Invocadores do Mal
Estudo de Caso Nº 4 O poltergeist da água
Estudo de Caso Nº 4
O poltergeist da água
Todos os nomes e locais desta história real foram trocados ou
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Ed Warren descreve o caso.
Precisa-se de guarda-chuvas
Haviam se passado alguns dias desde que déram os um a palestra em um a universidade na Pensilvânia quando recebem os um telefonem a de um a m ulher que estivera na plateia. Sua voz soava tanto cautelosa quanto cansada. Contou que ela e sua fam ília vinham enfrentando episódios em que ocorria a aparição m isteriosa de água em lugares im prováveis. Algo em seu tom de voz m e im pediu de encam inhá-la a um encanador ou alguém que consertasse telhados. Lorraine e eu havíam os investigado outros casos que envolviam m anifestações estranhas de água. Este bem podia ser m ais um caso assim .
O que de im ediato tornou fora do com um este caso foi a afirm ação da m ulher de que os estranhos acontecim entos tinham com eçado na casa de seu sogro, seguiram -no até a casa da filha dele e chegaram a ocorrer até m esm o do lado de fora. Tam bém houve episódios cada vez m ais sérios de danos físicos com o j anelas e luzes quebradas e m obília derrubada. Do ponto de vista de um dem onologista, isso não soava nada bem . Mil perguntas m e vieram à m ente, m as teriam de esperar até a investigação.
Tentei não parecer m uito preocupado quando disse à m ulher que, graças ao cancelam ento recente de um a palestra, poderíam os visitar a casa de seu sogro no dia seguinte. Ela ficou tão agradecida que nem estranhou a brecha incom um em nosso cronogram a. Ela explicou com o chegar de carro, e concordam os em nos encontrar por volta das 11 da m anhã. Depois de desligar o telefone, cham ei dois de nossos investigadores, pedindo que se j untassem a nós, e disse a Lorraine que estava pronto para o alm oço.
“Que bom , querido!”, foi tudo o que respondeu.
Na m anhã seguinte, os pesquisadores apareceram em nossa casa com todo seu equipam ento, j usto quando Lorraine e eu term inávam os o café. Carregam os câm eras, equipam ento de vídeo e outros sensores na parte de trás de nossa van. Meu gravador, fitas e algum as pilhas extras para o gravador foram no banco da frente. Lorraine levava no colo o m apa e as indicações do cam inho. E assim partim os!
Estávam os em m eados de dezem bro e fazia frio suficiente para nevar. As poças ao longo da rodovia estavam congeladas e a geada deixava brancos os cam pos e pastos que víam os pela j anela, enquanto percorríam os as estradas pouco m ovim entadas naquele princípio de m anhã. Assim que saím os das vias principais, fizem os um a parada. Lorraine tom ou um a xícara de chá enquanto nós tom am os m ais um a xícara de café. Eu com i um a fatia de torta de m açã caseira. Enquanto isso, a m anhã ensolarada tornara-se nublada, e agora havia sensação de frio e um idade.
Deixam os a pequena área de descanso à beira de estrada e seguim os cam inho. A paisagem tornou-se m ais e m ais rural à m edida que seguíam os as indicações e as áreas de fazendas deram lugar a bosques cada vez m ais densos. Pouco antes das 11 da m anhã chegam os ao local que buscávam os, onde havia três caixas de correio agrupadas. O terreno m ontanhoso havia sido parcialm ente desm atado e foi possível ver à distância as três casinhas brancas, quadradas e bem conservadas, m as m altratadas pela intem périe. Duas delas praticam ente ficavam um a em frente à outra, separadas pela rua. A terceira podia ser vista m ais ao longe. Deveríam os parar na casa m aior, um tanto m ais recente, situada do lado direito da rua.
Foi o que fizem os. Eu m al havia estacionado o carro quando as duas portas de trás se abriram e nossos investigadores saltaram . Lorraine e eu nos m ovem os um pouco m ais devagar. Meus j oelhos estavam duros por ter dirigido tanto tem po, e foi bom poder esticá-los. Olhando ao redor, vim os um a m esa de piquenique no quintal lateral, protegida por enorm es carvalhos e plátanos. Do outro lado da rua, a casinha branca tinha um a grande pilha de troncos em pilhados com capricho, e grandes pinheiros aqui e ali. Nos fundos da casa m enor, a um a certa distância, passava um a linha de alta tensão, por baixo da qual havia um a fileira de tocos de árvores.
A porta da casa m aior (m as ainda assim pequena) abriu-se, e por ela saíram tantas pessoas que pensei naqueles carrinhos lotados com m ais palhaços do que pareceria possível. Havia um hom em grandalhão com um a m ulher rechonchuda, os dois com uns 30 anos, e seu filho adolescente. Atrás deles vinham um a m ulher de m eia-idade e um hom em encurvado com o cabelo todo branco. O hom em m ais novo, a m ulher e o adolescente se aproxim aram de nós, enquanto as outras duas pessoas voltaram para a casa.
“Olá. Sou Sarah Bentley. Fui eu quem ligou para vocês”, disse a m ulher de cabelos escuros enquanto apertava m inha m ão e a de Lorraine. Ela nos apresentou seu m arido, Ken, e o filho, John. Apresentei a eles Lorraine e nossos pesquisadores.
“Do outro lado da rua fica a casa de m eu sogro, onde tudo com eçou”, Sarah disse. Ela contou que sua cunhada havia registrado tudo o que ocorrera e nos convidou para entrar. Peguei m eu gravador e fom os atrás dela.
A cunhada de Sarah, Ann, era alta e m agra, com olhos m uito azuis e cabelos louros curtos. Usava botas de trabalho, j eans e um suéter verde volum oso. Ela nos deu as boas-vindas a sua casa e nos convidou a ocupar os assentos na sala de estar, escassos m as confortáveis. Coloquei o gravador na m esa de centro. Nossos pesquisadores e o adolescente, John, ficaram de pé, encostados ao batente das portas. Olhando pelas j anelas, vim os que tínham os calculado bem nossa chegada. O céu ficara todo cinza de repente, e um chuvisco congelado agora revestia os vidros.
Com ecei falando eu m esm o no gravador.
“Para registro... Estam os na Pensilvânia e hoj e é 16 de dezem bro de 1990. Estam os na casa de Ann Bentley, filha de Harry Bentley, que vive do outro lado da rua e tem 84 anos de idade. O filho de Harry, Ken, a nora Sarah e o neto, John, m oram em outra casa aqui perto. Eventos m isteriosos envolvendo água levaram Harry a se m udar para esta casa, onde m ora sua filha, Ann. Tudo isso está correto?”, perguntei à fam ília. Eles concordaram e eu perguntei a Ann, “Há quanto tem po você m ora nesta casa?”
“Este é o décim o terceiro inverno”, ela disse.
“Pelo que entendi, todas as coisas estranhas aconteceram na casa de seu pai até que ele veio m orar com você. A partir de então com eçaram a acontecer tam bém aqui. Correto?”
“Correto”, respondeu ela, e calou-se.
Parecia nervosa. Mexia nos papéis que tinha no colo e olhava ansiosa para fora, com o se quisesse fugir. Algum as pessoas tem em que as considerem os m alucas; outras acham que os m alucos som os nós. Há tam bém quem receie que, por sua clarividência, Lorraine sej a capaz de ler m entes e invadir pensam entos alheios.
“Há quanto tem po essas coisas estranhas vêm acontecendo?”, prossegui.
“Este é o terceiro ano.”
“Qual foi a últim a vez em que algo realm ente aconteceu?”
“Foi em agosto deste ano. Há m ais ou m enos três m eses e m eio.”
“Não pude deixar de notar que há m uitas m arcas de água em seu teto. São resultado de goteiras no telhado?”
“Não”, Sarah respondeu por Ann. “Já checam os tudo. A água parece que espirra no ar, saída do nada. Não podem os explicar de onde vem . Vem do teto. Vem do ar.”
“Certo”, eu disse. “Ann, pode m e dizer quando essas coisas aconteceram , e onde?”
Ela baixou a cabeça, olhando os papéis que tinha no colo.
“Tenho três calendários aqui”, disse. “Os eventos aconteceram várias vezes antes de com eçarm os a anotar. Ken m e pediu que com eçasse a registrar tudo.”
“Vam os ouvir o que você tem aí”, encoraj ei.
Sequência dos acontecim entos relacionados à água
Ann folheou suas anotações e com eçou.
“Muito bem , pouco m ais de dois anos atrás, em novem bro de 1988, m inha m ãe foi hospitalizada com m al de Parkinson.”
Ken interrom peu. Ele era um hom em alto e robusto, com cabelos castanho-claros e m ãos calej adas.
“Quando nossa m ãe estava hospitalizada, parecia que só o corpo dela estava lá. Em alguns dias, ela m e reconhecia. Em outros, não.”
Ann prosseguiu:
“A água com eçou em 20 de dezem bro, na casa do m eu pai. A casa inteira estava m olhada – as cam as e todo o resto estavam encharcados. Tive que ir até lá, e no dia seguinte ele se m udou.”
Ken esclareceu:
“Ele disse que, quando com eçou, era pouca coisa. De repente ele sentia um pingo e olhava ao redor, im aginando de onde diabos tinha vindo. Ele acendia o fogão a lenha, feito de ferro, e o fogo com eçava a arder. Aí vinha um j ato de água e apagava totalm ente o fogão. Para ele foi o bastante. E toda vez que ele tentava voltar para sua casa, a água reaparecia poucas horas depois.”
Ann concordou e prosseguiu:
“Não conseguim os encontrar nada que estivesse quebrado e precisando de conserto, e ele passou a ficar aqui. Dia sim , dia não ele voltava lá para ver com o estavam as coisas e acender o fogão. Mas sem pre havia água na casa.”
Sarah acrescentou:
“Quando falam os em água, quero dizer um a cam ada de uns dois centím etros cobrindo todo o piso”, acrescentou Sarah. “Ficava tudo pingando água. Quando secávam os o chão, chegava a fazer onda. Não era só um a poça. Estragou o chão da sala de j antar. Tivem os que colocar um piso novo. Se a água caía em m esas ou outras superfícies planas, evaporava bem rápido. Mas tentávam os tirar o m ais rápido possível a água do chão, antes que ela apodrecesse o piso.”
“A água deixava um a substância viscosa?”, perguntei.
“Deixava”, concordou Sarah.
“A água tinha cheiro?”
“Não”, ela respondeu.
O velho finalm ente se m anifestou, com um a voz grave e áspera.
“Isso acontecia na cozinha o tem po todo... a coisa m ais estranha do m undo. Pareciam cachos de uvas pendurados, iam ficando cada vez m aiores, e então BUM! E aí aparecia outro... e m ais outro. Tudo na casa se enchia de água. Caram ba! E aí as luzes se apagavam . As luzes aqui na casa de m inha filha tam bém se apagaram um as duas vezes.”
“Algum a vez você sentiu um odor de ozônio na casa... o cheiro que se sente no ar depois de um a tem pestade elétrica, ou em um pátio de ônibus elétricos?”
“Sei do que você está falando”, Ken disse. “Não, nunca houve esse odor.”
“Algum a coisa foi quebrada por esse fenôm eno na casa de Harry ?”, perguntei.
“As únicas coisas que se quebraram lá foram as lâm padas da cozinha”, respondeu Sarah. “O suporte delas se encheu de água e as lâm padas explodiram .”
Esse dano parecia m ais um a consequência do que intencional. Era um bom sinal que ninguém tivesse relatado o cheiro de coisas podres ou de ozônio – fortes indicativos de um a presença m aligna. Ainda assim , algo sobrenatural parecia estar acontecendo. O resíduo viscoso era apenas um a das pistas.
Ann fez um resum o de sua lista de acontecim entos.
“Papai concordou em ficar com igo durante o inverno, na esperança de poderm os resolver esse problem a na prim avera. A água com eçou a aparecer na m inha casa logo depois do Ano-Novo, em 17 de j aneiro de 1989. Ainda assim , a m aior parte da água ainda estava na casa de papai.”
“Ele tentava voltar para a casa dele, m as aparecia água lá. Ele voltava para cá, e uns dois dias depois aparecia água aqui em casa tam bém . Com o papai disse, a água se form ava no teto, principalm ente na cozinha... depois na sala de estar... e finalm ente nos quartos. Eram bolhas de água, em cachos com o uvas. Elas com eçavam a trem er, e pam! Voavam para cim a da gente. No fim , pedim os a Harry para ficar longe da casa dele.”
“Você chegaram a encontrar algum a causa física para algum desses eventos?”
Ann fez que não com a cabeça.
“Ken é carpinteiro”, disse. “Ele subiu no telhado, foi ao sótão e se enfiou no vão de acesso que existe por baixo da casa. Estava tudo seco. Não havia razão para estar úm ido no interior da casa de m eu pai ou aqui.”
“Cham am os tudo quanto é engenheiro e especialistas em encanam entos, aquecim ento e eletricidade”, acrescentou Sarah. “Ninguém achou nada. Tudo estava sem pre totalm ente seco.”
“Nós os cham am os para verificar se havia gás na casa. Duas vezes”, inform ou Harry, o pai de Ann.
“Cham am os a com panhia de gás, depois de concluir que a perturbação devia estar relacionada com o gás”, explicou Ken. “Vieram com aparelhos que podem detectar 15 tipos diferentes de gás, e disseram , ‘Com certeza, não’.”
“Estou tão cansada de ouvir falar de ‘gás’”, disse Sarah. “Todo m undo tinha essa teoria. Tam bém verificam os se havia radônio. Um cara disse que era gás m etano... gás de esgoto. Investigam os isso. Checam os os respiros do esgoto. Não há gás.”
“Cheguei até a ligar para a estação m eteorológica”, Sarah disse.
“As coisas pareciam sem pre acontecer quando estava chovendo e fazendo m uito frio, com o hoj e”, Ann explicou. “Quando faz um tem po assim , em geral ficam os bem inquietos.”
“Liguei para o hom em do tem po na estação de TV local”, continuou Sarah. “Não disse m eu nom e, porque não queria que ele achasse que eu estava totalm ente doida. Ele foi m uito am ável e concordou em falar com igo. Contei a ele o que estava acontecendo e perguntei, ‘Existe algum tipo de fenôm eno atm osférico que possa causar isso?’. Ele riu e disse, ‘Não que eu saiba’.”
Ann voltou a consultar seus calendários.
“Em 7 de fevereiro de 1989, m inha m ãe m orreu. Estávam os com o problem a da água nas duas casas – j atos pequenos que foram ficando m aiores. Uns dias depois, no m esm o m ês, Sarah e eu fom os até a casa de papai para tirar as roupas da m am ãe. A água com eçou a j orrar de dentro das gavetas da côm oda dela. Quando saí para colocar as coisas em m eu carro, estava encharcada. Ao torcer o cabelo, ele estava viscoso.”
“Era quase com o se ela tivesse colocado um fixador de cabelo e depois saído na chuva”, contou Sarah. “Dava a sensação do resíduo pegaj oso do fixador.”
“Poderia dizer exatam ente o que aconteceu com a côm oda?”
Sarah assentiu com a cabeça.
“Ann e eu fom os à casa de Harry para tirar as roupas de m inha sogra”, contou. “Quando Ann com eçou a abrir as gavetas da côm oda, a água j orrou de dentro delas, atingindo-a. A água espirrou em nós duas. Até então, nunca tinha havido água no quarto de m inha sogra.”
“Enquanto separávam os as roupas, íam os dizendo, ‘esta é legal, vou ficar com ela... esta vai para o Exército da Salvação... e esta vai pro lixo.’ Toda vez que falávam os ‘lixo’, Ann era atingida atrás da cabeça por água! Com ecei a rir, Harry se j untou a nós e term inam os rindo até escorrer lágrim as. Eu disse, ‘é rir para não chorar’. Foi a única vez em que nos m olham os naquele quarto.”
O adolescente, John, tinha se aproxim ado do gravador durante a conversa. Tinha o tipo físico do pai e a pele da m ãe. O cabelo, fino, brilhante e liso, chegava abaixo dos om bros.
“Quando tia Ann saiu da casa com a roupa, eu estava sentado no quintal”, disse ele. “Ao colocar no carro as coisas para o Exército da Salvação, ela ficou totalm ente encharcada. Era com o se tivessem j ogado baldes d’água nela. Era m uita água.”
“Então a água tam bém se m aterializava do nada do lado de fora?”, perguntei, preocupado.
Sarah fez que sim com a cabeça e acrescentou:
“A água seguia Harry pelo cam po quando ele saía de casa. Ele ia andando e a água o atingindo. Um dia com eçou a ficar m olhado dentro de casa, então John e ele saíram e foram até o bosque, term inar de abrir um a clareira sob a linha de alta tensão. Papai foi atingido pela água lá no m eio das árvores. Então, onde quer que ele vá...”
Ann deu sua contribuição:
“Quando estávam os sentados no lado de fora, à m esa de piquenique, apareceu água um as duas vezes”, adicionou Ann. “Um a vez, quando Sarah e m eu irm ão estavam vindo para cá de carro, apareceu água no carro deles. O carro ficou m olhado por dentro, e a água os seguiu até m inha porta de entrada.”
Isso fez Ken se recordar de outro incidente:
“Com toda essa água na casa, o fogão a lenha de papai enferruj ou. Ele e eu fom os com prar um novo. Na picape, quando estávam os voltando, papai disse que tinha sido atingido por água. Olhei para ele e seu rosto estava m olhado. Era um dia com neve, com o hoj e, m as a j anela estava fechada. Pensei que de repente algum a coisa tivesse entrado pelo sistem a de ventilação. Certifiquei-m e de que as entradas de ar estavam fechadas, m as ele foi ficando cada vez m ais m olhado.”
“Vocês têm algum a explicação para essa água que vem do nada, tanto fora quanto dentro das casas?”, perguntei.
“Não tem os”, respondeu Ken. “Foi aí que com eçam os a dizer, ‘Não tem explicação lógica. Não é possível’.”
Ann retom ou sua sequência de acontecim entos.
“No m ês seguinte, m arço, Ken instalou um a abertura de ventilação e um exaustor na casa de Harry, na esperança de m elhorar a circulação de ar. Foi quando com eçam os a testar todo tipo de solução – testes para detectar gás, rem oção do revestim ento externo das paredes – m as nada funcionou. Era sem pre água, água e m ais água nas duas casas.”
“Coloquei a abertura de ventilação e o exaustor entre a cozinha e a sala de estar da casa dele, para o ar circular m elhor”, explicou Ken. “Papai aquecia a cozinha com o fogão a lenha, m as os outros aposentos continuavam frios. Um a de nossas teorias era a de que um aposento ficaria quente dem ais e o aposento ao lado frio dem ais, o que causaria condensação. Mas a abertura de ventilação e o exaustor não funcionaram .”
“Pensam os que o problem a em m inha casa talvez tivesse relação com o fogão a carvão”, disse Ann. “Depois que papai se m udou para cá, m eu fogão ficava sem pre apagando. Aum entam os a altura da cham iné, para criar um a corrente de ar m ais forte. Não deu certo. O fogão continuava se apagando. Depois descobrim os que o respiro do banheiro no alto do telhado tinha um a pinha entalada. Pensam os que isso poderia ter causado os problem as. Nós a retiram os, m as nada m udou. Chegam os até a tirar parte do revestim ento externo da casa de papai, porque acham os que não deixava passar o ar.
“Tantos anos m orando aqui e nunca aconteceu nada parecido”, disse Ken. “‘O que m udou?’, nós nos perguntam os. Só conseguim os pensar no revestim ento de m etal que tínham os instalado nos fundos da casa dele. Nós o rem ovem os, achando que a casa precisava respirar. Você sabe, condensação, acúm ulo de água...”
“Com certeza m uita coisa precisa acontecer para que vocês se convençam de que algo sobrenatural está acontecendo, não é?”, perguntei.
“Algum a vez vocês entraram em contato com a universidade onde dem os palestras?”, Lorraine perguntou.
“Bom , eu estudo lá”, respondeu Sarah. “Perguntei a m eu professor de quím ica. Ele só disse, ‘Ah, claro, sei’. Ele achou um absurdo total. Nunca tinha ouvido falar de nada com o o que descrevi.”
“Eu continuava pensando que era algo sim ples”, acrescentou Ken. “Perguntei aos caras que trabalham com igo, ‘Aí, vocês j á tiveram algum problem a assim ? Eu tenho água voando pelo ar’. Eles acharam que eu estava doido. Riram um bocado por uns dois dias, m as depois disso percebi que não estava lidando com algo norm al.”
Sarah concordou.
“Você sem pre pensa que, se falar com a pessoa certa, ela vai dizer, ‘Ah, sim , eu sei o que é’. Bom , conversam os com m uita gente, e tudo o que aconteceu foi acharem que estávam os m alucos. Vocês não fazem ideia de quantos consertos fizem os que provavelm ente eram desnecessários. Jogam os fora um fogão a gás achando que devia ter algum tipo de vazam ento. Nos livram os da geladeira de papai quando alguém disse que o gás freon poderia ser a causa. Tentávam os qualquer coisa que sugerissem . Chegou a um ponto em que aceitávam os ideias de qualquer um .”
Virei-m e para o garoto e perguntei:
“E aí, por que você fica causando tantos problem as para sua fam ília, John?”
Ele riu.
“No início, o Harry de fato pôs a culpa em m eu filho”, disse Sarah. “Ele achou que John estava brincando com ele. John tem 15 anos, usa cabelo com prido e coisa e tal, m as não prega peças nos outros e nem fica com gracinhas. Mas parece que essas coisas sem pre acontecem quando ele está em casa, depois da aula. Harry passava o dia todo em casa, e tudo estava bem . Era só John chegar, de tarde, e tudo saía dos eixos.”
“É natural que os pais e outras pessoas digam , ‘Foi o garoto’”, adm iti.
“É, todo m undo disse isso”, concordou Sarah. “Ele chegou num ponto que com eçou a pensar que tinha um a outra vida e não sabia. Alguém lhe perguntou o que tinha contado aos am igos sobre o caso e ele respondeu, ‘Nada, j á sofro pressão suficiente sem isso’.”
“John e Harry estavam sem pre j untos quando essas coisas aconteciam ?”, perguntei.
“Norm alm ente sim , m as nem sem pre”, respondeu Ann. “Harry às vezes estava sozinho. Se aconteceu quando John estava sozinho, foi m uito raro.”
Lorraine virou-se para Ken.
“Com o era a relação de John com a avó?”, perguntou.
“Muito próxim a”, Ken respondeu. “Acho que ela provavelm ente era m ais chegada a John do que a qualquer outra pessoa. Eles se davam m uito bem . John sem pre foi m uito próxim o do avós.”
“Quantos anos John tinha quando todas essas coisas estranhas com eçaram a ocorrer?”, perguntou Lorraine.
“Quando tudo com eçou, ele tinha 13 e m eio, quase 14”, respondeu Sarah.
“Nessa época, você reparou... se m e perm ite um a pergunta tão pessoal... reparou se seu filho estava ativo sexualm ente?” Só Lorraine poderia se safar fazendo um a pergunta dessas. Eu seria tachado de tarado.
“Não creio”, disse Sarah. “Ele às vezes fala com um a garota por telefone, m as a iniciativa é dela, não dele.”
“É”, acrescentou Ken. “Ele ainda é m eio tím ido, sabe. Está interessado em cortadores de gram a e carros, m as não ainda por esse lance de garotas.”
Eu via que o pobre John estava m uito desconfortável com o rum o que a conversa havia tom ado, e m udei de assunto.
“O que aconteceu a seguir?”, perguntei a Ann.
“O m ês seguinte, abril, foi seco. A im pressão que deu foi que a água parou quando houve a m udança de estações. Em 27 de m aio de 1989, m eu pai voltou para a casa dele. De abril a j ulho esteve tudo bem . Nós pensam os que, com a rem oção do revestim ento, a desobstrução do respiro do teto e outras coisas que fizem os, de algum a form a tínham os elim inado a causa.”
“Tam bém acham os que as perturbações estavam relacionadas com o inverno”, observou Sarah. “Elas pareciam só acontecer em dias de tem po m uito ruim . Durante o verão, nós nos sentíam os seguros. Nunca aconteceu nada no verão.”
“Escrevem os para o j ornal, descrevendo nossa situação e pedindo conselhos. Recebem os duas cartas de pessoas que afirm aram ter experiência sobre o que acreditavam ser aquilo. Um a delas era um cara que estudou com igo. Na carta, havia citações de Shakespeare referentes a fogo, terra, vento, água e coisas assim . As duas cartas tinham exatam ente as m esm as ideias. Foi quase com o se os dois tivessem se falado antes de escrever. A outra carta era de alguém que não conhecíam os.”
“Eles diziam que os espíritos eram elem entais?”, perguntei.
“Sim , am bos disseram que estávam os sendo assom brados por espíritos elem entais”, concordou Ann. “Concluím os que poderia ter sido pior. Poderia ter sido fogo!”
“É verdade”, concordei. “Existem poltergeists do fogo. De fato, j á trabalham os em um caso assim . Por sorte, são raros. Há casos em que eles queim am os locais antes que possam ser investigados!”
Ninguém pareceu achar graça e Sarah continuou:
“Tentei entrar em contato com um hom em que dava um curso de extensão na universidade cham ado ‘Você acredita em fantasm as?’. Liguei e deixei m eu nom e e telefone, várias vezes, m as ele nunca m e retornou.”
“Hannah Croft veio de Nova York para cá”, acrescentou Ann. “Ela disse que era vidente... que pode sentir coisas. Tem um a casa por aqui.”
“O que ela disse sobre esta casa?”, Lorraine perguntou a Ann.
“Ela disse que se sentiu m uito pesada em m inha sala de estar. Era com o se não conseguisse respirar.”
“Só isso, pesada? Ela disse a que se devia essa sensação?”, perguntei.
“Não. Disse que ia para casa m editar e pensar a respeito. Foi a últim a vez que tivem os contato com ela.”
Lorraine perguntou, “Alguém algum a vez usou um tabuleiro Ouij a antes ou depois de todos esses acontecim entos com eçarem ?”.
Sarah respondeu, “Não, não. Não gosto dessas coisas. Elas m e assustam ”.
“Que bom !”, eu disse. “Essas coisas podem atrair espíritos m alignos sem querer. Agora, para resum ir, em abril não houve água fora do com um . Quando foi que o problem a voltou?”
“Em 23 de j aneiro de 1990, a água voltou a aparecer na casa de m eu pai”, respondeu Ann. “De im ediato ele voltou para m inha casa. Cinco m inutos depois que a coisa recom eçou, ele caiu fora de sua casa. Bateu a porta e disse ‘adeus’. Nos dois dias seguintes, 24 e 25 de j aneiro, tanto eu quanto m eu irm ão tivem os alguns esguichos de água em nossas casas.”
“Na m inha casa foi só o suficiente para saber que havia algo lá... bem pouca água.”
“Em 28 de j aneiro, m eu pai foi hospitalizado, sangrando m uito pelo nariz”, prosseguiu Ann. “Ele sem pre apresentou sangram entos nasais. O tem po estava horrível. Ele estava trancado dentro de casa, no calor seco. Além disso, estava bem gripado... e aí, se você acrescenta nervosism o e tudo o m ais… A água com eçou de novo quando papai voltou, no final de j aneiro. Depois disso, praticam ente todo dia havia algum a água na casa de Harry, de Ken ou na m inha.”
A violência irrom pe
Ann aj eitou-se na cadeira, colocou alguns papéis no chão e prosseguiu.
“Em 6 de fevereiro deste ano – um dia antes do aniversário de m inha m ãe – um padre veio abençoar as casas.”
Deixo para Lorraine todas as perguntas m ais delicadas, e fico só com o caos e a destruição.
“Qual é sua religião?”, ela perguntou.
“Som os protestantes, m as Harry é luterano”, respondeu Sarah. “Não som os pessoas religiosas, m as acham os que um padre poderia aj udar. Ele veio com cinco ou seis fiéis. Andaram por aí e abençoaram as duas casas, enquanto oravam e abençoavam os aposentos com água benta. Harry disse, ‘É bem isso que precisam os, m ais água’.”
“O padre achou que poderia ser algo sobrenatural?”, perguntei.
“Ele não chegou a dizer”, respondeu Sarah.
“E ele se m ostrou sensibilizado com o problem a de vocês?”
Todos disseram que o hom em parecia interessado de fato e sensibilizado, e Lorraine perguntou:
“O que aconteceu depois que ele se foi? As coisas estranhas pararam ou pioraram ?”
“Fom os alertados de que, se o padre não soubesse o que estava fazendo, as coisas poderiam piorar”, adm itiu Ken. “Mas, depois de term os tentado tudo, pensam os, piorar não pode.”
“Bom , um a sem ana e m eia depois, descobrim os que podia”, disse Ann. “Foi aí que as coisas saíram dos eixos. A j anela da m inha cozinha explodiu... coisas pequenas se quebraram …”
“Certo, isso é im portante...” Lorraine interrom peu, sentando-se m ais na beirada do sofá. “Antes da visita do padre, vocês nunca tiverem esse tipo de dano. Exatam ente quantos dias depois da visita do padre isso aconteceu?”
Ann rem exeu os papéis em seu colo, parou, contou e respondeu, “Nove”.
“Isso é três m ais três m ais três”, observou Lorraine.
Em nossa experiência, espíritos m alignos gostam de fazer as coisas em m últiplos de três, para insultar a Santíssim a Trindade. Segundo Ann, o intervalo entre a visita do padre e a irrupção da violência consistiu em três períodos de três dias. Coincidência, ou algo m ais? Fiz sinal para que Ann prosseguisse.
“Nove dias depois da visita do padre, em 15 de fevereiro de 1990, a j anela de m inha cozinha explodiu e vários outros danos ocorreram ”, descreveu ela. Escrevi aqui que chovia e fazia m uito frio. Estava horrível lá fora. As estradas estavam péssim as.”
“Harry havia ido para a casa dele j unto com m eu filho”, explicou Sarah. “Enquanto estavam lá, resolveram fazer café e chocolate quente. A água surgiu do nada, apagou o fogão e derrubou a caneca que m eu filho segurava. A caneca voou por cim a da cabeça dele. O avô foi atingido algum as vezes na parte de trás da cabeça, algum as vezes por água e outras por um a força seca.”
“E John, foi atingido algum a vez?”
“Sim , ele tinha um galo na parte de trás da cabeça... um galo de verdade.”
O velho parecia dorm ir, então m e virei para o adolescente e perguntei:
“John, você poderia se sentar ao lado de seu avô, m ais perto do gravador, e nos contar sua versão do que aconteceu naquele dia?”
John se aproxim ou da m esa, se aj eitou j unto ao avô e com eçou a contar sua história.
“Não tive aula naquele dia. A caneca foi derrubada da m inha m ão na casa de m eu avô, com o eles contaram . Quando vovô com eçou a ser atingido na cabeça, fiz ele colocar m eu capacete de j ogador de futebol am ericano. Saím os e com eçam os a andar na direção da casa de m inha tia.”
Harry, j á acordado, interrom peu:
“Então o capacete saiu voando da m inha cabeça, quando estávam os fora da casa! Algum a coisa acertou o capacete, e ele voou uns 20 m etros. Me abaixei, apanhei-o e tornei a colocá-lo. Bum ! Caiu de novo. Isso aconteceu três vezes.”
“Foi, o capacete rolou até chegarm os aqui”, concordou John. “Ele ficava rolando. Vovô foi atingido na cabeça um as três vezes.”
“Harry depois m e disse que, se não estivesse de capacete, a força o teria derrubado”, acrescentou Sarah. “Aquele capacete idiota pode ter sido a salvação dele.”
“E depois o que aconteceu?”, perguntei a John.
“Estávam os sentados na casa de m inha tia quando de repente o cachorro, que costum a ser bem m anso, com eçou a rosnar para nós. Nunca vim os ele rosnar para ninguém antes – até podia latir, m as rosnar, nunca. De repente, ele olhou para a porta dos fundos e rosnou de novo, desta vez m ostrando os dentes. Abrim os a porta para ver o que estava do lado de fora, e o cachorro saiu correndo.”
“Naquela m anhã, tanto o cão quanto o gato de Ann saíram e não voltaram até m eu m arido e eu chegarm os, m ais tarde”, acrescentou Sarah.
“Então outras coisas com eçaram a acontecer”, prosseguiu John. “Espirrou tanta água em volta das portas de correr de vidro de m inha tia que as cortinas foram arrancadas da parede. Quadros foram derrubados, m olduras se partiram , enfeites se quebraram , e tudo foi derrubado das bancadas.”
“A que horas isso aconteceu?”, perguntei.
Foi Ann que respondeu, depois de consultar suas notas:
“Isso aconteceu desde m ais ou m enos as dez e m eia da m anhã até as quatro e m eia da tarde. Eu não sabia de nada disso até chegar do trabalho. John e m eu pai ficaram escondidos no boxe do chuveiro o dia todo e estavam assustados dem ais até para sair e ligar para m im .”
John concordou.
“Isso vai parecer idiota, m as nós nos escondem os no boxe do chuveiro para não ficarm os m olhados”, prosseguiu. “Tinha água voando por todo canto. Ainda assim nos m olham os porque a parte de cim a do boxe era aberta. Então ouvim os um estrondo enorm e. Saí do boxe e olhei pelo buraco da fechadura. Foi quando vi que a j anela da cozinha estava quebrada.”
“Perguntei a ele por que não m e ligou para que eu voltasse para casa”, repreendeu-o Sarah. “Ele disse que tinha m edo de deixar o avô sozinho. Chovia lá fora, estava horrível, frio e nevando. Ele não queria sair com Harry por causa do gelo.”
Virando-m e para John, perguntei:
“Com o você encontrou a casa quando finalm ente saiu do boxe do chuveiro e do banheiro?”
“Era com o se tivesse passado um tornado por aqui”, disse John. “Até a caixa de sabão na lavadora tinha sido derram ada. Havia sabão em pó por todo canto.”
“Naquela noite, cheguei em casa depois do trabalho”, contou Ken, “e quando parei na casa de Ann com o j ornal, com o sem pre faço, John veio correndo e disse: ‘Você não vai acreditar. Você precisa ver’. Entrei aqui e ele tinha razão. Eu não podia acreditar. Estava tudo um a confusão. Telefonei para m inha esposa, Sarah, e pedi que viesse até aqui.”
Sarah concordou e acrescentou:
“É, foi com o se um a bom ba tivesse estourado.”
“Lâm padas fluorescentes estavam quebradas”, com pletou Ann. “Havia vidro por todo canto. Saíam faíscas daquela tom ada ali na parede. Tudo que estava sobre as m esas tinha sido j ogado no chão. Minha cam a e a de papai estavam encharcadas, até as m olas.”
Sarah explicou:
“Logo que entram os, apalpam os as cam as e descobrim os que os cobertores de cim a estavam secos. E dissem os, ’Ah, que bom , aos m enos as cam as estão secas’. Mas quando puxam os as cobertas, descobrim os que o lençol de baixo, o colchão e o boxe de m olas estavam encharcados. A m esm a coisa com o tapete xadrez. Ele não estava úm ido, m as havia um a poça por baixo dele. Não adianta cobrir as coisas para protegê-las. Não aj uda nada.”
Ken acrescentou, “Tam bém senti um a força m isteriosa, invisível, quando estava sentado no sofá de m inha irm ã, depois que tudo isso aconteceu. Era com o se tivesse um a bolinha de golfe rolando pelo m eu pescoço acim a. Eu sabia que havia algum a coisa ali, m as não tinha nada. Durou só uns 5 a 7 segundos, m as com certeza era algo.”
“Posso entender por que vocês estão perturbados com tudo isso”, com entei, e a seguir tentei novam ente direcionar o relato. “Podem os voltar à j anela quebrada da cozinha? Onde estava o vidro quebrado, do lado de dentro ou do lado de fora?”
“Do lado de fora”, respondeu Ken. “Aquela j anela explodiu para fora uns
“Do lado de fora”, respondeu Ken. “Aquela j anela explodiu para fora uns 30 centím etros. E se quebrou em m ilhares de pedaços... com o um para-brisas estourado.”
“E a parte que explodiu era redonda... tinha um form ato redondo, m ais ou m enos do tam anho de um a bola de basquete”, Ann acrescentou. “Tenho um a foto disso. A j anela que foi trocada ainda tem os adesivos. Ainda não os arranquei.”
Eu tinha notado os adesivos na j anela, m as achei que haviam feito algum a reform a na casa. Ann passou-nos a foto de um a j anela com um buraco grande e perfeitam ente redondo. Lorraine e eu havíam os visto esse tipo de coisa antes, e não tinha sido feito por crianças j ogando basquete.
“O que aconteceu em seguida?”, perguntei.
“No dia seguinte, 16 de fevereiro, fizem os planos de m andar m eu pai para a Flórida para ficar com m eu outro irm ão”, Ann continuou. “Pensam os em tirar Harry daqui durante os m eses de inverno. Ele estava com os nervos em frangalhos, e ansioso para ir.
“Um dia antes da viagem dele, 23 de fevereiro de 1990, havia apenas pequenos esguichos de água em m inha casa. Nada aconteceu depois que ele partiu. Enquanto esteve fora, eu ia quase todos os dias à casa dele. Tanto a casa de m eu pai quanto a m inha perm aneceram secas.
Ken riu e disse:
“Meu irm ão eu concordam os em levar papai de carro m etade do cam inho cada um . Ele veio para o norte m etade do cam inho e eu fui para o sul a outra m etade. Quando papai chegou lá, disse, ‘Se eu soubesse com o era longe de carro, teria vindo de avião’. Nós quase o m atam os. O único m otivo pelo qual o levam os de carro foi porque ele disse que tinha m edo de avião.”
O hum or m elhorou um pouco na sala apinhada, e Ann continuou.
“Em 2 de j unho de 1990, papai voltou da Flórida. Dessa vez ele veio de avião. Nada aconteceu em j unho e j ulho. Não esperávam os que acontecesse nada nos m eses de verão. Nunca acontecera nada antes. Mas em 15 de agosto, com eçou a aparecer água de novo na casa de papai. Cinco m inutos depois de acontecer isso, ele se m udou aqui para m inha casa.
“Notei que aquele dia estava quente e abafado. No dia anterior tinha havido um a grande tem pestade. Um dia depois que papai veio aqui para casa, o tem po estava úm ido, horrível. No m esm o dia, m inhas j anelas da frente explodiram para fora. Seis das nove pequenas vidraças, aqui j unto à porta, explodiram com buracos perfeitam ente redondos, m as os caixilhos não foram afetados. Tam bém tenho fotos disso.”
Ela nos apresentou fotos que m ostravam buracos do tam anho de bolas de beisebol, tão redondos e precisos que pareciam ter sido feitos com um cortador de vidro. As vidraças quebradas não estavam todas j untas, m as espalhadas.
“Alguém viu isso acontecer?”, perguntei.
“John e m eu pai estavam aqui”, disse Ann. “Meu pai viu a água espirrando da pia para aquela grande j anela ali”, ela acrescentou, apontando para as portas de correr. “São quase quatro m etros de distância. Papai e John viram as j anelas ao redor da porta da frente estourarem .”
“O que você viu, John?”, perguntei ao adolescente.
“Meu avô e eu estávam os sentados à m esa lá fora na varanda. Ouvim os um chiado e, de repente, foi com o se um a bola de beisebol atravessasse a j anela! O som era com o um chiado. A j anela veio voando para cim a da gente. O vidro veio da casa. As vidraças não quebraram todas de um a vez só. Um a e então um a de baixo, então um a de cim a, um a de baixo de novo, e então as duas do m eio.”
Depois de um instante de silêncio, enquanto todos nós tentávam os absorver o que acabáram os de ouvir, Ann continuou lendo suas anotações.
“A últim a vez em que algo aconteceu foi algum as sem anas depois disso. Foi em 29 de agosto deste ano – faz pouco m ais de três m eses. Minha casa tinha água por todo o canto e tudo havia sido j ogado de cim a da m esa. Um a caixa de bolo e um a lâm pada estavam no chão. Os lençóis que protegem m eu sofá dos anim ais de estim ação estavam puxados para trás e encharcados. As cam as e tapetes estavam encharcados. Sobre m inha côm oda tudo estava revirado. Um a lata novinha de café estava caída, o pó tinha entornado e a lata estava úm ida por dentro.”
“Parecia que alguém havia usado um a m angueira de j ardim aqui dentro por 15 m inutos”, disse Ken. “Tam bém parecia que alguém tinha passado o braço por cim a do balcão, em purrando tudo na m esm a direção.”
“Dessa vez, até cham am os a polícia”, disse Ann. “Achei que algum a coisa tinha que ficar registrada. Quando o policial saiu daqui, porém , ele não fazia ideia do que iria colocar no relatório. O trabalho dele inclui roubo, vandalism o e esse tipo de coisas. Pelo m enos registram os que alguém veio aqui. O problem a é que, se houvesse danos m aiores, m inha irm ã não poderia acionar o seguro.”
“Então vocês não conseguiram receber nada do seguro por todo esse dano?”, perguntei a Ann.
“Não, não. A prim eira coisa que eles vão perguntar é, ‘Com o isso aconteceu?’”, ela disse.
Aquelas pessoas não estavam inventando um a história m aluca só para conseguir o dinheiro do seguro e reform ar a casa. Na verdade, eles tinham gasto um a quantia enorm e, dinheiro que provavelm ente nem tinham , na tentativa de identificar e resolver o problem a.
“Outra coisa que nos preocupava era que m eu sogro fosse golpeado na cabeça e nos culpasse por isso”, acrescentou Sarah. “Ele tinha sido atingido algum as vezes. Ele tem 84 anos de idade. Tínham os m edo de que um dia ele se m achucasse. Se ninguém soubesse que tudo isso estava acontecendo, só iriam dizer ‘Ele foi atingido na cabeça com um instrum ento rom budo’.”
Ann concordou e continuou.
“Foi em 4 de setem bro que com prei o desum idificador.”
“Você achou que ele sugaria todo o excesso de água que estava aparecendo na casa toda?”, perguntei. “Seria com o tentar esvaziar o oceano com um balde, certo?”
“Havia m uita água aqui quando o liguei pela prim eira vez”, respondeu Ann com cara séria.
“Ela j ura que é um santo rem édio, m as ainda está tentando pensar com lógica, e não há nada de lógico nisto tudo”, interferiu Sarah. “Esta é só a calm aria antes da tem pestade. A todo m om ento, espero que aconteça algo – sobretudo quando o tem po está ruim . Costum o ficar m uito nervosa com o tem po assim .”
“Em dezem bro, Sarah ouviu falar de vocês na faculdade, entrou em contato e agora, 16 de dezem bro, vocês estão aqui”, Ann concluiu a história.
Perguntei a toda a fam ília:
“De tudo que vocês tentaram e todas as pessoas a quem pediram aj uda, alguém conseguiu descobrir o que estava acontecendo? Alguém conseguiu de fato resolver algum a coisa?”
“Não, ninguém ”, Sarah respondeu. “Houve m uitas ideias e suspeitas. Dois ou três anos atrás, se alguém m e contasse algo assim , eu teria dito que era um m onte de baboseira. Agora, de repente, eu acredito em m uito m ais do que costum ava acreditar. Isso m udou um bocado nossas vidas. Tam bém causou m uita confusão.”
“Com o o quê?”, perguntou Lorraine. “Conte-nos, é im portante.”
Ela queria saber se o fenôm eno estava colocando as pessoas um as contra as outras ou se as estava aproxim ando. O com entário de Sarah parecia sinistro.
“Bom , ele está criando m uito atrito entre m eu m arido e eu, explicou Sarah. O pai dele espera que Ken resolva as coisas. Se o telhado fosse arrancado, Ken poderia resolver. Mas não consegue resolver esta situação. Ele não sabe por onde com eçar. Ken fica irritado e aborrecido, e desconta em m eu filho e em m im .”
“Quando estou no trabalho, não sei o que está acontecendo aqui”, disse Ken. “Então, quando volto para casa, nunca sei o que esperar. Quando você não consegue resolver, se sente im potente. Isso afeta toda a sua vida. Você acha que tem que ser algo bem básico, tipo o gás virando vapor d’água, ou algo assim . Quando não é, é m uito frustrante.”
“Você acha que isso causou m uita agressividade entre os m em bros da fam ília ou vocês se consideram um a fam ília unida?”, perguntou-lhe Lorraine.
“Na verdade, apesar de toda a frustração, som os m uito unidos. O problem a nos aproxim ou. É algo que estam os enfrentando todos j untos”, ele respondeu.
“Sim , som os m eu m arido, eu m esm a, m eu filho, j unto com a irm ã e o pai de Ken, quem está passando por isso”, concordou Sarah. “Cada um de nós passou por algum a coisa, e por isso sabem os que não som os m alucos. Acredite em m im , por m uito tem po achei que estava louca.”
“Então, m esm o que vocês tenham com eçado a associar esses acontecim entos com Harry, nunca pensaram em m andá-lo em bora?”, perguntei, sorrindo.
Lorraine não achou graça.
“Ah, você é m uito sutil, Ed”, ela disse.
“Bom , nós o m andam os para a casa de m eu irm ão, na Flórida”, adm itiu Ken, “m as foi m ais pensando nele do que em nós. E nada aconteceu a ele enquanto estava lá.”
Continuei buscando inform ações.
“Alguém por aqui viu algo com o um fantasm a ou um a estranha som bra escura, negra?”
“Não que eu saiba”, disse Sarah. “Não creio que alguém tenha visto nada assim .”
Ann, Harry, Ken e John concordaram com a cabeça.
“Ok”, disse eu. Fiz um a pausa, olhei ao redor, para todos na sala, e continuei, “Acho que estou pronto para dizer o que acredito estar acontecendo aqui. Não posso afirm ar o m otivo de estar acontecendo até fazerm os um a investigação parapsíquica com Lorraine. Mas posso dizer o que parece estar acontecendo. Alguém aí está interessado?”
A sala inteira vibrou com um coro que disse “Sim !” bem alto.
“Certo. Vou lhes dizer, e nem vou pedir que antes façam um bolo para m im .”
Lorraine soltou um suspiro afetado e os dem ais apenas riram .
As im pressões de Ed sobre o caso
“Bom , gente”, disse eu. “Parece que vocês têm um autêntico poltergeist da água aqui. Lorraine e eu j á vim os esse tipo de fenôm eno antes. Muitos anos atrás, um pessoal no Missouri estava dentro de casa, e de repente parecia que alguém j ogava um balde de água neles, e m olhava tudo ao redor. Em outra casa onde estivem os, parecia chover na cozinha. Esse caso era m uito parecido com o de vocês, porque surgiam glóbulos de água e assim por diante no teto dos côm odos.
“Em am bos os casos, a água surgia aparentem ente do nada e deixava um resíduo levem ente pegaj oso. É m ais com um que o evento ocorra quando está úm ido, chovendo ou nevando, porque a água está sendo teletransportada. A água é transportada de fora para dentro de casa ou, caso você estej a ao ar livre, de um lugar para o local onde você está. Os acontecim entos em si e o resíduo pegaj oso são sinais claros de teletransportação.
“Mas m e deixem explicar um a coisa antes. ‘Poltergeist’ é um term o em alem ão que significa fantasm a barulhento ou travesso. E, com o acabo de explicar, provavelm ente não é um fantasm a. O term o ‘fantasm a’ em geral se refere ao espírito de alguém que viveu e m orreu aqui na Terra, m as que ainda não fez a passagem para o m undo dos espíritos. As alm as que fizeram a passagem e os espíritos que nunca foram hum anos tam bém podem interferir com os vivos. Algum as das entidades que nunca foram hum anas são boas, e algum as são m ás.
“Na m aioria dos casos de atividade de poltergeists, raram ente são vistos ‘fantasm as’. Isso porque eles raram ente estão envolvidos. Para m over galões de água, deslocar m óveis pesados e fazer outros danos significativos – sobretudo se for em vários lugares diferentes – são necessários m ais conhecim ento e m ais força do que qualquer fantasm a preso à Terra que tenham os visto possua. Os ‘fantasm as’ estão sem pre ligados a um lugar e a um a área delim itada. A entidade de vocês seguiu Harry para fora, até a casa de Ann e tam bém no interior de veículos. Mas não o seguiu até a Flórida. Em bora essa força não estej a presa a esta área, seus interesses parecem estar.
“Às vezes, a atividade poltergeist pode ser atribuída a um a pessoa que está perturbada, m agoada ou furiosa, em especial um adolescente. Mas até a ciência tem que adm itir que não é sem pre assim . E não creio que isso se aplique ao caso. John parece ser um m enino bom e bem aj ustado. Acho que ele é inteligente, m as não creio que, nas horas vagas, tenha planej ado um sistem a secreto e com plexo de sprinklers em todos esses lugares. Não consigo crer que ele estej a orquestrando todos esses eventos, consciente ou inconscientem ente.
“Tam bém não acho que vocês estej am criando um a fraude. Há m arcas de água no teto de Ann. Os danos às j anelas que vocês fotografaram parecem fora do com um para vocês, m as são fam iliares para Lorraine e para m im . Os chiados que vocês descreveram tam bém são fam iliares. Com o vocês j á devem ter im aginado a essa altura, são todas características de atividade paranorm al. Vocês não vão ficar ricos com essa experiência, e nem parecem estar atrás de atenção. Não é um esquem a para conseguir um a reform a gratuita da casa. ‘Atos de fantasm as’ não tendem a entrar na cláusula de ‘catástrofes naturais’ nas apólices de seguro, e o endosso de Lorraine ou o m eu não vai m udar isso.”
Ouvi algum as risadinhas tím idas e segui em frente. Agora era hora de falar sério.
Na verdade, a m aior parte das atividades poltergeists pode ser prej udicial, e algum as podem ser até m esm o m ortais. Seu garoto John foi atingido com tanta força que ganhou um galo na cabeça. Harry foi forçado a usar um capacete. Os dois tiveram que se esconder no chuveiro para evitar serem atingidos por obj etos voadores. Vocês adm item tem er que, em algum m om ento, Harry receba algum golpe que o deixe inconsciente... ou coisa pior. Houve gente m achucada. Harry e John têm sorte por não terem sido feridos com m ais gravidade, ou até m ortos. Um a situação com o esta não é brincadeira. Eu sei. Já recebi um corte no braço. Já fui j ogado através de um a sala... todos os m eus 48 quilos.”
Lorraine não podia deixar aquilo passar.
“Claro, querido. Errou por pouco, bem pouco.”
“Eu disse 48 quilos?”, falei, inocentem ente. “Quis dizer 48 quilos em cada perna.” Não colou. “Piadas à parte, vocês têm um problem a sério aqui. Às vezes, eventos com o este term inam tão depressa quanto com eçaram . Mas pelo que vocês m e contaram , as ocorrências se interrom peram durante m eses, apenas para voltarem a acontecer quando as condições eram adequadas.
“Estam os lidando com algo que é invisível, intangível e tem habilidades e poderes que vão além do conhecim ento hum ano. Essa coisa tem inteligência suficiente para, por algum m otivo, visar Harry e este lugar. A energia parapsíquica pode se acum ular rapidam ente em um a área pequena. A casa de seu pai é extrem am ente pequena. E a casa de Ann não é m uito m aior.
“John está na idade ideal para ser o gatilho ou o agente de um a atividade poltergeist. Cientistas experientes e nós, investigadores de cam po, tem os percebido que esse tipo de atividade exige um a quantidade m uito grande de energia, e com frequência ocorre onde há um adolescente presente. Nossa única discordância com a ciência diz respeito ao m otivo. Para a ciência, os agentes são sem pre a causa direta e nós acham os que às vezes são a causa indireta. Acredito ser o caso aqui.
“Com o dem onologista experiente, vou dizer o que m e preocupa, e em seguida vou falar sobre os sinais conflitantes, m as m ais positivos, que vej o aqui. Prim eiro, m inhas preocupações: é m uito perturbador saber que a atividade tornou-se violenta e que essa m udança ocorreu depois que a casa foi abençoada pelo padre. Essa entidade tem a capacidade de seguir Harry para fora de casa, até a casa de Ann e até a picape de Ken. Ela é forte o suficiente para estourar j anelas e consistentem ente teletransportar grandes volum es de água. Não são coisas boas.
“Do lado conflitante e m ais otim ista, porém , alguns dos fenôm enos foram vivenciados por vocês todos. A entidade e os problem as não seguiram Harry até a Flórida. Ninguém reclam ou de cheiros ruins, nem viu algum a som bra escura incom um ou reclam ou sobre algo tentando controlar seu corpo. Vocês disseram que ninguém aqui usou um tabuleiro Ouij a, participou de um a sessão m ediúnica, lê a sorte com o m odo de vida ou pratica m agia negra. Olhando para vocês, suponho que a falecida esposa de Harry tam bém não era satanista.”
Ninguém discordou, de m odo que prossegui.
“Apesar de tudo que aconteceu, vocês não estão brigando uns com os outros. Deve ter havido alguns desentendim entos. Todo m undo tem , não há com o escapar. Em bora vocês não tenham convicções religiosas fortes, vej o que são pessoas positivas. Vocês não saem por aí chutando anim ais, ou j ogando Harry e John na rua para m anter suas casas secas.”
“Tentam os dar apoio uns aos outros e continuar esperançosos”, acrescentou Sarah. “Chegam os a com prar um cachorrinho para John em setem bro, e lhe dem os o nom e de Spirit!”
Eu ri.
“E vocês tam bém têm senso de hum or. É outra coisa boa. Espíritos m alévolos não hum anos, ou ‘dem ônios’, gostam de assustar. Eles desej am criar anim osidade entre as pessoas e em geral fazem isso isolando e assediando um a delas. As outras com eçam a culpá-la. Quando coisas com pletam ente diferentes com eçam a acontecer com pessoas diferentes, elas passam a culpar um as às outras. Essas atividades tendem a agravar-se com o tem po. No fim , a entidade vai tentar assum ir controle sobre um a pessoa. Por m eio desse indivíduo, m ais dano m ortal pode ser feito. Tais espíritos m alévolos tam bém reagem com violência a qualquer tipo de intervenção religiosa.
“Vocês podem com eçar a perceber por que ainda não estou totalm ente seguro do que está acontecendo aqui. Os espíritos m alévolos tam bém são m uito enganadores. É sua m aior força. A outra questão é, por que essa atividade com eçou, e por que está dirigida a Harry ? Um a vez que estam os lidando com algo que não é deste m undo, o único m odo de descobrir o que é que tem os aqui e o porquê é por m eio de um a investigação parapsíquica.
“O padre e a m édium que estiveram aqui tinham boa intenção, m as não tinham conhecim ento. Eram incapazes de identificar o que estava causando esses problem as. O im portante é isso. Não se pode operar um a pessoa a m enos que se saiba o que deve ser operado. Não é sim plesm ente pegar um bisturi e abrir alguém só porque a pessoa tem dor de estôm ago. É necessário saber o que fazer e por quê. É isso que tem os de descobrir agora.
“Para fazer isso, precisam os de um m édium . Por sorte, j usto hoj e tenho um a com igo. A m ediunidade de Lorraine foi verificada, confirm ada e categorizada na UCLA. A ciência faz isso, hoj e em dia. Ela aj uda a separar quem tem habilidades parapsíquicas confiáveis dos m alucos ou oportunistas. Lorraine pode ser m aluca por ter se casado com igo, m as sua m ediunidade é real. Acho que precisam os estudar m elhor a situação de vocês porque, infelizm ente, creio que seu visitante indesej ável ainda vai continuar agindo.”
“Ah, concordo. Tenho tido essa sensação ruim ultim am ente”, com entou Ann.
Lorraine acrescentou:
“Vej am , o problem a nunca foi solucionado, na verdade. Ele nunca foi identificado ou corrigido. Apenas foi suspenso tem porariam ente ou contornado.”
Virei-m e para Harry e perguntei:
“Pode ser desconfortável, m as você acha que seria capaz de voltar agora para sua casa, conosco?”
“Não, não, não quero chegar perto daquele lugar!”, ele exclam ou.
Expliquei que seria m ais fácil para Lorraine sentir o espírito com Harry e John por perto, porque a entidade por algum m otivo j á era atraída por eles.
Sarah tentou convencer Harry.
“Todos nós vam os com você. Não vai ser só você, todo m undo... todos nós.”
Harry resistiu.
“Não, não quero ir. Posso ficar encharcado. Não quero entrar na casa.”
“Cinco m inutos”, insistiu Ken, “só isso. Vam os estar todos lá. Então você pode m ostrar a eles o teto e tudo o m ais.”
“Vocês podem m ostrar o teto a eles.” Harry estava irredutível. “Não, eu não quero ir. Não, eu não vou.”
“Ok, seu pai não quer ir”, falei. “Ele está m esm o com m edo. Ele tem 84 anos de idade, e poderia ter um ataque do coração. John, você estaria a fim de ir conosco?”
“Acho que sim ”, ele disse, com pouco entusiasm o. “O que vocês vão fazer?”
“Lorraine vai tentar entrar em contato com o espírito e descobrir por que ele está perturbado, e o que quer. Dependendo do que é e o que quer, Lorraine pode ser capaz de convencê-lo a partir. Senão, podem os recom endar ou organizar outras ações para tentar resolver esse problem a para sua fam ília. Você está disposto a nos aj udar?”
“Tudo bem ”, respondeu John, os olhos arregalados com o dois pires em m eio ao rosto subitam ente pálido.
“Ótim o!” Coloquei a m ão no bolso e tirei de lá um m onte de m edalhas religiosas. “Eu sei que vocês não são católicos, m as sou o que é conhecido com o um dem onologista religioso. Isso não faz de m im um líder religioso de qualquer tipo. O que tenho observado é que, se um a entidade m uito m á estiver envolvida, a ciência nunca é capaz de aliviar a situação. Apenas rituais religiosos parecem ter algum a chance de sucesso. Não im porta qual religião, m as sim a intensidade da fé da pessoa que investiga. Essas m edalhas foram benzidas com um ritual de exorcism o e contêm inscrições com preces contra o m al.
“Por favor, peguem um a dessas m edalhas e segurem -na na m ão. Não é tanto a sua crença que im porta, m as a crença que Lorraine e eu tem os. É isso que funciona para nós, e essa é a m elhor form a que conhecem os de proteger vocês. Ainda não sabem os o que tem os aqui, m as é m elhor serm os precavidos.”
Todos nos pusem os de pé e cada um pegou um a m edalha. Exceto por Harry, colocam os nossos casacos e pegam os guarda-chuvas. Ficam os encharcados só de atravessar correndo a rua debaixo da chuva torrencial. Se alguém nos visse, indo em bloco de um a casa a outra, acharia estar vendo algum a espécie bizarra de treinam ento chinês contra incêndios.
Im pressões parapsíquicas de Lorraine
Ken abriu a porta da m inúscula casa de Harry e nos fez entrar. Estava seca, m as o am biente não estava m uito m ais quente do que o tem po inclem ente lá fora. Um a vez m ais, preparei m eu gravador. Então expliquei o que aconteceria.
“Com sua autorização, Lorraine vai percorrer a casa para ver que im pressões parapsíquicas vai receber – se é que vai receber algum a. Se sentir algo, ela pode se dispor a entrar em um leve transe, para tentar estabelecer com unicação e descobrir o que é essa entidade, e por que está causando essas perturbações.”
“Antes de com eçarm os, posso perguntar algo?”, interrom peu Ken.
“Claro”, disse eu.
“Sem pre senti um frio incom um nesta casa. Quer dizer, o casaco que estou usando aguenta 20 graus centígrados negativos, e estou praticam ente congelando. Acho que está m ais quente lá fora do que aqui dentro. Isso é algo esperado?”
“Se existe algum tipo de fantasm a ou de espírito aqui, ele pode estar drenando energia de nosso calor corporal. É por isso que algum as pessoas podem sentir pontos frios em casas assom bradas e ainda assim não ver diferença na tem peratura m arcada nos term ostatos. A casa pode estar na verdade m ais quente do que nos parece.”
Lorraine saiu com nossos investigadores para explorar os outros côm odos. O resto de nós foi até a cozinha para estudar as m anchas de água no teto, e ficam os todos am ontoados no pequeno aposento, falando sobre os feriados que se aproxim avam .
Poucos instantes depois, Lorraine veio até a cozinha com os investigadores logo atrás.
“Está m e seguindo até aqui”, anunciou.
“O que está seguindo você?”, perguntei.
“Bom , não tenho certeza, querido”, ela disse. “Na área do quarto de dorm ir a sensação não era tão forte. Mas na sala se estar e no vestíbulo... é bem poderoso.”
“Existe algo aqui na casa?”, perguntei.
“Ah, sim , algo ainda está na casa. A sensação é de um a trem enda agressividade, violência. Aqui na cozinha, é com o se eu estivesse no m eio de um a discussão. As pessoas estão discutindo, brigando e gritando um as com as outras.”
“Isso faria algum sentido nesta casa?”, perguntei à fam ília.
“O pai e a m ãe de Ken brigavam quase sem parar”, respondeu Sarah. “Não eram brigas de fato, m as eles eram críticos, discutiam e agrediam um ao outro por tudo. A relação deles era assim desde que os conheci.”
Lorraine prosseguiu.
“Se o avô, Harry, voltasse outra vez para cá, ele daria energia ao que está aqui. A m esm a coisa voltaria a acontecer. Esta coisa parece segui-lo daqui até a outra casa. Mas ela está aqui. Está aqui, agora... especialm ente na sala. A sala de estar e o vestíbulo parecem ser os pontos focais. Não sinto nada na área do quarto... absolutam ente nada.”
“Certo”, disse eu. “Vam os voltar ao lugar onde você estava.”
Todos nós fom os para a pequena sala de estar. Ao passarm os de um côm odo a outro, um de nossos investigadores disse:
“Acho que caiu um a gota na m inha cabeça.”
O outro investigador indicou a água que m om entos antes não estava sobre a m esa de centro. De repente, o m esm o investigador disse:
“Estou sentindo... m eu corpo está m uito frio neste m om ento. Não sei o que estou sentindo. O frio está subindo por m inhas pernas. Inacreditável!”
De repente ele estrem eceu de novo.
“Você sentiu de novo?”, perguntei.
“Sim ”, confirm ou ele.
Estávam os todos am ontoados na sala de estar, com nossos casacos de inverno, ainda úm idos da chuva que caía lá fora. Lorraine tinha o adolescente John a seu lado. Ela ficou im óvel, baixou o olhar e se concentrou, entrelaçando as m ãos. Parecia estar orando. E estava. Em voz baixa, Lorraine e eu rezam os j untos a oração de São Miguel, para proteger do m al todos ali presentes.
Depois de um breve m om ento, Lorraine falou:
“A esposa de Harry está aqui”, ela anunciou, “m as apenas por estar preocupada com o estado m ental do m arido. Não é ela que está causando as perturbações. Ela fez a passagem e voltou a este plano para aj udar.
“Há alguém m ais. Ele tam bém fez a passagem , m as tem m uitos poderes. Está bastante irritado. Em vida, era um índio guerreiro. Ele caiu na água quando criança e voltou à superfície rindo. Seu nom e é Queda-d’Água. Ele gosta de brincar na água e de m olhar os outros. A tribo à qual ele pertence é m uito ligada à terra. Eles não são nôm ades, com o outras tribos. Em vez disso, ficam e trabalham a terra, e caçam a partir daqui. Por gerações têm protegido esta terra, e ainda o fazem .
“Havia um grande grupo de árvores – pinheiros. Elas foram cortadas. Este guerreiro está furioso por causa disso. Está bravo com Harry por ter cortado as árvores e por queim ar a m adeira delas no fogão a lenha.” Lorraine perguntou ao espírito, “O que podem os fazer para corrigir isso?”. Ela esperou e então disse, “Ele falou que devem ser plantadas novas árvores. Ele está partindo agora, m as estará sem pre observando. A m enos que isso sej a feito, ele voltará, e ainda m ais furioso”.
O peso e o frio do ar pareceram dim inuir um pouco quando Lorraine saiu de seu transe leve.
“Isso faz algum sentido para algum de vocês?”, perguntou à fam ília.
Eles se entreolhavam com expressões de surpresa e espanto.
“Uau, é incrível, e nunca sequer pensam os... Sim , faz sentido”, respondeu Ken. “A com panhia elétrica ficou atrás de papai, para que ele cortasse a fileira de pinheiros que estava em baixo da rede elétrica. Minha m ãe am ava a natureza e não queria nem ouvir falar disso. Essa era um a das coisas pelas quais eles ficavam brigando. Quando ela foi hospitalizada, papai foi em frente e, com a aj uda de John, cortou as árvores. Eu lhe disse que a lenha de pinho não é o m elhor com bustível para o fogão, m as ele calculou que não teria que com prar lenha por alguns anos. Im aginam os que ele precisava apenas de algum a coisa para não pensar em m am ãe.”
“É aquela fileira de tocos que vim os nos fundos da casa?”, perguntei.
“Isso m esm o.”
Ann riu e com entou:
“Isso com certeza explicaria os períodos em que havia atividade da água... e a dificuldade que papai e eu enfrentávam os para m anter nossos fogões acesos. Acho que tam bém explica a água. Que bom que o índio não se cham ava Incendiário ou Atirador de Pedras!”
Rim os, concordando, e John disse:
“Da vez em que ele nos seguiu até o bosque, estávam os partindo as árvores cortadas, para fazer lenha.”
“E im agino que esse espírito queria proteger m inha sogra quando estávam os levando em bora as coisas dela, porque ela protegia as árvores.”
“Então, com o veem , existe um a explicação lógica!”, disse eu. “Nós, hum anos, só precisam os olhar para fora desta dim ensão para encontrar essa explicação. A boa notícia é que esse espírito não desej a possuir ou destruir vocês. Ele está querendo a restituição das árvores. Vocês podem plantar novas árvores naquele lugar na prim avera? Se foram m udas pequenas, pode dem orar um a ou duas gerações antes de voltarem a interferir com a fiação.”
“Quem sabe devem os deixar um aviso para as gerações futuras”, sugeriu Sarah, m eio de brincadeira.
“Pode ser um a boa ideia”, eu disse, sorrindo. “Voltarem os a entrar em contato com vocês na prim avera, para ver o que aconteceu. Até lá, você acha que esse pessoal será incom odado de novo, Lorraine?”
“O espírito estava bravo por causa das árvores e por não ser ouvido ou com preendido. Por causa disso a situação foi se agravando. Vocês não eram os únicos que estavam frustrados! Agora que sabe que a m ensagem foi recebida, creio que ele vai esperar para ver o que acontecerá. Ou talvez não. Eu recom endaria que vocês plantassem as árvores o m ais rápido possível.”
“Acho que vai dem orar m ais ou m enos um ano até que tenham os certeza de ter encontrado a causa e a solução”, observou Sarah.
“Receio que sim ”, eu disse. “Lem brem -se, os espíritos literalm ente têm todo o tem po do m undo deles e do nosso. Vocês podem nos cham ar se as coisas continuarem ou piorarem . Talvez ainda haj a outro espírito aqui tentando tirar vantagem de toda a ira e m edo. Não acreditam os que exista, m as nunca se sabe.”
Ficam os ainda algum tem po batendo papo enquanto eu m andava os investigadores aquecerem o carro e lim parem os vidros. A idade tem seus privilégios. Quando eles fizeram sinal de que o carro estava pronto, interrom pi um a conversa que Lorraine estava term inando, para fazer um a pergunta.
“Onde há um bom lugar por aqui para com er?”
Conseguim os as indicações e partim os.
Epílogo
Não tivem os notícias dos Bentley durante todo o inverno. Em m aio, ligam os para eles. Harry havia ficado na casa da filha durante toda a tem porada de neve. Exceto por uns poucos esguichos, não houve m ais água nem violência em nenhum a das duas casas. Quando falam os com eles, os Bentley tinham acabado de plantar um a fileira de m udas perto de onde os grandes pinheiros ficavam . Harry estava voltando para sua própria casa, m as tinha m ais confiança na estação de calor do que na proteção dada pelas novas árvores.
No fim das contas, Lorraine e eu tem os um am igo em com um com os Bentley. Foi por m eio desse conhecido que, anos m ais tarde, soubem os que os Bentley nunca m ais tiveram qualquer perturbação inexplicável. O fantasm a de Queda-d’Água aparentem ente foi pacificado por nosso contato e pelas árvores plantadas. Um a vez m ais, tanto o m undo natural quanto o m undo sobrenatural estavam em paz na propriedade dos Bentley.
Este caso tam bém nos lem bra de com o estam os interconectados com a natureza e, tanto os vivos quanto os m ortos, com o passado e com o presente.