Espaço e lugar privilegiado para formação de professores

Aline de Novaes Conceição · Capítulo 19 de 23

Páginas do PDF

Espaço e lugar privilegiado para formação de professores

3.4 Os pais: Associação de Pais e Mestres do Curso Primário Anexo

3.4 Os pais: Associação de Pais e

 

Mestres do Curso Primário Anexo

 

Nesta seção verificam-se indícios de que a Associação de Pais e Mestres do Curso Primário Anexo ao Instituto de Educação “Fernando Costa” visava aproximar os pais da instituição, para estabelecer uma relação diretiva em que os pais eram dirigidos para auxiliarem a escola no trabalho com o filho e contribuírem financeiramente com a instituição.

No Curso Primário Anexo ao Instituto de Educação “Fernando Costa” havia uma Associação de Pais e Mestres que se reunia “[...] para tratar de assuntos relacionados com a criança e a escola. (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1971, p. 2). Em uma dessas reuniões, em 1971, a diretora, falou para os professores sobre como deveria ser o trabalho com as crianças do Curso Primário Anexo e entregou aos pais as normas de convivência Pais/Escola.

Nessas normas era mencionado que:

 

O desenvolvimento da aprendizagem da criança, na escola nova, depende da cooperação de V. Sas. Para tanto, solicitamos a sua participação para estas normas: 1. zelar pelo material da criança; 2. Verificar, diariamente as tarefas das crianças (caseiras); 3. Acompanhar a aprendizagem da criança; 4. Observar o comparecimento às aulas; 5. Cuidar da higiene pessoal da criança principalmente da higiene do uniforme; 6. Medicar a criança em casa não mandando-a para a escola febril; 7. Esperar em dias chuvosos a chuva passar para mandar a criança à escola, 8. colaborar na medida do possível e também do disponível, com a escola, nas suas necessidades; 9. Manter-se em contacto com a direção da escola, não só quando solicitado, mas mensalmente, sem interferir no andamento didático da classe, para acompanhar a aprendizagem da criança seu filho; 10. Dar o apoio necessário ao seu filho, para que êle integre na escola confiantemente (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1971, p.2).

 

Os tópicos das normas citados foram comentados com os pais que foram convocados para cooperarem na tarefa de educarem as crianças. Além disso, foi solicitado aos pais auxílio financeiro para a compra de um filtro para a escola e esses pais auxiliaram.

Em 1972, a reunião da Associação de Pais e mestres do Curso Primário em questão, teve como objetivo inserir os pais em contato com a escola, além disso, solicitou-se que eles seguissem as normas internas da instituição (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1971).

Em 1973, a reunião dessa associação visava aproximar os pais da escola para que tivessem conhecimento do planejamento do ano letivo, nessa reunião, os professores elaboraram normas mencionando:

 

1º) que o planejamento fosse bem executado, 2º) que fossem dadas tarefas escolares para melhor verificação. 3º) criatividade. 4º) desenvolver o gosto para a boa leitura. 5) Estudo coletivo (da classe) das tabuadas. 6º) Disciplina. 7º) Horário. 8º). Uniforme. 9º) Responsabilidade. 10º) Contrôle nos horários de programas de televisão. Essas normas foram dadas ao conhecimento dos pais para que cooperassem com a escola em benefício dos filhos. (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1971, p. 6).

 

Ainda nessa reunião, solicitou-se auxílio espontâneo e financeiro dos pais para compra de material escolar, esse auxílio recebido foi depositado pela tesoureira da associação.

Na reunião da Associação de Pais e Mestres, realizada em agosto de 1973, buscou-se tratar de assuntos relacionados com a criança, para isso, mencionou-se sobre o que se esperava e os objetivos concretizados, além disso, houve a entrega das avaliações realizadas pelas crianças e foram solicitados auxílio dos pais na cooperação da realização das tarefas pelos filhos. Durante essa reunião, houve um convite para os pais e mestres participarem de uma festa organizada pelas normalistas e alunos do Instituto de Educação “Fernando Costa” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1971).

Em fevereiro de 1974, a finalidade da reunião da associação em questão, consistia em inserir os pais em contato com a escola e com o planejamento escolar. Solicitou-se que os pais auxiliassem na hora de entrada, saída, na limpeza da escola e observassem os uniformes, as tarefas dos filhos, assim como o excesso de programas de televisão assistidos por esses. Foi solicitado o auxílio espontâneo dos pais para a compra de material escolar dos alunos e a tesoureira depositou na caixa o auxílio recebido (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1971).

Em fevereiro de 1975, na reunião da associação em questão, ocorreu a formação do conselho deliberativo e fiscal da Associação de Pais e Mestres.

Além desses temas, na reunião da Associação de Pais e Mestres do Instituto de Educação “Fernando Costa”, também foi tratado sobre o tema avaliação em que foram estabelecidos conceitos para as avaliações, compreendendo que se deveria evitar que a criança soubesse dos resultados e em uma das reuniões, entregaram-se as provas dos filhos aos pais (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1971).

Em outra reunião da associação em questão ocorrida em setembro de 1971, foram apresentados trabalhos realizados pelos alunos nos meses de agosto e setembro. Houve uma conversa com os pais dos alunos que apresentaram “problemas”, mostraram-se as notas, as avaliações e foi solicitado apoio dos pais para a assistência aos filhos. Explicou-se aos pais sobre as provas finais e que os alunos da 1ª e 4ª série seriam aprovados automaticamente, mas os alunos da 2ª série do Instituto de Educação somente seriam aprovados se obtivessem 50 de média (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1971).

Na busca dessa relação era mostrado para os pais os trabalhos realizados a partir das avaliações bimestrais, dos boletins e dos trabalhos realizados em classes. Dessa forma, a relação entre o Curso Primário Anexo ao Instituto de Educação “Fernando Costa” e os pais dos alunos, não era uma relação em que os pais poderiam participar efetivamente da transformação da instituição, mas era uma relação em que visava que os pais fizessem cumprir normas estabelecidas pela diretora e pelos professores do curso.

Para finalizar este Capítulo em que foram apresentados aspectos fragmentários das vivências dos membros participantes do Instituto de Educação “Fernando Costa”, é possível constatar que os diretores dessa instituição, tinham uma relação de reconhecimento por parte dos inspetores escolares estaduais que os elogiavam pelo trabalho realizado.

Diretores que supervisionavam os professores que realizavam atividades para além da sala de aula e que eram influentes na sociedade prudentina. Professores que trabalhavam diretamente com os alunos que eram punidos quando se desviavam das normas e alunos que se formavam em locais de destaque da cidade de Presidente Prudente/SP, tendo pais que não participavam diretamente da instituição, mas eram aproximados do Instituto de Educação “Fernando Costa” em questão, a fim de auxiliarem no cumprimento das normas estabelecidas pelos gestores.