Invocadores do Mal

Cheryl A. Wicks · Capítulo 20 de 27

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Invocadores do Mal

Estudo de Caso Nº 7 Como alguém que está possuído

Estudo de Caso Nº 7

Como alguém que está possuído

 

Este caso baseia-se na correspondência entre os Warren e seus

clientes. Todos os nomes de clientes e os locais citados foram

trocados ou modificados para proteger sua privacidade.

Ed Warren apresenta e discute o conteúdo da carta.

Foi no final do século XX que um a m ulher entrou em contato com Lorraine e com igo, preocupada com o m arido. Com base no que eu ouvi, alertei-a, à época, de que seu m arido estava se tornando perigoso para ela, para os filhos do casal e para si próprio. Aconselhei-a a m antê-lo afastado do resto da fam ília até que o problem a fosse resolvido. Aqui estão trechos da carta que recebem os alguns anos depois, docum entando a provação dela. A m ulher acatou nosso conselho e nos escreveu enquanto estava separada do m arido. Ela enviou fotos, j untam ente com m ais docum entação.

Estimados Ed e Lorraine,

Vocês conhecem algum exorcista de verdade? Da última vez

que falei com sua esposa e com você, disseram que meu caso poderia

ser sério e que nossas vidas poderiam estar em perigo.

Não consegui encontrar mais ninguém que levasse a sério

minha situação, exceto por uma pessoa leiga que reza para Jesus e

cujas mãos curam. As criaturas malignas em meu marido chegaram a

empurrar essa pessoa para longe, mas ela disse que Jesus é mais forte

que todo o Inferno. Ele se recuperou até certo ponto, mas algo ainda

está muito errado. Ao menos, eu quis documentar tudo que aconteceu,

para seu uso e para o meu.

Histórico

Paul e eu nos conhecemos na faculdade e nos casamos dois

anos depois. Quando ficamos noivos, Paul abandonou a igreja católica

e disse que a religião era a “panaceia das massas”.

Quando fui conhecer seus irmãos e irmãs na Suíça, senti-me

pouco à vontade com o aconchego e os afagos entre seus irmãos e

irmãs adultos. Enquanto estávamos na Suíça, eu caminhava por uma

calçada com ele quando um carro subiu no meio-fio e me empurrou

contra a parede de tijolos de uma funerária.

Descobri mais tarde que uma de suas irmãs pratica bruxaria.

Olhando em retrospectiva, agora penso que essa irmã parece não

querer que seus irmãos se casem. Coisas ruins parecem acontecer.

Logo antes de o irmão mais novo de meu marido se casar, ele visitou a

mesma irmã. Pouco depois, ele estourou os miolos com um rifle, justo

antes de seu casamento.

Incluída no m aterial que essa m ulher nos enviou, havia um a foto aérea do vilarej o onde seu m arido havia crescido na Suíça. A casa onde m orou na infância tinha sido a casa paroquial de um a igrej a, exatam ente defronte ao cem itério. Foi ali que o irm ão de Paul se m atou com um tiro logo depois de visitar a m esm a irm ã que Paul m ais tarde visitaria. Desde então, a casa foi condenada e a igrej a destruída.

Até sua última viagem à Suíça, Paul era o engenheiro chefe de

um dos maiores campos petrolíferos na Indonésia. Ele o reestruturou

para aumentar a produção – uma mudança que rendeu bilhões de

dólares a seu empregador. Tendo sido tão bem-sucedido na

reestruturação, ele estava pensando em se tornar um consultor

independente em engenharia do petróleo.

Quando ele partiu para a Suíça, acabávamos de ter nosso

quarto filho, e estávamos muito apaixonados.

Ele foi à Suíça para averiguar uma oportunidade profissional e

visitar sua irmã e a casa de sua infância. Quando voltou, era um

homem completamente diferente.

 

Sequência de eventos

Em setembro, Paul foi para a Suíça. Enquanto esteve lá, visitou

sua irmã e o namorado, que praticavam ocultismo e bruxaria. Essa

irmã disse a Paul para comer muito queijo antes de ir à casa dela. Lá,

deram a ele algumas poções “de ervas”, para ajudá-lo a relaxar.

Quando ele me ligou pela primeira vez naquela noite, disse,

“Devo ter caído no sono lá. Quando acordei, minha irmã e o

namorado haviam ido embora. Acho que estou ficando louco”.

Para um hom em culto e realizado afirm ar que acha estar ficando louco, algo m ais deve ter acontecido além de cair no sono na casa da irm ã.

Ele me ligou de novo um pouco mais tarde, e foi estranho.

Queria fazer sexo pelo telefone. Paul nunca tinha falado comigo

daquele jeito. Ele pedia para eu me masturbar etc.

Quando alguém está sendo oprim ido por um a ou m ais entidades m alignas, com frequência assum e características m alignas específicas. Gula e apatia são com uns. Nesse caso, a luxúria era a m anifestação prim ária, com apatia e gula em seguida.

Enquanto ainda na Suíça, Paul foi a uma psicóloga –

recomendada pela irmã – que o fez remover qualquer medalha

(religiosa) que ele usava e o escapulário[29]de Nossa Senhora. Ele

disse que essa mulher soprou ar – ou droga – pelo seu nariz e ele se

sentiu muito poderoso. Sentiu como se pudesse fazer um foguete

decolar com a voz.

Quão profissional seria qualquer “psicólogo” que insiste na rem oção de m edalhas religiosas e sopra algo com o cocaína no nariz do paciente? Paul usava m edalhas religiosas porque havia retornado à Igrej a depois do casam ento, pensando nas crianças. Um a das filhas do casal estava se preparando para a prim eira com unhão à época em que tudo isso com eçou.

Paul perdeu o voo de volta para casa, e visitou a irmã de novo.

Ela era enfermeira, e conseguiu para ele um atestado médico. Ele foi

examinado em um hospital de Zurique e conseguiu remarcar sua

passagem.

Ele finalmente embarcou em um voo que fazia escala em Paris,

onde foi desembarcado e enviado a um hospital para observação.

Obviam ente, Paul não estava agindo de form a apropriada, se teve que ser desem barcado e hospitalizado no m eio da viagem . O fato de ter sido necessário hospitalizá-lo duas vezes antes que ele conseguisse chegar em casa indica com o seu com portam ento devia ser bizarro, e com o havia m udado rápido. A ocorrência súbita de eventos com o esse não é incom um em casos de bruxaria.

Mais tarde, Paul tomou um avião de volta para os Estados

Unidos, mas estava agindo de forma estranha. Eu fui buscá-lo no

aeroporto. Ele foi o último a sair do avião, e movia-se bem devagar.

Quando entrou no carro e pegou a direção, estava dirigindo de

forma diferente. Em geral era um motorista calmo e cauteloso, mas

estava imprudente e dirigia aos trancos. E não sabia o caminho para

casa. Ele pensou que podia voar sobre uma ravina, de uma autopista a

outra.

No caminho para casa, ele disse, “Precisamos nos divorciar. Vai

ser duro no começo, mas precisamos fazer isso”. Fiquei

completamente arrasada. Ele então me disse que ficou com uma

garota em um bar, na Suíça, e foi ao apartamento dela.

Mais tarde, Paul me contou que, quando visitou o túmulo do

irmão na Suíça, ficou acordado a noite toda. Depois, ele sentiu uma

presença maligna no carro que estava dirigindo. Ele me contou que

sabia que era o demônio; e quando olhou, seu velocímetro havia

mudado para 666!

Muito provavelm ente esse foi um dos eventos que fez Paul achar que estava ficando louco, quando ligou da Suíça para a esposa pela prim eira vez. Essa tam bém poderia ser um a experiência induzida por drogas.

Naquela época ele confrontava as coisas e compartilhava suas

preocupações. Era como se fosse ele mesmo, mas aterrorizado. Às

vezes dizia: “Como vou me livrar de todos esses fantasmas?”

As visões que um a pessoa enxerga durante um ataque dem oníaco não são fantasm as. São m ais com o m onstros. Não são e nunca foram hum anas. Mas a m aioria das vítim as não sabe com o cham á-las, porque tais criaturas perm anecem invisíveis aos dem ais.

Paul perdeu seu emprego excelente e foi despedido de uma

consultoria quando bateu o telefone na cara do cliente. Foi trabalhar

em outra consultoria e terminou discutindo com o proprietário,

acusando-o de ser um moleque mimado e fazendo com que o homem

tivesse um ataque sério de asma.

Quando voltou para casa, contou-me que não conseguia tirar os

olhos das mulheres por toda a cidade e que todas elas pareciam

modelos. (Ele nunca tinha me falado sobre outras mulheres antes.)

Então, se eu ficava furiosa por causa de suas escapadas, por me trair

etc., ele ficava com um olhar vazio, erguia os olhos como se estivesse

vendo algo e se tornava muito estranho e bizarro. Não entendia inglês,

falava suíço-alemão ou algo assim.

Ele não conseguia se sentar em uma cadeira. Deslizava para o

chão ou andava por cima dos móveis.

Levei-o ao pronto-socorro local. Decidiram interná-lo, e

transferiram-no para um hospital psiquiátrico, por considerá-lo um

“perigo para si mesmo e para os outros”. Ele fugiu do hospital depois

de pedir que removessem suas algemas para que pudesse usar o

mictório. Foi capturado pela polícia e levado de volta ao hospital

psiquiátrico.

Ele ficou lá 3-4 dias e foi diagnosticado como bipolar. Ele me

disse que, durante sua estada lá, estava no Purgatório ou no Inferno,

com o irmão que havia se matado. Ele via demônios em seu quarto.

O dem ônio trapaceiro usou a im agem do irm ão de Paul para controlá-lo e atorm entá-lo.

Depois que teve alta, fui com ele pegar sua medicação.

Enquanto eu estava no balcão da farmácia, ele desapareceu por um

instante. Eu o vi lendo a revista Cosm opolitan, algo que nunca fez.

Quando fomos para o estacionamento, o gerente da loja apareceu,

com um casal jovem e então a polícia. Eu não sabia o que estava

acontecendo. A jovem disse que Paul tinha enfiado a mão por baixo

dos shorts dela enquanto estava na fila. A polícia deixou-o ir quando

eu disse que ele havia acabado de sair do hospital e necessitava de

medicação.

Em casa, foi terrível. Ele agia como se estivesse rodando pelas

paredes, sem peso. Disse que queria nos ver fora da casa, na rua e

sem dinheiro... ou mortos. Precisava ser vigiado a cada segundo. Ele

trombava de propósito com as pessoas no mercado. Eu tinha que

segurá-lo pelo braço.

Em um raro momento de relativa normalidade, ele me disse que

sentia uma nuvem – ou sensação – maligna muito negra baixando

sobre ele.

Depois de consultar o padre de nossa paróquia, Paul e eu

tomamos um avião com nossos dois filhos mais novos e fomos para

outro estado consultar um padre que havia visto coisas assim antes.

Ele precisava manter segredo sobre isso, pois o superior dele não

apoiava seu envolvimento com tais coisas.

Meu marido disse que a água benta o queimava. Depois de três

sessões, e enquanto estávamos na sala do padre, meu marido

começou a tocar suas partes íntimas na frente do padre. Este

perguntou: “Quem fez isto com você?” Meu marido disse que tinham

sido sua irmã e o namorado dela. O padre perguntou: “O que você

deve fazer?” Paul respondeu: “Matar minha família”. O padre

perguntou: “O que você ganharia com isso?” Paul disse: “O demônio

promete que vou ter sexo para sempre no inferno”. Ele disse tudo isso

diante de nossos filhos mais novos (na época com 1 e 3 anos).

Depois de voltarmos para nossa cidade, no estacionamento do

aeroporto nosso carro não pegava. Ele achou que poderia carregá-lo.

Chegando em casa, qualquer coisa mecânica que Paul tocasse

quebrava – o varredor automático, o controle remoto da garagem...

Uns dias depois, achei que ele estava melhor. Ele disse que ia lá

para cima, ver um jogo. Subi mais ou menos uma hora depois e ele

não estava lá. Ele havia saído pela janela do banheiro, escalado uma

parede de estuque e ido a um bar topless, retornando com filmes

pornôs para mostrar a nossas filhas de 13 e 7 anos. Ele estava, ainda,

com as calças do avesso. Tentei tirar os filmes dele, e ele os enfiou na

parte da frente da cueca.

Paul disse que seria bom se pudesse fazer sexo com outras

pessoas. Ele não queria nenhuma proteção contra gravidez e desejava

muito sexo selvagem. (Ele podia fazer sexo o tempo todo – ereção

permanente.) Ele não chegava ao clímax, e podia continuar e

continuar e continuar... ele arrancava minhas roupas. Na época, eu

havia acabado de fazer minha quarta cesariana, e não era prudente

ter outro filho.

Quando eu ia ao parquinho com as crianças, eu o levava pela

mão, para mantê-lo longe de outras pessoas. Ele nunca brincava com

nossos filhos no parquinho. Em geral ficava apenas sentado. Uma vez

ele subiu facilmente por um poste reto (como um poste de bombeiro).

Todas as suas preferências alimentares mudaram. Ele também

achou ter perdido o olfato, e ainda acha. Ainda não ouve bem. Sua

visão mudou, bem como sua caligrafia.

Paul, com o descrito, com certeza exibe sinais clássicos de opressão e possessão. As m udanças que dem onstra, testem unhadas por outras pessoas, vão m uito além do superficial. Mais do que as m udanças físicas e de com portam ento, são significativas suas novas capacidades físicas e o fato de falar em um outro idiom a, desconhecido.

As fotos que essa m ulher enviou com a carta tam bém confirm am as m udanças. Um a foto tirada pouco antes da viagem dele à Suíça m ostra um hom em m agro, bem -vestido e bronzeado, cuj os olhos dem onstram afeto, alegria e am or pela fam ília que está abraçando. Apenas um m ês depois, outra foto m ostra o m esm o hom em de pé, distanciado de todos. Parece desleixado e obeso, e tem olhos frios e sem vida, em m eio a um a face cinzenta.

Levei-o a outro psicólogo, que admitiu sentir que havia algo

sobrenatural envolvido. Paul andou por cima dos sofás do médico e

escondeu-se dentro do banheiro com as luzes apagadas. Ele ainda faz

isso. Um dia, enquanto estava no banheiro escuro, eu o ouvi dizer: “E

agora, mestre?”

Em meados de outubro, ele estava sempre entrando em nosso

quarto e trancando a porta. Mais tarde encontrei fios conectando a

tomada e a televisão às partes metálicas da cama. Duas vezes acordei

e descobri que ele havia passado um cinto ao redor de meu pescoço.

Meu grito, “Paul! O que está fazendo?”, trazia-o de volta a si. Mais

tarde, o cano de gás de nosso aquecedor de água foi partido

manualmente e apresentava um vazamento sério.

Ninguém pensaria que seria necessário que eu alertasse aquela m ulher de que a vida dela e dos filhos estava em perigo. Mas, por m ais estranho que pareça, o com portam ento dela tam pouco era incom um . Ela estava tentando m anter a fam ília unida, ela am ava o m arido e pai de seus quatro filhos, e não podia crer que ele não era o m esm o hom em . Ela estava ocupada dem ais tentando trazê-lo – e a vida de todos – ao norm al para reconhecer que ela e a fam ília poderiam estar em perigo real.

Ainda, a opressão dem oníaca afeta m ais do que o indivíduo m arcado para possessão. Por exem plo, no caso de Am ity ville, tanto George quanto Kathy Lutz perderam o interesse em coisas que eram im portantes para eles antes da m udança para a casa. George ignorou seus negócios e não tom ava banho, enquanto Kathy não queria sair de casa nem term inar de fazer as com pras de Natal.

Sempre que eu o confrontava com a verdade, ele ficava furioso.

Ele bateu na cabeça de minha filha duas ou três vezes por ela ter dito

algo. Em algumas ocasiões, eu perguntava onde estava nosso filho de

1 ano e ele respondia: “Acho que o afoguei na piscina”.

Ele ficava me dizendo que “o grande evento” – Halloween –

estava chegando. Ele receava o que podia acontecer.

E as coisas ficaram piores. Encontrei-o de cuecas no chão do

quarto de minha filha, rosnando como um lobo. O pastor dr. D ligou

naquele momento. Coloquei o telefone no ouvido de Paul enquanto o

religioso invocava o Precioso Sangue de Jesus. Ergui uma estátua da

Virgem Santíssima sobre Paul, orei e invoquei Jesus, Maria e São

Miguel. Paul começou a puxar o tapete, arrancou as cortinas, tirou as

roupas, destruiu as camas e então horríveis sons e grunhidos malignos

saíram de dentro dele.

Isso não é bom . O com portam ento e os sons terríveis descritos provavelm ente não são hum anos.

Enquanto brincava com as crianças no andar de baixo, nosso

cão de repente ficou enlouquecido e mordeu meu filho de 3 anos.

Enquanto eu me arrumava para levar o garoto ao hospital, meu

marido dançava nu na frente de nossos quatro filhos, e então sentou-se

no sofá numa posição estranha, de pernas cruzadas.

O cão provavelm ente estava reagindo assustado com base no que seus instintos diziam estar presente. É im provável que o próprio cão estivesse possuído. Entidades m alignas querem alm as hum anas... para controlar nosso livre-arbítrio. Já houve casos em que se m anifestaram em anim ais, m as tais criaturas j am ais seriam confundidas com o anim al de estim ação da fam ília.

Cuidei de meu filho e internei meu marido. Passei muitas horas

no hospital tentando trazer Paul de volta para a realidade. Ele estava

sob sedação pesada e dormiu muito. Pedi a padres que viessem visitá-

lo.

Paul pode ter dorm ido, m as o diabo não. Ele nunca dorm e. Ele não precisa.

Depois de receber alta, Paul se tornou avesso a mim, às

crianças e a qualquer tipo de trabalho ou obrigação. Diante de

qualquer prece, terço ou missa, ele de imediato caía no sono.

A reação dele a qualquer coisa religiosa é previsível, com o acontece com qualquer um sob a influência de um a entidade m aligna. As reações ou são violentas e blasfem as, ou com pletam ente apáticas e inertes. Essa gam a de reações tam bém ocorre durante exorcism os.

Tive de ensinar Paul a fazer as coisas. Ele parecia uma pessoa

com um retardo mental grave, ou um alienígena. Não reconhecia os

utensílios. Ele achava que, para cozinhar um ovo, bastava colocá-lo

no fogo, sobre o fogão (sem necessidade de panela). Para tirar as

folhas do gramado, ele achava que devia usar as mãos. Durante esse

tempo, ele me disse que iria para o inferno, e que me levaria também.

Eu lhe disse: “Não, você não conhece a Promessa do Escapulário

Marrom?”[30]

No entanto, algo estranho aconteceu uma semana atrás, quando

ele usou o escapulário, o crucifixo e a medalha de São Bento durante

uma cirurgia de hérnia. A enfermeira disse que ele ficou muito

violento depois da operação... arranhando de forma horrível o

pescoço até conseguir arrancar o escapulário e as medalhas. A

enfermeira disse que ele tinha uma expressão horrível enquanto fazia

isso. O episódio me fez sentir que o subconsciente dele transpareceu,

revelando seu ódio pelos símbolos sagrados da Igreja.

Lorraine e eu suspeitam os que algo além do “subconsciente” dele estava transparecendo.

Ele não estava mais agindo como “alucinado”, mas ficou muito

preguiçoso, avesso ao trabalho, quer ir à bancarrota e não faz nada

para prover sua família. Quando um de nossos filhos escorregou no

piso de ladrilhos, bateu a cabeça e começou a chorar, Paul

simplesmente se levantou e foi embora.

As crianças não suportam ficar perto dele. Ou ele usa uma voz

fingida, doce e cantarolada, ou uma voz horrível. Elas não suportam

ser tocadas por ele. Gritam se ele as desperta de manhã. Os olhos

dele me aterrorizam e seu rosto ficou medonho. Ele só se preocupa

em comer e se empanturrar.

Com o disse antes, “efeitos colaterais” com uns da opressão diabólica são a apatia e a gula... que com frequência são difíceis de distinguir da depressão. O com portam ento aterrorizante de Paul, súbito, descontrolado e crônico, porém , é um pouco m ais fácil de diagnosticar com o anorm al. As fotos enviadas com a carta dessa m ulher confirm aram as m udanças físicas que ela descreveu.

Paul não diz que me ama. Agora sinto muita dor, ressentimento e

não quero “odiar”, pois isso é coisa do demônio. Mas tenho

dificuldade em dizer “eu te amo”. Eu me pergunto se Paul em algum

momento volta, ao menos até certo ponto, a seu corpo, ou se algum

ser maligno está sempre esperando em sua mente, por trás de uma

cortina sombria.

 

Sum ário

Já consultamos quatro psiquiatras... dois deles sentiram, depois

dos exames, que estamos lidando com uma situação sobrenatural.

Paul foi hospitalizado duas vezes na Europa e duas vezes nos Estados

Unidos. A medicação receitada parece não ter nenhum impacto físico

ou emocional a longo prazo em seu estranho comportamento.

Também procurei a ajuda da Igreja. Um padre, já falecido, leu

um “exorcismo curto”, que teve pouco efeito sobre o problema. Outro

ouviu os grunhidos não humanos dele ao telefone. Esse foi o pastor

que me passou o nome de vocês para que eu entrasse em contato. Um

terceiro padre me indicou um quarto, que acha que esta não é a área

dele.

Desde a última viagem de Paul à Suíça, ele de repente passou a

precisar de óculos. Perdeu o olfato. Sua audição deteriorou. Sua

caligrafia é diferente. Seus hábitos alimentares mudaram. (Antes, ele

nunca comia fast food, e agora ele adora.)

Ele consegue escalar, sem esforço, postes retos, prédios e a

parede de nossa casa. Ele se esqueceu de como dirigir, onde moramos

e como fazer coisas simples, por exemplo, como usar a mobília e

mesmo como falar e compreender inglês. Ele fala um idioma

estrangeiro que nunca antes o ouvi falar.

Ele ameaça a família e a coloca em risco, ligando fios elétricos

a nossa cama, desconectando ou quebrando os alarmes de incêndio, e

outros comportamentos perigosos ou negligentes.

Sua reação a confrontos pode ser violenta ou apática, e ele

adormece quando exposto a preces, uma missa ou um terço. Ele

também tem uma reação negativa e às vezes dolorosa a medalhas e

símbolos religiosos.

Seu apetite por sexo selvagem e pornografia é constante e

demonstra total falta de respeito por nossos filhos, por outras pessoas e

por mim. Ele não consegue manter um emprego apesar de sua

formação e de seu sucesso no passado como engenheiro petrolífero.

Situação atual

É difícil falar ou escrever sobre tudo isso, mas temo que meu

marido não esteja livre do mal. Acordo todo dia com meu coração

apertado, recordando a experiência, desejando que tenha sido um

sonho ruim. Agora necessito de medicação para a disritmia cardíaca

que resultou de todo o choque. Preocupo-me com meus filhos, com

uma recaída e com minha própria superação desse trauma.

Paul não mora conosco faz quase um ano. Mas eu o vi neste fim

de semana. Visitamos um templo e acendemos uma vela. Acho que é

um bom momento para tentar estabelecer uma conexão com Paul.

Confio que Jesus vai me ajudar, pelo bem de meus filhos.

Conversei com o padre que vai rezar a missa de aniversário do

padre Pio,[31]mas ele diz que não é especialista nesses assuntos. É

por isso que necessito de alguém que seja. Possam Jesus, Maria, José

e São Miguel, e todos os anjos e santos, ajudá-lo em seu corajoso

trabalho, e possa o Espírito Santo sempre iluminá-lo.

Essa m ulher descreveu o horror de ver alguém que ela am a – e sua própria vida – m udar com pletam ente ante seus olhos, sentindo-se im potente para fazer qualquer coisa quanto a isso. As m elhores m entes científicas, instituições e drogas ofereceram pouco ou nenhum alívio. Se isso é o que penso que é, o alívio duradouro só pode vir de um exorcism o religioso, apelando para o poder de Deus.

Aconselhei a cliente a ficar, com seus filhos, longe daquele hom em . Ele j á não era a m esm a pessoa que a fam ília havia conhecido. Infelizm ente, havia pouco que Lorraine e eu pudéssem os fazer por ele, pois Paul não havia pedido nossa aj uda. Mesm o quando Jesus estava expulsando dem ônios, sem pre perguntava à vitim a se queria que o dem ônio fosse expulso, antes de ser de fato exorcizada.

O livre-arbítrio é poderoso. Não é possível exorcizar o dem ônio de um a pessoa sem que ela reconheça o problem a e desej e solucioná-lo, da m esm a form a com o não é possível curar um vício nessas m esm as condições.

Tem o que o m al que controla Paul não tenha sim plesm ente ido em bora, m as que estej a lá, dorm ente, esperando um a oportunidade para atacar. Infelizm ente, se não houver um a intervenção religiosa, o resultado provável será a m orte. A saúde de Paul deve continuar a se deteriorar, ou ele pode ser levado ao suicídio. Com sorte, ninguém m ais sairá ferido. Se exam inarm os com atenção os assassinatos em m assa, talvez encontrem os m ais casos de um a “doença m ental” que desafia o diagnóstico e o tratam ento.

Infelizm ente, as próprias pessoas que podem aj udar com frequência relutam em fazê-lo. Há m uito poucos exorcistas treinados, porque é um trabalho perigoso e desagradável... e j á há um a escassez de padres católicos devotos para servir as necessidades espirituais m ais rotineiras dos fiéis. Adem ais, a Igrej a abom ina publicidade. Em alguns aspectos, eu com preendo. Esse é um assunto sério, não um circo. Mas o “segredo” e a “confidencialidade” podem encobrir m ais do que o m al do abuso de m enores.

Com o essa m ulher diz em sua carta para nós, “Possa o Espírito Santo sem pre ilum iná-lo”... e por favor fique longe de qualquer um – incluindo parentes e am igos – de quem você sequer suspeite que adora Satanás e pratica m agia negra.

“Estive em m uitos locais onde ocorreram hom icídios, incluindo

assassinatos m últiplos que term inaram em suicídio.

Eram locais onde as coisas sim plesm ente não pareciam certas.

A atm osfera em alguns casos era tão zom beteiram ente m aligna, pesada e

assustadora que senti que deveria orar pelas vítim as.”

Detetive forense, em um a carta para os Warren,

agosto de 2000