Manual do Xavequeiro

Fabiano Rampazzo e Ismael de Araújo · Capítulo 50 de 50 · parte 2/3

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Manual do Xavequeiro

Xaveco no Balcão 1 95

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

 

DICA DO RAMPA:

Se você decidiu fazer o convite pelo tel, seja, ao menos nesse dia, absolutamente objetivo. Converse pouco. Surpreenda-a, marque a ponta e desligue o telefone. A objetividade, nesse momento, além de funcional, vai dar indícios de suas intenções.

 

DICA DO ISMÁ:

Durante aquele período de conhecimento, de conquista, que antecede o convite, se houver espaço, presenteie a moça. Não vá dar flores nem roupa, pelo amor! Mas alguma coisa ligada ao curso. Se a aula é de desenho ou artesanato, produza algo e dê a ela despretensiosamente. Faça-o na medida certa, não vá mimar nem melar a menina. Um presentinho pode pegar muito bem.

XAVECO NO CURSO 2

 

Interpretação - ●●●●●

Risco - ●●

Ousadia - ●●●

 

Então, vamos lá, essa opção é recomendada pra você usar de preferência no começo do seu curso. Ou seja, se quiser lançar mão do Xaveco no Curso 2, trate de se apaixonar logo, malandro. A parada é a seguinte: num belo dia você vai chegar atrasado na aula. De propósito, que seja, mas chegue atrasado. E não estamos falando aqui de cinco eu dez minutos, mas de um atraso digno de um filho temporão. Seja, nesse dia, o Rubinho Barrichello do curso. Chegue na metade da aula Obviamente, peça desculpas ao professor, faça aquela cara de quem acabou de enfrentar um leão e busque seu lugar na sala. Ótimo. Espere então a aula acabar, mas esteja atento: você vai falar com ela, a tal delicinha que o fez vir até esta página do seu Manual e ler esse xaveco. Sim, é isso, terminada a aula, grude nela e diga: "Oi. Tudo bem? Então, cheguei atrasadaço na aula, perdi mais da metade do que foi dado, enfim, me dá uma mão? Teve alguma coisa importante que eu deveria saber?'. É isso. Faça esse discurso e espere pela resposta. Algumas perguntas vão ficar subentendidas — ainda que elas não sejam feitas. Por exemplo, "por que esse cara veio pedir isso a mim e não a outra pessoa?", ou "por que ele não foi perguntar isso ao professor?". Pois bem, a resposta, também subentendida, é: porque você quer beijar aquela boca. Não despreze a subliminalidade desse xaveco, meu caro. Tanta gente pra você perguntar isso e você foi justo nela? É. Justo nela. Algumas coisas durante essa meia aula que você vai assistir nesse dia podem atrapalhar bem seu xaveco. E se o professor, quando você entrar na sala, resolver fazer uma rápida revisão por conta do seu atraso, ou orientá-lo sobre o que foi perdido e como você pode recuperar? Se isso acontecer, tudo bem, não se afobe, chegue na menina ao final da aula com um discurso apenas um pouco diferente "Oi, tudo bem? O professor já disse o que eu perdi, mas... não entendi bem, você eslava no comecinho da aula?". Pronto. Brother, o importante é você perceber que o lance aqui é chegar na menina, fazer esse contato com uma princesa que você mal conhece. E aí, nas aulas seguintes, ao lado de quem você vai se sentar, quem você vai cumprimentar, a quem vai oferecer chiclete, bala, contar o fato engraçado do seu dia, a quem você vai fazer mais e novas perguntas sobre a aula? A ela, claro. Está estabelecido o contato. Busque essa aproximação, fique amiguinho. sim, a sua hora vai chegar. E só você para saber que hora é essa. Mas saiba que, quando vocês estiverem já minimamente à vontade um com o outro, um passo deve ser dado. Faça então um convite a essa pequena. Um convite, de preferência, para depois da aula. Um café, um suco, um cinema, na esteira do curso, vocês já estão juntos mesmo, está fácil, é só sair. Se ela não aceitar -- provavelmente vai dizer que não pode por algum motivo --, não insista muito. "Tudo bem. Na semana seguinte você pode lançar um "e hoje, não vai negar de novo, né?" Cara, vença-a pelo cansaço, se for o caso. E se rolar esse encontro, bom, aí é a hora de chutar o pau da barraca. Serão só vocês dois, fora do ambiente quadrado de uma sala de aula; dê o xeque-mate.

 

DICA DO RAMPA:

Veja, chutar o pau da barraca não é necessariamente tentar o beijo, hein? De repente, abrir seu coração e dizer como você está feliz de poder estar com ela num ambiente mais tranqüilo pode já ser um salto. Analise a situação, busque o seu limite e vá nele.

 

DICA DO ISMÁ:

E se ela for embora antes do fim da aula nesse dia? Aí, malandro, bau, bau. Perdeu metade da aula à toa, e prepare-se para chegar atrasado de novo lá na frente, fazer o quê, né?

 

XAVECO NO CURSO 3

 

Interpretação - ●●

Risco - ●●●●

Ousadia - ●●●●●

 

Mais um xavequito para ser aplicado na sala de aula de seu curso.

E vamos agora para uma ação mais direta, mais rápida e conclusiva. É óbvio que, tomando essa postura, usando esse xaveco que lhe será apresentado, você ganha em tempo, se desgasta menos, mas perde em segurança e talvez até em eficácia. Entretanto, é justo que seu Manual lhe dê essa opção caso você não esteja com saco pra ficar embromando, seduzindo, conquistando a menina. Seguinte. Um belo dia, na sala de aula, você se senta ao lado do pitéu que tanto admira, entrega-lhe um pedacinho de papel e diz, com a maior naturalidade possível: "Me liga!".

É lógico que nesse papelote vai constar seu número de telefone. Pronto. É isso. O xaveco é esse. 0 segredo dele -- e que pode fazê-lo dar certo -- está na sua naturalidade. Dessa forma, qualquer que seja a reação dela, você deve agir normalmente. Se ela perguntar "te ligar, pra quê?", aja com tranqüilidade, coerência e sinceridade. Não é difícil. Qual seria a resposta mais óbvia e verdadeira possível que você poderia dar? "Porque eu quero falar com você, com calma, fora desse ambiente de sala de aula. Me liga. De noite você me acha em casa". É isso. Sem drama, sem muita explicação.

Quanto mais natural tudo parecer, maiores as chances de ela realmente ligar. Ela se sentirá mais à vontade e menos insegura. E deverá estar curiosa também -- o que o obrigará a adotar uma postura de personalidade caso ela realmente ligue. 0 Manual do Xavequeiro lhe dá instruções para o seu procedimento ao telefone (pág. 158), mas, mesmo assim, já adiantamos aqui que, nesse caso específico, se ela telefonar para sua casa, não terá cabimento você não ter nada de útil pra dizer a essa menina.

Você deve justificar seu ato na sala de aula com algo realmente interessante. Mas atenção, não precisa inventar muito, não; você pode, por exemplo, convidá-la para sair, simplesmente. Já é algo inusitado. "Então, pedi pra você me ligar porque queria te chamar pra ver um filme, fazer alguma coisa, sei lá. E, francamente, na sala de aula não tinha clima pra isso". Taí, resolvido. Explicado. Dito. Se ela vai aceitar ou não, são outros quinhentos. O que não pode acontecer é você ficar batendo papo no telefone e não chegar a lugar algum. Você até pode aproveitar esse telefonema para uma conversa mais longa. Fale de coisas que vocês nunca falaram no curso, conheçam um ao outro verdadeiramente. Mas tenha o objetivo do encontro em mente, não perca essa oportunidade. Manter a linha de "cara tranqüilo" que você impôs na entrega do papelzinho pode ser uma boa. Faça tudo parecer a coisa mais normal do mundo. O telefonema, seu convite pra sair, tudo. E respeite qualquer reação que vier da parte dela. No caso de uma recusa, não insista. Vocês se vêem toda semana, outras oportunidades surgirão. Aproveite para pegar o número dela quando forem desligar e mantenha a calma. A verdade é que você foi um cara decidido e fez o que mais queria fazer xavecar a tal mina! É isso aí.

 

DICA DO RAMPA:

Entregue o seu telefone para ela preferencialmente numa hora em que a aula não esteja a mil. Pode ser um pouco antes de a aula começar, ou em algum intervalinho.

 

DICA DO ISMÁ:

E se ela não ligar? Bom, lembre-se de que você terá essa pendência com a gatinha. Não na aula seguinte, mas duas aulas depois, você pode cobrá-la: "E aí? Tô esperando o telefonema...", sempre mantendo a já sabida naturalidade, hein?

 

XAVECO NA SALA DE AULA 1

 

Interpretação - ●●●●

Risco - ●●●●●

Ousadia - ●●●●

Nesse xaveco vamos sonhar alto, afinal, toda sala de aula tem a "mais gata" da classe. Essa é uma verdade que o acompanha desde os cinco anos de idade, sejamos francos. Há sempre a unanimidade, aquela que faz até o professor mais gagá babar, e que não necessariamente é a de sua preferência, isso também é lá uma verdade. Mas, se existir em você um desejo de ter essa mulher, de provar a Miss Sala, mesmo sendo ela uma pessoa distante, que não conversa tanto com você, use o seguinte xaveco: chegue nela, num momento apropriado, em que ela esteja só, tranqüila, e aborde-a de maneira curiosa, dizendo "eu vou te fazer uma pergunta!". Ela provavelmente o escutará, e você diz: "Éééé... você sabe, não sabe?". A pergunta foi vaga, ela ficará curiosa e provavelmente dirá "sei o quê?".

Veja, é importante você estar solto nesse diálogo, sua abordagem foi diferente das eventuais conversas que. vocês costumam ter, seja irônico, sarcástico, e então diga: "Você sabe que é a mina mais gostosa da sala, que neguinho paga um puta pau mesmo, que é de fato uma mulher que destoa aqui, não é? Sabe, não sabe?". Ponto pra você. Inevitavelmente você surpreendeu a mina, foi descolado, até meio cafa, mas acima de tudo a elogiou. Nas entrelinhas você a comparou com as demais mulheres da sala, elegeu-a como a número 1 e ainda revelou que esse veredicto é unânime. Isso aguçou a vaidade dela, foi gostoso de ouvir, claro, mas também pode deixá-la orgulhosa, inflada, metida.

E é aí que você entra. Quando ela começar a responder à sua pergunta, provavelmente meio sem graça, enfim, quando ela iniciar a resposta ao que você disse, interrompa-a e diga: "Nã, nã, não... veja.. você é, sim, a Miss Sala e sabe disso! Agora eu tô afirmando... Foi aí que eu pensei: como será essa mulher no dia-dia? 0 que ela gosta de fazer? O que a faz rir? Enfim, pensei nessas coisas e decidi que iria falar com você. E quero te fazer um convite: vamos sair?". É isso. Mostre-se um cara absolutamente decidido. Absolutamente convicto do que está dizendo. Jogue com essa coisa da beldade que no fundo é um ser humano comum -- quais são as carências dela, quais são seus desejos mais bobos, coisas assim. Mas seja curto e grosso. Você julgou a menina, elogiou-a, definiu-a, questionou-a e depois a chamou pra sair. Colocou-a à prova. Muito provavelmente ela nunca recebeu um convite de maneira tão escancarada assim. Ao mesmo tempo, não foi um convite de um cara gamado, e sim de um homem curioso com o comportamento humano. Essa é uma abordagem ousada, mas que não o compromete tanto. Caso ela não tope, você não foi babão, não se declarou apaixonado, apenas teve curiosidade e foi sincero. Você foi original, sem grandes exposições.

 

DICA DO RAMPA:

Em suas falas, esteja atento às pausas indicadas pelas reticências (...). Elas são importantes e dão um ar analítico e misterioso para o que você diz. Não vomite o discurso, fale-o pausadamente.

 

DICA DO ISMÁ:

Quando você fizer o convite, se ela responder algo como "claro, vamos marcar um dia, sim", seja duro e vete essa resposta. "Não, um dia, não. Vamos marcar agora! Quando você pode? Quais são seus horários?". Mantenha-se decidido, não a deixe escapar por entre os dedos. Se ela não tiver competência para marcar uma saída com você, é uma mulher imatura, você pode até deixar isso claro.

 

XAVECO NA SALA DE AULA 2

 

Interpretação - ●●●●

Risco - ●●●●●

Ousadia - ●●●●●

 

Vamos trabalhar agora com aquele caso mais raro, mas não impossível de acontecer numa sala de aula: sua professora é uma brota e você está apaixonado. Quer porque quer beijar aquela boca, apertar aquela mulher que ostenta tanta autoridade à frente de uma classe inteira. A missão não é impossível, mas a tarefa será árdua Se você não quer correr grandes riscos, terá que ter paciência para desenvolver sua tática E essa estratégia pode funcionar.

Comece tentando se interessar verdadeiramente pela matéria, faça questionamentos inteligentes durante a aula. Mostre-se interessado, faça-se notar. Fuce na internet ou em enciclopédias antigas alguma questão que ela provavelmente não saberá responder de pronto, crie vínculos entre vocês. Vez ou outra tire dúvidas no final da aula -- quando bater o sinal só ficarão vocês na sala, conversando. Busque, na matéria, algumas semelhanças, analogias, com sua vida pessoal. Se você encontrar alguma, poderá fazer da professorinha uma psicóloga, pedindo conselhos e revelando-se um cara sensível. Confie nela, abra seu coração, mas sempre conservando sua sensatez; não esqueça, ela, acima de tudo, é sua professora.

A tendência é a sua prof-brota confiar em você, e isso ficará evidente quando ela comentar algo mais pessoal, ou quando meter o pau na instituição de ensino ou em algum outro professor. Com essa relação instituída, será natural vocês irem tomar um suco ou cafezinho na cantina. Mas, cuidado, não grude! Não aja como um professor. Você não é. Continue jogando truco ou futebol com seus amigos nos intervalos, e de vez em quando vá à aula mais desleixado.

Pega bem faltar na aula dela um dia depois de um bom papo. Deixe-a sentir sua falta. Uma hora, quem sabe, emende duas faltas seguidas. Se ela perguntar por que você faltou, invente uma viagem legal de trabalho, ou um evento interessante, mostre-se um cara descolado, faça-a admirar seu estilo de vida. Se tudo isso correr bem -- e já deve estar claro pra você que seu trabalho não será fácil --, você estará pronto para o bote. Em uma de suas conversas no final de aula, em que vocês estiverem sozinhos, engate subitamente: "Ia ser no mínimo interessante a gente bater um papo fora daqui um dia desses, né? Sabe que eu nunca bebi uma cerveja com uma professora?".

Espere a reação dela e, no caso de uma negativa, moderadamente, insista: "Ué? Qual o problema? Ia ser legal conhecê-la fora desse ambiente e, sei lá, não há mal algum". Peça-lhe que não se acovarde diante de uma possibilidade tão inusitada e que, no fundo, é também muito natural, aconteceu de maneira natural. É ela que está criando problema em algo muito simples. E, se o encontro rolar, aí, meu amigo, respire fundo e vá à página 152, porque lá vêm mais instruções pra você!

 

DICA DO RAMPA:

Ok, você está empolgado e decidido, mas nunca se esqueça de que ela é sua professora. Tenha sempre muito tato para cada movimento que fizer. É melhor abortar a missão do que repetir o ano ou pegar uma DP.

 

DICA DO ISMÁ:

É muito importante que você mantenha toda essa investida em sigilo. Meter-se numa fofoca seria ruim para a professora, ruim para você e péssimo para seus objetivos.

 

SALA DE AULA 3

 

Interpretação - ●●●●

Risco - ●●●●●

Ousadia - ●●●●

 

Muita atenção. Além da unanimidade da sala -- a mais gostosa --, sempre existe a brota escondida. Aquela quase imperceptível, mas que você, com seus olhos de lobo xavequeiro, captou em toda a sua graça. Esta, que vamos chamar aqui de "pitéu camuflado", é aquela mininha que entra muda, sai calada e se esconde atrás de óculos espetaculares e um cabelo insistentemente preso. Manja? E é exatamente esse segredo, esse silêncio sepulcral, que fez você se encantar. Mais que encantar. Esse quase disfarce dessa delicinha deu corpo à sua vontade de beijá-la todinha, boca, corpinho, inclusive seus óculos.

Ok, pés no chão. Normalmente os pitéus camuflados são de uma timidez atroz. Fora a possibilidade que há de estarmos diante da CDF, da ferrinho, da caxias da sala, que estuda, estuda, estuda e acha o resto do ambiente acadêmico absolutamente irrelevante. Bom, o importante é que, nos dois casos, da tímida ou da obcecada pela nota dez, estamos falando de uma gatinha que tem uma vida paralela, acredite nisso, meu amigo. Vamos lá: como é essa mina em casa? Que filmes ela assiste? Qual sua comida predileta? É isso, ataque por aí.

Num primeiro momento, busque um encontro no corredor: veja quando ela sai para o intervalo e, na cara-de-pau, fique na porta da sala de aula esperando-a voltar. Com seu corpo, bloqueie o caminho da brota acidentalmente. Ela vai reagir, ou pedindo licença ou ela própria se desculpando. Qualquer que seja o caso, responda "não". Sim, é exatamente isso que você acabou de ler. O pitéu camuflado e seus óculos vão derreter seus ouvidos com um cálido "é... licença", e você diz um sonoro "não".

E então, em seguida, diga: "Olha, não sei porquê, mas me deu uma curiosidade gigantesca. Me conta, qual o tipo de filme que você gosta de ver? Terror, comédia, aventura?".Seja despretensioso, bem-humorado. Se ela vacilar para responder, insista "Não tô brincando, é sério. Tou curioso, ué!". Não despreze esse "ué", ele lhe dará um ar de menino brincalhão, bonzinho, muito bem-vindo aqui. Torça para que ela responda algo, dê passagem e agradeça a resposta com um "valeu!". Ok, relaxe. Dois dias depois, interdite a porta novamente, e desta vez pergunte sobre a comida preferida dela. Insista como da outra vez, use os "ués" necessários e agradeça a resposta com um "valeu!". Relaxe de novo. Depois de mais dois dias, fale de música. Pergunte sobre a música, ou banda, ou cantor preferido dela. Se ela não responder, ou for genérica demais, do tipo "ah, meu, sou muito eclética, gosto de tudo...", insista, dê exemplos: "Olha, então me fala, você prefere Red Hot Chilli Peppers ou Toquinho?".

É isso, crie esse ritual, faça disso uma coisa até um pouco engraçada, pois a hora do arremate está por vir. Depois desse questionamento musical, apenas cumprimente-a com simpatia por uma semana, crie uma espécie de suspense.

Legal, ao final do sétimo dia, espere-a sair para o intervalo e vá atrás. Pegue — sutilmente, por favor -- no braço da brota e dispare: "Oi. Tava pensando no que você me respondeu. Ce lembra, né, te fiz umas perguntas... Então, topa ir comigo ver o filme X e depois comer a comida Y?Ah,e toma aqui, ontem tava comprando umas coisas pra mim e vi esse CD do Toquinho. Mas então, é isso, me deu vontade de te fazer esse convite, UÉ!". Note, irmão xavequeiro, o misto de humor e galanteio que há nesse xaveco. Você vai deixar claro que premeditou tudo aquilo, mas não estamos falando de uma premeditação oportunista, e sim romântica, até. Diga isso fazendo graça, mas deixe claro que você está falando sério ao insistir em marcar o encontro caso ela titubeie. Em último caso, pegue o telefone e leve a batalha para casa. Você já pontuou ali, acredite nisso e vá pras cabeças, irmãozinho.

 

DICA DO RAMPA:

Cuidado na primeira abordagem, aja como se a curiosidade só tivesse surgido ali, naquele momento. A timidez da menina pode ser sua grande inimiga, seja simpático e tranqüilo.

 

DICA DO ISMÁ:

Faça a primeira pergunta numa sexta-feira. Você tem grandes chances de ser lembrado pela mina no final de semana. E lembre-se: o segredo do xaveco pode estar no suspense, que vem num crescendo até o clímax do convite. Evite dar bandeira e olhar muito pra ela nos dias que separam as suas perguntas, crie esse clima, ué!

 

XAVECO NO SETOR DE TRABALHO 1

 

Interpretação - ●●●●

Risco - ●●

Ousadia - ●●

 

Muito bem, estamos falando agora de um pitéu do seu próprio setor de trabalho. A mulher trabalha ao seu lado e você a vê, inevitavelmente, todos os dias. Ela talvez seja mais presente em sua vida que sua mãe. Oito horas por dia, quarenta horas por semana e ela lá, do seu lado.

Antes de ir pro xaveco propriamente dito, pergunte a si mesmo o que você quer com ela. Você se apaixonou? Afinal, você conhece bem a menina, afinidades e admiração podem perfeitamente ter surgido daí. Ou você quer simplesmente agarrá-la, provar aquela delícia? Ter esse objetivo claro antes de dar o primeiro passo é fundamental. Busque verdade no seu desejo; além de ser justo para com ela, é justo para com você mesmo. Mas, qualquer que seja a sua motivação, a estratégia aqui é bem simples: você vai convidar essa brota para uma peça de teatro. Mas tem que ser teatro? Temque! É uma balada mais cool, a maioria das pessoas vai pouco, muito pouco, ao teatro. Existe um certo mito em torno do teatro que faz dele um programa mais deslumbrante, mais glamoroso do que um cinema, um barzinho ou uma festa E rola ainda a vantagem de o "xaveco" ficar mais disfarçado. Seu interesse fica menos declarado do que num convite para o escurinho do cinema, por exemplo. Mas se você é um cara que também não vai ao teatro com freqüência, não se acanhe.

Veja, com calma, nos bons jornais e revistas, a programação e os roteiros das peças em cartaz. Evite uma peça com atores famosos, opte por um programa mais underground, mais marginal. Invente, inclusive, que um amigo seu é o assistente de direção, justificando ainda mais a proposta. Dessa forma, o convite para essa peça vai soar mais amigável do que xavequeiro. E, pelo amor, não faça esse convite em público. Não vá dizer, no meio da sala, com todo mundo em volta, "Ju, vamos ao teatro?". Pois bem, uma vez analisados a peça, os dias de apresentação e o local, espere por um momento em que vocês estejam sozinhos. Na fila do café, no caminho para o almoço, na máquina de xerox, no raio que o parta, mas espere esse momento a sós com ela e diga: "Tá a fim de ver uma peça?". Faça, de cara, o convite. Não enrole. Não se justifique. Deixe as explicações pra depois. Dita essa curta e simples frase, aí sim você incrementa: "É que entrou em cartaz uma peça de um amigo meu, parece que é bem legal! Sei lá, vamo vê?". Amigo seu? Que amigo? Invente. O cara pode trabalhar na produção, na direção de elenco, enfim, isso, além de disfarçar a investida, dará ainda um charme a mais pra coisa. Provavelmente ela vai querer saber os dias e horários, aí é com você negociar e convencê-la. É lógico que vai pesar nessa aceitação o real desejo que ela tem (ou não) de te ver fora do ambiente de trabalho. Por mais que seja um convite light, foi uma proposta não convencional. Fique atento e não romantize esse convite. Torne-o impessoal, tudo bem. Se ela aceitar, até o dia da peça você terá tempo para colocar as garras de fora. Adote inicialmente essa postura mais cautelosa e fria (lembre-se, é uma mulher da Parte 3 de seu Manual, trabalha ao seu lado, não é uma desconhecida do metrô, vá na manha). Foi um convite pra ver uma peça e pronto. E isso tudo vale tanto para o caso de ser ela uma mulher por quem você se apaixonou, tanto quanto para o caso de ser a musa dos seus sonhos eróticos. Seu comportamento só vai mudar se o encontro acontecer. Se o caso for de paixão, se você está gamado, amando, opte por fazer desse encontro o mais agradável e bem-humorado possível. E não necessariamente tente ficar com ela nesse dia. Outras oportunidades surgirão caso ela tenha gostado; faça do programa o primeiro de muitos. Mas se o seu desejo é realmente descobrir o sabor da mulher, mais do que qualquer outra coisa, se foi a cabeça de baixo que ficou lá folheando o jornal pra escolher a peça, na boa, pegue na mão e agarre a mina na saída do teatro. Quem sabe ela não queira saber como é você atuando... É isso, querendo A ou B, proporcione uma agradável peça à gatinha antes de tudo.

 

DICA DO RAMPA:

No caso de uma negativa, bem, procure entender de maneira fria o que motivou essa recusa. Ela realmente tinha um casamento pra ir no dia da peça, ou você sacou que ela preferiria estar com o Pedro de Lara numa ilha deserta a ir com você ao teatro? Use a sua sensibilidade (de maneira fria, volto a dizer) e pondere se é ou não o caso de renovar o convite.

 

DICA DO ISMÁ:

Para persuadi-la a aceitar o convite, lance mão de frases como "uma pecinha de teatro pra desestressar vai bem, diz aí?'. Mostre que ela não tem nada a perder, ao contrário, vai perder se não topar sair com você: "Me diz, qual foi a última vez em que você foi ao teatro?". Instigue-a a aceitar a balada.

XAVECO NO SETOR DE TRABALHO 2

 

Interpretação - ●●

Risco - ●●

Ousadia - ●●

 

Legal, entendido o que significa xavecar uma mina do mesmo setor de trabalho, ou seja, uma mulher que, faça chuva ou faça sol, está lá, perto de você, vamos apresentar aqui o "xaveco da troca". Troca, que troca? Isso é você que vai descobrir.

Mas que haverá a troca de alguma coisa entre vocês, disso não resta dúvida. Por exemplo, a troca de um filme. Ou a troca de algum CD. Ou ainda, por que não, de textos, poemas, versos. Enfim, queridão, você e essa menina vão trocar objetos muito pessoais e valiosos para ambos. Ok, e para chegar nesse estágio é bastante simples: basta você introduzir o tema em alguma conversa entre vocês. Perguntar a ela qual é seu filme predileto desencadeia, naturalmente, uma conversa sobre cinema.

A partir daí fica baba, "você já viu tal filme? E aqueie outro?", e pronto, quando pintar um que ela não tenha visto você emenda: "Amanhã eu trago ele pra você, beleza?". Beleza! Belezíssima, aliás. Tem-se aí muitos pontos ganhos.

1) Você vai apresentar parte do seu mundo a ela. 2) Você garantiu assunto para depois -- o que ela achou do filme? 3) Você se mostrou atencioso, interessado, mulher saca essas coisas, acredite. 4) Você ganha, naturalmente, o direito de pedir o seu: "E aí, e a minha vez? Quando você vai me emprestar um filme de que gosta?".

Está entendida a troca? Muito bem, mas e aí, aonde vamos chegar com isso tudo? Pois então, até mesmo uma criança nas fraldas poderia imaginar que, a partir daí, depois de consolidada essa relação de trocas de filmes -- não pare no primeiro --, um convite para o cinema é mais que justificado, fala sério. Que mal há? Tudo a ver, ora essa. Logicamente, a temática escolhida aqui (no caso, filmes/cinema) foi um mero exemplo. Isso pode ser feito com a dupla CD/show, ou poemas/sarau.e por aí vai. Essa brincadeira tem que chegar em algum lugar, e esse lugar é fora do seu perímetro de trabalho, meu amigo. Leve a brota para o mundo afora. Faça esse convite, que, de tão contextualizado, permite até a mais pentelha insistência. Sim, se for o caso, insista -- sempre com o mínimo de bom senso --, mas faça essa troca virar uma balada entre vocês, um evento. Evite, entretanto, tomar muito pública essa brincadeira. Primeiro porque tudo o que é público inibe, ela pode se retrair. E segundo que não seria nada bem-vinda uma terceira pessoa metendo o bedelho e sugerindo filmes também. Péra lá, a coisa é entre vocês e acabou. E aproveite, colega, o "namoro" que essa troca vai te proporcionar para ir percebendo, absorvendo a mulher. Ela é mesmo tão interessante como você imaginava? Quais as preferências dela? O que ela achou das coisas de que você tanto gosta? E lembre-se, ela não é uma gostosinha que passou por você na rua, ela é a flor que habita seu jardim diariamente. Voltamos, no fim desse xaveco, à velha questão: o que você realmente quer dessa mulher? Essa percepção vai te ajudar a tirar o melhor proveito no desenrolar desse xaveco, que, além do objetivo final (o encontro), pode ser muito prazeroso durante a execução. Divirta-se.

 

DICA DO RAMPA:

Bem, por mais sincera que seja a sua postura, pegue leve e vá devagar ao expor seu mundo. Se você é um ninfomaníaco nas horas vagas, não precisa sugerir "A vovozinha tarada", né, malandro? Vá na manha, busque algo mais convencional nesse primeiro contato; na hora certa você diz do que realmente gosta, esse momento vai chegar. Sinceridade é bom, legal, mas tudo o que é demais pesa e afunda.

 

DICA DO ISMÁ:

E não vá propor também troca de livros, por favor. De que adianta esperar meses para ouvir esse ou aquele comentário? Que é isso, paciência tem limite. Saiba que esse xaveco requer certo dinamismo, por mais tranqüila que seja a sua levada. Brinque com a gatinha: "Olha, livro a gente troca quando começar a namorar...".

Adaptando Seu Xaveco

 

No início do Manual, nas instruções, damos a dica de que esta bíblia -- como a própria -- não precisa ser lida do começo para o final. Você pode ir direto à página ou parte do livro que te interessa em determinado momento.

Muito bem, mas vale dizer que tem um imenso ganho o disciplinado xavequeiro que resolveu ler o Manual todo, mesmo sem a premência do desejo pulsando nas veias. A vantagem é que você pode, por exemplo, usar o xaveco de um lugar em outro. Por exemplo, o Xaveco na Balada 2 diz assim: você, largado na balada, elege uma brota em que pare, olhe e chegue à conclusão de que aquela é uma mina que você gostaria de conhecer. Ok, você vai à gatinha e, ao pé do ouvido, pergunta-lhe a graça. Evidentemente espera-se que ela diga o nome, e então você pega e diz: "Ó só, na boa, vou ser multo sincero com você. Sabe o que eu quero?". Ela diz (ou deveria dizer) "o quê?", e você emplaca "queria te conhecer!". Pronto. Imagine esse mesmo xaveco usado no meio da rua, dentro de uma livraria ou na fila do banco.

Meu camarada, é isso, adapte seu xaveco. Evidentemente isso não vale para todos; para ser franco, são minoria os xavecos que apresentam essa flexibilidade. Mas eles existem; fique esperto e use sua sensibilidade. Perceba o que pode ser aproveitado de um em outro. Uma dica de um xaveco no metrô pode, por que não, servir para ajudá-lo a ganhar a flor que habita o seu prédio. Um breve comentário de um xaveco no setor de trabalho pode ser decisivo para você jantar a gatinha que conheceu no restaurante. Ou seja, a grande dica que queremos dar aqui é: deixe-se educar pelo Manual. Sem pudores ou preconceitos, nós mesmos, Rampa e Ismá, fomos nos aprimorando na arte do xaveco conforme íamos escrevendo este livro. A cada linha que você lê de cada xaveco ou texto deste Manual, caro amigo, você lapida mais seu potencial, tenha isso como certo. E estamos falando de algo que vai além do sucesso com a menina, mas de um sucesso com você mesmo. Estar bem resolvido e buscar o melhor xavequeiro que reside em você é o desafio aqui; entendido isso, os benefícios deste Manual se multiplicam. Permita-se, então, estar no meio de uma livraria e lembrar-se de um xaveco que você leu, aqui, para o ponto de ônibus -- se você acha que dá pra fazer o link, acredite, ouse e vá em frente. Essa pode ser a maior prova de que você se desprendeu das fronteiras deste Manual, saiu de dentro dele e, nesse caso, numa comovente troca de papéis, é o próprio Manual do Xavequeiro que já está dentro de você.

 

PARTE 4

 

Mulheres Que Você Conhece Muito Bem

 

Caro, caríssimo amigo leitor. O seu Manual do Xavequeiro se resolve muito bem nas três partes que apresentamos. Está nelas exposta a imensa maioria dos tipos de mulheres que você pode xavecar, e em que lugares e situações pode fazê-lo. Legal, então por que existe esta Parte 4?

Meu camarada, a Parte 4 do seu Manual é aquele absoluto e específico caso em que você se apaixonou por uma grande amiga sua. E a coisa é, nesse caso, muito diferente. Porque é amiga de vir ver filminho com a gente em casa, comer pipoca debaixo do cobertor, conversar até de madrugada. A gente tá falando de amiga mesmo, com quem nunca rolou beijo, ficada, nada... Vamos lá, porque esse é o alvo deste capítulo do nosso Manual do Xavequeiro.

Como agarrar aquela amigona sua, como fazer acontecer com a sua melhor amiga. E o primeiro problema que a gente deve identificar nessa situação é o porquê de você nunca ter se interessado por essa amiga antes. Por que só agora? A partir daí, por conseqüência, a gente pode descobrir por que ela também não se interessou por você. E é aí que está a raiz do problema.

Para a mulher às vezes é muito mais importante um amigo... O primeiro passo é você descobrir onde é que essa amiga não te enxerga como homem. E ser realista também, né? O que te chamou a atenção nela? Foi a bundinha, que, de uma hora pra outra, ficou uma delícia? Foi o cabelo dela, que tá cortado diferente? Foi o sorriso, que tá mais bacana, mais interessante? Foi isso que te despertou a simpatia e essa vontade de aproximação pra um beijo, pra uma transa, enfim, para tê-la como mulher e não como amiga?

A gente deve descobrir qual foi a motivação, antes de tudo. E será que o caminho não é despertar isso nela, tentar direcionar o olhar dela para isso tudo em você, pra que ela siga esse mesmo caminho lógico e, pimba, ficar a fim de você também?

Mas tem uma coisa, é importante dizer que se o amigo xavequeiro tá a fim da melhor amiga, é porque provavelmente ele tá apaixonado. Dificilmente, nesse caso, seria só tesão. Ele quer dormir junto, passear de mãos dadas no parque, essas coisas todas, porque ele, como amigo, já conhece bem a mulher. O cara quer acordar junto de manhã, juntar as escovas de dentes... Porque o cara que tá a fim da amiga já sabe muita coisa dela e quer perpetuar a amizade num beijo na boca com essa mulher com quem ele já tem, até, uma certa intimidade. Porque ele já sabe da afinidade que tem com ela. O cara fica apaixonado pela grande amiga justamente por isso, pra realizar com ela outras intimidades potenciais que extrapolam a amizade. Você, então, já tem estabelecida com essa amiga uma intimidade brutal, de não ter certas vergonhas, uma intimidade que vem da amizade.

Ok. Por que a mulher vai trocar isso pelo beijo na boca? Se você é' um amigo fiel, presente, a mulher deve estar supersatisfeita com isso. Onde eu desencadeio essa teia do apaixonado, a teia amorosa? Não dá pra assegurar onde é esse ponto. O que a gente sabe é que ela também tem que querer, ela deve olhar pra você e concluir, de uma hora pra outra: "Nossa, eu quero. Eu quero mais do que eu tenho, eu quero esse cara como homem". Esse desejo tem que aparecer nela. Essa vontade tem que vir.

 

O ato suicida e o risco necessário

A mulher tem uma coisa peculiar. Ela age por impulso, é impulsiva, e adora quando alguém desperta nela esse desejo repentino, provocador. "Nossa, o que aconteceu? Parece que naquele momento eu saí de mim". Você pode fazer o seguinte: um dia você chega absolutamente estranho diante dessa sua amiga. Você vai estar mais quieto, mais calado do que antes. Não um silêncio triste, mas uma mudez enigmática. Existe em você, a partir de agora, um grande enigma. "Por que você tá assim?", ela vai perguntar. Ótimo. Isso quer dizer que você já despertou nela a curiosidade, e a mulher precisa estar curiosa pra gostar do sujeito. Sem curiosidade não se faz nada. Até pra chupar um picolé a gente tem que estar curioso. Precisa querer saber qual é o gosto.

Tudo bem, gerada essa curiosidade na sua amiga gatinha, você simplesmente, num ato suicida e, por isso mesmo, extremamente amoroso, rouba um beijo. Beije a mulher, vai ser uma situação inusitada. Ela vai ficar espantada, naturalmente. Nessa catatonia pós-susto dela, aplique outra bitoca. Depois, divirta-se com o que acabou de fazer, seja irônico com seu próprio gesto, desculpe-se de maneira divertida, evite que se crie um climão entre vocês. Depois, declare-se, seja sincero e exponha seus sentimentos. Mas cuidado com esse beijo, estude bem o terreno, exageros nessa hora podem micar a amizade.

 

A Flor

O amigo xavequeiro pode perguntar: "E se eu mandar flores?". A gente tá falando aqui de uma amigona. Dê a flor, mas não um buquê. Dê uma rosa, única, pode ser muito eficiente. Você, um cara que sempre chega com o sorriso na cara, com uma novidade, dessa vez chega com uma rosa vermelha e solitária. Brinque com a situação dizendo: "Sabe, eu tava passando em frente a um jardim bonito e vi essa rosa... Na hora me deu uma vontade de roubar ela pra você! Pulei o muro, enfrentei um pit bull babão e me furei todo nos espinhos, mas taí, valeu a pena...". Não seja romântico nas palavras, assuma seu delírio heróico. Veja, nesse caso você também vai despertar nela, além do bom humor, a curiosidade -- "ele nunca me deu flor", ela vai pensar --; a diferença é que você vai correr menos riscos. Se você é um xavequeiro mais preocupado com os riscos, opte por essa opção.

Às vezes o ato suicida do beijo não cabe, e muito cara se sentiria tímido pra se jogar assim. Vai de cada um. Legal ter essas duas possibilidades, as duas são válidas, o beijo e a rosa. Claro que se você vai xavecar a sua grande amiga, a sua companheira de aventuras, você, como em qualquer outro xaveco, está correndo riscos. E chegamos ao ponto: vale a pena o risco? Vale. meu amigo, vale! Se você sentiu alguma coisa, poxa, não vá ficar chupando o dedo, passando vontade, sofrendo. A rosa seria o início de um processo de sedução. Um dia a rosa, outro dia uma carta, outro dia o beijo. E o súbito e inesperado beijo na boca é outra opção, dependendo da vibe e da disposição de cada um. Escolha o seu xaveco e vá pras cabeças!

A pegada forte

Uma amizade é irmandade, fraternidade. E, a partir do momento em que o cara se apaixona pela amiga, tudo isso vai pro mingau. O cara fica obcecado pelo beijo na boca É difícil ter um grande amigo; e se a mulher colocar na balança? Não dê tempo para a mulher, para a ex-amiga, pensar. Ela deve ser surpreendida.

Qualquer estratégia que se trace deve ter, portanto, o contato físico. Claro que, nesse caso de melhores amigos, pode ser bom a mulher pensar, em vez de agir simplesmente pelo impulso. De repente, se ela pensar, vai trazer tanta coisa boa da amizade que pode surgir aí o "por que não?". Mas nesse caso o amigo leitor tem que perceber antes se existe na mulher essa predisposição.

Engraçado que, quando você fica muito amigo de uma mulher, ela começa a se soltar, a dar gargalhadas deliciosas, e isso pode fazer você se apaixonar. Você começa a saber pormenores da vida dela e ela deixa de ter alguns pudores com você -- aí é que vem a confusão. Coisas do tipo "será que ela tá assim comigo porque tá me vendo como um puta cara, e isso serve de porta de entrada, ou será que ela se sente bem comigo parque me vê como um grande irmão?".

E, voltando à questão do espaço para reflexão da mulher, é preciso analisar qual é o seu caso. Será que existe uma ponta de desejo nela? Será que no meio disso tudo tem um elemento que indique que ela também me quer? O leitor precisa sacar isso pra ter como fazer a escolha da estratégia certa. A mulher precisa te entender como homem O problema é que a amiga não vê masculinidade no amigo. E homem tem que ter pegada. Sua amiga precisa ver em você onde está essa pegada forte, que fará com que ela se sinta segura, protegida, essas coisas. Quem sente essa pegada, essa virilidade toda, são nossos casos, nossas ficadas. Pegada é você pegar no braço, no pescoço, na cintura da mulher, cheio de atitude. É claro que pra coisa acontecer tem que ter essa pegada, o cara deve se jogar e ver o que acontece -- se a mina é receptiva, se vai virar o rosto na hora do beijo, e por aí vai.

 

O filminho

O cara que tá a fim da amiga deve se cuidar mais, aparecer mais bonito, mais cheiroso pra ela. Você tem que estar atento a possíveis elogios dela e, se isso acontecer, ponto pra você. Então, aí vai mais uma estratégia: você pode convidar a amiga prum filminho em casa, assistir a um DVD. Até aí tudo certo, coisa de amigos. E depois? Pois então, depois do filme, você desliga a TV, coloca música, um CD. De preferência, um CD com músicas lentas, com um climinha gostoso.

Enquanto rola a música, vocês conversam sobre o filme e tal. Tente, cara, levar esse papo a uma atmosfera comovente, intimista. Assim, quando tocar a música lenta, convide a amiga pra uma dança. Se ela vacilar, faça graça, "faz tempo que eu não danço de rosto coladinho", vocês são amigos, lembra? Aí vem a pegada. Dance abraçadinho com ela, provoque esse contato físico inédito. Coloque a mão dela no seu peito, dance ritmado, envolva a mulher. Assim, perceba se dá pra ir além. E, óbvio, não interessa se você, leitor, é um perna-de-pau e não sabe dançar, se liga, né? O importante é envolver a menina numa viagem sensível. Diga coisas como "olha que música bacana, lembra até tal cena do filme". Associe a música e, lógico, aquele abraço dançante de vocês, ao filme. Crie esse clima, esse momento sublime, pautado pela música e pelo filme a que vocês assistiram. Bom, não preciso dizer que esse filme deve ser muito bem escolhido. Não precisa ser Love Stoty, mas também não vá pegar o Rambo II pra ver com a mina, né, malandro? O lance aqui é mostrar na escolha do filme uma sensibilidade quase feminina, e, na hora da dança, o contraponto: a pegada masculina. Perceba se ela se aninha nos seus braços, se ela encosta a cabeça no seu peito, é esse tipo de detalhe que revela se a mina tá ali, disposta. Cabe lembrar que vale a pena ter calma nessa hora, não precisa ser tudo ou nada. A mina é tua amiga, você vai ter outros encontros com ela e, portanto, outras oportunidades.

 

Urubu na carniça

Tem aquele exemplo do cara que fica amigão da mulherada e... pega todas. Tem muito sujeito por aí que fica igual a urubu na carniça. Se faz de amiguinho, coisa e tal, e espera um momento de fragilidade da mina pra atacar. Disso a gente discorda. Porque a amizade deve ser verdadeira, e não oportunista Aliás, são sujeitinhos como esses que deturpam o significado original da palavra "xaveco". Parte da implicância da mulherada com o xaveco vem por causa desses caras. Mas, vamos admitir, essa tática existe, sim. E tem muito malandro escolado. O cara é tão treinado que sabe sacar o momento exato de fragilidade da mulher pra atacar.

Amigos, se a amizade existe mesmo, aí não há mal algum Mas, do contrário, não dá, né? Fingir ser amiguinho não rola. Leia o nosso ensaio "A mentira que vale" e você vai entender que essa seria uma mentira que não vale, ok?

 

Considerações

Levantamos aqui dois caminhos. Tem o da constante sedução. Salpicar aos poucos seu interesse nessa amiga que você vê sempre, colocar na cabeça dela a semente da dúvida e fazer crescer aquela curiosidade -- sempre com calma, lembre-se, essa mulher não vai sumir. Mas tem ainda o outro lado. Não adianta ser o maior galanteador do mundo e não fazer nada, não sair da cartola, o contato físico tem que acontecer. Até porque com muita sutileza na conquista, a mulher pode não entender o que você quer. Busque equilibrar isso tudo.

E fique atento ao xeque-mate. Se a gente quer jogar bem o jogo da sedução, tem que ter instrumentos pra isso. Vocês são amigos, existe aí o cenário ideal pra você mostrar suas particularidades. Você entende de vinhos? Pode ser que entenda de cinema, de autorama, sei lá. Gosta de uma comidinha "X" num lugar "Y"? O importante é que você tenha cartas na manga, tenha universos pra apresentar pra essa mulher. Depois de uma amizade longa, ou intensa, você vai poder despertar nela algum encantamento. De uma hora para outra essa amiga vai ver que você pode apresentar a ela todo um universo de novidades.

Claro que, como sua amiga, ela já deve saber das suas habilidades, de seus hábitos diferenciados. Mas saber é uma coisa, convidá-la a fazer parte disso é outra. Se você for um fanático por futebol de botão, por exemplo, mostre a ela onde está a sensibilidade disso, do seu ponto de vista. Faça-a participar de sua viagem. De repente, comendo um bom bife naquele lugar "Y" você olha pra cara dela e diz: "Nossa, lá percebendo a umidade dessa carne, a sutileza do tempero? E isso tudo olhando pra você, então...". Brinque com sabores e sensações. Se você se apaixonou, saiba que esse esforço sensível é necessário, não vai cair do céu. Aproveite esse seu estado amoroso pra desvendar em você gostos, sensações, melodias que você não havia explorado antes. Você, a partir dessa paixão, se transforma num cara melhor e provavelmente contagia quem está por perto, inclusive a desejada amiga-mulher. O que pode fazer a diferença, principalmente no caso da grande amiga, é ela te perceber como um cara mais sensível que os outros e que, na hora certa, chega com a pegada necessária.

 

Filosofias do Xaveco

 

A ARTE DO ELOGIO

 

Quem não gosta de um bom elogio? Pois é, com as mulheres não é' diferente. Mas o que é o bom elogio? O elogio não é, nem nunca foi, uma ciência exata. Mas pode, sim, ser definido por meio de uma pequena equação. Vamos a ela:

sensibilidade + sinceridade + oportunidade + coragem.

Com a soma desses quatro fatores você tem grandes chances de chegar ao almejado bom elogio. Mas atenção, cada um desses elementos é absolutamente variável de pessoa para pessoa e de caso para caso. É preciso reconhecê-los para poder domá-los de acordo com seus objetivos.

Continuar: parte 3 de 3