Espaço e lugar privilegiado para formação de professores

Aline de Novaes Conceição · Capítulo 20 de 23

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Espaço e lugar privilegiado para formação de professores

Conclusão

 

Estudar um Instituto de Educação é complexo por ser uma instituição que abrangia diversos níveis de ensino. A complexidade aumenta ao se considerar que não é possível tratar de uma história genérica das Instituições Escolares, pois cada instituição é única e dessa maneira única teve suas fontes preservadas ou descartadas, fontes que quando preservadas muitas vezes são fragmentadas.

Verificou-se que não havia trabalhos acadêmicos tendo o enfoque do Instituto de Educação “Fernando Costa” e a pesquisa desenvolvida e apresentada neste livro, está no âmbito das pesquisas sobre Instituições Escolares que consideram a Cultura Escolar de cada instituição buscando examinar as singularidades.

Realizando uma pesquisa com abordagem histórica que se inicia na própria instituição, utilizando principalmente as fontes primárias do arquivo permanente do local pesquisado. Dessa forma, utilizou-se principalmente as fontes primárias (variáveis internas) sobre esse Instituto de Educação, buscando articular com os jornais e a legislação (variáveis externas).

A partir disso, constatou-se que na cidade de Presidente Prudente/SP, em 1953, ocorreu a transformação do Colégio Estadual e Escola Normal Dr. “Fernando Costa” em Instituto de Educação “Fernando Costa”.

O Instituto de Educação “Fernando Costa” funcionou por 22 anos. Enquanto que sua transformação em Instituto de Educação foi reconhecida como desenvolvimento pelos habitantes da cidade, a sua extinção para se tornar Escola Estadual de 2º grau, causou indignação e manifestações contrárias dos prudentinos.

No edifício em que teve o funcionamento o Instituto de Educação “Fernando Costa”, há o predomínio da arquitetura retílinea, das escadas e dos andares, tendo a representação da grandiosidade ao ocupar um quarteirão de um terreno localizado em uma região central da cidade. Constata-se que esse prédio não foi construído exclusivamente para ocupar esse Instituto de Educação, mas foi projetado e elaborado para a ocupação de uma determinada Instituição Escolar.

O Curso Primário Anexo do Instituto de Educação “Fernando Costa” “Fernando Costa” era utilizado pelo (a) professor (a) da disciplina “Prática de Ensino” na formação dos alunos do Curso Normal desse Instituto de Educação. Assim, constatou-se que os alunos que realizavam o Curso Primário nessa instituição, tinham um ensino diferenciado, com observação dos normalistas, com a participação de professores do Curso Normal e com o treinamento desses futuros docentes.

Para os alunos do Curso Primário Anexo ao Instituto de Educação “Fernando Costa”, em um primeiro momento, era considerada a avaliação para verificar a possível “maturidade da criança”. A partir disso, as crianças eram classificadas para que ocorresse a alfabetização em classes que fossem a mais homogênea possível. Posteriormente, os alunos eram avaliados de acordo com respostas escritas, memorizadas a partir de conteúdos solicitados pelos professores.

Nesse Curso Primário havia uma Associação de Pais e mestres que visava aproximar os pais da instituição, para estabelecer uma relação diretiva em que os pais eram dirigidos para auxiliarem a escola no trabalho com o filho e contribuírem financeiramente com a instituição.

No Ensino Secundário da instituição pesquisada, especificamente no Curso Colegial, havia um Clube de Química, que se tornou um clube social com atividades além do espaço institucional, com professores e alunos lutando pela faculdade da cidade e trazendo bailes que se tornaram tradição para Presidente Prudente/SP.

Esse clube continha uma dimensão econômica e um conflito existencial. Além disso, com esse clube eram realizadas excursões para os sócios, excursões que visavam ensinar aos alunos baseados nas vivências.

No Curso Colegial do Instituto de Educação “Fernando Costa” houve a maior quantidade de alunos. Tanto no arquivo permanente da Escola Estadual “Fernando Costa”, como nos jornais prudentinos, foram localizadas uma grande quantidade de fontes sobre o Clube de Química desse instituto.

Clube que auxiliava na formação de professores no momento em que possibilitava que os alunos do Curso Normal utilizassem os livros da biblioteca que foi instalada por esse clube. Além disso, esse clube trazia melhoria física para a instituição em que eram formados os professores, trazendo também palestras e realizando um ensino que ocorria como no curso de formação de professores, ou seja, com prática e experimentação.

Além desse clube, no Instituto de Educação “Fernando Costa” havia outros que contribuíam para a formação de professores, como o Clube de Estudos Pedagógicos que estava relacionado com os alunos do Curso Normal e do Curso de Aperfeiçoamento da instituição pesquisada. Nesse clube se buscava aprender, principalmente, sobre métodos de ensino.

Em relação aos membros da instituição pesquisada, é possível constatar que os diretores eram elogiados pelos alunos, professores e pelos Inspetores Escolares Estaduais. Os professores, além de ensinarem, preocupavam-se com atividades que pudessem dar visibilidade a instituição e ao seu trabalho e dentre o quadro de professores havia os influentes na sociedade que escreviam na imprensa e decidiam aspectos importantes para a cidade.

Os alunos do Curso Ginasial, do Curso Colegial, do Curso Normal e de Aperfeiçoamento do Instituto de Educação “Fernando Costa”, comumente eram selecionados com exames de admissão em que eram aprovados os alunos com as melhores classificações. Ser selecionado para estudar no Instituto de Educação “Fernando Costa” significava esforço e status e durante todo esse processo, a imprensa prudentina era utilizada, para a divulgação da abertura de vagas e do resultado final.

A formação que ocorria no Instituto de Educação “Fernando Costa” tinha conflitos que envolviam diretores, professores e alunos e esses conflitos eram solucionados de maneiras diversas. Dentre as soluções estavam as punições (advertências ou repreensões, suspensões e transferências ou expulsões) que visavam inculcar condutas aos alunos dessa instituição.

Com as condutas desejadas, abrangia-se o ato de se submeter aos funcionários, professores e diretores, cumprindo as normas que eram impostas e/ou vigiadas pelos sujeitos da instituição. Os alunos quando fossem se retirar da instituição, fora do horário combinado, deveriam solicitar autorização, também deveriam desfilar dos momentos cívicos da cidade, permanecendo em silêncio nas aulas e usando uniforme da instituição.

Constatou-se que o Instituto de Educação “Fernando Costa”, funcionou buscando um diálogo com a comunidade, que era possibilitado principalmente, com o Clube de Química e com o jornal da cidade. Jornal que atendia as reclamações de professores, alunos e da comunidade do Instituto de Educação, tendo um espaço específico para que uma professora dessa instituição publicasse textos que contribuíam com a formação dos professorandos.

Diante do exposto, foram apresentados elementos gerais do Instituto de Educação “Fernando Costa” que era um espaço e um lugar em que se privilegiava a formação de professores, tendo para isso, vários níveis de ensino. Assim, espera-se que este livro possa contribuir com o avanço do conhecimento na importante área da história da formação de professores e da história das instituições escolares.