Invocadores do Mal
Seção II. Fantasmas: fato ou ficção? Inofensivos ou perigosos?
SEÇÃO II.
Fantasmas: fato ou ficção?
Inofensivos ou perigosos?
Ed e Lorraine Warren sentaram -se com seus alunos, todos eles pesquisadores de fenôm enos paranorm ais, para com eçar a palestra daquela noite. O assunto eram os fantasm as. A m aioria dos presentes j á tivera algum tipo de experiência sobrenatural. Eram hom ens e m ulheres de idade variando dos 20 e poucos aos 60 anos. Havia universitários, donas de casa, com erciantes, executivos, m édicos e outros profissionais com doutorado. O grupo incluía tam bém policiais e detetives. No estacionam ento havia picapes velhas e carros econôm icos j á bem rodados, lado a lado com veículos luxuosos e caros.
Lorraine Warren apresentou-se aos m em bros m ais recentes do grupo.
“Não som os teólogos, cientistas ou filósofos. Som os apenas duas pessoas que confiam em seus sentidos – todos os seis. Meus dons de clarividência foram com provados na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA). Ed é um dem onologista respeitado. Há m ais de cinquenta anos tem os explorado fenôm enos paranorm ais no m undo todo, descobrindo certos padrões de com portam ento paranorm ais que não podem ser ignorados.”
Ed fez um a introdução ao assunto:
“Os fantasm as na verdade são alm as perdidas. Sua existência frequentem ente é negada, e eles não são reconhecidos nem pela com unidade religiosa, nem pela ciência. Ainda que haj a religiões que encoraj am a crença num a vida após a m orte, elas não im aginam seus seguidores passando a eternidade com o fantasm as e assom brando escadas. Em term os históricos, as ciências físicas descartaram totalm ente a noção dos espíritos.
“No entanto, desde Einstein, os cientistas descobriram que as bases de nossa existência são m ais etéreas do que reais. A m ecânica quântica agora teoriza que a energia e a m atéria são expressões de um a realidade m ais profunda em que partículas, cam pos energéticos e até o tem po se m isturam . Levou 2530 anos, m as a física contem porânea finalm ente abandonou a filosofia m aterialista grega, segundo a qual, se você não pode ver ou tocar algum a coisa, então ela não existe.
“Por outro lado, a interpretação antiga da Bíblia afirm a que existem dois lados na equação da existência. Um dos lados lida com o m undo m aterial, e o outro com o espiritual. Platão com parou nossa percepção da vida a observarm os som bras proj etadas num a parede, sem term os consciência da realidade m uito
m aior que produz as som bras.”[4]
“Ainda assim , m uita gente talvez concorde com Ebenezer Scrooge,[5] que a princípio achava que os fantasm as provinham m uito m ais de um a ceia
indigesta do que dos túm ulos”.[6] Mas, no final, até Scrooge passou a crer que os fantasm as não se deviam apenas à indigestão. Desde as prim eiras palavras escritas e faladas, a hum anidade vem relatando encontros com fantasm as. Isso continua até os dias de hoj e, apesar do am plo acesso à educação, da redução da superstição e de flutuações na popularidade da religião institucionalizada. Um núm ero grande dem ais de relatos apareceu em todas as culturas e classes sociais ao longo das eras para ser ignorado.”
Ed levantou-se e cam inhou pela sala enquanto prosseguia:
“Há tam bém um a certeza científica crescente de que existem dim ensões e forças que estão além de nossos sentidos físicos e da capacidade de nossos equipam entos tecnológicos m odernos. Nos dias de hoj e, a telepatia, a telecinese, a clarividência e a psicom etria são estudadas em laboratórios no m undo todo. A ciência tam bém sabe que ‘algo’ m antém unidas as partículas de um átom o, m as ainda não consegue ver ou isolar tais forças. A ciência j á sabe que existe m ais energia do que m atéria em todos os obj etos físicos – inclusive em nós. Hoj e podem os fotografar auras... e fantasm as.”
Lorraine pôs-se de pé para dizer:
“Ed e eu dam os risada quando, depois de cada palestra que apresentam os, alguém se levanta e invariavelm ente pergunta, ‘Vocês acreditam m esm o em fantasm as?’. Sim , acreditam os, m as crença tem m uito pouco a ver com isso!”
“Os fantasm as tam bém são gente”, disse Ed, com um a risadinha. “No entanto, nem todos os supostos fantasm as são fantasm as de fato. E nem todas as casas m al-assom bradas têm fantasm as. Elas podem ter algo m ais m undano, ou podem ter algo pior. Bem pior.
“O que Lorraine e eu vam os tentar fazer hoj e é ensinar a vocês com o interpretar fenôm enos espectrais. Vam os explicar que tipo de coisa procuram os e com o distinguim os um tipo de m anifestação de outro. Vocês tam bém vão aprender por que é tão im provável achar um pinguim nos trópicos quanto ser seguido por um fantasm a de verdade durante as férias. Existe tam bém um a grande diferença entre um aspirante a m édium e um clarividente legítim o, capaz de descrever um a im agem de form a tão vívida que um artista pode fazer um desenho que coincida com um a fotografia histórica. E falando nisso, passo a palavra a Lorraine.”
Ed sentou-se e Lorraine com eçou a andar pela sala enquanto falava.
“Muito poucos relatos de avistam entos de fantasm as envolvem de fato fantasm as. Os parapsicólogos concordam conosco nisso. Fora as fraudes, as ocorrências m ais observadas costum am ser resultantes de um a ‘im pressão parapsíquica’. Essa é um a m arca em ocional deixada por um a entidade que j á esteve viva, tanto hum ana quanto anim al.
“A probabilidade de serem deixadas im pressões parapsíquicas é m aior onde ocorreram m uitas em oções fortes, incluindo sofrim ento, m edo, ira, depressão e até alegria e am or. Cam pos de batalha, prisões e hospitais são locais frequentes para esses fenôm enos. Lugares onde ocorreu um assassinato, suicídio ou acidente trágico tam bém podem desencadear um a ‘reprise parapsíquica’. Em alguns casos, im pressões parapsíquicas são o resultado de um com portam ento hum ano repetitivo ou frequente, com o ir até um poço, trabalhar no j ardim , crianças brincando ou até o hábito de pendurar o chapéu ao chegar em casa.”
“Sob as circunstâncias corretas, um a experiência em ocional constante ou forte se repete com o um a gravação parapsíquica. Com o um a foto, essas im pressões precisam das condições certas para se revelar. Ainda assim , é o tipo de fenôm eno paranorm al que se apresenta para a m aioria das pessoas. Em bora apareça para pessoas diferentes em diferentes m om entos, ele ocorre sem pre no m esm o lugar, sem pre com a m esm a im agem ou evento.”
Lorraine fez um a pausa para pedir água e depois prosseguiu.
“Em seguida, tem os os espíritos hum anos incorpóreos de fato. Ed, eu e alguns profissionais da área fazem os distinção entre fantasm as e aparições. Um ‘fantasm a’ verdadeiro, no nosso m odo de ver, é um espírito incorpóreo que não é reconhecido pela pessoa que o vê. Um a ‘aparição’ é o espírito de alguém conhecido. Os encontros m ais frequentes com fantasm as verdadeiros são o que cham am os de ‘aparições de transição’. Essas entidades com frequência buscam entes queridos para inform á-los de que estão m ortos e que a vida continua após sua m orte física.”
“O que torna essas aparições ‘assustadoras’ é que o ente querido não descobre que a pessoa está m orta até algum tem po depois do evento paranorm al”, observou Ed. “Ainda, essas aparições norm alm ente surgem com o estavam no m om ento da m orte, que pode ter ocorrido em um acidente de carro, um assassinato ou num a batalha. Assim , essas aparições são sem pre inesperadas e às vezes horríveis de ver. É isso que dá aos ‘fantasm as’ sua m á reputação.”
Lorraine assentiu com a cabeça, tom ou um gole de água e continuou.
“O segundo tipo m ais avistado de fantasm as verdadeiros é o que cham am os de ‘aparição de crise’. Nesses casos, em geral um ente querido falecido retorna para confortar ou guiar aquele a quem visita. Às vezes o falecido volta para com partilhar um a celebração em fam ília ou para dar as boas-vindas a um bebê recém -nascido. A perturbação a algum a coisa que a aparição am ava em vida, e à qual dava valor, tam bém pode provocar um a visitação. De um m odo ou de outro, a entidade vem do ‘lado de lá’.
“Essas aparições causam m enos espanto e em geral são reconfortantes. Não é surpresa que estej am m ortas, e sem pre aparecem com o im agens saudáveis ou às vezes m ais j ovens do que a idade com que m orreram . Tanto aparições de transição quanto de crise podem aparecer em qualquer lugar e a qualquer hora, m as raram ente aparecem para outras pessoas e têm m enos chance de voltar a aparecer depois que a crise passou.”
“Existe outro tipo de espíritos de crise, que frequentem ente são cham ados
“Existe outro tipo de espíritos de crise, que frequentem ente são cham ados de anj os”, disse Ed, do outro lado da sala, e prosseguiu, “Lorraine e eu consideram os que qualquer entidade que não foi hum ana antes pode ser cham ada de ‘espírito’. Há espíritos bons e espíritos m aus. Já houve m uitos relatos de espíritos bons – m uitas vezes em form a hum ana sólida – surgindo em locais de acidentes, hospitais ou leitos de m orte. Tais indivíduos trazem conforto ou salvam vidas, e depois se descobre que ninguém os conhecia, antes ou depois do evento.”
“É verdade”, disse Lorraine. “Ed e eu fom os abençoados com alguns encontros desses ao longo de nossas vidas. No entanto, quando a m aioria das pessoas pensa em fantasm as, pensa em um ser invisível ou etéreo, que assom bra o m esm o lugar há eras. Esse tipo de fantasm a real é o m ais raro, m as é o que tem m aior probabilidade de ser o protagonista das m elhores histórias de fantasm as. Os fantasm as presos à Terra não viaj am , podem existir por séculos e com frequência ficam dorm entes por longos períodos. Os fatores que desencadeiam sua m anifestação estão ficando m ais fáceis de prever, e m uitas vezes fazem sentido depois de um a investigação parapsíquica cuidadosa.
“A razão m ais com um para esses espíritos ficarem presos a nosso m undo é que eles realm ente não sabem que estão m ortos. Isso pode resultar de um acidente ou de um assassinato em que a m orte foi totalm ente inesperada. Fantasm as desse tipo podem perm anecer no lugar onde o espírito deixou o corpo, ir para algum lugar fam iliar, ou ficar no local onde o corpo foi preparado ou enterrado.”
“É por isso que se encontram fantasm as num local onde ocorreu um assassinato ou acidente trágico”, acrescentou Ed. “Outros locais com uns são hospitais, onde pessoas estão doentes e m orrem , ou em funerárias, para onde m uitos corpos são levados. Ainda, se alguém m orreu em um acidente em outro local, o fantasm a confuso pode m uito bem aparecer em sua casa, por ser o lugar para onde ia no m om ento da m orte.”
“Há outras razões pelas quais os fantasm as perm anecem presos na Terra”, prosseguiu Lorraine. “Alguns sentem que têm negócios pendentes aqui e não podem descansar até concluí-los. Outros sim plesm ente se recusam a fazer a passagem , por sentir que não m erecem aquilo que é prom etido. Alguns sim plesm ente são teim osos, determ inados a nunca deixar seu lar ou algum outro lugar.”
“O interessante é que nunca encontram os um fantasm a que buscava vingança ou corrigir um a inj ustiça”, acrescentou Ed. “Muitos estão tentando entender o que lhes aconteceu, e por quê. Alguns estão de fato tentando com unicar o perdão a seu assassino. Nesses casos, é a culpa do assassino que não perm ite que esses espíritos descansem .
“Os próprios fantasm as foram atribuídos à superstição, m as, para com plicar as coisas, fenôm enos espectrais estim ulam ainda m ais superstições em todas as culturas. O folclore europeu, por exem plo, supõe que fantasm as só podem ser vistos à noite, m oram principalm ente em cem itérios e não podem cruzar água corrente.
“Os fantasm as são vistos de noite e de dia. O etéreo, porém , é m ais visível de noite. Além disso, as pessoas tendem a perceber m ais os fenôm enos durante a noite, quando estão m enos distraídas. Em bora os cem itérios sej am lugares com atividade paranorm al garantida, encontros com fantasm as podem ocorrer praticam ente em qualquer lugar. Aparições de transição e de crise e todos os espíritos não hum anos – tanto bons quanto m aus – são capazes de se deslocar no espaço e com certeza o fazem , e até cruzam a água. Alguns fantasm as hum anos chegam a residir na água, onde podem ter m orrido.
“Ainda, para essas entidades incorpóreas se m anifestarem com o algo que podem os ver, sentir, ouvir ou pressentir, a energia é frequentem ente extraída do am biente. Os recursos incluem tem pestades – com o a fam osa ‘noite escura e tem pestuosa’ –, aparelhos eletrônicos e eletricidade, vida vegetal, ou m esm o o calor corporal. Se nosso calor corporal for usado, sentirem os que o aposento está frio, em bora a tem peratura am biente não m ude de fato.”
“Muita gente acha que todos os fantasm as são transparentes. No entanto, alguns avistam entos envolvem m anifestações sólidas. Por exem plo, num a noite de inverno de 1992, um transform ador estourou do lado de fora de um cem itério em Monroe, no estado de Connecticut. Um cam inhão de bom beiros que foi até o local não pôde desviar de um a m ulher que pareceu se m aterializar do nada.Testem unhas no cam inhão e no carro que vinha logo atrás afirm am ter visto ‘um a m ulher de branco’ logo antes de o cam inhão atingi-la. Apesar dessas testem unhas fidedignas e do dano significativo sofrido pelo cam inhão, nenhum a
m ulher foi encontrada.”[7]
“Fantasm as presos à Terra tam bém estão m ais propensos a serem vistos por crianças, anim ais e clarividentes”, disse Lorraine. “Com o m ostra o film e O Sexto Sentido, os clarividentes, em sua m aioria, ficam tão confusos e assustados com o que ‘veem ’ com os olhos da m ente quanto ficaria qualquer um que visse a m esm a coisa com os olhos físicos. Crianças m uito pequenas e clarividentes m uitas vezes encaram tais visões com naturalidade... no início. Mas, quando se dão conta de que as outras pessoas não veem as m esm as coisas, e que ficam com m edo do que é revelado, essas crianças clarividentes ficam tão assustadas quanto elas.”
“Quando era pequena, Lorraine aterrorizou algum as freiras com suas visões”, com entou Ed, fazendo os estudantes rirem . “Bem com o acontece no film e O Sexto Sentido, às vezes fitas m agnéticas e film es podem registrar vozes e im agens que não são audíveis ou visíveis a nossos ouvidos e olhos. Lorraine tem conseguido descrever im agens que depois apareceram em fotos tiradas na m esm a ocasião. No entanto, nenhum a outra pessoa presente na m esm a sala e na m esm a hora viu tais vultos. É por isso que todo bom investigador parapsíquico deve levar consigo um bom m édium . Eu achei um a que tam bém m e m antém bem alim entado.”
De novo, todos riram .
“Mas falando sério”, Ed interrom peu, “em geral os próprios fantasm as estão assustados e confusos. Essas entidades têm consciência de si m esm as, m as em geral não estão conscientes de sua m orte física. Não sofrem dor física, m as a capacidade de sofrer dores em ocionais perm anece. Ironicam ente, são essas questões em ocionais, não físicas, que as m antêm presas a nosso m undo físico. Tam bém têm um sentido diferente do tem po. Para elas, cem anos atrás são com o ontem .”
“Em se tratando de fenôm enos paranorm ais, ainda m ais raro é o ‘poltergeist’, um fantasm a barulhento ou travesso”, retom ou Lorraine. “Perturbações devidas a poltergeists vêm desde a Rom a Antiga e aparecem em registros m édicos encontrados na Alem anha, na China e no País de Gales. Casos docum entados incluem arrem esso de pedras e terra, obj etos que voam , m óveis que se m exem , batidas, ruídos altos e guinchos... e até m esm o m ordidas, cusparadas, apertões, socos e abuso sexual. Antes do século XIX, atribuía-se essas atividades a dem ônios invisíveis, diabos, bruxas m ortas ou fantasm as perturbados.”
“Estudos feitos nas décadas de 1920 e 1930 teorizaram que os fenôm enos eram causados por conflitos e tensão sexuais presentes na puberdade. Nas décadas de 1940 e 1950, os cientistas aventaram a teoria de que a hostilidade e a raiva reprim idas produziam , inconscientem ente, energia telecinética capaz de causar essas atividades. A essa altura a telecinese – habilidade da m ente de m over a m atéria – j á havia sido provada em laboratório.”
“Em seu livro de 1972, The Poltergeist, William G. Roll resum iu suas observações após estudar 47 casos ocorridos antes de 1958. Ele descobriu que frequentem ente havia um a situação de estresse na casa onde ocorria a atividade paranorm al e um agente aparente para ela. O agente costum ava ser um a criança ou adolescente cheio de raiva ou com saúde m ental ou física ruim . Psicólogos individuais encontravam ansiedade, histeria, fobias, m ania, obsessões, alienação
ou esquizofrenia.[8] Em m uitos casos, a psicoterapia elim inava os fenôm enos estranhos.
“Entretanto, Roll observou que havia alguns casos em que tanto a saúde física quanto a m ental do ‘agente’ eram estáveis, assim com o o am biente. Nesses casos, a psicoterapia não funcionou. Mesm o nos casos em que algum a psicose parecia estar presente, a psicoterapia nem sem pre aj udava.”
“Pouco tem po depois, os pesquisadores britânicos Alan Gauld e A. D. Cornell fizeram um a análise por com putador de 500 dos casos m undiais de poltergeist relatados entre 1800 e o fim dos anos 1970, e observaram que 64% envolviam o m ovim ento de pequenos obj etos. Outros 36% envolviam o m ovim ento de m óveis grandes. Eles descobriram que 58% eram m ais ativos à noite, e que 24% duravam m ais de um ano. Só 12% dos casos envolviam o abrir
e fechar de portas e j anelas.[9]
“Gauld e Cornell tam bém concluíram que 16% dos casos de poltergeist envolviam algum tipo de com unicação entre um a entidade invisível e um ‘agente’ hum ano (norm alm ente do sexo fem inino, e com m enos de 20 anos). Do total, 9% acabaram por estar relacionados a fantasm as presos à Terra. Som ente 7% estavam ligados à prática de feitiçaria, e 2% foram considerados resultado da
ação de espíritos inteligentes e m alévolos ou dem ônios.”[10]
“O psiquiatra e parapsicólogo Ian Stevenson posteriorm ente concordou com esses achados. Ele achava que havia dois tipos de atividade de poltergeist – hum ana e não hum ana. Os eventos desencadeados não intencionalm ente por pessoas vivas envolviam batidinhas inexpressivas, m ovim ento aleatório de pequenos obj etos, traj etórias curtas e sim ples e m uitas coisas sendo quebradas. Tudo isso acontecia ao redor de pessoas com m enos de 20 anos, e a psicoterapia
proporcionava alívio.”[11]
“Stevenson observou, porém , que outros casos de poltergeist envolviam um m ovim ento proposital de obj etos grandes e pesados, traj etórias longas e com plexas, poucas coisas sendo quebradas, batidinhas que respondiam a perguntas, e apenas às vezes focavam um a pessoa. A solução só vinha após intercessão, exorcism o ou apaziguam ento.”
“Nossos cinquenta anos de pesquisas de cam po, que vão da década de 1950 à de 1990 e se estendem ao novo m ilênio, nos levaram às m esm as conclusões”, disse Ed. “Testem unham os m uitos casos em que os cham ados catalisadores hum anos não estavam por perto quando a atividade de poltergeist acontecia. Concordam os que crianças e adolescentes m uitas vezes fornecem sem querer a energia adicional necessária para essa atividade física, m as nem sem pre são a causa direta. Após descartar os distúrbios psicológicos e sua influência, Lorraine fazia um a investigação para detectar a presença de outras forças. Muitas vezes, eram fantasm as presos à Terra, inquietos m as inofensivos. Mas às vezes o elem ento dem oníaco estava presente.”
“As trevas profundas são a especialidade de Ed”, interveio Lorraine. “Deixo por conta dele detectar o dem oníaco. O evento paranorm al m ais raro, m as que m ais m erece atenção da m ídia, é aquele em ocorre a infestação e a possessão por dem ônios. Elas serão tem a de outra palestra. Esse tipo de fenôm eno ainda é o que m ais causa dúvidas e controvérsias. Exceto por alguns psiquiatras e crim inalistas, a ciência descarta por com pleto o conceito do m al com o entidade independente. Mesm o as religiões atuais tendem a negar sua existência ou varrê-la para debaixo do tapete. Gostaríam os de poder fazer o m esm o.
“No entanto, m uitas crenças religiosas envolvem algum tipo de ‘alm a’. O que acontece à alm a depois da m orte varia de um a crença para outra. Essa ‘vida pós-m orte’ pode ser num m undo subterrâneo, sob a água, do outro lado do oceano, acim a do céu ou no oeste, onde o sol se põe. Nativos da Melanésia acreditavam que, depois da m orte, a alm a se dividia em dois fantasm as – um , a parte ruim , e o outro, a parte boa. Muitos desses ilhéus acreditavam que a parte
ruim term inava por m orrer, enquanto a boa desfrutava da vida eterna.”[12]
“Os chineses tam bém acreditam em partes superiores e inferiores da alm a, j untam ente com um a possível terceira parte que é o vinculo ancestral que atravessa as gerações. Os egípcios acreditavam em BA e KA – alm a individual e
energia vital, respectivam ente.[13] No ocidente cristão, espera-se que, depois da m orte, a alm a parta para o céu, para o inferno ou para o purgatório. Praticam ente todas as religiões professam algum tipo de pós-vida ou continuação.”
Olhando para Lorraine com um risinho, Ed acrescentou:
“Não faz tanto tem po, os clarividentes eram queim ados com o bruxas. Desde m eados do século XX, no entanto, experim entos científicos provaram a existência m ais benigna dessas capacidades parapsíquicas. Nesse m eio-tem po, Einstein teorizou – e desde então experim entos provaram – a realidade totalm ente bizarra e ilógica de que cada partícula que existe é com posta de energia ou provém dela. Em vez de a m atéria em itir energia, a energia na verdade cria a m atéria. A sabedoria celta sem pre afirm ou que o espírito abriga o corpo, e não o contrário. Essa sabedoria ancestral pode m uito bem explicar as auras, a telepatia... e a existência de fantasm as.
“Hoj e em dia, alguns físicos e a m ecânica quântica nos dizem que ‘a m ente pode ser nossa única ligação com a realidade da m etafísica’ – as
m isteriosas forças que criam a vida, desenvolvem -na e a m antêm coesa.[14] Em outras palavras, ciência e religião agora concordam que há m ais em nossa existência do que o que pode ser apreendido pelos olhos, ouvidos, nariz, m ãos... e instrum entos.”
Lorraine sintetizou a palestra da noite:
“Os fenôm enos paranorm ais raram ente se m anifestam de form a direta, m as eles exibem padrões e deixam pistas ou “rastros espectrais” que podem os seguir. Selecionam os quatro casos para ilustrar com o investigam os e com o determ inam os o que pode estar acontecendo em casas consideradas assom bradas.”
♦ Estudo de Caso Nº 1 – O caseiro fantasm a do com andante
Um com andante da Marinha e sua fam ília parecem ter um hóspede
invisível. Pesquisas de clarividentes revelam a razão para essa aparição, e
um crânio encontrado lança m ais luz sobre o m istério.
♦ Estudo de Caso Nº 2 – A inquietação de um garoto assassinado
Um m enino é assassinado de form a horrível do lado de fora de um
conj unto habitacional. A polícia que desvendou o assassinato pede aos
Warren para investigar aparições fantasm agóricas subsequentes para trazer
paz à com unidade... e ao espírito inquieto da criança.
♦ Estudo de Caso Nº 3 – Um a entrevista espectral
A interpretação equivocada que um hom em faz de um a aparição causa-lhe
angústia tanto em vida quanto depois da m orte. Um m édium em transe
profundo é usado para aj udar esse espírito a superar m ais de um século de
hostilidade e m edo.
♦ Estudo de Caso Nº 4 – O poltergeist da água
A dificuldade de se determ inar se um fantasm a brincalhão é dem oníaco é
ilustrada neste caso incom um . Três lares e gerações são atorm entados
sim ultaneam ente por m anifestações estranhas na água. A solução é
surpreendente.