Lá, onde o vento chora

Delia Owens · Capítulo 12 de 59

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Lá, onde o vento chora

10. Juncos Batidos Pelo Vento

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Juncos Batidos Pelo Vento

1969

A areia guarda melhor segredos do que a lama. O Xerife estacionou a carrinha no início do caminho para a torre de vigia, para não pisarem nenhuma prova de que alguém lá passara com um carro, na noite do alegado crime. Mas, à medida que percorriam o trilho à procura de outras marcas de pneus para além das suas, iam revolvendo a areia, deixando atrás de si um rasto de covas sem forma.

Depois, os buracos de lama e as áreas pantanosas junto da torre revelaram-lhes uma série de histórias detalhadas: as pegadas de um guaxinim que atravessara o lodo com as suas quatro crias. O sinuoso rasto rendado de um caracol interrompido pelo confronto com um urso; a marca côncava e macia da barriga de uma tartaruga que se deitara na lama fresca.

– Todas estas marcas parecem bem claras, mas não vejo um único indício de origem humana, para além das marcas dos pneus das nossas carrinhas.

– Não sei – disse Joe. – Vês esta ponta direita com um pequeno triângulo à frente? Pode ser a marca de um pneu.

– Não. Acho que isso é parte da pegada de um peru, pisada por um veado. Por isso tem essa forma geométrica.

Depois de mais um quarto de hora:

– Vamos a pé até àquela pequena baía, para ver se alguém veio até aqui de barco e não de carrinha. – Caminharam até à pequena enseada, afastando do rosto as folhas de murta, de odor pungente. Havia pegadas de caranguejos, garças, e falaropos, mas nenhum vestígio de pegadas humanas.

– Ok, mas olha para isto. – Joe apontou para um enorme padrão de cristais dispersos num semicírculo quase perfeito. Isto pode ser a marca de um barco de proa redonda que foi puxado para terra.

– Não. Foi o vento que andou a arrastar este talo de junco partido, para trás e para diante, na areia, e desenhou o semicírculo. Isto são apenas juncos batidos pelo vento.

Olharem em redor. O resto da praia, em forma de meia-lua, estava coberta de uma densa camada de conchas partidas, pedaços de crustáceos e pinças de caranguejo. Nada melhor que conchas para guardar segredos.

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