Histórias de africanos e seus descendentes no sul da Bahia
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Cristiane Batista da Silva Santos
HISTÓRIAS DE
AFRICANOS E SEUS
DESCENDENTES
NO SUL DA BAHIA
ILHÉUS-BAHIA
2019
©2019 by Cristiane Batista da Silva Santos
Direitos desta edição reservados à
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PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
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CAPA
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FINALIZAÇÃO
Álvaro Coelho
REVISÃO
Pedro Carvalho Roberto Santos de Carvalho
Tess Chamusca
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
S237
Santos, Cristiane Batista da Silva
Histórias de africanos e seus descendentes no sul da Bahia [livro eletrônico]/ Cristiane Batista da Silva Santos. – Ilhéus, BA: Editus, 2019.
2.704 Kb; EPUB: il.
ISBN: 978-65-86213-21-8
1. Negros – História – Bahia. 2. Brasil – História – Abolição da escravidão, 1888. 3. Ilhéus (BA). 4. Camamu (BA). 5. Maraú (BA). 6. Canavieiras (BA). 7. Negros livres. I. Título.
CDD 981.42
Elaborado por Quele Pinheiro Valença – CRB-5/1533
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EDITORA FILIADA À
Versão digital: fevereiro de 2021
Agradecimentos
A lista na terra é extensa e a todos eles faltam palavras, sobra gratidão.
Já a lista espiritual, tenho a demanda de listá-los com o coração cheio de amor por tantas graças alcançadas:
A Nossa Senhora da Conceição de Ubatã.
A Nossa Senhora da Conceição do Cambuízo, São Benedito e São Sebastião de Maraú.
A Santo Antônio do Camamuzinho e o de Santo Antônio de Jesus.
A Santa Bárbara de Salvador.
A Maria Milza e Nossa Senhora do Rosário de Itaberaba.
A São Judas Tadeu de Jequié.
A São Jorge de Ilhéus.
Dedicatória
À negra forra Maria Alexandrina de Riachão Que se separou do pai de
seus filhos, o italiano Vicente Amâncio, e Veio para a beirada bandeirar
cacau e trabalhar numa fazenda de flores. Andava longas léguas atrás de
andores e/ou tambores, chás e banhos.
Essa era minha bisavó.
De bens, só tinha as filhas pequenas e os braços fortes para o trabalho. A
menor delas nasceu na roça, no tempo da Primeira Guerra, e recebeu o
nome da camponesa que viu a santa, Jacinta.
Esta tinha o pezinho amarrado com cipó no pé de mandioca, para não
sumir do alcance das vistas da mãe enquanto labutava na roça. Quando
fez sete anos, recebeu sua enxadinha e aprendeu a capinar.
Essa era minha avó.
Que casou com Chico, o Oleiro, e, fugindo da seca, souberam que no sul,
o cacau era promissor e recebiam migrantes negros e vieram labutar nos
cacauais. Rezava de olhado, quebranto e tudo que atravancasse o riso.
Também tiveram uma menina que, na roça, aos sete anos, já trabalhava
na lida com uma enxadinha.
Essa é minha mãe.
Que inculcou que entre o vestido ou comida ou a escola, que eu fosse
estudar. Junto com minha avó me pôs numa banca com o finado Mário de
manhã e me ensinava a rezar de olhado à tarde.
E juntando todas elas sou eu.
Nenhuma delas foi à escola formal, mas eu fui. Por isso, este livro nasceu
dessas quatro memórias, mulheres mães solteiras migrantes pardas e
negras às quais, a despeito das injunções do tempo, às minhas
ancestralidades negras femininas, orgulhosa e inteiramente, dedico.
Table of Contents / Sumário /
Tabla de Contenido
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Introdução
1. Paisagem oitocentista do sul da Bahia: lutas cotidianas no
ocaso do império
1.1 Ser escravizado na “Sicília da Bahia”: panorama
oitocentista das vilas do sul da Bahia
1.2 A sociabilidade oficialmente permitida: a festa na
irmandade
1.3 Do cotidiano da farinha à construção do pecúlio para
liberdade: barganhas e outras tramas
1.4 Festas e batuques na mira dos viajantes e chefes de
polícia
2. Tensões entre a luta pela liberdade e a sociabilidade proibida
2.1 Escravizadas, soldadas e seus ingênuos: “em vez de
vadios e mendigos, cidadãos educados na moralidade e
afeitos ao trabalho”
2.2 Crimes e conflitos entre festividades e resistências
cotidianas
2.3 Nas malhas da justiça: pela cor escura e em ações de
liberdade, às vésperas do 13 de maio
2.4 Comemorações pelo grito da liberdade
2.5 Racialização e festa: o temor de uns e os
divertimentos de outros no pós-abolição
2.6 Memorialistas e literatos: olhares sobre as festas
populares
3. Festas civilizadas da república e representações sobre o
negro nos jornais da elite cacaueira
3.1 Festas civilizadas e alianças políticas sob o ritmo das
filarmônicas
3.2 Imaginário sobre o negro nos jornais no pós-abolição
3.3 “Vae em marche aux flambeaux”: festas cívicas da
cidade republicana
3.4 Do entrudo ao carnaval: máscaras, clubes e releituras
sulistas da capital
4. Egressos do cativeiro entre a roça e os arrabaldes da
cidade: migrantes, fetichistas e desamparadas
4.1 O cacau definindo chegadas e partidas: mobilidades,
violências e prisões
4.2 “E o diabo se dissolveu na cachaça provocando
desordens”: samba, miudinho, candomblé e “mulatames”.
4.3 Vulgos de tal: contra a moralidade pública em
vadiações, sambas e divertimentos
4.4 Pardas, viúvas ou defloradas: histórias de
adversidades femininas no pós-abolição
Referências