Invocadores do Mal

Cheryl A. Wicks · Capítulo 18 de 27

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Invocadores do Mal

Estudo de Caso Nº 5 Amityville: farsa ou horror

Estudo de Caso Nº 5

 

Amityville: farsa ou horror

 

O caso de Amityville agora é de conhecimento público. O relato a

seguir foi baseado na transcrição de uma entrevista entre

Ed Warren (com Lorraine) e George Lutz, feita por telefone.

 

Ed dá o histórico do caso

Em 13 de novem bro de 1974, por volta de 3h30 da m anhã, m inha m ãe faleceu. Tendo superado o alcoolism o e o câncer décadas antes, a m orte dela foi súbita e inesperada. Lorraine e eu estávam os viaj ando naquele m om ento, para dar um a palestra.

Tam bém em 13 de novem bro de 1974, por volta de 3h30 da m anhã, Ronald DeFeo pai, sua esposa Louise e seus filhos Dawn, Allison, Mark e John-Matthew foram m ortos a tiros com um rifle de alta potência, em sua casa em Am ity ville, Long Island. O único sobrevivente foi Ronald DeFeo Jr., que à época tinha pouco m ais de 20 anos. Ele foi acusado pelos assassinatos e condenado.

A m orte de m inha m ãe, em conj unção com esses trágicos assassinatos, é apenas um a das m uitas “coincidências” que conectam o caso de Am ity ville conosco. Com o Lorraine e eu estávam os viaj ando, e preocupados com a notícia da m orte de m inha m ãe, não soubem os de im ediato do horrível assassinato dos DeFeo. Só tom am os conhecim ento dele no início de 1976, quando um a em issora de televisão de Nova York nos telefonou, pedindo que investigássem os um a casa em Long Island. Ela estaria tão assom brada que a fam ília havia fugido aterrorizada.

Nós concordam os, m as apenas se tivéssem os a autorização dos proprietários. George Lutz encontrou-se conosco em um restaurante localizado a cerca de um quilôm etro de distância da casa que ele e a fam ília haviam abandonado apenas vinte dias antes. Ele se recusou a entrar na casa ou a m e contar o que havia acontecido. Queria que víssem os por nós m esm os. Parecia genuinam ente aterrorizado, m as tam bém tinha certeza de que, o que quer que fosse, não era sua im aginação. Ele queria apenas investigadores do paranorm al experientes e fidedignos, que teriam m enor chance de sofrer algum tipo de dano e m aior chance de com preender os fenôm enos. Não obstante, ele e a fam ília não tinham a intenção de voltar à casa ou de tirar nada de lá. Aquele hom em havia visto m ais do que um fantasm a.

George e Kathy Lutz m udaram -se para o im óvel em Am ity ville em dezem bro de 1975, em polgados com a possibilidade de oferecer um a boa casa (apesar de sua história trágica) a sua fam ília e seu negócio. Estavam a par da história trágica da residência, m as aquilo apenas tornava o preço atraente dem ais para que deixassem passar a oportunidade de com prá-la. Era um a casa grande, em um bairro desej ável, à beira-m ar, com um a garagem para barcos e um a piscina. Era m ais do que eles haviam sonhado, m as ainda estava bem dentro de seu orçam ento. Era nessa casa que eles planej avam criar os filhos e se aposentar. Mas m enos de um m ês depois de se m udarem para lá, eles abandonaram a casa, deixando para trás todos seus pertences, bem com o seu negócio. Poucos m eses depois, afastaram -se da fam ília e dos am igos e se m udaram para a Califórnia, colocando a m aior distância possível entre eles e aquela casa.

O livro e o film e intitulados Horror em Amityville[24]só criaram m ais problem as. Eles atraíram caçadores de em oções e todo tipo de pseudoespecialistas. Houve quem tentasse lucrar em cim a da notoriedade, enquanto a cidade tentava m inim izá-la. Detalhes do livro e do film e foram esm iuçados e debatidos. Por fim , todos decidiram que o m elhor era declarar que se tratava de um a “fraude”. Apesar de terem perdido causas nos tribunais, com base em detalhes, George e Kathy Lutz sustentam que não foi um a fraude, e acreditam os neles.

A im prensa e o público de nossas palestras nos indagavam constantem ente sobre esse caso. Podíam os responder apenas com base em nossa experiência de ter investigado a casa em 1994. Não podíam os responder sobre os detalhes das experiências pelas quais Kathy e George haviam passado. Ainda, a notoriedade do caso fez surgir todo tipo de gente, afirm ando ter investigado a casa. Era difícil determ inar quem esteve envolvido de verdade e quem só desej ava ter estado. De novo, apenas os donos da casa podiam confirm ar as inform ações.

No dia e na hora com binados, conversei com George pelo telefone para aj udar a elucidar detalhes relativos ao caso. Lorraine e eu pegam os as extensões em nossa casa. Com autorização de George, gravam os toda a conversa.

“George”, com ecei, “este é um dos casos m ais controvertidos que Lorraine e eu j á investigam os. Nós com certeza estam os bastante atentos a ele.”

Lorraine entrou na conversa:

“Tem os algum as perguntas que gostaríam os de fazer sobre o que aconteceu em sua casa na Ocean Avenue, 112, em Am ity ville. São perguntas que o público sem pre nos faz quando dam os palestras.”

Esclarecim entos quanto ao padre

De acordo com o livro Horror em Amityville, que Jay Anson escreveu com base nas pesquisas que ele m esm o realizou, o padre Ralph, um religioso católico, passou por eventos desagradáveis e estranhos com o consequência de seu esforço em aj udar George e Kathy Lutz, abençoando a casa nova deles em Am ity ville. Mais tarde ele negou tudo. Em m inha experiência, isso pode ter sido causado pela pressão da Igrej a, que abom ina publicidade de qualquer tipo, quanto m ais toda a atenção que o caso atraiu.

“De acordo com o livro, enquanto o padre estava abençoando a casa, no dia em que vocês se m udaram , um a voz lhe disse para ir em bora”, disse Lorraine. “Mais alguém ouviu essa voz? Vocês estavam com ele? Ele poderia ter ouvido essa voz de form a parapsíquica... telepática?”

“Acho que ele provavelm ente a ouviu de form a audível”, respondeu George, “m as não sabem os de fato. Não estávam os com ele naquele m om ento. Ele nunca nos falou sobre isso. Ele nunca nos contou qualquer dos problem as que enfrentou depois de abençoar a casa.”

“Você acha que foi porque ele não quis perturbar vocês com nada do que enfrentou com o resultado de ter abençoado a casa?”, perguntou Lorraine.

“Tudo que ele nos disse”, respondeu George, “foi ‘Eu agradeceria se vocês não usassem um dos quartos com o quarto de dorm ir’. Dissem os a ele que planej ávam os usar aquele côm odo em particular com o sala de costura.”

“Ele disse a vocês por que sentia que aquele quarto não deveria ser usado com o quarto de dorm ir?”, perguntou Lorraine.

“Ele disse que havia algo ali de que não gostava. Tam bém nos pediu que deixássem os a porta do quarto fechada sem pre que possível. Acham os m eio estranho, m as concordam os e pensam os, ‘Tudo bem , não é im portante, só vam os usar o quarto para costurar’.”

Quando Lorraine e eu investigam os a casa de Am ity ville antes, Lorraine havia detectado, com precisão, onde os corpos da fam ília DeFeo haviam sido dispostos antes de serem levados para o necrotério. Lem bre-se, não ficam os sabendo dos assassinatos na época em que aconteceram , e não tínham os conhecim ento prévio dos detalhes do caso. Durante nossa investigação, quando Lorraine subiu as escadas para exam inar os andares de cim a, sentiu um a força invisível. Ela disse que parecia estar abrindo cam inho através da água. Ao entrar no quarto que os Lutz costum avam usar para costurar, exclam ou, “Isto é o m ais perto do inferno que eu quero chegar!”.

 

Esclarecim ento quanto à levitação

“Fazia quanto tem po que vocês estavam na casa quando as levitações com eçaram a acontecer com algum m em bro da fam ília?”, Lorraine perguntou a George. Era im portante esclarecer essa pista im portante do envolvim ento dem oníaco.

“Isso só com eçou a acontecer nas últim as noites em que estivem os lá, e Substâncias m isteriosas... e “m onstros”

“Isso só com eçou a acontecer nas últim as noites em que estivem os lá, e continuou acontecendo depois que deixam os a casa”, respondeu George.

“Todos os m em bros da fam ília tiveram problem as com a levitação, George?”

“Não, foi principalm ente Kathy, e aconteceu um a vez com igo. Mas um a noite as cam as das crianças foram sacudidas de um lado a outro. As cam as se m overam para cim a e para baixo, e foram arrastadas pelo chão. Enquanto isso estava acontecendo, eu não conseguia m e m exer na cam a. Kathy estava no que parecia ser um sono de transe, m as rígida, e deslizando para longe de m im . E na m esm a hora havia m uito barulho no andar de baixo.”

A im obilidade que George descreveu, e o estado rígido de Kathy, com o se ela estivesse em transe profundo, configuram o que é conhecido com o “paralisia parapsíquica”. É assustador para a pessoa que passa por essa experiência, e é tam bém frustrante. Quem está consciente não consegue acreditar que toda a barulheira e as dem ais perturbações não despertem a outra pessoa, de m odo que esta possa aj udar ou testem unhar os acontecim entos. A paralisia parapsíquica não é incom um em am bientes infestados pelo m al, sej a de dia ou de noite. Eu m esm o j á enfrentei esse estado de im potência. Um a dessas ocasiões se deu enquanto eu investigava o porão da casa de Am ity ville.

“No livro, quando entrou no quarto e viu Kathy levitando, você a agarrou”, disse eu a George. “Pode nos falar sobre isso?”

“Isso aconteceu quando estávam os m editando na casa da m ãe de Kathy. Ergui o olhar e Kathy estava rígida e deslizando para cim a pela parede, com o se estivesse pendurada pelas m ãos e elas estivessem am arradas um a à outra. Eu tinha acabado de sair da m editação e não podia crer naquilo. Não dava nem para entender. Eu a agarrei e puxei para baixo, e a acordei. Ela exibia vergões enorm es na barriga. Cham ei a m ãe dela para vê-los.

“Em outra ocasião, Kathy e eu estávam os dorm indo e voam os pelo quarto.”

“Vocês estavam conscientes disso?”, perguntei.

“Sim . Quando olham os para baixo, a cam a estava vazia. Isso aconteceu im ediatam ente depois de abandonarm os a casa. Quando Kathy levitou em nossa casa em Am ity ville, havia tanta coisa acontecendo, eu sim plesm ente a agarrei e puxei de volta.”

“Foi difícil puxá-la para baixo, George?”

“Não, ela desceu na hora.”

“Ela estava consciente naquele m om ento?”

“Ela acordou logo depois disso.”

“Estava assustada?”

“Estava surpresa, não aterrorizada com o eu. Mas ela podia ver o terror em m eu rosto.”

“Quantas vezes você e Kathy de fato levitaram ?”

“Eu levitei algum as vezes com Kathy na casa de m inha sogra. Nunca levitei em nossa casa. Kathy levitou duas vezes em nossa casa, enquanto dorm ia.”

“Por quanto tem po você levitou?”

“Pareceu ter sido m uito tem po, m as provavelm ente não foram m ais do que cinco m inutos.”

“E em um a das vezes em que você e Kathy levitaram ... lem bro-m e de que você m e contou ter olhado para ela e dito, ‘Você acredita nisto?’. Foi isso m esm o que você disse?”

“Sim , estávam os falando um com o outro. Sim plesm ente não conseguíam os crer que aquilo estava m esm o acontecendo. Estávam os voando, flutuando de um lado a outro, olhando lá em baixo a cam a onde estávam os antes e vendo-a vazia. Nunca passam os por nada assim , nem antes e nem depois.”

Isso coincide com o que Lorraine e eu ouvim os e testem unham os em outras ocasiões. Os Lutz podiam ter lido m uito ou serem instruídos em ocultism o e inventado aquela história, m as com base no que nós sentim os e vivenciam os na casa, j ulgam os que tais experiências não apenas eram possíveis, m as prováveis.

 

Um porco do m al

De acordo com o livro Horror em Amityville, a filha m enor, Melissa, foi a única que “viu” um grande porco que ela cham ou de Jodie e com o qual fez am izade.

Lorraine abordou o assunto, dizendo:

“George, você m encionou que os m óveis um a vez m overam -se pelo quarto das crianças, aterrorizando-as. O que m ais elas testem unharam na casa em Am ity ville?”

“Quando Missy (Melissa) nos contou sobre seu porco de estim ação, não dem os atenção, achando que era coisa da im aginação infantil. Mas um dia ela desceu a escada e perguntou, ‘Anj os falam ?’. Nós perguntam os, ‘Do que você está falando?’. Ficam os um tanto alarm ados, porque Missy era bem sensata para um a garota de 6 anos. Mas ainda assim achávam os que era a im aginação dela.

“No entanto, vim os os olhos daquela coisa olhando para cim a, de dentro da garagem do barco. Um a noite Kathy e eu estávam os sentados na sala de estar, quando vim os os olhos nos espreitando do lado de fora.”

“Com o eram esse olhos, George?”

“Eram só dois olhos verm elhos, vidrados.”

“Vocês conseguiam de fato distingui-los com o olhos?”

“Sim , eram olhos, sem dúvida algum a, m as não havia nenhum a form a por trás deles.”

“E as j anelas pelas quais vocês olhavam para fora eram m uito altas?”, Lorraine perguntou.

“Sim , portanto devia ser algo bem grande... bem alto.”

“Creio que Kathy disse algo sobre... passos?”, perguntei.

“Vim os pegadas na neve que não pudem os atribuir a nada que não fosse um anim al com cascos fendidos. As pegadas iam direto para o rio... saíam do píer e iam direto para o rio.”

“Que outras coisas assustadoras aconteceram naquela casa, George?”, indaguei. “E a substância que saía dos buracos das fechaduras e que parecia sangue?”

“Aquela coisa crescia”, disse George. “Ela crescia e saía dos buracos das fechaduras. Os pingos ficavam cada vez m aiores. Nunca vim os a coisa crescendo à noite, m as de m anhã ela j á estava dura. Na sala de j ogos, onde estava a m aior parte das m oscas, não havia essa substância, m as no resto dos côm odos sim .”

“Você chegou a m andar analisar essa substância?”, perguntei.

“Não conseguíam os rem ovê-la. Não consegui tirá-la com um a faca. Era com o epóxi, um a epóxi preta, m as em form a de lágrim a. Nós a descrevíam os entre nós com o um a lágrim a caindo, porque parecia um a grande e longa lágrim a triste.”

“Era a m esm a substância encontrada na garagem de barco?”, perguntei.

“Não. Não havia nenhum a substância na garagem de barco. Mas j ogam os lá um a coisa que raspam os do tapete. Nos tapetes verm elhos havia outra substância que se parecia com gotas de óleo verde ou pedaços de gelatina... que passava de um quarto a outro. Parecia algum tipo de rastro... indo de um quarto a outro. O rastro subia e descia as escadas, m as a m aior parte da substância apareceu entre o quarto de costura e nosso quarto de dorm ir.”

“Você chegou a tocar a sustância oleosa verde? Em caso afirm ativo, que sensação dava?”

“Era pegaj osa. Ela sum ia durante o dia e aparecia na m anhã seguinte quando acordávam os. De repente, estava lá. Na noite anterior, não estava. Bom , no com eço colocam os a culpa nas crianças.

“Tentam os explicar todas as coisas estranhas que estavam acontecendo. Foi fácil nas prim eiras três sem anas. Não acreditávam os que houvesse um m otivo sobrenatural para aquilo. Quando chegou ao ponto em que aconteciam tantas coisas que não era possível atribuir-lhes causas físicas, que poderíam os fazer? Sim plesm ente tivem os que ir em bora.”

O livro Horror em Amityville conta que os dois filhos levaram um susto com um “m ostro encapuzado”, que m om entos depois foi visto por George no alto da escada, quando ele estava reunindo a fam ília para fugir da casa.

“No livro, George, as crianças viram um a criatura. O que era?”, perguntei.

“Só Missy m encionou um porco. O que as outras crianças viram foi outra coisa... a m esm a coisa que Kathy e eu vim os na lareira.”

“Poderia descrevê-la?”, pedi.

“Parecia um m em bro da Ku Klux Klan com m etade do capuz arrancado num a explosão, e sem rosto. Da prim eira vez em que o vi, era só um a silhueta deixada pelo fogo na lareira, m as ficou lá por dias. A vez seguinte em que vi algo parecido foi no últim o dia, na m anhã em que estávam os tentando sair da casa. Acredito que você e Lorraine tam bém viram algo na lareira quando investigaram a casa.”

“Sim , eu m e lem bro disso, Ed”, interrom peu Lorraine. “Lem bro que foi

“Sim , eu m e lem bro disso, Ed”, interrom peu Lorraine. “Lem bro que foi quando entram os na casa de noite, com o dr. Oasis e o dr. Tanis. Quando olhei a lareira, com entei que o que aparecia ali era m uito parecido com o que tínham os visto em um a casa em West Hartford.”

Aquela casa em West Hartford havia sido outro caso horrível envolvendo aparições.

 

Sensações perturbadoras, barulhos, odores estranhos e obj etos sendo quebrados

“O que lhe pareceu particularm ente perturbador enquanto vocês m oraram naquela casa, George?”, perguntei.

“Ela pregava peças na nossa im aginação. Você fechava um a porta e ela estava aberta. Abria um a porta e ela estava fechada. Na últim a noite que passam os lá, algo subiu na cam a conosco. Dava para ver as m arcas na cam a. Você via as pegadas, podia sentir o peso e quase dava para ouvir a respiração, m as o barulho no resto da casa era forte dem ais.”

“Que tipo de barulho, George?”, perguntei.

“Parecia um a banda de fanfarra enlouquecida... com o um m onte de m úsicos, cada um em um ritm o, tocando sua própria m úsica. Da prim eira vez que aconteceu, achei que era um rádio-relógio ou algo assim que tinha disparado no andar de baixo. Não era um rádio-relógio. Quando desci, tudo ficou em silêncio. Achei que veria os tapetes do andar de baixo enrolados a um canto, a j ulgar pelo som de pés batendo que tinha ouvido. Ao m esm o tem po, pelo som , parecia que todas as portas e j anelas do andar de baixo tinham sido abertas e fechadas com toda a força.”

“O livro dizia que a porta da frente quase foi arrancada das dobradiças. Pode nos falar sobre isso, George?”

“A porta da frente era bem pesada. Im agino que pesava pelo m enos uns 70 quilos. Dava para saber quando aquela coisa estava fechada, porque de qualquer lugar da casa se ouvia quando ela batia. Desci um a certa m anhã e ela estava daquele j eito.

“O lugar onde ficavam as latas de lixo era todo telado. Cada um dos recintos tinha portas com dobradiças duplas. Um a m anhã, quando descem os, encontram os todas as portas abertas. Na m anhã seguinte, estavam todas fechadas. No fim , m etade delas foi arrancada das dobradiças.”

“E quanto aos sons que lem bravam tiros?”, perguntei.

“Só houve sons parecidos com tiros quando todas as portas com eçaram a bater... sim plesm ente todas as portas da casa de um a só vez.”

“Sua tia Mary esteve em um program a de rádio, e ela disse ter visto a porta da frente fechada com pranchas de com pensado onde a porta havia sido quebrada. Então, ela estava se referindo à porta de tem pestade ou à outra?”, perguntei.

“Ela podia estar falando da porta dos fundos. Há um a porta m uito grande nos fundos, quase do tam anho da porta da frente, com a qual tivem os problem as enquanto estivem os lá. Não ouvi o que m inha tia disse, então não sei a que ela estava se referindo. Sei que ela esteve na casa no dia de Natal, com o resto de nossa fam ília.”

“E quanto aos cheiros ruins?”, perguntei. “No livro, o padre refere-se a cheiros extrem am ente enj oativos que apareceram na casa dele. Vocês tiveram algo assim ?”

“Tivem os o que cham am os de ‘cheiro de perfum e barato’. Era enj oativo, m as não era um cheiro pútrido, horrível. Sentim os um cheiro estranho no porão por uns dias, que não era m uito agradável, com certeza. Parecia que alguém tinha vom itado.”

 

Opressão

“George, parece haver algum a confusão sobre quando você com prou sua casa em Am ity ville e se m udou para lá”, Lorraine perguntou. “Foi em 18 ou 23 de dezem bro?”

“Pelo que m e lem bro, nós nos m udam os no dia 18 de dezem bro e creio que foi no dia 23 que as coisas com eçaram a acontecer... Quando ficam os alarm ados. Você deve ter em m ente que, enquanto m orávam os lá, tentam os arranj ar explicações para tudo... flutuações no aquecim ento, o cheiro de perfum es baratos, as m udanças em nosso com portam ento.

“Parei de tom ar banho e de ir para o escritório. Kathy perdeu todo o interesse nas com pras de Natal e não queria sair de casa. Era com o se estivéssem os deprim idos dem ais para fazer qualquer coisa, e sem nenhum m otivo aparente. Tínham os um a nova casa, eu tinha m eu próprio negócio, do qual gostava, e o período de festas estava chegando.

“Mas aquilo estava nos desgastando... portas batendo... sem pre acordar às 3h30 da m anhã... m oscas no m eio do inverno... todas aquelas coisas estranhas.”

“Qual a questão com as m oscas?”, perguntei.

“Matam os centenas de m oscas e elas continuavam voltando”, disse George. “Ficavam m ais na sala de j ogos, m as tam bém as encontram os na sala de costura.”

“Vocês chegaram a perguntar aos vizinhos se tam bém tinham m oscas em casa?”

“Falei com os vizinhos um a vez, por cim a da cerca do quintal, apenas para m e apresentar. Nunca tivem os de fato nenhum a interação com os vizinhos nem os conhecem os form alm ente. Eles nunca vieram até a casa, nem nada assim .”

Não há nada de estranho nesse fato. Os Lutz m udaram -se para Am ity ville pouco antes do Natal e estavam ocupados desencaixotando as coisas. Eles e os vizinhos estavam ocupados preparando-se para as festas. Além disso, no nordeste dos Estados Unidos, as pessoas costum am ficar dentro de casa em dezem bro.

Lorraine e eu tivem os experiências anteriores com cheiro de perfum es doces e enj oativos, odores ruins em alguns aposentos, interrupção de sono, infestações de m oscas, m udanças dram áticas de com portam ento, barulhos fortes repentinos e até m esm o a “banda de fanfarra enlouquecida”. Tais coisas podiam ser causadas por telepatia parapsíquica ou por m anifestações físicas criadas por algum a força invisível. Com o quer que fosse, a intenção era assustar, oprim ir e ganhar controle. Os Lutz teriam que ter sido bem orientados e ser m entirosos hábeis para inventar tudo isso. Mas essa possibilidade sem pre precisa ser investigada.

 

Esclarecim ento da m otivação

“Vocês não estavam preocupados por ir m orar em um a casa onde seis m em bros de um a fam ília haviam sido assassinados?”, perguntei.

“Não, achávam os que eles haviam m orrido ali e que isso era tudo. A casa em si não tinha nada a ver com isso. Com base no que aconteceu depois, porém , quisem os alertar as outras pessoas e organizar as ideias. Quisem os explicar por que havíam os nos m udado e por que não voltam os m ais.”

“A Igrej a am parou vocês, acreditando em sua história e tentando aj udá-los a com preender o que aconteceu naquela casa?”, Lorraine perguntou.

“Acredito que, se não fosse pelo interesse da Igrej a, m inha fam ília e eu provavelm ente estaríam os m ortos agora. Não tenho dúvidas quanto a isso. Acho que, com o fam ília, não estávam os prontos para entender aquilo; e não éram os capazes de falar com ninguém sobre o assunto. Nós nos considerávam os pessoas racionais. Quando não pudem os encontrar qualquer causa física, percebem os que tinha que ser algum a outra coisa. A Igrej a estava lá quando precisam os dela.

“Por sorte, na época, Kathy e eu podíam os conversar sobre qualquer coisa sem ter m edo do que o outro pensaria. Kathy m e dizia: ‘Senti que seguraram m inha m ão enquanto eu m editava’. E eu respondia, ‘Ah, m e conte m ais’. E ela contava. E nós dois dizíam os que provavelm ente era nossa im aginação.

“Mas, quando você tem todos aqueles barulhos, e tem os cheiros estranhos e as m oscas, e tudo o m ais que tam bém estava acontecendo... E quando você não consegue nem levantar da cam a, com o naquela noite em que eu estava fazendo sons diferentes...”

“Você estava fazendo sons diferentes?”, interrom pi.

Isso, em conj unto com a capacidade de falar um idiom a antes desconhecido... ou falar de trás para diante, é um a das m arcas registradas da possessão.

“Eu produzia um som que parecia fisicam ente im possível. Fazia dois sons não naturais pela boca. Eu estava acordado e sentado na cam a quando isso aconteceu. Era com o se m ais de um a criatura selvagem estivesse dentro de m im .”

“Não parece nada bom ”, adm iti. “Seria pessoal dem ais, George, se eu perguntasse quanto dinheiro você perdeu ao abandonar aquela casa e nunca m ais voltar? As roupas de sua fam ília, obj etos pessoais, itens valiosos reunidos e passados adiante durante gerações foram todos deixados para trás. Vocês nunca voltaram para buscá-los? É isso m esm o?”

“Sim , m as para responder a essa pergunta eu teria que considerar duas questões. Um a seria o pagam ento de entrada da casa em si, e o fato de não poderm os esperar o m elhor m om ento para vender as m otocicletas e nossos dois barcos. Havíam os acabado de com prar um a lancha, que nunca tínham os usado. Eu tinha três m otos custom izadas, cada um a delas bem valiosa... totalm ente crom adas e com pintura personalizada. Eu tam bém havia reform ado recentem ente m eu reboque de m otocicleta para poder transportar não só as m otos m as tam bém ferram entas.

“A segunda parte da perda foi o m eu negócio. Vendem os o negócio para poder nos afastar de tudo e sair de lá. Qualquer um que soubesse o que ele valia não recusaria a transação. O valor de m ercado dele era totalm ente diferente do preço pelo qual o vendi.

“Com relação à casa, o banco entrou com 40 m il dólares no depósito de garantia. Kathy e eu fizem os um pagam ento de 20 m il. As taxas de encerram ento e tudo o m ais som aram outros 8 m il dólares. Assim , tivem os que pagar um total de 28 m il dólares, que perdem os quando saím os da casa.”

Insisti, para chegar a um núm ero total.

“Antes, quando lhe perguntei quanto você achava que tinha perdido por ter abandonado a casa, você disse que tinha sido por volta de 100 m il dólares, está correto?”

“Foi, fácil, essa quantia”, confirm ou George. “Mas o que isso tem a ver com a história?”

“Bom , com o você sabe, tem gente afirm ando que você criou um a fraude. As pessoas não perdem 100 m il dólares tentando criar um a fraude”, expliquei.

“Quando Kathy e eu nos m udam os, fizem os um a hipoteca. Naquela época, era difícil conseguir um a hipoteca para qualquer tipo de casa em Long Island. No entanto, nós conseguim os fazer um a hipoteca para um a casa de 80 m il dólares, com quase 3 m il dólares de taxas ao ano. Estávam os m uito felizes com isso e com a casa. Não tivem os dificuldade para esquem atizar um a form a de conseguir com prá-la e ainda poder econom izar algo. Eu planej ava m udar m eu negócio para lá. Antes, Kathy e eu estávam os m antendo duas casas – um a em East Cy press e outra em Deer Park, cuj os valores chegavam bem perto do valor da casa em Am ity ville.”

“Diga-m e um a coisa, George. Se você quisesse sair do negócio, não poderia ter pensado em um j eito m elhor de cair fora sem ter que inventar histórias sobre m onstros e perder entre 28 m il e 100 m il dólares?”

Pela prim eira vez naquela noite, George riu.

“Claro, eu podia ter queim ado a casa, por exem plo. Ela estava segurada por m uito m ais do que valia. O seguro tinha sido feito pelo valor de substituição, o que teria sido m uito conveniente para nós. Em vez disso, perdem os m ais de 40 m il dólares em m óveis, barcos e tudo o m ais. Não estávam os preocupados com essas coisas quando fugim os.”

Quando Lorraine e eu investigam os a casa, poucas sem anas depois da fuga da fam ília Lutz, encontram os a geladeira e o freezer da cozinha com pletam ente abastecidos. Arm ários e côm odas estavam cheios de roupas. Bandej as de prata que eram herança de fam ília e outros presentes caros que eles haviam acum ulado ao longo dos anos ficaram onde haviam sido deixados. Tiram os fotos dessas coisas, que nos revelam que a partida da fam ília foi de fato súbita e não planej ada.

Precisam os lem brar que os valores que George estim ou estavam baseados nos preços de 1976. Kathy e George acabaram se m udando para um a casa m enor e nunca m ais desfrutaram das coisas boas e do sucesso financeiro que tiveram no curto período em que viveram em Am ity ville. O livro e o film e geraram m ais dinheiro para o escritor do que para os Lutz, e o dinheiro que ganharam sequer cobriu as custas legais.

 

Esclarecim ento da história da casa

Muitas histórias têm sido vinculadas à casa em Am ity ville da qual a fam ília Lutz fugiu. Com o tem po, e com investigações m ais com pletas que acabaram sendo feitas, foram descobertas discrepâncias que tam bém foram utilizadas para refutar as afirm ações que Kathy e George fizeram . Um desses episódios históricos envolve alguém cham ado John Ketcham (ou Catchum ). Foi dito que ele havia fugido de Salem , Massachusetts, durante o j ulgam ento das bruxas, e que teria ido m orar em um a casa no m esm o terreno onde os Lutz m oraram . Havia boatos de que a casa dele era m al-assom brada; m as quando a casa foi retirada do terreno, as assom brações naquela casa em particular cessaram . Outras histórias sobre a propriedade guardam ligação com lendas indígenas.

“De acordo com o livro Horror em Amityville, os índios Shinnecock teriam habitado aquela área, m antendo um cercado em sua propriedade... e John Ketcham estaria enterrado lá. O que pode m e dizer sobre isso, George?”, perguntei.

“Kathy e eu tentam os pesquisar algum as coisas básicas sobre a propriedade, por m eio da Sociedade Histórica de Am ity ville. Algum as coisas nos foram dadas por um investigador contratado por William Weber (o advogado de Ronald DeFeo Jr.) e tam bém por um crim inologista cham ado Paul Hoffm an. Nunca pudem os verificar se essa inform ação era verdadeira ou não. Encontram os, porém , algum as coisas referenciadas em livros que m eu cunhado tinha, m as evidentem ente há poucos exem plares de tais livros.

“No que se refere aos Shinnecocks, não sei. Sinceram ente, não sei se eles se estabeleceram aqui ou não. Entretanto, sei que Alex Tanis parece ter feito algum as afirm ações sobre indígenas quando foi investigar a casa. Vou ler para você o trecho do Book Gallery Magazine, de dezem bro de 1977, escrito por Donald Newlove, citando as sensações parapsíquicas do sr. Tanis, na ocasião em que ele explorou a casa:

“Quando Tanis, Oasis (referindo-se ao dr. Carlos Oasis e a Alex

Tanis) e eu entram os na casa, ninguém nos havia contado nada sobre

os assassinatos, e só sabíam os que a casa era assom brada. Fom os

todos m antidos na ignorância, até m esm o Oasis, de m odo que os

poderes m ediúnicos de Tanis – nós os estávam os testando – não iriam

revelar nossos pensam entos quanto à chacina ou quanto à casa. Sem

aj uda, Tanis localizou os quartos onde os assassinatos haviam

acontecido (ele sequer sabia que haviam ocorrido assassinatos ali).

Ele encontrou colunas de ar frio e teve flashes quanto à terra sobre a

qual a casa estava construída ser um local não consagrado de enterro

de indígenas. Ele entrou em transe, e viu colonizadores holandeses

atacando e m atando indígenas no local onde estes celebravam um a

cerim ônia de casam ento. Um indígena m oribundo, curandeiro ou

chefe, am aldiçoou o solo onde o m assacre ocorrera. ‘A questão desta

casa não é tanto que sej a m al-assom brada, m as estar am aldiçoada

ou ter sido construída sobre solo am aldiçoado. Os índios não queriam

que os brancos desfrutassem da terra que roubaram ’, Tanis

explicou.”

“Tam bém nos disseram que índios m orrendo de febre am arela eram levados, am arrados a árvores e deixados ali para m orrer.”

“Essa inform ação está de acordo com os registros da Sociedade Histórica de Am ity ville que você m esm o viu, George?”, perguntei.

“Não, até onde sei isso é boato.”

“Mas de acordo com Anson (autor do livro Horror em Amityville), isso constava dos registros da Sociedade Histórica de Am ity ville”, disse eu.

“Eu realm ente não sei nada sobre isso. Talvez sej a verdade, de acordo com a pesquisa dele”, sugeriu George.

 

Esclarecim entos quanto a outros investigadores

Steven Kaplan foi um dos pesquisadores que persistiram em afirm ar que a história dos Lutz era um a fraude. Ele teria declarado isso depois que George Lutz negou-lhe perm issão para entrar na casa com um a equipe de televisão para realizar um exorcism o. Desde então, Kaplan tem se oposto a Lutz de todas as form as. Sem pre que nós ou os Lutz aparecíam os na televisão ou no rádio, Kaplan exigia tem po equivalente... dizendo saber m ais do que nós, sem sequer ter estado na casa na época das perturbações.

Nossa investigação descobriu que Kaplan m antinha aproxim adam ente seis organizações distintas em Long Island. Ele descrevia a si m esm o com o fundador e diretor do Instituto de Parapsicologia dos Estados Unidos, do Instituto de Estudos de Lobisom ens nos Estados Unidos, do Instituto de Estudos de Vam piros dos Estados Unidos e do Instituto de Fantasm ologia dos Estados Unidos, que ele dirigia a partir de seu apartam ento em Long Island. Entretanto, as organizações e a faculdade com que trabalham os no cam po da parapsicologia não conheciam Kaplan naquela época.

Tam bém descobrim os que o doutorado de Kaplan veio da Escola por Correspondência do Pacífico, na Califórnia, cuj o fundador e diretor cum priu pena por atividades fraudulentas. Até então, aparentem ente qualquer um podia obter dessa escola qualquer tipo de docum ento que quisesse, por um a taxa sim bólica.

Eu desej ava saber com o Kaplan havia se envolvido com os Lutz.

“Qual foi seu contato inicial com o dr. Kaplan referente à investigação de

“Qual foi seu contato inicial com o dr. Kaplan referente à investigação de sua casa em Am ity ville? Com o você o encontrou? Que aconteceu?”, perguntei.

“Em 20 de fevereiro de 1976, falei por telefone com o sr. Kaplan”, respondeu George.

“Você ligou para ele ou ele ligou para você?”

“Teria que consultar m inhas gravações para m e lem brar, m as creio que fui eu que liguei para ele.”

“E por que ligou? Você tinha lido sobre ele ou algo assim ?”

“Ou tinha lido sobre ele ou o havia visto nos noticiários, com entando sobre casas na costa sul de Long Island que tinham problem as paranorm ais. Ele disse que aquilo pelo qual eu estava passando não era novidade. Ele tam bém disse, até certo ponto, que as pessoas deviam ficar afastadas da casa, porque poderiam estar lidando com algo perigoso. Ele não confirm ou nem negou a existência de algo sobrenatural em m inha casa, e estava apenas sendo cauteloso.”

“Em algum m om ento vocês lhe deram perm issão para investigar a casa?”

“Não, não lhe dem os. Mas com binam os de nos encontrar com ele por volta de 5 ou 6 de m arço de 1976. Ele se encontrou com igo e com Kathy em um restaurante e trouxe alguém a quem se referiu com o ‘bruxa branca’. Os dois queriam investigar a casa.”

“E então o que aconteceu, George?”

“Depois do encontro, liguei para a Duke University, para duas associações de pesquisa em Manhattan e para a Universidade Estadual em Stony brook, procurando saber m ais sobre o sr. Kaplan. Kathy e eu queríam os ter certeza de que qualquer investigador que deixássem os entrar na casa fosse conhecido e respeitado por outras pessoas no cam po da investigação parapsíquica e paranorm al. Para nossa própria sanidade e a segurança de outros, não queríam os charlatães na casa.

“Bom , tanto a Am erican Society for Psy chical Research, na rua 73 Oeste, em Nova York, quanto a Parapsy chological Foundation, creio que é isso, na rua 57 Oeste, 29, em Nova York, negaram conhecê-lo, ou sequer ter ouvido falar do sr. Kaplan.”

“Então você não conseguiu checar as credenciais dele?”

“Não, não consegui. A Duke University e a Stony brook tam bém não sabiam nada sobre ele. Ninguém nunca tinha ouvido falar dele.”

“E então, o que aconteceu?”

“Liguei para o sr. Kaplan e inform ei que havíam os decidido não perm itir que investigasse a casa. Ele ficou um pouco contrariado e quis que eu explicasse o m otivo de não quererm os que entrasse na casa. Eu lhe disse que estávam os tentando organizar um a investigação profissional. Expliquei que não tínham os conseguido confirm ar a experiência dele no assunto. Tentei esclarecer que eu não estava tentando fazer qualquer tipo de insinuação contra a idoneidade dele ou suas credenciais, m as que queríam os ter certeza quanto às pessoas com quem trabalhávam os neste caso.”

“Kaplan fez algum a m enção quanto a um exorcism o da casa?”

“Creio que ele disse que um possível resultado de qualquer investigação que ele fizesse com sua ‘bruxa branca’ seria um exorcism o, que ela poderia fazer m uito bem . Mas a ideia de qualquer tipo de ‘bruxa’ de fato nos desestim ulou a Kathy e a m im . Preferíam os ter um investigador científico.

“Prim eiro, não consegui confirm ar se ele era um parapsicólogo profissional... não por m eio de qualquer um do ram o que consegui contatar. E, segundo, ele insistiu em trazer um a ‘bruxa’. Ao m esm o tem po, não queríam os nada com bruxas. Então, só dissem os não, obrigado. E não tivem os m ais nenhum contato direto com ele depois.”

“George, Kaplan com frequência faz m enção a seu estado m ental à época em que você se m udou para a casa em Am ity ville. Ele diz que você havia estado sob tratam ento psiquiátrico pouco tem po antes. Pode nos dizer algo quanto a isso?”, perguntei.

“Não sei sobre o que ele está falando, a m enos que estej a se referindo ao que é conhecido com o terapia de grupo ou aconselham ento m atrim onial. Depois de m eu divórcio, em 1974, fiz aconselham ento de grupo com um cara com m estrado em trabalho social. Havia um m onte de gente lá, tentando aprender algo a partir da decepção de um relacionam ento fracassado. Ninguém m e disse que eu tinha que ir. Foi algo que eu quis fazer. Nunca tive nenhum problem a psicológico, que eu saiba.”

“Ed, isso m e lem bra que encontrei um artigo na seção ‘Mundo dos Livros’ do Washington Post, datado de 9 de dezem bro de 1977:

“O dr. Steven Kaplan, do Instituto de Parapsicologia dos

Estados Unidos, no Queens, foi tam bém cham ado repetidas vezes por

Lutz e realizou um a investigação do caso durante vários m eses.

Kaplan está agora convencido de que a história toda é um a fraude

evidente. Ele com eçou a suspeitar disso quando Lutz se m ostrou

incapaz de m anter a coerência dos fatos entre um a versão e outra.

Ele suspeita de um a ‘forte possibilidade’ de que os Lutz tenham

inventado boa parte de sua história por conta de preocupações

financeiras. ‘Este é um casal que tinha grandes dilem as financeiros’,

diz Kaplan, ‘que estava procurando casas com valor entre 30 m il e 50

m il, e de repente viu-se m ergulhado até o pescoço em dívidas, com

um a casa de 80 m il dólares.”

“É um a lástim a que perm itam que coisas assim cheguem aos j ornais.”

“De acordo com esse artigo, George”, com entei eu, “você não conseguiria nem fazer o próxim o pagam ento da hipoteca.”

“Nós pagam os a hipoteca até j ulho e agosto de 1976”, explicou George. “Depois disso, nosso acordo negociado com o banco foi que eles ficassem com nossa parte da propriedade, assum issem a casa e a vendessem ”.

“Então, vocês saíram da casa em 14 de j aneiro de 1976 e a hipoteca foi paga até j ulho e agosto?”

“Sim . Estávam os m orando na Califórnia e ainda pagando pela casa. Estávam os preocupados com nosso crédito. Tam bém estávam os bem preocupados com a casa em si. Ela havia sido invadida e vandalizada. Parte do m otivo disso eram artigos de j ornal com o o que li para você, citando pessoas com o Kaplan. Eles nos causaram problem as trem endos. E, evidentem ente, havia outros... pessoas que diziam ter investigado a casa, e não tinham .”

“Não im porta o que eles investiguem agora, George. A questão é que eles não investigaram durante os 28 dias em que vocês estiveram lá e nem entraram na casa im ediatam ente após a partida de vocês, e é disso que estam os falando agora. Lorraine e eu e outros investigadores experientes entram os em sua casa quando os m óveis ainda estavam lá e a casa estava com o quando vocês m oraram nela. Nem Kaplan, nem Moran nem m ais ninguém pode dizer isso.”

“Bom , eu não conheço o sr. Moran”, adm itiu George. “Realm ente não sei quem ele é. Mas, a j ulgar por um a entrevista que ele deu para o College Point Tribune faz algum tem po, ele diz – ao m enos é o que entendi – que investigou a casa por m ais de quatro m eses e que descartou várias coisas do livro.

“Os problem as que Kathy e eu tivem os com esse tipo de coisa são os m esm os que tivem os com o sr. Kaplan. Quem é o sr. Moran? É alguém reconhecido em seu cam po, ou alguém que está tentando fazer um nom e? Então, eu não sei.”

 

Esclarecim ento quanto ao envolvim ento da polícia

O livro Horror em Amityville indica que o sargento Pat Cam m arato do Departam ento de Polícia de Am ity ville viu a porta da garagem destruída e as pegadas de casco fendido na neve. Convidado a entrar na casa, George e Kathy m ostraram -lhe um quarto verm elho secreto no porão e narraram -lhe algum as das coisas estranhas que estavam acontecendo com eles na casa.

“Houve a visita de um policial a sua casa, ou vocês sequer fizeram algum cham ado à polícia?”, perguntei

“Não, o sargento Cam m arato evidentem ente foi incorporado ao livro a partir de relatos de j ornais.

“Quero que você entenda, nós criam os problem as para Jay Anson (o autor) enquanto ele escrevia o livro. Prim eiro, não deixam os que ele entrasse na casa. Sentim os que ele estaria m uito m ais seguro e que seria m uito m elhor para todos, se ele não tivesse contato direto com a casa. Então, Anson dependia das fitas que gravam os e dos relatos dos j ornais. E, com o sabem os, os relatos dos j ornais nem sem pre são acurados. O sargento Cam m arato foi citado nos j ornais com o tendo estado aqui, e foi assim que ele entrou no livro.

“Nós criam os problem as para Anson quanto à exatidão dos fatos até com as fitas. Elas não eram da m elhor qualidade, de form a algum a. Usam os um gravador pequeno. A inform ação era apenas para que Kathy e eu nos lem brássem os de tudo, para nossas próprias finalidades. Nunca esperam os que aquelas fitas fossem ouvidas por outra pessoa, nem nada assim . Quando surgiu a ideia do livro, tivem os a esperança de que as fitas evitassem que precisássem os reviver tudo. Não queríam os passar por tudo aquilo de novo.”

 

Esclarecim entos quanto à ideia do livro

“George, poderia m e dizer quando foi que você teve a ideia de que seu caso daria um livro, e quando foi que contatou alguém para tratar disso?”

“William Weber (o advogado de DeFeo) pediu-nos que entrássem os em um acordo que ele estava preparando. Ele havia conseguido que Ronald DeFeo lhe passasse todos os direitos à história do que havia acontecido com ele e o que ocorrera naquela casa com a fam ília DeFeo.

“Eles vieram até nós com um contrato referente a três film es e três livros. Dissem os não. Não queríam os tom ar parte em nada daquele tipo. Não estávam os interessados naquele tipo de com ercialização. Eles nos m andaram um contrato. Adm ito term os respondido que daríam os um a olhada no contrato, m as realm ente não estávam os interessados em algo que incluía três film es e três livros. Não era algo que Kathy e eu quiséssem os ver acontecer, de form a algum a.

“Ficam os m uito preocupados, porém , porque nunca havia sido publicada nenhum a referência a esse tipo de fenôm eno... além de O Exorcista. Não havia nada sobre um a casa. Concordam os que um livro poderia aj udar Ronald DeFeo... talvez aj udá-lo a conseguir o auxílio psicológico de que ele precisava. Tam bém sentim os que, se publicássem os um livro, isso poderia aj udar outras pessoas que estivessem passando pela m esm a coisa. Elas saberiam que não estavam loucas, ou sei lá o quê... que essas coisas acontecem . Isso seria m uito bom ... m esm o que aj udasse um a única pessoa que fosse.

“Por fim , um am igo nosso disse, ‘Olha, m e deixem ligar para a editora Prentice Hall e ver se eles gostariam de conversar com vocês sobre a possibilidade de publicarem o livro’. Nós concordam os, fom os para a cidade de Nova York e nos reunim os com Tom Mossm an e Jay Anson, para falar sobre um livro e nossos m otivos para isso. Foi assim que o livro surgiu.

“Então vocês não com praram a propriedade com a intenção de inventar que tinham um a casa m al-assom brada, escrever um livro e ganhar um m ilhão de dólares?”, perguntei.

“Teríam os que ser os m elhores m entirosos do m undo para fazer isso... e m uito idiotas em não colocar algum as coisas num depósito antes, ou esperar para com prar o novo barco m ais tarde”, disse George.

“Com base em nossa experiência, vocês tam bém teriam que ser clarividentes excepcionais”, com entei.

“Certo. Teríam os que pagar a cada um dos investigadores antes m esm o que entrasse na casa. Por exem plo, não fom os atrás de vocês. Foi o Channel 5 que trouxe vocês até nós. Quanto aos investigadores em si, não lhes dissem os nada quando entraram na casa. Vocês m esm os sabem disso. Eles entraram sozinhos. O que quer que descobrissem ou não, era com eles. Não éram os nós que devíam os lhes contar.”

Tudo isso Lorraine e eu sabíam os ser verdade. Inicialm ente, fiquei frustrado por George não m e contar nada. Ele tam bém se recusou a voltar para a casa conosco. Assim que Lorraine e outros sensitivos entraram na casa, eles com preenderam o porquê. O que quer que ainda estivesse por lá naquele m om ento, não era nada am igável, e era extrem am ente perigoso.

A escalada dos ataques paranorm ais

“George, por todo o período de 28 dias que vocês m oraram naquela casa, você sentiu estar sob algum tipo de ataque paranorm al, sobrenatural?”

“Não, não até que um am igo nosso nos deu a ideia de expulsar o que quer que estivesse lá. Um dos filhos dele teve um problem a com algo em seu quarto que o assustava e não ia em bora. Meu am igo tinha percorrido a casa e feito um a oração em casa côm odo. Ele abria um a j anela em cada aposento, m andava que aquilo fosse em bora, e foi tudo. Tentam os fazer isso. Tudo ficou quieto por cerca de um a hora... e então ficou m uito pior.”

Isso é o que Lorraine e eu cham am os de provocação religiosa. Para o investigador treinado, o procedim ento provoca a entidade m aligna para que se revele. Para o incauto, pode ser perigoso.

“O fato é, o livro (Horror em Amityville) apresenta isso de form a diferente porque teria sido tedioso contar as prim eiras sem anas; e tanta coisa aconteceu na últim a sem ana que ninguém acreditaria”, prosseguiu George. “Mas nós não vivem os 28 dias de terror, de form a algum a. Foi a últim a sem ana que passam os lá que foi m uito ruim para nós. Ficou totalm ente im possível continuar na casa. Não tivem os nenhum problem a sério até tentarm os expulsar o que estava lá.”

“Então, George, foi o fato de você e Kathy tentarem abençoar os diferentes côm odos da casa que desencadeou para valer os fenôm enos que assustaram toda sua fam ília... forçando vocês a abandonarem a casa?”

“Sim . Isso e o fato de não conseguirm os m ais explicar todas as coisas que estavam acontecendo. Não era nada que pudéssem os consertar ou com bater. Apenas tivem os que partir. As m ãos de Kathy foram tocadas algum as vezes, ela desm aiava e levitava, as privadas estavam ficando pretas, as m oscas continuavam reaparecendo, substâncias estranhas ou sei lá... eram coisas que não conseguíam os m ais racionalizar.”

“George, quando nos vim os pela prim eira vez, você não queria chegar a m enos de quatro quadras de sua casa em Am ity ville. Você a abandonou e deixou para trás bens valiosos. Você tam bém é um ex-fuzileiro. Você não é do tipo que se assusta com facilidade. Para você, o que foi o m ais assustador naquela casa?”

A voz de George tornou-se m ais suave quando ele respondeu:

“Leva m uito tem po para que eu perca a paciência. Leva m uito tem po para que eu chegue ao ponto de não m e im portar em saber quais podem ser as consequências. Eu estava disposto a derrubar as paredes ou fazer o que tivesse que fazer, para resolver esse problem a. Eu sim plesm ente gritei e berrei com aquela coisa, para que saísse e m e enfrentasse, e vam os term inar logo com isso, porque eu queria m inha casa... Eu queria que m inha fam ília fosse deixada em paz. A coisa não queria. Senti que ela era m ais esperta que eu.”

 

Conclusão

 

“Certo, George, acho que tem os m unição suficiente aqui para responder às

“Certo, George, acho que tem os m unição suficiente aqui para responder às perguntas que têm sido feitas, e tentar com bater a desinform ação.”

Ronald DeFeo, pai, conheceu um certo padre Rain enquanto estava em um santuário no Canadá, em busca de alívio do que ele disse aos vizinhos ser “um dem ônio em cim a de m im ”. Ele voltou para casa com estátuas religiosas que espalhou pelos côm odos, e m andou rezar m issas na casa. Pouco tem po depois, ele e a m aior parte de sua fam ília foram m ortos. Os Lutz falaram com o padre após sua própria provação e, ao iniciarm os nosso telefonem a, George inform ou ter um a m ensagem desse sacerdote para nós.

Lorraine lem brou-se disso e perguntou:

“Você disse que tinha um a m ensagem para nós?”

“Sim . Eles... as coisas que estavam naquela casa... as palavras do padre Rain foram , ‘Eles nunca deixam em paz quem esteve lá’.”

“Em outras palavras, eles te pegam de um j eito ou de outro?”, disse Lorraine.

“De um j eito ou de outro, ou no final”, George concordou com tristeza. “Eles não vão deixar alguém escapar se tiver algum tipo de envolvim ento. E você faz ideia de com o ‘eles’ são poderosos... certo?”

“Sim , m eu caro, eu com preendo”, disse Lorraine.

George prosseguiu, “Então, acredito que sej a um a advertência deles, ou sei lá. Mas essas são as palavras. E não m e surpreendem . Foi por isso que eu nunca quis que vocês voltassem para o condado de Suffolk.”

Eu tam bém com preendia. Na noite seguinte a nossa investigação da casa de Am ity ville, Lorraine e eu testem unham os dois ciclones paranorm ais negros em nossa casa... em dois lugares sim ultâneos. Foi algo inédito para nós, apesar de nossas décadas de investigações.

Muito m ais tarde, estávam os dirigindo um carro alugado novo por um a estrada cheia de paisagens, apropriadam ente cham ada de Terra Prom etida, no “Vale do Senhor”. Era um lindo dia, lum inoso e claro. Não pude resistir a com entar:

“Nem o Horror de Am ity ville poderia nos atingir aqui.”

Im ediatam ente, nosso carro com eçou a derrapar no pavim ento seco, em plena luz do dia. O carro capotou e caiu em um a vala. Enquanto isso acontecia, cham ei por Jesus e sua m ãe Maria. De algum m odo, saím os andando desse terrível acidente.

Um cam inhão vinha atrás de nós quando tudo isso aconteceu. Um policial estadual entreouviu o cam inhoneiro relatando pelo rádio o evento bizarro. O policial chegou, observou a cena do acidente e não conseguiu acreditar que alguém tivesse sobrevivido. Nenhum a causa física j am ais foi encontrada.

No posfácio de seu livro, Horror em Amityville, Jay Anson diz: “Durante a preparação deste livro, um dos principais responsáveis por ele relatou sentir-se fraco e nauseado ao se sentar para trabalhar no m anuscrito, sem pre que o fazia em seu escritório em Long Island. Mas, ao cum prir a m esm a tarefa em Manhattan, do outro lado do East River, ele não sentia qualquer efeito.”

A pesquisa feita em 2000 para um a atualização do History Channel sobre o evento do Horror em Am ity ville revelou um a notícia perturbadora ligada ao caso. Parece que praticam ente todos os hom ens (incluindo a equipe de cinegrafistas) envolvidos em nossa investigação na casa m ais tarde sofreram um ataque do coração. Eu sobrevivi ao m eu, m as m uitos não conseguiram . Anson, que escreveu o livro Horror em Amityville, m orreu aos 58 anos, depois de um a

cirurgia cardíaca.[25] Ainda, o j ovem que m orou na casa depois que a fam ília Lutz saiu de lá e o banco a vendeu, m orreu de um ataque do coração. Ele teria apenas 28 anos de idade.

 

Epílogo

Este foi o caso m ais controvertido que j á investigam os. No que diz respeito a m anifestações m alignas, é um dos piores... m as houve outros. Ainda, por conta da visibilidade do livro e do film e, a pacata Am ity ville atraiu m uita atenção indesej ada. Isso originou processos, que apenas atraíram m ais atenção da m ídia. A pressão para tachar o caso com o fraude, de form a a dispersar os caçadores de em oções, foi grande. De repente, “especialistas” apareceram para defender tais acusações e garantir para si um instante de fam a.

Entrem entes, m uitas questões acerca do assassinato dos DeFeo tam bém m antiveram viva a controvérsia. Por que a fam ília DeFeo não acordou quando os prim eiros tiros foram disparados? Por que os vizinhos m ais próxim os não ouviram nada? Alguns pesquisadores alegam que as análises forenses e os depoim entos contam um a história diferente, que elim ina por com pleto tais questões. Já Ron DeFeo, que foi j ulgado e condenado pelos crim es, fez todo tipo de alegações, desde que foi sua irm ã a crim inosa, e que ele atirou nela em autodefesa... até que foi o diabo que o forçou a com eter os crim es.

Apesar dos inúm eros processos e de sua m udança para o outro lado do país, George e Kathy Lutz ainda sustentam que foram expulsos de sua casa em Am ity ville por forças invisíveis. A história de Kathy foi analisada por um especialista em estresse psicológico pouco depois de terem abandonado a casa, e

a conclusão foi de que ela aparentem ente estava falando a verdade.[26] Os Lutz nunca voltaram a ter o sucesso financeiro, ou a paz de espírito, que tinham antes de se m udarem para Am ity ville. Em um a entrevista ao History Channel, que foi ao ar em outubro de 2001, os Lutz estavam divorciados. Kathy estava usando oxigênio e parecia frágil. Ainda assim , am bos m antinham suas histórias.

Assim com o nós. Sei que, na prim eira vez que m e encontrei com George, conversei com um hom em m uito assustado. Tam bém sei o que vi e senti naquela casa logo depois que eles se foram . Aquela fam ília partiu praticam ente só com a roupa do corpo. No porão, ante a provocação religiosa, um a força invisível j ogou-m e no chão e m e m anteve lá. Lorraine sentiu e viu coisas que não tinha com o saber de antem ão. Ainda, tais sensações e im agens coincidiam com o que hoj e é controvertido quanto aos assassinatos... e com parte do que ainda é controvertido quanto ao ocorrido com a fam ília Lutz.

Com o os Lutz, Lorraine e eu fom os m agoados e nos decepcionam os com m uitas das pessoas envolvidas no caso. Algum as pessoas que o investigaram j unto conosco afirm am nunca terem estado lá... em bora tenham os fotos. E, claro, há aqueles que não estiveram lá e afirm am terem estado. A controvérsia atem oriza m uita gente boa... e pode atrair um m onte de gente ruim .

Quem fez o que na noite em que os DeFeo m orreram é m enos im portante do que o horrendo fato de que seis pessoas – com idade variando de 9 a 43 anos – m orreram de form a violenta. Quer o m al tenha influenciado os eventos, quer tenha vindo com o resultado deles, algo extrem am ente desagradável sentiu-se confortável e bem -vindo naquela casa. Os tribunais até m esm o reconheceram essa possibilidade.

A lei em Connecticut exige que os vendedores de im óveis e seus agentes revelem se no local ocorreram tragédias ou supostas aparições fantasm agóricas. Tal lei surgiu com o resultado de outro caso que investigam os. Um a m ãe solteira e seu filho tam bém foram expulsos de sua casa alugada por forças sobrenaturais. Nós investigam os e testem unham os em favor dela em j uízo quando o senhorio se recusou a perm itir que ela rom pesse o contrato. Ela ganhou a causa e foi estabelecido um precedente que agora se reflete nas leis im obiliárias por todo o país.

A precisão histórica quanto a bruxas, indígenas e os proprietários anteriores do im óvel ou das terras diverte m ais do que aj uda na determ inação do que de fato aconteceu na casa enquanto os Lutz m oraram lá. Lorraine, um a clarividente validada e com provada, captou com precisão os assassinatos, m as não sentiu m ais nenhum a história perturbadora. No entanto, ela distinguiu um a presença m aligna naquela casa, na ocasião em que a exploram os.

Teria sido planej ada um a fraude? Foram rom pidos acordos feitos com os advogados de Ron DeFeo? Não há nada que possam os encontrar no histórico dos Lutz que os levasse a saber com o encenar e descrever sem elhante fraude. O que veio prim eiro, a negociação do livro ou a história? Terão os advogados de DeFeo procurado os Lutz com a ideia de um a colaboração para essa história? Terá a história se transform ado em realidade? Inúm eros casos escabrosos que investigam os com eçaram com um a brincadeira – sessões m ediúnicas, tabuleiros Ouij a, cartas de tarô ou experim entos com bruxaria. Pessoalm ente, não acreditam os ser esse o caso com os Lutz, m as o que m ais im porta é que, por algum a razão, o m al se sentiu convidado para entrar na brincadeira.

O m al não respeita planos ou regras. O m al não vai em bora quando todo m undo quer parar. E nem posa para fotos ou faz apresentações para os noticiários da noite. Ele gosta de torturar uns poucos, de form a que a m aioria vai continuar a ter dúvidas. Sua força está na ignorância e no m edo.

Havia problem as factuais e discrepâncias no livro? Sim , em um caso, a história do livro foi estendida por todos os 28 dias. Na realidade, os eventos horríveis se intensificaram apenas na sem ana posterior à provocação religiosa. Isso não resultaria em um film e ou livro crível ou interessante. Naturalm ente, esse rearranj o dos fatos não coincidiria com boletins m eteorológicos etc. Ainda, o autor do livro estava em desvantagem por não estar fisicam ente fam iliarizado com a casa e com o terreno. Ele dependeu da pesquisa e de depoim entos de terceiros.

Por fim , quando está assustada, confusa e oprim ida, a pessoa não consegue pensar com clareza, quanto m ais recordar-se das coisas. As fitas de gravação supostam ente foram criadas para preservar a sanidade dos Lutz... não com o um registro destinado ao público. Na tentativa de proteger a sanidade de outros, que pudessem estar aterrorizados por eventos sim ilares, os Lutz trouxeram a público sua história. Esse desenrolar criou problem as para a pequena vila de Am ity ville. Tam bém atraiu curiosos, críticos e caçadores de fam a, além de denúncias de fraude.

Perguntam -nos constantem ente, “Se o m al estava na casa de Am ity ville, ele continua lá?”. Os espíritos m alignos, com o todos os espíritos, têm um a percepção de tem po diferente. Eles podem ficar à espera por um século ou dois. Reform as e outras m udanças, a interação ignorante com o m undo dos espíritos, ou sem elhanças físicas e circunstanciais com o passado podem desencadear m anifestações. É interessante notar que algum as pessoas viram um a notável sem elhança facial entre Ron DeFeo e George Lutz. Talvez algum a outra coisa tam bém tenha notado.

Não sabem os. Mas sabem os o suficiente sobre esse tipo de fenôm eno para crer que algo m aligno de fato despertou em Am ity ville em m eados da década de 1970. Esse caso não conflita com outros que j á vim os e com perturbações sem elhantes que testem unham os de form a direta. Ele tam bém seguiu um padrão que para nós é dem asiado fam iliar. Convite: os assassinatos em si, ou o que levou a eles. Infestação: sons inexplicáveis, cheiros, substâncias e perturbações. Opressão: sono interrom pido, com portam ento depressivo e intensificação depois da provocação religiosa. Possessão: levitação, som de vozes m últiplas.

Alguém poderia haver pesquisado e criado essa história, m as, em casos assim , a pessoa raram ente conta todos os detalhes e a sequência corretos. Além disso, ninguém poderia ter im plantado na cabeça de Lorraine as im agens clarividentes... ou as im agens que apareceram nas fotos tiradas à época em que exploram os a casa. Em um a foto, o rosto do padre Pio – um exorcista renom ado e devoto, m as falecido – apareceu j unto com Lorraine e outros no quarto onde os corpos dos DeFeo haviam sido colocados antes da rem oção para o necrotério. E tem os um a foto tirada com film e infraverm elho durante nossa investigação – durante a qual não havia crianças presentes – onde vem os j unto à escada a im agem escura de um a criança com olhos verm elhos brilhantes.

(Vej a as fotos nas páginas a seguir.)

“O dem ônio não é um m aldito idiota.

Ele é um anj o m aldito.

E pode fazer de você um m aldito idiota.”

– Padre católico, Jam esburg, NJ

Páscoa de 2000

Os pesquisadores psíquicos Ed e

Lorraine Warren investigam o Caso Amityville

 

Exceto pelo retrato do padre Pio, Gene Campbell tirou

todas as fotos, como parte da investigação feita pela

equipe dos Warren, em 1976.

A casa em Am ity ville, Long Island, estado de Nova York, com a aparência que tinha quando as fam ílias DeFeo e Lutz m oraram nela e na ocasião em que os Warren a investigaram . Posteriorm ente, a casa passou por reform as prom ovidas pelos donos seguintes.

 

Ed e Lorraine Warren na sala de j antar dos Lutz, na casa em Am ity ville, em 1976.

Fotografia infraverm elha, tirada na escada que leva do vestíbulo ao prim eiro andar da casa em Am ity ville. Note o m enino com olhos brilhantes na porta, j unto à escada. Essa im agem não estava visível aos olhos do fotógrafo ou de outros investigadores quando a foto foi tirada.

Neste aposento, Lorraine teve um a visão (depois confirm ada) dos m em bros assassinados da fam ília DeFeo dispostos antes de serem levados para o necrotério. Lorraine segura um a relíquia sagrada do padre Pio. O cavalheiro à direita é um repórter não identificado. O hom em à esquerda é Paul Bartz, investigador que trabalhou com os Warren. Note as duas im agens que parecem estar nos chifres do alce.

 

Este detalhe da cabeça do alce foi tirado na m esm a ocasião que a foto anterior. Parece haver a im agem da face de um hom em com um capuz negro olhando para Lorraine do centro dos chifres e a cabeça de outro hom em na ponta do chifre. Esta últim a foi identificada com o a im agem de Ron DeFeo.

Esta foto do padre Pio foi tirada do livro de um padre italiano que serviu com ele na Itália. Este padre validou a im agem do hom em encapuzado fotografado nos chifres do alce durante a investigação em Am ity ville com o sendo a do devoto padre Pio, religioso italiano renom ado por seus estigm as, m ilagres e exorcism os. Padre Pio m orreu em 1968, e em 1999 foi beatificado pela igrej a católica, o prim eiro passo para ser reconhecido com o santo.