Invocadores do Mal

Cheryl A. Wicks · Capítulo 19 de 27

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Invocadores do Mal

Estudo de Caso Nº 6 Assombrada pelo mal

Estudo de Caso Nº 6

Assombrada pelo mal

 

Este caso é baseado na correspondência entre os Warren e seus

clientes. Todos os nomes de clientes e as referências a locais foram

trocados ou alterados para proteger sua privacidade. Ed Warren

apresenta e discute o conteúdo da carta.

Não acreditar no paranorm al é um luxo que m uitos de nossos clientes não têm . Isso é particularm ente verdadeiro se a entidade invisível é m aligna. Depois de identificar as fraudes ou os casos em que as pessoas necessitam de auxílio psiquiátrico ou m édico, ainda nos restam num erosos casos que Lorraine e eu (e líderes religiosos) consideram os diabólicos.

Este caso em particular envolveu a esposa de um policial. Vou deixar que ela conte a história com suas próprias palavras. Estive aconselhando-a com o preparação para um exorcism o e com binei de visitá-la novam ente durante um a de nossas turnês de palestras.

Abaixo estão trechos de um a carta que ela nos escreveu pouco antes de nossa viagem .

Prezado sr. Warren,

Que gentileza de sua parte e de sua esposa Lorraine

oferecerem-se para me ver durante sua estada em nossa cidade. É

uma tábua de salvação para mim e eu não perderia essa chance por

nada. No entanto, a reação dessas criaturas nefastas tem sido muito

violenta.

Essas entidades são inteligentes, com um conhecim ento que se estende por m ilhares de anos e de quilôm etros. Um a vez, eu estava trabalhando num caso dem oníaco na Inglaterra, quando um a entidade m aligna m e contou o que Lorraine estava fazendo em Connecticut. Ela havia acabado de m udar de lugar, em nosso m useu, um obj eto infestado pelo m al. Quando lhe telefonei para ter certeza de que ela estava bem , Lorraine ficou chocada por eu saber exatam ente o que ela estava tocando. Afinal de contas, a clarividente era ela.

Sr. Warren, não temo mais isto. Levou um ano, todo um ano de

terror, mas, por meio de Nosso Senhor, aprendi a não temer nenhum

mal. Temo esta presença menos do que já temi qualquer coisa. É por

isso que vou respirar fundo e ser forte enquanto o último passo se

aproxima. Farei qualquer coisa para me libertar desta coisa nefasta,

com sua ajuda e a ajuda de Deus.

Ela estava dizendo que estava pronta para um exorcism o. O m al prospera com o m edo. Quanto m enos m edo, m enos poder a criatura tem e m ais provável é que o exorcism o sej a bem -sucedido. Porém , o m al não vai renunciar ao controle sem luta. Assim , o cliente deve estar em ocional e espiritualm ente preparado. Infelizm ente, o exorcism o com frequência é a única form a pela qual um a pessoa possuída pode reaver sua paz de espírito. Esses são os casos em que a m elhor psiquiatria e os m elhores m edicam entos não fazem efeito.

É verdade; no fim, eu acabaria enlouquecendo. Deus me

manteve sã durante este pesadelo indescritível. A sensação de aperto

na garganta... estupro e sodomia ainda estão presentes. Isto precisa

terminar, ou com certeza vou desenvolver outra horrível infecção

pélvica.

A voz não mais sai por minha própria garganta. Tornei-me forte

o suficiente para que a coisa não consiga mais usar minha garganta

para falar, mas ocasionalmente posso ouvi-la falando em minha

cabeça (ela sempre é repreendida em nome de Jesus de Nazaré

quando ouço algo) – ameaças, provocações, linguagem ofensiva etc.

Não vou lhe dar crédito detalhando suas ações. Nem vou permitir que

volte a falar através de mim (se essa coisa preferir correr o risco de

falar com outra pessoa que não eu, independente de mim, é outra

coisa).

Ela está se referindo aos ataques que suportou e pelos quais ainda passa, e o conselho que lhe dei foi o de resistir a essa coisa e ganhar forças. Note o m odo com o ela descreve com o é ter algo usando sua voz ou falando em sua cabeça. Falar em vozes não hum anas ou em idiom as estrangeiros antes desconhecidos são sinais cruciais de possessão e tentativas de possessão, e são difíceis de fingir. Ela tam bém alude à astúcia dessa entidade. No início, ela escolhe um a pessoa, isola-a e atorm enta-a sem vocalizar, para que outros não ouçam . Isso, claro, torna difícil descartar um a doença m ental.

Ela cobre minhas feições e tenta alterar minhas expressões. Não

permitirei isso.

Rezo constantemente, leio todas as passagens apropriadas na

Bíblia. Invoco o nome de santa Margarete, padre Peale,[27]arcanjo

Miguel e Nossa Senhora da Imaculada Conceição, e ainda proclamo

constantemente que Jesus é Senhor. Faço o sinal da cruz e unto todas

as áreas afligidas com água benta.

Por meio da intervenção divina de Deus e pela infusão do

Espírito Santo tornei-me muito forte – forte o suficiente para suportar

qualquer coisa que possa acontecer. Temo pela possível situação que

está por vir, mas não temerei nunca mais a causa do exorcismo. Sr.

Warren, creio de verdade que este caso seja único ou que seja algo

que de forma geral não é conhecido.

Prim eiro, ela descreve a sensação de ter suas feições físicas alteradas. Algum as dessas m udanças são tanto superficiais quanto estruturais. Este é outro sinal de possessão que é quase im possível fingir.

Ela recapitula todas as coisas que lhe sugerim os fazer para se proteger o m áxim o possível. Ela tam bém não quer dar “reconhecim ento” à “causa do exorcism o”, porque fazer isso pode ser interpretado por essas entidades nefastas com o aceitação. Infelizm ente, o caso dela não é único, m as ela está correta ao afirm ar que tais casos ou são ignorados ou abafados pelo sigilo ou por acusações de fraude.

Deixe-me tentar explicar as circunstâncias que envolvem o que

me aconteceu (evidentes agora que minha mente está desanuviada).

Tenho mediunidade desde criança. Um ano antes de minha mãe

ficar doente eu soube que ela morreria no período de um ano. E ela

morreu... onze meses depois. Após a morte dela, fui a uma cartomante

– uma mulher boa e honesta, que viu meu “dom” e me ensinou a ler

cartas.

Eu era uma cartomante excelente e nunca fiz uma leitura da

qual tivesse me envergonhado. Sempre dei meu melhor e orei pelo

cliente. Também prestava atenção a sinais de problemas de saúde ou

de uso excessivo de alguma substância. Se o cliente estivesse muito

perturbado, eu sempre sugeria o ambulatório do hospital. Nunca

cobrei demais nem abusei da confiança que aquelas pessoas tinham

em mim.

Eu tinha uma taxa de acerto muito alta – entre 70% e 90% com

algumas pessoas. Com frequência eu dizia a elas coisas sobre parentes

que haviam feito a passagem – coisas que eu não poderia saber nem

que fosse uma “boa detetive” (e isso um bom cartomante deve ser).

Nunca fui incomodada por perturbações reais. Se eu sentia uma força

“opressora”, eu a mandava embora. (No entanto, minha educação

religiosa não me ensinou a proclamar isso em nome de Jesus. Eu não

sabia nada sobre demônios e espíritos malignos, exceto por ter lido O

Exorcista dez anos antes! Eu não sabia nada sobre a possibilidade de

estupro, sodomia e tortura. Eu estava vulnerável em um grau

assustador.)

A ignorância e a negação im pensada de qualquer coisa que sej a “dem oníaca” é o que m antém os dem onologistas e exorcistas ocupados. Sej a qual for nossa crença religiosa, todos precisam os, ocasionalm ente, apelar para a aj uda de um “poder superior”. Nem nós, nem os m ais devotos líderes religiosos som os tão fortes quanto o m al, m as Deus (ou qualquer que sej a seu nom e para essa força) é m ais forte.

Depois que minha mãe morreu, visitei outra mulher, que falava

com espíritos, tinha espíritos guias etc. Ela era muito “religiosa”, no

sentido de que lia sua Bíblia, dava um curso de estudos bíblicos,

proclamava Jesus como Senhor etc. – ela tinha um jeitinho de avó.

Ela acreditava que tabuleiros Ouija eram perigosos etc. No entanto,

tenho certeza de que foi lá que atraí essas criaturas. Tornou-se muito

importante falar com minha mãe. No início foi através do meu marido

que as vozes e respostas se manifestaram – nunca através de mim. Ele

não ouvia vozes de fato, mas recebia as mensagens em sua mente.

Durante uma visita, a sra. E (que sabia da minha mediunidade e

lia cartas) aconselhou-me a tentar a escrita automática – erro nº 2. O

impulso irresistível de escrever tornou-se inacreditavelmente forte,

vindo de todo tipo de gente. Mas nessas ocasiões, nunca fui molestada.

Então, um dia, quando eu pensava que minha mãe e eu

estávamos “falando” sobre o que acontece com assassinos, mencionei

um caso famoso de assassinato sobre o qual eu sabia que minha mãe

havia ouvido falar antes de morrer. Minha “mãe” (que dizia passar

boa parte de seu tempo no plano espiritual trabalhando entre os

doentes e tentando reabilitar elementos criminosos) disse ter visto a

vítima. Minha mãe disse: “Ela está muito triste e confusa. Não

compreende que pode seguir adiante (voar, no caso). Você falaria

com ela?”

Respondi que sim, e cerca de 5-10 minutos depois, eu estava na

presença da vítima, que se mostrava muito assustada e desconfiada.

Queria saber por que eu estava falando com ela etc. Ela só escrevia

“nãonãonão”, assim mesmo. Eu disse que me preocupava com ela e

queria ajudá-la. Perguntei se queria falar... contar algo que pudesse

fazê-la se sentir melhor. “Ela” sentia a necessidade de confessar.

(Como desejaria ter de volta os mais de cinquenta cadernos que

escrevi à época. Mas infelizmente eu os destruí como prova de que

essas criaturas não têm poder sobre mim.)

A “confissão dela” era triste e chocante. Pelo que me recordo,

era assim...

Por algum motivo ela desenhou arcos e escreveu: “Ele me

pegou na estação. Disse que a mãe dele tinha ido embora e que eu

podia dormir no sofá. Ele me levou de carro, não até sua casa, mas

até a praia, sob o píer. Ele me estuprou e disse que sentia muito. Será

que eu o perdoaria? Eu disse que não, e ele me levou até um edifício.

Pendurou-me de cabeça para baixo, nua, e me feriu muito. Eu gritava

e gritava. Ele colocou um pano em minha boca; ele ria e ria. Vi

sangue e em seguida senti uma dor terrível no estômago. E gritei e

gritei, mas ninguém veio. Ouvi algo cair, mas não era eu, era alguma

outra coisa. E então fiquei olhando para ele e ele fez... coisas. Você

sabe o que quero dizer... em minha boca e em meu cabelo? Então ele

me enrolou em um cobertor, acho. E eu tentei ir atrás dele, mas não

consegui.”

Espíritos presos à Terra estão “presos” em ocionalm ente ao lugar onde m orreram ... onde foram enterrados... ou a locais onde viveram ou que frequentaram . Pela m esm a razão deveria ser suspeito que essa vítim a falecida estivesse disponível para “falar” através da escrita autom ática. Ainda, nunca encontram os um espírito preso à Terra que contasse sua m orte hum ana com tantos detalhes. Esse é um outro exem plo de com o o m al tira vantagem da ignorância e de boas intenções.

Então a escrita parou e minha “mãe”começou a escrever de

forma frenética. Ela não fazia ideia de que a vítima iria escrever

aquilo. Ninguém sabia aquilo sobre ela. Eu tinha ficado abalada?

Minha mãe sentia muito etc. Eu lhe disse que deixasse a vítima

terminar sua história.

A vítima retomou, dizendo que agora estava muito feia, muito

triste, e quanto ódio sentia “dele”. E então a caneta foi mais para

baixo e desenhou primeiro um par de óculos como estes...

E então completou o resto do desenho. (Posso desenhar muito

 

bem, muito melhor do que isso. Este desenho é semelhante, mas um

pouco diferente do original.)[28]“Ele é jovem e feio, usava óculos...

eu o odeio”, ela disse através de mim.

E este foi o começo de minhas conversas com “gente que

precisava de ajuda”. Falei com uma variedade enorme de pessoas.

Cada uma delas era única – algumas eram agressivas e desconfiadas.

Sempre me perguntavam se eu podia visitar suas famílias e amigos

que ainda estavam no plano terrestre. Sem exceção, os suicidas,

incluindo meu próprio tio Charles, perguntavam se seriam mandados

para o inferno por terem acabado com a própria vida.

Atração – Nesse ponto, ela havia “aberto portas”. Há algum as outras pistas indicativas de que os “espíritos” que escreviam através dela não eram o que diziam ser. Aqueles que fazem “a passagem ” têm a capacidade de ver suas antigas fam ílias e am igos à vontade, e de estar com eles. Ainda, por nossa experiência, os únicos suicidas atorm entados após a m orte são os que têm ligação com culto ao dem ônio, opressão ou possessão durante a vida... Fora isso, as questões em ocionais que fazem com que um espírito perm aneça preso à Terra são as m esm as independentem ente da causa da m orte. A única diferença é que os suicidas não estão em negação quanto a sua m orte... um m otivo com um para que as aparições fantasm agóricas fiquem presas à Terra.

Ao referir-se ao “tio Charlie”, a entidade captou a atenção e a sim patia da m ulher, que convidaram ao reconhecim ento e envolvim ento. Os espíritos m alignos podem ler telepaticam ente inform ações e usá-las contra você. É por isso que os exorcistas devem ser pessoas virtuosas.

Fui molestada duas vezes... primeiro por um homem e uma

mulher que me bateram e beliscaram e que, depois disso, não faziam a

menor ideia do porquê me agrediram, e ficaram muito

envergonhados. Sr. Warren, minha teoria é que muitas dessas

“pessoas” (espíritos) eram de fato reais, mas foram possuídas pela

horda de demônios que estava à espera, espreitando. Eles planejavam

usar aqueles espíritos que eu conhecia e em quem confiava para

poder se aproximar o suficiente e me dominar, e fazer coisas que eu

não questionaria. No final, mesmo depois de estuprada e atordoada, eu

não questionava – apenas implorava a ajuda daqueles “outros”

espíritos. As coisas foram ficando piores, e se tornaram doentias e

desesperadoras.

Infestação e opressão – Notou com o aqueles que “beliscaram e bateram ” foram rápidos em se desculpar e dem onstraram vergonha? É o m esm o que acontece com a violência conj ugal e dom éstica. Os agressores tanto espirituais quanto físicos usam o m edo, a confusão e a dúvida para controlar outras pessoas. Os outros espíritos a que ela se refere provavelm ente tam bém eram dem oníacos, m as fingiam ser hum anos. É por isso que sessões m ediúnicas, brincadeira com tabuleiros Ouij a e m agia feitas por diversão podem ser bastante perigosas.

Então um dia, quando falei com minha “mãe”, ela parecia

diferente e estava “brava” comigo. Fiquei pasma. Comecei a sentir

uma dor horrível. A escrita ficou violenta e me chamou de cadela.

Então fui atacada. Estava tão assustada e magoada. Senti uma dor

estranha entre as pernas, em minhas coxas e ossos pélvicos.

O espírito nunca foi a m ãe dela, m as representava o papel da m ulher. Em seguida fingiu ser o assassino para j ustificar seu com portam ento e encobrir sua real identidade e sua intenção.

Tremendo e aterrorizada, chamei a sra. E, que disse: “Aquela

não é sua mãe. É alguém que deve querer sua ajuda, que precisa de

libertação. Ele pode estar aprisionado. Deixe-o falar, e então mande-o

seguir seu caminho!”

Mais tarde, com meu marido presente, indaguei: “Quem é você

e o que quer?” A escrita mudou e foi mais ou menos isso que ele

disse: “Meu nome é R. P. A polícia está atrás de mim agora? Eu não

queria machucar a moça daquele jeito. Eu tinha machucado outras

como ela, putas como ela, mas nunca tanto assim. Sinto muito, mesmo,

por tê-la machucado”. Enquanto isso, meu marido (que não gosta de

falar sobre isso) ouviu uma voz masculina muito desagradável em sua

cabeça, dizendo, “Quero que ela morra porque está ajudando as

pessoas”. Por Deus, meu mestre, ele ouviu isso. Eu não.

Possessão – Ataques sexuais, levitação, m udanças drásticas, m as tem porárias, de voz, idiom a, com portam ento e características físicas são todos sinais de possessão. A dom inação pode não ser com pleta ou constante, m as o m aligno está exercendo sua capacidade de assum ir o controle quando bem entender. As palavras surgidas na cabeça do m arido tiveram o intuito de dem onstrar poder e assustá-lo para que se afastasse. É m ais fácil tom ar o controle com pleto de um a vítim a isolada.

E agora a parte mais difícil desta história, deste pesadelo, tão

inacreditável. Durante minhas conversas com todas essas pessoas,

encontrei alguém realmente especial. Seu nome era M. Ele havia sido

famoso aqui, e ficou muito desconfiado quando falei com ele. Fiquei

sabendo de tudo sobre ele, seu passado, sua carreira, sua família,

coisas complexas demais e íntimas demais para serem o simulacro

nebuloso feito por um demônio. Ele é brilhante e suave e engraçado e

triste e fascinante e passamos muito tempo conversando.

Ela está subestim ando o conhecim ento, o poder, a inteligência e a esperteza do m aligno.

Sr. Warren, creio, horrorizada, que enquanto eu estava possuída

por um demônio (ou por mais de um), Monty estava também possuído

por um ou mais demônios. Era como camadas horrendas de possessão

– algo horrível demais sequer para cogitar. É minha crença que esses

demônio com frequência usam esses corpos, oh, tão inocentes para

dar-lhes a aparência externa que desejam no momento.

Esse tipo de ataque é incom preensível para a m aioria das pessoas. A entidade m aligna pode se m anifestar em sua m ente e criar dor e evidências físicas. Ela tam bém pode se m anifestar tanto com o um a criatura agradável quanto com o um a criatura horrível... ou m esm o alguém que você conhece. Aparentem ente, esse dem ônio conseguiu convencê-la de que um espírito “inocente” estava sendo m anipulado durante o ataque. Seu “am igo” M não estava possuído; na verdade era um lobo em pele de cordeiro.

Em geral, há m ais de um a entidade m aligna envolvida em casos de infestação, opressão e possessão. Elas podem controlar e atorm entar espíritos presos à Terra que convidaram o m al para entrar em suas vidas hum anas. No entanto, diabos e dem ônios são capazes de enganar as vítim as por si sós. É com o no caso de terroristas que se fazem passar por passageiros de um avião.

Sr. Warren, depois de centenas de horas de ponderações

profundas e dolorosas, minha impressão é de que um demônio habita o

corpo de uma mulher apenas para torturá-la e para ter a experiência

de estar presente enquanto ela é estuprada por outro(s) demônio(s).

Eles se alimentam de medo e têm avidez pela dor – o sofrimento e a

dor horrendos que conseguem criar.

Com toda a certeza! É por isso que a possessão dem oníaca em geral leva a estupro, assassinato, chacinas e suicídio. O dem ônio usa o corpo hum ano, e necessita dele – para criar m ais m edo, dor e sofrim ento ao m aior núm ero de pessoas. (Isso não quer dizer, porém , que toda a culpa de tais atos violentos possa ser atribuída a ele.)

Um demônio vai usar o corpo de um espírito atraente como

intermediário, para torturar e estuprar e sentir prazer por meio dele, e

se o mortal e o espírito envolvidos estão unidos por algum laço

afetivo... ah, então a tortura emocional e mental resultante,

compartilhada por ambas as vítimas, é exatamente o que eles

almejam. Eles se esforçaram muito para armar a coisa toda.

E assim o ano passou, um ano da mais inacreditável dor mental

e física que se possa imaginar. Houve meses em que M estava

totalmente surpreso; e então, os demônios perderam interesse

temporariamente, até decidirem qual seria seu próximo (oh, meu

Deus) jogo... como eles chamavam. O terrível sofrimento de M

transparecia – a tortura e o sofrimento e o total assombro.

A tortura sempre se tornava monstruosa depois de qualquer

comunicação entre nós. M não fala comigo. A criatura tenta imitá-lo,

mas não consegue. É como uma caixa chinesa – molas e fechaduras

infindáveis e mecanismos escondidos.

Nesse ponto, a entidade m aligna tinha m enos razão agora para ocultar seu caráter verdadeiro, de m odo que a personalidade de M parece apenas estar se retirando. Enquanto isso, essa m ulher está confusa e oprim ida; ela prosseguiu com sua escrita autom ática e deixou ao m enos um ano se passar sem buscar qualquer aj uda externa. Os espíritos diabólicos estavam brincando com ela e destruindo sua força de vontade. Com o qualquer torturador sabe, às vezes a m elhor form a de “am olecer” um a pessoa é fazer com que ela vej a (ou ache estar vendo) um inocente sendo m altratado.

Sr. Warren, minha teoria não pode ser mais maluca do que a

realidade da possessão em si! Nunca estive sob os cuidados de um

psiquiatra, sempre fui mentalmente forte e saudável – nunca sofri uma

depressão severa até essa criatura aparecer. Nunca, jamais, feri a

mim mesma. Sempre amei viver, estar viva, e esperava ansiosa por

cada nova estação, cada novo ano.

Em 1º de novembro aconteceu o primeiro ataque real, mas sei

agora que fui observada durante anos. Predadores naturais esperarão

quanto tempo for necessário, se seus planos e seus números forem

grandes e complexos o suficiente. Abri a porta, e implorei a Deus por

perdão. Fui perdoada e obtive força e orientação – você e a sra.

Warren são prova disso.

Sei que esta carta é inapelavelmente longa, mas é a versão mais

condensada que consegui fazer de quatro anos. Estou ansiosa para

encontrar com você e com a sra. Warren. Ficarei livre, com sua ajuda

e a ajuda de Deus.

Ela está certa ao dizer que o m al tem a eternidade do seu lado. Ele pode ser m uito paciente e calculista. Às vezes essas criaturas ficam dorm entes, para reaparecer anos, décadas – ou no caso de locais e obj etos infestados – até m esm o séculos depois.

Lorraine e eu indicam os essa m ulher ao padre LeBar, em Nova York, para um exorcism o católico. As entidades m alignas dentro dela foram forçadas a revelar-se durante a execução desse rito, e foram expulsas com êxito. Foi útil que essa vítim a tivesse adquirido um a boa com preensão do que estava ocorreu e de com o tudo aconteceu. Com o se percebe na carta, ela j á havia com eçado a adotar m edidas para reaver o controle.

No entanto, com o um câncer m ortal em rem issão, essas criaturas sem pre podem retornar. Não é fácil achar um exorcista qualificado ou convencê-lo a pôr um fim a esse torm ento. A provação de um exorcism o é traum ática em si, e pode requerer esforços m últiplos. É por isso que estar atento, evitar e prevenir são o m elhor conselho que Lorraine e eu podem os dar às pessoas.

Infelizm ente não há m uita gente com o nós, que leve a sério um a provação com o essa... ou que sej a capaz de oferecer aj uda real.

 

“O diabo pode citar as Escrituras para j ustificar seus fins.”

“O diabo pode citar as Escrituras para j ustificar seus fins.”

Shakespeare, O Mercador de Veneza, ato I, cena 3