Manual do Xavequeiro

Fabiano Rampazzo e Ismael de Araújo · Capítulo 50 de 50 · parte 3/3

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Manual do Xavequeiro

Xaveco no Balcão 1 95

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

 

O despertar da sensibilidade

Vamos direto ao ponto: se o que te atraiu no sexo oposto foi um atributo físico, guarde essa informação para você, com muito carinho, claro, mas vá além. Pensar com a parte de baixo do corpo é natural, prazeroso e saudável. A questão não é essa. A beleza de um rabicó bonito é indiscutível. Mas muito mais eficiente e sublime é o elogio ao detalhe, à sutileza física, como uma mão bonita, ou a maneira como o cabelo se movimenta ao vento. Também vale aqui, em vez de admirar única e exclusivamente o decote sinuoso, o shortinho apertado ou a sainha quase sem tecido, observar o pequeno penduricalho, aquele detalhe que só o olho mais atento e sensível pode admirar.

A descoberta da sinceridade

Tudo o que é verdadeiro é útil. É positivo. A mais articulada e crível mentira se perde diante da verdade translúcida. Assuma a sua verdade, que, ainda bem, é única, exclusiva. Faz bem dizer uma boa verdade, por mais que ela pareça enfadonha. A mentira, sabemos, também é bacana, prazerosa e atraente. Tudo bem, mas não é verdade. A partir do momento em que existe um mínimo de sensibilidade, existe uma enorme virtude, e a verdade deve brotar daí. Seja feliz, rapaz, não se perca inventando histórias mirabolantes. Viaje, seja criativo, mas sempre verdadeiro dentro do que é essencial. Dê crédito à sua imaginação, tudo bem, mas acredite no que está dizendo. Mais vale elogiar um simples sorriso com a mais devastadora sinceridade do que discorrer sobre um casaco com a frieza de dez Sibérias. Mais vale elogiar a blusinha colorida da menina se as cores realmente lhe saltaram aos olhos do que dizer que ela tem uma boca bonita apenas pelo costume da frase feita.

 

O pressentir da oportunidade

O seu bom senso é essência para saber a hora certa. A situação pode ser tão variável e subjetiva que às vezes a hora certa é na hora errada. Lembre-se de que certo e errado são valores que nós mesmos, por motivos passionais, criamos para nortear nossas próprias ações. Não se guie por esses valores, mas sim pela sua sensibilidade. Faça esse exercício. E, com ela, eduque sua consciência e crie suas próprias regras (cuidado com a intransigência) para chegar ao seu bom senso. Se existe o objetivo, adapte os métodos com sua sensibilidade e você encontrará o momento certo para agir.

Sensibilidade + sinceridade + oportunidade = a coragem de ser.

 

A coragem de ser

A partir do momento em que se é, se age. Temos aqui o resultado da subequação sensibilidade + sinceridade + oportunidade. A coragem é fruto do olhar atento e espirituoso (sensibilidade) somado ao pensamento verdadeiro, sem muletas ou máscaras (sinceridade), mais a consciência de que se está agindo na hora certa (oportunidade). Existindo o objetivo -- no nosso caso, o elogio — como motivação, a soma se dá de maneira natural, alavancando a coragem e, por conseqüência a iniciativa. O que se espera ao final de tudo isso é o mais sensível, sincero, oportuno e audacioso dos elogios. Parabéns!

 

A MENTIRA QUE VALE

 

Os fins justificam os meios? Depende dos meios. Aqui, no nosso caso, no xaveco, quais são os fins? Os fins -- ou o fim -- são ter a mulher que você tanto queria. É o êxito do xaveco. É beijar, transar, namorar, casar, ler filhos, qualquer que seja o seu objetivo com ela. E para chegar a esses fins os meios são justificáveis? A resposta você já sabe: depende.

Mentir para conseguir ficar com o piteuzinho com quem você tanto sonhou pode, ou não, ser válido, legítimo. E o objetivo aqui não é buscar entender a fronteira do seu bom senso, pois o que é bom senso para você pode não ser para ela. Ou seja, há alguns limites universais, sim. E neste Manual há um extremo cuidado para que esses limites não sejam transpostos. Tivemos uma preocupação essencial que é', simplesmente, a de não magoar a mulher. Preocupação que deve também ser a sua, pois, acredite, sem magoá-la suas chances de também não se ferir aumentam Assim, dentro dessa lógica, lançamos mão de algumas mentiras. Algumas, aliás, pra lá de descaradas. Mas que vieram unicamente a somar ao seu xaveco, sem que a gatinha, em momento algum, possa ser ou se sentir lesada. Estamos falando da mentira que vale.

Inventar que viu a mina em determinado lugar; fingir que está com febre pra fazer o "estilinho doente"; simular uma conversa pelo seu celular; se fazer de coitado buscando sensibilizá-la com martírios inventados; tudo isso e outras tantas compõe a vastidão de mentiras que alguns xavecos apresentam. Mas são mentiras que visam, na verdade, à nobre causa. O intuito final e real é ser feliz. Ser feliz e fazer a mulher feliz.

Mas calma aí, mesmo essa boa intenção não lhe dá o direito de ser inconseqüente. Mentirinhas casuais, sem maiores conseqüências, são às vezes até bem-vindas, tudo bem. Tornam o cenário inventivo, criativo, fazem verdadeiramente parte do seu xaveco, de todo o processo de conquista e sedução, Mas não podem em hipótese alguma comprometer o humor, as expectativas e os sentimentos da menina.

Um bom teste que você pode fazer para medir se sua mentira é ou não nociva é se imaginar confessando-a para a gatinha. E não muito tempo depois de ter mentido. Não vá também fazê-lo depois de casado, porque aí fica fácil perdoar. Imagine um encontro, num futuro próximo, em que você revele a ela o quão criativo você foi ao xavecá-la. Qual seria sua reação? Ela daria risada? Ficaria incrédula, mas acharia graça? Ou sairia correndo aos prantos? E você, teria realmente coragem de contar sua farsa para ela? Pensar sobre essas questões é um bom exercício para você perceber até onde pode ir. Lembre-se de que nenhum objetivo, nenhuma princesa do castelo justifica uma mentira que vá causar tristeza e decepção à doce menina -- seja ela doce ou não. Você certamente não iria querer isso para você.

Mas atenção, não vá transformar as meninotas em padres. Antes que você saia por aí confessando desesperadamente suas mentiras para as gatinhas, tenha em mente que isso não é necessário. O que se propôs aqui foi um exercício pra você imaginar a situação caso a mentirinha fosse revelada. Foi pra você se imaginar no lugar da brota Eventualmente isso até pode acontecer; se quiser, revele o santo e o pecado. O grande lance é que, se você compreender esse limite, essa fronteira que separa a mentira aceitável e inocente da mentira comprometedora, você não terá necessidade de se preocupar com ela. Ela poderá, inclusive, ser esquecida. E não por ser algo nefasto que deva ser apagado da memória, mas por ser algo sem importância, usado num momento específico e que depois perdeu o sentido.

Se for pra você ter dúvidas sobre essa mentira, ter medo dela, não use. O sentimento deve ser o oposto. Você deve ter orgulho dela. Ela é benéfica. É boa para você e para a gatinha também. E você só vai conseguir nutrir essa relação saudável com suas mentiras se elas também forem saudáveis. E elas só serão saudáveis se você não se desprender, em momento algum, dos valores éticos que norteiam a vida em comunidade. Não mate, não roube e não minta, se sua mentira puder, de alguma forma, causar dano à moça que você tanto deseja e quer bem. Veja, não é para você se podar, o discurso aqui não pretende ser — e não é -- moralista. Mas há, sim, a preocupação com o bem-estar alheio, claro. Só assim seu xaveco tem razão de ser. Muito da resistência que as mulheres oferecem ao serem xavecadas baseia-se na visão que elas têm de que o xaveco é algo chato, ruim, como se fosse uma armadilha. Não é. E cabe a você, xavequeiro. provar isso Faça de seu xaveco, com ou sem mentiras, com ou sem histórias mirabolantes, um emissário da verdade, do desejo mais puro, real e sincero.

Genericamente falando, suas mentiras devem se restringir à situação, ao cenário que você montou para xavecar o pitéu. Evite mentiras relacionadas diretamente a você. Não diga que tem posses, carro, casa na praia, emprego, se você não tem. Deixe as mentiras de doenças e afins para os familiares e amigos; se com você está tudo ok, se está forte e revigorado, continue assim. Aí vem a pergunta: mas e o "xaveco da febre"? Sim, é verdade, o Xaveco no Metrô 3 relata uma situação em que você se diz febril e solicita a ajuda da gatinha pra medir sua febre. A abordagem é essa, tudo bem, mas o apelo não é esse. Na continuidade do xaveco, a levada foge desse "universo febre" e busca realmente despertar o interesse da menina pelo seu papo. O fim da picada seria você dizer que está com febre e que só tem mais um mês de vida. Sacou a diferença?

Avalie até onde você deve ir. Perceba os limites. E dentro deles, meu camarada, minta. Minta o quanto quiser, pois mentira alguma vai manchar ou apagar a verdade que te cabe. E o grande segredo da mentira que vale está exatamente aí, na verdade. Se seu interesse for verdadeiro, se seu sentimento for verdadeiro, se sua empatia, seu caráter e sua generosidade forem verdadeiros, acredite, sua mentira também será verdadeira, e, como tal, será absolvida e abençoada

 

O MACHISMO

 

Alguns homens (seriam todos?) simplesmente ignoram o fato de que a mulher, como ser humano, pessoa e cidadã, tem exatamente os mesmos direitos que eles. Não estamos falando aqui apenas de direitos civis, não. Mas da igualdade sensível, da vontade de ser desejada e de realizar seus próprios desejos. Dessa forma, no ato do xaveco que é o que importa para nós aqui --, a primeira coisa a ser eliminada deve ser o comportamento machista. Se você subjuga seu objeto de desejo, acreditando que o pitéu tem menos valor que você, o jogo já começa errado, malandro. Não se perca aí, por favor.

Se isso não te convenceu, aqui vai um alerta: vestido de machismo, o feitiço vai virar contra o feiticeiro lá na frente. O homem que oprime a mulher que já teve esse ou aqueles parceiros, que condena aquela ou essa atitude e que, munido dessa falsa razão, faz a mulher sofrer e sofrer, acredite, sofre tanto ou mais que ela. Cara, será que vale mesmo a pena? Buscar o papel de super-homem-sensível pode ser mais perspicaz, mais sábio do que se vangloriar de ser o ogro das cavernas. Pense nisso. Claro que a mulher gosta e deve ser arrebatada por uma atitude firme, por uma pegada forte, pelamor, não estamos falando disso, mantenha sua virilidade, sim. Mas isso não lhe dá o direito de ser estúpido, nem de achar que tal comportamento é um deleite só seu.

Uma mulher que leve mais parceiros do que você merece ser julgada por isso? Isso é algum demérito? Ok, sem ficar em cima do muro, a resposta a essas perguntas é um sonoro não. Não, não há problema algum na mulher que já rodou a banca. Ué, se eu posso, por que minha irmã não pode? E se é pra chutar o pau da barraca de uma vez, vale dizer até que essa mulher que se permitiu viver o que lhe deu na telha merece até um crédito maior. Pra você, macho que é, é muito fácil arrematar as gatas da academia, a Miss Facul e todas as outras delicinhas que te deram bola. Beleza, é isso aí, se você quis, e elas também, bola na rede mesmo. Mas e para uma mulher fazer isso? Certamente ela teve que passar por cima de uma série de tabus, bater no peito e dizer "vou fazer o que eu tiver vontade". Por isso, a mulher que conquistou essa emancipação merece aplausos, sim. Muito da nossa queixa com as mulheres é que elas ficam fazendo cu doce quando estão a fim, é ou não é? Isso não é um saco? Mas aí, quando você encontra uma que não é assim, ela é uma vaca? Péra lá, malandro. Alguma coisa está errada aí.

Não vamos confundir segurança com arrogância, nem satisfação própria com egoísmo. O machismo acaba privando o homem da parte fundamental na conquista: o encontro do outro. O sujeito que se vangloria pelo simples fato de ser homem acaba não admirando pormenores, sutilezas no sexo feminino. E são exatamente esses detalhes que tomam os momentos compartilhados com ela tão especiais. Só o homem livre disso consegue descobrir na sua musa aquele gesto bonitinho que ela faz e, diante dele, vira um pastel de vento.

Importante lembrar que não estamos fazendo aqui uma apologia da sensibilidade assexuada. Muito pelo contrário. Aprecie à vontade os rabicós, cinturinhas, decotes e perninhas rococós Problema nenhum. A questão é que, uma vez diante das delícias do corpo feminino, é preciso saber tirar o maior proveito disso, o que só é possível com uma troca igual, num jogo em que cada jogador rebate a bola com a mesma intensidade. Assim, repetimos: não podemos julgar nem subestimar a mulherada.

Agora, temos que mencionar a triste realidade que é o imenso número de mulheres machistas que existem. Nosso leitor, em suas investidas xavequeiras, com certeza vai se deparar com moças ultramachistas. "Mulher não pode transar na primeira noite!"; "Imagina, nem te conheço, como vou dar meu telefone?"; "Ah, você fala isso porque é homem, se fosse mulher seria diferente...". Impressionante como isso acontece. Vai se f... Algumas mulheres se acomodam na lógica machista de um jeito que, essas sim, deveriam ler este Manual. E você, que vira e mexe brande a espada do machismo com as duas mãos, só contribui com essa palhaçada, meu caro. Vamos mudar isso. Cabe a você, xavequeiro, inverter esse quadro. E, nesse caso, jogue na cara da brota que ela está sendo machista. Dê, inclusive, uma bronquinha nela Diga-lhe que é em atitudes como essa que se perpetua uma imagem negativa da mulher. Verse sobre a emancipação do ser feminino etc. etc. Mas atenção, diga isso tudo se essa verdade já estiver clara para você. Se for o caso, leia este texto quantas vezes forem necessárias; sabemos que tal mudança não acontece da noite para o dia. E perceba, no seu cotidiano, que alguns foras que você leva são fruto de machismo puro por parte das ladies. Identifique-os e rebata com categoria.

É isso aí. E, no caso de uma gata que já está na sua, a coisa está rolando, não vá pôr tudo a perder, né? Pense também no prazer feminino, não só no seu. Investigue os gostos dela, mostre-se preocupado com isso, você só tem a ganhar. Durante o beijo, o carinho, o sexo, você deve ser o instrumento de prazer da mulher. Até porque, vá na fé, ela com certeza te devolverá em dobro. O machismo será definitivamente posto de lado quando o homem se der conta do quanto ele é nocivo para os próprios homens. Sem demagogia, mas faça a sua parte. Que tal?

 

O PREÇO DO ORGULHO

 

Até que ponto devemos preservar o orgulho? Para deixá-lo intacto você deve saber que, necessariamente, um preço será pago. E nem sempre é bom negócio desembolsar essa importância, portanto, prepare-se, pois às vezes devemos abrir mão do orgulho, sim. Primeiramente identifique os significados do seu orgulho. Comece trabalhando na tentativa de não classificar o orgulho como mocinho ou bandido, mas como parte do seu ser que deve ser compreendida. Lembre-se de situações em que ele foi seu parceiro ajudando nas conquistas. Rememore também como ele contribuiu para alguns naufrágios. Mapeie seu orgulho, fique íntimo dele, reconheça-o. Feito esse exercício de autoconhecimento, vamos relacionar o orgulho ao nosso objetivo.

A questão aqui não é descobrir qual é o mais importante. Nenhum objetivo deve anular completamente o orgulho, pois ele é parte de nossa essência e alma. E vice-versa Só orgulho também não te levará a lugar algum, ou pior, pode levá-lo a um lugar indesejado. O importante é saber, em cada caso, até onde ir. Vale a pena pagar o preço? Quantas vezes devemos deixar recados na casada brota sem que ela ligue de volta? Quanto tempo devemos aguardá-la no lugar combinado? Até que ponto vale a pena insistir para descolar aquele número de telefone? E o beijo na boca, convém forçar a barra, correndo o risco do rostinho virando e do fora colossal? Como regra geral, o próprio Manual do Xavequeiro normatiza essas ações. Mas é importante você receber essas específicas orientações mais como um referencial do que como uma cartilha cega

Pra citar um exemplo bem próximo, o Manual aconselha, no caso de um primeiro encontro e de um eventual atraso dela, que você não espere mais que 25 minutos para dar um telefonema certificando-se de que ela realmente não virá. Esperar mais que isso, além de ser cansativo, pode ferir seu orgulho de "homem de limites". Mas é aí que podem entrar as exceções e a sua disposição em abrir mão de certas coisas. Ligar pra ela, deixar um recado na caixa postal e ir embora implica não vê-la, não ter naquele dia a brota que tanto almejou. Foi o preço do seu orgulho nesse caso. Você abre mão dela, mas mantém o orgulho lustroso, intolerante, inexpugnável. Contudo, esperar um pouco mais poderá render a chegada dela, seguida de pedidos de desculpas, beijos na boca e tudo o que você sonhou. Amigo, o caso é que a decisão é sua. Não queremos também induzi-lo a esperar a pequena por três horas e ganhar o troféu de mané do ano. Entenda que tudo isso depende do seu índice de paciência (p) somado à sua satisfação estimada (se). Os fatores apresentados aqui (p e se) são opostos. De um lado a sua paciência e calma, do outro a expectativa o anseio. Nesse balanço, nessa soma qual tem o maior peso? O resultado disso é o esforço (e) que você pretende aplicar nessa conquista. Daí, extraímos a seguinte relação: p + se = e. Feito esse cálculo, confronte-o com seu orgulho. Sinta para qual lado a gangorra pende e decida se você vai ou não esperar mais tempo na mesa do bar pelo pitéu, ou seja, o esforço vale a pena? Agora, vamos pensar no seu orgulho propriamente dito. Para entender melhor a espinha dorsal dele, podemos lançar mão de outra equação: princípios (pr) mais intolerância (i) somados a até que ponto essa mulher é importante na minha vida (miv), que resulta em quanto tempo vou perder com ela (qtp). Ao analisar pr + i + miv = qtp, podemos entender o papel de nosso orgulho nas mínimas ações e caminhos que ele percorre. E, ao pensar em todos esses cálculos e fatores, podemos chegar à melhor atitude que deveríamos tomar. Pese cada fator exposto nessas equações. Não com um raciocínio matemático, mas relacione-os ao seu caso específico, à mina que você tanto deseja. Para ter o que quer você terá de repensar alguns princípios? Sua paciência é maior ou menor que sua intolerância? Pense que às vezes o negócio é realmente ir à luta, mas... vale a pena esse esforço por alguém que não vai significar tanto em sua vida?

Como foi dito no início do texto, o orgulho existe em qualquer um, quer queiramos, quer não. Isso é um fato, a discussão não é essa.

Mas você pode, sim, ter com ele uma relação sadia Faça dele um orgulho mais honrável e menos egoísta. Mais digno e menos arrogante. Mais altivo e menos vaidoso. Mande flores, peça desculpas, ligue de novo, faça tudo isso sem se sentir depreciado, e sim, generoso. Mas ame, acima de tudo, a si mesmo. Essa frase feita não existe à toa. Todo mundo tem o seu limite, descubra os seus. E lembre-se de que deixar o orgulho de lado não é necessariamente se enfraquecer. Cabe a você fazer a sua parte, em busca do que acredita, e se mesmo assim a mulher não te quiser, meu amigo, com ou sem orgulho, parta pra outra, fique tranqüilo, foi ela quem deixou de conhecer um puta cara bacana!

 

Procedimentos Pós-Xaveco

 

P o r q u e o M a n u a l n ã o t e a b a n d o n a

 

POR QUE É TÃO IMPORTANTE (E RECOMENDADO) PEGAR O

TEL?

 

Simples. Realmente simples.

Porque é a única maneira de você carregar no bolso a expectativa de beijar na boca a gracinha de menina que você acabou de conhecer.

Vale lembrar que em muitos casos (e lugares) o beijo na boca é, salvo raros surtos, inviável. Você chegou num pitéu no meio do supermercado, ou da livraria, ou no meio da rua, no banco, e aí, bonitão? Você já sabe que este Manual é realista, e beijar na boca a gatinha nessas situações é surreal. O que lhe resta então? A resposta você já sabe. Com o telefone em mãos, você pode também se permitir pensar sobre algumas coisas.

Se a mina te passou o número, é porque, inconscientemente, ela vai esperar sua ligação. Mesmo que ela não acredite que você vai ligar, ela sabe que isso pode acontecer um dia. E mesmo se ela for uma desconhecida para você, e vice-versa, ela já sabe o seu nome, sabe que você é, ou pode ser, um cara legal -- do contrário não teria te dado os oito numerinhos. Isso quer dizer que você pode acreditar que, nesse telefonema, ela pode te escutar e o jogo pode ser ganho aí.

Com a prática, você, cada vez mais xavequeiro, vai aprendendo a sacar as meninas e vai aprimorando sua sensibilidade para entender qual é o melhor momento e a melhor forma para conseguir aquele numerozinho mágico. A partir daí, algumas análises também podem surgir. Por exemplo, se, ao pedir o telefone da brota, ela te passar direto o telefone de casa e o celular, meu chapa, você lá bem na foto. Confiou, quer que você ligue.

Agora, se ela te passar só o celular, podemos deduzir que ela está aberta para um segundo papo, para uma aproximação, mas ainda tem dúvidas com relação a você: "Quem é esse cara?". Mas pode ser também que o fato de ela conceder-lhe apenas o celular signifique que a donzelinha não quer um mala ligando às duas da manhã e acordando pai, mãe, irmão e papagaio. Por isso perguntas do tipo "qual é uma hora boa hora pra eu te ligar? Não quero te atrapalhar" são muito bem-vindas, tanto pela informação que você irá obter, como pela confiança que vai passar com essa preocupação.

Bão, já que o tema aqui é telefone, vale dizer que, mesmo que você esteja agarrando aquela delícia inteira no meio da pista da balada ou no cantinho da festa, o jogo não está necessariamente ganho; cuidado, pois essa brota pode escorregar-lhe das mãos. Um descuido seu, "vou pegar uma bebida", e a sua princesinha some no meio da multidão, ou porque não quer perder a carona ou porque tá a fim de aproveitar um pouco a balada sozinha. Previna-se, my brother, peça o tel, num impulso, entre um amasso e outro, para não correr o risco de no dia seguinte acordar sem a menor esperança de rever a gatinha para prosseguir com o "diálogo". É isso aí. Entenda o número do telefone do piteuzinho como o caminho para futuros encontros -- ele é o elo, a ponte; nunca despreze o poder de Graham Bell, e, caro amante do xaveco, peça telefones. Aqui, no seu Manual, número de telefone é quase sinônimo de beijo na boca.

 

PROCEDIMENTOS NO ENCONTRO COM A PROFESSORA

 

Se você está lendo de maneira entusiasmada esta parte do nosso Manual é porque algo lindo aconteceu, tudo até agora foi muito bem e você tem um encontro marcado. E, detalhe, um encontro com sua professora. Mas, calma lá, a brota do dia merece todo um procedimento especial, até agora pouco você era aluno dela. Aliás, não deixou de ser, lembre-se disso para não se equivocar e cometer deslizes desnecessários. É essencial aqui saber que a primeira briga é na tentativa de inverter esses papéis, mostrar que na hora do pessoal, da diversão a dois, você também tem muito a ensinar. Você deve mostrar toda a sua experiência de um jeito muito sutil, nunca exponha verbalmente suas virtudes. Surpreenda-a com gestos inusitados. Se vocês marcaram em um restaurante, por que não escolher um próximo a um fliperama? Isso mesmo, antes do jantar, como quem não quer nada, leve-a para bater ama ficha em sua máquina preterida. Mostre a ela a sua nostalgia, traga-a para esse universo descontraído do aluno que você é, divirtam-se. Vá, aos poucos, desmontando a carcaça professoral dela. Depois da molecagem, hora de falar como gente grande. Assim que chegarem ao local determinado (bar, restaurante, balada), saia para ir ao banheiro e mande um torpedo pelo garçom dizendo algo como: Adorei ver que existe em você exatamente o que eu esperava, uma menina linda. Ao voltar, não toque no assunto, converse bastante, descontraia, e evite falar do ambiente acadêmico. Quando o papo estiver no auge, diga, do nada, de repente, exatamente o que estava escrito no bilhete e boa sorte! Se ela tocar no assunto antes, não dê explicações e mude de assunto. Lembre-se de que essa é uma mulher madura, use isso a seu favor se for malsucedido no início. Diga a ela coisas como "permita-se, aja com o coração, somos humanos, nesse momento você é uma mulher e eu um homem, é isso, oras". Se necessário, mostre que ela pode confiar em você; lembre-se, não seria bom o nome dela aparecer em alguma fofoca na faculdade. Proporcione a ela a experiência de vivenciar um pouco o seu universo, é bobagem tentar o contrário nesse primeiro momento. Vale a pena tentar o bom elogio (ver "A arte do elogio", pág. 142), mulheres mais velhas adoram ser elogiadas por caras mais novos. Tenha confiança, ela já topou sair. No momento que julgar melhor, faça a aproximação física, pegue na mão, troque carinhos e ouse, sim, beijá-la. É o que você quer; seja, acima de tudo, sincero consigo mesmo! Boa sorte!

PROCEDIMENTOS CASO VOCÊ GANHE UMA CARONA DA

GATINHA

 

É isso aí! Fim de balada, a brota te descolou uma caroninha. Óbvio, mais que ululante, que o importante aqui é a garota. Mas seus esforços, todos eles, devem provar o contrário. Ela, a brota do volante, deve ser, antes de tudo, a pessoa, o ser humano caridoso que te levou pra casa. Tenha isso em mente e agradeça muito. Durante a viagem não elogie a aparência dela, e sim, seu bom coração. Mostre-se cansado, inofensivo, mas sempre de bom humor. Não tenha medo de dizer o óbvio e engate uma conversa sobre a balada. Invente ou resgate uma história engraçada sobre você. Por exemplo, um dia em que foi pagar a comanda e estava sem a carteira. Ou sobre quando derramou toda a sua bebida na roupa. Desprenda-se da vaidade e tente levá-la a fazer o mesmo. Se o carro tiver som, peça a ela que lhe apresente suas favoritas, envolva-se em seu universo. O objetivo aqui é deixar algo no ar, mostrar que vocês dois juntos, mesmo que em uma simples carona, funcionam bem.

Em nenhum momento seja galanteador, opte por fazer da carona uma extensão da balada. Sinta-se à vontade no território dela e use o que estiver a seu alcance. Sutilmente, elogie seu jeito de dirigir, sempre atento aos detalhes. De repente, a maneira como ela troca de marcha pode ser sua obsessão. Você também pode optar por alojar sua doencinha no modo como ela pisa no acelerador. Faça graça. Elogie as virtudes práticas e psicológicas dela, e, repetimos, nunca a aparência. Quando você perceber que estão próximos de seu destino, invente um assunto ou comece uma história interessante que não dê tempo de contar até o final. E aí, peça o telefone; se ela já deu a carona, não vai regular o número. Salvo algumas situações especiais — que você será capaz de avaliar — , saia do carro sem tentar nada. Pegue as mãos dela e despeça-se beijando-as. Evite até o beijinho no rosto. Deixe esse inusitado carinho nas mãos como único registro de sua despedida. Fale simplesmente 'tchau, valeu" e desça. Saia do carro com calma, bata a porta com cuidado. Dê um tapinha no capô e siga andando sem olhar para irás.

PROCEDIMENTOS NO PRIMEIRO ENCONTRO DA PRAIA

 

Vá até a casa dela, ou ao preciso lugar em que vocês combinaram, com apenas una obsessão: beijar na boca. Você está na praia, o clima é favorável, ela é uma gatinha, não tem que ter meio-termo. Chegue na simpatia e cumprimente com um abraço rápido. Note como ela se apresentou a você. Está de banho tomado? Está perfumada? Está mais ou menos bonita do que no instante em que vocês se conheceram? Mais do que fazer uma avaliação criteriosa da fêmea, você deve reparar aqui até onde ela se preocupou (ou não) em se mostrar atraente pra você. Ela está mascando chiclé? Chupando um Halis? Fique atento à receptividade corpórea da brota. Você certamente estará cheiroso, e se não estiver com uma menta na boca é porque engoliu assim que ela chegou. Você quer beijá-la Lembre-se disso, e, se achou-a bonita, atraente, diga, sem meias palavras: "Você está bonita?'. Aqui é um exemplo em que esse elogio cai bem. Primeiro porque ele é inédito vindo de você. Segundo porque disse que está, não que é bonita Não é tão lugar-comum como parece. E terceiro porque você já põe as garras de fora. Ela está bonita, logo, você a quer. Sentem-se na calçada, nos banquinhos, o mais informalmente possível e troquem a prometida idéia. Fale da vida, mostre seu lado mais simples, dêem boas risadas.

No auge da conversa, diga que precisa "sair fora", pois seus camaradas estão esperando. Diga que adorou revê-la. Levante-se e pegue na mão dela. Repita, nessa despedida, o mesmo abraço do "oi", e, quando for terminar o abraço, beije. Se ela vacilar, vale aqui uma insistência, vença pelo cansaço. Óbvio que tudo tem seu limite, mas, dentro do bom senso, seja realmente insistente. Se der tudo certo e o beijo fluir bem, tente marcar um encontro na balada, agora mais tranqüilo, sem afobação. Se fizer tudo como combinamos e Iemanjá estiver do seu lado, ufa! a noite está só começando.

 

COMO PROCEDER NO PRIMEIRO ENCONTRO

 

Parabéns, congratulations, félicitations! Se você está lendo esta parte do nosso Manual é porque tem um encontro marcado com a gata. Primeira dica: chegue na hora Nem antes, nem depois. Isso é importante para sacar a lógica dela: como ela vai se comportar? Ela chegou antes? Também foi pontual? Bem, vamos começar sendo pessimistas -- ela ainda não chegou, passaram-se 5, 10, 15 minutos do horário marcado e você ali, cheio de dúvidas do tipo "ela vem ou não vem?! Caramba, será que vou tomar o balão mesmo?" (aproveite e leia a pág. 158).

Calma, tente relaxar, respire fundo e, passados 25 minutos, dê um telefonema. Não espere mais do que isso, pois, no caso de um bolo, ligar depois de 40, 50 minutos comprova que você ficou plantado esse tempo todo. Lembre-se de que você tem todo o direito de ligar, afinal, quem está atrasada é ela. Isso acontece muito, esteja preparado, donzelas dificilmente chegam na hora. Mas agora vamos cogitar que as coisas começaram a caminhar muito bem, obrigado. Ela chega! Tente cumprimentá-la com um abraço.

Se não for possível o abraço, busque o máximo de contato físico nessa primeira saudação, deixando clara a sua ternura por ela. Cuidado para não olhá-la como um loba do pântano, isso pode pôr tudo a perder e ela pode se sentir acuada durante todo o encontro. Esse abraço deve ter o único objetivo de deixar os dois à vontade desde o início. Lembre-se de que você tem, além dos objetivos ridiculamente óbvios, uma meta: ser um cara legal e agradável. Se você tem dificuldade em desenvolver assuntos com pessoas que mal conhece, fique atento! Silêncios constrangedores podem ser desastrosos no primeiro encontro.

Pense em assuntos leves, fale bobagens. Em vez de despejar sobre ela suas virtudes, opte por contar sobre aquela vez em que você era pequeno e algo inusitado aconteceu. Seja pessoal, humano. Saiba ouvir -- aliás, tente ouvir mais do que falar, e só entre em assuntos polêmicos se tiver certeza de que houve afinidade e empatia. Certifique-se de que uma provável discussão sobre política ou pena de morte não vá abalar o encontro. Eventuais divergências podem até ajudar, afinal, vocês se colocariam de maneira sincera ao discutir um determinado assunto, mas, na dúvida, evite esse embate. Observe, sim, os movimentos dela. Veja se ela mexe muito nos cabelos, se sorri com tranqüilidade e te olha nos olhos. Veja também se ela está curiosa a seu respeito, se te faz perguntas. Se isso tudo acontecer, bom sinal. Quando se sentir à vontade, tente pegar na mão dela e diga simplesmente que "deu vontade de sentir você, a gente se deu bem, bom você estar aqui, te ouvir... e... é gostoso pegar na sua mão". Se ela vacilar, sorria e continue com coisas do tipo "qual o problema? O que a gente conversou até agora é muito mais íntimo que pegar na mão! E não está gostoso? Não é bom poder trocar um carinho?". Estabelecida essa nova relação, já dá até para relaxar. Mão na mão... Coisa linda, né? Curta esse momento, explore o que essa aproximação proporciona. Não tenha pressa de ir "aos finalmentes". Pouco a pouco, explore outros carinhos, faça elogios sutis, sinta-a se envolver. Respire fundo, beba uns goles de água e, finalmente, depois de todo o esforço e determinação, beije-a na boca. Toda a comunidade xavequeira torce para que esse seja só o começo.

 

COMO PROCEDER NO TELEFONEMA DA PRAIA

 

Telefoninho da brota da praia em mãos! Que beleza, hein?! Meus parabéns, mas nada de relaxar, a treta mal começou. Lembre-se: você não mora aí, está só passando alguns dias, possivelmente ela também, isso tudo faz desta uma situação diferenciada. Nada de embaçar para dar o telefonema Você vai ligar no mesmo dia. Além do mais, sabemos do poder afrodisíaco da maresia; se você perder tempo, outro gavião chega na área. Nesse caso é cara-de-pau, confiança no taco e bola pra frente! Passe a mão no telefone e ligue!

Em outras situações seu Manual do Xavequeiro recomenda uma espera de dois dias para esse telefonema. Porém, como foi dito há pouco, essa é uma situação diferenciada. Mas o caso é que o telefonema no mesmo dia também tem suas vantagens. Ela pode se surpreender, é uma atitude ousada ligar horas depois de ter conhecido a gatinha. Além do fato de que, se sua moral estiver em alta com a sereia, a ligação vai pegá-la ainda embriagada dessa sensação, sem que a magia tenha se perdido. Enfim, é confiar, torcer, mas acima de ludo não perder tempo. Até porque você tá na praia, cheio de mulher, se é pra levar um caldo, que seja logo, né não? Um bom horário pra esse telefonema é lá pelas nove da noite. Horariozinho em que se presume que a gata já chegou da praia, já tomou seu banhinho e está fazendo hora pra sair para a balada.

Tenha consciência de que este deve ser um telefonema breve, sim, mas preciso. Diga logo a que veio."Oi,sou eu,o cara que te conheceu durante o dia, legal?". Seja malandro, seguro. Possivelmente, em se tratando de praia, ela vai estar falando ao telefone com pessoas por perto. Não tente engatar um papo longo, meloso. Não é o momento para isso. Fale da balada. "E aí, vai fazer o que mais tarde?". Arranque dela informações precisas -- aonde ela vai e, principalmente, a que horas. Ela deve responder à pergunta Quanto a você, diga que as opções são muitas, que não sabe ainda o que vai fazer, mas que quer vê-la. Nesse "quer vê-la", seja absolutamente enfático. Sem mais nem menos, anuncie que vai passar na casa dela para "trocar uma idéia''. Evite marcar um encontro na balada, dificilmente ela vai querer se prender a um cara que mal conhece com tanto macho dando sopa Na balada ela também vai estar acompanhada de amigas (e amigos), perde-se a privacidade e pessoalidade que você tanto deseja. Sendo assim, my brother, insista. É a sua única opção. Até porque você não tem nada a perder. Dê seu sangue para conseguir o endereço dela. "Vou dar uma passadinha aí, porque não?". Se ela recusar, acuse-a sutilmente: "Qual o problema? Foi tão bom o nosso papo de dia, vou só te dar um oi, ok?'. Caso ela proponha um rápido encontro, não na casa dela mas em alguma sorveteria ou lojinha próxima aceite. O importante é que o combinado não seja na balada, e que você tenha minutos da presença solitária da gatinha ao seu lado. Se ante tal drama e insistência você for premiado com um encontrinho com o pitéu, ponha aquela berma bacana, fique cheiroso, mas antes de sair de casa dê uma atenta passada na página 155 do seu Manual, pois esse evento merece.

 

COMO PROCEDER NO PRIMEIRO TELEFONEMA

 

Muito bem, meu camarada. Aí está você, feliz da vida com o telefone da brota anotado naquele pedacinho de papel, no seu celular, enfim, pode se animar!, só o fato de ela ter te descolado esse contato já é muito bacana. O pitéu, consciente ou inconscientemente, concluiu: "Ok, vamos ver qual é a desse cara". Foi um crédito. Pense nisso. Mas vamos ao que importa: como proceder agora? Não há aqui regras absolutas. Há, sim, cuidados e procedimentos básicos. Em primeiro lugar, atenção ao horário da ligação. Qual a idade dela? Ela estuda, trabalha, tem tempo livre? Mora sozinha ou com a família? Enfim, leve todas essas informações ou impressões em consideração na hora de dar o sagrado telefonema.

Elimine todas as possibilidades possíveis de ser inconveniente.

Genericamente falando, evite um telefonema depois das 22 horas. Seja para a casa, seja para o celular da brota, jamais dê esse primeiro telefonema depois das dez, malandro. Claro, se você ligar e ela por algum motivo pedir pra você retomar à meia-noite é outro papo. Mas, nessa discagem inicial, um telefonema lá pelas oito da noite pode ser uma boa Ou à tarde, por que não? Tudo depende do ritmo de vida da gatinha O bacana é você tentar sacar os horários dela e encontrar uma hora legal para um bom papo. Outro ponto crucial e que pode definir seu destino com a gatinha é a data do telefonema. O ideal é ligar dois dias depois de conhecê-la Esses dois dias denotam certa tranqüilidade. Essa atitude não faz de você um desleixado (você não esperou uma semana para ligar) nem um desesperado. Dois dias. Tempo estratégico. Na dúvida do que fazer, opte por essa ação. Mas há -- e como há -- exceções. No caso de a gata ter sido muito simpática com você, se você sentiu que o lance rolou bem, ligue, por que não, no dia seguinte. Existem também aquelas situações em que a mulher deu o número movida por um impulso intenso, mas efêmero. Nesse caso, esperar pelos dois dias pode fazê-la pensar com frieza no assunto, ela pode até se arrepender de ter dado o tel (isso realmente acontece). Se foi o que você percebeu, pode arriscar um telefonema até no mesmo dia. Justifique esse contato precoce com falas do tipo "desculpe, mas foi muito louco o que aconteceu, eu precisava falar com você...". De qualquer forma, antes de fazer a ligação, analise bem e determine com lucidez a melhor data para ligar. E antes de ligar, observe-se. Como está sua respiração? A boca está seca? Controle-se, respire fundo, beba uns goles d'água, ache uma posição confortável.

Lembre com carinho da brota e pense com objetividade: "O que eu quero dela?". Eduque-se para responder "Eu quero um bom papo, quero vê-la de novo! Serei simpático, inteligente, engraçado, sem ser babaca Enfim, vou me mostrar um cara interessante". Outra dica é você, antes de ligar, ter algum assunto descolado para engatar. Pense em algo bacana que você fez durante a semana, ou em algum momento de sua vida, e deixe na ponta da língua. No caso de um silêncio constrangedor durante a conversa, você terá esse assunto salvador. Mãos à obra! Seja informal logo de cara, "oi, posso falar com a Ana?' é uma boa opção. Evite "bom dia", "boa noite" e outras formalidades, a não ser que você consiga dizer isso com uma certa graça, revelando-se um cara descolado logo mais. No caso do "quem é?" como resposta, não se afobe, diga com tranqüilidade seu nome e aguarde. Se vier o "é ela, quem é?", diga seu nome com a mesma tranqüilidade, seguido de um "tudo bem?". Ouça com atenção, e analise o exato momento em que ela descobriu que você é você. Saque se rolou ou não uma certa empolgação ou surpresa. Mas, no caso de uma resposta fria, não se abale. Algumas meninas adoram segurar a onda para fazer um charme e não demonstrar entusiasmo. Se pintar uma insegurança, respire fundo novamente. A partir daí, assuma o comando. Evite começar com um lúgubre "se lembra de mim?". Parta do pressuposto de que ela se lembra, sim! Isso transmite segurança. Vá logo engatando um assunto e, assim que possível, certifique-se de que você não está atrapalhando. Perguntas como "dá pra falar?" são sempre bem-vindas. Lance, como quem não quer nada, "e aí, terça-feira... como é que está o seu dia? Muita coisa pra fazer?"; se ela responder que não, que está tranqüila, que já acabou tudo o que tinha para fazer, comemore! Você ganhou o aval para continuar o papo. Mas se ela lançar coisas do tipo "nossa, cara, estou superatarefada, minha vida tá uma confusão...", fique esperto. Nesse caso, seja direto e pergunte se ela prefere que você ligue outra hora e qual o melhor horário. Siga as instruções dela E quando finalmente for rolar esse esperado papo pelo telefone, sugira o assunto que lhe vier à cabeça mas não foque muito a ocasião em que vocês se conheceram. Busque novas informações sobre ela sem bancar o investigador de polícia Durante a conversa, elogie a voz da moça no tel, sua maneira calma de falar. No ponto alto da conversa, quando o papo estiver bom mesmo, dê uma pausa enigmática e faça o convite. Uma boa dica aqui é convidá-la para fazer algo de que você gosta. Tenha propriedade sobre o convite, apresente-a ao seu mundo. Evidentemente, você ceve usar o bom senso, não vá convidar a mina pra jogar futebol de botão. Mas algo diferente pode pegar bem. Algo que ela não conheça, que pode enriquecer seu dia; use inclusive esses argumentos para persuadi-la se necessário. Marque hora e local e, se o encontro for marcado, irmão, é sinal de que você está lendo o Manual direitinho, hein? Mais um importante passo foi dado e, com a ponta confirmada com a brota, vá à página 155. Mas, se ela "ficar de pensar", pergunte quando é que você liga para obter a resposta Nunca deixe a responsabilidade do segundo telefonema para ela, pode rolar uma triste decepção. A ação é sua. Confie e seja você mesmo.

 

F I M

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Fabiano Rampazzo e Ismael de Araújo

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