Invocadores do Mal

Cheryl A. Wicks · Capítulo 21 de 27

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Invocadores do Mal

Seção IV. O inexplicável: real ou ridículo?

Seção IV

 

O inexplicável: real ou ridículo?

 

Um a vez m ais os Warren estavam com um grupo de alunos de idade e experiência de vida variadas, ansiosos para aprender m ais sobre o paranorm al. Lorraine traj ava um a de suas características saias xadrez, com echarpe com binando. Ed parecia sério, m as confortável, em um m oletom escuro. Lorraine puxou um banco alto e com eçou a falar ao grupo.

“Desde o início da história hum ana existem relatos de encontros com elem entos de ‘fora deste m undo’. É fácil supor que nossas histórias ancestrais ou relatos provenientes do Terceiro Mundo tenham origem supersticiosa. No entanto, as m esm as narrativas são feitas hoj e em dia por pessoas cultas e dignas de crédito em nações cientificam ente avançadas, no m undo todo. O que é difícil ignorar é que o conteúdo dessas ocorrências não explicadas é consistente, não im porta com quem aconteçam e em que contexto cultural.

“Um a coisa é acreditar que nossa m ente está nos pregando um a peça, m as outra é acreditar que ela nos prega peças da m esm a form a e com as m esm as im agens ao longo dos séculos e independentem ente do m eio cultural. São essas consistências que continuam a fascinar os céticos de m ente aberta. Por exem plo, pessoas que parecem sinceras e sãs continuam a relatar avistam entos de seres hum anoides peludos nos am bientes m ais rem otos do m undo. Os detalhes da descrição variam , m as as pessoas consistentem ente não descrevem m am utes peludos ou algo que pareça um inseto gigante. A consistência no que descrevem é que exige um a pesquisa profunda.”

“Não faz tanto tem po assim que se dizia que pescadores calej ados estavam confundindo árvores flutuantes e suas grandes raízes com anim ais enorm es que atacavam barcos de pesca”, Ed acrescentou. “Então a ciência descobriu a lula-gigante. Não foi senão em 1847 que houve o reconhecim ento oficial da existência do ‘pongo’, de aparência feroz e perturbadora sem elhança com o ser hum ano... a criatura que conhecem os com o gorila. Outras criaturas que a princípio foram consideradas com o ilusões causadas pelo poder de sugestão ou com o um a fraude descarada incluem o panda gigante e o ornitorrinco, com seu bico de pato.”

“Som ente em 1982 foi fundada a ciência da criptozoologia”, continuou Lorraine. “Esta é a ‘ciência dos anim ais ocultos’. Ela reconhece que populações locais com frequência têm um conhecim ento preciso sobre as criaturas presentes em seu am biente, independentem ente do quanto pareçam estranhas e im prováveis ao resto do m undo. O conhecim ento local revela aspectos cruciais da aparência e do com portam ento desses anim ais esquivos e fora do com um . São eles cobertos de pelos, têm escam as, são grandes ou pequenos, noturnos, cam inham sobre duas ou quatro patas?”

“O que faz com que um a criatura tenha interesse para a criptozoologia é o fato de ser inesperada”, explicou Ed. “Por exem plo, um pinguim no Caribe m erece um estudo aprofundado, da m esm a form a que um m onstro de pescoço longo, avistado em um lago tranquilo na Escócia.”

Lorraine concordou com um aceno de cabeça, acom odou-se em seu banco e continuou falando.

“A parapsicologia volta-se para outras ‘coisas esquisitas que acontecem ’. Um a vez m ais, a consistência nos diversos testem unhos é grande dem ais para ser ignorada. Isso inclui avistam entos de fantasm as, fenôm enos de telepatia, telecinese, psicom etria, atividade de poltergeists e até m ilagres. Os m istérios nos rodeiam . Não precisam os ir até castelos antigos ou cem itérios desolados para encontrar algo sem explicação, um som , evento físico ou im agem em um a fotografia. Mal se passa um dia sem que alguém com provadam ente são, sóbrio e até cético sacuda a cabeça depois de ser confrontado com o inexplicável.

“Mas ainda assim a ciência e os acadêm icos historicam ente têm falhado em reconhecer essa parte significativa da experiência hum ana. Um a coisa é exigir evidências convincentes e outra é ter m edo de adm itir os lim ites do conhecim ento atual. Coisas estranhas acontecem ... sej a o encontro com um a criatura estranha enquanto cam inha na floresta, sej a sua avó anunciar seu falecim ento depois de m orrer a centenas de quilôm etros de distância.”

“A natureza hum ana sente-se desconfortável com um vácuo de explicações”, disse Ed. “É difícil adm itir que nós ‘não sabem os’. Os céticos refutam os relatos paranorm ais com o ridículos ou inacreditáveis. Os crédulos criam e aceitam explicações extravagantes, sem considerar a fonte, esforço ou ideias por trás das teorias. A real com preensão vem do estudo com paciência, m odéstia e a tolerância quanto à am biguidade.

“Com preender o incom preensível com eça com a aceitação de que não

“Com preender o incom preensível com eça com a aceitação de que não sabem os o que existe por trás de todas as experiências estranhas que tanta gente parece ter. No entanto, com o acúm ulo cada vez m ais rápido de conhecim ento em tantas áreas, um a perspectiva racional deverá aparecer. Mais cedo ou m ais tarde, com certeza aprenderem os algo novo.”

Ed interrom peu-se para olhar o rosto de cada pessoa na plateia antes de prosseguir.

“No entanto, essa nova inform ação pode levar à descoberta de anom alias de percepção... ou a vislum bres de um a realidade m aior que de outra form a passa despercebida. Isso, claro, poderia abalar a com unidade científica... e abalar as fundações do consenso de realidade. Em sum a, as im plicações de descobertas nessas áreas são enorm es.”

“Sim ”, confirm ou Lorraine. “Lem brem -se, não faz m uito tem po que, para líderes da com unidade e pessoas cultas, a ideia de um a Terra redonda e girando ao redor do Sol era tão absurda quanto um a viagem espacial. No entanto, hoj e em dia as grandes m entes adm item que há m ais coisas invisíveis do que visíveis em nosso cham ado m undo físico.”

Ed acrescentou:

“Está se tornando m ais e m ais difícil ignorar o fato de que pessoas de todas as idades, culturas e níveis de escolaridade insistem que não estavam sonhando e que estavam plenam ente conscientes ao ouvirem e verem coisas estranhas. Em algum m om ento, vam os ter que dar ouvidos às testem unhas.

“Lorraine e eu dedicam os a m aior parte de nossas vidas a fazer exatam ente isso. Por m ais de cinquenta anos entrevistam os m ilhares de pessoas que tiveram encontros paranorm ais de um tipo ou de outro. No com eço, era algo sobre o qual elas hesitavam em falar. Sentiam vergonha por estarem com m edo e frustradas por sua incapacidade de encontrar explicações lógicas para sua experiência. Com os anos, porém , as pessoas com eçaram a ficar m ais curiosas e abertas quanto aos eventos estranhos ocorridos em suas vidas. Por m eio de um a m elhor com unicação, e às vezes tam bém por nossos esforços, elas descobriam que não estavam sozinhas.

“Infelizm ente, tam bém existem aqueles que estão tão ansiosos por seu breve m om ento de fam a que contam histórias m irabolantes ou inventam ocorrências. Mas ainda assim há m uitas coisas que são difíceis de inventar ou criar, m esm o com um a im aginação bem inform ada e hiperativa.”

Lorraine acrescentou: É difícil acreditar “no que acontece em um ataque dem oníaco legítim o ou em casos reais de poltergeists e assom brações, m esm o por quem passa pela experiência. Há m uitas evidências, porém , que são difíceis de ignorar. Ainda, tais experiências com frequência são testem unhadas por m ais de um a pessoa, e coincidem com m ilhares de outros relatos do m undo todo.”

“No entanto”, disse Ed, “separar o real do exagerado, im aginado ou falso às vezes é um desafio tão grande quando com preender a atividade paranorm al em si. Para com plicar, com frequência m últiplas ‘realidades’ se m isturam . A atividade paranorm al real pode estar exagerada. Alguém que perpetua a fraude pode tam bém estar atraindo o m al. É nesse ponto que a ‘tolerância à am biguidade’ é útil. Os dois casos a seguir ilustram a dificuldade em tentar ao m esm o tem po confirm ar e com preender o inexplicável.”

♦ Estudo de Caso Nº 8: Pé G rande no Tennessee

Motivadas pelo m edo e pelo desej o de alertar outras pessoas, fam ílias

rurais hum ildes relatam m últiplos avistam entos de um a grande criatura

peluda, sem elhante a um a pessoa, que cam inha sobre duas pernas. O

inesperado encontro parapsíquico de Lorraine pode lançar m ais luz sobre o

m istério recorrente que cerca esse e outros estranhos “anim ais ocultos”.

♦ Estudo de Caso Nº 9: Hotel Assombrado nas Highlands

Os Warren são convidados para investigar ocorrências estranhas em um

hotel isolado na Escócia. Um vidente relutante pode ser tanto parte da

solução quanto parte do problem a. Os leitores se j untam aos especialistas

na luta para separar o espantoso do encenado.