Invocadores do Mal
Estudo de Caso Nº 3 Uma entrevista espectral
Estudo de Caso Nº 3
Uma entrevista espectral
Todos os nomes e locais desta história real foram trocados ou
alterados para proteger a privacidade dos clientes.
Ed Warren descreve o caso.
Um a história de fantasm as
Nosso livro The Demonologist havia acabado de ser lançado e gerou um telefonem a de um a fam ília do estado de Nova York, bem perto da divisa com Connecticut. A fam ília consistia no m arido, na esposa, em três crianças e um cachorro. A residência deles era um im óvel grande de três andares que, na época, tinha quase 200 anos. Eles adoravam a casa, m as o local tinha sua dose de problem as fantasm agóricos.
Pouco depois de se m udarem para a casa, o m arido passou a ser continuam ente em purrado para fora da cam a, coisas eram j ogadas contra ele e ele era em purrado por um a força invisível. Algum as vezes ouvia um a voz celta em sua cabeça que parecia gritar “Tool, tool!” (“ferram enta”, em inglês). Ele não tinha a m enor ideia do que esse fantasm a estava tentando lhe dizer, se é que era um fantasm a. Preocupado com a própria sanidade e desesperado por um a noite bem dorm ida, ele e a m ulher cham aram um parapsicólogo fam oso.
Essa aparição fantasm agórica foi solucionada, m as a partir de então a fam ília com eçou a ver, de vez em quando, a im agem etérea de um a m ulher j ovem na escada. Em outras ocasiões, a fam ília e seus hóspedes ouviam passos, um a bola quicando, ou alguém caindo pela m esm a escada íngrem e. Quando investigavam , nunca havia nada visível.
Com parado a seu últim o fantasm a, era fácil viver com esse. No entanto, eles haviam lido nosso livro sobre m anifestações m aléficas e estavam preocupados com a possibilidade de que o m isterioso residente talvez não fosse assim tão inofensivo. Com base no que ouvim os pelo telefone, e dado que a fam ília se sentia confortável com seu fantasm a, Lorraine e eu acreditávam os não haver m otivo para alarm e. Entretanto, concordam os em ir até a casa para ver se conseguíam os descobrir a causa dessa nova aparição.
Fom os até lá de carro em um fim de tarde de verão, para que o m arido pudesse se encontrar conosco depois do trabalho. A casa era um a estrutura m arrom im ponente, rodeada por um extenso gram ado e com um bosque cerrado nos fundos. Entrando pela porta da frente, havia um a escada íngrem e que de im ediato nos cham ou a atenção. A escada parecia subir até o céu. Ela levava aos quartos e continuava até o sótão.
Para nós não é nenhum a surpresa que um a casa com m ais de cem anos sej a assom brada. A razão é que, cem anos atrás, as pessoas frequentem ente m orriam em casa, de velhice ou outras causas naturais. E cem anos é um período de tem po que fornece am plas oportunidades para que alguém m orra subitam ente em casa com o resultado de um acidente, assassinato ou suicídio. Qualquer um desses eventos pode criar “fantasm as”. Os próprios eventos podem deixar “im pressões parapsíquicas”, que reencenam repetidam ente o profundo traum a em ocional e físico. Pessoas que m orrem subitam ente ou de surpresa podem não saber que estão m ortas... ou com frequência têm algum assunto pendente neste m undo. No caso de um suicídio, o indivíduo pode acreditar que não “tem perm issão” para fazer a passagem , ou seu estado m ental agitado pode persistir depois da m orte física.
Lorraine e eu constatam os que são os aspectos em ocionais que m antêm os espíritos aprisionados em nosso plano terrestre. Para nós é irônico que a ciência da parapsicologia, o estudo do paranorm al, tenha com eçado com o um ram o da psicologia. Na época se pensava – e m uitos céticos ainda concordam – que todas as m anifestações m isteriosas eram delírios ou então que eram controladas pela m ente. No entanto, o em inente doutor Freud ficou fascinado com a parapsicologia no final de sua carreira e levou a percepção extrassensorial m uito a sério. Lorraine e eu j á encontram os m uitos fantasm as que poderiam ter sido aj udados pelo bom doutor.
De fato, a entidade que prim eiro assom brou a casa de nosso cliente era um desses fantasm as. Estávam os curiosos quanto à prim eira aparição, porque às vezes as condições que atraem um fantasm a fazem outros espíritos tam bém se sentirem confortáveis. Alguns pesquisadores acreditam que deva existir algum a espécie de vórtice que perm ite aos espíritos fácil acesso para nosso m undo físico e para fora dele, em lugares específicos.
O que sabem os é que “sem elhantes se atraem ”. Às vezes um a pessoa viva pode com partilhar com o fantasm a características físicas, em ocionais ou de com portam ento. As circunstâncias podem ser parecidas. Algum a pessoa viva pode ser confundida com alguém no passado do fantasm a. Ou algum a perturbação desencadeia a m em ória e a angústia da entidade. Tam bém sabem os que o m au com portam ento gera o m al, e às vezes os fantasm as sim plesm ente atraem outros fantasm as.
Na casa do cliente, Lorraine investigou a escada. Usando a m ediunidade de
Na casa do cliente, Lorraine investigou a escada. Usando a m ediunidade de transe leve, ela relatou verbalm ente o que estava vendo, ouvindo e entendendo telepaticam ente.
“É o espírito de um a m ulher j ovem ”, Lorraine disse. “Ela se suicidou j ogando-se do alto desta escada. Seu pai era um reverendo, e ela engravidou quando era solteira. Ela se m atou para proteger sua reputação e a do pai.”
“Ela se sente terrivelm ente culpada por ter se m atado e m atado o bebê, e principalm ente por ter ficado grávida”, explicou Lorraine.
Dirigindo-se ao espírito em voz alta, Lorraine disse:
“Você j á pode fazer a passagem . Tudo está perdoado. Seu pai a está esperando do outro lado. Não está com raiva. Só quer que você estej a com ele.” Ela repetiu palavras com o essas por alguns m inutos. Finalm ente, Lorraine sorriu e disse:
“Ela fez a passagem para o outro lado.”
De repente o ar no saguão de entrada pareceu m ais leve e m ais fresco. Cada um de nós com entou tal fato, e todos sorrim os. O m arido de repente sorriu e disse:
“Bem , parece que tenho que pesquisar um pouco m ais.”
Ele explicou que, depois da visita do parapsicólogo, vários anos antes, ele havia pesquisado a história da casa e da com unidade, em busca de dados fidedignos que corroborassem o que fora revelado pela m édium de transe profundo. Médiuns de transe profundo perm item que o espírito fale através deles. Algum as pessoas cham am isso de “canalização”. Outros cham am de picaretagem .
Lorraine e eu com eçam os nosso trabalho paranorm al sim plesm ente ouvindo as histórias de fantasm a de outras pessoas. Ficam os curiosos a respeito dessa. Os donos da casa concordaram em com partilhá-la conosco, e a esposa foi buscar a gravação em áudio que tinha sido feita. Depois de ouvi-la, ficam os tão fascinados com o que ela revelou a respeito da natureza dos fantasm as, que pedim os um a cópia e perm issão para partilhá-la com nossos alunos e leitores.
O fantasm a
A prim eira vez que ouvim os essa fita foi na casa do cliente. Depois de dar um a solução rápida a sua aparição sobrenatural m ais recente, todos passam os para a confortável sala de estar repleta de antiguidades. Os donos da casa nos ofereceram lim onada enquanto preparavam o gravador. Nós nos acom odam os em cadeiras m acias e nos preparam os para escutar.
Eles nos recordaram que a investigação foi desencadeada pelo assédio invisível ao m arido e as palavras m isteriosas, “Tool, tool!”. Nossos anfitriões tam bém explicaram que, na fita, o parapsicólogo estava conduzindo a entrevista. Em bora a voz que respondia fosse grave, com um forte sotaque escocês, fom os inform ados de que a m édium era um a m ulher que norm alm ente tinha um a voz suave e aguda.
Nossos clientes explicaram que, quando a m édium com eçou a entrar em
Nossos clientes explicaram que, quando a m édium com eçou a entrar em transe, passou a m urm urar algo sobre um filho que havia sido m orto na guerra e sobre alguém cham ado Maddie.
“Quem é Maddie?”, perguntou o entrevistador.
A reposta veio com um forte sotaque escocês:
“A m inha am ada. Agora ela tam bém vem aqui.”
Pelo visto, o entrevistador supôs que “a am ada” era um a esposa, porque em seguida perguntou:
“Qual era seu nom e de solteira?”
“Ela diz ‘Vá, vá, vá!’ toda vez que vem aqui agora”, a voz respondeu.
“Qual era o nom e de solteira dela quando você a desposou?”, persistiu o entrevistador.
“Benedict, Benedict é m eu nom e”, o fantasm a respondeu.
Percebendo que o fantasm a não havia entendido, o parapsicólogo insistiu:
“Mas, antes, quando você a conheceu... qual era o nom e do pai dela?”
A voz passou de um estado quase sonhador a um de irritação.
“Ela está com igo desde o ano quinze, ela é com o eu, um a Benedict. Quem é você?”
“Fui m andado para aj udar você”, respondeu o entrevistador.
“O’Toole?”, perguntou o fantasm a.
“Não”, disse o entrevistador. “Quem é O’Toole? O que ele fez? No que trabalhava? Ele trabalhava para você?”
“Não, não, não!”, berrou o fantasm a.
“Ele veio aqui depois?”
“Não conheço algo com o ele”, o fantasm a disse com desprezo. As palavras soaram quase com o se tivessem sido cuspidas.
“Mas quem era ele? Você pode m e contar m ais a respeito, para que eu possa reconhecê-lo?”, perguntou o parapsicólogo.
Ouvim os quatro batidas e então o fantasm a perguntou com suavidade:
“Você não é ele?”
“Não, eu gostaria de aj udar você a encontrá-lo”, explicou o entrevistador.
“Ele... não aqui. Agora sei. Mas você é novo”, respondeu o fantasm a, com resignação e com eçando a com preender.
“Sou novo”, o parapsicólogo concordou. “Sou um am igo tentando aj udar você a colocar ordem nas coisas.”
Com um tom cansado, a voz escocesa disse:
“Os ossos velhos de alguém com o eu ficam tão decom postos, não é m uito bom encontrá-los de novo, m as os j ovens ossos do neto que sem pre esteve com igo... m e aj ude a encontrá-los.”
Concordando em aj udar, o parapsicólogo disse:
“Vam os tentar encontrar os ossos de seu neto. Diga-m e, eles foram consagrados pela igrej a? Você era m em bro de algum a igrej a?”
“Todas as coisas consagradas, ha, ha!”, disse o fantasm a, com um a risada sarcástica. “Consagradas!”, rosnou, e em seguida riu longam ente.
Então ouvim os:
“Nunca veio a m im , em bora consagrado. Ho, ho, consagrada!”
“Sei o que quer dizer. Mas pode m e dizer o nom e de sua igrej a?”, insistiu o cientista.
O fantasm a foi igualm ente teim oso.
“Consagrado o quê? É algo de que j á não gosto”, disse, com desprezo.
“Mesm o assim ... Você lem bra qual era a igrej a?”
“Não! Não vou m e lem brar do que eu j á não gosto!”, berrou o fantasm a.
Voltando a algo que o fantasm a parecia ter m urm urado quando com eçou o contato, o entrevistador perguntou, com voz calm a, “Seu filho está com você?”.
Ouvim os duas batidas lentas, e então as palavras suaves e tristes:
“Ah, você m e traz tristeza... Você m e traz tristeza.” A isso seguiu-se um gem ido longo e infeliz.
“Qual o nom e com pleto de seu filho?”, perguntou o entrevistador, ainda buscando dados verificáveis.
“Steven”, disse a voz, e então sussurrou: “Aj ude-m e, aj ude-m e”. Em voz m uito m ais potente, o fantasm a disse: “Ah, não m e faça lem brar, não m e faça lem brar. Ohhh...” As palavras se transform aram em gem idos, que pareciam carregar um a tristeza e um a angústia seculares.
“O seu filho serviu no exército?”, perguntou o entrevistador, aproveitando a referência à guerra feita no início do transe da m édium .
“Ohhh! Ele deu a vida. Ele deu um a perna. Ele deu os ossos. Ohhh.”
“Você se lem bra em qual regim ento ele serviu? Quem foi seu com andante?”
“Não, não m e lem bro. Não m e lem bro.”
Tentando obter dados que pudessem ser verificados, o entrevistador insistiu:
“É im portante. Em que regim ento ele serviu? Sob qual general, sob qual com andante ele serviu? Você se lem bra quem era o com andante?”
“Ohhhh”, disse o fantasm a, e em seguida deu m ais um a série de gem idos cheios de tristeza.
“Você tam bém serviu no exército?”
O fantasm a pareceu dar um a risadinha e disse, “Não – só m eu filho”.
“Você se lem bra em que regim ento ele serviu? Era cavalaria ou infantaria? Ele estava a pé?”
“Pé”, disse abruptam ente o fantasm a.
“Qual o núm ero do regim ento, você se lem bra?”
“Um ... seis.”
“Onde estava servindo?”
“Norte.”
“Onde ao norte, em que cidade?”
“Ah, não sei”, disse o fantasm a, ficando irritado de novo.
Ainda assim o parapsicólogo persistiu:
“Qual era o posto dele?”
“Não lem bro.”
“Era soldado ou oficial?”
Finalm ente o fantasm a explodiu.
“Sangue j ovem , sangue j ovem ! Quem é você? Quem vem acabar com m inha paz?”
Para im pedir o fantasm a de rom per o contato, o parapsicólogo m udou de abordagem .
“Você terá sua paz. E terá tudo o que quiser”, prom eteu. “A casa agora pertence a outra pessoa, que cuida m uito bem dela para você.”
“Não interessa. Estou aqui. Estou aqui para sem pre”, afirm ou o fantasm a. Depois de um a breve pausa, disse, “O’Toole?”.
“Não, não sei quem é O’Toole. Mas posso aj udá-lo a encontrar os ossos de seu neto, se tiver paciência”, respondeu o entrevistador.
“Terei m inha vingança,”, disse a voz, com suavidade.
“Você não precisa disso”, aconselhou o entrevistador.
“Ohhhh, não!”, discordou o fantasm a.
“Muito tem po j á se passou”, o entrevistador disse, com voz tranquilizadora.
“Tem po?”
“Anos... m uitos anos se passaram .”
“São quinze para as seis”, disse o fantasm a.
“Por que quinze para as seis? O que aconteceu às quinze para as seis? Da m anhã?”
“Sim , estava am anhecendo”, a voz sussurrou.
“E o que aconteceu?”
“O’Toole... o dem ônio O’Toole veio. O’Toole vem aqui!” Depois de gritar, o fantasm a de repente sussurrou, “Ah, ele veio aqui”.
“E o que aconteceu então? O que aconteceu com você?”
“Não com igo... com m eu neto”, o fantasm a disse em voz suave. E erguendo a voz, “Ele desenterrou os ossos. Ele perturbou o túm ulo de m eu neto”.
“Mas j á se passou m uito tem po desde então. Você entende isso?”, perguntou o entrevistador.
“Ah, o que poderíam os fazer?”, disse o fantasm a, novam ente sussurrando.
“Nada”, disse o parapsicólogo.
Ainda sussurrando e soando perdido e sem esperanças, o fantasm a se lam entou:
“Nada... certo... nunca.”
“Você deve aceitar isso”, o cientista tentou convencê-lo. “Quero que aceite essas coisas.”
Mas o rancor do fantasm a não era apenas contra o hom em cham ado O’Toole.
Um a história de fantasm as de um fantasm a
O parapsicólogo havia incentivando o fantasm a a abrir m ão da raiva quando a voz pareceu m udar de assunto de novo.
“Chega, chega, chega!”, ouvim os. “Preciso de Steven! Eu o vej o, sem a perna, ensanguentado. Nós o vem os. Nós o vem os. E eles não o aceitaram .”
Desligam os o gravador para discutir o que havíam os acabado de ouvir. Essas últim as palavras pareciam indicar que, em vida, o fantasm a e sua esposa talvez tivessem visto a aparição de seu filho quando ele fez a passagem ao m orrer no cam po de batalha. O pai interpretou a visão de form a equivocada, com o prova de que a alm a de seu filho não tivera perm issão para entrar no céu.
Voltam os a ligar o gravador.
“Você deve rezar por ele”, disse o entrevistador ao fantasm a. “Deve pedir que ele sej a aceito, da m esm a form a que você foi. E você deve pedir isso acreditando ou não num a igrej a. Ao pedir, você receberá.”
“Nós o vim os. Nós o vim os”, o fantasm a repetiu.
“Acredito em você”, disse o entrevistador, entendendo o fenôm eno.
“Nós o vim os, m as ele não estava aqui em pessoa”, explicou o fantasm a.
“Eu com preendo”, disse o entrevistador com sinceridade.
“E Maddie chorou quando o vim os sem a perna, ensanguentado. Oh, onde ele está?”
Param os o gravador de novo para discutir essa curiosa reviravolta. A pobre alm a era um fantasm a porque não acreditava em fantasm as! “Espíritos de transição” são o segundo fenôm eno espectral m ais com um relatado. Obviam ente, esse hom em ignorava isso quando era vivo. Em vez disso, ele supôs que sua visão significava que o filho não conseguira ir para o lado de lá. Em consequência, esse hom em tam bém não foi. Ele se recusava a ir para um lugar onde achava que não queriam seu filho.
Adeus, fantasm a
O entrevistador agora encarava o desafio de tentar convencer o fantasm a de que seu filho havia feito a passagem e estava esperando do outro lado. Isso era algo que o fantasm a precisava querer. O livre-arbítrio hum ano é m ais poderoso do que a m aioria das pessoas im agina.
Ao ligar de novo o gravador, ouvim os o parapsicólogo dizer, “Quero que escute o que vou dizer, e você terá aj uda. Mas é preciso que ouça com m uita atenção agora. Repita depois de m im ... ‘Peço que eu sej a levado para j unto dos m eus entes queridos...’.”
“O’Toole?”, disse a voz.
“Não, vou cuidar de O’Toole para você”, disse o entrevistador, m uito sério. “Vou tentar encontrar os ossos de seu neto. Quero que repita depois de m im ...”
“Eu terei vingança!”, o fantasm a gritou, voltando a crer que o entrevistador era O’Toole. É difícil m udar os hábitos centenários de um fantasm a de agarrar-se ao passado e à raiva.
“Isso não é necessário, eu j uro para...”, com eçou o entrevistador, ignorando-o
“Você é O’Toole!”, insistiu o fantasm a.
Agora foi o entrevistador quem perdeu a paciência.
“Não! Escute, vam os procurar os ossos. Se forem encontrados, serão enterrados. Mas m uito tem po se passou, m ais de 150 anos. Você entende isso? Já não tem im portância.”
O fantasm a perguntou, agora de form a suave:
“Maddie?” Um instante depois, a voz exclam ou alegrem ente, “Maddie!”.
Talvez ela tivesse vindo do outro lado para aj udá-lo a fazer a passagem . O parapsicólogo pensou a m esm a coisa, porque disse:
“Ela está com você. Peça-lhe que venha. Cham e-a.”
“Maddie, oh, Maddie!” Havia um deleite real na voz do fantasm a canalizada pela m édium . Ouvindo-a, era possível im aginar quanto deveria se sentir solitário.
“Muito bom !”, o entrevistador disse. “Agora, você vai cham ar o seu filho? Cham e seu filho, por favor.”
“Maddie?” A voz foi sum indo aos poucos, do m esm o m odo que Maddie talvez tivesse desaparecido.
“Peça que seu filho venha da form a com o era”, insistiu o entrevistador. “Você quer vê-lo com o ele era. Cham e-o com o era antes de ser ferido.”
“Ele vai estar ensanguentado! Maddie vai chorar!”, censurou a voz.
“Não! Ele não vai m ais vir ensanguentado. Cham e por seu filho, com o ele era antes da guerra. Peça que venha com o era.
Então ouvim os um a voz, m uito irritada e carregando m ais de um século de dor e pesar, gritar:
“Ohhh... se houver um Deus no céu, que m eu filho venha, com a perna inteira, sem sangue!”
“Muito bom ! Agora peça que venha seu neto”, o entrevistador disse.
“Oohh!”, o fantasm a gem eu.
“Peça que ele venha. Peça que ele venha. Agora, agora!”
A isso se seguiu apenas o silêncio. O entrevistador disse, com um a voz m enos nervosa, tranquilizadora:
“Muito bem , agora m antenha esses pensam entos sobre sua fam ília. Mantenha-os! Muito bom .”
De súbito o fantasm a exclam ou, “Oh, m eu filho!” Havia tanta alegria genuína em sua voz que ficam os arrepiados e com os olhos cheios de lágrim as.
“Ele está com você, ele agora está com você”, disse o entrevistador, exausto. “Leve-os para o outro lado, faça a passagem com eles.”
“Oh...”, disse o fantasm a, com o se finalm ente estivesse em paz.
E aqui term inou a fita, m as não a história.
Epílogo
O m arido nunca m ais foi perturbado. Aparentem ente, o fantasm a havia confundido todos os hom ens daquela casa com O’Toole, que havia perturbado o túm ulo de seu neto. Os donos da casa nos contaram ter descoberto algo m uito interessante quando pesquisaram a história da casa. De acordo com registros da cidade, um John Benedict de fato foi dono da casa – uns 150 anos antes. Ele e sua m ulher Maddie tiveram um filho, Steven, que se casou e teve um filho. Durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos, Steven foi atingido em cheio na perna por um a bala de canhão. Ele sangrou até m orrer no cam po de batalha.
Tam bém descobriram que, depois de um a vida plena, o filho de Steven foi enterrado em um cem itério com unitário que m ais tarde foi transferido para dar lugar a um a rodovia de quatro pistas. O nom e do engenheiro principal desse proj eto era O’Toole.
Essa é um a das m elhores histórias reais de fantasm a que j á ouvim os, entre as tantas que Lorraine e conhecem os no decorrer dos últim os cinquenta anos. Agradecem os a nossos anfitriões por nos dar um a cópia da fita, j untam ente com a perm issão de com partilhá-la com outras pessoas. Eles nos agradeceram por confirm ar que a m ulher nas escadas era inofensiva, e por dar o descanso final a ela.
Oferecem os nossa aj uda caso houvesse recorrência dessa atividade, ou se acontecesse qualquer outra. Nunca m ais fom os o casal entrou em contato conosco. Com o sabem os que continuam m orando na m esm a casa, só podem os concluir que ela está finalm ente livre de fantasm as.