Lá, onde o vento chora

Delia Owens · Capítulo 21 de 59

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Lá, onde o vento chora

19. Um Esquema Qualquer

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Um Esquema Qualquer

1969

Na manhã seguinte ao dia em que lera o segundo relatório do laboratório, oito dias depois de encontrarem o corpo de Chase Andrews, no pântano, o adjunto Purdue abriu a porta do gabinete do Xerife, com ajuda do pé, e entrou. Trazia dois copos de papel, com café, e um saco de donuts ainda quentes, acabados de sair da fritadeira.

– Eh pá, cheira-me a Parker’s – disse Ed, quando Joe os poisou em cima da secretária. Tiraram ambos um grande donut do saco de papel castanho, manchado de gordura, mastigando-o alto, e lambendo os dedos lambuzados de glacé.

Depois, atropelaram-se um ao outro, dizendo em uníssono.

– Tenho novidades.

– Fala – disse Ed.

– Soube, através de várias fontes, que o Chase tinha um esquema qualquer no pantanal.

– Um esquema qualquer? O que queres dizer com isso?

– Não sei ao certo, mas uns tipos que estavam no Dog Gone disseram-me que há cerca de quatro anos ele começou a ir frequentemente para o pantanal, sozinho, e mostrava-se bastante reservado acerca disso. Continuava a ir pescar e a andar de barco com os amigos, mas ia muitas vezes sozinho para lá. Estava aqui a pensar que ele poderia ter-se metido com drogados ou pior do que isso; podia ter-se desentendido com um traficante dos beras. Quem se deita com cães acorda com pulgas – ou nem sequer acorda, como foi o caso.

– Não sei. Ele era um atleta. É difícil imaginá-lo metido em drogas – disse o Xerife.

– Ex-atleta. Muitos deles acabam por se meter em drogas. Uma vez esgotados os seus dias de glória, precisam de se intoxicar com outra coisa qualquer. Também podia ter uma mulher no pantanal.

– Não estou a ver nenhuma dama do pantanal que pudesse ser do seu agrado. Ele só convivia com a chamada elite de Barkley. Não se dava com escumalha.

– Bom, talvez ele sentisse que estava a descer abaixo do seu próprio nível e por isso fosse tão reservado acerca disso.

– Faz sentido. Seja como for, isso revela-nos uma faceta inteiramente desconhecida da sua vida, independentemente do motivo das suas incursões no pantanal. Vamos investigar um pouco, para ver se descobrimos o que ele andava lá a fazer.

– Não disseste que também tinhas novidades?

– Ainda não sei bem do que se trata. A mãe do Chase telefonou e disse que tinha algo de importante para nos dizer acerca do caso. Parece que tem a ver com um colar com uma concha que ele usava sempre. Ela está convencida que é uma pista e quer cá vir falar acerca disso.

– Quando é que ela cá vem?

– Esta tarde. Já daqui a pouco.

– Seria agradável conseguirmos uma verdadeira pista. É bem melhor do que andar à procura de um tipo qualquer de camisola de lã vermelha, com um motivo para o matar. Se isto foi um homicídio, temos de admitir que foi muito bem engendrado. Entretanto, o pantanal mastigou e engoliu todas as provas, se é que havia alguma. Temos tempo para almoçar antes de Petty Love cá vir?

– Claro que temos. O prato do dia são costeletas de porco fritas e tarte de amora.

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