunos dedicavam gratidão e admiração ao diretor que “[...] tão bem é capaz de dirigir aquela casa de ensino [...]” (SOLENIDADE..., 1955, p. 1).

Waldemir se aposentou no ano de 1973, na ocasião recebeu uma homenagem com jantar para 200 pessoas na Associação prudentina de esportes atléticos, juntamente, com a também aposentada Martha Maria Sant’Anna Costa. Na homenagem, a professora Lyhia Pinheiro Arrais leu o curriculum vitae dos aposentados, depois eles fizeram o seu discurso agradecendo as homenagens.

Destaca-se o discurso de Waldemir:

 

Sinto-me deveras penhorado, pela significativa expansão de vossa generosidade e nunca me encontrei numa situação de tão sincera e emocionante alegria, como a que domina o meu coração, no dia da nossa despedida. [....] Ao agradecer as homenagens desejosos de uma feliz e venturosa carreira, no magistério, pois, há entretanto, aqui na terra, uma felicidade relativa, ao alcance de todos nós; para conquistá-la porém, é indispensável não esquecer os vínculos indispensáveis do sangue, amar a Família, dedicar-se á Pátria e crer em Deus. (PROFESSORES..., 1973, p. 6).

 

Para o diretor, a “feliz” carreira no magistério seria alcançada a partir do amor a família, a dedicação ao Brasil e a crença em Deus. Com a

Figura 13, é possível visualizar esse dia do discurso:

Figura 13 - Diretor do Instituto de Educação “Fernando Costa”,

Waldemir Bittencourt de Carvalho, durante homenagem

 

Fonte: (PROFESSORES..., 1973, p. 6).

 

Constata-se que o primeiro diretor da instituição pesquisada, era visto pelos alunos, professores e pela imprensa prudentina como um bom administrador, sendo homenageado na sua saída da instituição.

O Instituto de Educação “Fernando Costa” recebia visitas de

Inspetores Escolares Estaduais17, localizou-se o registro dessas visitas a essa instituição a partir de 1960. É importante considerar que o cargo de Inspetor Escolar era ocupado por diretores dos Grupos Escolares com mais de seis anos de direção e segundo legislação de 1947, o inspetor deveria tornar efetiva a obrigatoriedade escolar (SÃO PAULO, 1947).

Todavia, em 1933, no Código da Educação do Estado de São Paulo, foi mencionada mais incumbências para essa função, como:

 

1. cumprir e fazer cumprir as leis e regulamentos, bem como as

determinações de seus superiores hierarquicos;

2. visitar os estabelecimentos que lhe forem distribuídos, inspecionando-os no

que concerne á técnica e á eficiência do ensino, á idoneidade e assiduidade dos docentes, e á disciplina e higiene dos alunos;

3. orientar os diretores e professores, no trabalho educativo, estimulando-os e

assistindo-os na aplicação dos métodos e processos de ensino, bem como sugerindo ou efetuando demonstrações e experiências;

4. informar a respeito da dedicação e competência dos diretores e

professores sob sua jurisdição;

5. presidir, ao menos duas vezes por ano, em cada município, a reunião

mensal dos professores de escola isolada;

6. colaborar ativamente no desenvolvimento das instituições peri-escolares e

post-escolares ou de extensão cultural;

7. colaborar com as missões técnicas e culturais que vierem trabalhar em

suas escolas, apoiando-as e auxiliando-as no desempenho de sua tarefa;

8. realizar os exames finais das escolas isoladas sob sua inspeção,

convocando, para auxilio, os diretores de grupos escolares;

9. prestar contas ao delegado regional, cada semana, do trabalho realizado,

com relatório minuciosos do roteiro seguido e dos gastos efetuados;

10. realizar sindicâncias, por determinação do delegado regional, ou, em casos

excepcionais, por iniciativa própria;

11. aplicar ou propor a aplicação de penas;

12. substituir o delegado regional, quando para isso designado; 13. residir na sede da delegacia, podendo, porém, em caso de manifesta

conveniência para o serviço, ser-lhe fixada para residência, outra cidade da região. (SÃO PAULO, 1933, [p. 62]).

 

É possível verificar que aos Inspetores Escolares incumbia primeiramente o “Fazer cumprir” as Leis e os regulamentos e o “inspecionar”, ou seja, o inspetor realizava fiscalizações nas instituições.

Um Inspetor Escolar Estadual por vez realizava visitas ao Instituto de Educação “Fernando Costa” para verificar o trabalho realizado na instituição e realizar recomendações ao diretor, caso houvesse

necessidades de modificações18.

Destaca-se que entre 1960 e início do ano de 1976, ou seja, no

período de 16 anos, os Inspetores Escolares Estaduais19 realizaram 47 visitas no Instituto de Educação “Fernando Costa” e dentre essas visitas, em 11 ele elogiou e/ou relatou que o funcionamento desse Instituto de Educação estava regular, ou seja, em 23,40 % das visitas realizadas pelo Inspetor Escolar Estadual ao Instituto de Educação “Fernando Costa”, ele não realizou apontamentos quanto à necessidade de alterar algum elemento dessa instituição.

Em relação aos elogios, dessas 11 visitas, em seis os inspetores mencionaram que o estabelecimento estava funcionando regularmente e/ou com organização e em uma completou:

 

Esta inspetoria não pode deixar sem o seu pronunciamento em termos de elogio ao corpo Docente e discente da Escola no referente as campanhas filantrópicas em que a Escola se tem empenhado, sobressaindo-se a Tradicional arrecadação em prol do Asilo Vicentino e ainda a campanha do lar São Francisco da capital do Estado, incluindo logicamente neste termo todo o corpo administrativo da Escola. (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, têrmo de visita do inspetor estadual, 1960-1983, p. 29).

 

Constata-se que dentre os elogios realizados pelo Inspetor Escolar Estadual ao Instituto de Educação “Fernando Costa”, estava a valorização da filantropia realizada pela instituição, todavia fazer cumprir a filantropia não era função do inspetor.

Além desse elogio, em duas visitas realizadas na instituição pesquisada, o Inspetor Escolar Estadual relatou que o estabelecimento estava funcionando com regularidade e mencionou que a secretaria estava funcionando com ordem e também relatou sobre o trabalho de um diretor:

 

[...] [o] trabalho eficiente da Direção [Krisan Martins] que tudo tem feito para a melhoria das condições de ensino em Presidente Prudente que tem encontrado nos professores e no pessoal administrativo toda a cooperação. [...] tem a Direção da Escola atendido todas as recomendações emanadas da d. Regional, estando seus trabalhos de secretaria em ordem. (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, têrmo de visita do inspetor estadual, 1960-1983, p. 23).

 

Outro exemplo de elogio para esse diretor, foi quando o inspetor verificou as atividades promovidas por ele e disse que todas visavam “[...] o atendimento perfeito dos trabalhos escolares.” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, têrmo de visita do inspetor estadual, 1960-1983, p. 29) e em outra visita acrescentou “O planejamento foi bem feito. A tradicional linha de serviço dessa casa foi mantida pelo zelo do Sr. Diretor Prof. Krisan, pela fidelidade e capacidade de serviço de professores e funcionários.” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, têrmo de visita do inspetor estadual, 1960-1983, p. 41).

Como mencionado, em 23,40% das visitas realizadas pelo Inspetor Escolar Estadual ao Instituto de Educação “Fernando Costa” houve elogios relacionados a essa instituição, inclusive a direção.

Todavia e nas visitas em que não houveram elogios? Quais os aspectos tratados pelo inspetor? A partir desses questionamentos, é possível constatar que em uma das visitas que o Inspetor Escolar Estadual realizou ao Instituto de Educação pesquisado, ele mencionou que o diretor dessa instituição, Luiz de Carvalho Gomes, contratou seu filho para que ministrasse aulas de Matemática e o inspetor relatou que essa ação estava contrária ao estatuto dos servidores públicos. Todavia, o diretor argumentou que não, pois seu filho não era efetivo e, por isso, não haveria impedimento, com isso, esse caso foi encaminhando para que a consultoria jurídica pudesse resolver.

Ainda em 1960, o Inspetor Escolar Estadual visitou o Instituto de Educação “Fernando Costa” e a Escola Primária Anexa, verificando que as serventes estavam organizando os serviços de limpeza e então, verificou irregularidades no serviço de secretaria que não se comunicava com os escriturários. A partir disso, o diretor passou a submeter os escriturários sob responsabilidade da secretária.

Após um ano, em 1961, em visita a instituição pesquisada, o inspetor localizou atas com rasuras e o diretor Luiz de Carvalho, solicitou a secretária tivesse mais zelo na confecção das atas. Em outra visita realizada nesse mesmo ano, o inspetor solicitou que o diretor organizasse melhor a distribuição do serviço da secretaria e alertou sobre as excursões que os alunos realizavam e que poderiam oferecer perigo. Ainda nesse ano, ele verificou trabalhos escolares e livros pontos, localizando rasuras nas assinaturas dos professores e, recomendou que o diretor não permitisse que isso ocorresse.

Em 1963, o inspetor em visita a instituição em questão, mencionou que houve destaque para a instituição na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Presidente Prudente/SP, especificamente na feira de ciências. Ainda em visita nesse ano, o diretor do Instituto de Educação “Fernando Costa”, Krisan Martins, e o inspetor trataram dos detalhes da realização das provas parciais e da inscrição de alunos para o exame estadual que, segundo o inspetor, se desenvolvia “normalmente”.

Em visita realizada em 1964, o Inspetor Escolar Estadual sugeriu modificações no Instituto de Educação “Fernando Costa” quanto aos assuntos administrativos.

Em 1965, o inspetor visitou o estabelecimento por determinação do Inspetor Regional e afirmou que os alunos não deveriam ser obrigados a pagarem a taxa de matrícula. Destaca-se que os alunos que pagavam essa matrícula recebiam uma carteira que possibilitava que tivessem 50% de descontos em estabelecimentos da cidade e região o que demonstra o reconhecimento da cidade perante o Instituto de Educação “Fernando Costa”.

Ainda nesse ano, o inspetor permitiu a matrícula de um aluno que havia sido reprovado e tinha sido impedido pela direção da instituição de realizar a matrícula. Nas férias do final do ano de 1965, o inspetor visitou a instituição em questão, especificamente, os trabalhos de secretaria, escrituração e as pautas escolares.

Em 1966, em visita ao inspetor em questão, foram sanadas dúvidas pelo diretor do Instituto de Educação “Fernando Costa” sobre o curso de aperfeiçoamento e foram entregues autorizações de funcionamento no período noturno desse curso. Ainda em 1966, os alunos do 3º ano do Curso Normal almejavam a realização de festas e por isso o inspetor orientou que solicitassem permissão à inspetoria regional.

Em 1975, o Inspetor Escolar Estadual orientou a maneira da realização do curso de datilógrafo que ocorreria em parceria com a instituição pesquisada, a Associação de Pais e Mestres do Instituto de Educação “Fernando Costa”, a prefeitura municipal de Presidente Prudente/SP e o Senac. Sendo que no Instituto de Educação em questão, seria cedida uma sala com 20 máquinas de escrever para

esse curso e a associação faria os cartazes de propaganda do curso20.

Ainda nesse ano, o inspetor mencionou que faltavam funcionários e materiais, pois na secretaria estava faltando máquina de escrever e de calcular. Destaca-se que ainda em 1975, uma professora se caracterizou como estudante do Curso Colegial para realizar os exames finais e o caso foi comunicado a polícia.

Dessa forma, entre 1960 a 1976, o Inspetor Escolar Estadual realizou 47 visitas ao Instituto de Educação “Fernando Costa” dessas, em 76,6%, o inspetor, principalmente: