Espaço e lugar privilegiado para formação de professores
3.3.2 Avaliação dos alunos
treinar professores e eles eram igualmente treinados pelos professores do Primário. Os pais, pessoas da comunidade e professores do ‘Ginásio’ era frequentemente solicitados a trabalhar em alguma atividade com as crianças. Para as crianças era um privilégio receber o professor do Ginásio, em classe. Gostavam de ter contato com seus futuros professores. O Curso Primário anexo ao I.E. Fernando Costa se constituiu, assim, num laboratório de aprendizagem pelas atividades ali vividas e pelo clima de cooperação implantado. (BARROS; RODRIGUES, 1981, p. 197-198).
Compreende-se que no Instituto de Educação “Fernando Costa”, “[...] formar professores foi um trabalho sério realizado pelo Curso Primário [...] [e] as crianças que se prestavam a isso e eram envolvidas nessa atividade mereciam trabalho sério, honesto e da melhor qualidade [...]” (BARROS; RODRIGUES, 1981, p. 197).
Por fim, ressalta-se que o Curso Primário do Colégio do Estado e Escola Normal da de Presidente Prudente/SP, após seis anos da sua instalação tornou-se anexo ao Instituto de Educação “Fernando Costa”.
Com esse curso, os professorandos da instituição pesquisada, eram formados professores, com auxílio dos professores da disciplina “Prática de Ensino”, dos colegas de classe do Curso Normal e do professor do Curso Primário.
Assim, constata-se que os alunos que realizavam o Curso Primário nessa instituição tinham um ensino diferenciado, com observação dos professorandos, com treinamento constante de docentes do Curso Normal e com participação de professores do Ginásio.
3.3.2 Avaliação dos alunos
Nos Cursos Primários dos Institutos de Educação era comum a realização de Testes ABC com os alunos e com esses testes buscava-se classificar as crianças que frequentavam a escola primária verificando “[...] o nível de maturidade requerido para a aprendizagem da leitura e da escrita.” (LOURENÇO FILHO, 1974, p. 9). Assim, após esses testes os alunos eram organizados de acordo com o resultado, buscando a homogeneidade.
Esses testes foram idealizados por Lourenço Filho que afirmava que a “maturidade” da criança não estava relacionada com “[...] a idade cronológica, nem com a idade mental [...]” (LOURENÇO FILHO, 1974, p. 9).
Em 1961, as professoras da disciplina intitulada “Prática de Ensino”, ministrada no Instituto de Educação “Fernando Costa” aplicaram os Testes ABC, aos alunos do 1º grau do Curso Primário Anexo e os resultados obtidos no 1º ano A, consistiram em 18 alunos do “quartil” fértil e 18 alunos do “quartil” médio e no primeiro ano B, os resultados consistiram em 37 alunos no “quartil médio” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, livro de correspondência, 1953-1969).
Em 1962, também foram aplicados os Testes ABC para os alunos do 1º grau do Curso Primário Anexo ao “Fernando Costa”. Os testes também foram aplicados pelas professoras de “Prática de Ensino” desse instituto e os alunos obtiveram as seguintes classificações: 1º ano A-média, 4º ano B-média, 1º ano C- forte. Após a aplicação dos testes em questão e a “classificação” das crianças, o resultado era enviado para o Departamento de Educação do estado de São Paulo (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, livro de correspondência, 1953-1969).
No Curso Normal e no Curso de Aperfeiçoamento do Instituto de Educação “Prof. Stélio Machado Loureiro”, o livro mais lido pelos alunos desse curso consistia do denominado: Testes ABC: para verificação da maturidade necessária ao aprendizado da leitura e da escrita de Lourenço Filho. Segundo entrevistas realizadas com antigas alunas dessa instituição, a partir desses testes, os alunos da escola primária eram organizados em classes “fortes” e “fracas” (SERRA, 2004).
Dessa forma, nesse período de funcionado do Instituto de Educação, havia retenção no ensino primário e em relação aos Testes ABC eles eram utilizados como instrumento científico para selecionar os alunos. Na imprensa prudentina foi criticado esse aspecto nas escolas primárias, publicando que:
É absurdo e mesmo errôneo em meu parecer a divisão de classes, no início do ano letivo, pela promoção de alunos. Baseio-me, ao fazer este comentário, na situação atual das classes que hoje temos. Fracas...absolutamente sem nível no que exige o programa do ano que frequentam. (CARDOSO, 1956, p. 9).
A homogeneidade buscada no Curso Primário do Instituto de Educação “Fernando Costa” tinha como principal função a alfabetização. Assim, o Curso Primário dessa instituição, tinha como principal objetivo alfabetizar os alunos, cuja concepção era baseada na ideia de que quanto mais homogêneo os alunos, mais fácil seria essa concretização.
Além do teste para selecionar os alunos na busca de formarem turmas para o Curso Primário, os alunos eram avaliados através de exames sobre os conteúdos ensinados. Localizou-se 39 exames de alunos do 3º ano do Curso Primário Anexo ao Instituto de Educação “Fernando Costa”, referente ao ano de 1962. Ressalta-se que esses 39 exames se referem ao mesmo modelo de avaliação. Nesse modelo de avaliação localizado, os alunos foram avaliados nos seguintes conteúdos: “Linguagem”, “Gramática”, “Conhecimentos gerais” e “Aritmética e Geometria” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, exames, 1962).
O exame para avaliar a “Linguagem”, consistiu em uma reescrita de um texto intitulado “Tartaruga voadora”, o texto foi reescrito a caneta com letra cursiva, pelos textos serem os mesmos escritos apenas com linguagem diferente, é possível constatar que provavelmente a professora leu e solicitou que os alunos o reescrevessem. Em relação a “Gramática”, os alunos foram avaliados a partir de uma frase em que foram elaborados questionamentos, sobre a localização de palavra proparoxítona, classe de palavra a qual pertence à palavra palmeira, quantidade de sílaba da palavra “Esbelta” e localização de adjetivos de uma frase (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, exames, 1962).
Em relação aos conteúdos relacionados a “Conhecimentos gerais”, os alunos foram avaliados a partir de indagações sobre: data da Lei áurea, quem uniu os inconfidentes mineiros, qual foi à cidade fundada por Tomé de Souza, principal afluente do rio tietê, cidade relacionada com a estrada de Ferro Noroeste do Brasil, nome do aparelho circulatório, nome do movimento da terra que produz dias e noites, qual a classe de vertebrados que pertence o homem, processo de escolha de um prefeito de um município e localização no mapa do rio do peixe (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, exames, 1962).
Em “Aritmética e Geometria”, os alunos foram avaliados a partir de respostas das seguintes questões: transformação de números em metros, unidade de medida da capacidade, leitura do número “0,003”, valor de seis dividido por 0,037, valor de ¾ de 1487 e resolução de cinco situações problema (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, exames, 1962).
A partir desses exames, é possível constatar indícios de que o ensino do Curso Primário Anexo ao Instituto de Educação “Fernando Costa” era memorialístico e conteudístico, pois nos exames os alunos tinham que responder conteúdos que memorizavam.