Espaço e lugar privilegiado para formação de professores
1.2 Institutos de Educação do estado de São Paulo
Além dessa instituição, havia somente mais uma instituição (particular) que realizava a formação mencionada, o que demonstra ainda mais a importância do Instituto de Educação na cidade, que além de continuar com o Curso Colegial, Normal e com a Escola Primária Anexa, passaria a ter cursos relacionados à formação continuada de professores.
1.2 Institutos de Educação do estado de
São Paulo
O Instituto de Educação “Fernando Costa” em um total de 120 localizados no estado de São Paulo, foi o 17º instituto, 17 foram instalados na capital e os demais no interior e no litoral desse estado
(LABEGALINI, 2005). No Quadro 1, há o registro dos Institutos de Educação criados em um período anterior ao do Instituto de Educação “Fernando Costa”:
Quadro 1 – Institutos de Educação do estado de São Paulo criados an
Instituto de Educação de Presidente Prudente/SP
CRIAÇÃO/TRANSFORMAÇÃO ORDEM DE DATA DA CIDADE CRIAÇÃO/TRANSFORM
1º São Paulo 21/02/1933 e 2/12/19
2º Campinas 21/12/1951
3º São Paulo 28/12/1951
Ribeirão
4º 7/8/1953
Preto
5º Bauru 7/8/1953
São José do
6º 7/8/1953
Rio Preto
7º Botucatu 7/8/1953
8º Itapetininga 7/8/1953
9º Franca 7/8/1953
10º Pirassununga 7/8/1953
11º São Carlos 7/8/1953
Fonte: adaptado de Labegalini (2005, p. 77-78).
ORDEM DE DATA DA
CIDADE
CRIAÇÃO/TRANSFORMAÇÃO CRIAÇÃO/TRANSFORM
12º Guaratinguetá 7/8/1953
13º Tatuí 7/8/1953
14º Piracicaba 7/8/1953
Santa Cruz
15º 14/8/1953
do Rio Pardo
16º Jaú 20/10/1953
17º Presidente 20/10/1953 Prudente
Fonte: adaptado de Labegalini (2005, p. 77-78).
Além do Instituto de Educação “Fernando Costa”, em 1953, foram criados Institutos de Educação nas seguintes cidades paulistas: Ribeirão Preto, Bauru, São José do Rio Preto, Botucatu, Itapetininga, Franca, Pirassununga, São Carlos, Guaratinguetá, Tatuí, Piracicaba, Santa Cruz do Rio Pardo e Jaú. Além desses, nesse ano de 1953, após a criação do Instituto de Educação “Fernando Costa”, houve a criação de um instituto em Casa Branca e em Jundiaí (LABEGALINI, 2005).
A partir do Quadro 1, é possível constatar que o primeiro Instituto de Educação foi criado na década de 1930 e os 15 institutos posteriores criados em um período anterior à criação do “Fernando Costa” foram criados na década de 1950.
Com a Lei Orgânica do Ensino Normal, a partir de 1946, os institutos foram expandidos para o interior do estado de São Paulo e a década de 1960, foi o período em que foram criados mais Institutos de Educação no estado de São Paulo (LABEGALINI, 2005).
O Instituto de Educação “Fernando Costa”, foi criado na década anterior à década de maior expansão dos Institutos de Educação, o que ratifica a importância desse estabelecimento e a indicação de avanço e desenvolvimento para Presidente Prudente/SP.
O Instituto de Educação “Fernando Costa” foi instalado, em 1932, após 21 anos da instalação do primeiro Instituto de Educação do Brasil, por Anísio Teixeira Anísio Teixeira no Rio de Janeiro que no período era o Distrito Federal. Anísio Teixeira, era diretor da Instrução Pública.
Em 1933, instalou-se o primeiro do Instituto de Educação do estado de São Paulo que foi promulgado na “Reforma Fernando de Azevedo” cuja síntese está no Código da Educação do Estado de São Paulo. Esse primeiro Instituto de Educação foi denominado “Caetano de Campos e ocorreu a partir da transformação da Escola Normal da Praça da República (LABEGALINI, 2005).
Em 1934, após um ano de sua criação, o Instituto de Educação “Caetano de Campos” incorporou-se a Universidade de São Paulo (Usp) e esteve em funcionamento até 1938, no ano em que o Interventor Federal Adhemar de Barros extinguiu esse Instituto de Educação, alegando que os custos financeiros para o funcionamento eram altos. Além disso, foi defendido que o Instituto de Educação estava dificultando a formação docente que estava relacionada com o nível universitário nessa instituição (EVANGELISTA, 2002).
Na extinção dessa instituição, houve a presença de religiosos católicos, pois de acordo com as buscas religiosas que tinham, interessaram-se em formar professores no nível superior (EVANGELISTA, 2002).
No Distrito Federal, a universidade também estava relacionada com a formação de professores. Destaca-se que a finalização do instituto em questão, fez com que no Brasil as duas primeiras ações relacionadas com a formação de professores em um nível superior, não tivesse prosseguimento (EVANGELISTA, 2002).
Nos Institutos de Educação, havia o pensamento escolanovista, esse ideário norteou os estudos dos professores no Brasil, aproximadamente até a década de 1970 (LABEGALINI, 2005). Nesse ideário, o aluno é visto como ativo em sua aprendizagem, tendo a valorização da ciência na instituição escolar.
O que era contrário a essa ideia era intitulado de ensino tradicional, ou seja, um ensino que desconsiderava a experiência (BUFFA; PINTO, 2002). Dessa forma, no contexto escolonavista surgiu o Instituto de Educação do estado de São Paulo no ano de 1933, e posteriormente, os demais 119 institutos, cujo encerramento ocorreu em 1975, quando o escolanovismo cedeu espaço para o tecnicismo, tendência que organizava racionalmente os meios do ensino, fazendo com que o papel do aluno e do professor fosse secundarizado. (LABEGALINI, 2005).
Assim, as instalações dos Institutos de Educação se relacionavam com o ideário do movimento Escola Nova, pois com os Institutos de Educação buscavam-se transformações na educação do Brasil (SERRA, 2004).
Antônio D’Ávila era um dos pensadores que fazia a defesa pela Escola Nova, ele ingressou na Escola Normal “Caetano de Campos”, contatou Lourenço Filho, substituiu a cadeira de “Prática de Ensino”, “Pedagogia” e “Psicologia”. Professorou e foi diretor do Departamento de Educação de São Paulo, diretor de instituições escolares, do Serviço de Orientação Pedagógica e chefiou o Serviço Nacional de Aprendizagem (Senac). Trevisan (2007) mencionou que ele também palestrou e ministrou conferências na capital e no interior do estado de São Paulo, escrevendo 11 manuais de ensino que foram lidos nos cursos que formavam professores primários.
Um mês antes da transformação da instituição em Instituto de Educação “Fernando Costa”, ou seja, em setembro de 1953, Antônio D’Ávila realizou uma palestra em Presidente Prudente/SP, para o comitê do Centro de Estudos Pedagógicos e para o Clube de Sociologia dessa futura instituição (COLÉGIO E INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1953-1955). Segundo Trevisan (2007), essa palestra foi sobre Grandes figuras do magistério feminino.
Na instalação oficial do Instituto de Educação de Birigui/SP, em março de 1963, no salão nobre do Institutos de Educação “Prof. Stélio Machado Loureiro”, Antônio D’Ávila também participou ministrando uma aula de abertura, cuja presença dos alunos foi obrigatória e a dos professores foi considerada “ponto de honra” (SERRA, 2004).
Houve a criação dos Institutos de Educação até o ano de 1967, e a expansão dos Instituto de Educação do estado de São Paulo, para o interior desse estado, nas décadas seguintes à criação do Código de Educação do Estado de São Paulo de 1933 ocorreu pela transformação em Institutos de Educação, das Escolas Normais, Escolas Normais e Colégios Estaduais ou Ginásios Estaduais. A criação dessas instituições em São Paulo foi até o ano de 1967, persistindo até 1975 (LABEGALINI, 2005).
Como registrado anteriormente, não há muitos estudos sobre os Institutos de Educação do estado de São Paulo, os que há são: Ribeiro (1999), Labegalini (2005), Pirolla (1988), Camargo (1997), Tofoli (2003), Serra (2004), Reis (2015), Bontempi Júnior (2011), Nadai (1994), Pinheiro (2000) e Evangelista (2002).
Nas pesquisas sobre os Institutos de Educação que foram instalados no estado de São Paulo, destaca-se a pesquisa de Evangelista (2002) que buscou a reconstituição do início da formação de professores que ocorria em nível universitário, enfocando o encerramento do Instituto de Educação da Universidade de São Paulo de 1934 a 1938. Com Evangelista (2002) verifica-se que, no ano de 1933, foi criado o primeiro Instituto de Educação do estado de São Paulo localizado em São Paulo cuja nomenclatura era “Caetano de Campos”.
No Institutos de Educação “Caetano de Campos” havia a denominada Escola de Professores, nesse âmbito, eram formados técnicos de ensino, abrangendo Cursos Livres, Extensão Universitária, Especialização, Aperfeiçoamento e Administradores Escolares. Além disso, havia a formação de professores primários e secundários. Na formação, havia a experimentação, a observação e a prática de ensino (EVANGELISTA, 2002).
Segundo Evangelista (2002), essas ações ocorriam nas Escolas de Aplicação, instituições que continham o Jardim de Infância, a Escola Primária e a Escola Secundária. No Institutos de Educação “Caetano de Campos”, além disso, havia também a biblioteca e um espaço em que ocorria muitas pesquisas desse instituto, o denominado Centro de Psicologia Aplicada e o laboratório (EVANGELISTA, 2002).
Em 1934, após um ano em que foi criado o Instituto de Educação “Caetano de Campos”, foi criada na capital, a Usp sem o curso de Pedagogia, que funcionou a partir de 1939 (VIDAL; BONTEMPI JÚNIOR; SALVADORI, 2016).
Para realizar a formação de professores, o Instituto de Educação “Caetano de Campos” foi incorporado a Usp, com isso houve a primeira formação de professor no nível universitário (EVANGELISTA, 2002). Essa experiência, ocorreu até o ano 1938, quando esse Instituto de Educação, tornou-se Escola Normal, sendo excluído da Usp.
A pesquisadora Pinheiro (2004) objetiva realizar a compreensão dos elementos internos de uma escola e também elementos das práticas que estavam nos discursos dos alunos que frequentavam o Curso Primário da Escola de Aplicação do Instituto de Educação “Caetano de Campos” de São Paulo, a autora focalizou o período de 1936 a 1939, que foi, respectivamente o ano em que foi publicado o número inicial jornal Nosso Esforço e o ano em que a instituição foi denominada de Escola “Caetano de Campos” e isso ocorreu após extinção do Instituto de Educação.
O jornal Nosso Esforço teve a circulação realizada entre os anos e 1936 a 1967 e era produzido e também entregue por alunos do Curso Primário com idade entre 7 a 12 anos, tendo os professores como censuradores da escrita do jornal e também dos conteúdos selecionados. Com essas limitações, os temas publicados no jornal em questão, consistiam em entretimento, notícias da escola, datas comemorativas, biografias e discursos nacionalistas e higienistas (PINHEIRO, 2004).
Pinheiro (2004) selecionou para analisar, três temáticas recorrentemente mencionadas no jornal Nosso Esforço, a saber: grandes homens e a nacionalidade do Brasil; a criança que estuda e ignorância que escraviza. Verificou que as publicações eram otimistas, valorizando os atos cívicos, a disciplina, a história da nação, da escola, tendo como pano de fundo a visão de uma escola para a civilidade e para a transformação da sociedade.
A implantação do Instituto de Educação “Caetano de Campos”, estava vinculada com Fernando de Azevedo que mencionava essa instituição utilizando diversas nomenclaturas, a saber: laboratório do Ensino Paulista e Faculdade de Letras e Escola Superior de Pedagogia. A instalação ocorreu como anseio ao texto documental intitulado Pioneiro da Escola Nova e para Fernando de Azevedo, esse Instituto de Educação deveria constituir-se enquanto espaço de estudos experimentais e investigação sobre educação, além da preparação de professores e administradores escolares (NADAI, 1994).
No Instituto de Educação “Caetano de Campos”, havia um diferencial, pois além da comum formação de docentes primários que ocorriam nos Institutos de Educação, que também teve a formação de professores no nível secundário, essa formação ocorreu até a instalação da Faculdade de Educação Ciências e Letras na Usp. A pesquisadora Nadai (1994) investigou essa formação de nível secundário e concluiu que ocorreu de maneira similar com a formação do professor primário, tendo destaque para a prática nessa formação.
Ao ser instalada a Faculdade de Educação Ciências e Letras, o Instituto de Educação foi excluído e os professores do Instituto de Educação “Caetano de Campos” tornaram-se corpo docente da faculdade em questão, ministrando as disciplinas que eram pedagógicas.
Ao objetivar compreender o período anterior dessa transferência, Bontempi Júnior (2011) mencionou que os professores da Usp tinham desacordo com as transferências desses professores.
Constata-se que a característica principal do Instituto de Educação era a formação de professores que deveria estar relacionada com a prática e com a experimentação do próprio ato de professorar, todavia, os professores da Usp desconsideravam as disciplinas que estavam relacionadas com a formação pedagógica e consideravam que bastava uma formação mais relacionada com a teoria, ou seja, uma formação mais científica. Buscando que o futuro professor operasse na transformação do conteúdo aprendido em conteúdo para ser ensinado em escolas normais e secundárias. Na faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, havia o curso de pedagogia, que era organizado da mesma forma que os demais cursos dessa instituição. No curso de pedagogia, ocorria reflexão e conhecimento sobre o ensino (BONTEMPI JÚNIOR, 2011).
Ao objetivar a compreensão de aspectos que constituíram a Didática, Reis (2015) enfoca o Instituto de Educação “Leônidas do Amaral” que foi instalado em Santa Cruz do Rio Pardo/SP, cidade que pertence à administração de Marília/SP. A pesquisadora enfocou o ano de 1953 a 1975.
A pesquisa de Reis (2015), foi realizada com orientação do referencial da História Cultural e está vinculada ao campo das disciplinas escolares, verificando que a Didática estava relacionada com Cursos Normais e no Instituto de Educação “Leônidas do Amaral”. Importante mencionar que esses cursos se centravam a atenção na formação de professores para o trabalho na escola primária.
A pesquisadora Serra (2004), realizou a investigação de elementos do modelo de formação de professores realizado no Instituto de Educação “Prof. Stélio Machado Loureiro” que funcionou em Birigui/SP, entre os anos de 1961 a 1976. Concluiu que no terceiro ano do Curso Normal, havia uma ênfase para que fosse formado o professor para alfabetizar. A pesquisa apresenta informações sobre uma organização do instituto em questão e sobre a biblioteca dessa instituição, afirmando que os institutos eram aspirações dos denominados reformadores que atuaram na década de 1920, que buscavam uma resposta para a questão de formar professores em uma época marcada pela expansão de matrículas, pela indústria e pela urbanização (SERRA, 2004).
Ao investigar a educação feminina no Colégio e depois, no Instituto de Educação “Madre Clélia”, instalado na cidade de Adamantina/SP entre 1950 a 1978, Tofoli (2003) evidencia a internalidade do colégio, especificamente planejamento, organização, currículo, estrutura, regimentos, aulas, entre outros aspectos. Conclui-se que a educação realizada no Colégio e posteriormente, no Instituto de Educação “Madre Clélia”, realizava a preparação para que a aluna fosse esposa, dona de casa e atuante no magistério.
Em outra pesquisa, Camargo (1997) objetiva registrar uma história de práticas realizadas na cidade de Rio Claro/SP, no Instituto de Educação dessa cidade. São enfocados os anos de 1928 a 1958 e há uma busca de abordar a Cultura Escolar desse instituto.
Ao tratar da busca em registrar memórias de um Instituto de Educação, Pirolla (1988) enfoca o “Dr. Álvaro Guião” que funcionou em São Carlos/SP. Nessa pesquisa, são apresentados os aspectos realizados antes, durante e após o funcionamento da instituição em questão. Ressalta-se que Pirolla estudou nessa instituição, enquanto era Colégio Estadual e Escola Normal e por isso, diferentemente das outras pesquisas mencionadas, também apresenta relatos próprios sobre o período.
Há o destaque de que nessa instituição, havia vários laboratórios para o trabalho com história natural, química e física, havia também sala de desenho, sala trabalhos manuais, de educação física e um local para realizar psicologia experimental (PIROLLA, 1988).
A pesquisadora Labegalini (2005), apresenta uma pesquisa mais abrangente, selecionando como objeto de estudo os Institutos de Educação do estado de São Paulo, enfocando como se realizava a formação do professor para realizar a alfabetização nesses locais de 1933 a 1975. Com isso, dessa pesquisa, é realizado um mapeamento dos Institutos de Educação que funcionaram em todo o estado de São Paulo e em seguida, a autora seleciona 12 institutos para enfocar a pesquisa.
Na tese de Labegalini (2005), há apêndices que são caracterizados como instrumentos de pesquisa, abrangendo as fontes que ela localizou. Destaca-se que essa ação de registro facilita a vias de acesso do historiador para as fontes, possibilitando o auxílio em futuras pesquisas sobre o tema. O primeiro instrumento de pesquisa contém Leis sobre os Institutos de Educação do estado de São Paulo publicadas de 1933 a 1975, e o segundo instrumento, contém referências dos documentos que localizou nos arquivos permanentes das instituições que consultou. No terceiro apêndice são apresentadas referências de livros que integravam bibliotecas de Institutos de Educação e no quarto apêndice há um quadro de informações (autores, títulos dos livros e cidades dos acervos) sobre livros das escolas estaduais que antes eram Institutos de Educação.