Invocadores do Mal

Cheryl A. Wicks · Capítulo 14 de 27

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Invocadores do Mal

Estudo de Caso Nº 2 A inquietação de um garoto assassinado

Estudo de Caso Nº 2

A inquietação de um garoto assassinado

 

Todos os nomes e locais desta história real foram trocados ou

alterados para proteger a privacidade dos clientes.

Ed Warren descreve o caso.

 

Um pedido de aj uda

Um a noite, Lorraine e eu havíam os acabado de nos sentar para descansar, lendo um j ornal depois do j antar, quando o telefone tocou. Era o policial David, de um departam ento de polícia em Massachusetts. Um capitão do departam ento nos havia indicado a ele.

Ocasionalm ente, Lorraine e eu recebíam os pedidos de aj uda da polícia na solução de algum assassinato ou na interpretação de algum crim e que talvez tivesse bases em algo aparentem ente sobrenatural. Não são casos divertidos ou agradáveis, m as se podem os aj udar a sem pre atarefada força policial a fornecer aos fam iliares de um a vítim a um a conclusão definitiva, estam os dispostos a dar assistência. Mas só aj udam os quando as autoridades pedem . Lorraine e eu não precisam os de fam a, e com certeza não dá para enriquecer com isso.

O policial David não acreditava no sobrenatural, m as tinha um a preocupação sincera quanto às fam ílias em um determ inado conj unto de edifícios residenciais em sua j urisdição. Ao longo dos anos, estabelecera um vínculo com os m oradores de lá – prim eiro com as crianças, e depois com os pais. Essas pessoas estavam sendo incom odadas por algo com que o policial sentia não ser capaz de lidar.

O policial expressara suas preocupações e sua frustração ao capitão, que j á havia trabalhado conosco. Quando David dem onstrou dúvidas sobre nosso trabalho, o capitão riu e disse que no passado tam bém tinha duvidado. Em seguida o policial experiente tranquilizou o m ais j ovem :

“Se for histeria em m assa ou algum tipo de fraude, os Warren dirão isso. Se não for, vão dizer que não é. E tam bém lhe dirão o que fazer. E, quando der certo, você e suas dúvidas só precisarão se adequar aos fatos.”

Ao telefone, o charm e irlandês de Lorraine foi provavelm ente m uito m ais eficiente do que as palavras do capitão para conquistar o policial. Adotei um a abordagem m ais direta. Meu pai foi da polícia, e eu sabia que não era um trabalho fácil.

“Você diz que os m oradores estão relatando aparições fantasm agóricas. Já aconteceu algum a violência nesse local?”, perguntei.

“Já”, adm itiu o policial David. “Cerca de um ano atrás, um garotinho foi encontrado assassinado nos fundos desses prédios. Foi um assassinato particularm ente brutal, com etido por outros garotos. Eles foram presos e condenados e atualm ente cum prem pena.”

“E quanto tem po transcorreu entre a m orte do garoto e o início dos problem as dos m oradores?”, perguntei.

“Um ou dois m eses, eu diria”, respondeu o policial. “Eu parava a viatura no estacionam ento do conj unto habitacional e os garotos vinham e ficavam rondando. Prim eiro com eçaram a m e contar sobre fatos estranhos que andavam acontecendo. Então os adultos passaram a m e contar as m esm as coisas.”

“Que tipo de fatos?”, perguntei.

“Diziam ver o espectro de um garoto de 8 ou 10 anos nas escadas do conj unto residencial ou em algum corredor, e que todo tipo de coisa doida acontecia. No com eço achei que estavam brincando com igo, m as parece que estão m esm o com m edo. Esse pessoal é durão. Eles não se assustam com facilidade, m as um a senhora em particular está aterrorizada. Ela se m udou para o conj unto há pouco tem po, e nem sabia do assassinato, até...”

“Até o quê?”, encoraj ei-o.

“Bom , sei que pode parecer absurdo”, continuou o policial, “m as ela disse que ficou sabendo do assassinato ao usar um tabuleiro Ouij a. Ela acredita que o garoto m orto está assom brando o apartam ento dela.”

“Infelizm ente, não parece absurdo para nós”, eu disse. “E se há um tabuleiro Ouij a envolvido, ela pode ter toda razão em estar assustada. Quando podem os nos encontrar e visitar essa m ulher?”

Concordam os em nos encontrar no fim da tarde, dali a dois dias. David nos recordou com o chegar ao distrito policial e desligam os. Lorraine e eu nos entreolham os, preocupados. Poderia haver m ais do que um espírito hum ano assom brando aquele conj unto de edifícios residenciais. O telefonem a e as notícias vespertinas podiam ser deprim entes, m as um a fatia de torta talvez m e anim asse.

“Que tem os de sobrem esa?”, perguntei.

 

Ruas da pesada

Anoitecia quando chegam os ao distrito policial, dois dias depois, num a noite som bria de outubro. O capitão, sabíam os, j á havia ido para casa. Não o censuro. A redondeza era barra-pesada. Eu estava aliviado por deixar nosso carro na delegacia, m as ainda assim tinha m inhas dúvidas de que voltaríam os a vê-lo.

O sargento da recepção nos indicou um j ovem de seus 37 anos, ruivo, sardento, e de expressão franca, que m ais parecia um policial de cidadezinha fictícia de série de TV. David era alto, e ainda teria pela frente alguns anos antes de aparecerem os efeitos da dieta de doces e fast food que certam ente consum ia durante o serviço. Estendeu sua m ão enorm e, cum prim entando-nos, e a seguir detalhou seu plano para a noite.

“Gostaria de dar um a voltinha com vocês pela vizinhança”, disse. “Assim podem sentir um pouco o lugar e as pessoas que m oram por aqui, com o pediram . Depois vou levá-los ao conj unto habitacional onde ocorreu o assassinato... e onde supostam ente estão acontecendo todas as coisas estranhas. Vocês vão conhecer Juanita. É a pessoa que tem certeza de que o garoto falou com ela por m eio do tabuleiro Ouij a e que está assom brando seu apartam ento.”

“Parece um bom plano”, eu disse, “m as não nos conte m ais nada sobre o histórico do m enino, o assassinato ou o que as pessoas do conj unto estão relatando.”

Expliquei que queríam os evitar que nosso conhecim ento contam inasse o que Lorraine pudesse captar. É bem difícil interpretar dados parapsíquicos, ainda m ais se inform ações externas forem dadas. Além do m ais, seria m uito m ais fidedigno se Lorraine descobrisse tudo por conta própria.

“Tudo bem , sem problem a”, o policial concordou. “Mais tarde posso contar tudo o que quiserem saber. Vam os lá.”

Em bora o policial ainda tivesse dúvidas sobre o que estava acontecendo e com o poderíam os aj udar, provavelm ente havia esperado que os “caça-fantasm as” m ais parecessem m alucos do que vovó e vovô. Seguim os David até a viatura, entram os pelas portas traseiras e nos acom odam os, por trás da grade m etálica, nas depressões do banco causadas pelo uso, perm itindo que nosso “chofer uniform izado” nos conduzisse através da noite cada vez m ais escura.

O sol desaparecera e a lua cheia ocultava-se por trás de nuvens densas. O asfalto ainda estava m olhado por conta de um a chuva recente. Havia m ais lixo do que folhas nas ruas m alcuidadas que percorríam os. Ao passarm os por um a lanchonete de quinta categoria, em um decadente centro com ercial a céu aberto, Lorraine pediu ao policial que encostasse o carro.

“Foi aqui”, ela disse. “Foi aqui que os garotos tiveram a discussão que levou à m orte do m enino.”

“Um a discussão?”, perguntou o policial, num tom m eio cínico, enquanto parava o carro j unto ao m eio-fio.

“Foi aqui”, repetiu Lorraine. “Aquele garoto não era totalm ente bom da cabeça. Tinha algum problem a m ental. O outro m enino era de outro conj unto habitacional. O m enino assassinado insultou a m ãe do outro. Ele a cham ou de bêbada e de prostituta, o que ela de fato era. Algum as sem anas depois, o garoto ofendido viu a chance de se vingar. Ele e um am igo...”, ela hesitou. “Eles m ataram o garoto.” Lorraine pareceu se sacudir para sair de um pesadelo.

“Podem os ir agora”, disse eu ao policial.

“Com o quiser, chefe”, respondeu ele por cim a do om bro, engatando a m archa.

Eu estava gostando cada vez m ais daquele cara. Minutos depois, o carro entrou em um estacionam ento rústico com três prédios residenciais m altratados, dispostos ao redor do asfalto rachado. O lixo se acum ulava nos cantos para onde o vento o soprara, m as a m aioria das j anelas estava intacta. Estava frio e úm ido dem ais para que qualquer um peram bulasse do lado de fora.

Estacionam os no lado sul do conj unto. Lorraine e eu saltam os do banco de trás da form a m ais elegante que conseguim os. Eu levava m eu gravador, e Lorraine segurava a bolsa com força. Seguim os o policial através de um a porta decrépita e por um corredor escuro e úm ido, até chegarm os à porta de m etal de um apartam ento. Ele bateu e anunciou nossa presença. Segundos depois, a porta foi aberta por um a m ulher latina j ovem e m iúda, com olhos brilhantes tão escuros quanto o cabelo longo e liso. Por trás dela havia um hom em atarracado, na casa dos 30 anos, com olhos castanho-escuros e cabelo crespo escuro, cortado bem rente.

O policial fez as apresentações, e Juanita nos apresentou a Carlos, seu m arido. Então entram os no apartam ento de dois andares, pequeno e apertado. A sala de estar e a cozinha ficavam no andar de baixo, e o banheiro e os quartos no de cim a. Um arom a floral de velas perfum adas enchia o ar. Havia estátuas e quadros religiosos. Tranquilizei-m e ao constatar que não eram adoradores de Satanás.

Expliquei que desej ávam os saber o que andava acontecendo, e que gostaria de gravar a entrevista. Em geral, nesse ponto Lorraine e eu costum ávam os nos separar, m as este caso era diferente. Com o um tabuleiro Ouij a havia sido usado, tem íam os que um a entidade hostil e potencialm ente perigosa pudesse estar envolvida. Lorraine não queria encarar tal risco sozinha, e nem eu perm itiria. Assim , ela perm aneceu com igo para descobrir o que havia causado o alarm e.

 

Encontros sinistros

Juanita e o m arido tiraram tudo que estava sobre a m esa da cozinha e se sentaram com Lorraine e com igo. Preparei o gravador sobre a m esa de fórm ica. O policial ficou de pé num canto, apoiado na geladeira. Juanita e Carlos nos autorizaram a usar as inform ações com o estudo de caso em nossas palestras, livros e program as de entrevistas. Estávam os prontos para com eçar.

“E então, Juanita, quantas pessoas vivem neste apartam ento com você?”

“Seis, incluindo m eu m arido”, ela respondeu. “Som os m eu m arido e eu, e nossos quatro filhos. No m om ento estão na casa de um vizinho.”

“Muito bem ”, eu disse, indo direto ao ponto, “pelo que entendi, um tabuleiro Ouij a foi usado aqui. O que levou você a usá-lo?”

Eu estava buscando um m otivo. Pessoas que possuem dons de clarividência legítim os às vezes usam um tabuleiro Ouij a, cartas de tarô ou um a bola de cristal para focar sua atenção. No entanto, m uitas vezes as pessoas subestim am suas próprias habilidades inatas de percepção extrassensorial, não têm um foco direcionado e se tornam vulneráveis a espíritos à espera de algum a boa oportunidade.

Lorraine e eu descobrim os que os tabuleiros Ouij a podem ser particularm ente perigosos. Muitos dos piores casos que investigam os envolveram m au uso de um tabuleiro Ouij a. Por exem plo, o film e e o livro O Exorcista foram baseados em um caso real que com eçou com um tabuleiro Ouij a. Infelizm ente, espíritos m alignos frequentem ente se fazem passar por inofensivos ou por algum conhecido seu para fazer com que você os convide para entrar em sua vida. Um a vez que você faça isso, eles com eçam a tom ar o controle.

“É, eu usei o tabuleiro”, disse Juanita, “para descobrir o que estava causando as coisas estranhas nesta casa. Os arm ários abriam sozinhos. Eu tinha a sensação de que alguém estava m e seguindo.”

Tentei colocar isso de form a m ais clara:

“Você usou o tabuleiro Ouij a porque pensou que poderia haver fantasm as na casa, foi isso?”

“Foi, eu queria descobrir”, ela disse.

Isso era encoraj ador por dois m otivos. Prim eiro, os fenôm enos sobrenaturais j á ocorriam antes que o tabuleiro fosse usado. Isso queria dizer que não foi o uso do tabuleiro que desencadeou os fenôm enos. Segundo, a intenção dela era identificar e resolver um problem a específico. Não estava apenas brincando para ver o que ia acontecer, nem m exendo com m agia negra. Estava focada em um a intenção positiva.

Porém , isso não significava que o espírito que j á estivesse causando as perturbações não fosse m aligno. E tam pouco poderiam as boas intenções dela necessariam ente evitar que “algo”, com intuitos m ais m alignos, tirasse vantagem da situação. Eu precisava saber m ais.

“Além dos arm ários se abrindo e da sensação de estar sendo observada, que outras coisas despertaram a sua preocupação?”, perguntei.

“Às vezes ouvia passos m e seguindo”, disse Juanita. “E, um a vez, o abaj ur da sala de estar estava se m ovendo sozinho.”

“Conte exatam ente o que aconteceu com o abaj ur”, incentivei-a.

“Certo. Um dia eu estava sentada no sofá. Depois, fui para o andar de cim a. Quando desci de novo para a sala, o abaj ur esta se m exendo com m uita força, sem ninguém lá. A cúpula se m exia para a frente e para trás... com m uita força”, ela contou.

Fantasm as hum anos têm a tendência de m over coisas leves. De acordo com Juanita, só a cúpula se m exia... e não o abaj ur inteiro. Os fantasm as às vezes fazem isso para cham ar a atenção. Ainda assim , espíritos m alévolos tam bém são trapaceiros e podem com eçar a agir de propósito com o fantasm as brincalhões.

“Por quanto tem po a cúpula ficou se m exendo sozinha?”, perguntei.

“Por um ou dois m inutos, acho”, ela respondeu.

“E o que você fez enquanto isso acontecia?”

“Fiquei sentada no sofá. Não quis m e m exer. Olha, eu estava com m uito m edo.”

“Aconteceu m ais algum a coisa na sala de estar?”, perguntei.

“Muitas coisas”, ela disse. “Um a vez, as luzes estavam acesas. Saí, e elas se apagaram sozinhas. Mas a pior experiência foi às três da m adrugada. Meu m arido e eu estávam os dorm indo. A TV ligou sozinha. Eu desci para desligá-la, m as ela ligou de novo!”

O que m e cham ou a atenção foi a hora. As horas entre 9 da noite e 6 da m anhã são consideradas com o as “horas parapsíquicas”. Nesse período norm alm ente está escuro, e no escuro os fantasm as e espíritos têm m ais facilidade em recolher a energia de que precisam para se m aterializar, m over obj etos ou produzir sons. As horas entre 3 e 6 da m anhã são consideradas as que apresentam m ais fenôm enos paranorm ais, porque norm alm ente são as m ais escuras. Espíritos dem oníacos em particular evitarão a luz divina e considerarão qualquer coisa em m últiplos de três um insulto à Santíssim a Trindade.

“O seu m arido tam bém notou essas coisas acontecendo?”, perguntei.

Carlos, com expressão séria, assentiu com a cabeça. Mas foi Juanita que respondeu:

“Sim , ele viu que eram três da m anhã. Sem ninguém na sala, a televisão ficava ligando e desligando, ligando e desligando. Ela ligava, e nós íam os lá desligar.”

“Com o você desligava a TV?”, perguntei.

“No início, com o controle rem oto”, ela disse. “Depois Carlos disse que, com o controle, ela não desligava. Então guardam os o controle rem oto... para ter certeza de que não era ele que estava causando o problem a. Mas a TV continuou ligando sozinha.”

“Quantas vezes isso aconteceu?”

“Cinco vezes. E era um a TV nova em folha.”

A atividade que ela descreveu poderia ser m ais um a brincadeira irritante do que algo intencionalm ente assustador. Às vezes um novo eletrodom éstico ou utilidade dom éstica pode fascinar um fantasm a hum ano. Na época, a televisão era nova em folha. Ainda havia um a boa chance de que, o que quer que estivesse causando esses eventos, fosse perturbador m as inofensivo.

“Algo m ais aconteceu na sala de estar?”, perguntei.

“Sim , e isso eu preciso contar”, Juanita com eçou. “Lem bra-se do desenho anim ado, O Rei Leão? Nós o alugam os e todo m undo, até o bebê, estava sentado na sala assistindo. Então todos nós ouvim os alguém descendo as escadas. Todos viram os a cabeça ao m esm o tem po para ver quem era. Não havia ninguém .”

Carlos falou pela prim eira vez:

“Aquilo desceu toda a escada e chegou até o prim eiro degrau!”, disse, com voz rouca. “Eram passos bem pesados, desse j eito assim ...”, disse, pisando com força no chão da cozinha. “Mas não havia ninguém lá.”

“Quantas pessoas estavam na sala quando isso ocorreu?”, perguntei.

“Oito crianças, m inha m ulher e eu, e nossos vizinhos... quatro adultos e os filhos”, Carlos respondeu.

“Quando isso aconteceu, o que vocês fizeram ?”, perguntei.

“Eu com ecei a rir”, respondeu Juanita. “Antes disso acontecer, todos estavam com eçando a achar que eu via coisas. Depois que aconteceu com todo m undo aqui, ninguém pôde dizer que era m inha im aginação. ‘Isso não é m inha im aginação’, eu disse.”

Tanto Juanita quanto Carlos tinham visto o que acontecera com a televisão. Um a sala cheia de gente testem unhou as m isteriosas passadas pesadas na escada. Esses fatos davam credibilidade tanto à história quanto à possibilidade de haver um espírito hum ano na casa. Os espíritos dem oníacos tendem a isolar as vítim as. Frequentem ente só aparecem para um a pessoa ou se m anifestam de form as diferentes para cada pessoa. É assim que geram dúvida, m edo e confusão. É assim que ganham controle.

Neste caso em particular, no entanto, eu tinha razões para crer que esses acontecim entos eram m ais típicos de um fantasm a hum ano tentando cham ar atenção. Havia um tom infantil nos fenôm enos. Mas eu precisava investigar m ais a fundo essa possibilidade.

“Aconteceu algum a coisa que realm ente apavorou vocês, em vez de apenas surpreender ou assustar?”, perguntei.

“Ah, sim , na cam a”, Juanita respondeu, arregalando os olhos. “Carlos e eu estávam os j untos na cam a quando tive a sensação de que alguém estava colocando algo em volta da m inha garganta. Eu disse, ‘Pare!’, e ele respondeu, ‘Não estou fazendo nada’. ‘Você está m achucando m eu pescoço’, eu disse, e ele respondeu, ‘Não fiz nada. Não toquei em você’. Eu gritei ‘Ai, m eu Deus’, pulei da cam a e corri para fora do quarto. A sensação é de que havia alguém na cam a.

“Você se lem bra do incidente na cam a que ela acaba de contar?”, perguntei a Carlos. “Pode m e contar com suas próprias palavras?”

Carlos se endireitou na cadeira, parecendo desconfortável. Olhou para baixo enquanto esfregava as palm as das m ãos e disse:

“Sim . Quando ela com eçou a m e acusar, pensei que estava brincando. Então ela m ostrou que estava m esm o com m edo. Quando levantou... outra coisa aconteceu. Era totalm ente… estava se m ovendo! Era com o se alguém estivesse sentado do m eu lado na cam a, tipo, se m exendo.”

Havia m edo em seus olhos e preocupação no tom de voz quando ele narrou o evento. Era óbvio que falar sobre isso incom odava a am bos. Era assustador e perturbador. Seria um fantasm a brincalhão que foi longe dem ais, ou havia algo m ais “brincando”, ali?

“Você testem unhou algum outro evento estranho aqui?”, perguntei a Carlos.

Ele relaxou um pouco e disse:

“Sim , um a vez senti algo m e seguindo enquanto descia a escada. Tinha subido para apanhar um a cam isa e, quando a segurei, senti que alguém estava olhando para m im . Peguei a cam isa e com ecei a descer. Ouvi passos e, quando m e virei, não havia ninguém . Então senti alguém segurar os pilares da balaustrada atrás de m im . Tipo assim , os pilares balançaram . Pensei que alguém estava vindo atrás de m im , ou m e perseguindo. Acho que m eu cabelo ficou todo de pé. Depois Juanita e eu conversam os sobre isso.”

“Eu costum ava chorar”, Juanita adm itiu. “Quando ficava aqui sozinha com as crianças, costum ava chorar.”

“Você tinha m edo?”, perguntei, da form a m ais gentil que pude.

“Tinha”, ela adm itiu, assentindo devagar com a cabeça.

Tive a im pressão de que Juanita e o m arido agora confiavam o suficiente em m im para com partilhar seu m edo genuíno. Eu ainda tinha esperança de que se tratava de um fantasm a hum ano, carente ou desesperado por atenção. Alguns de seus m étodos poderiam sim plesm ente não ser adequados, com o um a criança que não sabe a hora certa de parar. Mas, claro, eu não tinha certeza disso.

Olhei para Lorraine, m eu barôm etro parapsíquico. Estávam os casados e trabalhando j untos havia tantas décadas, e investigam os tantos casos, que eu não precisava de seus dons telepáticos para entender o que estava pensando. Seria isso um a fraude? Caso contrário, seria um fantasm a ou seria outra coisa? Um olhar de relance foi suficiente para ver que Lorraine sentia algo ali, m as era algo confuso e frustrado, e não m aligno. Ao m esm o tem po, nós dois com preendíam os o m edo terrível que essas pessoas sentiam .

“Aconteceu m ais algum a coisa fora do com um aqui sobre a qual queiram falar?”, perguntei.

“Bom ”, disse Juanita, “vim os gram a no chão da sala de estar. Havia uns três ou quatro pedaços de gram a. As portas e j anelas estavam fechadas. A gram a parecia ter vindo do nada.”

Isso bem poderia ser verdade. A “teletransportação” desm aterializa um obj eto e depois o m aterializa em outro lugar. Parece loucura? As viagens espaciais tam bém pareciam , não faz tanto tem po. Se teorias científicas recentes estiverem corretas, então a essência de todas as partículas m uda de energia para m atéria, e de volta para energia, continuam ente! Tudo o que Lorraine e eu sabem os é o que testem unham os por conta própria. A teletransportação acontece.

Quanto m aiores e m ais pesados os itens m ovidos, m aior a probabilidade de algo desagradável estar envolvido. A gram a, claro, é extrem am ente leve. Se aquela gram a não tivesse na verdade vindo grudada no sapato de alguém , pode ter sido um a pista deixada pelo fantasm a. Se fosse o caso, haveria algo sim ples, triste e solitário nesse gesto débil.

“Você tem dons parapsíquicos? É m édium ?”, Lorraine perguntou a Juanita.

“Não sei se entendi.”

“Você é clarividente?”

“Não que eu saiba”, respondeu Juanita.

“Todos esses anos, ela m ostrou algum tipo de dom ”, interrom peu Carlos. “Tudo que ela diz que vai acontecer, acontece. Tudo o que acontece aqui, acontece quando ela está presente.”

Mais um a vez, Lorraine e eu estávam os pensando a m esm a coisa. Um espírito hum ano aflito pode pressentir alguém capaz de senti-lo. Essa pessoa se torna o alvo de suas tentativas de conseguir atenção e aj uda. O film e O Sexto Sentido m ostra bem essa frustração por parte do fantasm a, e a confusão e o m edo por parte dos clarividentes relutantes.

Apesar de tudo o que Juanita e Carlos j á haviam descrito, foi outra coisa que levou essa m ulher a cham ar a polícia. Era hora de investigar isso.

 

Uso do tabuleiro Ouij a

“Quanto tem po depois do início das ocorrências estranhas você usou o tabuleiro Ouij a?”, perguntei.

“Ah... nove m eses”, respondeu Juanita.

“Você j á tinha usado um tabuleiro Ouij a antes?”

“Não, nunca.”

“Algum dos eventos que vocês descreveram aconteceu depois de usar o tabuleiro Ouij a?”

“Não. Todos aconteceram antes. Depois que usam os o tabuleiro, eu falei com o policial David e ele trouxe vocês até nós.”

“Quem lhe deu o tabuleiro Ouij a?”

“Minha filha o com prou e o trouxe para cá.”

“Onde está o tabuleiro agora?”, interrom peu Lorraine.

“No arm ário”, disse Juanita.

“Você não acha que seria m elhor tirá-lo da casa?”, perguntou Lorraine, preocupada com a possibilidade de que as crianças ficassem tentadas a brincar com ele.

“Ninguém tem perm issão para m exer nele”, Juanita garantiu.

“Conte o que aconteceu quando você usou o tabuleiro Ouij a”, eu disse.

“Certo. O tabuleiro m e disse que houve um assassinato aqui, coisa que eu não sabia, porque na época éram os novos aqui. Ele m e disse o nom e da vítim a”, disse Juanita, as palavras saindo rápidas.

“Quem estava com você?”, perguntei.

“Minha filha... ela tem 14 anos, e Steve... um garoto chinês m ais ou m enos da idade dela.”

“O que aconteceu quando você com eçou a usar o tabuleiro?”

“O tabuleiro Ouij a m andou Steve sair da casa, com um a linguagem m uito feia”, disse Juanita.

Precisávam os saber se a linguagem em questão era blasfêm ia dem oníaca ou só linguaj ar suj o de rua. Lorraine a encoraj ou:

“Conte-nos a linguagem exata, querida.”

Juanita hesitou e respondeu:

“Ele disse, ‘Sai desta casa, com edor de cu. Não gosto de você. Alguém tem que sair’. Então eu disse, ‘Quem e por quê?’ E ele soletrou o sobrenom e de Steve e ‘Filho da puta se m anda’. Foi aí que pedim os a Steve para ir em bora, porque queríam os continuar.”

Fazia um bom tem po desde que eu frequentara as ruas barras-pesadas de Bridgeport, m as para m im essas palavras soavam com o linguaj ar de rua.

“O que aconteceu depois que Steve se foi?”, perguntei.

“Minha filha e eu acendem os um a vela, apagam os as luzes, e fiz m ais perguntas”, Juanita disse. “Queria saber quem ele era e por que estava aqui. Ele disse que era um garoto, e que fora assassinado. Eu perguntei, ‘Por quê? Você era um traficante ou um a m á pessoa?’, e ele disse, ‘Não, eles m e assassinaram ’. Continuei perguntando por que o m ataram , e ele respondia, ‘Por nada’. Perguntei, ‘O que você quer que eu faça? Por que você veio até m im ?’. Ele disse, ‘Porque eu quero que você m e faça um favor’. Perguntei, ‘Por quê?’, m as ele não disse. Então perguntei, ‘Que favor?’, e ele respondeu, ‘Cham e a polícia’. Eu disse, ‘Cham ar a polícia, por que eu faria isso?’. Ele disse, ‘Porque eles m e m ataram ’. Ficava dizendo, ‘Socorro, socorro’.”

“Você tinha conhecim ento desse assassinato?”, perguntei a Juanita.

“Não”, respondeu ela. “E tam bém pensei que m ais ninguém sabia, e era por isso que ele estava m e perturbando.”

“Você perguntou ao tabuleiro se era o fantasm a do m enino que causava toda a perturbação em sua casa?”, perguntei.

“Sim , perguntei”, respondeu Juanita. “Ele disse que fez isso para cham ar atenção, porque, quando estava aqui e antes de m orrer, m uita gente o viu e ninguém fez nada.”

“Eles o viram ser atacado e não fizeram nada?”, perguntei.

“Não. Eles o viram depois. Fecharam as j anelas e trancaram as portas. Ele gritava alto, pedindo socorro. Todas as vezes que usei o tabuleiro Ouij a, ele dizia ‘Socorro, socorro, socorro!’.”

“O que você fez depois disso?”

“No dia seguinte contei ao policial David sobre o assassinato”, Juanita disse. “Foi então que ele m e disse que um garoto tinha sido assassinado nos fundos de nosso prédio. Eles sabiam disso e tinham prendido e condenado os assassinos. Eu disse que esse garoto ainda estava transtornado, e estava m e incom odando. O policial deve ter achado que eu estava doida, m as disse que ia ver se podia aj udar. Então trouxe vocês.”

“É, e vam os aj udar se for possível”, garanti, enquanto olhava para David, que m e parecia m ais pálido do que antes. “Aconteceu m ais algum a coisa desde então?”

“Depois que fiquei sabendo do assassinato, falei com m ais vizinhos. Eles adm itiram o que aconteceu. Alguns disseram que viram a im agem do garoto aqui no conj unto depois do acontecido. Um a vizinha achou que o viu sentado num a cadeira em sua sala de estar!”

Bom , pelo visto Juanita havia conduzido sua própria investigação parapsíquica e talvez j á tivesse algum as respostas. Era hora de confirm á-las com as autoridades e averiguar o que podíam os fazer para aj udar.

Agradecem os a Juanita e a seu m arido Carlos pelas inform ações. Prom etem os que Lorraine e eu, ou o policial David, voltaríam os a falar com eles.

 

A perspectiva da polícia

Pegam os nossos casacos, voltam os ao corredor úm ido e entram os de novo na viatura do policial David. Ele concordou em nos falar m ais sobre o caso quando chegássem os ao distrito policial, e depois ficou em silêncio. Era óbvio que estava pensando por conta própria durante o curto traj eto.

Quando voltam os ao prédio principal, sentam o-nos ao redor de um a m esa de conferências de m adeira j á bem m arcada pela idade, m unidos de canecas de café e de chá que pegam os em prestadas. Era bom ter entre as m ãos algo quente e bebericar o líquido m orno. David pousou sua caneca sobre a m esa, ofereceu-nos adoçante e crem e para o café, e nos deixou por alguns m inutos. Regressou com um a pasta de arquivo m anchada e surrada.

“Muito bem , o que querem saber?”, disse.

“Você parece perturbado”, observou Lorraine. “Aconteceu algo esta noite que perturbou você?”

“Ela nunca havia m e contado tudo aquilo antes. Com o ela poderia saber? Ela nem estava por aqui, e ninguém m ais lhe diria nada.”

Lorraine o sondou gentilm ente:

“Ela não sabia o quê?”

David deu um suspiro longo e resignado e com eçou a contar a história.

“Há cerca de um ano, um garoto foi encontrado m orto no córrego gelado que corre nos fundos do conj unto habitacional do qual viem os há pouco. O relatório da autópsia m ostrou que ele m orreu por hipoterm ia e perda de sangue.

“Havia sido espancado, despido e sofreu cortes feitos com a ponta afiada de um pequeno abridor de garrafas ou de latas. Foi deixado para m orrer no riacho num a noite m uito fria. Em suas m ãos encontram os gram a, que ele deve ter agarrado na tentativa de sair do riacho. Aqui estão as fotos do crim e, se tiverem estôm ago para olhar”, disse o policial David, ao em purrar a pasta na m inha direção. Eu a abri. Lorraine relanceou os olhos pelas fotos e desviou o olhar. As im agens eram tão terríveis quanto o policial dissera.

“Por quê?”, perguntei.

“Parece que esse pobre m enino insultou a m ãe do outro garoto. Você tinha razão, Lorraine, ele tinha um a deficiência m ental. Algum as sem anas depois do insulto, o garoto insultado enganou o m enino que o ofendeu, atraindo-o para o conj unto habitacional, onde um am igo estava esperando. Levaram o garoto até um a ravina rasa atrás do conj unto, atacaram -no, espancaram -no, tiraram -lhe as roupas, cortaram -no e o abandonaram no riacho para m orrer. Encontram os a arm a, e m uitas im pressões digitais. Eles confessaram em troca de um a sentença m ais leve.”

“O que foi que Juanita disse hoj e que perturbou você?”, Lorraine perguntou outra vez. “Você tem algum a ideia de por que essa alm a está tão atorm entada?”

“Acho que sei a resposta”, disse o policial, ainda de pé e com os punhos cerrados. “Segundo o relatório, o m enino dem orou bastante para m orrer. Tentou sair da água gelada. Deve ter ficado pedindo socorro repetidam ente. No estacionam ento, dá para se ouvir conversas particulares através das paredes. Com certeza alguém deve ter ouvido algum a coisa. E no entanto ninguém adm ite ter ouvido nada. Eles devem ter fechado as j anelas, portas e corações e deixado esse m enino sangrar até m orrer.”

“É horrível!”, disse Lorraine, com lágrim as nos olhos. “O pobre garoto provavelm ente não sabia por que fizeram aquilo. Estava tão m achucado... não podia entender por que ninguém aj udou.”

“Só posso dizer...”, disse o policial David com os lábios cerrados, “que, se fosse eu, tam bém estaria assom brando algum as pessoas.”

“Mas ele não está fazendo isso para punir ninguém ”, disse Lorraine. “Senão, por que estaria incom odando essa m ulher que nem estava aqui quando essa coisa horrível aconteceu? Não, ele ainda está confuso e lutando para conseguir aj uda e atenção. Não sabe que pode seguir adiante. Seu retardo m ental quando vivo e a confusão ao m orrer o estão m antendo preso.”

“Você acredita m esm o em todas aquelas outras coisas que ela disse?”, perguntou o policial David.

“Acredito, sim ”, Lorraine respondeu. “Senti a presença dele lá, do m esm o m odo que senti na lanchonete. Durante a sessão com o tabuleiro Ouij a, ele estava tentando proteger seu novo território, do m esm o m odo que tentava proteger seu território na lanchonete.”

“Ele provavelm ente estava brincando com a lâm pada para cham ar atenção, e com a TV porque era nova”, acrescentei. “Andar batendo o pé, seguir Juanita e Carlos, brincar com as luzes e outras coisas é o que um a criança im atura faria. Não tenho bem certeza do que aconteceu no quarto, m as talvez ele estivesse tentando abraçar Juanita e com eçou a m achucá-la, o que, claro, term inou por aterrorizar o casal.”

“Os pedaços de gram a que Juanita encontrou na sala de estar pareceram significativos para ela e para m im . Você acaba de nos contar que esse pobre garoto agarrou a gram a na tentativa desesperada de sair do riacho, antes de sucum bir à perda de sangue e ao frio.”

“Vocês sabem que é difícil para m im acreditar em todo esse negócio de fantasm as”, adm itiu o policial. “Mas de que outra form a explicar tudo isso? Supondo que sej a isso m esm o, o que fazem os agora?”

“Você é religioso?”, perguntou Lorraine.

“Bem , sim , acho que sou. Para exercer essa profissão, tenho que acreditar em algum a coisa”, respondeu o policial.

“Bom . Isso é m uito bom ”, disse Lorraine. “É im portante acreditar em algum a coisa além desse m undo. Aposto que, no seu trabalho, o tem po todo você vê coisas em que as pessoas não acreditariam .”

O policial assentiu com a cabeça.

“Bem , o m esm o acontece com igo e com Ed.”

O policial David riu e finalm ente deu um sorriso.

“Bom , aí você m e pegou. Então, o que fazem os agora?”

“Precisam os tentar nos com unicar com essa pobre alm a”, disse Lorraine. “Precisam os convencê-lo a deixar este m undo doloroso para trás e fazer a passagem . Há algum capelão na delegacia que possa fazer um a oração no local do assassinato?”

“Sim , há”, respondeu o policial.

“Ótim o”, intercedi. “Vam os providenciar isso.”

“Mais um a coisa, policial”, disse Lorraine. “Acertei quanto ao local onde a prim eira discussão ocorreu... ao lado da lanchonete perto do centro com ercial?”

“Sim ”, adm itiu o policial. “Acho que essa inform ação nunca chegou a entrar no relatório policial. É algo que eu sei por ter entrevistado os anim ais que assassinaram aquele garoto de form a tão brutal.”

Nossas bebidas haviam esfriado. Depois de olhar os relatórios da autópsia, todos tínham os perdido o apetite – o que, no m eu caso, é dizer m uito. As pesadas cadeiras de m adeira arranharam o velho assoalho de linóleo xadrez quando nos levantam os para partir. O policial precisava term inar uns relatórios antes do fim de seu turno. Lorraine e eu tínham os um longo traj eto pela frente, e anim ais de estim ação fam intos para alim entar.

Nós nos despedim os e pegam os a estrada.

 

Epílogo

Quando consultam os nossa agenda, descobrim os que estava abarrotada, com palestras em universidades em várias partes do país. Em term os de palestras, outubro é sem pre nossa época m ais ocupada. Conseguim os m andar alguns de nossos investigadores parapsíquicos de volta ao local para resolver o caso o m ais rápido possível. Seu obj etivo era estabelecer contato com a entidade em questão, confirm ar sua identidade e aj udar a lhe dar descanso.

Em bora não recom endem os esse procedim ento, eles usaram um tabuleiro Ouij a para fazer contato, j á que foi assim que o m enino parece ter se com unicado antes. Sendo alunos nossos, eles sabiam com o pedir proteção antes de usar esse instrum ento perigoso. Ao m esm o tem po, graças aos esforços do policial David, um capelão da polícia tam bém esteve presente para aj udar a garantir a segurança dos investigadores e conduzir a alm a atorm entada ao descanso.

O contato foi estabelecido. O fantasm a confirm ou sua identidade hum ana com o sendo a do m enino assassinado ao descrever exatam ente onde havia m orado. Devido a seus problem as de aprendizado, porém , ele foi incapaz de dar um endereço exato. Os investigadores reconfortaram o espírito preso à Terra e o encoraj aram a seguir viagem . O capelão da polícia abençoou o local e rezou pela alm a inquieta do m enino. Desde então, ninguém viu o m enino ou teve notícias dele... m as de vez em quando tem os algum a notícia de parte do policial, atualm ente tenente David.