Espaço e lugar privilegiado para formação de professores
3.3.3 Alunos e professores: o Clube de Química
Portanto, há indícios de que o ensino para os alunos do Curso Primário Anexo à instituição pesquisada, considerava a classificação, em um primeiro momento para verificar a possível “maturidade da criança” para a alfabetização e constituírem classes que fossem o mais homogêneo possível, ou seja, para classificar e posteriormente, os alunos eram avaliados de acordo com respostas escritas e memorizadas a partir de conteúdos solicitados.
3.3.3 Alunos e professores: o Clube de Química
Este tópico, está relacionado com a participação dos alunos e professores no Clube de Química do Instituto de Educação “Fernando Costa”, enfocando a maneira que os membros desse clube participavam das atividades que estavam relacionadas dentro e fora da instituição. É importante considerar que na pesquisa realizada cujo resultado está neste livro, foram localizados que no Instituto de Educação em questão havia três clubes, a saber, de Estudos Pedagógicos, de Sociologia e de Química.
O Clube de Estudos Pedagógicos estava relacionado com os alunos do Curso Normal e do Curso de Aperfeiçoamento da instituição pesquisada, nesse clube, buscava-se a colaboração dos alunos do Curso de Aperfeiçoamento e a cooperação em favor da criança e em favor da renovação dos métodos de ensino (SECÇÃO..., 1954d).
A responsável pelo Clube de Estudos Pedagógicos era a professora Helena Faria e pelo Clube de Sociologia era o professor David Serra lente de sociologia que realizava excursões com membros do clube. Em 1957, fizeram uma excursão para Presidente Epitácio/SP, juntamente com os sócios do Clube de Química (EXPLICAÇÕES..., 1957).
O Clube de Química do Instituto de Educação “Fernando Costa” iniciou-se em 27 de setembro de 1952, ou seja, antes dessa instituição ser instalada e tinha como objetivo subsidiar aulas práticas dos alunos dos últimos anos do Curso Colegial e científico.
Esse objetivo foi alterado a partir de 1964, quando em uma das reuniões da diretoria do Clube de Química, foi mencionado que o laboratório de química poderia ser acessado aos sócios de segunda, quinta e sábado independente das aulas práticas do Curso Colegial científico (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
O início do clube ocorreu com alunos orientados pelo professor Rubens Correa Leite que ministrava aulas de Química no Colégio
Estadual e Escola Normal “Fernando Costa” 33, esse clube tinha como parceria, a prefeitura municipal da cidade. Segundo Ribeiro (1999), Rubens permaneceu como orientador do clube até o ano de 1959, quando foi substituído pelo professor Darcy Ribeiro Marcondes.
No ano seguinte, com a transformação da instituição em Instituto de Educação, o Clube de Química permaneceu relacionado com o Curso
Colegial e era “[...] um apoio para si e para os alunos normalistas [...]34” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964, p. 7).
Há indícios de que nos primeiros anos de funcionamento do clube, ele foi instalado em um prédio diferente do prédio do Instituto de
Educação “Fernando Costa”35. Posteriormente, em 1963, o Clube de Química passou a funcionar no fundo do edifício da instituição
pesquisada36.
Em 1954, foi realizada uma campanha que envolvia a doação de dinheiro para a construção de um laboratório do Clube de Química desse Instituto de Educação. Ainda nesse ano, um ano após a instalação do Instituto de Educação “Fernando Costa” iniciaram-se as obras da construção do laboratório do Clube de Química e em 1956,
esse laboratório funcionava 37. (COLÉGIO E INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, ata, 1953-1955).
No ano de 1956, o Clube de Química recebeu uma doação em dinheiro do prefeito da capital de São Paulo, que seria utilizada para a compra de aparelhos para o laboratório do clube e ainda auxiliaria no término do salão de experiência (CR$ 20.000,00 AO CLUBE..., 1957).
Em 1957, em umas das reuniões é mencionado sobre a inauguração do laboratório que não estava finalizado, mas eram disponibilizadas todas as manhãs aos alunos dos terceiros anos do curso científico, na
Figura 17, é possível visualizar esse laboratório:
Figura 17 - Clube de Química do Instituto de Educação
“Fernando Costa”
Fonte: (CR$ 20.000,00 AO CLUBE..., 1957)
Em 1958, o laboratório do Clube de Química não havia sido finalizado, pois em uma reunião da diretoria do Clube de Química o tesoureiro propôs uma campanha para que fosse finalizada a construção do laboratório de Química (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
O Clube de Química se constituía como um espaço de estudos colaborativos independentes entre os alunos, pois havia aulas diárias de reforços em que os alunos adiantados nos conteúdos auxiliavam os demais. Para que se buscassem os aprendizados havia uma biblioteca especializada geral científica que foi criada pelos alunos que doaram livros e os alunos do Curso científico doaram 15 mil cruzeiros para a compra de livros. Com esse valor, o orientador do clube, o professor Rubens Correia Leite, compraria em São Paulo os livros relacionados com química (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Além desses, para a biblioteca, foi solicitado que os sócios desse clube, as faculdades e os cursinhos auxiliassem financeiramente. A busca pela organização da biblioteca permaneceu por anos, pois em 1961, quatro anos depois, os responsáveis pela biblioteca do Clube de Química ainda estavam solicitando doações de livros (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Esse clube era formado por uma diretoria composta do presidente, vice-presidente, 1º e 2º secretário, 1º e 2º tesoureiro, orador, diretor social, diretor esportivo, diretor de publicidade e comissão de festas, sendo que a partir de 1960, além desses, passa-se a ter o bibliotecário (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964) e essa diretoria era composta de professores e alunos.
Foram presidentes do Clube de Química, os alunos Tadashi Yamagushi e José Andreata em 1952, Ciro Bergamashi, em 1953 e Régio Marzio Funari, em 1956 e 1958 (CR$ 20.000,00 AO CLUBE..., 1957).
A diretoria do Clube de Química da instituição pesquisada, era formada por eleição em que os sócios do clube votavam em
assembleia e escolhiam a chapa 38 que venceria (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964). Para isso, era realizada campanha eleitoral e em 1954, às 21h, na quadra de basquete do Instituto de Educação, os candidatos a presidente e a orador do clube se dirigiram aos alunos-eleitores do Curso Colegial (PEIXOTO, 1954a).
Os sócios do Clube de Química pagavam mensalidades, localizou-se que os sócios desse clube pagavam 100 cruzeiros por mês e recebiam uma carteirinha de sócios (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
O sócio do Clube de Química deveria ser aluno ou antigo aluno do instituto, entretanto, não era permitido que todos os alunos participassem como no caso em que dois alunos foram impedidos de serem sócios desse clube, pois eram considerados como “[...] elementos nocivos ao quadro de sócio desde que viveu maldizendo o clube e desfazendo dos membros da diretoria.” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964, p. 19).
Havia uma preocupação com o número de sócios desse clube, como em maio de 1959, quando se mencionou na reunião da diretoria do Clube de Química sobre a necessidade de realizar um apoio para se ter presente mais sócios no clube, como é explicitado a seguir:
[...] o presidente do Conselho e orientador do clube de química, o prof. Darcy Marcondes nesta ocasião falou aos representantes da classe e demais membros dessa diretoria, como se encontrava a situação do clube, quer na parte financeira, social, e pedindo um incentivo para as aulas práticas, fêz um apelo aos representantes que assumissem o maior número de sócios possíveis, pois sem isso o clube não poderia movimentar-se, não podendo
realizar as excursões científicas, pedagógicas39 que estão programadas para êste ano. (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964, p. 1).
Dentre os benefícios dos sócios do clube estava a participação em científicas realizadas pela diretoria do Clube de Química. Além dessas, em 1962, os sócios do clube passaram a ter assistências que não havia antes, ou seja, passaram a ter os seguintes descontos: 35% em consulta com o Dr. Adônio, 20% com o dentista Nivaldo Grigalli, 10% na farmácia São Sebastião, 10% na sapataria Pigalle, 5% na Loja Regência, 10% na Lojas Irene de roupa, 10% de livros na livraria Godoy e 5% nos artigos escolares (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas,
1956-1964)40.
O Clube de Química também realizava atividades de competições em esportes, palestras, exposições e participava na construção de aspectos físicos da instituição pesquisada. Para isso, buscava arrecadar dinheiro com: “brincadeiras dançantes” realizadas aos sábados e domingos, bailes, concursos de beleza, entre outras atividades em que era cobrado o valor da entrada aos participantes (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Dentre as palestras, em 1956, teve uma com um tema sobre o petróleo e os minerais atômicos que foi ministrada pelo Dagoberto Sales e dentre as exposições nesse mesmo ano foi realizada uma sobre a força atômica e em 1957 sobre o algodão e a riqueza mineral do país (CR$ 20.000,00 AO CLUBE..., 1957).
Em 1954, houve um conflito do Clube de Química relacionado com a criação de uma faculdade na cidade, pois a Câmara Municipal de Presidente Prudente/SP aprovou um requerimento para a elaboração de uma comissão para colaborar na campanha que buscasse a criação de uma faculdade na cidade. A comissão foi nomeada e após isso, um professor, presidente do Clube de Química publicou um ofício na imprensa em que
[...] em termos pouco corteses, taxava de inutil a propositura aprovada pela edilidade, dispensando mesmo a colaboração bem intencionada do legislativo, uma vez que, segundo afirmava o ofício, a campanha pela criação das faculdades era de iniciativa exclusiva do Clube de Química, e êste não estava disposto a admitir intromissão politica no seu trabalho. A Câmara que fechasse o “bico”, porque as faculdades já vinham vindo por ai, mercê do prestígio e da atuação desassombrada do Clube de Química, que tudo fez e tudo conseguiu. (VOTO..., 1954, p. 1).
Um vereador da cidade criticou o ofício e comprovou com documentos que antes da existência do Clube de Química ele e a câmara estavam envolvidos em várias causas do ensino da cidade inclusive da faculdade. Depois foi revelado que o autor intelectual do ofício foi um político local tido como “fracassado” (VOTO..., 1954, p. 1).
O Clube de Química tinha um relacionamento conflituoso com as normalistas do Instituto de Educação “Fernando Costa”, como é possível constatar em 1957, quando a diretoria desse clube após mencionar que as normalistas criticavam o clube decidiu:
[...] cortar essas relações [com as normalistas] pois elas gozam desse direito mais que um sócio. [...] Fica deliberado que a partir desta data o clube de Química corta os direitos com o clube de Pedagogia, das regalias que tivemos até agora e pedimos a retirada dos materiais o mais breve possível. O senhor Antonio disse que as normalistas necessitam de livro e então será ruim se fecharmos a sede para elas [...] nada deve ser comentado antes do fim dos exames. (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964, p. 25).
Apesar de o Clube de Química ter tido um relacionamento conflituoso com as normalistas, é possível constatar indícios de que o Clube de Química tinha um relacionamento amigável com o Órgão de Cooperação Escolar, pois em novembro de 1956, esse órgão desejava realizar um empréstimo financeiro ao clube para a compra de um amplificador (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Relacionamento que também é possível verificar com o Clube de Sociologia, quando o Clube de Química em 1958, emprestou sua sede para que esse outro clube mencionado pudesse utilizar para as reuniões (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Dessa forma, o Clube de Química da instituição pesquisada, tinha uma diretoria que realizava reuniões. Entre 1956 e 1964, essa diretoria, realizou 61 reuniões, dessas, em 24 foram tratados de aspectos financeiros do clube, ou seja, de desfiles de moda, bailes, rifas, concursos de beleza, brincadeiras dançantes e venda de flâmulas para arrecadar dinheiro para o clube. Em 36 reuniões não foram tratados dos aspectos financeiros do clube e em uma reunião não foi possível identificar o que estava manuscrito na ata.
A seguir no Quadro 8, apresentam-se os principais temas tratados nas reuniões em que foram mencionados os aspectos financeiros do clube:
Quadro 8 – Temas das reuniões do Clube de Química que foram
tratados de aspectos financeiros
TEMAS DAS REUNIÕES QUANTIDADES DAS
REUNIÕES
Desfile de moda 1
Bailes e concurso de beleza 15
Festa 1
Rifas 3
Venda de flâmulas 1
Levantamento da situação financeira do clube 2
Balancete de campanha em que envolveu 1 livros, cartazes e lanches
Total 24
Fonte: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas (1956-1964).
Em relação aos “Bailes e concurso de beleza” havia o concurso intitulado Rainha do Algodão em que o Clube de Química escolhia moças tidas como bonitas, elegantes e simpáticas. Após isso, havia a venda de votos (principalmente pelas candidatas escolhidas) e a moça que vendia mais votos era coroada como rainha.
Para a coroação da rainha era realizado um baile em que se cobrava a entrada, cada moça representava uma fábrica da cidade de Presidente Prudente/SP. Em 1956, o Clube de Química escolheu nove moças, uma delas era Luciria Pessutti que é possível visualizar a
seguir, com a Figura 18:
Figura 18 - Candidatas ao concurso do Clube de Química do
Instituto de Educação “Fernando Costa”
Fonte: (EMPOLGA..., 1956).
Nesse ano, o baile do concurso em questão seria realizado em agosto no salão da agência Volkswagen cedido pelo gerente, por intermédio da Associação Comercial. Ao tratar desse baile em entrevista ao jornal O Imparcial o estudante Régio Marzio Funari presidente do Clube de Química, mencionou que o baile seria “[...] noite de gala, para a nossa sociedade, que disputam o honroso título de rainha e consequentemente o título de representante da beleza feminina [...]” (EMPOLGA..., 1956, p. 1).
Na segunda imagem da Figura 18, tem-se Dina Nardi que era uma professora da Escola Primária em Presidente Prudente/SP e Pirapozinho, segundo Dina, se ela ganhasse o concurso, ela faria tudo “[...] no sentido de bem representar a elegância Prudentina.” (CANDIDATA..., 1956, p. 1). Assim, o baile realizado pelo Clube de Química para arrecadar dinheiro estava além do caráter financeiro.
As necessidades financeiras do clube eram diversas e dentre as necessidades para tratar de aspectos financeiros nas reuniões do Clube de Química, estavam os gastos com excursões científicas, com palestrantes e com dívidas financeiras. Como é possível constatar em agosto de 1956, quando houve uma reunião do Clube de Química da instituição pesquisada em que foi tratada da realização do Baile de Algodão Doce e da venda das flâmulas, que não possibilitaram o lucro que a diretoria do clube pretendia para saldar a dívida com a Associação Comercial, por isso, realizariam outro baile.
Assim, a partir, da realização desse outro baile, em setembro de 1956, foram quitados os gastos do clube em questão com a associação comercial, contudo, na reunião realizada em outubro de 1956, é mencionado que o clube estava com uma dívida de 32 mil cruzeiros (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Além disso, a arrecadação de dinheiro também era para aperfeiçoar o próprio Clube de Química, como em julho de 1957, quando os membros da diretoria do clube mencionaram que o baile realizado pelo clube resultaria na instalação de uma biblioteca, para isso, solicitaram auxílio ao Rotary clube da cidade, para vender convites dos bailes (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
A realização de atividades para arrecadar dinheiro para o Clube de Química gerava conflitos entre a diretoria desse clube que nas reuniões mencionava que determinados integrantes não trabalhavam.
A exemplo tem-se, julho de 1956, quando um professor que era diretor de publicidade do clube, foi criticado por demorar a realizar a organização de um baile. Após essa reunião mencionada, houve outra em que foi lida uma carta do professor criticado e nessa carta esse professor solicitou a demissão dele do cargo, mencionando que não estava cumprindo com as suas obrigações de diretor de publicidade (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Além desse conflito, ressalta-se que em novembro de 1957, o presidente do clube em questão, mencionou que todos os membros da diretoria do clube naquele ano não contribuíram de maneira eficaz realizando poucas ações e não foram atingidos os objetivos. Com isso, um professor respondeu que a gestão ficou sem dívidas e “[...] atribuiu ao senhor presidente palavras muito pesadas e severas.” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964, p. 36).
O livro de ata das reuniões da diretoria do Clube de Química contém registros a partir de junho de 1956 e em setembro de 1956, teve-se o primeiro registro na ata da diretoria do Clube de Química em que não foram tratados de assuntos relacionados com a arrecadação de dinheiro, mencionando que o clube iniciaria a realização de debates de natureza química e faria excursões (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964). Nas reuniões que não foram tratados dos aspectos financeiros, foram tratados dos seguintes aspectos:
Quadro 9 – Temas das reuniões do Clube de Química que não trataram
de aspectos financeiros
QUANTIDADE
TEMAS DAS REUNIÕES DAS
REUNIÕES
Competição e\ou excursão 2
Aspectos de organização do clube 2
Queixas sobre membros da diretoria que não
1
comparecem às reuniões
Avaliação do ano 3
Planejamento da conferência sobre petróleo e sobre
41 1
minerais atômicos
Construção do prédio de química 1
Eleição para a diretoria do clube de química 5
Posse ou organização da posse para a diretoria do
13
clube de química
Necessidade do clube ter mais sócios 1
Criação de comissões auxiliares. 1
Reinício do Clube de Química42 2
Orientação para a nova diretoria do Clube de
1
Química
Vantagens dos sócios do Clube de Química 1
Participação do clube na construção da quadra de
2
esportes do Instituto de Educação “Fernando Costa”
Total 36
Fonte: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, (1956-1964).
Em relação aos temas do Quadro 9, ressalta-se a construção da quadra, pois em 1960, um engenheiro de esportes visitou a instituição em questão e certificou que realizaria a construção de uma nova quadra de jogos por reconhecer que a quadra não apresentava “[...] condições satisfatórias e a sua reforma seria desaconselhável.” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO ata, 1959-1966, p. 16).
Porém, essa quadra não foi construída, pois em 1964, na sede social do Clube de Química a diretoria desse clube realizou uma reunião em que foi decidido que o clube participaria da construção da quadra de esportes do Instituto de Educação “Fernando Costa”. Para isso, a fim de arrecadar verbas, o clube decidiu participar da quermesse da cidade.
Além dessas atividades mencionadas, o Clube de Química participava de competições de esportes e em 1956. Na semana da pátria, recebeu a primeira taça em que ganharam na modalidade de bola ao cesto masculino. Para essas competições havia um treinador de esportes e uniformes específicos (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Dentre as atividades que não trataram de aspectos financeiros, destaca-se a que ocorreu em novembro de 1956, em que a diretoria do clube em questão decidiu que haveria a “Semana do Clube de Química”. (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Em agosto de 1960, na reunião do Clube de Química foi tratado da conferência que seria realizada no salão nobre da prefeitura da cidade pelo professor da faculdade de Assis/SP, foi decidido que as despesas com esse professor seriam repartidas com o clube de química, clube de sociologia e se necessário com a casa dos estudantes (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Depois dessa reunião mencionada, a próxima ocorreu após um ano e há indícios de que o clube havia finalizado seu funcionamento, como na reunião de agosto de 1961, em que o professor Elias sentiu “[...] a necessidade de restauração do Clube de Química [...]” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964, p. 48), nesse mesmo ano, foi aprovada a reforma da sede do clube. Em 1963, o Clube de Química, encerrou seu funcionamento e em maio de 1964, o clube passou a funcionar novamente.
Em maio de 1964, na primeira reunião da nova diretoria do Clube de Química, após um ano sem diretoria “Tratou-se na ocasião de saber se havia verba do clube [...] [não se sabia de quanto], pois o clube estava há um ano ou mais sem diretoria e toda a verba estava entregue a direção do I.E.” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964, p. 66).
Há indícios de que o funcionamento do Clube de Química do Instituto de Educação “Fernando Costa” ocorreu até agosto de 1964, pois as atas das reuniões da diretoria desse clube foram registradas até esse ano e as próximas folhas permaneceram sem registros (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Ressalta-se que o Clube de Química estava mais relacionado com o Curso Colegial, era um espaço efetivo de participação de alunos e professores. Os sócios desse clube, eram alunos ou antigos alunos da instituição que pagavam mensalidades que eram revertidas em palestras, excursões científicas, instalação de biblioteca, construção da quadra de esportes, dentre outros aspectos da instituição.
Diante disso, em 39,3% das reuniões realizadas pelo Clube de Química, foram tratados dos aspectos financeiros, especificamente de planos para arrecadarem dinheiro, fato que também gerava conflitos entre os integrantes do clube.
Com isso, o Clube de Química da instituição pesquisada, na busca de arrecadar verbas financeiras para realizar suas atividades, tornou-se um clube social com a participação de alunos e professores, realizando atividades além do espaço institucional, lutando pela faculdade da cidade e trazendo bailes que se tornaram tradição para a cidade.
Como mencionado, o Clube de Química da instituição pesquisada, realizava excursões visitando indústrias, refinarias, cursos e etc. (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
As excursões Realizadas pelo Clube de Química eram tidas como iniciativa do professor Rubens Côrrea Leite “[...] catedrático de química do Instituto que já realizou outra grande excursão. Como vimos é um professor que toma a si todas as responsabilidades de tão grande realização e responsabilidade.” (PEIXOTO, 1954b, p. 3).
Em 1953, a excursão consistiu na ida até o Colégio Estadual e Escola Normal de Assis, na ida a oficinas e Curso de Aprendizagem da destilaria e fábrica de refrigerante efetuando-se várias competições esportivas. Ainda nesse ano, foram para São Paulo onde visitaram Diários Associados, o Palácio do Governo e a Assembleia Legislativa. Visitaram em Mogi das Cruzes/SP, a Industria de Artigos Refratários, a Fábrica de Papel e a Fábrica de Porcelana Mogi Ltda (CR$ 20.000,00 AO CLUBE..., 1957).
Em maio de 1954, os alunos do Curso Colegial da instituição pesquisada, visitaram Mogi das Cruzes/SP. Para isso, o Clube de Química recebeu a doação de 30 passagens pelo diretor da Estrada de Ferro Sorocabana. Nessa excursão, o objetivo eram os alunos estudarem a usina siderúrgica da Mineração Geral do Brasil, a Industria Brasileira de Artigos Refratário e a indústria Nitro Química Brasileira (PEIXOTO, 1954b).
Em 1956, em excursão a São Paulo visitaram os Diários Associados, Instituto Butantã e o Instituto Adolf Luiz em São José dos Campos, a Indústria Tecnológica de Artefatos (Ita), a Destilaria do Petróleo Ucião, e em Mogi das Cruzes/SP, visitaram o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Mineração do Brasil (CR$ 20.000,00 AO CLUBE..., 1957).
Em setembro de 1956, participaram o Ginásio e o Curso Normal do Instituto de Educação “Fernando Costa”. Após essa excursão, em reunião da diretoria do Clube de Química, mencionou-se que os alunos que faltaram seriam punidos. Relatou-se que não poderiam participar das excursões os alunos que não fossem sócios do clube em questão (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964).
Em novembro de 1956, em reunião do Clube de Química, foi mencionado que o Instituto de Educação em questão, ao relatar sobre
as excursões mencionou que “[...] as normalistas43 só foram namorar e passear em São Paulo e uma prova disto podemos ver na visita ao Senai, elas estavam dormindo na classe diante de um assunto que muito lhes interessavam [...]” (INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, atas, 1956-1964, p. 25). Nessa reunião, também foi mencionado que as normalistas fizeram um trabalho sobre a excursão que foi “mal feito” e não foram registrados o nome do excursionista que era o Clube de Química.
Diante do exposto, constata-se que o Clube de Química da instituição pesquisada, fazia excursões para os sócios desse clube. Essas excursões consistiam em visitas a refinarias, indústrias e cursos. Após essas excursões, há indícios de que os alunos deveriam realizar trabalhos sobre as visitas, ou seja, as excursões consistiam em instrumentos de ensino e avaliação aos alunos do Ensino Secundário do Instituto de Educação “Fernando Costa”. Baseados nas vivências, na experimentação, ressalta-se que em 1956, os alunos que faltassem a excursão sofreriam punições.
Ao apresentar o Clube de Química do Instituto de Educação “Fernando Costa” foi possível constatar que em meio à importância desse clube e a participação de alunos e professores, havia muitos conflitos. Dentre esses, destaca-se os com as normalistas que desfrutavam dos benefícios que os sócios pagavam para poderem desfrutar. Além dos conflitos internos que ocorriam com os próprios membros do clube ao buscarem arrecadação de dinheiro para efetuar o pagamento das dívidas do clube.
Dessa forma, no Clube da instituição pesquisada, havia a predominância de conflitos por motivos financeiros, especificamente pela falta de dinheiro para excursões, palestrantes e para compor a biblioteca do clube. Falta que fazia com que realizassem e pensassem em diversas atividades que acabavam gerando conflitos, por discordância ou por ausência de cooperação de determinados membros.